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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.5 Campinas Sept./Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732010000500004 

ORIGINAL ORIGINAL

 

Suplemento artesanal oral: uma proposta para recuperação nutricional de crianças e adolescentes com câncer

 

Homemade oral supplement: a proposal for the nutritional recovery of children and adolescents with cancer

 

 

Fernanda Rodrigues AlvesI; Adriana GarófoloII; Priscila dos Santos MaiaIII; Fernando José de NóbregaIV; Antonio Sergio PetrilliIII

IHospital Samaritano de São Paulo. R. Conselheiro Brotero, 1486, Higienópolis, 01232-010, São Paulo, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: F.R. ALVES. E-mail: <nanda.nutri@gmail.com>.
IIInstituto Adriana Garófolo. São Paulo, SP, Brasil.
IIIUniversidade Federal de São Paulo, Departamento de Pediatria, Instituto de Oncologia Pediátrica. São Paulo, SP, Brasil.
IVUniversidade Federal de São Paulo, Departamento de Pediatria. São Paulo, SP, Brasil.

 

 


RESUMO

Objetivo: Avaliar o impacto do suplemento oral artesanal na recuperação do estado nutricional de pacientes com desnutrição leve, grave e com risco nutricional.
Métodos: Propuseram-se oito receitas de suplementos visando ofertar entre 30,0% e 35,0% do gasto energético total. Os pacientes com desnutrição grave (grupo B) receberam o suplemento oral por duas semanas, e os demais pacientes (grupo A), por quatro semanas. Para a comparação dos resultados obtidos com o emprego do suplemento oral artesanal, foram utilizados dados referentes a um protocolo anterior, com o mesmo desenho, entretanto, com a utilização de suplemento oral industrializado.
Resultados: O suplemento oral artesanal fica muito aquém no que diz respeito a alguns micronutrientes, entretanto é cinco vezes mais barato do que a preparação com o suplemento oral industrializado. Os pacientes do grupo A com suplemento oral artesanal apresentaram 88,0% de resposta positiva na semana de avaliação, enquanto os com suplemento oral industrializado tiveram 84,0%. No grupo B, foram recuperados 22,0% dos pacientes com suplemento oral artesanal e 25,0% do grupo com suplemento oral industrializado, não apresentando, portanto, diferença significante. Comparando o impacto do industrializado com o do artesanal na prega cutânea tricipital e circunferência do braço, verificou-se que o suplemento oral industrializado no grupo A apresentou melhores resultados que o suplemento oral artesanal, e no grupo B, esse efeito observado na prega cutânea não foi significante (p=0,16). Os consumos de energia e de proteína, assim como a evolução nutricional, foram semelhantes entre suplemento oral industrializado e suplemento oral artesanal. Apenas a composição corpórea no grupo A com suplemento oral industrializado apresentou melhores resultados.
Conclusão: Os resultados apresentados neste estudo sugerem que o emprego da terapia com suplemento artesanal seja uma opção capaz de auxiliar na recuperação nutricional de pacientes oncológicos e uma opção para populações financeiramente desfavorecidas.

Termos de indexação: Adolescentes. Neoplasias. Criança. Desnutrição. Suporte nutricional.


ABSTRACT

Objective: The aim of this study was to evaluate the impact of homemade oral supplements on the nutritional recovery of patients with mild or severe malnutrition or at nutritional risk.
Methods: Eight recipes of homemade oral supplements containing 30% to 35% of the total energy expenditure were proposed. The patients with severe malnutrition (group B) received the oral supplement for 2 weeks and the others for 4 weeks (group A). Oral supplementation with homemade supplements was compared with oral supplementation with store-bought supplements, investigated earlier with a protocol with the same design.
Results: Homemade oral supplements contain much lower amounts of certain micronutrients but are five times cheaper than store-bought supplements. In group A, 88% of the patients taking homemade oral supplements and 84% of the patients taking store-bought supplements responded positively to supplementation. In group B, 22% of the patients taking homemade oral supplements and 25% of the patients taking store-bought supplements recovered. The difference was not significant. The impact of store-bought supplementation on the triceps skinfold thicknesses and arm circumferences of the patients in group A was greater than that obtained with homemade supplements. In group B, the effect on triceps skinfold thickness was not significant (p=0.16). Patients taking homemade or store-bought oral supplements presented similar protein and energy intakes and improvements in nutritional status. Only the body composition of patients in group A taking store-bought oral supplements was better.
Conclusion: The results obtained by this study suggest that the therapeutic use of homemade oral supplements is an alternative capable of promoting the nutritional recovery of cancer patients, especially those who cannot afford store-bought supplements.

