SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24 issue6Human resources, research and scientific production of Brazilian Graduate Programs in Nutrition, 2007-2009 author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

  • Portuguese (pdf)
  • Article in xml format
  • How to cite this article
  • SciELO Analytics
  • Curriculum ScienTI
  • Automatic translation

Indicators

Related links

Share


Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.24 no.6 Campinas Nov./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732011000600013 

SEÇÃO TEMÁTICA - A CRIAÇÃO DA ÁREA DE NUTRIÇÃO NA CAPES THEMATIC SECTION - The creation of the area nutrition in Capes

 

Alimentação e nutrição como campo científico autônomo no Brasil: conceitos, domínios e projetos políticos

 

Food and nutrition as scientific field in Brazil: concepts, domains and political projects

 

 

Shirley Donizete PradoI; Maria Lucia Magalhães BosiII; Maria Claudia Veiga Soares de CarvalhoI; Silvia Ângela GugelminI;Ruben Araújo de MattosI; Kenneth Rochel Camargo JuniorI; Juliana KlotzI,III; Karen Levy DelmaschioI, III; Myriam de Lima Ramagem MartinsI,IV

IUniversidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde, Núcleo de Estudos sobre Cultura e Alimentação (NECTAR), Instituto de Nutrição. R. São Francisco Xavier, 524, Pavilhão João Lyra Filho, 12º andar, Bloco E, Sala 12.007, 20559-900, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, Correspondência para/Correspondence to: S.D. Prado. E-mail: <shirley.prado@yahoo.com.br>
IIUniversidade Federal do Ceará, Faculdade de Medicina, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Departamento de Saúde Comunitária Fortaleza, CE, Brasil
IIIBolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IVBolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

 


RESUMO

O artigo problematiza conceitos, domínios e alguns interesses presentes na constituição da Alimentação e Nutrição como campo científico no Brasil. Partindo da teoria dos campos sociais, transversal ao pensamento de Bourdieu e conjugada a reflexões de Stengers acerca de campos científicos, busca-se estabelecer distinções entre os domínios que tratam dos alimentos, e aqueles voltados aos nutrientes e à comida. Reconhecendo dis-tinções entre tais domínios, postula-se que comer, nutrir e alimentar são fenômenos humanos inter-relacionados; assim, a pluralidade epistemológica é exigência primeira para sua compreensão, haja vista as interfaces entre as dimensões biológica e social. Portanto, reconhecer a necessidade da aproximação entre campos científicos é fundamental, ainda que tal aproximação só se estabeleça em processos que envolvem interesses em disputa. Nesse sentido, a despeito dos desafios, defende-se que a articulação entre Alimentação e Nutrição corresponde a projeto político promissor e necessário do ponto de vista da interdisciplinaridade que a natureza desse binômio exige, para sua compreensão como campo de produção de conhecimentos e saberes relativos aos processos socioculturais e biológicos que percorrem várias esferas da vida humana.

Termos de indexação: Alimentação. Ciência. Conhecimento. Nutrição. Pesquisa. Programas de pós-graduação em saúde.


ABSTRACT

This paper discusses concepts, domains, and some interests in constituting Food and Nutrition as a scientific field in Brazil. The theory of social fields crosscutting Bourdieu's thought, combined with Stengers's thoughts about scientific fields, were used to distinguish between food-related domains and those concerned with nutrients and eating. Once the differences among them are recognized, one realizes that eating, nourishing and feeding are inter-related human phenomena; so epistemological plurality is the first requirement for its understanding, considering the interfaces between biological and social dimensions. Consequently, it is essential to recognize the need for closer relations among scientific fields, although this approach is only established in processes involving disputed interests. In this sense, despite the challenges, the link between Food and Nutrition corresponds to a promising and necessary political project from the viewpoint of the interdisciplinarity that the nature of this binomial requires for its understanding as a field of knowledge production and knowledge related to the sociocultural and biological processes that run throughout human life.

Indexing terms: Feeding. Science. Knowledge. Nutrition. Research. Health postgraduate programs.


 

 

INTRODUÇÃO

Alimento, nutrição, nutrientes, dieta, ali-mentação, comida, culinária, cozinha... Absolu-tamente essenciais para a existência humana, são, de modos diferentes e em espaços distintos, constituintes nossos. Palavras a dizer do passado, do dia a dia e dos devires, de corpos e mentes, de necessidades e desejos, de saúde e doença, de vidas e mortes. Expressões que circulam em dis-tintos discursos, ora como sinônimos, ora marca-das por algumas especificidades que as afastam, em um jogo permanente entre senso comum e conceitos científicos. Esse tratamento, que não opera demarcações precisas distinguindo palavras de conceitos, longe de ser observado apenas no discurso leigo ou popular, também está presente no espaço acadêmico, indicando a necessidade de investimentos no debate epistemológico, visando a possibilitar uma visualização mais nítida dos contornos do campo científico aqui deno-minado Alimentação e Nutrição.

