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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.1 Campinas Jan./Feb. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732010000100012 

REVISÃO REVIEW

 

Utilização de medidas antropométricas para a avaliação do acúmulo de gordura visceral

 

The use of anthropometric measures to assess visceral fat accumulation

 

 

Ana Carolina Junqueira Vasques; Sílvia Eloiza Priore; Lina Enriqueta Frandsen Paez de Lima Rosado; Sylvia do Carmo Castro Franceschini

Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Nutrição e Saúde. Av. P.H. Rolfs, s/n., Campus Universitário, 36571-000, Viçosa, MG, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: A.C.J. VASQUES. E-mail: <anacarolinavasques@yahoo.com.br>

 

 


RESUMO

A obesidade visceral tem sido associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e a alguns tipos de câncer. Nesse sentido, é crescente o interesse na avaliação da adiposidade intra-abdominal, de forma a se analisarem o risco de doenças e alterações metabólicas, como intolerância à glicose, hiperinsulinemia, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemias e hipertensão arterial. Técnicas de imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, permitem a mensuração acurada e precisa da gordura visceral..Contudo, ambas são dispendiosas e inaplicáveis na prática clínica de rotina e nos estudos epidemiológicos..Parâmetros antro-pométricos surgem como uma opção para a avaliação da gordura visceral nessas situações, por serem inócuos, de fácil aplicação e de baixo custo. À luz dessas questões, este trabalho objetivou analisar criticamente estudos que avaliaram a pertinência em empregar parâmetros antropométricos como indicadores da gordura visceral. Realizou-se um levantamento bibliográfico, no qual foram consultados periódicos nacionais e internacionais disponíveis nas seguintes bases científicas: Portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Scientific Electronic Library Online, Science Direct e Pubmed, abrangendo publicações entre os anos de 1947 e 2007. Procurou-se dar ênfase aos parâmetros antropométricos, como o índice de massa corporal, a circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e o diâmetro abdominal sagital.

Termos de indexação: Antropometria. Avaliação nutricional. Composição corporal. Diagnóstico por imagem. Indicadores nutricionais. Tecido adiposo.


ABSTRACT

Visceral obesity has been associated with the development of cardiovascular diseases and some types of cancer. Therefore, there is an increasing interest in quantifying intra-abdominal adiposity in order to assess the risk of metabolic disorders, such as glucose intolerance, hyperinsulinemia, type 2 diabetes, dyslipidemia and hypertension. Imaging techniques such as computed tomography and magnetic resonance provide an accurate and precise measurement of visceral fat. However, both are costly and inapplicable in routine clinical practice and epidemiological studies. Anthropometric parameters are an option for visceral fat assessment in these situations, since they are innocuous, easy to use and inexpensive. In this context, this work aimed to critically analyze studies that assessed anthropometric parameters as indicators of visceral fat. A bibliographic review of domestic and international articles found in the databases Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Scientific Electronic Library Online, Science Direct and Pubmed, published from 1947 to 2007 was done. Emphasis was given to anthropometric parameters, such as body mass index, waist circumference, waist-to-hip ratio and sagittal abdominal diameter.

Indexing terms: Anthropometry. Nutrition assessment. Body composifion. Diagnostic imaging. Nutritional indicacotors. Adipose tissue.


 

 

INTRODUÇÃO

Em 1947, o médico francês Jean Vague1 foi o pioneiro em descrever que a concentração de gordura na região abdominal estava relacionada aos danos decorrentes da obesidade. Atualmente, sabe-se que o tecido adiposo não representa apenas o maior reservatório de energia no organismo, mas também um órgão com múltiplas funções e, dependendo dos locais nos quais há deposição de gordura, diferentes respostas biológicas são observadas2.

Embora as relações de causa e efeito não tenham sido totalmente estabelecidas, as evidências disponíveis indicam que a gordura visceral possui um efeito deletério sobre distintos parâmetros metabólicos e hemodinâmicos, representando um elo importante entre as diversas facetas da síndrome metabólica3, como a resistência à insulina4, a intolerância à glicose5,6, a hipertensão arterial e as dislipidemias7.

