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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.5 Campinas Sept./Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732010000500008 

ORIGINAL ORIGINAL

 

Suco de laranja reduz o colesterol em indivíduos normolipidêmicos

 

Cholesterol-lowering effect of orange juice in normolipidemic subjects

 

 

Thais Borges CésarI; Layane Urzedo RodriguesII; Milena Salomão Peres de AraújoII; Nancy Preising AptekmannII

IUniversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Departamento de Alimentos e Nutrição. Rod. Araraquara-Jaú, Km 1, 14801-902, Araraquara, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: T.B. CÉSAR. E-mail: <tcesar@fcfar.unesp.br>.
IIUniversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Araraquara, SP, Brasil.

 

 


RESUMO

Objetivos: Neste estudo foi investigado o efeito do consumo habitual de suco de laranja no perfil dos lípides e lipoproteínas em homens e mulheres normolipidêmicos.
Métodos: Todos os voluntários (n=29) consumiram 750mL/dia de suco de laranja durante 60 dias. Variáveis bioquímicas como perfil lipídico, apolipoproteínas, glicose, paraoxonase1 e o tamanho de HDL foram medidas antes e após o período de suplementação com suco de laranja. Também foram realizadas medidas antropométricas e inquéritos dietéticos.
Resultados: O consumo crônico de suco de laranja reduziu significativamente o colesterol total nos homens (11%, p<0,05) e nas mulheres (10%, p<0,05) e o LDL-C nos homens e mulheres (15%, p<0,05). O HDL-C e a apoA-I também diminuíram, refletindo a redução do colesterol total. Os triacilgliceróis, apo B, PON1, tamanho da HDL, IMC, gordura corporal e circunferência abdominal não foram modificados com o tratamento com suco de laranja.
Conclusão: Neste estudo, mostrou-se que o suco de laranja apresenta propriedade redutora sobre o colesterol, e foi sugerido que a associação dos flavonóides cítricos com a vitamina C previne o estresse oxidativo e o desenvolvimento da aterosclerose.

Termos de indexação: Colesterol. Colesterol-LDL. Lipoproteínas. Suco.


ABSTRACT

Objective: This study investigated the effect of regular orange juice consumption on blood lipids and lipoproteins of normolipidemic men and women.
Methods: All volunteers (n=29) consumed 750mL of orange juice daily for 60 days. Biochemical variables such as lipid profile, apolipoproteins, glucose, paraoxonase 1, and HDL size, were measured before and after the orange juice consumption period. Anthropometric and dietary data were also collected.
Results: Daily consumption of orange juice significantly reduced total cholesterol in men (11%, p<0.05) and women (10%, p<0.05) and LDL-cholesterol (15%, p<0.05) in men and women. HDL-C and Apo A-I also decreased, reflecting the reduction in total cholesterol. Triacylglycerols, apolipoprotein B, PON 1, HDL size, BMI, body fat, and waist circumference were not affected by orange juice consumption.
Conclusion: Orange juice presented cholesterol-lowering activity and the association between citrus flavonoids and vitamin C may prevent oxidative stress and the development of atherosclerosis.

Indexing terms: Cholesterol. Cholesterol-LDL. Lipoproteins. Juice.


 

 

Introdução

Estudos atuais têm mostrado que os flavo-nóides, um grupo de substâncias não nutritivas presentes nos alimentos, podem retardar ou pre-venir as doenças ateroscleróticas1 devido à ativi-dade antioxidante sobre as Lipoproteínas de Baixa Densidade (LDL) e consequente ação inibidora na formação da placa ateromatosa2. Os flavonóides são compostos naturais encontrados em frutas e vegetais e por isso extensivamente consumido por vegetarianos e grupos de indivíduos com amplo consumo de frutas e vegetais, levando à menor incidência da doença aterosclerótica nessas popu-lações3. O estudo da atividade metabólica dos fla-vonóides tem demonstrado ainda a atenuação do estresse oxidativo em doenças como o câncer, diabetes mellitus, doenças neurodegenerativas, aterosclerose, entre outras1,4,5.

