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Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial

On-line version ISSN 1980-5500

Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.12 no.2 Maringá Mar./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-54192007000200008 

ARTIGO INÉDITO

 

A influência da queiloplastia realizada em tempo único e em dois tempos cirúrgicos no padrão oclusal de crianças com fissura bilateral completa de lábio e palato

 

Influence of lip repair performed in one and two surgical times on the dental pattern of children with bilateral cleft lip and palate

 

 

Omar Gabriel da Silva FilhoI; Terumi Okada OzawaI; Heloisa Carvalho BorgesII

IOrtodontistas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP). Professores do Curso de Especialização em Ortodontia da Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatal (PROFIS) - Bauru -SP
IIAluna do Curso de Especialização em Ortodontia do HRAC-USP - Bauru-SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: analisar a influência da queiloplastia realizada em tempo único e em dois tempos cirúrgicos no padrão oclusal de cirnaças com fissuras bilateral completa de lábio e palato.
METODOLOGIA: a relação oclusal, de acordo com o índice Bauru, para a fissura bilateral completa de lábio e palato, foi estudada em uma amostra de 91 crianças nos estágios de dentadura decídua e mista. As crianças apresentavam fissura bilateral completa de lábio e palato e encontravam-se distribuídas na faixa etária compreendida entre 4 anos e 3 meses e 11 anos no momento do exame oclusal. Todas as crianças foram operadas na infância, no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), obedecendo dois protocolos de queiloplastia primária: 53 crianças foram submetidas à queiloplastia em tempo único (G1) e 38 crianças foram submetidas à queiloplastia em dois tempos cirúrgicos (G2).
RESULTADOS E CONCLUSÕES: o padrão oclusal, mensurado com base numa escala de 1 a 5, de acordo com o índice Bauru para fissura bilateral completa de lábio e palato, obteve média de 2,28 e 2,51 para a queiloplastia realizada em tempo único e em dois tempos cirúrgicos, respectivamente. Os resultados permitem concluir que as cirurgias plásticas primárias comprometem a oclusão na dentadura decídua e mista, independentemente do número de etapas para a realização da queiloplastia.

Palavras-chave: Fissura labiopalatina bilateral. Oclusão dentária. Arco dentário. Queiloplastia primária.


ABSTRACT

AIM: To analyse the influence of lip repair performed in one and two surgical times on the dental pattern of children with bilateral cleft lip and palate.
METHODS: The occlusal relationship of 91 children in the primary and mixed dentition with bilateral cleft lip and palate (BCLP) and aged 4 years and 4 months to 21 years was assessed according the Bauru yardstick. All children had BCLP and were operated at the Hospital for Rehabilitation of Craniofacial Anomalies, University of São Paulo, on the basis of two surgical protocols. Of the total sample, 53 children were operated in one surgical time and 38 were operated in two surgical times.
RESULTS AND CONCLUSIONS: The findings show that the primary repairing surgeries compromise the occlusion in the primary and mixed dentition regardless of the lip repair techniques evaluated in this study. The lip repair in one or two surgical times does not have influenced the inter-arch relationship.

Key words: Cleft lip, surgery. Cleft palate, surgery. Dental arch. Dental occlusion.


 

 

INTRODUÇÃO

A fissura bilateral completa de lábio e palato, nomeada fissura transforame incisivo bilateral40, compreende cerca de 14% das fissuras que acometem o homem36. Dentre as fissuras que acometem o palato primário e secundário, é a que se apresenta de forma mais severa, mantendo os palatos individualizados ao nascimento, assim como na vida embrionária (Fig. 1). A característica morfológica dessa fissura é a divisão da maxila em três segmentos distanciados entre si, com projeção extrema e assimétrica17,18,33 da pré-maxila e pró-lábio (Fig. 1), e deficiência de columela nasal. O distanciamento inicial entre os 3 segmentos é responsável pelo aumento das dimensões do arco alveolar fissurado em relação ao não fissurado (Fig. 1)10,15,17,18,21,28,31.

