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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273On-line version ISSN 1678-9865

Rev. Nutr. vol.22 no.1 Campinas Jan./Feb. 2009

https://doi.org/10.1590/S1415-52732009000100012 

SEÇÃO TEMÁTICA - MÉTODOS EM NUTRIÇÃO THEMATIC SECTION - METHODS IN NUTRITION

 

Pesquisas qualitativas em nutrição e alimentação

 

Qualitative studies in nutrition and feeding

 

 

Ana Maria Canesqui

Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Medicina Preventiva e Social. Caixa Postal 6111, Cidade Universitária Zeferino Vaz, 13083-970, Campinas, SP, Brasil. E-mail: <anacanesqui@uol.com.br>

 

 


RESUMO

O artigo revê e comenta os estudos qualitativos e os que fazem interlocução com as Ciências Sociais e Humanas na área de alimentação e nutrição. Selecionaram-se 93 artigos nas publicações registradas na base de dados do SciELO, de uma listagem geral obtida com as palavras chaves alimentação e nutrição. Classificaram-se os conteúdos em cinco assuntos: dimensões sociais, culturais, cognitivas e psicológicas da alimentação e nutrição; educação/orientação nutricional; análise e avaliação de políticas e programas de alimentação e nutrição; profissão, formação de recursos humanos e estudos teórico-metodológicos. São tecidas considerações sobre a pesquisa qualitativa nos marcos das Ciências Sociais e Humanas sobre cada um dos assuntos. Conclui-se que as pesquisas qualitativas ampliaram positivamente a interlocução da Nutrição com as Ciências Sociais e Humanas, embora requeiram aperfeiçoamento teórico-metodológico para superar os estudos descritivos, adequando o seu entendimento. Foram verificadas a forte presença da Revista de Nutrição e de periódicos das áreas de Saúde Pública/Saúde Coletiva; a concentração em alguns autores e a necessidade de apoiar a formação em Ciências Sociais e Humanas na Nutrição e incentivar a prática da multidisciplinaridade para aperfeiçoar aquelas pesquisas.

Termos de indexação: Alimentação. Antropologia. Ciências sociais. Nutrição. Pesquisa qualitativa.


ABSTRACT

The article reviews and comments the qualitative studies and the ones that make relationship between social and human sciences in the nutrition and feeding areas; 93 articles have been selected in publications in the SciELO database, of a general listing obtained with the key words: feeding and nutrition. It was classified in five subjects: social, cultural, cognitive and psychological dimensions of feeding; education/nutritional orientation; analysis and evaluation of politics and programs of feeding and nutrition; profession, formation of human resources and theoretician and methodological studies. Considerations on qualitative research in landmarks of social sciences and commentaries on each of the subjects have been weaved. It is concluded that the qualitative research had positively extended interlocution of Nutrition with Social and Human Sciences, although requiring improvement in theories and methodologies, in some subjects, and to adjust the agreement of the qualitative research; there is a strong presence of the Revista de Nutrição and periodic of Public Health/Collective Health in the academic production, a focus in the work of some authors and the necessity to give support in Social and Human Sciences in Nutrition formation and to improve the multidisciplinary practice in the qualitative studies.

Indexing terms: Feeding. Anthropology. Social sciences. Nutrition. Qualitative research.


 

 

INTRODUÇÃO

O I Fórum de Coordenadores de Cursos de Pós-Graduação em Nutrição, realizado em Salvador (BA), em 2006, apontou as necessidades de aperfeiçoar as metodologias dos estudos para alcançar maior competitividade internacional e auto-reconhecimento da área do que foi produzido1. São preocupações plausíveis para consolidar os cursos de pós-graduação, que fazem sentidos a este debate, cuja flexibilidade do tema permitiu optar pela análise do estado da arte da pesquisa qualitativa em alimentação e nutrição, registrada no sistema SciELO, no período 1985-2007.

Dos 327 resumos obtidos com as palavras-chave alimentação e nutrição 28,4% (93) se auto-designaram como pesquisas qualitativas ou incorporaram referenciais das ciências sociais e humanas, distribuindo-se nas seguintes proporções nos periódicos identificados: Revista de Nutrição, 52,5%; Revistas de Enfermagem, 8,5% (Acta Paulista de Enfermagem; Revista Latino-Americana de Enfermagem e Texto e Contexto de Enfermagem); nos periódicos de Saúde Pública/Saúde Coletiva estavam 39,0% dos resumos (Cadernos de Saúde Pública; Revista de Saúde Pública; Physis Revista de Saúde Coletiva; História Ciência, Saúde-Manguinhos; Ciência & Saúde Coletiva e Revista Brasileira de Saúde Materno-Infantil). Entre os autores estavam: nutricionistas, enfermeiros, cientistas sociais, médicos sanitaristas ou especialistas em Saúde Coletiva/Saúde Pública, predominando os primeiros.

Pesquisas qualitativas em saúde não são novidade. Há três décadas deu-se no Brasil a interlocução das ciências sociais e humanas (Antropologia, Sociologia, Psicologia, Educação, Ciência Política) com a Saúde Pública/Saúde Coletiva e, mais recentemente, com a Nutrição.