Não obstante registrar-se a existência de esforços recentes na construção de respostas no âmbito da Alimentação e Nutrição em Saúde Co-letiva1-4, ordenar e explicitar conceitos e cor-respondentes metodologias, descrever e analisar domínios científicos e identificar agentes sociais em interação, fundantes e derivados desses cam-pos, corresponde a tarefa por ser cumprida. Para tanto, busca-se, neste ensaio, uma aproximação preliminar a esse complexo objeto, colocando em foco conceitos, domínios e alguns interesses pre-sentes na constituição da Alimentação e Nutrição como campo científico no Brasil.

Nesse sentido, toma-se de Bourdieu5-7 o conceito de "campo científico", entendido como um sistema em que agentes assumem posições conquistadas num espaço de lutas concorrenciais travadas ao longo da história: agentes de conser-vação e mudança disputam não apenas bens sim-bólicos produzidos no campo, como também sua própria estruturação. Trata-se de um espaço que guarda peculiaridades, dentre elas o fato de esses atores serem a um só tempo consumidores e juízes de seus próprios produtos. O conceito de campo tem como marca um dinamismo que possibilita transformações das regiões do conhecimento no espaço social. Stengers8 considera que, para uma ciência de primeira categoria, os conceitos consti-tuídos definem os domínios que se estabelecem em conformidade com os interesses em disputa. Campos científicos podem, assim, ser pensados como multifacéticos e dinâmicos, como resultado de permanentes interações entre desenvolvi-mento de conceitos e estabelecimento de do-mínios no jogo de interesses construídos social-mente - o que afasta este ensaio de uma con-cepção idealista, na qual estaria em jogo apenas a "concorrência pura" entre enunciados5.

Antes de abordar a Alimentação e Nutrição como campo científico, exercita-se aqui uma ne-cessária aproximação ao domínio das Ciências dos Alimentos, buscando estabelecer distinções e con-ferir maior precisão aos conceitos apresentados ao longo da discussão.

O alimento e o campo da ciência dos alimentos

Quando há referência a algo que se ingere para dar conta das necessidades biológicas para a sobrevivência, está-se na esfera da Natureza. Sem comer, o ser humano morre; extinguem-se espécies. Não é no ingerir alimentos que se situa o diferencial entre o humano e os demais seres viventes. Os humanos comem tal qual o fazem todas as espécies que surgiram, fizeram descen-dência e encontraram algum lugar no processo de seleção natural. Comer é, portanto, ato vital; em nome da sobrevivência, alimentos são inge-ridos de modo a vencer a fome e garantir a vida biológica.

Considerando que os tratados científicos de um campo correspondem a um dos caminhos que possibilitam identificar conceitos centrais e limites de correspondentes domínios científicos9, encontra-se em Salinas, no livro Alimentos e Nutrição, largamente utilizado na formação de profissionais de nível superior, que:

Alimento é toda substância que se ingere em estado natural, semi-industrializada ou industrializada, e se destina ao consumo humano, incluídas as bebidas e qualquer outra substância que se utilize em sua ela-boração, preparação ou tratamento, mas não inclui os cosméticos, o tabaco, nem as substâncias que se utilizam unicamen-te como medicamento (p.20)10.

Perspectiva similar está presente em Evan-gelista, ao afirmar que "alimentos são transpor-tadores do meio externo para o interior do orga-nismo, do material imprescindível para as suas atividades energéticas, estruturais e reparadoras"11. Ou em Guilherme Franco que, em sua clássica Tabela de Composição Química dos Alimentos, define:

Os alimentos são formados por moléculas complexas que devem ser transformadas em seus constituintes básicos, mais sim-ples, a fim de torná-los em condições de incorporação ao meio interno (p.1)12.

Uma expressão, por assim dizer, "pura" dessa concepção de alimento está muito clara nos Descritores em Ciências da Saúde, utilizados na indexação e na pesquisa e recuperação de textos da literatura científica, nas bases de dados do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informa-ção em Ciências da Saúde: "Qualquer substância tomada pelo corpo que proporciona nutrição"13. Concepção purificada, livre de amarras que a vinculariam a outros campos - como os que insis-tem em surgir quando se coloca o alimento no mundo social em que as pessoas trabalham, fa-lam, simbolizam e, evidentemente, comem. Observa-se apenas que, antes de comer, os seres humanos em sociedade classificam e elegem o que é ou não comestível - assunto de que este artigo tratará adiante.

Por ora, importa registrar que à concepção de alimento como carreador de estruturas quí-micas com funções de fornecimento de energia, estruturação e manutenção do corpo humano, corresponde um domínio que trata de composição química, qualidade sanitária, inocuidade do ali-mento e tecnologias de sua produção, expresso na taxonomia da Tabela das Áreas do Conheci-mento como Ciência e Tecnologia dos Alimentos, situada no interior da Grande Área das Ciências Agrárias.