Quando adulto, o paciente com fissura bilateral completa não operado mantém a singularidade da projeção ântero-superior da pré-maxila e do pró-lábio, com redução da columela nasal, resultando na convexidade exagerada da face média e mostrando que essas características faciais se perpetuam com o crescimento37,39. A tendência espontânea da maxila é a aproximação dos segmentos palatinos, que se deslocam para medial durante o crescimento, levando a uma atresia considerável do arco dentário superior na idade adulta; enquanto preserva a principal característica das fissuras bilaterais – a projeção da pré-maxila6,37,39.

No entanto, o tratamento do paciente com fissura bilateral de lábio e palato inicia-se na infância, com as cirurgias plásticas primárias. Como os protocolos de tratamento são inúmeros e nada consensuais, com o intuito de facilitar as queiloplastias primárias, alguns centros utilizam terapias alternativas prévias com a intenção de reduzir a projeção da pré-maxila. As condutas terapêuticas mais comuns comentadas na literatura são o reposicionamento ortopédico da pré-maxila12, a retroposição cirúrgica da pré-maxila5,6,7,9,42 e a exérese precoce da pré-maxila27. Tais procedimentos, apesar de facilitarem as cirurgias reparadoras primárias, em longo prazo não se justificam, uma vez que trazem prejuízos à face, devido a uma redução descontrolada da projeção da pré-maxila, que culmina com um perfil côncavo. Por isso, a estratégia terapêutica imposta no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP) para o tratamento da fissura bilateral consiste em restaurar a anatomia com as cirurgias plásticas primárias (Fig. 2), queiloplastia e palatoplastia, sem enxerto ósseo primário e sem manipulação da pré-maxila, seguida pelas cirurgias plásticas secundárias na idade escolar e, finalmente, o enxerto ósseo secundário (Fig. 3), no final da dentadura mista, imediatamente antes da erupção dos caninos permanentes36, como resumido no quadro 1.

As cirurgias plásticas primárias, queiloplastia e palatoplastia, ao mesmo tempo que reabilitam estética e funcionalmente o paciente, a partir da primeira infância, exercem ao longo do crescimento influência negativa sobre a maxila e arco dentário superior. Os dados do HRAC-USP demonstram que nos pacientes operados, as dimensões transversais e sagitais do arco dentário superior encontram-se reduzidas em relação ao padrão normativo, desde a dentadura decídua e mista34. A literatura corrobora este fato, demonstrando que o arco dentário superior torna-se progressivamente menor em todas as dimensões transversais e sagital16,17,18,34, o que justifica o surgimento das mordidas cruzadas posteriores e, ocasionalmente, anterior, como conseqüência inter-arcos. A figura 4 traça o quadro evolutivo do comportamento do arco dentário superior da infância até a idade da dentadura mista, em pacientes com fissura transforame incisivo bilateral, usando como referência o padrão normativo não-fissurado.

 

 

A retroposição da pré-maxila, observada quando o paciente é operado na infância, até certo grau é favorável (Fig. 5), uma vez que no nascimento a face é caracterizada por uma projeção extrema da pré-maxila com perfil exageradamente convexo (Fig. 1). O que se observa de fato ao longo do crescimento, é que a projeção da pré-maxila é grande no nascimento e vai reduzindo progressivamente depois das cirurgias primárias8,10, 13,20,28,35,41,42, principalmente depois da queiloplastia38, aproximando-se de valores normativos na adolescência10,28, com freqüência criando uma face côncava e com mordida cruzada anterior32,35,42.

