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Revista de Nutrição

versão impressa ISSN 1415-5273versão On-line ISSN 1678-9865

Rev. Nutr. vol.28 no.3 Campinas maio/jun. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1415-52732015000300003 

Artigos Originais

Autoestima, insatisfação corporal e internalização do ideal de magreza influenciam os comportamentos de risco para transtornos alimentares?

Can self-esteem, body dissatisfaction, and internalization of the thinness ideal influence risk behaviors for eating disorders?

Leonardo de Sousa Fortes 1  

Juliana Fernandes Filgueiras Meireles 2  

Clara Mockdece Neves 2  

Sebastião Sousa Almeida 3  

Maria Elisa Caputo Ferreira 2  

1Universidade Federal do Pernambuco, Núcleo de Educação Física e Ciências do Esporte, Centro Acadêmico de Vitória. R. Clóvis Beviláqua, 163/1003, Madalena, 50710-330, Recife, PE, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: LS FORTES. E-mail: <leodesousafortes@hotmail.com>

2Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação Física e Desportos, Departamento de Fundamentos da Educação Física. Juiz de Fora, MG, Brasil

3Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Departamento de Psicologia. Ribeirão Preto, SP, Brasil

RESUMO

OBJETIVO:

O objetivo do presente estudo foi verificar a influência da autoestima, da insatisfação corporal e da internalização do ideal de magreza nos comportamentos de risco para transtornos alimentares de adolescentes do sexo feminino.

MÉTODOS:

Participaram do estudo 471 jovens. Utilizou-se a Escala de Autoestima de Rosemberg, o Body Shape Questionnaire e o Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3 para avaliar autoestima, insatisfação corporal e internalização do ideal de magreza, respectivamente. As subescalas do Eating Attitudes Test foram utilizadas para avaliar os comportamentos de risco para transtornos alimentares.

RESULTADOS:

Os resultados indicaram influência dos escores do Body Shape Questionnaire (p<0,05) e da Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3 (p<0,05) em todas as subescalas do Eating Attitudes Test. Em contrapartida, os achados não demonstraram influência da Escala de Autoestima de Rosemberg nos escores das subescalas do Eating Attitudes Test (p>0,05).

CONCLUSÃO:

Concluiu-se que a insatisfação corporal e a internalização do ideal de magreza influenciam os comportamentos de risco para transtornos alimentares em adolescentes do sexo feminino, fato que não foi evidenciado para a autoestima.

Palavras-Chave: Adolescentes; Imagem corporal; Transtornos alimentares

ABSTRACT

OBJETIVE:

The aim of this study was to investigate the influence of self-esteem, body dissatisfaction, and internalization of the thin ideal on disordered eating female adolescents.

METHODS:

Four hundred and seventy one adolescents participated in this research. The Rosenberg Self-Esteem Scale, the Body Shape Questionnaire, and the Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3 were used to assess self-esteem, body dissatisfaction, and internalization of the thin ideal, respectively. The Eating Attitudes Test subscales were used to evaluate eating disorder risk behavior.

RESULTS:

The results indicated influence of the Body Shape Questionnaire (p<0.05) and Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3 scores (p<0.05) on all subscales of the Eating Attitudes Test. In contrast, the findings did not show any significant influence of the Rosenberg Self-Esteem Scale on the Eating Attitudes Test subscales scores (p>0.05).

CONCLUSION:

It was concluded that body dissatisfaction and internalization of the thin ideal influence eating disorder risk behavior in female adolescents; the same behavior was not observed for self-esteem.

Key words: Adolescents; Body image; Eating disorders

INTRODUÇÃO

A adolescência é a fase que marca a tran-sição entre a infância e a idade adulta1: é uma etapa da vida do ser humano na qual se passa por um turbilhão de alterações tanto em sua for-ma e composição corporal, quanto em suas características psíquicas2 , 3. Segundo Helfert & Warschburger4, é nesse período - entre 10 e 19 anos1 -, em que o adolescente estrutura de forma mais significativa sua imagem corporal. Esse construto pode ser entendido como a repre-sentação mental que o indivíduo tem do seu próprio corpo5, e um de seus componentes atitudinais é a insatisfação corporal. Esta, por sua vez, refere-se à avaliação negativa do peso e da forma física3.

De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - IV (DSM-IV, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)6, a insatisfação corporal pode ser considerada um dos fatores diagnósticos dos Transtornos Alimen-tares (TA), tais como anorexia e bulimia nervosa. Dessa forma, comportamento de risco para TA e insatisfação corporal estão intimamente relaciona-dos7 - 8. Atualmente, os estudos têm verificado alta prevalência de comportamento de risco para TA em adolescentes do sexo feminino7 , 9 - 11, em decor-rência do aumento dos índices de insatisfação corporal nessas jovens12 , 13. Os autores justificam esses índices devido à forte tendência cultural em considerar a magreza como ideal corporal fe-minino5 , 14.