No Brasil, já concebido como "celeiro do mundo"14,15, constituiu-se o alimento como objeto de um campo científico fortemente apoiado por governos sucessivos. Dotado hoje de larga rede de instituições de pesquisa de ponta, mantendo interlocução com vários outros campos voltados para o ambiente, que veem a terra e as águas como lugares de cultivo e criação, o campo da Ciência dos Alimentos dirige-se também à conser-vação do alimento no que tange a seu armaze-namento, transporte e comercialização. Deve-se aqui valorizar as considerações de Guimarães16 acerca do privilégio que a política de ciência e tecnologia confere, no Brasil, aos setores de ati-vidade econômica como base de sua concepção e orientação. Embora compreensível como direção geral, esse caminho tem deixado de lado outros setores fundamentais que deveriam ocupar lugar mais central na pesquisa, a saber: a atividade so-cial, particularmente a alimentação, a saúde, a habitação e a educação, levantando ainda refle-xões acerca de qual tem sido a concepção hege-mônica de ciência e tecnologia, seus alcances e seus limites.

Essa pesquisa dirigida ao alimento realiza—se num cenário mais amplo de interesses, que envolve ruralistas, pequenos produtores rurais, movimento sociais voltados para questões rela-tivas à posse, distribuição e uso de terras, grupos empresariais voltados para a produção industrial de alimentos, setores ligados à comunicação e publicidade de alimentos, além de tesouros e segurança nacionais e, mais recentemente, o futuro do planeta. No interior desse complexo jogo que se desenvolve na sociedade e nos espa-ços da produção de conhecimentos, grupos e organizações de pesquisadores acumularam expressivo capital científico e social, suficiente para que o campo das Ciências dos Alimentos mantenha expressão institucional em agências de fomento à pesquisa e à formação de pesqui-sadores, possibilitando sua autonomia em relação a outros campos da ciência, bem como o estabe-lecimento das regras do jogo para a distribuição de auxílios financeiros, bolsas e procedimentos de avaliação dos programas de pós-graduação.

Porém, esse não é exatamente o cenário atual do campo da Alimentação e Nutrição, como se verá a seguir.

Alimentação e nutrição com o campo científico: conceitos e domínios O nutriente e o campo da nutrição

O mundo da ciência positiva contempla e captura o nutrir para o interior do campo biomé-dico, a partir da noção de higiene. Suas bases fo-ram construídas durante a segunda metade do XIX e, no século XX, teve sua estratégia discursiva ligada à Epidemiologia. Desse modo, a Nutrição assume sentido específico no processo de raciona-lização científica do comer na história moderna, instituindo a dieta como ferramenta básica para equilibrar ingestão e gasto de nutrientes no corpo humano2,3. Assim como o alimento, o nutriente corresponde a um objeto situado no âmbito da Natureza, com seu estudo voltado para processos biológicos.

Corroborando tal assertiva, encontram-se também distintos elementos nos tratados desse campo, mediante a identificação de seus con-ceitos fundamentais. Podem-se trazer à reflexão vários autores17-20, entre os quais Mitchell, em obra largamente utilizada na formação de nutricionis-tas, médicos e outros profissionais de saúde:

Nutrição é a ciência dos alimentos, dos nutrientes, sua ação-interação e equilíbrio relacionado à saúde e à doença, e o pro-cesso pelo qual o organismo ingere, dige-re, absorve, transporta, utiliza e elimina as substâncias alimentares (p.11)21.

Encontra-se, aqui, o alimento dissecado em seus nutrientes e traduzido em processos de ingestão, digestão, absorção e transporte até as células, onde ocorre sua utilização biológica no corpo. Tal processo de significação converge dire-tamente para a dieta, com vistas à prevenção e cura das doenças, fazendo dela o correlato do medicamento.

Os Descritores em Ciências da Saúde13 apresentam a expressão "Ciência da Nutrição" como "estudo dos processos nutricionais, bem como os componentes do alimento, suas ações, interação e equilíbrio na relação saúde e doença", onde "processos nutricionais" dizem respeito a "ações e eventos biológicos que constituem os passos pelos quais os organismos vivos tomam e assimilam os nutrientes". Eis, então, o cerne do conceito de Nutrição como campo científico: a dieta como meio para garantir correspondência entre a ingestão do alimento, compreendido em sua composição de nutrientes, e suas funções no interior das células do corpo humano, em estado normal ou patológico. Conforme assinalado por Bosi, "... o processo metabólico, ou seja, a uti-lização biológica dos nutrientes constitui o objeto central, quase exclusivo, do discurso da Nutrição... fornecendo... a base para se ver a nutrição como um processo fundamentalmente biológico..."22 reduzindo a amplitude da questão nutricional a intervenções circunscritas ao setor saúde. Tal é o caso do lugar das recomendações para atender às neces-sidades nutricionais, tendo o estado nu-tricional de seres humanos como desfecho desse processo.

A Nutrição corresponde ao domínio que privilegia o espaço do encontro entre a Química do alimento e a Biologia das células no corpo hu-mano normal23, constituindo laços com a Fisiolo-gia, a Bioquímica e a Genética. Estabelece ainda diálogo prioritário com a Clínica, quando olha para o indivíduo patológico, e com a Epidemiologia, quando toma a sociedade como somatório de indivíduos ou corpos, enfatizando seus aspectos biomédicos.