 

 

Os estudos com modelos de gesso em pacientes operados mostram que a relação interarcos e intra-arcos tendem a mostrar déficit progressivo com a idade, desde a formação da dentadura decídua até a idade adulta16,32, iniciando logo após a queiloplastia17,18 e passando pelos três estágios do desenvolvimento oclusal, dentadura decídua, mista e permanente4. Aos 3 anos de idade15, aos quatro anos de idade17,18,43 e aos 10 anos de idade20 já é evidente a redução na largura do arco e na projeção da pré-maxila, aproximando-a dos segmentos palatinos. Aos 3 anos de idade, a perda de dimensão do arco dentário superior mostra 6% de encurtamento, 30% de atresia na região intercaninos e 15% de atresia na região intermolares29, sendo responsável por mordida cruzada na região de caninos e relação de incisivos de topo em idade tão precoce15. A redução nas larguras intercaninos e intermolares superiores desde a dentadura decídua14,22 explica as alterações interarcos precoces. Cerca de 2/3 das crianças com fissura bilateral mostram mordida cruzada posterior na dentadura decídua, sendo 1/3 apenas na região de caninos e 1/3 envolvendo todo o segmento posterior, com 4,5% de mordida cruzada anterior14.

Como regra, os dados argumentam que as cirurgias potencializam a tendência natural de aproximação medial dos processos palatinos e criam uma força reposicionadora da pré-maxila (Fig. 4, 6). O que varia entre os pacientes é a magnitude imprevisível desse comportamento. Essa restrição das dimensões da maxila constitui o paradoxo do tratamento, já que o processo reabilitador compromete a manifestação do crescimento da maxila. O enigma a respeito das variáveis que se associam aos procedimentos cirúrgicos para determinar a magnitude de tais alterações na maxila ainda não foi desvendado. Temos que ver a questão como um mosaico de influências que se interrelacionam, tais como: morfogenética do paciente, amplitude da fissura, presença de bandeleta de Simonart, tamanho da pré-maxila, terapias alternativas pré-cirúrgicas para reduzir a projeção da pré-maxila, fatores ligados à técnica da queiloplastia e, finalmente, a experiência do cirurgião.

A presente pesquisa atem-se aos fatores ligados à técnica da queiloplastia. Sabe-se que, no paciente com fissura bilateral, a queiloplastia pode ser realizada em um tempo cirúrgico único ou em dois tempos, o que significa os dois lados serem unidos num ato operatório único ou fechados um lado de cada vez. A proposição inédita consiste em comparar esses dois procedimentos cirúrgicos, avaliando o grau de comprometimento que cada um deles pode trazer na relação oclusal, nas dentaduras decídua e mista.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Material

Este estudo retrospectivo baseia-se em modelos de gesso dos arcos dentários superior e inferior de 91 crianças selecionadas consecutivamente, com as seguintes características: leucodermas, de etnia brasileira, com fissura transforame incisivo bilateral, sem anomalias craniofaciais associadas e tampouco síndromes. Todas as crianças eram cadastradas no HRAC-USP desde o nascimento e seguiram o protocolo de tratamento estabelecido para esse tipo de fissura, sem no entanto terem recebido nenhum tratamento ortodôntico (Quadro 1). A variável estudada é a técnica de queiloplastia empregada para a correção da fissura labial, reconstrução labial em tempo cirúrgico único e em dois tempos cirúrgicos. Assim, a amostra de 91 crianças foi dividida em dois grupos (Tab. 1), de acordo com a técnica de queiloplastia primária: grupo operado em tempo único (G1) e grupo operado em dois tempos (G2).

 

 

O grupo operado em tempo único (Fig. 2) consistiu de 53 crianças na faixa etária compreendida entre 4 anos e 3 meses e 8 anos e 3 meses de idade, sendo 37 do gênero masculino e 16 do gênero feminino (G1). O lábio operado em tempo único até os 12 meses de idade e o palato em um único tempo cirúrgico até os 2 anos e 8 meses. Em conformidade com o protocolo de tratamento do HRAC–USP esses pacientes não receberam aparelhos ortopédicos em idade precoce e tampouco tiveram a pré-maxila manipulada ortopédica ou cirurgicamente.

