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Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial

On-line version ISSN 1980-5500

Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.14 no.2 Maringá Mar./Apr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-54192009000200016 

TÓPICO ESPECIAL

 

Biocompatibilidade dos materiais em Ortodontia: mito ou realidade?

 

Biocompatibility of orthodontic materials: myth or reality?

 

 

Luciane Macedo de MenezesI; Maria Perpétua Mota FreitasII; Tatiana Siqueira GonçalvesIII

IMestre e doutora em Ortodontia pela UFRJ. Professora adjunta de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da PUCRS
IIMestre em Ortodontia e Ortopedia Facial e doutora em Materiais Dentários pela PUCRS
IIIMestre e doutoranda em Ortodontia e Ortopedia Facial pela PUCRS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão sobre os conceitos relacionados à biocompatibilidade dos materiais empregados em Ortodontia. Fatos relacionados às reações de hipersensibilidade aos diversos materiais ortodônticos são discutidos, sendo apresentadas as condutas recomendáveis nestas situações.

Palavras-chave: Ortodontia. Biocompatibilidade. Hipersensibilidade. Alergia. Materiais ortodônticos.


ABSTRACT

The aim of this paper is to present a review on the biocompatibility of orthodontic materials. Hypersensitivity reactions to these materials are discussed and the recommended conduct in this kind of situation are presented.

Keywords: Orthodontics. Biocompatibility. Hypersensitivity. Allergy. Orthodontic materials.


 

 

INTRODUÇÃO

É notável, nos últimos anos, uma crescente preocupação com a biocompatibilidade dos materiais odontológicos. Não se sabe se esse fato está associado a um aumento real na frequência de alergia aos materiais ou a um maior cuidado com os efeitos colaterais provocados pelos mesmos77. Como nenhum material dentário é absolutamente seguro, sua seleção deve ser baseada na garantia de que os benefícios se sobreporão aos riscos biológicos4.

Na maioria dos casos em Ortodontia,as reações de hipersensibilidade apresentam manifestações locais, podendo, eventualmente, causar desordens sistêmicas. Com isso, a preocupação em relação à segurança e saúde geral do paciente tem sido objeto de estudo na literatura, uma vez que grande parte dos aparelhos e dispositivos utilizados na especialidade é composta por elementos químicos relacionados a alterações no sistema imune.

O objetivo dos autores com este artigo é apresentar os princípios básicos da biocompatibilidade dos materiais odontológicos, bem como sugerir condutas clínicas relacionadas a reações adversas a alguns materiais de uso rotineiro na prática ortodôntica.

Afinal, o que significam os termos biocompatibilidade, toxicidade, alergia e hipersensibilidade?

Para melhor entender as reações biológicas frente ao uso dos diversos materiais, o cirurgião-dentista deve conhecer os conceitos de biocompatibilidade, toxicidade, alergia e hipersensibilidade, a fim de compreender as condições de alguns pacientes que apresentam alterações no sistema imune.

A biocompatibilidade ocorre quando os tecidos entram em contato com um determinado material e não manifestam qualquer tipo de experiência tóxica, irritante, inflamatória, alérgica ou de fundo mutagênico ou carcinogênico40. A ocorrência de qualquer reação adversa é chamada de toxicidade. Para a biocompatibilidade de um determinado material é necessária uma resposta adequada do hospedeiro, o que, em Odontologia, significa a não-ocorrência de reações adversas, ou a ocorrência de reações adversas toleráveis, do organismo frente a esse material70.

A citotoxicidade, ou avaliação da toxicidade em cultura de células, é um fenômeno in vivo complexo, o qual pode manifestar um amplo espectro de efeitos, desde uma simples morte celular até aberrações metabólicas, nas quais não ocorre morte celular, mas apenas alterações funcionais20. A genotoxicidade avalia o dano ao DNA e é, geralmente, utilizada para auxiliar na investigação de potenciais efeitos, benéficos ou danosos, de diferentes agentes20.