Indexing terms: Adolescents. Neoplasms. Child. Malnutrition. Nutritional support.


 

 

Introdução

O câncer da criança e do adolescente compreende 3,0% de todas as neoplasias ma-lignas humanas1. Estima-se que o câncer em pa-cientes com idade inferior a 20 anos seja de 16 casos por 100 mil habitantes2. As neoplasias na infância mais incidentes são as leucemias, segui-das dos tumores do sistema nervoso central e linfomas1.

A desnutrição é a principal complicação nutricional nos pacientes com câncer e tem sido apontada por vários autores3-7. O grau de com-prometimento nutricional está associado com o tipo de tumor, com o estágio da doença e com os órgãos acometidos8. Os estudos indicam grande variabilidade na prevalência da desnutrição, chegando até 50,0% em pacientes pediátricos onco-lógicos3-5,7.

A quimioterapia e a radioterapia provocam alterações gastrintestinais importantes, tais como náusea, vômito, mucosite, diarreia, alteração no paladar, xerostomia, e alteração na absorção e metabolização dos nutrientes. Isso pode levar à redução da ingestão alimentar, além de instalação de aversões a alimentos específicos8-12. Os pacien-tes desnutridos apresentam maiores taxas de morbi-mortalidade, independentemente da base associada, especialmente quando o grupo desnu-trido é composto por crianças4,13-17. Sawaya apre-sentou dados de prevalência de infecção: 90,0% dos pacientes com desnutrição grave tiveram pelo menos um episódio infeccioso no período de um mês18. Além de favorecer o prognóstico, a melhora do estado nutricional também parece estar associada com a melhora da qualidade de vida. Os dados da literatura sugerem que o estado nutricional adequado está associado com maior sobrevida, menos tempo de hospitalização e maior tolerância ao tratamento oncológico pro-posto5,18,19.

A introdução de suplementos orais pode melhorar a ingestão dietética, que geralmente está comprometida e conferindo menor oferta de energia e nutrientes. Os suplementos ofertam energia, proteína e outros nutrientes, sendo um bom meio para suprir as necessidades nutricionais comprometidas9,12. Em um estudo-piloto com pacientes adultos com câncer, foi verificado que após oito semanas de intervenção nutricional, com suplemento industrializado por via oral, 80% dos pacientes desnutridos foram recuperados18. A terapia nutricional com suplemento industriali-zado apresenta alto custo e, portanto, não é uma realidade sustentável por populações menos favo-recidas e, até mesmo, por alguns centros de trata-mento. Os indicadores sociais do Brasil demons-tram alta prevalência de pobreza20. Os suple-mentos artesanais são obtidos a partir da modu-lação de ingredientes dietéticos e constituem-se uma opção menos onerosa e de aplicação mais ampla para populações de menor renda. Por isso, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do Suplemento Oral Artesanal (SOA) na recuperação do estado nutricional de pacientes com desnu-trição leve, grave e com risco nutricional. Para tal objetivo serão verificadas as seguintes variáveis: adesão ao protocolo de tratamento, frequência de internação hospitalar, presença de toxicidade gastrintestinal, bem como ingestão alimentar, con-sumo do suplemento, evolução do escore de capacidade funcional e evolução das pregas e circunferências. Esses resultados foram compa-rados com os dados de um protocolo anterior que utilizou Suplemento Oral Industrializado (SOI).

 

Métodos

O estudo foi desenvolvido com crianças e adolescentes com comprometimento nutricional e com câncer em tratamento no Instituto de On-cologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. O acompanhamento foi realizado no período de maio de 2006 a outubro de 2007, quando foi feita a coleta de dados do SOA. Os dados do SOI foram coletados ante-riormente, nos anos de 2004 e 2005. Foram incluídos pacientes com neoplasia maligna em tratamento oncológico e com déficit nutricional caracterizado pelos seguintes cortes: a) desnu-trição leve (DEP leve): Índice de Massa Corporal (IMC) menor que o percentil quinze e maior que o cinco para adolescentes. A classificação de des-nutrição leve para crianças define-se pelo es-core-Z de Peso para Estatura (P/E) <-1,0 e ³-2,0 desvios-padrão; b) risco nutricional: pacientes eutróficos com perda de peso igual ou superior a 5% em um período de até seis meses; c) desnu-trição grave (DEP grave): IMC abaixo do quinto percentil para adolescentes e escore-Z de P/E <-2,0 desvios-padrão para crianças.