O suco de laranja é um alimento singular devido ao alto conteúdo de vitamina C e a quan-tidades apreciáveis de outros nutrientes essenciais, como carotenóides, folato e potássio. As frutas cítricas, incluindo o suco de laranja, são fontes dos flavonóides hesperidina e naringinina, que protegem contra o câncer6 e a aterosclerose5.

Outro estudo relatou a associação dos flavonóides cítricos ou flavanonas com redução do risco de Doença Arterial Coronariana (DAC), redução do colesterol sanguíneo, inibição da oxidação da LDL e ácidos graxos e ainda redução da agregação plaquetária7. A hesperidina é o principal compo-nente flavonóide encontrado exclusivamente nas frutas cítricas e em quantidades apreciáveis no suco de laranja8. A hesperidina juntamente com a naringenina, o segundo mais importante flavo-nóide das frutas cítricas, exibem ação cardioprote-tora indireta por exercer efeito supressor sobre as espécies reativas de oxigênio in vitro9.

No homem e em animais experimentais, o suco de laranja e a hesperidina isolada mostra-ram efeito hipolipidêmico sobre o colesterol total, LDL-Colesterol (LDL-C) e triacilgliceróis, e aumento do colesterol da Lipoproteína de Alta Densidade (HDL-C)10,11. Foi sugerido que as flavanonas são capazes de reduzir os níveis de colesterol san-guíneo por dois mecanismos básicos: 1) inibição da Enzima Acetil-Coenzima-A Acil Transferase (ACAT), responsável pela esterificação do coles-terol hepático, e 2) aumento da atividade dos re-ceptores celulares de LDL-C12.

Estudos epidemiológicos têm que a vita-mina C contida nas frutas e nos vegetais se associa com a redução do risco de DAC13, embora resul-tados conflitantes tenham sido observados em estudos com suplementação de vitamina C e mor-talidade por DAC14. Porém, a terapêutica com doses elevadas de vitamina C melhorou a função vascular de pacientes com doença arterial corona-riana15, e a ingestão crônica com o suplemento melhoraram a função endotelial16. Outro estudo atribuiu à vitamina C do suco de laranja ação an-tioxidante em mulheres que consumiram 600mL de suco por dia17. Foi ainda observado que 500mL de suco de laranja diariamente aumentou a con-centração de vitamina C e reduziu os radicais livres no sangue de homens18,19.

A hipótese oxidativa da aterosclerose tem contribuído para ampliar o campo de estudo das substâncias antioxidantes que podem prevenir o estresse oxidativo, reduzir a oxidação da LDL e inibir o desenvolvimento da aterosclerose20. Um agente antioxidante natural do organismo huma-no é a enzima Paraoxonase 1 (PON1), que possui papel fundamental na prevenção da aterosclerose ao impedir a oxidação da LDL-C e HDL-C e inati-vação de lípides oxidados da LDL21. Identificada em tecidos animais em 1946 por Abraham Mazur, a PON1 é uma esterase/lactonase associada à HDL22, e sua atividade está inversamente rela-cionada ao risco de doenças cardiovasculares21. Experimentos in vitro mostraram que a PON1 pode proteger a HDL da oxidação, preservando a integridade da partícula, e atenuar a oxidação da LDL, por hidrolisar os lipídeos oxidados nas lipopro-teínas, nos macrófagos e nas lesões ateroscleró-ticas23. Mas para exercer seu efeito antioxidante é necessário que haja interação entre a PON1 e os lipídeos oxidados, o que pode ocorrer de duas formas: (1) por difusão da PON1 durante a intera-ção entre LDL e HDL; e (2) provável transferência dos lipídeos oxidados da LDL para a HDL e posterior ação da PON122.

Este estudo se propôs a investigar o efeito crônico da ingestão de suco de laranja sobre alguns fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Para tanto, foram avaliados o perfil dos lípides sanguíneos, apolipoproteínas, PON 1, tamanho da partícula de HDL, variáveis antropométricas e ingestão alimentar de homens e mulheres adultos submetidos à suple-mentação com suco de laranja.