As reações de hipersensibilidade são desordens que têm origem numa resposta imune que se torna exagerada ou inapropriada, ocasionando lesões sobre células ou tecidos normais do organismo, enquanto alergia significa uma hipersensibilidade específica adquirida do sistema imune, tanto de uma fonte exógena quanto endógena72.

Como saber se um paciente é alérgico a um determinado material?

A realização da anamnese - um dos elementos essenciais de diagnóstico em Ortodontia - deve fazer parte da rotina da primeira consulta. A anamnese deve conter um breve histórico da saúde geral do paciente, assim como um bom questionário, que abranja também perguntas relacionadas à ocorrência de alergias e reações de hipersensibilidade. Assim, o primeiro passo é incluir, na consulta inicial, algumas perguntas relacionadas a alergias: "Você apresenta/apresentou algum tipo de reação alérgica a medicamentos, metais, borracha, resinas, ou outro produto ou material?".

Tendo o paciente relatado algum tipo de alergia, o segundo passo seria encaminhá-lo a um médico (alergista ou dermatologista) para avaliação mais aprofundada. O médico poderá requerer a realização de um Teste de Contato, para confirmação das respostas alérgicas13. Esses testes têm como objetivo avaliar a resposta da pele frente a diferentes substâncias. Porém, questiona-se a validade dos mesmos, pela possibilidade de apresentarem "falsos positivos" e de sensibilizarem o paciente.

Os procedimentos para a realização do teste de contato estão descritos nas figuras 1 e 2.

 

 

Vários trabalhos utilizando esse teste foram publicados, procurando-se determinar a incidência da hipersensibilidade ao níquel, conforme se pode observar no quadro 1.

Quais os materiais de uso ortodôntico mais frequentemente associados às reações alérgicas?

Dentre os materiais mais frequentemente associados às reações alérgicas podem ser citados os elásticos derivados do látex, resinas acrílicas e compostas, bem como as diversas ligas metálicas presentes nos acessórios e fios empregados nos tratamentos ortodônticos.

Metais

Os metais são considerados as toxinas mais antigas. Inicialmente, havia grande preocupação com os efeitos agudos determinados pelos íons metálicos, entretanto, esses efeitos são considerados incomuns, devido aos padrões ambientais e ocupacionais que regem as regulamentações legais. Dessa forma, tem aumentado o interesse acerca das alterações crônicas ou de longo prazo, visto que a relação causa-efeito nem sempre é imediatamente perceptível, podendo ter efeitos subclínicos45.

A determinação da biocompatibilidade representa um processo complexo e pode ser avaliada por testes de toxicidade in vitro (citotoxicidade e genotoxicidade) e in vivo, utilizando diversas metodologias regulamentadas e padronizadas. Nesse sentido, a especificação de padrões da American Dental Association (ADA), aprovada pelo American National Standards Institute, denominada ANSI/ADA1, em seu documento ANSI/ADA Tipo 5 versa sobre a padronização dos materiais utilizados em Ortodontia20. Para avaliação biológica, os testes são geralmente divididos em testes iniciais de toxicidade; testes secundários, relacionados à toxicidade tecidual local, e testes de aplicação ou pré-clínicos20.

Embora as interações entre uma liga metálica e os tecidos possam ocorrer de diversas formas, a liberação de elementos da liga na cavidade bucal é o foco primário dos estudos, visto que efeitos biológicos adversos - como alergias e inflamação - têm sido atribuídos a esse processo, em virtude da liberação iônica advinda dos aparelhos ortodônticos poder, hipoteticamente, aumentar a concentração dos íons no corpo, acima da concentração de ingestão ou exposição aos metais pelo meio ambiente87. Outro ponto de fundamental importância na avaliação do emprego de metais pesados na Ortodontia é o seu potencial genotóxico, citotóxico e carcinogênico, uma vez que elementos metálicos como o níquel e o cromo apresentam resultados positivos relacionados à toxicidade genética.