A obesidade visceral é considerada fator de risco independente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares8,9 e sua presença associa-se a alguns tipos de câncer, como o de mama10, de cólon11 e de próstata12.

Assim, é crescente o interesse na mensuração da distribuição da gordura corporal e da quantificação da adiposidade intra-abdominal. O desenvolvimento de técnicas como a Tomografia Computadorizada (TC) e a Imagem de Ressonância Magnética (IRM) representou um dos avanços mais importantes na história da pesquisa de composição corporal em seres humanos, uma vez que ambas as técnicas permitem a mensuração acurada e precisa das gorduras visceral e subcutânea localizadas na região abdominal13,14.

A TC é considerada padrão-ouro para a quantificação da gordura visceral, uma vez que possui elevada reprodutibilidade, com coeficientes de correlação elevada (r=0,99) para medidas duplicadas15 e também correlação forte à real quantidade de gordura mensurada em cadáveres. Contudo, a TC expõe o indivíduo à radiação ionizante, o que representa um fator limitante da técnica, tornando-a inaplicável quando se necessitam de mensurações repetidas em um mesmo indivíduo16. A técnica de IRM também possui boa acurácia em estudos de análise química dos tecidos, além de ser um método não invasivo. Entretanto, apresenta maior coeficiente de variação e está mais susceptível a interferências que a TC17.

A ultra-sonografia18-20 e Dual Energy X-ray Absorptiometry (DEXA)21,22 também têm sido utilizadas na avaliação da gordura abdominal. Entretanto, esta última técnica, apesar de permitir medidas repetidas em um mesmo indivíduo, devido à baixa exposição à radiação23, não é capaz de quantificar separadamente a gordura visceral. Além do mais, esses métodos são dispendiosos e muitas vezes indisponíveis24.

A facilidade na aplicação do método antro-pométrico, aliada à sua inocuidade, ao baixo custo e às menores restrições culturais, uma vez que ele utiliza medidas externas das dimensões corporais, tornam este método o de maior aplicabilidade na prática clínica e nos estudos epidemiológicos que envolvem grandes amostras25,26.

Usualmente, os parâmetros antropométricos clássicos utilizados para avaliar a obesidade abdominal são a Circunferência da Cintura (CC) e a Relação Cintura-Quadril (RCQ). O Diâmetro Abdominal Sagital (DAS),.também conhecido como altura abdominal, é uma medida antropométrica menos difundida entre os profissionais e até mesmo entre os pesquisadores, mas que tem sido cada vez mais utilizada, inclusive no Brasil. O Índice de Massa Corporal (IMC) também é vastamente utilizado como indicador de adiposidade corporal. Tais indicadores antropométricos são frequentemente associados às complicações metabólicas e cardiovasculares19, 21, 27-31.

Frente à necessidade de predizer o risco de doenças ou as alterações metabólicas que podem causar acometimentos à saúde, a partir da quantificação do tecido adiposo visceral, nesta revisão objetivou-se analisar criticamente estudos que avaliaram a capacidade de parâmetros antro-pométricos enquanto indicadores da gordura visceral.

 

MÉTODOS

Realizou-se um levantamento bibliográfico, no qual foram consultados periódicos nacionais e internacionais disponíveis nas bases científicas: periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, SciELO, Science Direct e Pubmed. Estudos referenciados em outros artigos também foram consultados.

Os descritores utilizados para a busca dos artigos foram: gordura abdominal (abdominal fat), tecido adiposo visceral (visceral adipose tissue), índice de massa corporal (body mass index), circunferência da cintura (waist circumference), diâmetro abdominal (abdominal diameter), diâmetro abdominal sagital (sagittal abdominal diameter), relação cintura-quadril (waist-hip ratio), antropometria (anthropometry), imagem de ressonância magnética (magnetic resonance image) e tomografia computadorizada (computed tomography). As expressões de pesquisa foram construídas combinandoesses termos ou utilizando-os de forma isolada. Foram selecionados artigos publicados entre os anos de 1990 e 2007, além da incorporação de trabalhos clássicos publicados anteriormente referentes ao tema.