 

Métodos

As medidas antropométricas, dietéticas e bioquímicas foram realizadas em um grupo de 34 indivíduos saudáveis, recrutados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Esta-dual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e na comunidade de Araraquara (SP). O grupo foi com-posto por 17 homens e 17 mulheres, com idade entre 25 e 55 anos; destes, apenas 3 homens e 2 mulheres não finalizaram o estudo. Os voluntários foram informados acerca da finalidade do tra-balho e as dúvidas foram esclarecidas. Foi solici-tado aos voluntários que não modificassem seus hábitos de alimentação ou de atividade física, quando houvesse, durante todo o período experi-mental. A seleção foi realizada de acordo com as normas do Comitê de Ética em Pesquisa da Facul-dade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara (SP), protocolo CEP/FCFCAr nº 8/2005. Após a aceitação do termo de consentimento livre e esclarecido, procedeu-se ao início do expe-rimento.

Avaliação antropométrica: Os participantes foram pesados e medidos em dois momentos do estudo: antes e após o tratamento com suco de laranja durante 60 dias. A massa corporal foi obti-da com o indivíduo imóvel, sem sapatos e com roupas leves, em balança mecânica modelo 31 Filizola®, com capacidade de 150kg e divisão de 100g. A estatura foi registrada em metros e obtida a partir da fixação em superfície vertical de fita métrica não extensível, a 100cm do chão; os parti-cipantes em pé, descalços, com os calcanhares juntos, costas retas e braços estendidos ao lado do corpo para a obtenção da medida. A classifi-cação do estado nutricional foi realizada segundo o Índice de Massa Corporal (IMC)24. A medida da circunferência da cintura, tomada na cicatriz um-bilical, foi realizada com uma fita métrica não extensível, com o indivíduo em pé. A medida foi feita no momento da expiração e os resultados foram interpretados com base nos valores limí-trofes de 94 cm para os homens e 80 cm para as mulheres24. O percentual de gordura corpórea foi obtido por bioimpedância elétrica com o equipa-mento "Biodinamics, Modelo 310", da Biodinamics Corp, EUA, aplicado pela manhã com os partici-pantes em jejum, sem atividade física e após repouso de 15 minutos25.

Avaliação dietética: Constou da aplicação de dois recordatórios de 24 horas sendo um em dia da semana e outro em um dia do final de semana, aplicados nos períodos anterior e poste-rior à suplementação com suco de laranja, resul-tando em quatro recordatórios ao final do expe-rimento. Os resultados foram expressos como a média do recordatórios do dia da semana e do final da semana, nos períodos pré e pós-trata-mento. Os dados de energia e nutrientes dos recordatórios foram obtidos com o "Programa de Apoio à Nutrição - Nutwin", versão 1.5.2.50, 2005, Escola Paulista de Medicina, Unifesp (SP), Brasil. A adequação nutricional dos macronu-trientes foi avaliada de acordo com as Recomen-dações Nutricionais26. O consumo diário de 750mL de suco de laranja foi avaliado semanalmente por ocasião da entrega do suco concentrado aos participantes, tendo sido verificada uma adesão superior a 85,0% em todos os casos analisados. Durante o período experimental, cinco indivíduos (três homens e duas mulheres) que não conse-guiram tomar a dose diária pré-determinada de 750mL/dia foram encorajados a abandonar o estudo. A atividade física dos participantes foi obtida pela descrição individual dos hábitos e fre-quência diária de exercícios, caminhada, ativida-des de lazer, entre outros, antes e após o período experimental e foi avaliada de acordo com os níveis de atividade física utilizados no cálculo do gasto energético26.