Os investimentos científicos no prolonga-mento do tempo de vida e no controle das doen-ças, em particular aquelas mais associadas ao mundo moderno24, têm implicado, mais recen-temente, forte incremento nos estudos relativos a aspectos nutricionais das enfermidades crônicas e degenerativas, com destaque para a obesidade. Assim, no momento em que se experimentam os desfechos da transição nutricional25, o mundo da ciência tem, nos dias atuais, um de seus focos na Nutrição. Um processo que se caracteriza pela transição de um modelo em que predominavam inicialmente a Bioquímica e a Fisiologia para outro dominado pela chamada "Epidemiologia dos fatores de risco", reproduzindo os padrões da investigação biomédica, em geral, marcada pela centralidade da doença. Nesse cenário, pesqui-sadores, gestores e demais agentes inseridos na comunidade científica vêm investindo em pes-quisas, vendo crescer seu capital científico, por meio da consolidação de seus grupos de pesquisa, dos programas de formação de mestres e douto-res, de financiamentos e da assunção de posi-ções cada vez mais prestigiosas (e, por conse-guinte, poderosas) no interior das instituições de ensino e agências de fomento brasileiras.

Tendo encontrado solo fértil nesse espaço biomédico da episteme e construído seus alicer-ces, a Nutrição galgou lugar na taxonomia cien-tífica, estando contemplada na Árvore do Conhe-cimento. Entretanto, sua institucionalização ainda é incompleta. Em 2011 foi criada a Área de Ava-liação denominada "Nutrição", na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), até então subordinada à Medicina. No entanto, no Conselho Nacional de Desenvolvi-mento Científico e Tecnológico (CNPq), o Comitê de Assessoramento "Saúde Coletiva e Nutrição" ocupa lugar minoritário, denotando uma posição a ser ainda consolidada no complexo jogo travado na lida científica.

Deve-se ainda considerar que, ao mesmo tempo em que se constata a disponibilização de informações nutricionais à população, em escala ou alcance sem precedentes, as doenças consi-deradas passíveis de prevenção e tratamento por meio de dietas seguem crescendo em ritmo cada vez mais alarmante. Este cenário reforça, no âmbito da Nutrição, olhares que questionam sua abordagem centralmente prescritiva, investindo em debates e ações, muitas vezes em interação com outro espaço da vida acadêmica: a Saúde Coletiva, em especial, aquilo que nela converge para as Ciências Humanas e Sociais. Priorizando reflexões sobre a vida em sociedade e seus dilemas mais amplos e profundos, tratam esses estudiosos de investir na reflexão teórica acerca do viven-ciado, vislumbrando novos caminhos pelo desa-fiante mundo da geração de saberes; são pre-sentes e devires que buscam chão no solo sócio—antropológico, histórico, filosófico, político, psí-quico, tratando de temas como corpo26, consu-mo27,28, subjetividades29,30, práticas alimentares31, campo científico1,2 e destinos planetários32.

Daí emergem, também, questionamentos e pretensões em relação ao novo campo científico. Ao tomar por foco as relações humanas em so-ciedade quando mediadas pela comida, entram em cena outras referências epistêmicas que não se amoldam - ou mesmo escapam - ao modelo de ciência que insere a Nutrição numa visão de biomedicina. O que se busca é ampliar a leitura dos fenômenos, absorvendo aportes de outras esferas do saber, com fundamento nas Humani-dades, como se trata a seguir.

A comida e o campo da alimentação

A alimentação tem lugar de destaque nas narrativas míticas que sustentam o passado humano e apresentam o mundo greco-romano. A Ilíada retrata a cena em que jantam juntos o rei de Troia, Príamo, e Aquiles, guerreiro grego que matara seu filho em combate e que, a seu pedido, lhe devolve o corpo33. Também na Eneida, é du-rante um banquete que o herói latino Eneias faz sua narrativa sobre:

Os combates e o herói que, por primeiro, fugindo do destino, veio das plagas de Tróia para a Itália e para as praias de Laví-nio [e sobre o longo tempo em que] foi o joguete, sobre a terra e sobre o mar, do poder dos deuses superiores, por causa da cruel Juno; durante muito tempo tam-bém sofreu os males da guerra, antes de fundar uma cidade e de transportar seus deuses para o Lácio: daí surgiu a raça lati-na e os pais albanos e as muralhas da so-berba Roma (p.9)34.

São registros que tratam da alimentação, situação que tem presença marcante ao longo de toda a história da humanidade até a conso-lidação do estado moderno, em seus valores e expiações, conforme relata Norbert Elias35. A ali-mentação constitui elemento de distinção dos seres humanos, quando se toma outros seres vivos para comparação.

É ainda a partir do "assúcar", doces e en-genhos que Gilberto Freyre trata da identidade do brasileiro, construindo uma sólida e respeitável sociologia da vida nesse país de muitas articu-lações culturais e econômicas entre povos euro-peus, mouros, indígenas e negros escravos36,37.

