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Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial

On-line version ISSN 1980-5500

Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.10 no.5 Maringá Sept./Oct. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-54192005000500011 

ARTIGO INÉDITO

 

Estudo cefalométrico das alterações no perfil facial em pacientes Classe III dolicocefálicos submetidos à cirurgia ortognática bimaxilar*

 

Cephalometric study of the facial profile changes in Class III patients submitted to bimaxillary orthognathic surgery

 

 

Hewerson Santos TavaresI; João Roberto GonçalvesII; Ary dos Santos PintoIII; Abrão RapoportIV

IMestre em Cirurgia de Cabeça e Pescoço - Hospital Heliópolis, São Paulo
IIProfessor Assistente Doutor do Departamento de Clínica Infantil-Ortodontia, Unesp-Araraquara
IIIProfessor Livre Docente do Departamento de Clínica Infantil-Ortodontia, Unesp-Araraquara
IVProfessor Livre Docente Coordenador do Curso de Pós Graduação em Cirurgia de Cabeça e Pescoço Hospital Heliópolis

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O presente estudo avaliou as modificações no perfil facial de 15 pacientes portadores de má oclusão Classe III esquelética que foram submetidos a tratamento ortodôntico pré-cirúrgico e cirurgia ortognática bimaxilar estabilizada com fixação rígida. Oito pacientes foram submetidos à mentoplastia. Foram utilizadas telerradiografias pré-cirúrgicas (T1) e pós-cirúrgicas (T2) com um intervalo mínimo de 6 meses. Foram analisados deslocamentos horizontais e verticais em pontos do tecido ósseo e tecido mole. Foi realizada uma comparação entre os casos tratados com e sem mentoplastia (teste t) mostrando não haver diferenças entre os grupos. A regressão linear múltipla evidenciou uma correlação significante no sentido horizontal para os pontos Pg e Pgm e vertical para os pontos Me e Mem. Foi encontrada baixa correlação para movimentos no sentido horizontal nos pontos Sena e A, e para os pontos Pn, Sn e Ph. No sentido vertical, os deslocamentos mais evidentes foram entre os pontos Pg, Gn e Me e Sena e A, porém com correlações de baixa intensidade.

Palavras-chave: Perfi facial. Cirurgia ortognática. Classe III.


ABSTRACT

The present study evaluated the facial profile modifications in 15 skeletal Class III patients that were submitted to presurgical orthodontic treatment and orthognathic bimaxillary surgery stabilized with a rigid fixation. Eight of the patients have undergone to genioplastic surgery. Presurgical (T1) and late postsurgical (T2) radiographs taken apart with a minimum of 6 month interval had been used. The horizontal and vertical displacement of skeletal and soft tissue profile points were analyzed. The comparison of the cases submitted or not to a genioplastic surgery (t Test) showed no differences for the displacement of the skeletal and soft tissue points. The multiple linear regression analysis showed a significant correlation for horizontal movements of the Pg and Pgm points and for vertical movements of the Me and Mem points. A low correlation was found for the horizontal movements of Sena and A points and for Pn, Sn and Ph points. The vertical movements were more evident for the points Pg, Gn, and Me and for the A and Sena points but also showed low correlation.

Key words: Skeletal Class III. Facial Profile. Orthognathic surgery.


 

 

INTRODUÇÃO

Os principais objetivos da cirurgia ortognática são obter oclusão normal e melhorar a estética facial41. O tratamento da má oclusão Classe III esquelética envolve um planejamento ortodôntico pré-cirúrgico que tem o objetivo de correção de deficiências de comprimento do arco dentário, eliminação de rotações e outros procedimentos envolvendo o alinhamento e nivelamento dos arcos, características comuns da terapia convencional, que não são executados em todos os casos. A mecânica intra-arcos em casos cirúrgicos deve ser planejada a fim de obter as relações adequadas de caninos e molares28. A obtenção desses objetivos requer que os dentes estejam posicionados em ideal relação espacial com as bases ósseas23, estes cuidados fazem parte do planejamento ortodôntico pré-cirúrgico e devem ser levados em consideração, visto que a estabilidade do tratamento cirúrgico depende destes fatores2,6.