Em pacientes com peso superestimado por massa tumoral abdominal, o estado nutricional foi diagnosticado por meio da Prega Cutânea Tricipital (PCT) e Circunferência do Braço (CB). Os pacientes foram considerados desnutridos graves quando apresentaram esses indicadores abaixo do quinto percentil. Na metodologia, o indicador de Circunferência Muscular do Braço (CMB) não foi utilizado como valor de corte, pois o CMB é uma estimativa obtida por meio de cálculo reali-zado com os valores de PCT e CB, sendo utilizados apenas esses indicadores para a análise de dados antropométricos.

Os pacientes foram divididos em dois gru-pos: o grupo A contemplou os pacientes com diagnóstico nutricional de desnutrição leve e os considerados de risco nutricional, e o grupo B incluiu os pacientes com diagnóstico de desnu-trição grave e aqueles com peso superestimado por massa tumoral e com PCT e CB abaixo do quinto percentil.

Critérios de exclusão: pacientes que, por condições clínicas, não podiam receber algum ingrediente da receita ou das orientações dieté-ticas padronizadas; pacientes em uso de corticos-teróides; limitações físicas para ingestão alimentar adequada.

Tratou-se de um ensaio clínico prospectivo não controlado, no qual os pacientes eram in-cluídos em série durante todo o período do proto-colo. Os pacientes foram acompanhados semanal-mente no ambulatório de nutrição e nas unidades de internação quando eram eventualmente inter-nados. A resposta nutricional (desfecho) foi verifi-cada na semana dois para os pacientes do grupo B e na quatro para os do grupo A. O desfecho positivo foi verificado por meio dos resultados favoráveis à terapia nutricional oral, não havendo necessidade de indicação de sonda. Os pacientes do grupo A deveriam estar eutróficos ou com desnutrição leve e não deveriam evoluir para DEP grave. Para os pacientes do grupo B, o objetivo era o aumento do escore-Z em ³0,3 desvios--padrão do peso para a estatura em crianças e aumento de ³3,0% de adequação do IMC para os adolescentes. No caso dos pacientes com peso superestimado por massa tumoral, o critério para considerar desfecho positivo foi o aumento nos valores de PCT e CB acima do quinto percentil.

A orientação dietética foi individualizada e também realizou-se orientação de suplemen-tação lipídica - adição de uma colher de sopa de óleo, azeite, margarina ou maionese sobre a comida no almoço e jantar do paciente - e pro-teica - com o consumo de um a dois ovos por dia. Para o suplemento oral artesanal foram desenvol-vidas oito receitas com base em quatro ingre-dientes alimentares (leite, ovo, açúcar e óleo); a finalidade foi aumentar a oferta de energia e melhorar a oferta proteica. A orientação do consu-mo do suplemento visou oferecer entre 30 e 35% do gasto energético total. Depois de calculadas para verificação da composição nutricional, as receitas foram previamente testadas para verifi-cação da palatabilidade. O valor nutricional de proteína e de energia foi comparado às recomen-dações para pacientes pediátricos com câncer21,22, para os micronutrientes, foram utilizadas as Dietary Recommended Intakes (DRI)23,24. Para a avaliação da composição nutricional dos suplementos arte-sanais foram estimados os volumes de suplemento ingeridos por faixa etária e sexo.

Para a comparação dos resultados obtidos com o emprego do suplemento artesanal, foram utilizados dados referentes a um protocolo ante-rior, desenvolvido prospectivamente e avaliado de forma histórica neste estudo. O desenho desse protocolo foi o mesmo, mas utilizou-se suple-mento industrializado no lugar do artesanal. Os suplementos utilizados foram o nutren 1.0 (para adolescentes) e nutren jr. (para crianças), ambos na forma de pó, diluídos em leite e com acréscimo de outros ingredientes para dar sabor, como fru-ta ou achocolatado. Esses suplementos foram doados aos pacientes.

As toxicidades gastrintestinais foram ava-liadas semanalmente, sendo verificada a frequên-cia ocorrida de náusea/vômito, diarréia e muco-site.