Empregaram-se a etnografia e outras técnicas qualitativas nos clássicos estudos de comunidade, feitos por sociólogos e antropólogos no Brasil, no período de 1940 a 1970, estudando-se, além da organização social, econômica e política das populações rurais e urbanas, a produção, a distribuição e o consumo de alimentos, ao lado dos hábitos, tabus, das restrições e crenças alimentares de populações ribeirinhas, pescadoras e rurais2.

Etnografias da alimentação e nutrição, feitas por antropólogos, usaram vários instrumentos e procedimentos de obtenção de dados qualitativos inéditos sobre a família e o consumo alimentar. Foram também realizadas investigações sobre representações e práticas de consumo e sobre a reprodução da família e estratégias de sobrevivência, complementares ao Diagnóstico Nacional de Despesas Familiares (Fundação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1974/1975), ao lado de outros estudos antropológicos revistos2,3.

Os antropólogos estudaram, posteriormente, o simbolismo da alimentação e nutrição, as restrições e proibições alimentares, as comidas ou pratos típicos, marcadores de identidades regionais ou nacionais; as comidas rituais e religiosas, a de fast food, as dietas naturalistas, a dieta judaica; a organização e as relações sociais nas feiras e nos mercados, entre outros estudos. As análises da política de alimentação e nutrição, da profissão, da constituição do campo da nutrição e da educação alimentar fizeram interlocução com as demais ciências sociais e humanas: Sociologia, História, Ciência Política e Educação, acumulando um acervo importante de pesquisas.

Essas interlocuções ampliaram a concepção da abordagem do social nos estudos de alimentação e nutrição, antes restrita aos problemas da fome e desnutrição e aos seus determinantes, à avaliação nutricional, aos inquéritos dietéticos e às propostas de intervenção, segundo Vasconcelos4, ao estudar as publicações dos Arquivos Brasileiros de Nutrição, no período de 1944 a 1968.

Nos resumos selecionados a pesquisa qualitativa identificou-se com o uso de métodos e técnicas; com a rápida execução ou com a aproximação da realidade, dispensando amplos universos populacionais. Antes de examinar a produção científica, que indagou sobre os assuntos, conceitos, instrumentos e técnicas de coleta de informações, pergunta-se sobre o entendimento da pesquisa qualitativa, cujo debate é controvertido e polifônico, segundo as referências teóricas das ciências sociais e humanas.

Não se pretende exaurir o assunto e nem reconstituir a história da pesquisa qualitativa ou a interlocução da Nutrição com as Ciências Sociais e Humanas, mas apontar alguns aspectos do debate em torno de sua conceituação, no âmbito das Ciências Sociais e Humanas. Omissões podem ocorrer em um estudo desta natureza, advertindo-se que não foram intencionais.

Consideração sobre a pesquisa qualitativa

O qualitativo, na emergência da Antropologia da segunda metade do século XIX, identificou-se com a etnografia na inauguração dos estudos de campo das comunidades humanas, feitos por Franz Boas5 entre os esquimós, em 1880 e, anteriormente, por Morgan6 entre os iroqueses, com múltiplos desdobramentos posteriores. Na Antropologia Social inglesa do início do século XX a etnografia, inicialmente, descreveu as sociedades humanas de pequena-escala, orientando-se teoricamente à medida do desenvolvimento das Ciências Humanas. Ancora-se, recentemente, em novas vertentes, como a interpretativa (hermenêutica), nas revisões epistemológicas sobre o objeto da própria Antropologia e do trabalho de campo, cercado por um conjunto de problemas existenciais, morais, ideológicos políticos e éticos.

O trabalho de campo e a observação participante, nos seus primórdios, calcaram-se na objetividade do pesquisador, almejada pelos antropólogos da escola inglesa funcionalista e estrutural-funcionalista representados, respectivamente, por Malinowski7 e Radcliffe Brown8, influenciados pelas concepções das Ciências Naturais. O primeiro buscou as bases institucionais da cultura derivadas das necessidades vitais e o segundo, as leis e regularidades do funcionamento da sociedade. Retira-se a lição dos clássicos antropólogos que a pesquisa qualitativa não recusa a teoria e nem se esgota exclusivamente no trabalho de campo meramente descritivo.

Para outros autores, o qualitativo opõe-se ao não quantificável9, sendo que a escola norte-americana de Chicago, desde a década de 1920, incorporou a etnografia, a observação e a geração de teorias a partir dos dados empíricos. A Grounded Theory de Glaser & Strauss9 não reduziu a importância dos clássicos estudos sobre os grupos marginais; estudantes de medicina, adoecidos crônicos, dentre outros, que, certamente, dependeram de sua profunda formação teórica e do domínio das teorias na análise das informações obtidas. Desdobramentos posteriores daquela escola muito contribuíram para aperfeiçoar as metodologias e os instrumentos da pesquisa qualitativa, lembrando-se as contribuições sociológicas de Becker10.

A maior aceitação da pesquisa qualitativa ampliou as possibilidades de sua combinação com a pesquisa quantitativa, sempre que os objetos de estudo a reclamasse. Alguns estudos de comunidade mencionados fizeram esta combinação, enquanto os estudos dietéticos nacionais foram sempre quantitativos, predominando as pesquisas governamentais e econômicas dos orçamentos familiares e o emprego de questionários sobre o consumo, nas teses acadêmicas de nutrição, no período de 1990 a 200511.