Igualmente, Câmara Cascudo abre seu clássico "História da Alimentação no Brasil"37 dizendo do universo da comida, da culinária, da cozinha que identifica um grupo social e uma na-ção por meio de pratos culturalmente consu-midos, conforme horários, trabalho ou lazer, cren-ças, doenças, celebrações, enfim, de acordo com os sentidos e significados que lhes são atribuídos por um povo, em dado momento histórico. Quan-to a isso, revelam-se muito oportunas as palavras de Roberto DaMatta:

E a saudade é uma categoria mestra em promover esses momentos que surgem quando falamos: "que saudade do Bra-sil!"; "que saudade dessa instigadora bagunça brasileira!"; que saudade de falar aquela língua que é como o ar que eu respiro e de comer aquela comida que, além de me nutrir, traz à tona gostos e cheiros que estão enfurnados dentro do meu ser!" (p.17)39.

Como se observa, é uma perspectiva bas-tante distinta daquela que constrói os objetos de que trata a Nutrição, fundada na normatização e na racionalidade biomédica. Muito além de veículo de nutrientes, a comida corresponde ao alimento simbolizado1.

Através da comida é possível homenagear, insultar, julgar40,41. Na esfera da vida social, a comida implica construção de representações indispensáveis à compreensão da existência hu-mana, sendo, portanto, alçada a uma condição maior, ao ocupar lugar de destaque no mundo da ciência, como objeto central dos estudos no campo da Alimentação42-46.

Com base em Foucault47, pode-se afirmar que a alimentação corresponde à marca iden-titária de um ser singular, que tem a capacidade de trabalhar também para gerar a comida; que dispõe da possibilidade de falar, incluindo aí a comida como tema; que tem o poder de imaginar e de representar o mundo, a si mesmo, o trabalho, a linguagem, os próprios pensamentos, as imagi-nações e significações, incluídos aí o comer, o nutrir e o alimentar-se a si mesmo e ao outro.

Portanto, a alimentação trata das relações humanas mediadas pela comida ao longo da história. A comida, como alimento simbolizado, é resultante do trabalho humano voltado a sua produção, distribuição e consumo - práticas sociais estabelecidas a partir da definição culturalmente construída do que é ou não comestível.

Distintamente do alimento e do nutriente, conforme já aludido, a adequada pesquisa sobre a comida exige referenciais teórico-metodológicos próprios e específicos das Ciências Humanas e Sociais. A geração de saberes que versam sobre a produção, distribuição e consumo sociais da comi-da passa pela Sociologia, Antropologia, Psicologia, Filosofia, Política, Economia, Epistemologia... enfim, por caminhos que diferem, epistemolo-gicamente, daqueles situados no âmbito da Natu-reza. A Alimentação corresponde a campo cien-tífico que, como indicado anteriormente, começa a ser percebido por alguns setores da Nutrição no Brasil - em especial, aqueles que se aproximam das investigações realizadas no âmbito da Saúde Coletiva - que têm buscado nas Humanidades as respostas para perguntas que insistem em per-manecer em aberto quando são tomados apenas referenciais biomédicos para sua abordagem.

Em que pese a grandiosidade e a abran-gência desse campo científico, deve-se registrar que a Alimentação não tem, ainda, lugar na taxonomia institucional científica. Sendo a legiti-midade acadêmica do campo dada historicamente pela afiliação ao modelo biomédico, esta vertente, com seus pilares fundados nas Humanidades, como em outros domínios da saúde, é relegada a subordinação, num segundo plano.

De outra parte, estudos recentes1,4 vêm demonstrando um forte crescimento no número de grupos de pesquisa - substancialmente superior às médias nacionais -, bem como a implantação de linhas de investigação nos programas de Pós-Graduação stricto sensu e a promoção de novos cursos e eventos, além do incremento de publicações acerca de problemas relativos à Ali-mentação no Brasil. O surgimento de organiza-ções de pesquisadores com forte atuação nos espaços científicos, e também nas práticas em saúde, é um fenômeno inovador, na medida em que tais movimentos assumem uma identidade que destaca a Alimentação. É o caso, por exemplo, do Fórum Nacional de Coordenadores de Pro-gramas de Alimentação e Nutrição (Fórum PPG A&N)48 e do Grupo de Trabalho em Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva da Associação Bra-sileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO)49. São movimentos emergentes, que propiciam o reconhecimento da Alimentação co-mo campo específico50,51 e destacam a necessida-de de sua inserção não apenas na Árvore do Conhecimento, como também nos lugares de decisão da vida científica, nos quais se distribui o capital cientifico, o qual, por sua vez, se converte em capital político, econômico e social6.

Reconhecida a existência de campos cien-tíficos distintos, entende-se que, na vida humana, alimentos, nutrientes e comida não existem sepa-radamente; ao levar uma fruta à boca, o homem incorpora-a como alimento, não só quanto a seus nutrientes, mas também quanto aos símbolos que lhe são atribuídos. Assim, a pluralidade episte-mológica é exigência que se inscreve no plano ontológico, haja vista a natureza biossocial dos fenômenos aqui examinados. Por conseguinte, reconhecer a necessidade da aproximação entre campos científicos é fundamental, o que não se estabelece senão no jogo de interesses sempre em andamento. Nesse sentido, defende-se que a articulação entre Alimentação e Nutrição cor-responde a projeto político promissor e necessário do ponto de vista da interdisciplinaridade que a vida exige para a compreensão dos fenômenos humanos.