Além da insatisfação corporal, os compor-tamentos de risco para TA são provenientes do medo de engordar e do desejo constante de per-der peso15. Pais, amigos e mídia reforçam esse padrão e destacam a aceitação social como um benefício derivado da magreza4. A internalização do ideal sociocultural de corpo pode mediar a insatisfação corporal, que, por sua vez, influencia a adoção de comportamentos de risco para TA nas adolescentes do sexo feminino5 , 14, pois o corpo ideal destacado é, na maioria das vezes, inatingível13.

Outros aspectos psicológicos podem estar diretamente associados aos comportamentos de risco para TA10: a autoestima tem sido investigada como um desses fatores16 - 18, uma vez que ela é entendida como a avaliação do indivíduo sobre o seu próprio valor, competência e adequação, e se reflete em uma atitude positiva ou negativa, em algum grau, em relação a si mesmo19. Flament et al. 16 demostraram que a variabilidade da autoestima se encontra estritamente relacionada com a insatisfação corporal. Entretanto, esses autores apontaram a necessidade de mais estudos que relacionem essas variáveis ao comportamento de risco para TA.

Alves et al. 7 e Scherer et al. 8 argumentam que, nos últimos anos, houve um aumento dos estudos sobre sintomas e comportamentos de risco para TA, principalmente em adolescentes do sexo feminino e com ocorrência em idades cada vez mais precoces, tornando-se um sério proble-ma de saúde pública. No entanto, ainda não são encontrados na literatura nacional estudos que investiguem a influência da autoestima, da insa-tisfação corporal e da internalização do ideal de magreza nos comportamentos de risco para TA de adolescentes do sexo feminino. Sbicigo et al. 19 ainda acrescentam que são necessárias inves-tigações que relacionem diferentes instrumentos de aferição psicológica a fim de contribuir para uma discussão ampliada sobre o tema.

Dessa forma, o objetivo deste estudo foi verificar a influência da autoestima, da insatisfa-ção corporal e da internalização do ideal de ma-greza nos comportamentos de risco para TA de adolescentes do sexo feminino da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais.

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal, de base escolar, realizado no ano de 2012 na cidade de Juiz de Fora (MG), com adolescentes do sexo femi-nino na faixa etária entre 12 e 16 anos.

Segundo informações da Secretaria de Educação de Juiz de Fora, a população de adoles-centes do sexo feminino com idade entre 12 e 16 anos, matriculada nas escolas dessa cidade em 2012, era de aproximadamente 35.mil jovens. Para o cálculo amostral, adotou-se prevalência de comportamentos de risco para TA de 30%8, 5% de erro amostral e 95% de confiança, chegando--se ao tamanho amostral de 311 adolescentes. Em seguida, utilizou-se efeito de desenho igual a 1,2 para corrigir as estimativas dos modelos esta-tísticos. Logo, o tamanho amostral necessário foi de 373 adolescentes.

A amostra proporcional foi estratificada segundo a inserção das escolas nas regiões so-ciogeográficas do município (Norte, Sul, Centro) e o tipo de vinculação administrativa (pública e privada).

A seleção ocorreu aleatoriamente, por meio de sorteio simples. Realizou-se o sorteio das escolas em cada região em razão do tipo de vincu-lação administrativa. As escolas foram seleciona-das valendo-se da relação fornecida pelo setor de estatística da Secretaria de Educação de Minas Gerais (MG). A amostra final da pesquisa foi dis-tribuída em 12 pontos diferentes de coleta (6 es-colas privadas e 6 públicas) e constituída por adolescentes do sexo feminino presentes nas escolas nos dias da coleta e cujos pais autorizaram a participação na pesquisa. Foram incluídas na pesquisa somente as jovens que apresentaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pelo responsável e que estavam regularmente matriculadas no ensino funda-mental/médio na cidade de Juiz de Fora (MG) no ano de 2012.

Participaram do estudo 489 jovens, sendo 18 destas excluídas por não responderem aos questionários por completo, o que totalizou uma amostra final de 471 adolescentes.