 

VARIÁVEIS ANTROPOMÉTRICAS E AVALIAÇÃO DA GORDURA VISCERAL

Dentre as diversas técnicas disponíveis para a avaliação da adiposidade abdominal, o método a ser usado dependerá dos objetivos do estudo, do tempo e dos recursos econômicos disponíveis e, principalmente, do tamanho da amostra a ser avaliada32.

Para a avaliação clínica e para a pesquisa epidemiológica, a estimativa da distribuição regional de gordura, geralmente necessita ser realizada por um método rápido, fácil e econômico. Apesar de possibilitarem uma determinação indireta da gordura visceral, as medidas antropométricas têm sido preferidas em relação às outras técnicas19, e cada vez mais cresce o número de estudos que avaliam a acurácia e a precisão do método antropométrico como indicador de gordura visceral21, 33-35.

A utilidade de medidas antropométricas para a estimativa da gordura visceral depende do grau em que estas se correlacionam aos métodos de referência, como as técnicas de IRM e TC, que fornecem uma medida direta da gordura visceral, por conseguirem diferenciá-la da gordura abdominal subcutânea. O Quadro 1 sumariza os principais estudos discutidos nesta revisão que avaliaram a CC, o DAS, o IMC e a RCQ como indicadores de gordura visceral.

 

 

Kamel et al.21,34 analisaram a correlação entre CC, IMC e RCQ e a gordura visceral, não sendo avaliado o DAS. No estudo de indivíduos não obesos34, com exceção da RCQ para as mulheres, todas as medidas se correlacionaram fortemente à gordura visceral em ambos os sexos. No sexo masculino, a RCQ e a CC foram superiores ao IMC e, no sexo feminino, o IMC e a CC foram semelhantes. No estudo realizado com indivíduos obesos21, apenas nas mulheres a CC e a RCQ apresentaram correlação forte e altamente significante à gordura visceral, embora mais fracas em relação ao estudo com não obesos. Esses resultados demonstraram que não é possível generalizar o uso da antropometria sem referência ao sexo e ao grau de obesidade.

No estudo de Zamboni et al.36, a CC e o DAS se correlacionaram fortemente à gordura visceral, enquanto que para o IMC e para a RCQ as correlações foram mais fracas. Quando os autores subdividiram o grupo com base nos valores de IMC, aqueles classificados como magros ou com sobrepeso moderado apresentaram correlações fortes e altamente significantes (p<0,001) entre o tecido adiposo visceral e as medidas de DAS (r=0,86), CC (r=0,87) e RCQ (r=0,71); nos obesos essas associações foram mais fracas (p<0,05) para DAS (r=0,43), CC (r=0,43) e RCQ (r=0,49), provavelmente devido à incapacidade de esses indicadores antropométricos diferenciarem a gordura subcutânea da visceral.

No estudo de Kooy et al.33, a CC e a RCQ se correlacionaram fortemente à gordura visceral nas mulheres obesas, enquanto que nos homens obesos, a CC, o DAS e o RCQ se associaram à gordura visceral de forma semelhante. Como esperado, quando os pesquisadores fizeram ajuste para a espessura da camada de gordura abdominal subcutânea, as associações entre DAS e gordura visceral aumentaram para as mulheres (r=0,72, p<0,001) e para os homens (r=0,86, p<0,001).

Apesar de o estudo de Kooy et al.33 ter sido realizado com obesos, o que, provavelmente enfraquece as correlações, vale ressaltar que as medidas antropométricas e a IRM foram aferidas isoladamente, em 5 semanas, em vez de em um mesmo momento. Embora os autores tenham relatado ausência de modificação ponderal neste período, modificações na composição corporal podem ter ocorrido de forma a contribuir para o enfraquecimento das correlações.