Nos pacientes portadores de má oclusão esquelética Classe III alguns pontos cefalométricos podem estar comprometidos pelo problema pré-existente. Em alguns casos é possível identificar alterações cefalométricas como: encurtamento da base do crânio, de modo que o ponto "násio" pode estar localizado em uma posição mais posterior, ou ainda, a altura facial posterior pode estar diminuída e portanto o ponto "pório" pode estar localizado mais inferior tornando inadequadas as mensurações angulares e lineares que utilizam estas estruturas como referência15. As características morfológicas associadas a este tipo de má oclusão devem ser levadas em consideração no planejamento ortodôntico e cirúrgico. Em alguns casos, parte das análises e medidas cefalométricas são abandonadas levando em consideração todos os dados obtidos na análise facial e as expectativas do próprio paciente2,3,5. É necessário que, antes da cirurgia, sejam estabelecidos o torque correto para incisivos e molares que, se corrigidos após, podem ser alvo de recidiva29,46. No tratamento ortodôntico pré-cirúrgico da má oclusão de Classe III, os incisivos inferiores estão freqüentemente retroinclinados enquanto os superiores estão inclinados para vestibular35,61.

A atresia maxilar transversal é um problema freqüente e deve ser planejada no início da terapia ortodôntica pré-cirúrgica a estratégia que será abordada na cirurgia, nesses casos destacamos as cirurgias de expansão maxilar e segmentação maxilar em dois ou três segmentos. As alterações na estética facial são obtidas através dos reposicionamentos cirúrgicos realizados nos tecidos duros subjacentes1,4,7,10,12,18,19,22,38. O contorno facial nem sempre obedece à mesma proporção de deslocamento do tecido ósseo. Isso ocorre devido às variações em espessura e tônus de uma região da face para outra e de indivíduo para outro10,22,24. Os tecidos moles podem estar firmemente aderidos em uma região e livres em outras. Aqueles que estão firmemente aderidos exibem alterações mais consistentes enquanto os menos aderidos apresentam menor modificação devido à sua elasticidade39,61.

A cirurgia do tipo "Le Fort I "para correção de displasias esqueléticas tem efeito sobre o nariz e o lábio superior. A literatura descreve alterações nasais e labiais que ocorrem após a cirurgia maxilar, tais como alargamento da base alar, elevação do ápice nasal, achatamento e estreitamento do lábio superior8,10,11.

Estas alterações pós-operatórias são decorrentes de modificações na anatomia regional, seguidas ao reposicionamento esquelético e retração muscular, seguida de fibrose cicatricial, que são efeitos resultantes destes procedimentos na pele e no tecido sub-cutâneo, que todavia podem ser controlados desde que estejam previstos no planejamento20,26,34,36,50,55. O reposicionamento superior da maxila seguido de avanço, utilizado no tratamento ortodôntico-cirúrgico, tem muitas indicações no tratamento de casos de cirurgias bimaxilares em pacientes portadores de má oclusão esquelética Classe III 21,54,58, podendo ser utilizado para o fechamento de mordidas abertas, correção do excesso vertical de maxila, alterações de plano oclusal61 e em pacientes que tiveram crescimento vertical.

Na última década, o uso da osteotomia tipo Le Fort I tem se tornado comum e seus efeitos sobre os tecidos moles circundantes têm sido bem documentados. As alterações de tecidos moles associadas à impacção maxilar são: aumento do ângulo nasolabial, aumento da largura da base alar, diminuição do comprimento do lábio superior, e alterações na posição labial quando é associada ao movimento ântero-posterior e vertical19.

 

OBJETIVO

Avaliar as alterações horizontais e verticais de pontos no perfil facial resultantes de tratamentos cirúrgicos bimaxilares com mentoplastia, associada ou não, em pacientes dolicocefálicos portadores de má oclusão esquelética Classe III.

 

MATERIAL E MÉTODO

Para o presente trabalho, foi selecionada uma amostra composta por 30 telerradiografias em norma lateral de 15 indivíduos caucasianos de ambos os gêneros submetidos a tratamento ortodôntico e cirúrgico, sendo que 8 destes foram submetidos a mentoplastias. Foram consideradas apenas as telerradiografias em norma lateral da fase pré-cirúrgica imediata (T1) e pós-cirúrgica tardia (T2) (Fig. 1, 2). Em toda a amostra, as telerradiografias em norma lateral pré-cirúrgicas imediatas foram realizadas no máximo sete dias antes da cirurgia, e telerradiografias em norma lateral da fase pós-cirúrgica tardia no mínimo seis meses após o procedimento cirúrgico. Estes indivíduos foram selecionados dentre aqueles que não sofreriam mais alterações de espessura labial com o aumento da idade e que não haviam passado por tratamento cirúrgico prévio. Toda amostra foi tratada com aparelhos pré-ajustados (arco reto) e todos os pacientes receberam contenção pós-ortodôntica.