A institucionalização da alimentação e nutrição com o campo científico: projetos políticos

Comer, nutrir e alimentar podem muito bem ser sinônimos no léxico do senso comum. Entretanto, no espaço científico, constituem pila-res que sustentam distintos domínios da produção de conhecimentos e saberes, bem como da forma-ção humana em pesquisa, correspondendo a um complexo ordenamento institucional composto por forças políticas dinâmicas. Comer, nutrir e ali-mentar apresentam especificidades resultantes de movimentos sociais historicamente construídos no interior do campo científico. O Quadro 1resu-me o escopo dos campos aqui em discussão.

Considerando a propriedade de constituir a Alimentação e Nutrição como campo científico único, entende-se que seu ordenamento interno mantém correspondência epistemologicamente consistente entre objetos e conceitos, conforman-do quatro núcleos de saberes52 distintos e com-plementares.

Um desses núcleos de saberes, mais recen-temente explorado em termos de reflexão epis-temológica1,2,4, corresponde à Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva, que, por sua vez, encontra-se subdividida em três espaços especí-ficos: (a) Epidemologia e Nutrição, com estudos populacionais sobre nutrição e sobre deter-minação individual e contextual do estado nutri-cional; (b) Políticas de Alimentação e Nutrição, estudos sobre políticas, planejamento e gestão de programas de alimentação e nutrição, sobre segurança alimentar e nutricional e sobre direito humano à alimentação, principalmente; e (c) Ciên-cias Humanas e Sociais em Alimentação e Nutrição, estudos sobre cultura, economia, edu-cação, comunicação, epistemologia, direito, sociologia, filosofia em alimentação e nutrição.

Um outro conjunto, identificado como Nu-trição Básica e Clínica, dirige-se de um lado, aos estudos bioquímicos, fisiológicos e genéticos sobre nutrição em animais de laboratório e em humanos e, de outro lado, à pesquisa clínica sobre nutrição de humanos.

Estudos sobre composição química, quali-dade sanitária e tecnologia dos alimentos confor-mam um núcleo de saberes denominado Nutrição e Alimentos.

Por fim, a pesquisa que se volta para pro-cessos de produção e consumo de comida em instituições (escolas, asilos, fábricas, restaurantes e estabelecimentos comerciais similares) recebe denominações várias, entre as quais Alimentação de Coletividades.

Retomando Isabelle Stengers, enfatiza-se aqui que o desenvolvimento de um conceito e o despertar de interesses em diferentes setores da sociedade articulados a um projeto político constituem pilares fundamentais para o estabe-lecimento de um campo científico. Desse modo, a consolidação de um campo da ciência não de-pende apenas de seu mundo interno, estando em questão relações com outros campos, bem como o delineamento permanente de novas fronteiras. Torna-se oportuno também recordar com Bourdieu a especificidade do campo científico e a dinâmica dos universos intermediários, tal como por ele demonstrados em sua Sociologia Clínica6.

Consoante tais categorias, o Fórum PPG A&N constitui um mediador importante que vem atuando no sentido do fortalecimento da Alimen-tação e Nutrição no que concerne à qualificação da pesquisa científica, à formação de pesqui-sadores e à ocupação de espaços de deliberação mais expressivos no interior das agências brasi-leiras de fomento, investindo na interlocução en-tre conhecimentos e saberes e colocando-se dian-te de desafios de grande monta. Uma clara evi-dência, tanto dos sólidos fundamentos epistemo-lógicos da assunção da Alimentação e Nutrição como campo científico autônomo, quanto da competência na condução do projeto político de sua inserção em espaços que expressam signifi-cativo acúmulo de capital científico, corresponde à criação de representação institucional própria na agência responsável pela avaliação da forma-ção pós-graduada stricto sensu, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Supe-rior53. Nesse processo árduo, porém exitoso, as especificidades epistemológicas que marcam a distinção em relação ao campo da Medicina, ao lado de consistente protagonismo político, foram centrais para o sucesso da empreitada.

Cabe registrar que se trata de aconteci-mentos em processo, ainda inconclusos no mo-mento em que este texto é produzido, o que dificulta sua análise, mas nos quais já se revelam distintos interesses em jogo, como afirma Stengers, quando o debate epistemológico entra na pauta da reconfiguração de um campo cientí-fico.

Cabe ressaltar que, nessa dinâmica, as aproximações e interações com o campo da Saúde Coletiva têm trazido crescimento e ampliação de horizontes para a Alimentação e Nutrição. O olhar dialético sobre essas relações impõe o reconheci-mento da autonomia de cada um desses campos, bem como a necessidade de constituição de lu-gares que deem conta de suas especificidades para operar ordenamentos e aportes materiais ao labor na vida da ciência. Assim é que os enten-dimentos para a constituição de Comitês de Assessoramento específicos para a Saúde Coletiva e para a Alimentação e Nutrição no CNPq cor-respondem ao próximo objetivo que unifica o Fórum PPG A&N e a Abrasco, com largo apoio de vários atores que operam na comunidade aca-dêmica.