O grupo operado em tempo duplo consistia de 38 crianças na faixa etária compreendida entre 6 e 11 anos de idade, sendo 26 do gênero masculino e 12 do gênero feminino (G2). As crianças eram operadas do lábio em dois tempos cirúrgicos até os 21 meses de idade e operadas do palato (60% em um único tempo cirúrgico e 40% em dois tempos cirúrgicos) até os 3 anos e 11 meses. Em conformidade com o protocolo de tratamento do HRAC-USP, esses pacientes não receberam aparelhos ortopédicos em idade precoce e tampouco tiveram a pré-maxila manipulada ortopédica ou cirurgicamente. As crianças que tiveram o palato operado em duas etapas não foram eliminadas da amostragem, visto que a literatura sugere que o efeito da queiloplastia sobre a pré-maxila independe da palatoplastia38.

Métodos

O método utilizado para avaliação das duas amostras foi testado previamente em outro estudo30, concebido para desenvolver um índice de sistematização para avaliação da condição oclusal interarcos em 144 crianças e adolescentes com fissura bilateral completa de lábio e palato, independentemente da técnica cirúrgica. Foi constatado neste trabalho30 que o índice proposto, denominado índice oclusal Bauru, apresentou alta reprodutibilidade e, portanto, alta confiabilidade, sendo sensível o suficiente para a avaliação proposta.

Os modelos de gesso dos arcos dentários superior e inferior das crianças integrantes da amostra foram avaliados por 6 examinadores, ortodontistas do HRAC-USP. Os examinadores foram previamente orientados e calibrados e fizeram a avaliação dos modelos duas vezes em um intervalo de 7 dias. Em suas avaliações, os examinadores atribuíram escores de 1 a 5 para a relação interarcos nos modelos de gesso, obedecendo os critérios definidos para o índice oclusal Bauru (Fig. 6 - 10).

Este índice de sistematização para a avaliação da condição oclusal em fissuras bilaterais30, à semelhança do índice Goslon e sua modificação por Atack et al.2 para as fissuras unilaterais completas de lábio e palato, compreende uma escala de 1 a 5 com grau crescente de severidade, considerando a relação interarcos, a forma do arco dentário superior e a inclinação dos incisivos superiores (Fig. 6 - 10). A qualificação dos índices segue abaixo.

Índice 1 (Fig. 6):

  • Trespasse vertical e horizontal positivos.
  • Incisivos superiores com inclinação lingual.
  • Ausência de mordidas cruzadas.
  • Boa forma do arco dentário superior e da abóbada palatina.

Índice 2 (Fig. 7):

  • Trespasse vertical e horizontal positivos.
  • Incisivos superiores com inclinação normal ou inclinação lingual.
  • Mordida cruzada posterior uni ou bilateral.
  • Boa forma do arco dentário superior e da abóbada palatina.

Índice 3 (Fig. 8):

  • Mordida topo a topo anterior ou mordida cruzada anterior.
  • Incisivos superiores com inclinação normal ou inclinação lingual.
  • Mordida cruzada posterior uni ou bilateral.
  • Arco dentário superior atrésico, com pouca profundidade do palato.

Índice 4 (Fig. 9):

  • Mordida cruzada anterior.
  • Incisivos superiores com inclinação normal ou inclinação vestibular.
  • Mordida cruzada posterior uni ou bilateral.
  • Arco dentário superior atrésico, com pouca profundidade do palato.

Índice 5 (Fig. 10):

  • Mordida cruzada anterior de grande magnitude.
  • Incisivos superiores com inclinação normal ou inclinação vestibular.
  • Mordida cruzada posterior uni ou bilateral.
  • Arco dentário superior atrésico, com pouca profundidade do palato.