Os resultados do trabalho de Pouliot et al.27 sugerem que a CC e o DAS são os parâmetros antropométricos de escolha, quando se deseja estimar a gordura visceral e avaliar o perfil de risco cardiovascular dos indivíduos. Neste estudo, a RCQ foi inadequada para predizer a gordura visceral, uma vez que, para dado valor de RCQ, foi identificada uma variação inter-individual muito grande na área de tecido adiposo visceral, ou seja, indivíduos com uma área de tecido adiposo visceral pequena ou grande apresentavam a mesma RCQ. Sampaio et al.35 relatam que os indicadores antro-pométricos que melhor predizem o tecido adiposo são a CC para os homens e o DAS para as mulheres. O IMC mostrou-se o indicador antropométrico menos adequado para discriminar tecido adiposo visceral em ambos os sexos. Observa-se que o número de homens avaliados foi bastante inferior ao número de mulheres, o que pode ter contribuído para enfraquecer as correlações encontradas para o sexo masculino. De forma semelhante aos estudos citados, os resultados do trabalho de Sampaio et al.35 evidenciaram que a correlação entre o DAS e a gordura visceral não foi considerada adequada nos níveis mais elevados de tecido adiposo visceral, provavelmente devido à inabilidade dos parâmetros antropométricos em distinguir entre gordura visceral e subcutânea.

Na mesma direção desses resultados, Després et al.37 encontraram situação semelhante para as correlações entre tecido adiposo visceral e medidas antropométricas, de acordo com a obesidade em homens adultos. Quando as correlações foram avaliadas em toda a amostra, as variáveis antropométricas estudadas se correlacionaram de maneira altamente significante ao tecido adiposo visceral. Em contrapartida, quando a amostra foi dividida de acordo com a obesidade, as correlações foram baixas (n=46), reforçando a necessidade de avaliações antropométricas específicas para a estimativa do tecido adiposo visceral em indivíduos portadores de obesidade. Nesse estudo, o DAS e a CC mostraram-se superiores à RCQ e ao IMC em predizer o tecido adiposo visceral.

Em pequena amostra de mulheres, Radominski et al.19 observaram que a área visceral mensurada pela TC apresentou correlações moderadas e significantes com o IMC e com CC e DAS. A espessura intra-abdominal medida pela ultra-sonografia apresentou correlações significantes com IMC e DAS, embora mais fracas do que com a TC, provavelmente por este não ser o método de referência para a determinação da quantidade de gordura visceral.

Em avaliação de uma ampla amostra, Janssen et al.38 evidenciaram que, independentemente do sexo, a CC teve correlação mais forte do que o IMC ao tecido adiposo visceral. Em uma coorte conduzida na Suécia, apesar de as correlações encontradas entre IMC, CC e DAS e a gordura visceral terem sido fortes, observou-se que aquelas referentes ao DAS foram ainda mais fortes do que as medidas antropométricas para a estimativa do tecido adiposo visceral em ambos os sexos. Vale ressaltar que as medidas antropométricas não foram realizadas na mesma seção que as análises de imagem e sim durante um período de 0 a 7 meses, ou seja, um longo intervalo no qual podem ter ocorrido importantes modificações ponderais e de composição corporal nos participantes do estudo, e terem enfraquecido as correlações das variáveis antropométricas39.

Alguns pesquisadores desenvolveram equações de regressão com o objetivo de estimar a quantidade de gordura visceral pela antropometria com base nas técnicas de imagem24,37 (Quadro 2).

 

 

No estudo de Després et al.37, realizado com homens, a melhor equação incluiu a combinação das variáveis idade, RCQ e DAS, explicando em 76,6% a variância na adiposidade visceral e com um erro-padrão de estimativa de 27,7%. Como o DAS foi aferido pela TC e não pela antropometria, uma equação apenas com medidas antropométricas também foi desenvolvida incluindo os valores de idade e CC, contribuindo com 74,0% na variância do tecido adiposo visceral e apresentando um erro-padrão de estimativa de 29,2%. Na análise de regressão linear múltipla, o IMC não foi um preditor independente e significante da gordura visceral, sugerindo a superioridade da CC e do DAS como preditores de gordura visceral em relação ao IMC.