Outras correntes, como a etnometodologia12 e o interacionismo simbólico13 abordam, respectivamente, o conhecimento do senso comum, valendo-se de informações e análises qualitativas, sendo a realidade social concebida como construções práticas e interativas significativas. A ação social e a intencionalidade dos indivíduos (internalidade) nos contextos e nas situações, a construção de identidades, os significados e os papéis foram abordados pelo interacionismo simbólico.

Similarmente, a fenomenologia apega-se aos indivíduos e suas interações sociais, às construções significativas da vida cotidiana, ao conhecimento do senso comum que as impregna14, ampliando a sociologia do conhecimento ao conhecimento da vida cotidiana, antes confinada ao conhecimento erudito. Inspirados em Alfred Schultz, aqueles autores ativaram as situações face a face e grupais, lembrando que a realidade da vida cotidiana não é espontânea, mas submetida a tipificações que são estoques de conhecimentos gerados pelo trabalho da história, ainda que possam ser negociados situacionalmente.

Estas últimas correntes enfeixam-se no que Corcuff15 designou de galáxia construtivista, que parte dos indivíduos e suas interações sociais, não sendo novas correntes teóricas à medida que, desde a década de 1960 nos Estados Unidos, Berger & Luckmmann; Cicourrel; Goffman eram autores conhecidos das orientações mais qualitativas e interacionistas, retomadas fortemente nas ciências sociais e humanas na década de 1990 e por autores deste estudo. Estas abordagens opõem-se aos modelos de determinação estruturais, aos sistêmicos e aos funcionais. Tomam a realidade subjetivada e interiorizada pelas tipificações ou pela socialização como um duplo processo de conservação e transformação, por meio de um dos vetores - o aparelho de conversação.

Questiona-se a autoridade do autor nas abordagens antropológicas e etnográficas interpretativas e nas reflexivas que usam a história oral, as narrativas, os métodos biográficos, compreendendo os fenômenos nos seus contextos pessoal e histórico16, 17.

Nas críticas pós-modernas e pós-estruturalistas o qualitativo está no cerne da desconstrução da objetividade da ciência e do pesquisador, que não é neutro, mas impregnado de valores, de ideologia, de saberes (do senso comum e erudito) que podem influenciar desde a captura e construção de seus objetos de investigação (que são e devem ser elaborados à luz dos conhecimentos científicos) às interpretações, sempre provisórias.

Denzin & Lincoln18 afirmam, neste sentido, que não há significado fixo para ser capturado, sendo ele produto de seu tempo e espaço. Para eles, pertencentes à tradição norte-americana: "a pesquisa qualitativa é a atividade situada que traz o observador para o mundo. Ela consiste na interpretação, na prática material que torna o mundo visível... Estas práticas tomam o mundo em uma série de representações, incluindo as anotações de campo, entrevistas, conversações, fotografias, gravações e memórias do eu. Neste nível, a pesquisa qualitativa envolve as abordagens interpretativas, estuda as coisas no mundo natural, atentando para o seu sentido ou interpretação dos fenômenos em termos de significados atribuídos pelas pessoas" (tradução da autora).

Sem distinguir qualidade da quantidade, remetida ao plano das técnicas e dos procedimentos, uma visão mais abrangente, com a qual esta autora concorda, considera que "toda ciência é qualitativa à medida que estabelece uma qualidade de seus objetos de estudo no sentido de reproduzi-lo, explicá-lo ou compreendê-lo. A quantidade nada representa se não se relacionar à qualidade e os dados nunca falam sozinhos, requerem interpretação no âmbito das teorias que os alimentam, afirmando-as ou negando-as"19.

Briceño-León lembrou, na classificação das ciências, os estudos nomotéticos (quantitativos), que são generalizáveis porque tratam com noções, categorias que podem ser aplicadas às distintas situações, possuindo caráter universal. Os estudos idiográficos são os qualitativos: não pretendem generalização, correspondem a uma realidade histórica e esclarecem aspectos de um problema ou de um determinado grupo humano. Eles trabalham com reduzido número de informantes, selecionados mediante critérios.

Na pesquisa qualitativa a coleta de dados requer aproximação e interação entre pesquisador-pesquisado; a obtenção de informações extensivas e não apenas pontuais ou originárias de uma única fonte de coleta de dados, como as entrevistas não estruturadas, por exemplo. A análise abre-se aos conceitos e às hipóteses emergentes, que alteram o desenho inicial e provisório do estudo, buscando-se padrões de associação e não apenas descrições. Desenvolve tipologias ou explanações; volta-se para os significados valorativos ou aos elementos representacionais (formas de pensamento), simultaneamente individuais e coletivos. Não descarta os elementos materiais envoltos nas práticas sociais, derivados da ordem social estruturadora da sociedade; os situacionais e contextuais; os simbólicos e valorativos, que podem ser específicos ou mais generalizáveis e sempre passíveis de permanências e mudanças.