 

 

Todos os pacientes foram diagnosticados como portadores de má oclusão esquelética Classe III de Angle, posição da maxila em relação à base do crânio ângulo SNA, posição da mandíbula em relação à base do crânio ângulo SNB, relação dentária maxilo-mandibular e em relação ao ponto násio, ângulo ANB e padrão esquelético através do ângulo SNGoMe (Tab. 3).

 

 

 

 

 

 

Método

Demarcação dos pontos cefalométricos

Foi adaptada uma folha de papel de acetato transparente "ultraphan" (Cephalometric Tracing Paper – GAC), tamanho 8" x 10" sobre as radiografias iniciais e finais dos indivíduos selecionados para amostra. Os pontos cefalométricos escolhidos para a análise foram demarcados com a ajuda de um negatoscópio, com lapiseira 0,3mm, em sala escurecida.

Os cefalogramas foram digitalizados em uma mesa digitalizadora Numonics AccuGrid utilizando um microcomputador IBM compatível e o programa "Dentofacial Planner Plus 2.0 " especialmente adaptado para esta finalidade.

Mensuração das alterações ocorridas com o tratamento cirúrgico do pré para o pós-tratamento

As alterações esqueléticas, faciais e dentárias ocorridas foram mensuradas por projeção dos pontos cefalométricos sobre a linha horizontal e vertical de referência representando respectivamente as coordenadas cartesianas X e Y. A linha horizontal, denominada de eixo X foi determinada a partir do ponto cefalométrico Sela (S) com inclinação de 7º para baixo em relação à linha Sela-Násio. A linha vertical, denominada de eixo Y foi determinada a partir do ponto cefalométrico Sela (S) perpendicularmente ao eixo x. Por meio dos pontos digitados no pré (T1) e no pós-tratamento (T2) foram feitas avaliações das modificações ocorridas no perfil, no que diz respeito à sua posição (deslocamento) no sentido ântero-posterior e vertical, e quando às alterações de espessura. O efeito do tratamento (DT) foi verificado como sendo a diferença entre as mensurações das duas ocasiões de tratamento (T2-T1).

Metodologia estatística

Em todos os testes estatísticos empregados neste trabalho foi adotado o nível de 5% de significância como critério para a rejeição da hipótese nula. Entretanto, procurou-se destacar os casos em que a rejeição da hipótese nula se daria mesmo a um nível menor do que 1% de significância. Esta avaliação pode ser feita pela observação do valor de probabilidade do teste (valor-p).

Comparação dos tipos de cirurgia

A comparação dos dois tipos de cirurgia empregados: com mentoplastia e sem mentoplastia, quanto ao deslocamento em cada ponto do tecido mole ou do tecido duro, tanto no sentido vertical como no sentido horizontal, foi realizada pelo teste t de Student. Neste caso, a hipótese nula em teste é obviamente a de que o deslocamento médio é o mesmo, independentemente do tipo de cirurgia.

Significância dos deslocamentos

Foram construídos intervalos de 95% para a média esperada de deslocamento com a intervenção cirúrgica. Quando esses intervalos incluem o valor zero, significa que não se pode rejeitar a hipótese nula de que os deslocamentos médios esperados são iguais a zero. Este procedimento é equivalente a aplicar o teste t de Student para avaliar a significância do deslocamento em relação ao zero. Entretanto, o intervalo fornece a informação adicional sobre o valor esperado para a média de deslocamento.

 

 

 

 

Correlação e regressão

O coeficiente de correlação de Pearson foi utilizado para determinar o grau de relacionamento das alterações do tecido mole com as alterações do tecido duro. Um valor relativamente menor do que 1 do coeficiente de correlação sugere a falta de uma relação perfeita entre as duas variáveis e pode ser um indicativo de que outras variáveis estão interagindo com elas. Neste caso, a predição de um deslocamento no tecido mole deve ser feita a partir do conhecimento de mais de um deslocamento no tecido ósseo.

Foi empregado o teste F de regressão linear múltipla para avaliar quais alterações do tecido duro estão mais relacionadas com pontos determinados do tecido mole. A equação de regressão obtida permite a predição dos deslocamentos no tecido mole em função das alterações no tecido duro. Como tentativa de diminuir criteriosamente o número de variáveis do modelo de regressão foi empregado um método stepwise de seleção de variáveis.