Foi avaliada a capacidade funcional por meio das escalas de Lansky et al.25 para pacientes com idade inferior ou igual a dezesseis anos, e de Karnofsky & Burchenal26 para pacientes com idade superior a dezesseis anos. Para todo o grupo foi aplicada a escala de European Cooperative Oncology Group (ECOG)27.

A situação social foi verificada com o obje-tivo de demonstrar a necessidade de uma pro-posta menos onerosa para as famílias. Para isso, coletamos o grau de instrução dos cuidadores (pais ou responsáveis) em ambos os protocolos.

A ingestão alimentar foi coletada por meio de recordatório alimentar realizado semanal-mente, no qual a nutricionista verificava a ingestão alimentar habitual28. Os dados coletados foram calculados para avaliação da ingestão de energia e de proteína.

A dor foi mensurada semanalmente nos pacientes do protocolo de suplemento artesanal. A medida utilizada foi a escala numérica que varia entre 0 e 10, sendo 10 referente à dor de maior intensidade que o paciente já sentiu29-31.

Análise estatística

Para avaliar a evolução entre a semana inicial e a do desfecho, foi aplicado o teste T para amostras pareadas quando os dados estiveram distribuídos em uma curva normal. Quando a nor-malidade foi rejeitada, foi utilizado o teste de pos-tos de Wilcoxon. Para comparar a evolução entre os dois grupos - artesanal e industrializado -, aplicou-se o teste T para amostras não pareadas no caso de normalidade e Mann' Whitney caso a distribuição dos dados não fosse normal. Aplicou--se o teste de Qui-quadrado para dados categó-ricos a fim de verificar se os pacientes dos grupos SOI e SOA foram diferentes quanto à escolaridade dos cuidadores, diagnósticos, sexo e faixa etária. A análise de regressão múltipla foi aplicada para as análises de associação, sendo utilizadas como variáveis potenciais de confundimento de sexo, idade, escolaridade, diagnóstico e nível econô-mico. Para as análises de regressão, o número de variáveis não foi superior a 15% do número de indivíduos do estudo. Todos os testes foram bi-caudais com o valor de p<0,05 considerado como significante32.

Aspectos éticos

O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Paulista de Medi-cina - Unifesp em 26 de maio de 2006 sob o nú-mero de protocolo 0163/06. Todos os pacientes foram esclarecidos sobre os riscos e os benefícios das técnicas e intervenções e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para autori-zação.

 

Resultados

Foram admitidos 115 pacientes com média de idade de 12 anos, sendo 40,0% crianças e 60,0% adolescentes. Sessenta e um por cento dos pacientes eram do sexo masculino e 39,0%, do feminino. Foram excluídos cinco pacientes por necessidade de dieta via sonda na semana zero do protocolo. Com relação ao diagnóstico, 15,5% (17/110) dos pacientes tinham doenças hemato-lógicas malignas, e 84,5% (93/110), tumores sóli-dos não hematológicos. Foram avaliados 110 pa-cientes, sendo 50,0% (55/110) do grupo A e 50,0% (55/110) do grupo B (Tabela 1). Cinquenta pacientes receberam suplemento industrializado; desses, um foi excluído por necessidade de dieta via sonda na semana zero. Foram avaliados 49 pacientes: 51,0% (25/49) do grupo B e 49,0% (24/49) do grupo A, sendo a média de idade de 12 anos. Os grupos SOI e SOA não são diferentes quanto ao sexo, idade e diagnóstico dos pacientes.

Oitenta e um por cento dos cuidadores do grupo com SOI e 71,0% dos com SOA tinham grau de instrução entre analfabeto e ensino fun-damental completo. Dos 110 pacientes do grupo SOA, cinco foram excluídos da análise do des-fecho, sendo dois por óbito e três por abandono antes da semana de avaliação, totalizando um grupo de 105. No grupo que recebeu SOI, dos 49 pacientes admitidos, seis não completaram o pro-tocolo, sendo avaliados 43 pacientes.