A interpretação não se confunde com a repetição acrítica dos conteúdos das entrevistas, depoimentos, relatos e frases, tão freqüentemente encontrados nas pesquisas qualitativas. As entrevistas são flexíveis em relação ao número de informantes selecionados, cuja fixação numérica obedece a critérios, segundo o desenho do estudo, seu objeto, o problema formulado e as hipóteses (provisórias), os instrumentos e o quadro teórico utilizado. Nos estudos examinados o universo de informantes variou de 2, apropriado para estudo de caso, a 32, prevalecendo, em vários estudos examinados, o reduzido número de informantes, selecionado segundo sua disponibilidade ou a conveniência dos pesquisadores. Neste sentido, na seleção do número de informantes o ponto de saturação - suspensão de inclusão de novos participantes no estudo, devido à redundância e repetição das informações - é uma regra metodológica da pesquisa qualitativa que deve ser observada, não sendo apenas decisão subjetiva ou conveniência do pesquisador20.

Estas são apenas algumas definições e requisitos da pesquisa qualitativa que durante o século XX responderam a diferentes escolas e enfoques, imersos em tradições intelectuais das Ciências Sociais e Humanas, sendo que a Clínica, a Psicologia, a Filosofia, a Epistemologia e a História também trazem aportes importantes a essas pesquisas, não consideradas nos limites desta exposição.

Como a pesquisa qualitativa incorporou-se aos estudos da área de alimentação e nutrição?

Os artigos identificados na revisão da literatura foram classificados nos seguintes assuntos, objetos das pesquisas: (1) Dimensões sociais, culturais, cognitivas e psicológicas da alimentação e nutrição, subdivididos nos estudos sobre (1a) representações sociais; (1b) práticas, conhecimentos e comportamentos alimentares; (1c) cultura e alimentação e nutrição; (2) Educação/orientação nutricional subdivididos em (2a) gênese e constituição do campo; (2b) avaliação das intervenções educativas; (2c) análise das atuações dos profissionais (3) Análise e avaliação da política e dos programas de alimentação e nutrição: (3a) gênese e análise das políticas; (3b) avaliação dos programas de alimentação e nutrição (4) Profissão, formação de recursos humanos e campo da Nutrição; (5) Estudos teórico-metodológicos: (5a) comensalidade e mudança dos comportamentos alimentares; (5b) análises conceituais, teórico-metodológicas e desenhos de pesquisas.

Dimensões sociais, culturais, cognitivas e psicológicas da alimentação e nutrição: há estudos mais sistematizados conceitual e metodologicamente, absorvendo o conceito de representações sociais da Psicologia Social, como representações mentais da realidade21, ou como conhecimento do senso comum cotidiano22, evocando também a análise das práticas discursivas e a produção de sentido23 ou a fenomenologia, que confere importância ao conhecimento do senso comum.

Moscovici, na Psicologia Social, e Herzlich, na Sociologia, ambos ligados à escola francesa, resgataram da teoria de Durkheim, o conceito de representações coletivas definidas como categorias de pensamento social. Mocovici denominou-as de representações sociais, articulando o coletivo ao individual, embora seus críticos apontem sua permanência no individual, sendo indispensável articular ambos os níveis. Adam & Herzlich24 admitem que, na interpretação dos fenômenos orgânicos, as pessoas se apóiam em conceitos, símbolos e estruturas interiorizadas, segundo os grupos a que pertencem, firmando-se certas doenças no imaginário coletivo.

Há autores que tomaram as representações sociais como percepções ou concepções dos sujeitos; formas de conhecimento ou de ação, nem sempre explicitando as teorias embutidas nos conceitos que se tornam auto-evidentes para os que apenas transcreveram as falas dos entrevistados, mediante estudos descritivos e exploratórios.

Vários autores abordaram as representações25-36. O retorno ao sujeito, a ruptura com a objetividade do conhecimento, o encontro com o vivido, com as construções sociais parecem ter motivado os pesquisadores da área de Nutrição a estudar as representações alimentares, ao lado de preocupações com as intervenções educativas impositivas e normativas desconhecedoras da complexidade das práticas alimentares e das representações sociais25, ou em função de interesses emancipatórios e ético-políticos37.

As representações da alimentação e nutrição ultrapassam as elaborações individuais e subjetivas, sendo subjetivadas, reelaboradas nas práticas, no processo de interiorização e exteriorização do que é aprendido pelos indivíduos e grupos socialmente posicionados, em um determinado tempo, nos esquemas de socialização primários e secundários, no contato com o conjunto de conhecimentos socialmente disponíveis (eruditos e do senso comum), assim como com as experiências vividas, corporais e relacionadas à saúde/doença e às regras alimentares. A alimentação e nutrição inclui o imaginário, as crenças coletivas, alteradas no tempo e no espaço, sendo indispensável à vida e à reprodução biológica e social completando-se como objeto sociocultural, econômico, histórico e político, que demanda a atenção dos pesquisadores.

Alguns textos fizeram correspondência unívoca das representações com os comportamentos e as práticas ou entre o pensar e o agir, posto pelo behaviorismo, cujas contradições e dissonâncias são difíceis de apreender somente na análise dos conteúdos das entrevistas, desafiando o pesquisador a empreender observações mais prolongadas das práticas alimentares, compreendendo a sua impregnação por elementos valorativos, materiais, simbólicos, que são sociais, históricos e culturais, não restritos apenas à linguagem falada. Outros estudos examinados, orientados pela fenomenologia, fixaram-se nas variações das representações e dos significados, nas situações e relações sociais nos grupos observados, combinando diferentes técnicas de obtenção das informações (relatos orais, observações e entrevistas grupais).