Brundavani et al.24 avaliaram 120 indianos, com idades entre 40 e 79 anos. A partir de diferentes modelos de regressão, com o uso da técnica de TC, foram desenvolvidas equações simples envolvendo apenas a medida da CC. No sexo masculino e no feminino, as equações construídas explicaram em 71,9 e 62% da variância na gordura visceral, com um erro-padrão de estimativa de 28,3 e 31,7%, respectivamente. Contudo, mesmo que as equações de predição possam auxiliar na estimativa da quantidade de gordura visceral, é importante ter em mente que esta avaliação possui uma acurácia limitada, uma vez que os erros de predição são elevados, da ordem de 30%, e que as equações geralmente não possuem aplicabilidade entre diferentes populações33.

De forma geral, observa-se que o IMC e a RCQ apresentam correlações mais fracas com a gordura visceral do que a CC e o DAS. O IMC é frequentemente utilizado para representar o grau de adiposidade corporal dos indivíduos, entretanto, ele acaba por representar mais um indicador de peso do que propriamente de adiposidade, uma vez que este parâmetro não consegue distinguir entre os componentes de massa magra e massa gorda32. Além do mais, ele se correlaciona de forma significante com a estatura, embora com baixa magnitude; correlaciona-se também com a massa livre de gordura, inclusive nos indivíduos do sexo masculino, e ainda sofre influência da proporcionalidade corporal no que diz respeito ao tamanho das pernas e do tronco, por isso indivíduos com menor comprimento de perna apresentam valores de IMC mais elevados40. Outra limitação diz respeito à incapacidade do IMC em avaliar a distribuição da gordura corporal, ou seja, uma modificação no IMC não refletirá o local anatômico em que o indivíduo poderá ter perdido ou ganhado peso32.

Comportamento semelhante ao do IMC foi observado para RCQ, que pode se manter inalterada mesmo quando ocorrerem modificações na quantidade de adiposidade corporal, sendo esta relação inadequada para avaliar mudanças na quantidade de gordura visceral durante a perda ou o ganho de peso. Tal fato resulta de modificações semelhantes nas circunferências da cintura e do quadril, que não alteram a relação final41.

Em um estudo longitudinal realizado com 78 indivíduos obesos submetidos a uma dieta de redução de peso, as modificações nos depósitos de tecido adiposo foram comparadas às modificações na RCQ. Embora a redução do tecido adiposo visceral tenha sido acentuada e a RCQ tenha apresentado decréscimo significante em ambos os sexos, a modificação na RCQ não apresentou correlação significante à redução no tecido adiposo visceral, apontando a inabilidade deste indicador antropométrico em avaliar modificações nos depósitos de gordura visceral41.

Em outro estudo prospectivo, com duração de sete anos, 32 mulheres foram acompanhadas com o objetivo de analisar a associação entre modificações no tecido adiposo visceral e concomitantes alterações nos parâmetros antropométricos. As mudanças na área de tecido adiposo visceral correlacionaram-se fortemente com as alterações na CC (r=0,81; p<0,0001), circunferência do quadril, DAS e percentual de gordura corporal, enquanto a RCQ apresentou uma correlação de menor magnitude (r=0,35; p=0,05). Os resultados deste estudo apontaram a superioridade da CC e do DAS em relação à RCQ, na estimativa do acúmulo de tecido adiposo visceral que acontece com o avançar da idade42.

A RCQ é um índice que representa a distribuição do tecido adiposo, sendo parcialmente independente da adiposidade total, como demonstrado no estudo de Pouliot et al.27, em que indivíduos magros e obesos apresentavam a mesma RCQ, uma vez que há uma variação interindividual substancial na massa gorda total e nas áreas de tecido adiposo abdominal visceral e subcutâneo para dado valor de RCQ.

Em contrapartida, a CC e o DAS são medidas antropométricas que determinam a extensão da obesidade abdominal35 e por isso têm sido recomendadas como indicador de deposição de gordura abdominal visceral e de avaliação do risco cardiovascular27.

Embora não esteja totalmente estabelecida a etiologia do acúmulo de gordura visceral, fatores relacionados à etnia43, à idade39, ao sexo21,24,33,35,38,44, à dieta45 e ao nível de atividade física46 parecem estar relacionados à sua deposição. A partir dos resultados dos trabalhos discutidos, observa-se que não é possível generalizar o uso da antropometria ou das equações de predição como indicadores de gordura visceral de forma independente destes fatores.