A Alimentação passa hoje por uma espécie de "descoberta" a partir de olhares oriundos da Nutrição, em busca de resposta aos dilemas huma-nos entre razão e paixão, necessidade e desejo, dieta e comida, doença e saúde. São questões que envolvem também projetos de vida e de felici-dade54, cuja abordagem reclama o olhar dialético frente aos dilemas da ciência: a racionalidade cien-tífica moderna vs a perspectiva humanística, que coloca os valores na mesa de debates. Nessa linha, considera-se estratégica a aproximação entre Alimentação e Nutrição como campo de pro-dução de conhecimentos e saberes relativos aos processos socioculturais e biológicos que percor-rem as várias esferas da vida humana.

 

AGRADECIMENTOS

Pelos apoios financeiros, através de auxílios e bolsas provenientes do Conselho Nacional de Desen-volvimento Científico e Tecnológico, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

COLABORADORES

S.D. Prado foi responsável pela concepção do artigo e sua redação até a versão final; M.L.M. Bosi, M.C.V.S. Carvalho, S.A. Gugelmin, R.A. Mattos, K.R. Camargo Junior, J. KLOTZ, K.L. Delmaschio e M.L.R. Martins colaboraram nas discussões e par-ticiparam da redação do artigo.

 

REFERÊNCIAS

1. Prado SD, Bosi MLM, Carvalho MCVS, Gugelmin AS, Silva JK, et al. A pesquisa sobre alimentação no Brasil: sustentando a autonomia do campo Alimentação e Nutrição. Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(1):107-19.         [ Links ]

2. Bosi MLM, Prado SD. Alimentação e nutrição em saúde coletiva: constituição, contornos e estatuto científico. Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(1):7-17.         [ Links ]

3. Carvalho MCVS, Luz M, Prado SD. Comer, alimen-tar e nutrir: categorias analíticas instrumentais no campo da pesquisa científica. Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(1):155-63.         [ Links ]

4. Silva, JK, Prado, SD, Carvalho, MCVS, Ornelas, TFS, Oliveira, PF. Alimentação e cultura como campo científico no Brasil. Physis. 2010; 20(2):413-42.         [ Links ]

5. Bourdieu P. Algumas propriedades dos campos. In: Bourdieu P. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero; 1983. p.89-94.         [ Links ]

6. Bourdieu P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Unesp; 2004.         [ Links ]

7. Ortiz R. Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática; 1983.         [ Links ]

8. Stengers I. Da racionalidade científica (capturas, eventos, interesses). In: Stengers I. Quem tem medo da ciência: ciências e poderes. São Paulo: Siciliano; 1990. p.77-109.         [ Links ]

9. Groisman D. A velhice, entre o normal e o pato-lógico. História Ciênc Saúde. 2002; 9(1):61-78.         [ Links ]

10. Salinas RD. Alimentos e nutrição: introdução à bro-matologia. Porto Alegre: Artmed; 2002.         [ Links ]

11. Evangelista J. Alimentação e nutrição. In: Evan-gelista J. Tecnologia de alimentos. São Paulo: Atheneu; 2000.         [ Links ]

12. Franco G. Tabela de composição química de ali-mentos. São Paulo: Atheneu; 1999.         [ Links ]

13. Descritores em Ciências da Saúde. [acesso 2011 set. 25]. Disponível em: < http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/>         [ Links ].

14. Paganotti I. Pelos olhos de um observador estran-geiro: representações do Brasil na cobertura jorna-lística do correspondente internacional Larry Rother pelo New York Times [mestrado]. São Paulo: Univer-sidade de São Paulo; 2010.         [ Links ]

15. Nascimento, CA, Cardozo, SA e Nascimento, KL. O sentido da reprimarização da pauta exportadora: uma interpretação à luz de Celso Furtado, Caio Prado Jr e Francisco Oliveira. [acesso 2010 nov. 2]. Disponível em: <http://www.sober.org.br/palestra/9/326.pdf>         [ Links ].

16. Guimarães R. Pesquisa em saúde e reforma sani-tária. Cienc Cult. 2005; 57(1):37-8.         [ Links ]

17. Chaves N. Nutrição básica e aplicada. Rio de Ja-neiro: Guanabara Koogan; 1978.         [ Links ]

18. Chemin SMSSM, Pereira JDA. Tratado de alimen-tação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca; 2007.         [ Links ]

19. Mahan LK, Escott-Stump SK. Alimentos, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca; 2002.         [ Links ]

20. Oliveira JED, Santos AC. Nutrição básica. São Paulo: Sarvier; 1982.         [ Links ]

21. Mitchell HS. Nutrição. Rio de Janeiro: Interame-ricana; 1978.         [ Links ]

22. Bosi, MLM. Face oculta da nutrição: ciência e idelo-logia. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo; 1988.         [ Links ]