O uso de teorias antropológicas por alguns estudos tomou as representações alimentares como modelos culturais ou do senso comum (forma de conhecimento) construído e operado na realidade38. São, portanto, os valores simbólicos e as crenças, os significados simbólicos elaborações coletivas, apresentados na forma de conhecimento, de formas de pensar e agir, integrantes da cultura e do sistema de representações simbólicas, não esgotados nas construções autônomas individuais e subjetivas.

Articulado ou não ao estudo das representações está o subitem 1b, sobre os conhecimentos, as atitudes e as práticas ou os comportamentos alimentares em vários autores39-44, enfocando o necessário conhecimento dos aspectos psicosociais e motivacionais dos comportamentos alimentares individuais para explicar o seguimento ou não das dietas prescritas ou a adoção da alimentação e nutrição saudável, segundo as prescrições e concepções do saber científico nutricional. A promoção de novos comportamentos, em algumas teorias psicológicas, indica a necessidade de conhecer as crenças, as pressões sociais e os conhecimentos dos sujeitos para alterá-los, enquanto a crítica ao etnocentrismo impõe a compreensão desses elementos, como matérias culturais a ser respeitadas ou negociadas nas intervenções.

No subitem 1c os estudos manejaram conceitos antropológicos como padrões culturais, tabus, crenças, tradições, conhecimentos e significados, originários de diferentes teorias38, 45-51.

Abordaram-se os modelos ou padrões culturais presidindo as escolhas alimentares, sem desprezar as estratégias de sobrevivência de grupos submetidos à escassez de alimentos. Tomaram-se as experiências e os significados da fome, transcendentes às condições materiais, porque ancoradas em imagens coletivas e no sistema de símbolos, socialmente produzidos47, ou os significados compartilhados grupais da fome, na leitura hermenêutica da linguagem, buscando-se as metáforas e os signos que as acompanham48, evocando-se a abordagem interdisciplinar e a presença da Antropologia na compreensão da fome crônica47, tanto quanto o seu emprego na compreensão interdisciplinar da alimentação e nutrição como fenômeno bio-cultural50.

Deslocaram-se os olhares às restrições e preferências alimentares e aos aspectos socioculturais49, cruzando-se as informações obtidas de múltiplas fontes, submetendo-as aos testes de verificação de consistência e validação das respostas, auxiliares na sua sistematização. Compararam-se os conteúdos e as múltiplas dimensões dos entendimentos do senso comum sobre algumas categorias dietéticas como o forte/fraco; quente/frio; reimoso51, obtidas dos estudos etnográficos nacionais, apontando-se a lógica das explicações, que incorporam simultaneamente conhecimentos tradicionais, reelaborações e apropriações do conhecimento dietético científico, significados e variações regionais, conteúdos simbólicos e valorativos; relações com as regras de uso do corpo, significados e conhecimentos sobre a relação corpo - alimentação e nutrição. Analisaram-se ainda quatro tipos de fontes informativas (as tribos naturalistas; os profissionais de saúde; a publicidade e a indústria) que portam representações sobre o chamado alimento natural52.

- Educação/orientação nutricional: neste item concentraram-se 14,0% dos artigos examinados. Na análise da gênese e da constituição daquele campo (3a) abordaram-se as concepções e perspectivas de organismos internacionais53 e a objetivação do conhecimento científico produzido, como expressão de outros acontecimentos, em diferentes períodos históricos54, explorando-se a produção de conhecimento e as estratégias de intervenção55. No conhecimento acumulado nas teses defendidas em programas de pós-graduação do Rio de Janeiro (1980 a 1990) as matrizes conceituais, deslocaram-se da chamada ignorância alimentar aos estudos das representações sociais, na década de 1990, explicitando-se os discursos e os modelos fechados de significação37.

O subitem 2b abarcou um conjunto de pesquisas empíricas sobre as intervenções educativas, avaliadas pelos usuários e profissionais de saúde. Discussões sobre os modelos psicológicos de aconselhamento foram consideradas56, ao lado das tecnologias e dos conteúdos de comunicação57, 58. A desatenção da orientação educacional com os aspectos cognitivos e simbólicos do comportamento alimentar apontou a necessária incorporação do método problematizador, como o reflexivo-dialético de Paulo Freire59, valorizando-o na prática da educação dialógica60.

No subitem 3c estudos empíricos sobre a atuação dos profissionais abordaram seus papéis, conhecimentos; percepções, condutas e representações em relação à orientação nutricional, sob as abordagens psicosocial, fenomenológica, interacionista simbólica ou dialético-hermenêutica, sugerida por Minayo61, obtidas de entrevistas individuais ou de discussões grupais ou da pesquisa-ação, envolvendo os próprios pesquisadores no processo de intervenção, obtenção e análise das informações62-66. Identificaram-se várias dificuldades na incorporação do cuidado nutricional pelos profissionais de saúde, dentre elas: a falta de preparo e formação, os obstáculos materiais; os relacionados ao funcionamento das instituições de saúde e o excesso da demanda. Da mesma forma, alguns estudos deixaram de articular com maior precisão as teorias e a metodologia enunciadas nas análises empreendidas.