Suco de Laranja: Os participantes ingeri-ram 750mL de suco de laranja diariamente duran-te 60 dias ininterruptos. A dose oferecida foi ba-seada em estudo realizado com doses crescen- tes de suco de laranja (250, 500 e 750mL/dia) oferecidas a homens, que mostrou que somente a maior dose (750mL/dia) provocou modificações significativas no perfil lipídico11, e por isso foi esco-lhida para aplicação no presente experimento. O suco concentrado congelado foi cedido pela em-presa Citrosuco Paulista S.A., pertencente ao Grupo Fischer (Matão-SP). Um único lote de suco de laranja concentrado e congelado (64,89 Brix e Ratio 17,12), obtido por processo industrial de extração do suco e concentrado por centrifuga-ção, foi retirado na fábrica em baldes de 26kg. O suco concentrado foi envasado assepticamente em garrafas de 900mL que foram armazenadas a -20ºC. Os participantes foram instruídos a retirar semanalmente no laboratório experimental uma garrafa do suco concentrado (900mL), e a diluir diariamente 125mL com 625mL de água filtrada em recipiente plástico graduado, fornecido pre-viamente, que deveria ser mantido tampado em geladeira até o completo consumo. Foi recomen-dado o consumo de suco sem açúcar, distribuído ao longo do dia durante as principais refeições. O suco diluído, sem adição de açúcar, continha um teor de sólidos solúveis de 12° Brix, 19% de polpa e pH 3,73. Os principais nutrientes em 750mL de suco de laranja, pronto para beber, de acordo com as especificações técnicas do pro-duto, foram: 315kcal, 42mg de hesperitina, 12mg de naringenina, 64g de açúcares totais (2:1:1 de sacarose: frutose: glicose), 1308mg de potássio, 258mg de vitamina C e 135mg de ácido fólico.

Avaliação bioquímica: As colheitas de san-gue dos participantes foram realizadas em duas ocasiões - no início do experimento e após 60 dias da suplementação com suco de laranja - no Laboratório de Análises Clínicas São Lucas, Ara-raquara (SP), com os indivíduos em jejum de 12 horas e em repouso. As amostras de sangue foram centrifugadas para separação do soro e em seguida realizadas as determinações bioquímicas. As amostras separadas para análises da PON 1 e tamanho da partícula de HDL foram encaminha-das ao Laboratório de Lípides do Instituto do Coração (InCor), São Paulo (SP). Todas as dosagens bioquímicas foram realizadas em equipamento automático, modelo System Vitros Chemistry 250, Brasil. As apolipoproteínas A-I e B (apo A-I e apo B) foram dosadas por imunoturbidimetria automa-tizada, com kits comerciais Roche (Apolipopro-teínas AI e B, Imunotubidimétrico, Hitachi 912, Roche Diagnostics). O colesterol total e os triacilgli-ceróis foram determinados pelo método Enzi-mático-Trinder, utilizando-se o kit comercial Labtest (Colesterol Liquiform Ref. 76, Colesterol oxidase-Reação de Trinder, Triacilgliceróis Liquiform Ref. 87, Glicerol fosfato oxidase, Labtest Diagnós-tica). O HDL-C foi determinado por Inibição Se-letiva, sistema para determinação homogênea direta do colesterol HDL no soro humano, utili-zando o kit comercial Labtest (Colesterol HDL Ref. 13, Precipitação com fosfotungstato-magnésio, Labtest Diagnóstica). O valor de LDL-C foi obtido a partir dos resultados das dosagens do colesterol total, triacilgliceróis e HDL-C, pela fórmula de Friedewald27. A glicose foi determinada pelo mé-todo enzimático GOD-Trinder, utilizando o kit co-mercial Glicose Pap Liquiform 1 x 500mL Labtest (Glicose HK Liquiform Ref. 85, Hexokinase de acor-do com recomendação da IFCC). O tamanho da HDL foi mensurado segundo a técnica de laser de dispersão28.

Análise estatística: Os resultados foram analisados por meio do software Microsoft Office Excel 2003 e Sigma Stat, versão 2.03, 1995. As variáveis foram apresentadas como média e desvio-padrão, e todos os conjuntos de dados fo-ram testados quanto à normalidade de suas distri- buições. A comparação entre grupos de dados com distribuição normal foi examinada com o tes-te t de Student e para os demais com distribuição não normal foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon. O nível de significância adotado foi de 5% para as comparações efetuadas.

 

Resultados

No início do experimento, cerca de 36,0% dos homens e 33,0% das mulheres apresentavam peso corporal acima da faixa de normalidade: sobrepeso e obesidade. Foi verificada uma alta incidência de indivíduos com uma dieta rica em gorduras saturadas e colesterol, e sem hábitos de atividade física, sugerindo um estilo de vida seden-tário e maior risco para as doenças cardiovas-culares. Considerando esses fatores e para uma análise mais acurada dos resultados, os voluntários foram divididos em quatro grupos, de acordo com seu perfil antropométrico e gênero, a saber: (1) homens eutróficos e (2) homens com sobrepeso, (3) mulheres eutróficas e (4) mulheres com sobre-peso.