A variável autoestima foi avaliada por intermédio da Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR)19, composta por 10 itens, com três opções de respostas do tipo Likert (1 = concordo forte-mente, 2 = concordo/discordo, 3 = discordo forte-mente). O instrumento apresenta dois fatores: o fator 1 agrupa seis itens relacionados à autoestima positiva, e o fator 2, quatro itens referentes à autoestima negativa. Com relação à pontuação, quanto maior o escore obtido na escala, maior o nível de autoestima do indivíduo. Em virtude da análise estatística, utilizou-se a mediana da EAR para classificar as adolescentes com alta e baixa autoestima. Assim, as meninas com escore maior ou igual a 11 foram inseridas no grupo "alta autoestima" (EAR+). A versão da escala utilizada foi validada para adolescentes brasileiros, e sua análise de consistência interna revelou um alpha de 0,70. Para a presente amostra, a consistência interna foi avaliada pelo alpha de Cronbach, obtendo-se valor equivalente a 0,71.

Para avaliar a insatisfação e as preocupa-ções com a forma do corpo, foi utilizado o Body Shape Questionnaire (BSQ) validado para a po-pulação de adolescentes brasileiros por Conti et al. 3. O questionário é composto por 34 questões, em escala tipo Likert: a avaliada aponta com que frequência, nas últimas quatro semanas, vivenciou os eventos propostos pelas alternativas. As respostas variam de 1 (nunca) a 6 (sempre), sendo a soma das pontuações de cada item o escore final da escala. A classificação dos resultados do BSQ é dividida em quatro níveis de insatisfação corporal. A pontuação abaixo de 80 indica ausência de insatisfação; entre 80 e 110, insatisfação leve; entre 111 e 140, insatisfação moderada, e acima de 140 indica grave insatis-fação corporal. Para as análises estatísticas, agru-param-se as classificações de insatisfação "leve", "moderada" e "grave" como "insatisfeitas". Para a amostra da presente pesquisa, identificou-se valor de consistência interna de 0,96 para o BSQ, obtido por meio do alpha de Cronbach.

A fim de se investigar a internalização do ideal de magreza e por quais mediadores o am-biente sociocultural exerce sua influência sobre a imagem corporal, foi utilizado o Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3 (SATAQ-3) 14. O questionário é composto por 30 perguntas em escala do tipo Likert com 5 opções de resposta ("Discordo totalmente" até "Con-cordo totalmente"). O instrumento apresenta 4 subescalas referentes à: internalização do ideal de corpo atlético; internalização geral dos padrões socialmente estabelecidos; pressão exercida por esses padrões; mídia como fonte de informações sobre a aparência. O escore total do questionário é calculado pela soma das respostas, conside-rando que todas as questões que apresentam a palavra "não" em seu enunciado têm pontuações invertidas. Quanto maior a pontuação obtida, maior a influência dos aspectos socioculturais na imagem corporal. Em razão da análise estatística, utilizou-se a mediana do SATAQ-3 para classificar as adolescentes com alta e baixa internalização do ideal de magreza. Logo, as meninas com escore maior ou igual a 69 foram inseridas no grupo "alta internalização do ideal de magreza" (SATAQ+). A análise da consistência interna do questionário no estudo de validação para adultos jovens foi de 0,91. Para a amostra do presente estudo, o teste de alpha de Cronbach foi igual a 0,84.

Para a identificação da existência de com-portamento de risco para TA, foi aplicado o Eating Attitudes Test (EAT-26), validado para meninas adolescentes por Bighetti et al. 9. O questionário é composto por 26 questões distribuídas em três fatores: 1) dieta: diz respeito à recusa patológica a alimentos com alto teor calórico e preocupação com a aparência física; 2) bulimia e preocupação com os alimentos: referem-se a episódios de com-pulsão alimentar, seguidos por comportamentos purgativos para perda/controle de peso corporal e, 3) autocontrole oral: reflete o autocontrole em relação à comida e avalia as forças ambientais e sociais estimulantes à ingestão alimentar. A ava-liada tem, em cada item, seis opções de resposta que variam de 0 (poucas vezes, quase nunca e nunca) a 3 (sempre). A única questão que apre-senta pontuação em ordem reversa é a 25. A pontuação do EAT-26 é feita pela soma de seus itens. Quando o total de pontos obtidos é maior ou igual a 21, a presença de transtornos de con-duta alimentar é considerada positiva. No estudo de validação, Bighetti et al. 9 evidenciaram consis-tência interna de 0,82. Para a presente amostra, encontrou-se valor para a consistência interna de 0,87, avaliada pelo alpha de Cronbach.

