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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.6 Campinas Dec. 2010

 

A Ciência da Nutrição em trânsito: da Nutrição e Dietética à Nutrigenômica

 

 

Estudo elaborado pelo professor Francisco Vasconcelos do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, evidencia que nas últimas três décadas importantes mudanças paradigmáticas têm ocorrido no campo da Nutrição brasileira. Destaca que na atualidade a Nutrição estaria vivenciando a era pós-genômica, constituindo-se uma ciência multidisciplinar, caracterizada pela integração das dimensões biológica, social e ambiental. Ressalta que no Brasil o complexo e multidisciplinar objeto de estudo da Nutrição foi inicialmente (com)partilhado entre distintos campos de conhecimento e profissionais: Medicina, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica, Agronomia,  Administração, Economia, Antropologia, Sociologia  etc. Nas décadas de 1970 e 1980,  com a  intensificação do desenvolvimento científico-tecnológico da indústria de alimentos, passou a manter interface com mais dois outros campos de conhecimento: a Tecnologia  e a Engenharia de Alimentos. A partir dos anos 1990, entre os novos campos disciplinares que passaram a fazer interfaces com a Nutrição, destacam-se a Gastronomia, a Nutracêutica e a Nutrigenômica.

O artigo publicado no volume 23, número 6, da Revista de Nutrição, realiza uma análise histórica da ciência da Nutrição no Brasil tendo como referenciais os conceitos de campo científico de Pierre Bourdieu e de paradigma e comunidade científica de Thomas Kuhn. Entre as mudanças paradigmáticas identificadas, o artigo destaca: 1º) Que ao perfil epidemiológico nutricional verificado no período 1930-1980, constituído, sobretudo pelas doenças carenciais, sobrepuseram-se às doenças nutricionais crônicas e não-transmissíveis, caracterizando o fenômeno de transição nutricional e imprimindo a necessidade de construção de novos enfoques explicativos; 2º)  A intensa elevação do número de cursos de Graduação em Nutrição e de nutricionistas inscritos nos conselhos regionais e, por conseqüência, a intensa diversificação e ampliação das áreas de atuação do nutricionista no Brasil; 3º) Os novos dilemas que são colocados para os profissionais, diante da globalização da Nutrição e/ou das doenças nutricionais, onde a produção, a circulação e o consumo da mercadoria alimento permanecem atrelados às necessidades de acumulação do capital e não às necessidades nutricionais humanas.  Entre tais dilemas, chama a atenção o fenômeno de uma possível tendência à uniformização planetária de hábitos e práticas alimentares, a partir da adoção da chamada dieta ocidental  ou  da ocidentalização  do padrão de consumo  alimentar. Discorre sobre o movimento Slow Food, que surge em meados dos anos 1980, como "resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o planeta". Discorre ainda sobre as tentativas de transposição para o Brasil de modelos de dietas consideradas como responsáveis pelos elevados padrões de vida longa e saudável de determinadas populações, tais como a dieta mediterrânea e a dieta asiática ou oriental. Sinaliza ainda para o dilema da segurança/insegurança alimentar, o qual está intimamente relacionado às teorias da (in)sustentabilidade ecológica do planeta e ao princípio do direito humano à alimentação.  Por último destaca que, diante de tais dilemas, cabe aos profissionais da Nutrição o papel de não apenas procurar identificar e respaldar um padrão dietético que garanta uma vida digna e saudável para todos os brasileiros, mas que busque a preservação da diversidade bio-etno-cultural e a garantia da identidade nacional.

 

 

Contato:
Francisco de Assis G. de Vasconcelos
Universidade Federal de Santa Catarina / Departamento de Nutrição
e-mail: fguedes@floripa.com.br  ou   francisco.vasconcelos@pesquisador.cnpq.br

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