 

RESULTADOS

A partir dos dados armazenados em computador, foram obtidas as médias com os respectivos desvios-padrão para os índices oclusais atribuídos aos modelos de estudo das 91 crianças (Tab. 2). O índice oclusal 2,37 sugere uma relação maxilomandibular razoável, isto é, em média a amostra apresenta uma relação maxilomandibular sem mordida cruzada anterior, apresentando atresia do arco dentário superior, acompanhada de mordida cruzada posterior uni ou bilateral.

 

 

Os valores médios foram submetidos ao teste t de Student para identificar a significância estatística das diferenças entre os gêneros (Tab. 3) e entre os grupos operados do lábio em tempo único e em tempo duplo (Tab. 4). A análise estatística revelou dimorfismo sexual para a amostra com queiloplastia realizada em dois tempos cirúrgicos. No entanto, do ponto de vista clínico, a diferença nos resultados não traz implicação clínica, motivo pelo qual os dados foram agrupados (gêneros feminino e masculino) para averiguação da influência do número de tempos cirúrgicos na queiloplastia.

 

 

 

 

Por se tratar de um e score seria mais indicado um teste não paramétrico. Porém, se a distribuição dos dados mostrar distribuição normal, pode-se utilizar o teste t. Além do mais, o tamanho da amostra total (n=21) justifica a aplicação do teste t.

 

DISCUSSÃO

Os problemas inerentes à fissura transforame incisivo bilateral, conseqüentes à segmentação da maxila em três partes, referem-se à projeção constante da pré-maxila37,39 e à aproximação progressiva dos processos palatinos posicionados atrás da pré-maxila39 (Fig. 4). Com as cirurgias plásticas, a morfologia da maxila muda. A pré-maxila é reposicionada posteriormente e a movimentação medial dos processos palatinos é exacerbada34 (Fig. 4), apontando a fragilidade da maxila fissurada. Esse efeito das cirurgias plásticas sobre os processos palatinos e pré-maxila interfere na oclusão a partir da dentadura decídua e, de forma crescente, até a maturidade oclusal e esquelética10,13,20,28,32,35,41,42 . Isso preocupa os ortodontistas que no, HRAC-USP, acompanham o paciente a partir do final da dentadura decídua36.

A presente pesquisa avalia o efeito das cirurgias plásticas primárias sobre a relação oclusal em paciente com fissura transforame incisivo bilateral, nas dentaduras decídua e mista. A variável testada foi a técnica de queiloplastia, em tempo único e em dois tempos. O método empregado para diagnóstico das condições oclusais foi a relação interarcos, avaliada mediante o emprego de modelos de gesso, usando como referência o índice Bauru para fissura bilateral completa de lábio e palato (Fig. 6 - 10). O índice Bauru para a fissura bilateral completa de lábio e palato baseou-se no denominado índice "Goslon Yardstick" para as fissuras unilaterais completas de lábio e palato, o qual foi usado para a comparação inter-centros europeus3,24,25 e modificado por Atack et al.2 para aplicação aos 5 anos de idade. O objetivo é avaliar os efeitos das cirurgias plásticas primárias na oclusão, levando em consideração a técnica cirúrgica de queiloplastia. Embora o método exiba margem para a subjetividade, o índice Kappa já demonstrou a confiabilidade do método quando, da elaboração dos índices oclusais adaptados para a fissura bilateral completa30. O nível de concordância intra-examinador e interexaminadores para a aplicação do índice oclusal Bauru oscilou entre moderado, bom e muito bom (Tab. 5, 6), de acordo com a sugestão de Altman1 (Tab. 7). As tabelas 5, 6 e 7, representando os resultados da aplicação do índice oclusal Bauru30, comprovam a eficácia e a reprodutibilidade da metodologia, indicando que os resultados obtidos serão de total confiabilidade, em função do alto índice de reprodutibilidade.