Estudos in vivo mostraram que metais como o níquel e o cobalto, liberados de aparelhos ortodônticos, podem causar quebras no DNA de células da mucosa bucal21,87. Em 2008, Westphalen et al.90 avaliaram a toxicidade genética associada ao uso de aparelhos ortodônticos e observaram, através do ensaio cometa, que houve um incremento no nível de dano primário do DNA, embora não significativo, 10 dias após a montagem do aparelho ortodôntico.

Um dos pontos determinantes da biocompatibilidade das ligas metálicas em Odontologia é a resistência à corrosão85. A corrosão representa uma perda de metal ou sua conversão num óxido. No ambiente úmido da cavidade bucal, todas as ligas sofrem corrosão, pelo menos em alguma extensão77. A saliva é um ambiente ativo de constituintes orgânicos, íons e não-eletrólitos que são arrastados constantemente contra os anéis, braquetes e arcos. As diferenças galvânicas entre a saliva e os metais podem dar início a reações eletroquímicas, gerando a corrosão galvânica, que geralmente se manifesta pelo processo corrosivo acelerado dos metais menos nobres (ânodos)33. O aparelho ortodôntico representa um exemplo típico66, cuja corrosão pode causar sérias implicações clínicas que variam da perda de dimensão - resultando em forças menores aplicadas aos dentes - à falha (quebra) do aparelho em regiões de tensão. Além disso, a produção de possíveis produtos tóxicos da corrosão dos aparelhos e sua absorção pelos tecidos circundantes é indesejável80.

Diversos são os fatores que podem interferir no processo de liberação iônica de uma liga: o método de fabricação, o tipo de liga e as características superficiais do acessório; as características do meio em que a peça está inserida, como composição, temperatura, pH, flora bacteriana, atividade enzimática e presença de proteínas75; além de fatores como o uso (envelhecimento) da liga, que pode estar sujeita a adversidades como estresse, tratamento térmico, reciclagem ou reutilização de componentes, dentre outros35. Acrescenta-se que a tendência de liberação de íons está, muitas vezes, associada à sua instabilidade ou labilidade. Para Wataha, Lockwood e Schedle86, cobre, níquel e gálio são elementos que apresentam essas características, as quais podem ser alteradas pela presença de outros elementos na liga.

Na literatura, é grande a diversidade de trabalhos com enfoque na liberação de íons metálicos de braquetes ortodônticos - principalmente ferro, cromo e níquel, que representam os principais produtos da corrosão do aço inoxidável8,19,44,53,64,74. Entretanto,de acordo com o International Register of Potentially Toxic Chemical of United Nations Environment Program, outros íons metálicos, presentes na solda de prata utilizada na aparelhagem ortodôntica - como o cádmio, o cobre e o zinco - podem ser liberados na cavidade bucal e já são considerados produtos químicos potencialmente perigosos, sendo incluídos na lista de substâncias e processos considerados de grande risco para a vida humana. Em estudo sobre a liberação iônica e citotoxicidade da solda de prata, Freitas25 observou alta toxicidade desse material para fibroblastos, denotando alterações na adesão, proliferação e crescimento celular, bem como liberação significativa dos íons constituintes da solda de prata, com concentrações elevadas imediatamente após a instalação do aparelho, em ordem decrescente, de cobre, prata, zinco e cádmio, representando risco de absorção e retenção desses íons pelo organismo humano.

Em decorrência da liberação iônica, a utilização de aparelhos ortodônticos tem sido associada a algumas reações de hipersensibilidade. Dentre os metais, o níquel tem sido considerado uma das causas mais comuns da dermatite de contato10. Infelizmente, a associação com o níquel faz parte da vida moderna e, devido à onipresença do mesmo, as reações a esse metal apareceram com muito mais frequência na população em geral, e não são mais exclusivas dos funcionários da indústria57, como era observado anteriormente. O cromo também está relacionado a reações de hipersensibilidade2, sendo apontado como a segunda causa mais frequente de dermatite de contato64. Em média, 8% da população é sensível a esse metal84,90.