Os diretores de 14 escolas (7 privadas e 7 públicas) foram convidados a participar da pes-quisa, sendo informados sobre objetivos e proce-dimentos do estudo. No entanto, somente 12 destes (6 de escolas privadas e 6 de públicas) concordaram em liberar as alunas para participa-ção nas coletas. Após a autorização da direção das escolas, foram realizadas reuniões com cada uma das turmas para explicar os objetivos e pro-cedimentos necessários para inclusão das esco-lares no estudo. Foi entregue o TCLE às adoles-centes, pedindo-lhes que o devolvessem devida-mente assinado pelos responsáveis na semana seguinte, em caso de assentimento de sua parti-cipação voluntária.

A pesquisa foi realizada em um único mo-mento. As alunas responderam aos instrumentos (EAR, BSQ, SATAQ-3 e EAT-26), etapa realizada em grupo, por um único pesquisador, que padro-nizou as explicações verbais.

Este estudo obteve aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Fa-culdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (Protocolo nº 109.971) - de acordo com a Lei nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

Análise estatística

O teste Kolmogorov Smirnov foi utiliza-do para analisar a distribuição dos escores do EAT-26. Em razão da não violação paramétrica, foram utilizadas medidas de tendência central (média e mediana), dispersão (mínimo, máximo e desvio-padrão) e frequência (absoluta e relativa) para descrever as variáveis da investigação. Con-duziu-se a regressão linear múltipla stepwise em três blocos, com o controle da idade para averi-guar a influência das variáveis independentes (EAR, BSQ e SATAQ-3) sobre os escores das subescalas do EAT-26. Ademais, a Multivariate Analysis of Variance (Manova, Análise Multiva-riada de Covariância) foi utilizada para comparar os escores das subescalas do EAT-26 em razão das classificações de autoestima (EAR >11 = alta autoestima e EAR <11 = baixa autoestima), in-satisfação corporal (BSQ >80 = insatisfeita e BSQ <80 = satisfeita) e internalização do ideal de ma-greza (SATAQ-3 >69 = alta internalização do ideal de magreza e SATAQ-3 <69 = baixa internaliza-ção do ideal de magreza), inserindo-se a idade como covariável. O post hoc de Bonferroni foi conduzido para identificar possíveis diferenças. Todos os dados foram analisados no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 20.0, e adotou-se significância de 5%.

RESULTADOS

Os valores descritivos (mínimo, máximo, média e desvio-padrão) de todas as variáveis da investigação podem ser visualizados na Tabela 1. No que tange à EAR, os achados da presente investigação apontaram que 62,3% das adoles-centes demonstraram baixa autoestima. Em relação ao BSQ, os resultados do estudo eviden-ciaram que 23,2% das adolescentes manifes-taram insatisfação corporal (Tabela 1). A respeito do SATAQ-3, 46,4% das avaliadas demonstraram alta internalização do ideal de magreza. Em adição, os achados concernentes ao EAT-26 indi-caram prevalência de 21,7% para os comporta-mentos de risco para TA.

Tabela 1. Resultados descritivos dos escores das escalas utilizadas e idade de adolescentes do sexo feminino (n=471). Juiz de Fora (MG), 2013. 

Variável Mínimo Máximo Média DP
EAR 0 16 10,28 2,94
BSQ 34 186 65,26 33,36
SATAQ-3 30 123 68,87 20,52
EAT-26 0 54 13,33 11,68
Idade (anos) 12 16 13,03 1,59

Nota: DP: Desvio-Padrão; EAR: Escala de Autoestima de Rosemberg; BSQ: Body Shape Questionnaire; SATAQ-3: Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3; EAT-26: Eating Attitudes Test.

O modelo de regressão evidenciou in-fluência do BSQ (F (1, 470)=121,33; p=0,001) e do SATAQ-3 (F (1, 470)=15,23; p=0,001) na subescala Dieta do EAT-26 (Tabela 2). Assim, esses resultados indicaram que a insatisfação corporal e a inter-nalização do ideal sociocultural de magreza expli-caram 64 e 19%, respectivamente, da variância da restrição alimentar em adolescentes do sexo feminino. No entanto, a EAR não apontou influên-cia estatisticamente significativa na subescala Dieta (F (1, 470)=0,47; p=0,49). Logo, esses achados demonstraram que a autoestima não impactou sobre a restrição alimentar das escolares da presente amostra.

Tabela 2. Regressão linear múltipla utilizando a EAR, o BSQ e a SATAQ-3 como variáveis explicativas sobre a variância da subescala Dieta do EAT-26 em adolescentes do sexo feminino (n=471). Juiz de Fora (MG), 2013. 