- Análise a avaliação da política de alimentação e nutrição: neste item estavam 29,0% dos artigos selecionados. Na análise de políticas (3.a) a revisão bibliográfica de Figueiredo & Figueiredo67 destacou as políticas de alimentação e nutrição entre as mais estudadas pelos estudos epidemiológicos, de avaliação nutricional, sempre quantitativos, ausentando-se, na ocasião, a análise da formulação e implementação das políticas. Avaliando-se a produção de teses de pós-graduação em Nutrição (1980-2004) sobre o assunto observou-se o deslocamento da abordagem dos processos de intervenção biológica para a sócio-política68, ou a centralidade dos intelectuais fundadores à reconstituição histórica das distintas práticas discursivas formuladoras das políticas, assim como as pesquisas avaliativas, combinado-se os métodos qualitativos (análise de documentos, dos conteúdos discursivos) e as fontes quantitativas de informações.

No primeiro subitem 3a está a análise do processo político de institucionalização das políticas de alimentação e nutrição no Brasil, nos períodos de 1940 e durante os 70 destacando-se as instituições, os agentes e os diferentes programas69, 70. Reconstituiram-se o pensamento de personagens e atores formuladores relevantes, como Josué de Castro e outros71; os determinantes estruturais e conjunturais de natureza política, econômica e social na formulação e implantação das políticas de alimentação e nutrição72, estudando-se, nas diferentes conjunturas e nos vários períodos (1930-2003) as concepções, os discursos oficiais governamentais ou de atores formuladores, as mudanças nas concepções da política, os modelos de gestão, a concessão de benefícios, financiamento e relações entre Estado sociedade civil73, destacando-se os componentes temáticos da agenda de organismos internacionais comemorativos do Dia da Alimentação74.

As mudanças e as concepções da Segurança Alimentar nos planos governamentais nacionais e das organizações internacionais foram abordadas75, propondo-se a construção da cidadania e a atuação dos nutricionistas a respeito. Nas relações entre o Estado e a sociedade civil desloca-se o enfoque das estruturas institucionais e discursivas governamentais às estratégias do movimento social de Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida76, ao lado das estratégias de combate à fome e à pobreza do programa da Comunidade Solidária77.

Na análise da política de educação alimentar e nutricional constatou-se a sua ausência na agenda da política de Segurança Alimentar78, formulando-se propostas a respeito79, da mesma forma que a inserção daquela educação nos currículos escolares do ensino fundamental, ancorada nas ações promocionais da saúde80. Assim, vale-se do espaço da escola como oportunidade de intervenção, avaliação e ampliação daquela política81. Os estudos tendem a refletir os fortes apoios da comunidade de especialistas na formulação, ampliação e na orientação daquela política, com análises que subsidiam ou refletem sobre as intervenções e propostas de promoção da saúde, centradas na alimentação e nutrição.

No subitem 3b, avaliação das políticas e programas, abordou-se o processo de descentralização do Programa de Alimentação Escolar, mediante estudo de caso e análise de desempenho do programa82. Foi também avaliado o processo de implantação, incorporando conceitos das Ciências Sociais e Humanas e as informações quantitativas e qualitativas na sua avaliação, enfocando-se as suas estruturas organizacionais, a operação dos meios e os recursos institucionais; os agentes envolvidos, o alcance das metas e dos propósitos e os julgamentos dos beneficiários83. Uchimura & Bossi84 avaliaram os programas de comercialização de alimentos na sua interface com a cidadania e os usos dos programas sociais85, sendo que a análise do programa Leite é Saúde mostrou sua baixa implementação86,87. Em outro tipo de pesquisa avaliativa adaptou-se de Donabedien88 o modelo de estrutura, processo e resultado, aplicado aos estudos da qualidade da atenção médica, articulando estas dimensões e não os estancando na análise de vários indicadores e resultados, reunidos em uma proposta metodológica89, usada na avaliação de vários programas da política de Segurança Alimentar, combinado múltiplas técnicas de obtenção das informações90, 91.

O esforço de montagem de um desenho metodológico de avaliação dos diferentes programas foi evidente, embora permaneçam dificuldades de articulação das informações qualitativas e quantitativas na avaliação de programas diferenciados. A avaliação de membros das equipes do programa de Saúde da Família concluiu a sua necessária capacitação para implantar ações de atenção nutricionais mais efetivas92.

Sobre os julgamentos dos usuários em relação aos benefícios recebidos argumentaram-se a importância de sua participação93 e as avaliações dos problemas nutricionais, objetos das políticas, investigando-se os sentidos da alimentação e nutrição obtida e da saúde94.

- Profissão, formação de recursos humanos e campo da nutrição: constavam neste item 15,0% dos artigos selecionados, abordando, primeiramente, a profissão e o trabalho dos nutricionistas, fazendo ou não interlocução com as Ciências Sociais e Humanas, usando-se ou criticando a teoria marxista do processo de trabalho95 ou propondo outros marcos referenciais96. Incluiram-se estudos empíricos sobre as condições e a organização do trabalho dos nutricionistas nas empresas de refeições coletivas ou na gestão dos cuidados97,98, além de terem sido avaliados e identificados os problemas na inserção dos nutricionistas na rede básica de saúde ou nos serviços de reabilitação99-101, reconhecendo-se o pioneirismo da incipiente inserção. Processo de trabalho, subjetividade, cargas de sofrimento ou a visão funcional-administrativa das atividades orientaram conceitualmente essas pesquisas.