As reações alérgicas podem ser divididas em tipos I, II, III e IV58, sendo que, na Odontologia, de modo geral, ocorrem as do tipo IV, que acontecem após uma sensibilização prévia e reexposição do indivíduo ao alérgeno. A resposta regride após remoção do agente causador e reinicia quando os tecidos são novamente expostos ao mesmo18. Tais reações podem ser comprovadas através de testes de contato, que são empregados rotineiramente por dermatologistas e têm como objetivo avaliar a resposta da pele frente a diferentes substâncias.

Segundo Schriver et al.71, a reação alérgica ao níquel é derivada do timo, uma imunidade celular dependente de linfócito, ou seja, reação de hipersensibilidade do tipo IV11. A persistência deste tipo de reação está associada à memória do linfócito, que é capaz de reconhecer antígenos específicos muitos anos após o primeiro contato71. Por ser o níquel um hapteno, pode ligar-se a proteínas e agir como um antígeno, mas, para agir como tal, o íon precisa ser liberado da liga, fazendo-se necessária uma exposição anterior ao alérgeno. A aparência clínica é de edema, eritema e vesículas. Histologicamente, o epitélio apresenta edema inter e intracelular, com formação de vesículas, sendo também encontradas várias combinações de células mononucleares, neutrófilos e eosinófilos. A dessensibilização é difícil, pois a reação não responde ao anti-histamínico, mas somente ao corticoide. Entretanto, para a continuidade da reação, o antígeno deve estar presente65.

A literatura descreve alguns casos clínicos de reações, na pele ou mucosa, associadas à sensibilidade ao níquel (Quadro 2). Pesquisas mostram que a dermatite de contato está relacionada ao contato com joias,óculos e relógios13,37,39,43e tem incidência significativa - de 8 a 30% da população em geral32 (1:1000, segundo GRIMAUDO31), sendo maior nas mulheres que nos homens31,37,39,44,55,60. Outros fatores têm sido associados ao desenvolvimento de sensibilidade ao níquel, como: irritação mecânica, maceração da pele, aumento da temperatura ambiente, aumento da intensidade e duração da exposição. Fatores genéticos também têm influência na aquisição e regulação da resposta imune, apesar deste fato ainda não ser conclusivo10.

Menezes et al.56 publicaram o caso de uma paciente que demonstrou reação alérgica à parte metálica da tala cervical do aparelho extrabucal. Foi relatada urticária e irritação da pele do pescoço.Clinicamente,foi observada uma área eritematosa com vesículas no pescoço, uma lesão de cada lado, correspondendo em tamanho e localização das partes metálicas da tala do aparelho extrabucal (Fig. 3A, B, C). A análise do histórico clínico da paciente revelou que a mesma apresentava alergia a brincos que não fossem de ouro, provocando inflamação local e descamação da pele após o seu uso. A lesão foi diagnosticada como sendo uma dermatite de contato. O tratamento realizado consistiu na remoção do estímulo, ou seja, troca da tala cervical por uma onde a parte metálica não entrasse em contato com a pele. Quinze dias após o diagnóstico e tratamento, a paciente retornou sem nenhum sinal de reação alérgica (Fig. 3D).

 


 

Outro fator que tem gerado preocupação é o uso de aparelhos ortodônticos metálicos em indivíduos hipersensíveis. Esses aparelhos são, geralmente, feitos de aço inoxidável austenítico, que contem cerca de 18% de cromo e 8% de níquel43. Alguns fios metálicos com propriedades elásticas podem conter mais de 50% de níquel43, como é o caso dos fios de níquel-titânio, que contém aproximadamente 70% de níquel10.