 

RESULTADOS

Nas tabelas 4 e 5 são apresentadas as médias, desvios padrão (DP) de deslocamentos horizontais (h) e verticais (v) em pontos, respectivamente, do tecido mole e do tecido ósseo da face, obtidos em pacientes submetidos aos dois tipos de cirurgia; a estatística t de Student para comparar as médias de deslocamentos nos dois tipos de cirurgia em cada ponto e o valor de probabilidade (valor-p) correspondente. Observa-se que todos os valores-p são muito maiores do que 0,05 e, portanto, ao nível de 5% de significância, não há qualquer evidência de que as cirurgias com ou sem mentoplastia produzam deslocamentos médios diferentes. Em vista disso, para fortalecer a análise, os deslocamentos em cada ponto foram agrupados. Assim, o que vem a seguir se refere aos dois tipos de cirurgia indistintamente e, para simplificar a linguagem, não será feita distinção desses tipos.

 

 

 

 

Nas tabelas 6 e 7 são dadas as médias e os desvios padrão (DP) de deslocamentos horizontais (h) e verticais (v) nos pontos em estudo, respectivamente, do tecido mole e do tecido ósseo da face, agora para as medidas de deslocamento resultantes dos dois tipos de cirurgia agrupados. São dados também o limite superior e o limite inferior dos intervalos de 95% para a média populacional de deslocamento, isto é, a média real que se espera com a intervenção cirúrgica. Os valores de probabilidade (valor- p) dessas tabelas permitem tomar a decisão, ao nível de 5% (ou menor), se os deslocamentos médios são significativamente diferentes de zero. Assim, o deslocamento médio será considerado significativamente diferente de zero sempre que o valor-p for menor que 0,05, indicado por um asterisco nas tabelas 8 e 9. Se o valor-p também for menor do que 0,01, pode-se entender que a evidência de diferença significativa é mais forte e está indicado por dois asteriscos nessas tabelas. Os deslocamentos nos pontos do tecido mole foram sempre significativamente diferentes de zero (p<0,001). Analogamente, também foram significativos nos pontos do tecido duro, mas em alguns pontos, como Sena_v, A_v, Gn_h e Me_h, não houve deslocamento significativo em um nível menor do que 1%.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os intervalos de confiança, por sua vez, possibilitam a quantificação do deslocamento médio, com base nos pacientes avaliados neste estudo. É claro que o aumento do número de pacientes levaria a uma maior precisão no deslocamento médio real, já que os intervalos de confiança teriam uma amplitude menor. Quando o deslocamento não foi significativo, o intervalo de confiança para a média inclui o zero.

A seguir, foi realizado um estudo das correlações entre os deslocamentos obtidos nos pontos cefalométricos. Na tabelas 8 e 9 são mostrados os coeficientes de correlação de Pearson entre os pontos do tecido ósseo e pontos do tecido mole. A tabela 8 se refere ao deslocamento horizontal no tecido mole, enquanto que a tabela 9 se refere ao deslocamento vertical no tecido mole.

Observa-se pela tabela 8 que somente são significativas as correlações lineares entre os deslocamentos de um ponto do tecido mole do terço inferior e os pontos, também do terço inferior da face do tecido ósseo. Como essas correlações são positivas, elas indicam que um aumento no deslocamento do tecido ósseo na direção horizontal acarreta também um aumento no deslocamento do tecido mole. Mas essa afirmativa vale somente para pares de pontos do terço inferior da face. Deve-se enfatizar que, apesar de significativos, esses coeficientes de correlação estão entre 0,64 e 0,84, portanto são de intensidade média.

Por outro lado, as correlações entre o deslocamento horizontal ou vertical de pontos do tecido ósseo e o deslocamento vertical em pontos do tecido mole são mais evidentes entre os três pontos do terço inferior da face do tecido mole e os dois pontos do tecido ósseo do terço médio da face. Ainda assim, os coeficientes de correlação de Pearson são relativamente baixos, pois variam de 0,73 a 0,78. Há outras correlações significativas, mas de menor intensidade ainda.

A regressão múltipla, com seleção de variáveis pelo método stepwise, foi empregada para tentar identificar a influência do deslocamento de mais de um ponto do tecido ósseo no deslocamento de um mesmo ponto do tecido mole. O resultado é apresentado nas tabelas 10 e 11, respectivamente para o deslocamento horizontal e vertical. Com essas equações de regressão, cujos coeficientes devem ser lidos em uma coluna da tabela, é possível prever um deslocamento no ponto do tecido mole correspondente à coluna, em função dos deslocamentos em pontos do tecido ósseo, tanto horizontal como vertical. Os valores de F indicam se a regressão determinada pelo método de seleção de variáveis é significativa, enquanto que o coeficiente de determinação R2 representa a proporção da variação total que é explicada pela regressão. Esses coeficientes de determinação nunca foram maiores do que 0,80 e, em alguns casos, são menores do que 0,50. Alguns coeficientes da equação de regressão são não significativos individualmente, mas, em princípio, não devem ser descartados, pois podem melhorar a previsão se utilizados em conjunto com os outros coeficientes.