Aspectos técnicos relacionados aos parâmetros antropométricos utilizados na avaliação da gordura visceral

Independentemente do método a ser utilizado para a aferição da gordura visceral, quer seja a antropometria ou as técnicas de imagem, a ausência de padronização entre os protocolos adotados é evidente nos trabalhos discutidos nesta revisão. Há grandes divergências entre os estudos no que se refere ao local de obtenção da CC, da circunferência do quadril e do DAS, bem como divergência nos protocolos utilizados para a TC e a IRM, o que representa um fator limitante na comparação dos dados dos diferentes estudos da literatura.

Nos trabalhos aqui discutidos, a metodologia utilizada para aferição da circunferência do quadril diverge entre os estudos. Dentre as técnicas encontradas, estão aquelas cujas medidas são feitas na altura das cristas ilíacas, local considerado como cintura, na maior área acima do grande trocanter21,31,33, e do grande trocanter29,35,36, que é a técnica recomendada pela World Health Organization (WHO)47.

Para a CC, a variação entre os protocolos ainda é maior, uma vez que, dentre os estudos, foram encontrados cinco locais anatômicos diferentes utilizados para a aferição: na altura da cicatriz umbilical, na menor circunferência entre o tórax e o quadril36,48, na altura da crista ilíaca39, na altura da última costela38, e no ponto médio entre a crista ilíaca e a última costela21,29,31,33-35, que é adotada pela WHO47 e tem sido fortemente correlacionada ao tecido adiposo visceral e às variáveis metabólicas27.

Wang et al.49 realizaram comparações entre as medidas de CC tomadas em quatro locais distintos. Em ambos os sexos, foram encontradas diferenças, mostrando que os quatro locais não são idênticos. Nas mulheres, as quatro medidas diferiram entre si e a CC aferida na cintura natural foi inferior à média da CC mensurada abaixo da última costela, que foi menor que a CC tomada no ponto médio entre a crista ilíaca e a última costela, e esta, por sua vez, foi inferior à CC aferida imediatamente acima da crista ilíaca. Nos homens, apenas a CC aferida na cintura natural apresentou menor média em relação às demais. Tais resultados sugerem que comparações entre diferentes trabalhos devem ser realizadas quando o mesmo local anatômico é utilizado para a aferição.

O DAS compreende a distância entre as costas e o abdômen35 e também apresenta variações em relação ao local de aferição e à posição do avaliado. O local de aferição pode ser na maior altura abdominal36,39, na altura umbilical50, na menor cintura51, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca33,52, ou nas cristas ilíacas29 31, 35,53,54, que coincide com a localização das vértebras lombares L4 e L528 e são o local mais comumente utilizado para quantificar a área de tecido adiposo visceral pela tomografia computadorizada e pela imagem de ressonância magnética37,55. Quanto à posição do avaliado, o diâmetro abdominal sagital pode ser aferido com o indivíduo em pé51 ou na posição supina29,31,33,36,53,54, embora esta última seja a posição relatada com maior frequência na literatura.

De acordo com Sjöstrom et al.56, quando o avaliado permanece na posição supina, o tecido adiposo visceral tende a elevar a parede abdominal na direção sagital. Por outro lado, o tecido adiposo abdominal subcutâneo anterior ou lateral comprime o abdômen ou tende a descer para os lados, devido à força da gravidade. Dessa forma, espera-se que o DAS aferido na posição supina reflita principalmente o volume de tecido adiposo visceral.

Embora os trabalhos de Sampaio et al.35 e Zamboni et al.36 tenham realizado a aferição antropométrica do DAS e tenham encontrado fortes correlações entre o DAS e a quantidade de gordura visceral mensurada pela técnica de imagem, a maioria dos trabalhos aqui discutidos33,37,39,52 mensurou o DAS por meio da TC ou da IRM, com o objetivo de estimar a gordura visceral. Dessa forma, questiona-se a validade de extrapolar os resultados dos estudos realizados com técnicas de imagem para a antropometria.