Contrariamente à suposição de que o suco de laranja leva ao aumento do peso corporal por causa do seu conteúdo energético, o elevado consumo de suco de laranja neste estudo de 750mL/dia, equivalente a 315kcal, não foi asso-ciado com nenhuma variação detectável no peso, IMC, porcentagem de gordura corporal e circunfe-rência da cintura após a suplementação em todos os grupos analisados (Tabela 1).

A comparação do consumo de alimentos ricos em lípides, ácidos graxos saturados e coles-terol no início e no final do experimento mostra-ram que não houve alteração significativa do con-sumo desses alimentos entre homens e mulheres. Foi observado, entretanto, que o consumo de ácidos graxos saturados e colesterol das mulhe-res e dos homens eram superiores à recomen-dação26 antes e após a suplementação com o suco de laranja. Entre os indivíduos eutróficos e com sobrepeso, o consumo total de energia da dieta antes e depois do suco de laranja estava dentro da taxa de variação recomendada26 tanto em homens como em mulheres (Tabela 2).

A ingestão de vitamina C teve aumento significativo para as mulheres eutróficas e com sobrepeso, embora o aumento para as últimas não tenha sido significante. Para os homens, a vitamina C aumentou significativamente nos eutróficos e com sobrepeso, atingindo a recomen-dação26 nos indivíduos com sobrepeso após a suplementação do suco (Tabela 2). O ácido fólico foi aumentado significativamente com o suco so-mente nas mulheres eutróficas, embora nenhum grupo das mulheres alcançasse a recomendação de 400mg/d26. Os homens, entretanto, mostra-ram uma ingestão adequada de ácido fólico antes e após o suco de laranja, embora apresentassem grande variação entre eles.

A análise dos lípides e das lipoproteínas sanguíneos mostrou que após o consumo de 750mL/dia de suco de laranja houve uma redução significativa de 11,0% do colesterol total e de 15,0% do LDL-C nos homens. Para as mulheres, após o consumo do suco de laranja, foi verificada redução de 10,0% para o colesterol total e 15,0% para o LDL-C (Tabela 3). Porém, a concentração de apo B, após o consumo de suco de laranja, não mostrou modificação significativa (Tabela 3). Já que cada LDL apresenta apenas uma apo B-100, esse resultado sugere a manutenção no número de partículas de LDL no soro dos indiví-duos analisados, embora com menor teor de colesterol no centro lipídico.

Devido ao conteúdo substancial de açú-cares naturais do suco de laranja, como a frutose, glicose e sacarose (64g em 750mL de suco de laranja), haveria um risco potencial de elevar a glicemia e os triacilgliceróis séricos nos indivíduos que estivessem consumindo essa quantidade de suco diariamente. Entretanto, não foi detectado aumento significativo na glicemia ou triacilgliceróis nos indivíduos desse experimento (Tabela 3). Além disso, a mensuração dessas variáveis bioquímicas antes e após a suplementação não excederam os valores recomedados29.

Medidas do HDL-C e apo A-I após o consu-mo de suco de laranja mostraram uma redução significativa de 9,0% e 16,0% nos homens e 6,0% e 21,0% nas mulheres, respectivamente (Tabela 3). Porém, o tamanho médio das partículas de HDL não foi alterado com a suplementação com o suco de laranja, indicando não haver modifica-ção do conteúdo central das partículas de HDL, representado principalmente pelo éster de colesterol.

A análise da atividade da enzima PON1 mostrou redução não significativa de 20,0% após a suplementação com o suco de laranja tanto em homens como em mulheres. Embora essa redução tenha ocorrido em 80,0% dos indivíduos da amos-tra, não houve diferença significativa antes e depois do período de suplementação por causa do amplo desvio-padrão verificado, comum na men-suração desse parâmetro28.