Variável Bloco B R R² R²* p-valor
EAR 1 0,22 0,08 0,007 0,008 ≤0,49
BSQ 2 0,18 0,80 0,640 0,640 ≤0,01
SATAQ-3 3 0,16 0,43 0,190 0,170 ≤0,01
Todos 3,30 0,80 0,650 0,640 ≤0,01

Nota: R 2*: R 2 ajustado; B: Beta; R: R de Pearson; EAR: Escala de Autoestima de Rosemberg; BSQ: Body Shape Questionnaire; SATAQ-3: Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3; EAT-26: Eating Attitudes Test.

A Tabela 3 ilustra o modelo de regressão que utilizou a subescala Bulimia e Preocupação com Alimentos como variável critério. Os resulta-dos apontaram influência estatisticamente significativa do BSQ (F (1, 470)=46,19; p=0,001) e do SATAQ-3 (F (1, 470)=6,35; p=0,014). Logo, os acha-dos demonstraram que a insatisfação corporal (41%) e a internalização do ideal sociocultural de magreza (9%) influenciaram a compulsão alimentar e os comportamentos purgativos de adolescentes do sexo feminino. Ressalta-se que a EAR (F (1, 470)=0,11; p=0,74) não explicou a variância da subescala Bulimia e Preocupação com Alimentos. Todavia, todas as variáveis indepen-dentes juntas (EAR, BSQ e SATAQ-3) impactaram sobre 43% (F (1, 470)=16,20; p=0,001) da variância da subescala Bulimia e Preocupação com Ali-mentos do EAT-26.

Tabela 3. Regressão linear múltipla utilizando a EAR, o BSQ e a SATAQ-3 como variáveis explicativas sobre a variância da subescala Bulimia e Preocupação com Alimentos do EAT-26 em adolescentes do sexo feminino (n=471). Juiz de Fora (MG), 2013. 

Variável Bloco B R R² R²* p-valor
EAR 1 0,03 0,40 0,02 0,01 ≤0,74
BSQ 2 0,12 0,64 0,41 0,40 ≤0,01
SATAQ-3 3 0,09 0,29 0,09 0,07 ≤0,02
Todos 3,42 0,65 0,43 0,40 ≤0,01

Nota: R 2*: R 2 ajustado; B: Beta; R: R de Pearson; EAR: Escala de Autoestima de Rosemberg; BSQ: Body Shape Questionnaire; SATAQ-3: Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3; EAT-26: Eating Attitudes Test.

O último modelo de regressão, que utilizou a subescala Autocontrole Oral como variável dependente, pode ser observado na Tabela 4. O BSQ (F (1, 470)=7,81; p=0,007) e a SATAQ-3 (F (1, 470)=8,78; p=0,004) demonstraram impacto significante sobre os escores da subescala Auto-controle Oral. Nesse sentido, a EAR (F (1, 470)=0,31; p=0,57) não explicou a variância do autocontrole em relação à comida em adolescentes do sexo feminino. Contudo, salienta-se que o modelo de regressão com todas as variáveis explicativas (EAR, BSQ e SATA-3) inseridas em um único bloco (F (1, 470)=3,87; p=0,0013) modulou 15% da variância da subescala Autocontrole Oral do EAT-26.

Tabela 4. Regressão linear múltipla utilizando a EAR, o BSQ e a SATAQ-3 como variáveis explicativas sobre a variância da subescala Autocontrole Oral do EAT-26 em adolescentes do sexo feminino (n=471). Juiz de Fora (MG), 2013. 

Variável Bloco B R R² R²* p-valor
EAR 1 0,09 0,07 0,005 0,004 ≤0,57
BSQ 2 0,10 0,32 0,100 0,090 ≤0,01
SATAQ-3 3 0,08 0,34 0,120 0,110 ≤0,01
Todos 4,44 0,39 0,150 0,120 ≤0,01

Nota: R 2*: R 2 ajustado; B: Beta; R: R de Pearson; EAR: Escala de Autoestima de Rosemberg; BSQ: Body Shape Questionnaire; SATAQ-3: Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3; EAT-26: Eating Attitudes Test.