 

 

A queiloplastia em fissura bilateral aproxima o pró-lábio dos segmentos laterais do lábio superior, num procedimento engenhoso que dá continuidade à mucosa, musculatura orbicular e pele do lábio superior (Fig. 2). Em seguida, a união da mucosa palatina delimita anatomicamente as cavidades nasal e bucal, normalizando as funções velofaríngeas e auditivas. Essas cirurgias plásticas primárias, principalmente a queiloplastia, têm o mérito de influenciar em longo prazo o posicionamento da pré-maxila, inicialmente projetada. Mesmo sem uma avaliação exaustiva da literatura, uma conclusão parece inevitável: a força da musculatura orbicular reconstruída atua ininterruptamente como um dispositivo ortopédico aplicado na pré-maxila. Se, pelo menos em parte, a queiloplastia influencia positivamente a pré-maxila, a força das cirurgias também orienta a posição dos processos palatinos, exacerbando a tendência que os mesmos têm de se aproximarem. Esse comportamento reduz todas as dimensões transversais e sagitais do arco dentário superior, como demonstra uma pesquisa com pré-adolescentes portadores de fissura bilateral completa de lábio e palato tratados no HRAC-USP34.

A perda gradativa das dimensões do arco dentário superior em pacientes com fissura bilateral, fartamente noticiada na literatura4,10,11,14,15, 16,18,21,29,32,38, implica em prejuízo para a relação interarcos, com manifestação das mordidas cruzadas de diferentes magnitudes. A finalidade da presente pesquisa é aquilatar o comportamento interarcos na população estudada e a possível influência que a técnica de queiloplastia exerce sobre esse comportamento. O índice oclusal médio para as 91 crianças avaliadas é de 2,37 (Tab. 5, Gráf. 11). A condição oclusal de grande parte da amostra oscilou entre os índices 2 e 3 (Fig. 7, 8, Gráf. 2), o que significa comprometimento da relação transversal entre os arcos dentários, associado a uma relação de incisivos que tende ao trespasse horizontal negativo. Esse resultado, mais que previsível, não deixa de ser incômodo para a equipe, sobretudo para os ortodontistas. O índice 2,37 para pacientes com fissura envolvendo toda maxila (fissura transforame incisivo) é um bom resultado, se considerarmos que essa classificação sugere prognóstico de tratamento satisfatório a bom, ou seja, finalização ortodôntica sem cirurgia ortognática, já que os erros transversais são facilmente resolvidos com mecânica ortopédica; muito embora essa seja, em princípio, uma certeza impossível, uma vez que a condição oclusal na maturidade esquelética é imprevisível nas fissuras transforame incisivo.

 

 

 

 

Como o problema transversal tem prognóstico de tratamento favorável, quase sempre com mecânica transversal ortopédica, o problema sagital e vertical é que define o prognóstico de tratamento. Por outro lado, essas crianças são pré-adolescentes e irão passar por uma longa fase de crescimento que corresponde à adolescência, quando sabidamente as relações oclusais se degradarão. Para se ter uma referência do comportamento oclusal em longo prazo, setenta por cento dos pacientes avaliados aos 5 anos de idade permaneceram com o mesmo índice oclusal ou pioraram aos 10 anos de idade, nas fissuras completas unilaterais2.

Vários autores têm mencionado na literatura a execução da reconstrução labial em um único tempo operatório5,9,10,14,41, enquanto o centro de Oslo deixou de aplicar a técnica de queiloplastia em tempo único a partir da década de 1960, passando para a queiloplastia em dois tempos35. Heidbuchel, Kuijpers-Jagtman16 e Heidbuchel et al.17,18 comentaram sobre a técnica de Manchester23 para queiloplastia em tempo único. Em 1990, Hochban e Austermann19 descreveram a técnica de Millard modificada para fechamento do lábio em tempo único, aos 5-6 meses de idade, mesmo para fissuras amplas, com os objetivos de simetria, função muscular adequada, profundidade normal do vestíbulo, ausência de cicatrizes que comprometam a mobilidade do lábio reconstruído e boa morfologia do rebordo alveolar. Em 1999, Millard et al.26 divulgaram a queiloplastia inicial como lip adhesion bilateral nos primeiros meses e retoque bilateral final aos 18 meses de idade. No entanto, faltam dados referentes aos benefícios da queiloplastia primária em um ou dois tempos cirúrgicos, os quais poderiam determinar as indicações das duas técnicas.