Alguns trabalhos já demonstraram que a aferição antropométrica do DAS se correlaciona fortemente às medidas realizadas por técnica de imagem33,36,37. Zamboni et al.36 encontraram uma associação altamente significante (p<0,001) entre o DAS avaliado pela TC e aquele aferido pela antropometria em homens (r=0,97) e mulheres (r=0,96). Os autores sugeriram a utilização da antropometria na aferição do DAS como um parâmetro de estimativa da gordura visceral. Nesse mesmo trabalho, foi comparada a posição do joelho (estendido versus flexionado) durante a aferição do DAS na posição supina e não foi encontrada diferença estatística entre as duas posições. Corroborando esses resultados, Kooy et al.33 demonstraram que o DAS aferido na posição supina (r=0,93) e em pé (r=0,94) também se correlaciona fortemente ao DAS mensurado pela IRM (p<0,001).

Como os depósitos de tecido adiposo se estendem ao longo de toda a região abdominal, o padrão-ouro para a avaliação da distribuição regional de gordura compreende a utilização de um protocolo de imagens múltiplas para uma mensuração mais acurada do volume do tecido adiposo visceral17,57. Contudo, o custo elevado, o acesso limitado e, no caso da TC, a exposição à radiação ionizante limitam a utilização de protocolos de multi-imagens57.

Frequentemente, os pesquisadores têm utilizado em seus trabalhos um protocolo de imagem única, o que possibilita a estimativa da área de tecido adiposo visceral a partir de apenas um corte abdominal19,21,35-37,39. Embora ainda não exista consenso científico21,58,59, o local utilizado para mensurar o tecido adiposo abdominal visceral e subcutâneo, na maioria dos estudos37, tem sido na altura dos discos intervertebrais, mais precisamente entre a quarta e a quinta vértebra lombar (L4 – L5) devido à correlação muito forte entre este local e o volume de tecido adiposo visceral total do protocolo multi-imagem17,57.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É evidente a necessidade de padronização entre os estudos no que diz respeito à metodologia a ser utilizada, pois diferentes protocolos de avaliação da gordura visceral, tanto pelo método antropométrico quanto pelas técnicas de imagem, dificultam a comparação entre os resultados dos trabalhos.

Mesmo que haja consenso sobre as limitações dos parâmetros antropométricos em realizar uma aferição acurada da gordura visceral, de forma geral, a análise dos trabalhos citados nesta revisão possibilita inferir que as medidas da circunferência da cintura e do diâmetro abdominal sagital correlacionam-se em maior magnitude à gordura visceral do que o índice de massa corporal e a relação cintura-quadril. Apesar de alguns estudos evidenciarem correlação forte entre gordura visceral e IMC e RCQ, a incapacidade do IMC em avaliar a distribuição da gordura corporal e a dificuldade de interpretação da RCQ para avaliar modificações na adiposidade corporal, limitam a utilização desses parâmetros com o objetivo de predizer a gordura visceral.

Como o perfil de deposição de gordura é específico para cada sexo, para cada etnia e sofre influência da idade, fica evidente que um único método de quantificação não pode ser adotado para mensurar os depósitos de tecido adiposo visceral da população como um todo. A validação dessas medidas em cada população, com atenção especial para aquelas com excesso de peso, é de fundamental importância para maior validade nas estimativas a serem realizadas para o tecido adiposo visceral.

COLABORADORES

Todos os autores respondem pela autoria do artigo, uma vez que participaram da concepção, assumindo a responsabilidade pelo seu conteúdo. A.C.J. VASQUES contribuiu com o planejamento, a revisão bibliográfica, e a análise e a discussão dos artigos utilizados e a redação do manuscrito. S.E. PRIORE, L.E.F.P.L. ROSADO e S.C.C. FRANCESCHINI contribuíram com o planejamento, a discussão dos artigos, a revisão técnica e a aprovação da versão final do manuscrito.

 

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Recebido em: 11/10/2007
Versão final reapresentada em: 8/5/2008
Aprovado em: 9/9/2008