23. Canguilhem G. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2000.         [ Links ]

24. Sfez L. A saúde perfeita: crítica de uma nova utopia. São Paulo: Loyola; 1996.         [ Links ]

25. Batista-Filho M, Assis AMO, Kac G. Transição nutri-cional: conceito e características. In: Kac G, Sichieri R, Gigante DP. Epidemiologia nutricional. Rio de Janeiro: Atheneu; 2007.         [ Links ]

26. Santos LAS. O corpo, o comer e a comida: um estudo sobre as práticas corporais e alimentares no mundo contemporâneo. Salvador: EDUFBA; 2008.         [ Links ]

27. Vilagellim ASB. A vida não pode ser feita só de sonhos: reflexões sobre alimentação saudável a partir da publicidade de uma linha de biscoitos industrializados [mestrado]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 2009.         [ Links ]

28. Pinto MS, Bosi MLM. Muito mais do que pe(n)sam: percepções e experiências acerca da obesidade entre usuárias da rede pública de saúde de um mu-nicípio do Nordeste do Brasil. Physis. 2010; 20(2): 443-57.         [ Links ]

29. Uchimura KY, Bosi MLM. O mercado dos pobres: um enfoque qualitativo da utilização de programas sociais de alimentação. Cad Saúde Pública. 2004; 20(2):482-91.         [ Links ]

30. Andrade A, Bosi MLM. Mídia e subjetividade: im-pacto no comportamento alimentar feminino. Rev Nutr. 2003; 16(1):117-25. doi: 10.1590/S1415-5 2732003000100011.         [ Links ]

31. Freitas MCS, Fontes GAV, Oliveira N, organizadores. Escritas e narrativas em alimentação e cultura. Salvador: EDUFBA; 2008         [ Links ]

32. Portilho F, Castaneda M, Castro IRR. A alimentação no contexto contemporâneo: consumo, ação polí-tica e sustentabilidade Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(1):99-106.         [ Links ]

33. Virgílio. Eneida. São Paulo: Nova cultural; 2003.         [ Links ]

34. Homero. Ilíada. São Paulo: Arx; 2003.         [ Links ]

35. Elias N. O processo civilizador: formação do estado e civilização. Rio de Janeiro: Zahar; 1993. v.2.         [ Links ]

36. Freyre G. Assúcar: algumas receitas de doces e bolos dos engenhos do nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio; 1939.         [ Links ]

37. Freyre G. Casa grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: Maia & Schmidt; 1933.         [ Links ]

38. Câmara Cascudo L. Historia da alimentação no Brasil. São Paulo: Global; 2004.         [ Links ]

39. DaMatta R. Conta de mentiroso: sete ensaios de antroplogia brasileira. Rio de Janeiro: Rocco; 1993.         [ Links ]

40. Loyola MA. Médicos e curadeiros: conflito social e saúde. São Paulo: Difel; 1984.         [ Links ]

41. Canesqui AM. Comida de rico, comida de pobre: um estudo sobre alimentação num bairro popular [doutorado]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 1976.         [ Links ]

42. Carvalho MCVS, Luz MT. Práticas de saúde, senti-dos e significados construídos: instrumentos teóri-cos para sua interpretação. Interface. 2009; 13 (29): 313-26.         [ Links ]

43. Lévi-Strauss C. O cru e o cozido: mitológicas 1. São Paulo: Cosac & Naify; 2004.         [ Links ]

44. Fischler C. L'Homnivore: le goût, la cuisine et le corps. Paris: Odile Jacob; 1990.         [ Links ]

45. Canesqui AM, Diez Garcia RW. Antropologia e nutrição: um diálogo possível. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2005.         [ Links ]

46. Contreras J, Arnaiz MG. Alimentação, saúde e cul-tura. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011.         [ Links ]

47. Foucault M. As palavras e as coisas: uma arqueolo-gia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes; 1990.         [ Links ]

48. Fórum Nacional de Coordenadores de Programas de Alimentação e Nutrição [internet]. [acesso 2011 set. 16]. Disponível em: <http://www.nutricao. uerj.br/ppg.htm>         [ Links ].

49. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. [acesso 2011 set. 16]. Disponível em: <http://www.abrasco.org.br/grupos/g16.php>         [ Links ].

50. Nunes E. Espaços (inter)disciplinares: alimentação/nutrição/saúde/saúde coletiva. Ciênc Saúde Cole-tiva. 2011; 16(1):18-22.         [ Links ]

51. Mattos RA. Em defesa do pluralismo epistemo-lógico. Ciênc Saúde Coletiva. 2011; 16(1):22-4.         [ Links ]

52. Nunes E. Saúde coletiva: história recente, passado antigo. In: Minayo MCS, Akerman M, Drumond Junior M, Campos GWS. Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; 2009.         [ Links ]

53. Kac G, Proença RPC, Prado SD. A criação da área de avaliação em Alimentação e Nutrição na CAPES. Revista de Nutrição. 2011; 24(6):905-16.         [ Links ]

54. Ayres JRCM. Uma concepção hermenêutica de saúde. Physis. 2007; 17(1):43-62.         [ Links ]

 

 

(Recebido em: 24/10/2011)
(Versão final reapresentada em: 14/11/2011)
(Aprovado em: 1/12/2011)

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License