A quantidade de energia por mililitro de suplemento artesanal variou de 1,35 a 2,17kcal, ofertando em média 1,76kcal/mL. A distribuição de macronutrientes foi da ordem de 39,0% a 59,0% de carboidrato, 11,0% a 13,0% de pro-teína e 30,0% a 49,0% de lipídeo. A proteína e 11 dos 23 micronutrientes dos suplementos arte-sanais atingiram em média 70,0% ou mais das recomendações. A vitamina C, vitamina K, ácido fólico e manganês apresentaram média de ade-quação criticamente baixa, ou seja, inferior a 15,0% da recomendação. Entretanto, tiamina, riboflavina, vitamina B12, vitamina B6 e biotina apresentam médias percentuais de adequação acima da recomendação. A comparação com o suplemento industrializado mostrou que as vita-minas C e K, ácido fólico, biotina, cobre, man-ganês, magnésio e ferro estão em menor quanti-dade no suplemento artesanal, com menos de 25,0% dos valores encontrados no industriali-zado. O percentual de energia do suplemento industrializado - 54,0% - ultrapassa o suplemento artesanal - 43,0% - em 11,0%. Assim também ocorre com a oferta proteica total: 91,0% no industrializado e 77,0% no artesanal.

Em relação ao custo dos suplementos, o industrializado custa cinco vezes mais do que o artesanal. O valor de aproximadamente 500mL consumidos diariamente por uma semana é de R$62,25 para o industrializado e de R$13,11 para o artesanal (dados referentes ao mês de agosto de 2007).

Os pacientes do grupo A com SOA apre-sentaram 88,0% de resposta positiva (desfecho) na semana de avaliação, enquanto os com SOI apresentaram 84,0%. No grupo B foram recupe-rados 22,0% dos pacientes com SOA para 25,0% do grupo com SOI. Ambas as avaliações não apre-sentaram diferença significante (Figura 1). A aná-lise de associação (regressão múltipla) entre a ingestão do suplemento industrializado e a evolu-ção do estado nutricional verificou associação po-sitiva: quanto maior foi o consumo do suple-mento, melhor foi a evolução nutricional (r=1,24; IC -6,36 a -0,54 e p=0,008).

Avaliando-se a adequação da PCT, CB e CMB, observou-se melhora na evolução da CB e CMB do grupo A, tanto para os que receberam SOI quanto para os que receberam SOA, entre-tanto com impacto menos importante do SOA e valores estatisticamente significantes apenas nos pacientes com SOI (CB: p=0,014 e CMB: p= 0,0041). A comparação da evolução da PCT do grupo SOI e do SOA não demonstrou dife-rença. A evolução da CB e CMB dos pacientes do grupo B não apresentou diferença, entretanto a evolução da PCT foi melhor nos pacientes desse grupo que receberam SOI (p=0,04) (Tabela 2).

Comparando o impacto do SOI e do SOA nesses indicadores, verificou-se que o SOI no grupo A apresentou melhores resultados que o SOA, sendo estatisticamente significante (PCT: p=0,024, CB: p=0,011 e CMB: p=0,01). No grupo B, esse efeito foi observado na PCT, porém sem significância estatística (p=0,16). Dentre as aná-lises de associação realizadas com esses indica-dores, verificamos associação positiva entre CB e ingestão do suplemento industrializado (grupo A e B) (r=3,14; IC 7,97 a 6,19 e p=0,04). Contudo, quando as variáveis de confundimento foram incluídas, não houve diferença estatisticamente significante.

A avaliação da ingestão alimentar - dieta e suplemento - demonstrou que houve consumo de 107,0% da necessidade de energia (Figura 2). A ingestão do suplemento oral foi verificada pelo percentual de suplemento consumido sobre o orientado. O consumo de suplemento artesanal foi de Média (M)=21, Desvio-Padrão (DP)=36% no grupo B e M=32,5, DP=43% no grupo A, contribuindo com M=9, DP=15% no grupo B e M=21, DP=35% no grupo A da energia total inge-rida. Com relação ao suplemento industrializado, o consumo foi de M=50,5, DP=39% no grupo B e M=64, DP=32% no grupo A. A quantidade média de suplemento consumida contribuiu com a energia total ingerida em M=26,5, DP=16% no grupo B e Média - M=32,5, DP=16% no grupo A. O volume consumido de SOI foi maior do que o do SOA, sendo a diferença estatisticamente significante entre o grupo B (p=0,0018) e o grupo A (p=0,000077). A contribuição de energia pro-veniente dos suplementos também foi maior no SOI, tanto no grupo B quanto no grupo A, sendo a diferença significante (p=0,000012 e p=0,00021, respectivamente). Entretanto, a ingestão ener-gética total e a de proteína de alto valor biológico não apresentaram diferenças signi-ficantes entre os grupos (Figura 2).