No que concerne às comparações das subescalas do EAT-26 em razão dos grupos de autoestima, os resultados indicaram semelhanças na frequência de restrição alimentar (F (1, 470)=1,14; p=0,69) e de influência ambiental na ingestão alimentar (F (1, 470)=1,99; p=38) em adolescentes com alta e baixa autoestima (Tabela 5). No entan-to, as jovens com baixa autoestima demonstra-ram maior frequência de comportamento pur-gativo quando comparadas às adolescentes com alta autoestima (F (1, 470)=5,66; p=0,05). A respeito da insatisfação corporal, a Manova apontou al-guns achados que merecem destaque (Tabela 5): 1) evidenciou-se diferença de escore nas subescalas Dieta (F (1, 470)=158,02; p=0,001) e Bulimia e Preocupação com Alimentos (F (1, 470)=63,91; p=0,001) entre as adolescentes satisfeitas e insa-tisfeitas com o corpo, e 2) as jovens satisfeitas e insatisfeitas com o corpo demonstraram se-melhanças nos escores da subescala Autocontrole Oral (F (1, 470)=1,38; p=0,24). Por fim, em relação à internalização do ideal de magreza, os achados da Manova indicaram diferenças para as subes-calas Dieta (F (1, 470)=95,73; p=0,001), Bulimia e Preocupação com Alimentos (F (1, 470)=32,89; p=0,04) e Autocontrole Oral (F((1, 470)=19,22; p=0,05) entre adolescentes com alta e baixa internalização do ideal de magreza (Tabela 5).

Tabela 5. Comparação dos escores das subescalas do EAT-26 em função dos grupos de autoestima, insatisfação corporal e internalização do ideal de magreza em adolescentes do sexo feminino (n=471). Juiz de Fora (MG), 2013. 

Variável Grupo p-valor
Autoestima Alta (EAR ≥11) Baixa (EAR <11)
M DP M DP
Dieta 7,45 1,51 8,37 1,17 ≤0,69
Bul e PA 1,02 0,51 2,24 0,39 ≤0,05
AC Oral 2,97 0,78 3,85 0,60 ≤0,38
Insatisfação Satisfeita (BSQ <80) Insatisfeita (BSQ ≥80)
M DP M DP
Dieta 5,53 0,85 16,28 1,56 ≤0,01
Bul e PA 0,95 0,30 4,53 0,54 ≤0,01
3,20 0,54 4,55 0,99 ≤0,24
AC Oral
Internalização Baixa (SATAQ-3 <69) Alta (SATAQ-3 ≥69)
M DP M DP
Dieta 5,77 1,19 10,63 1,28 ≤0,01
Bul e PA 1,20 0,42 2,44 0,45 ≤0,04
AC Oral 2,77 0,64 4,38 0,69 ≤0,05

Nota: Bul e PA: Bulimia e Preocupação com Alimentos; AC: Autocontrole; M: Média; DP: Desvio-Padrão; EAR: Escala de Autoestima de Rosemberg; BSQ: Body Shape Questionnaire; SATAQ-3: Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire-3.

DISCUSSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo verificar a influência da autoestima, da insatis-fação corporal e da internalização do ideal de magreza nos comportamentos de risco para TA de adolescentes do sexo feminino da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Vale destacar a im-portância da avaliação de possíveis fatores que possam influenciar os comportamentos alimen-tares inadequados, o que amplia os conhecimen-tos sobre o tema com o propósito de incentivar ações preventivas que promovam comporta-mentos saudáveis, especialmente nas jovens. Entretanto, por meio de busca nas principais bases de dados de artigos científicos (Web of Science, Scopus, MedLine e SciELO), não foram encon-tradas pesquisas nacionais que avaliassem as variáveis psicológicas deste estudo e suas influên-cias no comportamento alimentar.

Concernente à prevalência dos compor-tamentos de risco para TA, esse achado está den-tro dos valores encontrados em pesquisas na-cionais que empregaram o mesmo instrumento. Alves et al.7, Scherer et al. 8 Fortes et al. 10 , 20 , 21, Martins et al. 12, relataram, em amostras de ado-lescentes do sexo feminino, frequência de com-portamentos de risco para TA de aproxima-damente 20%. Os pesquisadores têm justificado tais valores, pois parece que o sexo feminino tem enaltecido a aparência física direcionada para o baixo peso, o que pode ter consequências nos comportamentos de risco para TA11 , 16.

Estudos têm encontrado prevalência rela-tivamente elevada de insatisfação corporal em adolescentes do sexo feminino7 , 8 , 12 , 22, o que jus-tifica o resultado identificado na presente inves-tigação. Há evidências de que as mensagens so-cioculturais direcionadas para a magreza trans-mitidas pelos meios de comunicação possam ser responsáveis pelas preocupações acerca da ima-gem corporal em adolescentes do sexo femi-nino5 , 23.

Segundo a literatura da área, as adoles-centes tendem adotar dietas restritivas a fim de reduzir o peso corporal para alcançar o ideal de corpo magro difundido na sociedade atual4 , 10 , 22 , 24. Corroborando esses dados, os achados do pre-sente estudo demonstraram que adolescentes insatisfeitas e que tinham o ideal de magreza internalizado estavam mais relacionadas a pa-drões de restrição alimentar (Tabela 2).