Kerosuo, moe e Kleven44 observaram in vitro que parece ocorrer liberação detectável de níquel e de cromo dos aparelhos ortodônticos, sendo a quantidade maior em condições dinâmicas. Mesmo assim, a quantidade estimada de liberação de níquel de um aparelho ortodôntico completo é menor que 10% da quantidade ingerida diariamente na dieta8, sendo considerada negligenciável do ponto de vista toxicológico44. Barrett, Bishara e Quinn8 ressaltam que ainda precisa ser determinado quanto destes produtos de corrosão é realmente absorvido pelo paciente. A questão é se a quantidade de metal liberada é exposta suficientemente às células imunocompetentes para sensibilizar um indivíduo ou para manter uma reação num indivíduo previamente sensibilizado pela substância77. Acredita-se que as quantidades liberadas podem ser de considerável importância para os indivíduos com alto grau de sensibilidade ao níquel44. Portanto, o clínico deve ser cauteloso, pois a liberação de níquel e cromo dos anéis ortodônticos pode sensibilizar os pacientes a esses metais e provocar reações de hipersensibilidade em pacientes com histórico prévio de sensibilidade aos mesmos64. Com base nas evidências disponíveis e riscos em potencial que podem ser antecipados com a exposição intrabucal de ligas contendo níquel, o Conselho de materiais, Instrumentos e Equipamentos Dentários dos EUA, em 1982, contra-indicou o uso desses materiais em pacientes sensíveis ou em pacientes supostamente sensíveis. Para o Conselho, é de responsabilidade do dentista conhecer a origem e constituintes das ligas utilizadas na clínica, especialmente quanto à presença ou ausência de níquel, e informar o paciente quando necessário - sendo uma condição imposta para aceitação das ligas contendo níquel a apresentação de um rótulo como alerta contendo a seguinte declaração: "CUIDADO: esta liga contém níquel e não deve ser usada por indivíduos sensíveis a esse metal"57.

Na Alemanha, o Departamento Federal de Saúde recomendou que não se utilizem acessórios contendo níquel em Ortodontia. Assim, os fabricantes estão produzindo braquetes livres de níquel, utilizando novas ligas63. O titânio, apesar de ser muitas vezes mais caro do que o aço inoxidável, vem sendo utilizado para confecção de acessórios. Os braquetes de titânio puro apresentam maior tolerância tecidual, maior biocompatibilidade e resistência, quando comparados aos de aço inoxidável33. Os braquetes denominados "nickel-free", geralmente compostos por cromo e cobalto, também podem ser empregados como material alternativo para pacientes com sensibilidade ao aço. Nesse contexto, não se pode deixar de ressaltar que os braquetes estéticos, sejam eles de cerâmica ou policarbonato, também servem como alternativa para pacientes com alergia ao níquel. Está disponível no mercado brasileiro um fio ortodôntico estético totalmente livre de metais - pois é um polímero - e, da mesma forma, serve como uma alternativa, nos estágios iniciais de tratamento, para pacientes com alergia ao níquel. É de extrema importância ressaltar também que o uso de acessórios reciclados não é recomendado, uma vez que esse tipo de material apresenta uma maior liberação de íons para o ambiente bucal, quando comparada à dos braquetes novos35.

Látex

É alta a prevalência da hipersensibilidade ao látex, em virtude da sua ampla utilização em produtos manufaturados contendo borracha78. De acordo com Weiss e Hirshman88, o advento da vulcanização - por Charles Goodyear, em 1839 - levou à aplicação do látex em mais de 40.000 itens, tais como: produtos odontológicos (luvas, máscaras, borrachas de isolamento e acessórios ortodônticos), equipamentos médicos (luvas, catéteres, tubos, implantes e próteses), luvas de uso doméstico, balões e bolas, preservativos, adesivos, chupetas, carpetes, calçados, capachos e equipamentos esportivos50.

Na literatura, diversos são os relatos de reações ao látex. Em geral, aparecem em jovens, sendo muito frequentes nos adultos em profissões de risco, como Odontologia e outras profissões da área de Saúde, com maior prevalência em mulheres50. Segundo Fisher24, 7% dos profissionais (médicos, enfermeiras e dentistas) manifestam uma reação alérgica tardia (dermatite de contato), enquanto 3% mostram uma reação imediata. Devido ao grande número de relatos de reações adversas ao látex, em 1993 foi regulamentado que os rótulos de produtos médicos contendo látex devem indicar sua presença.