Nos pacientes com SOA, foi analisada a influência da dor na ingestão alimentar por meio de análise de associação, incluindo idade, sexo, nível socioeconômico e diagnóstico. Verificou-se associação inversa entre elas: quanto maior a intensidade da dor, menor foi a ingestão alimentar (r=-7,74; IC -15,25 a -0,24 e p=0,043).

Durante o acompanhamento com SOA, 27,5% (14/51) dos pacientes do grupo A necessi-taram de internação e 39,0% (21/54) do grupo B. A média de internação foi de 2,1 dias no grupo A e 3,1 dias no grupo B. Dos pacientes que rece-beram SOI, 33,5% (8/24) do grupo A e 20,0% (5/25) do grupo B necessitaram de internação, com média de 2,3 dias de internação no grupo A e 4,6 dias no grupo B. Em ambos os grupos, o principal motivo de internação foi devido às com-plicações orgânicas ou infecciosas; nos pacientes com SOA, houve 57,0% (12/21) e 64,0% (9/14) no grupo B e A, respectivamente. Nos pacientes com SOI, houve 60,0% (6/5) no grupo B e 87,5% (7/8) no grupo A. Internações por complicações da doença ocorreram somente nos pacientes do grupo B com SOA: 19,0% (4/21). Também houve internações para procedimentos de tratamento, sendo 24,0% (5/21) no grupo B com SOA, 36,0% (5/14) no grupo A com SOA; 40,0% (2/5) no gru-po B com SOI e 12,5% (1/8) no grupo A com SOI.

A capacidade funcional dos pacientes mensurada apresentou resultados significantes no grupo A que recebeu SOI, tanto para os escores de ECOG (p=0,02), quanto para os de Karnofsky ou Lansky (p=0,04). Não houve diferença estatisticamente significante entre a evolução dos pa-cientes que receberam SOI e os que receberam SOA (Tabela 3).

As toxicidades gastrintestinais foram veri-ficadas semanalmente. Foram realizadas 142 ava-liações no grupo B que recebeu suplemento arte-sanal, tendo sido observados 9,0% (13/142) de mucosite, 20,0% (28/142) de náusea e vômitos e 6,5% (9/142) de diarreia. No grupo A com su-plemento artesanal, foram realizadas 168 ava-liações e foram observados 14% (23/168) de mucosite, 28,5% (48/168) de náusea e vômito e 10% (17/168) de diarréia. Foram realizadas 68 avaliações no grupo B com suplemento industriali-zado e observaram-se 19% (13/68) de mucosite, 31% (21/68) de náusea e vômito e 12% (8/68) de diarréia. No grupo A também com suplemento industrializado foram realizadas 88 avaliações e observaram-se 8% (7/88) de mucosite, 18% (16/88) de náusea e vômito e 4,5% (4/88) de diarreia. As diferenças percentuais não foram muito expressi-vas entre os grupos e não houve diferença esta-tística das toxicidades entre os grupos.

Os pacientes com SOA aderiram mais ao protocolo proposto do que os com SOI (96,5% para 87,5%), embora a diferença não tenha sido significante (p=0,051). Comparando SOI e SOA nos pacientes do grupo B, verificou-se que a média de presença não apresentou diferença significante entre esses grupos. A análise de associação entre a indicação de sonda e a frequência nas consultas, incluindo idade, sexo, diagnóstico e escolaridade como variáveis de confundimento, demonstrou relação positiva no grupo SOA: quanto maior a frequência nas consultas, mais indicações de son-da (r =4,9; IC 1,25 a 8,85 e p=0,0089).

 

Discussão

A escolaridade pode ser entendida como um indicador indireto do nível social. Quanto me-nor a escolaridade das famílias, menor é a sua perspectiva econômica20. A baixa escolaridade dos cuidadores de ambos os grupos reflete o quão carente é a população deste estudo. Essa reali-dade justifica a necessidade da terapia nutricional de baixo custo e com composição capaz de recu-perar o estado nutricional desses pacientes. Este estudo objetivou testar um suplemento oral apli-cável para famílias de baixa renda. Portanto, deve ser ressaltada a importância do atendimento nutri-cional adequado, investigando se as famílias têm todos os ingredientes e os utensílios para a exe-cução das receitas. Em alguns casos houve a necessidade de adaptar as receitas para algumas realidades específicas, com a preocupação em não alterar a composição idealizada do SOA. Ocorre-ram, todavia, situações em que alguns ingre-dientes precisaram ser excluídos ou incluídos, visando melhor aceitação dos pacientes. As modi-ficações das receitas foram realizadas de maneira criteriosa pela equipe de nutrição. Porém, eventualmente, ocorreram alterações realizadas pelos pacientes sem nosso prévio conhecimento. Dos que consumiram o suplemento proposto, 55,0% não modificaram a receita orientada (44,0% grupo B e 66,0% grupo A). De acordo com o cál-culo das dietas, essas alterações não implicaram prejuízos na oferta de macronutrientes. Esses da-dos são importantes, pois refletem a adesão às receitas dos suplementos desenvolvidos para essa população.