Em contrapartida, a autoestima não mo-dulou a subescala Dieta. É provável que a autoes-tima não esteja relacionada com a adoção de condutas de restrição da ingestão de alimentos com alto teor calórico em adolescentes do sexo feminino. Ressalta-se que a tentativa de relacionar a autoestima aos comportamentos de risco para TA tem sido realizada em âmbito internacional. Em adolescentes canadenses do sexo feminino, Flament et al. 16 buscaram relações entre essas va-riáveis e encontraram que a autoestima foi res-ponsável por uma proporção significativa da va-riância nos escores da subescala Dieta. Cabe sa-lientar, no entanto, que embora a presente pes-quisa seja inovadora do ponto de vista nacional, o resultado encontrado não pode ser generalizado para todas as adolescentes brasileiras.

Quanto aos fatores que modularam a subescala Bulimia, a partir do modelo de re-gressão, os resultados indicaram influência somente da insatisfação corporal e da interna-lização do ideal de magreza. Os escores do BSQ e da SATAQ-3 explicaram em 41 e 9%, respecti-vamente, a variância dos comportamentos bulímicos nas adolescentes. Nesse sentido, a lite-ratura demonstra que a insatisfação com o peso e a aparência física é considerada fator de risco de alta relevância para os sintomas de bulimia nervosa5 , 24. Acrescenta-se, ainda, que as adoles-centes que costumam ter preferência por alimen-tos considerados de alto teor calórico podem uti-lizar a voracidade alimentar seguida de compor-tamentos purgativos em razão de se sentirem pressionadas por pais, amigos e mídia em redu-zirem o peso corporal16 , 25.

Já a autoestima não exerceu influência nos comportamentos alimentares compulsivos e pur-gativos. Essa variável psicológica tem sido inves-tigada como um dos fatores que podem estar dire-tamente associados ao comportamento de risco para TA16 - 18. Além disso, tem sido encontrada estreita relação desta com a insatisfação cor-poral23 , 26, que, como supramencionado, é critério diagnóstico para os TA. Dessa forma, esperava--se que a autoestima modulasse comportamentos bulímicos. Segundo Johnson et al. 27, a baixa autoestima pode ser um fator de risco para os distúrbios alimentares. Todavia, a ausência de rela-ção direta entre autoestima e comportamentos compulsivos e purgativos evidenciada na presente investigação pode ter a seguinte explicação: con-siderando modelos teóricos da etiologia dos comportamentos alimentares5 , 16, a insatisfação corporal media a relação entre autoestima e comportamentos alimentares associados à buli-mia. Logo, a autoestima pode não apresentar rela-ção direta com os comportamentos compulsivos e purgativos, o que pode explicar os achados da presente pesquisa. Contudo, são sugeridos estu-dos que melhor esclareçam essa relação.

No que concerne ao último modelo de re-gressão, os resultados indicaram, mais uma vez, que apenas o BSQ e o SATAQ-3 exerceram in-fluência sobre os escores da subescala Autocon-trole Oral do EAT-26, ao contrário da EAR. Dessa forma, a partir dos dados encontrados, parece que as adolescentes que mais controlam os tipos e os alimentos que costumam ingerir são aquelas insatisfeitas e influenciadas pelo padrão cultural-mente aceito.

No que concerne às comparações das subescalas do EAT-26 em razão das classificações dicotômicas da EAR, os achados apontaram semelhanças de restrição alimentar e autocontrole sobre os alimentos. Todavia, as jovens com baixa autoestima indicaram maior frequência de com-portamentos compulsivos e purgativos em com-paração com as adolescentes com elevada autoestima. Talvez as adolescentes sofram de compulsão alimentar, façam uso de laxantes/diuréticos e provoquem vômitos na tentativa de reduzirem a magnitude dos sentimentos de inu-tilidade e fracasso. Segundo Flament et al. 16, as adolescentes com baixa autoestima podem ingerir exageradamente alimentos ricos em açúcar, pois estes induzem secreção de neurotransmissores, como a serotonina, que produzem sensações de bem-estar e felicidade. No entanto, vale salientar que após a voracidade alimentar, as adolescentes poderão buscar estratégias de controle do peso corporal, como os comportamentos purgativos5.