A despeito da técnica de queiloplastia em tempo único para cirurgia de fissura labial bilateral ser mencionada desde a década de 1960, não existem comparações entre as conseqüências morfológicas oclusais induzidas pelas diferentes técnicas de queiloplastias em fissuras bilaterais. Friede et al.11 compararam dois grupos de pacientes com fissura bilateral completa de lábio e palato, no que se refere às diferentes técnicas de palatoplastia, e não encontraram diferença na morfologia facial ou oclusal.

A comparação da condição oclusal nas duas amostras de queiloplastias sugere que as cirurgias plásticas influenciam a relação oclusal (Gráf. 2, 3), independentemente da técnica de queiloplastia, se em um único tempo operatório ou se em dois tempos (Gráf. 3). Os valores médios para o índice oclusal interarcos foram de 2,28 e 2,51, para o grupo operado do lábio em um tempo e dois tempos, respectivamente (Tab. 2). Os índices oclusais são idênticos do ponto de vista estatístico (Tab. 4, Gráf. 1). Isso significa dizer que, pela avaliação da relação oclusal maxilomandibular, uma técnica de queiloplastia não é superior à outra.

 

 

Qual é exatamente a posição do HRAC-USP em relação às técnicas cirúrgicas de reconstrução labial na fissura bilateral? Essa questão é ampla e exige avaliações interdisciplinares. A presente pesquisa fundamenta-se unicamente na relação oclusal (análise morfológica), uma das implicações que merece consideração. No que se refere à influência que as técnicas cirúrgicas de queiloplastia, em tempo único ou em dois tempos cirúrgicos, exerce sobre a oclusão, a presente pesquisa é convicta em demonstrar que não existe diferença média no padrão oclusal, pelo menos durante as dentaduras decídua e mista. No entanto, analisando o gráfico 4, observa-se que a amostra operada em tempo único (G1) mostra um maior percentual de índices oclusais 1 e 2 (69,8%), em comparação com a amostra operada em dois tempos (G2), de 57,89%. Além disso, a amostra do índice oclusal 4+5 foi menor em G1 (7,54), do que a G2 (10,52%). Esses dados sugerem que a queiloplastia em tempo único é superior no que se refere ao crescimento maxilar e relação interarcos. Em síntese, o resultado da presente pesquisa não contra-indica a execução da queiloplastia em tempo único. A vantagem principal é o número reduzido de procedimentos cirúrgicos com anestesia geral e a resolução imediata do problema do lábio, pelo menos na visão dos pais. No entanto, outros referenciais morfológicos e funcionais precisam ser avaliados, como presença de fístulas buconasais e simetria nasal, para definir a real vantagem da queiloplastia em tempo único.

 

 

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que os dois protocolos cirúrgicos para a queiloplastia primária, em tempo único (G1) e dois tempos (G2), induziram índices oclusais médios similares, 2,28 para G1 e 2,51 para G2, em crianças com fissura bilateral completa de lábio e palato. Esses índices indicam uma relação interarcos satisfatória em pacientes nos estágios de dentadura decídua e dentadura mista.

 

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Endereço para correspondência:
Omar Gabriel da Silva Filho
Rua Sílvio Marchione, 3-20 - Vila Universitária
CEP: 17.012-900 – Bauru/SP
E-mail: ortoface@travelnet.com.br

Enviado em: setembro de 2005
Revisado e aceito: fevereiro de 2006

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