Em estudo realizado por Conde-Salazar et al.15, foram avaliados 7.000 pacientes durante um período de 10 anos (1978-1988). Destes, 4.860 foram submetidos a testes e um total de 14,7% apresentou uma ou mais reações positivas aos aditivos da borracha. Especificamente na área odontológica, um estudo feito com base em questionários distribuídos para dentistas na Inglaterra e País de Gales revelou que 135 dos entrevistados observaram reações adversas ao uso de luvas de látex pelos dentistas, bem como em um ou mais de seus pacientes14.

O primeiro passo para o diagnóstico de alergia ao látex é registrar o histórico clínico do paciente, pesquisando eventos prévios, associando ao teste cutâneo usando látex e/ou seus extratos50. Faz-se prudente iniciar a pesquisa pelo teste radioalergosorvente ("RAST") e, se negativo, proceder ao teste de contato88.A exposição repetida ao látex de borracha natural é essencial para o desenvolvimento da sensibilidade50. Imediatamente após o contato direto com esse material ou inalação de alérgenos transportados pelo ar - por exemplo o pó das luvas -, uma pessoa sensibilizada pode experimentar uma série de reações, tais como corrimento nasal, conjuntivite, dificuldade de deglutição, dermatite de contato, urticária generalizada, asma e anafilaxia, angioedema, rinite e taquicardia50,88. Para Barton9, a proteína de borracha natural é o alérgeno de sensibilização, embora a proteína específica não tenha sido isolada.

O látex é basicamente composto de moléculas grandes, que não parecem provocar alergias, sendo o poli-isopreno o principal constituinte da borracha, além de proteínas, que perfazem um total de 2 a 3% do produto final88. Por outro lado, substâncias de baixo peso molecular, como aditivos, antioxidantes e vulcanizadores - comumente utilizados na manufatura da borracha e responsáveis pelas propriedades finais desejadas - são, muitas vezes, responsáveis pela sensibilização. Esses aditivos são frequentemente liberados da borracha, principalmente luvas e botas, em ambiente morno e úmido.

A prevenção primária da sensibilização ao látex implica em evitar a exposição, fato quase impossível, dado o grande número de produtos utilizados desde a infância (chupetas, calçados, etc). Como prevenção secundária, para evitar reações de hipersensibilidade, deve-se substituir os produtos à base de látex por aqueles que não o contenham50,73.

Resinas acrílicas

As resinas acrílicas são, também, amplamente utilizadas na Ortodontia, nos aparelhos removíveis, de contenção e/ou aparelhos fixos auxiliares. Desde a década de 60, existem relatos de hipersensibilidade às resinas acrílicas, sendo, na grande maioria dos casos, associados à presença de um alto conteúdo de monômero de metilmetacrilato residual. Em função disso, diversos autores procuraram quantificar o conteúdo desse monômero residual7,23,28,36,41,48,54,69,76,81,82,91,92. Além do metilmetacrilato, podem-se citar também outros componentes de baixo peso molecular - tais como formaldeído, peróxido de benzoíla e plastificantes como dibutil-ftalato - que podem ser considerados fatores desencadeadores das reações de hipersensibilidade18.

Os testes para avaliação de citotoxicidade indicam que as resinas acrílicas quimicamente ativadas apresentam, in vitro, de um modo geral, maior efeito citotóxico, quando comparadas às termopolimerizáveis e fotopolimerizáveis34,41,67. Alguns autores sugeriram que quanto maior o tempo de eluição dos seus subprodutos, em especial o monômero residual, menor o efeito citotóxico exercido sobre as linhagens celulares testadas29,41,47. Com isso, algumas manobras clínicas, executadas após a confecção dos aparelhos em resina acrílica, foram sugeridas, no intuito de reduzir esse efeito (Quadro 3).