Em segundo lugar estavam importantes estudos históricos sobre a constituição e o desenvolvimento do campo científico da nutrição e da profissão do nutricionista102-106, ao lado das pesquisas sobre as condições e a situação de trabalho107, sempre orientadas à auto-compreensão da profissão, das diretrizes e das normas da formação dos recursos humanos, à crítica e ao equacionamento das futuras necessidades. Contextualizaram-se análises dos princípios e das diretrizes emanadas das instituições formuladoras das políticas ou das reguladoras da profissão, enquadrando-se as primeiras pesquisas na formulação e na implantação da política de formação de recursos humanos, ultrapassando a perspectiva normativa.

- Reflexões teórico-metodológicas: reuniram-se neste item 10,8% dos artigos, destacando-se as reflexões e propostas teórico-metodológicas sobre diferentes objetos, vistos na perspectiva interdisciplinar ou disciplinar (Sociologia, Antropologia, Psicologia e História da Alimentação), motivados ou não pelas intervenções. Os artigos, originários principalmente da Revista de Nutrição, revelam esforços teórico-conceituais e operacionais da pesquisa na interlocução da Nutrição com as Ciências Sociais e Humanas.

No primeiro subitem 2.1 analisam-se a comensalidade e a mudança dos comportamentos alimentares, os impactos e as resistências aos efeitos da globalização, intermediados pelas alterações do modo de vida urbano, afetando os comportamentos alimentares e o padrão de consumo108, explorando-se um conjunto de determinantes (materiais, culturais e subjetivos). Critica-se a massificação e a importação de modelos culturais hegemônicos de padrões alimentares109, que deslocam o sistema de significação. Analisam-se as mudanças dos comportamentos alimentares - o caso francês110, sintonizando as alterações na cultura alimentar com os processos de mudança econômica, sem observar as possíveis divergências e resistências. Tomam-se os modelos de consumo e seus fatores determinantes expressos nos hábitos alimentares111, usando-se o conceito de sistemas alimentares na perspectiva histórica e comparativa, que incorpora também os diferentes agentes sociais e suas relações (produtores, distribuidores, consumidores e Estado) na compreensão, construção e na mudança dos hábitos alimentares, que não gozam de autonomia em relação aos fatores determinantes, deixando de ser apenas motivações comportamentais.

Propostas teóricas metodológicas e de desenhos de investigação (item 2b) nas reflexões sociológicas de Poulain & Proença112 abraçam a pluridisciplinaridade sobre o ato alimentar, como objeto biocultural, situado nas interrelações entre um agrupamento social e seu meio. O conceito de espaço social alimentar abre-se às múltiplas dimensões: o comestível, a produção alimentar, o culinário, os hábitos de consumo, a temporalidade e as diferenças.

A alimentação e nutrição como fato bio-cultural conclama a contribuição das Ciências Sociais e Humanas com a biomedicina e a Nutrição, tomando-se a dimensão sociocultural e as relações envoltas nas práticas alimentares de mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal, que se prestam simultaneamente à ciência e à cultura, expondo-se as mulheres às regras advindas de saberes diversificados, oriundos das culturas do grupo família, de gênero e da biomedicina. Reforça-se a insistente crítica da Antropologia às posturas etnocêntricas de não tomar como inadequados ou como ignorância os elementos culturais e simbólicos da alimentação e nutrição50,51,113.

Na análise das teorias que ancoram as mudanças de atitudes, crenças e percepções dos comportamentos, Assis & Nahas113 apontam as seguintes teorias: cognitiva; do autocontrole; health belief model; os modelos de prevenção da recaída, transteórico e integrativos, abraçando estes últimos, que consideram os planos organizacional, ambiental e individual no estudo e nas orientações das mudanças dos comportamentos alimentares114.

A reflexão sobre o uso do conceito de representações, sua flexibilidade, suas alterações no tempo e suas interferências nos relatos da alimentação e nutrição obtida, conduziu Garcia115 a examinar os conteúdos dos relatos, as perguntas formuladas e as respostas obtidas, as imprecisões, flutuações, indução nas respostas, hesitações do entrevistado e outras questões, que reforçam o emprego dos instrumentos da pesquisa qualitativa e daquele conceito, contrariando a objetividade dos inquéritos alimentares.

O conceito de risco, emprestado da Epidemiologia, ancorado na probabilidade matemática, relativiza-se para Arnaiz116 como construção social, que não despreza os sujeitos, o sistema de significação e a cultura na sua geração, cuja análise envolve a perspectiva socioantropológica e qualitativa para compreender as diversidades de pontos de vista sobre a aplicação das biotecnologias, o impacto e as atitudes diante dos alimentos transgênicos. Poulain & Proença117 discutem à luz da Sociologia e da Antropologia o conceito de práticas alimentares, nas diferentes teorias e múltiplas dimensões que o encerram, desenhando metodologia e instrumentos para o seu estudo, mediante cuidadoso emprego dos instrumentos e operacionalização daquele conceito e de suas dimensões implicadas.