A respeito das comparações das subescalas do EAT-26 em função das classificações do BSQ, os resultados demonstraram que as jovens insa-tisfeitas com o corpo adotavam com maior fre-quência as dietas restritivas e os comportamentos compulsivos e purgativos. De acordo com Alves et al. 7 e Scherer et al. 8, a insatisfação com o peso e a aparência física é fator de primeira ordem para o desencadeamento de comportamentos alimentares utilizados por pacientes com diagnós-tico clínico de TA. Ressalta-se, sobretudo, que os resultados da presente investigação não indicaram diferenças de autocontrole sobre os alimentos entre jovens satisfeitas e insatisfeitas com o corpo. Assim, possivelmente o autocontrole sobre os ali-mentos e a percepção da pressão para o controle de ingestão alimentar não dependem dos níveis de depreciação com o peso e a aparência física em adolescentes do sexo feminino. As forças am-bientais e sociais estimulantes à ingestão alimen-tar possivelmente estejam mais relacionadas ao estado nutricional. De acordo com Forrester--Knauss et al. 28, as adolescentes com sobrepeso e/ou obesidade se sentem mais pressionadas em controlar a alimentação em comparação às com peso normal. Considerando que o estado nutri-cional tem associação com a insatisfação cor-poral3 , 29, é possível que a relação do autocontrole oral sobre os alimentos e das forças ambientais para a ingestão alimentar com a insatisfação corporal seja mediada pelo estado nutricional. No entanto, pesquisas necessitam ser desenvolvidas para tornar esse tópico menos obscuro.

Em relação às comparações das subescalas do EAT-26 em razão das classificações do SATAQ-3, o presente estudo evidenciou maior frequência de restrição alimentar, compulsão alimentar e percepção de forças ambientais para a ingesta alimentar em adolescentes com elevada inter-nalização do ideal de magreza. De fato, pesquisas têm identificado comportamentos de restrição alimentar em jovens que desejam ser magras4 , 5. Ademais, estudos têm apontado que as adoles-centes cuja meta é ser magra como as atrizes e as modelos de passarela costumam utilizar mé-todos inadequados para a diminuição do peso corporal, tais como: vômitos autoinduzidos e prática extenuante de atividade física11 , 16. Por fim, pesquisadores sugerem que as adolescentes facil-mente influenciadas pelo ambiente sociocultural (pais, amigos e mídia) geralmente sentem que estão sendo pressionadas em adotar comporta-mentos direcionados ao emagrecimento14, o que, de certo modo, explica os achados da presente investigação.

Algumas limitações devem ser destacadas. Inicialmente, a versão utilizada do SATAQ-3 foi validada apenas para universitários brasileiros, que não é a população-alvo deste estudo. Entretanto, a elevada consistência interna desse instrumento entre as adolescentes participantes desta inves-tigação dão indícios de boa qualidade psico-métrica da escala também nessa população. Dessa forma, é incentivada pesquisa que busque atestar a validade e a confiabilidade desse instrumento para adolescentes. Destaca-se também o uso de questionários autopreenchíveis, pois pesquisa-dores afirmam que os indivíduos podem não responder com fidedignidade a ferramentas autoaplicáveis2, e os resultados podem, portanto, não refletir a realidade do contexto avaliado, visto que o resultado final é fruto de respostas subje-tivas. Entretanto, pesquisadores destacam a rele-vância desses instrumentos desde que tenham suas qualidades psicométricas asseguradas5 , 25.

CONCLUSÃO

Os achados permitiram concluir que a insa-tisfação corporal e a internalização do ideal de magreza estiveram relacionadas às três subescalas do EAT-26 (Dieta, Bulimia e Autocontrole Oral), ao contrário da autoestima que não modulou as subescalas desse instrumento. Entretanto, as ado-lescentes com baixa autoestima estiveram mais propensas a comportamentos bulímicos; as insa-tisfeitas, a restrições alimentares e comporta-mentos compulsivos e purgativos; e aquelas que mais internalizaram o ideal de magreza estiveram mais vulneráveis à Dieta, Bulimia e Autocontrole Oral. A partir desses resultados, reforça-se a necessidade de mais estudos que avaliem relações de outras variáveis psicológicas com comporta-mento de risco para TA. Por fim, sugere-se a im-plementação de ações que promovam comporta-mentos saudáveis, como a realização de palestras educativas em escolas sobre o tema "mídia, corpo e saúde" e discussões em sala de aula com profis-sionais especializados das áreas de Nutrição, Psi-cologia e Psiquiatria.

COLABORADORESLS FORTES elaborou o projeto de pesquisa, coletou os dados e redigiu o artigo. JFF MEIRELES e CM NEVES auxiliaram na coleta dos dados, análise dos dados e revisão do artigo. SS ALMEIDA procedeu aná-lises estatísticas e revisou o artigo. MEC FERREIRA orien-tou todo o trabalho e revisou o artigo.

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Recebido: 28 de Janeiro de 2014; Revisado: 20 de Fevereiro de 2015; Aceito: 05 de Março de 2015

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