Quais as reações causadas pelas resinas acrílicas?

As reações de hipersensibilidade causadas pelas resinas acrílicas limitam-se a manifestações locais, incluindo dor, edema e eritema nos locais de contato (Fig. 4). Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer reações de ordem sistêmica, de maior ou menor intensidade, como: sensação de queimação, dificuldade na deglutição, edema nos lábios e urticária30,51,68. O quadro 4 mostra uma compilação dos casos de alergia ao acrílico relatados na literatura e a medida para a remissão da hipersensibilidade.

Quando as reações são localizadas, pode-se utilizar medicamentos contendo anti-inflamatórios esteroides, para alívio das reações inflamatórias. Entretanto, o conforto efetivo só é alcançado após remoção do fator etiológico, o que muitas vezes significa buscar materiais alternativos, para evitar o contato com o material desencadeador da reação de hipersensibilidade30. Algumas possibilidades em Ortodontia seriam utilizar aparelhos confeccionados somente com metais ou, nos casos de aparelhos de contenção, substituir por contenções coladas. Além disso, estão disponíveis no mercado internacional as resinas acrílicas fotopolimerizáveis, dificilmente encontradas no mercado brasileiro.

Resinas compostas

A presença de monômeros não polimerizados, oriundos das resinas compostas utilizadas durante os procedimentos de colagem ortodôntica, também pode ser considerada fator etiológico no aumento da frequência das reações imunológicas adversas em Ortodontia. Assim como ocorre com as resinas acrílicas, a reação de polimerização das resinas compostas pode permanecer incompleta por tempo indefinido, logo, moléculas de monômero livre de trietileno glicol metacrilato (TEGDMA) ou 2-hidroxi-etil-metacrilato (HEMA) podem ser diretamente responsáveis pelas reações de citotoxicidade e hipersensibilidade ocasionadas por esse material. Nesse aspecto, pode-se ressaltar o contato dos tecidos gengivais com os primers de colagem, compostos essencialmente por monômeros não-polimerizados, que pode levar a um aspecto inflamatório gengival (Fig. 5). Vande Vannet e Hanssens83 comprovaram que os primers apresentam alta toxicidade quando comparados às resinas de colagem de acessórios ortodônticos previamente polimerizadas.

 

 

Quando avaliada a citotoxicidade das resinas compostas para colagem ortodôntica através do teste MTT, Nocca et al.61 demonstraram que as resinas fotopolimerizáveis apresentaram menor potencial citotóxico, quando comparadas às autopolimerizáveis. Dessa maneira, além das vantagens clínicas, as resinas fotopolimerizáveis apresentam também maior biocompatibilidade.

Quais as atitudes frente à constatação de alergia a algum produto odontológico?

De maneira geral, deve-se encaminhar o paciente ao médico (alergista ou dermatologista) e evitar a exposição ao material irritante. Outras condutas recomendáveis discutidas no presente trabalho estão resumidas no quadro 5.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, conclui-se que é de fundamental importância o conhecimento por parte do ortodontista sobre a composição dos materiais que utiliza na sua rotina clínica, bem como a possibilidade dos mesmos ocasionarem reações a si mesmo e aos seus pacientes. Frente à ocorrência de uma reação alérgica, o profissional deve ter condições de dar o devido suporte e encaminhamento a tal situação, trabalhando em conjunto com áreas associadas, especialmente a Dermatologia, oferecendo ao paciente a melhor solução. Nesse aspecto, é de grande valia a proposição de materiais alternativos, priorizando a saúde geral do paciente.

 

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Endereço para correspondência:
Luciane Macedo de Menezes
Faculdade de Odontologia da PUCRS
Av. Ipiranga, 6681 - Prédio 6 - Sala 209
CEP: 90.619-900 - Porto Alegre/RS
E-mail: luciane@portoweb.com.br

Enviado em: dezembro de 2008
Revisado e aceito: fevereiro de 2009

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