O suplemento artesanal apresenta 11,0% menos energia quando comparado à preparação do industrializado, representando 80,0% da ener-gia existente no SOI. Contudo, a comparação dos suplementos mostrou que alguns micronutrientes estão em desvantagem quantitativa no suple-mento artesanal. O SOA fornece apenas 9% da vitamina C ofertada no SOI, 21,0% da vitamina K, 38,0% da niacina, 49,0% da vitamina B6, 8,0% do ácido fólico, 15,0% da biotina, 21,0% do ferro, 23,0% magnésio e 51,0% do zinco. A baixa ofer-ta de vitamina antioxidante e de alguns oligoele-mentos confere desvantagens ao suplemento proposto. Embora haja diferenças na composição dos suplementos, acreditamos que isso não traga efeitos negativos para a terapia proposta. Apesar das vantagens conhecidas do SOI, é importante ressaltar que o SOA possui maior variabilidade de sabor do que o industrializado em questão, pois mesmo que o SOI seja diluído em leite e que seja adicionado algum ingrediente para dar sabor, o odor e o sabor base do suplemento ainda se mantêm presentes. A proposta de oito receitas objetivou diminuir a monotonia dos suplementos orais, conferindo um efeito positivo para a quali-dade de vida desses pacientes e com impacto sobre o estado nutricional próximo ao dos suple-mentos industrializados.

Os pacientes do grupo SOI consumiram mais suplemento do que os pacientes do grupo SOA, ocorrendo, portanto, maior contribuição de energia no primeiro grupo. Entretanto, não houve impacto direto na energia total ingerida (dieta mais suplemento), bem como no consumo de proteínas de alto valor biológico (Figura 2).

Apesar de globalmente não ter sido veri-ficada diferença significante na ingestão alimen-tar, a análise de associação demonstrou que a existência da dor refletiu diretamente na ingestão alimentar dos pacientes. A dor é frequente em pacientes com câncer. Segundo Pimenta, a dor crônica acomete cerca de 50% dos pacientes, e 70,0% nos estágios mais avançados da doença33, e parece intervir diretamente na qualidade de vida desses pacientes34. Os resultados deste estudo demonstram que a dor também interfere na in-gestão alimentar e, portanto, deve ser um aspecto considerado durante a avaliação e acompanha-mento nutricional de todos os pacientes com câncer.

O baixo consumo do SOA pode ter ocorri-do devido ao trabalho necessário para a execução da receita. Os pacientes oncológicos possuem uma série de rotinas de tratamento e durante o acompanhamento essa foi a principal dificuldade relatada por alguns cuidadores.

Alguns autores não acreditam que suple-mentos administrados por via oral possam ser capazes de recuperar o estado nutricional de crianças e adolescentes com câncer. Existem algu-mas evidências de que os benefícios possam ser maiores nos adultos35,36, entretanto um estudo realizado anteriormente a este serviço evidenciou 34,0% de melhora do estado nutricional de pa-cientes desnutridos que receberam suplemento oral industrializado5. Assim, como nesse serviço, a contribuição dos suplementos orais para o esta-do nutricional já foi descrita por outros autores e a resposta positiva também foi evidenciada neste estudo4. Todavia, os pacientes com maior gravi-dade nutricional apresentam maior dificuldade para serem recuperados com o emprego de suple-mentos via oral. Os pacientes do grupo A evo-luíram melhor com a terapia oral; observou-se, em média, 86,0% de resultados positivos. O impacto do SOA e do SOI sobre o diagnóstico nutricional desse grupo não foi diferente, confe-rindo benefícios semelhantes para o fim proposto (Figura 1).