 

CONCLUSÃO

Devido à forma desta exposição, centrada em cada item pesquisado, exime-se de retomá-las nestas conclusões, reconhecendo-se a importância das contribuições feitas ao desenvolvimento e à legitimação da pesquisa qualitativa em alimentações e nutrição. Em função de alguns problemas apontados indaga-se sobre o seu aperfeiçoamento, traçando-se algumas sugestões bastante gerais.

Decorrente do reducionismo do entendimento deste tipo de pesquisa, aos métodos e instrumentos ou à sua rapidez, há que ampliar as concepções e as articular às teorias para que não permaneçam nas descrições e repetições das falas dos entrevistados, que, certamente, ultrapassaram-se por autores que manejam os conceitos das Ciências Sociais e Humanas. Entretanto deve-se reforçar a necessidade de permanente capacitação dos pesquisadores neste tipo de pesquisa, nos seus pressupostos, nas teorias, no desenho, nas técnicas, nos instrumentos e nos modelos de análise, aplicados também às análises históricas e das políticas.

Os estudos foram mais divulgados por algumas revistas, como a de Nutrição, seguida pelos periódicos das áreas de Saúde Pública/Saúde Coletiva e, por último, pelas revistas de Enfermagem, demonstrando a abertura de suas políticas editoriais à pesquisa qualitativa e não apenas aos estudos quantitativos, embora se aponte a necessidade de qualificar outras revistas de Nutrição, para maior fluência da produção acadêmica, em especial, dos cursos de pós-graduação.

Neste estudo verificou-se a concentração de publicações em alguns autores, com tendência à diversificação e ao compartilhamento da autoria, que são bastante desejáveis à capacitação de alunos de pós-graduação. A interlocução dos estudos com as abordagens das Ciências Sociais e Humanas, que presidem os estudos qualitativos, impõe a capacitação e a formação permanente de atuais e futuros pesquisadores. Ainda que os currículos de graduação em Nutrição incorporem aquelas ciências, sensibilizando futuros profissionais, a aproximação tem sido mais disciplinar do que multidisciplinar e associada à formação básica118, problema a ser equacionado também nos cursos de pós-graduação, que poderá apoiar as pesquisas qualitativas futuras.

A inter-relação entre as Ciências Sociais e Humanas e a Nutrição é viável, mas seus pontos de partida são distintos. As primeiras são compreensivas, históricas e ideológicas, implicam na subjetivação e na intersubjetividade, sendo relacionais e não apenas restritas à subjetividade dos indivíduos, embora esta dimensão não se exclua. As segundas ancoram-se na biologia, na fisiologia e sua verdadeira interrelação requer mais do que a transferência de técnicas e dos procedimentos de investigação, sendo que a recomposição das disciplinas pode gerar novas formas de pesquisa, na produção de objetos híbridos, suscitando dos pesquisadores o domínio e o manejo das teorias, metodologias e dos instrumentos adotados pelas disciplinas, entrecruzadas na prática multi ou interdisciplinar. Nos estudos examinados deparou-se com esforços nesse sentido, contidos especialmente nas reflexões conceituais e nas propostas de desenho de pesquisas multidisciplinares, que, certamente, terão impactos positivos na interlocução das Ciências Sociais e Humanas com a Nutrição.

Afirma-se que o século XX foi o das disciplinas, como poderosas entidades especializadas, profissionalizadas e fortemente departamentais. A definição dos métodos das ciências sociais e humanas, experimentada especialmente na segunda metade do século XX, favoreceu o fortalecimento da interdisciplinaridade. O século XXI abre maiores flancos ao trabalho interdisciplinar, no qual as fronteiras das disciplinas tornam-se permeáveis. As estratégias pessoais, institucionais e no plano do conhecimento são necessárias a este tipo de trabalho, selecionando-se tópicos que conclamem múltiplos olhares. São pesquisas operacionais e estratégicas, diferentes das básicas e produtoras de conhecimento62. Embora voltadas à solução de problemas, elas se nutrem das teorias produzidas, sendo a multi e a pluridisciplinaridade férteis nestes territórios de colaboração mútua de especialistas, não subordinando um conhecimento ou disciplina a outra, nutrindo-se mutuamente e ultrapassando os vários obstáculos institucionais, corporativos e relacionais na investigação de objetos híbridos.

Deu-se positivamente a compreensão da complexidade do fato alimentar nas suas dimensões valorativas, simbólicas, subjetivas e motivacionais, além das fisiológicas e materiais, assim como a assimilação de conceitos e de metodologias das Ciências Sociais e Humanas nas análises da ampla temática abordada e mapeada neste texto. Isso requer de parcela dos estudos empíricos o aperfeiçoamento, o uso coerente das teorias e a maior sintonia de certas abordagens enunciadas nas metodologias com os resultados das análises obtidas. A incorporação e a atualização de conceitos e abordagens teóricos-metodológicos, que tomam as políticas ou a história, são desejáveis para aquelas aproximações mais descritivas, não extensivas ao conjunto da produção examinada.

 

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Recebido em 3/4/2008
Aprovado em: 9/12/2008

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