 

Discussão

A avaliação bioquímica dos lípides séricos após a suplementação com o suco de laranja mostrou que o consumo frequente desse alimento favorece a redução das concentrações de coles-terol total e de LDL-C. Estudos prévios mostra-ram que o consumo de suco de laranja pelo homem4,10,11 e o de flavonóides cítricos por ani-mais de experimentação8,12 reduziram o colesterol total e de LDL, apontando ainda benefícios adi-cionais, como redução dos níveis de proteína C reativa, de radicais livre, da peroxidação lipídica e de outros marcadores do estresse oxidativo3, além da redução de alguns marcadores inflamatórios9. Além disso, os flavonóides cítricos promoveram redução da biossíntese de colesterol hepático, pela inibição da atividade da HMG CoA redutase e ACAT em ratos alimentados com dieta rica em colesterol12. A redução na atividade da ACAT leva à menor esterificação do colesterol hepático dis-ponível para a formação das Lipoproteínas de Densidade Muito Baixa (VLDL), resultando, assim, na redução da secreção de VLDL do fígado30.

No presente estudo, a concentração dos triacilgliceróis e da glicose séricos não foram alte-rados pelo consumo de suco de laranja, mesmo com o consumo de 750mL/dia, que acrescentou cerca de 64g/dia de açúcares naturais ou 315kcal/dia por indivíduo. Esses resultados corroboram a pesquisa anterior com homens e mulheres normo-colesterolêmicos10,11 e com dislipidemia31 que não mostraram alteração nos níveis de triacilgliceróis mesmo com a suplementação regular de um a três copos de suco de laranja. Os autores suge-riram que, embora seja reportada redução dos triacilgliceróis séricos em animais experimentais suplementados com flavonoides cítricos, no ho-mem esta influência é controversa. A magnitude dos efeitos sobre os triacilgliceróis séricos parece depender primariamente de fatores como idade, sexo, nível basal de glicose, insulina e triacilgli-ceróis; presença de resistência à insulina e quan-tidade de frutose consumida na dieta32. Estudo recente reportou que o consumo de frutose ou de xarope de frutose durante duas semanas, num total de 20% a 25% da energia da dieta, não aumentou as concentrações de triglicerídeos em indivíduos saudáveis e com sobrepeso ou obesi-dade33.

Em relação ao consumo dietético de lípides totais, gorduras saturadas e colesterol, que poten-cialmente afetam o colesterol plasmático e de LDL, foi verificado que os homens apresentavam con-sumo muito acima das recomendações26, en-quanto as mulheres levemente acima. Não houve, entretanto, alteração do padrão de ingestão de gorduras durante o período experimental, o que sugere que as modificações observadas no perfil lipídico ocorreram independentemente da contri-buição dos lípides da dieta. Porém, o consumo elevado de gorduras saturadas e colesterol, tanto em homens como em mulheres, reflete forte-mente a ingestão de fontes animais na alimen-tação diária, com pequena presença de frutas e verduras. Portanto, o suco de laranja representou uma importante adição no valor nutricional das dietas, acrescentando vitamina C, flavanonas, potássio, ácido fólico, e outros importantes micronutrientes também observados em estudos anteriores10-12, 31, 34.

Estudos conduzidos em animais e no ho-mem têm mostrado que a suplementação dieté-tica com vitamina C reduz taxa de oxidação de LDL e diminui a formação da placa ateromatosa devido à capacidade antioxidante do ácido ascór-bico no organismo12,34. A vitamina C também foi associada com menores níveis de pressão arterial sistêmica em homens adultos que consumiam regularmente suco de laranja35. Outro estudo sugeriu ainda que a ação sinérgica da vitamina C com os flavonóides presentes no suco cítrico promoveram o relaxamento vascular proporcionando a manutenção e o equilíbrio da pressão arterial36.

Neste estudo foi verificada uma proporção elevada de indivíduos com sobrepeso e obesidade, sendo 36,0% de homens e 33,0% de mulheres, acompanhando a tendência à prevalência de adul-tos com excesso de peso na região sudeste do país. A distribuição da gordura corporal percen-tual foi idêntica à distribuição do IMC, sugerindo que todos os indivíduos com sobrepeso e obesos apresentavam excesso de massa gorda. A medida da circunferência da cintura confirmou ainda que esses mesmos participantes apresentavam maior risco de desenvolvimento de complicações rela-cionadas à obesidade, verificando-se média de 10cm de circunferência abdominal acima dos valo-res seguros24 tanto para os homens quanto para as mulheres. É notório que medidas do IMC e da circunferência abdominal superiores aos valores limítrofes estabelecidos se associam positivamente com fatores de risco predisponentes para as doen-ças cardiovasculares37.