 

 

 

 

Observa-se pela tabela 10, quanto ao deslocamento horizontal em pontos do tecido mole, que ele depende mais do deslocamento no Pg_h, especialmente os pontos do terço inferior da face. De acordo com os valores dados na tabela 11, o deslocamento vertical em pontos do tecido mole tem uma dependência maior com o deslocamento, também vertical, no Sena_v ou A_v, principalmente os pontos do terço inferior da face. Esse resultado, de alguma forma, já foi identificado pelos coeficientes de correlação de Pearson dados anteriormente.

 

DISCUSSÃO

O tratamento da má oclusão Classe III esquelética envolve um planejamento multidisciplinar que leva a alterações funcionais e estéticas do complexo maxilo-mandibular. No presente trabalho foram avaliados pacientes com má oclusão semelhantes, cuja terapia foi semelhante visando a padronização da amostra. Este tipo de situação, que leva em consideração o padrão esquelético dos pacientes tratados15, acarretou em tipos de movimentos cirúrgicos semelhantes das bases ósseas. A direção dos movimentos cirúrgicos para o maxilar superior e inferior foi basicamente a mesma em todos os casos. A maxila foi deslocada para cima, (impactada) e para frente (avançada) e sofreu rotação anti-horária e a mandíbula que foi deslocada para trás (reduzida) e rotacionada no sentido anti-horário.

A metodologia empregada para obtenção dos dados neste estudo foi descrita anteriormente pela maioria dos autores que utilizaram a base craniana como referência e a sobreposição de cefalogramas como método empregado para análise deste tipo de avaliação. A técnica para mensuração das medidas que estavam sujeitas a menor interferência ou variação foi o método computadorizado, que oferece melhores recursos no que diz respeito à localização, manipulação e comparação entre os cefalogramas.

A técnica cirúrgica utilizada nos casos onde foi realizada a mentoplastia foi a osteotomia horizontal deslizante da borda anterior da mandíbula, que produz resultados previsíveis e estáveis a longo prazo3,37,38,44, entretanto pode provocar uma variação na resposta tecidual quanto é levada em consideração a quantidade de desinserção muscular e o local das osteotomias46,48,59.

Diversos autores5,25,34,41,47,45 que descrevem a dificuldade na previsão do deslocamento do perfil facial, principalmente na região do maxilar superior, atribuem esta variação ao local e inclinações das osteotomias26,57, variação de tônus muscular, espessura, além de manipulação dos tecidos moles seguida de fibrose cicatricial60.

Comparando-se a população hispânica com a americano-européia pode ser verificado que as diferenças étnicas também estavam presentes e que os planejamentos deveriam ser individualizados9.

Visando diminuir esta variação foi adotado o critério de que todos os pacientes pertencentes à amostra tivessem sido operados pelo mesmo cirurgião, sendo que o planejamento foi realizado pela mesma pessoa seguindo critérios semelhantes e padronizados. Todos os pacientes receberam fixação interna rígida, que notadamente está menos sujeita às variações provocadas por um certo grau de recidiva6,7 esperado no tratamento da má oclusão esquelética da Classe III, receberam ainda reconstrução nasolabial através da sutura da base alar e em VY10,19,24,60.

Além dos procedimentos descritos, todos os pacientes terminaram a terapia pós-cirúrgica buscando o melhor relacionamento entre suas bases ósseas, corrigidas com as inclinações radiculares previstas para o final do tratamento, e a oclusão obtida foi estabilizada por meio de contenção ortodôntica pós tratamento28.