Um trabalho realizado no serviço verificou que as pregas e as circunferências são bons indi-cadores do estado nutricional de pacientes onco-lógicos; por essa razão, também avaliamos tais indicadores5. Estes resultados demonstram, de forma geral, que os efeitos benéficos foram mais importantes nos pacientes do grupo A com SOI; no grupo B não foi possível verificar esse mesmo resultado. Como o grupo A foi composto por pa-cientes com menor gravidade nutricional, a ma-nutenção do estado nutricional pode ser consi-derada como resultado positivo. Assim, o suple-mento nutricional, provavelmente, tenha sido o fator mais relacionado com a melhora dos pacien-tes do grupo A.

As toxicidades no trato gastrintestinal são efeitos colaterais do tratamento antineoplásico. Mucosite, náusea, vômito e diarreia são alterações que afetam negativamente o estado nutricional dos pacientes, podendo prejudicar a ingestão ali-mentar e a absorção de nutrientes9,10,12. Alguns trabalhos sugerem que pacientes desnutridos apresentam mais toxicidades ao tratamento, evo-luindo com pior prognóstico3,5. Os resultados en-contrados foram condizentes com os da litera-tura. A frequência das toxicidades foi maior nos pacientes do grupo B, que apresentavam um pior estado nutricional, tanto no SOI como no SOA, contudo não se observou diferença estatística entre os grupos de estudo.

A adesão à terapia proposta e a frequência às consultas são pontos importantes para a obten-ção de resultados positivos. Nem todos os pacien-tes aderiram ao protocolo proposto e houve me-nor número de abandonos no grupo com SOA do que no grupo com SOI. Embora os pacientes do grupo com SOA tenham maior número de faltas, a análise estatística não demonstrou dife-rença significante. Entretanto, para os pacientes do grupo B, a probabilidade estatística foi próxima à significância. Acreditamos que a doação do su-plemento industrializado pode ter sido o principal fator da maior presença nas consultas. Esse estí-mulo não existe com o suplemento artesanal; talvez por esse motivo o número de faltas seja maior.

A evolução do escore de capacidade fun-cional mostrou diferença positiva no grupo A que recebeu SOI. Acreditamos que o período de ava-liação foi pequeno para mostrar impacto impor-tante na capacidade de desempenho dos pacien-tes. Apesar da melhora significante encontrada no grupo A com SOI, a análise entre SOI e SOA não mostrou diferença da evolução dos escores entre os grupos. A média dos escores de Lansky ou Karnofsky atingiu 80,0%, provavelmente em função da doença de base que resulta em algumas limitações, como cansaço ao esforço e sinais/sinto-mas específicos da doença. O escore de 80,0% foi bastante positivo, considerando que a terapia foi proposta para ser realizada em nível ambu-latorial. Outro resultado que reforça essa proposta é o número de internações dos pacientes: mais de 50,0% deles foram acompanhados, exclusi-vamente, em ambulatório e receberam os suple-mentos preparados por seus cuidadores.

Os suplementos industrializados apresen-tam facilidade de preparo, baixo risco de contami-nação e adequada composição nutricional. Apesar das vantagens do SOI, existe a desvantagem finan-ceira, principalmente para a aquisição em alguns países, como é o caso do Brasil, onde o SOI custa cinco vezes mais do que o SOA.

A terapia nutricional com SOA demonstrou desempenho que a coloca dentre as opções para pacientes oncológicos em tratamento; acredita-mos, assim, que o emprego da terapia com SOA possa auxiliar a recuperação nutricional desses pacientes, sendo uma opção para populações financeiramente desfavorecidas. A variabilidade de sabores associada ao baixo custo faz dele um suplemento que também poderá ser utilizado por outras populações.

 

Colaboradores

F.R. ALVES participou do desenvolvimento das receitas, da coleta e da análise dos dados, da discussão, dos resultados e da elaboração do artigo. A. GARÓ-FOLO participou da idealização do projeto com desenvolvimento das receitas, análise dos dados, discussão dos resultados e finalização do manuscrito. P.S. MAIA participou do desenvolvimento das receitas e da co-leta dos dados. F.J. NÓBREGA participou da discussão dos resultados e da finalização do manuscrito. A.S. PETRILLI participou da discussão dos resultados e da finalização do manuscrito.

 

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Recebido em: 9/1/2009
Versão final reapresentada em: 3/12/2009
Aprovado em: 11/5/2010