Como já mostrado na literatura, a atero-gênese também está estreitamente correlaciona-da ao aumento nos níveis de peroxidação lipídica. Em condições de homeostase, a oxidação da LDL é provavelmente mínima devido tanto à presença de muitos antioxidantes dietéticos distribuídos no plasma e agregados a essa lipoproteína como também à remoção eficiente da LDL por meio do seu reconhecimento por receptores presentes abundantemente nas células hepáticas36. Contudo, essa situação pode ser modificada quando há aumento de espécies reativas de oxigênio ou nitrogênio, estabelecendo um quadro de estresse oxidativo. Uma vez que a modificação oxidativa da LDL nativa, decorrente desse balanço oxidativo, é um ponto chave na gênese da aterosclerose, a proteção dessa lipoproteína contra a oxidação pode ser uma estratégia eficaz para a prevenção e/ou para redução do risco de progressão dos eventos implicados na formação do ateroma. Sendo assim, a mensuração de marcadores de peroxidação lipídica figura como uma excelente ferramenta na caracterização de substâncias que agem como protetores tissulares e plasmáticos dos eventos oxidativos38.

A PON 1, um marcador bioquímico da pe-roxidação lipídica, teve sua atividade reduzida provavelmente devido ao aporte elevado de vita-mina C obtido pela ingestão de 750mL de suco de laranja por dia. Além disso, experimentos suge-rem que os flavonóides agem em sinergia com a vitamina C, potencializando seu efeito antioxi-dante nas lipoproteínas do sangue e prevenindo os danos da aterosclerose3, o que pode ter tam-bém contribuído para reduzir a ação da PON1. Os resultados de Rosenblat39 sugerem que a HDL aumenta a atividade da PON1 ao estabilizar a enzima. Neste trabalho houve redução signifi-cativa de partículas de HDL, o que pode ter in-fluenciado na redução da atividade da PON1. Outra hipótese para a redução da atividade da PON1 está relacionada à redução de Apo A-I; já a maior parte da PON1 sérica está localizada na superfície da HDL e na Apo A-I. Assim, a defi-ciência dessa apolipoproteína em humanos reflete a redução da atividade sérica da PON 122.

 

Conclusão

O consumo de suco de laranja não foi asso-ciado a variações no peso corporal, IMC, porcen-tagem de gordura e circunferência abdominal após a suplementação diária de 750 mL durante 60 dias. O suco de laranja reduziu o colesterol total e LDL-C, demonstrando propriedade hipo-colesterolêmiande e antiaterogênica. A redução do HDL-C e da apo A-I foi associada à redução total do colesterol sanguíneo e à menor atividade oxidante no sangue devido ao elevado aporte de vitamina C e flavanonas cítricas.

O estudo do efeito da ingestão crônica e prolongada de suco de laranja, rico em hesperi-dina e vitamina C, demonstrou a ação hipolipe-miante desse alimento natural, que levou à redução do risco de desenvolvimento de aterosclerose em homens e mulheres normolipidêmicos.

 

Colaboradores

T.B. CÉSAR foi responsável pela elaboração do projeto de pesquisa, do protocolo experimental, obtenção de verba para a realização do experimento, supervisão do experimento e elaboração do texto final deste artigo. L.U. RODRIGUES foi responsável pela seleção dos voluntários, pela coleta de dados nutri-cionais, bioquímicos e antropométricos, análise e dis-cussão dos resultados e participou ativamente na redação deste artigo. M.S.P. ARAÚJO colaborou como médica responsável do projeto de pesquisa junto ao Comitê de Ética da Unesp; auxiliou na elaboração dos critérios de seleção dos voluntários, na coleta dos dados bioquímicos e antropométricos e colaborou na revisão do presente artigo. N.P. APTEKMANN colaborou na confecção do protocolo do estudo, na análise esta-tística dos dados e discussão dos resultados.

 

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Recebido em: 15/9/2008
Versão final reapresentada em: 8/6/2009
Aprovado em: 11/11/2009

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