Foi realizado o teste t de Student para a comparação do intra-grupo para os pacientes tratados com mentoplastia associada e o grupo tratado sem mentoplastia, sendo adotado um nível de significância de 5%. Não foi possível constatar que os indivíduos tratados com e sem mentoplastia produzam deslocamentos médios diferentes (Tab. 4, 5). Em nosso estudo o ponto pogônio demonstrou uma menor variação, mesmo nos casos onde não foi realizada mentoplastia. Os deslocamentos para esta região mostraram-se semelhantes na maioria dos casos. Foi possível observar que a resposta do perfil facial, frente ao deslocamento ósseo no sentido horizontal, apresentou correlação significante para os pontos Pg e Pgm (r=0,84), Pg e Gnm (r=0,74). Para avaliação dos deslocamentos foi realizado o estudo das correlações no sentido horizontal entre os pontos de tecido ósseo e tecido mole, onde foi possível constatar que os pontos de tecido ósseo na maxila tiveram correlações fracas no sentido horizontal com o tecido mole desta região e que houve correlação de moderada a fraca, significativa no ponto A com o ponto Pn e Gnm. Os pontos do tecido ósseo mandibular tiveram uma correlação significativa, porém moderada com os pontos do terço médio da face e uma correlação forte e altamente significativa com os pontos no terço inferior. No sentido vertical os pontos situados no terço médio da face e inferior tiveram correlação com as alterações horizontais do terço médio e inferior do perfil facial ( Tab. 8).

Os pontos localizados no osso mandibular (Pg, Gn, Me) não tiveram correlação com as alterações verticais do terço médio e inferior da face. Os pontos Sena e A, também no sentido vertical, tiveram correlações significativas com os pontos Pn, Sn e Ph e tiveram correlações significativas com os pontos de tecido mole Pgm, Gnm e Mem ( Tab. 11).

Os pontos de tecido ósseo maxilar (Sena, A) tiveram, no sentido horizontal, correlações significantes, mas fracas com a região sub nasal e o ponto Sena, no sentido horizontal, teve correlação fraca com o ponto Ph, no sentido vertical, e Gnm, no sentido vertical.

As correlações entre o deslocamento horizontal dos pontos do tecido ósseo e o deslocamento vertical nos pontos do perfil facial tiveram relação significativa, porém de baixa intensidade entre os pontos Pgm, Mem e Gnm e os pontos no tecido ósseo (Sena e A) do terço médio da face.

O movimento vertical dos pontos mandibulares foi significativo, mas foram correlacionados moderadamente com os pontos do terço médio da face (Sn, Pn, Ph) e apenas o movimento vertical dos pontos de tecido ósseo mandibular (Pgm, Gnm, Mem) tiveram uma correlação significativa com o ponto Mem no sentido vertical e correlação fraca ou não significativa com Pgm e Gnm (Tab. 11).

A regressão múltipla foi empregada para tentar identificar a influência do deslocamento de mais de um ponto do tecido ósseo no deslocamento de um mesmo ponto do tecido mole.

Neste trabalho houve a participação do ortodontista e do cirurgião buco-maxilo-facial no diagnóstico e planejamento cirúrgico, o que é recomendado por muitos autores7,12,14,23,32,33.

Os principais objetivos do tratamento das deformidades dentofaciais é a obtenção da proporcionalidade dos tecidos moles da face34,55 e isto pode ser obtido com o planejamento e a execução da técnica de cirurgia ortognática. Também, como resultado da cirurgia ortognática, foi obtida uma melhora funcional da mastigação, fonação, respiração e oclusão16,39,45,47,48.

 

CONCLUSÃO

a) Os deslocamentos médios dos pontos do perfil facial nos indivíduos tratados com mentoplastia e sem mentoplastia foram semelhantes.

b) Houve correlação fortemente significante dos pontos Pg e Pgm, no sentido horizontal, e Me e Mem, no sentido vertical.

c) Houve baixa correlação entre os pontos Sena e A, no sentido horizontal, com os pontos Pn, Sn e Ph.

d) O deslocamento dos pontos no sentido vertical foi mais evidente entre os pontos Pg, Gn e Me e os pontos A e Sena, porém com correlações de baixa intensidade.

e) O deslocamento do ponto pogônio, no sentido horizontal, influencia horizontalmente os pontos do terço inferior da face. O deslocamento dos pontos Sena e A, no sentido vertical, influencia verticalmente os pontos do terço facial inferior, principalmente.

 

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Endereço para correspondência
Hewerson Santos Tavares
Instituto de Química Unesp - Araraquara
Rua Francisco Degni, s/n Bairro Quitandinha
Araraquara/SP
CEP:14.800-900
E-mail: hewersontavares@ig.com.br

Enviado em: Setembro de 2003
Revisado e aceito: Outubro de 2003

 

 

* Resumo da dissertação de mestrado interinstitucional apresentada ao curso de pós graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis São Paulo e Universidade Estadual Paulista - UNESP/Araraquara.

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