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Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial

Print version ISSN 1415-5419

Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.14 no.6 Maringá Nov./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-54192009000600007 

ARTIGO INÉDITO

 

Prevalência de más oclusões em crianças com 12 a 36 meses de idade em João Pessoa, Paraíba*

 

Prevalence of malocclusion in children aged 12 to 36 months in João Pessoa, Paraíba state

 

 

Sabrina Sales Lins de AlbuquerqueI; Ricardo Cavalcanti DuarteII; Alessandro Leite CavalcantiIII; Érika de Morais BeltrãoI

IMestre em Odontologia Preventiva Infantil pela Universidade Federal da Paraíba
IIProfessor adjunto do departamento de Clínica e Odontologia Social da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa/PB
IIIProfessor titular do departamento de Odontologia da Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande/PB

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: verificar a prevalência de más oclusões em crianças de 12 a 36 meses de idade, de creches públicas no município de João Pessoa / PB.
MÉTODOS: a amostra constou de 292 crianças, sendo 161 meninos (55,1%) e 131 meninas (44,9%), selecionados aleatoriamente. As crianças foram examinadas nas dependências das instituições selecionadas, sob luz natural, e os dados foram registrados em um formulário pré-estruturado, sendo os exames feitos por um examinador calibrado (Kappa = 0,85), avaliando a presença de sobremordida, de sobressaliência, de mordida aberta anterior e de mordida cruzada posterior. Os dados foram analisados por meio do programa estatístico SPSS.
RESULTADOS E CONCLUSÕES: a prevalência de má oclusão na amostra foi de 40,7%, com a mordida aberta anterior presente em 35,6% das crianças, a mordida cruzada posterior em 5,1%, e sobressaliência moderada e sobremordida moderada em 35,5% e 24,7%, respectivamente. Com o desenvolvimento da oclusão, a prevalência de mordida aberta anterior aumentou, demonstrando a magnitude desse problema na primeira infância.

Palavras-chave: Epidemiologia. Má oclusão. Lactente. Pré-escolar.


ABSTRACT

AIM: This study aimed to verify the prevalence of malocclusion in children aged 12 to 36 months, attending public daycare centers in the city of João Pessoa, Paraíba.
METHODS: The sample consisted of 292 children, 161 boys (55.1%) and 131 girls (44.9%) randomly selected from various daycare centers. They were all examined in their daycare centers environments under natural illumination and the findings entered into a pre-structured form, carried out by one calibrated examiner (Kappa = 0.85), concerning overbite, overjet, anterior open bite and posterior crossbite. The data were analyzed through the statistical program SPSS.
RESULTS AND CONCLUSIONS: The prevalence of malocclusion in the sample was 40.7%, with anterior open bite detected in 35.6%, posterior crossbite in 5.1%, and moderate overjet and overbite in 35.5% and 24.7%, respectively. With the development of the occlusion, the prevalence of anterior open bite increased, with the results draw attention to the magnitude of the problem in childhood.

Keywords: Epidemiology. Malocclusion. Infant. Child, preschool.


 

 

INTRODUÇÃO

A Odontologia tem despertado para a importância da sua atuação nos níveis mais primários, desde a vida intrauterina, passando pelo recém-nascido, até a irrupção dos primeiros dentes decíduos19.

Desse modo, o odontopediatra tem a oportunidade de atuar precocemente, no sentido de prevenir possíveis desvios da oclusão, que podem se instalar logo após o nascimento, interceptando-os e restabelecendo a integridade do sistema estomatognático, para que a dentadura decídua desenvolva-se adequadamente3. Ademais, se constitui no responsável pelo primeiro diagnóstico das más oclusões9.

A porcentagem da população acometida pelos desvios morfológicos da oclusão normal é tão grande que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a má oclusão como o terceiro problema odontológico de saúde pública24. Muitas más oclusões resultam da combinação de pequenos desvios da normalidade, cada qual demasiado suave para ser classificado como anormal, mas sua combinação e persistência ajudam a produzir um problema clínico que deve ser solucionado, recuperando a integridade e o equilíbrio do conjunto3,5.

A observação da relação dos arcos dentários no período pós-natal é fundamental, uma vez que pode ocorrer um grande número de alterações relacionadas com o desenvolvimento da face. Porém, devido à dificuldade no manejo da criança nessa faixa etária e à baixa frequência de atendimento odontológico, esse grupo etário torna-se pouco explorado27.

Em uma oclusão normal, observa-se uma correspondência entre funções e adaptação e, quando há uma mudança nos músculos que envolvem os dentes, esses se movem dentro do osso até se equilibrarem novamente. Qualquer mudança na qualidade, quantidade ou ordem de contrações musculares originará sintomas clínicos, com desvios da normalidade18.

Toda má oclusão apresenta uma origem multifatorial e não uma única causa específica. Existem muitos aspectos que contribuem para a instalação dessas alterações na oclusão, que podem ser de origem congênita e hereditária ou de ordem local, funcional e ambiental2. Os fatores hereditários têm influência no crescimento e desenvolvimento do complexo craniofacial, porém ainda não se pode utilizar esses pontos para a prevenção na prática clínica, pois não é possível considerar, separadamente, os fatores hereditários e os fatores ambientais22.

Os fatores para incidência das mordidas cruzadas anteriores em crianças com dentadura decídua completa, aparentemente, são genéticos em 45,4% dos casos e pós-natais em 54,6% das situações23.

A sobremordida representa um elemento importante da oclusão, que quantifica a sobreposição da coroa dos incisivos superiores em relação aos incisivos inferiores e pode ser considerada normal quando apresenta valores entre 2 e 3mm. Quando profunda, pode causar interferência nos movimentos de abertura, protrusão e lateralidade da mandíbula durante a mastigação, além de problemas na ATM. Por outro lado, valores negativos da sobremordida podem indicar a presença de mordida aberta anterior que, quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a alterações no desenvolvimento normal da oclusão8.

Na etiologia da mordida aberta anterior, encontram-se fatores ligados a hábitos deletérios, à função ou tamanho anormais da língua, à respiração bucal, ao padrão de crescimento vertical predisponente à mordida aberta e a patologias congênitas ou adquiridas17,28. Ocorre uma diminuição gradativa da incidência da mordida aberta anterior com a idade, devido ao próprio desenvolvimento oclusal e à maturação do indivíduo, facilitando a eliminação de hábitos deletérios e o estabelecimento de uma deglutição adulta normal28.

A autocorreção da mordida aberta anterior, durante a transição da dentadura decídua para a permanente, é praticamente um consenso entre os autores revisados4,14,15,17,26. No caso da mordida cruzada posterior, no entanto, essa anomalia pode se instalar antes dos três anos de idade e, com o processo de irrupção dos dentes permanentes, dificilmente se encaminhará para uma correção21. Todavia, é sabido que a autocorreção da mordida cruzada posterior nem sempre ocorre, estando na dependência de diversos fatores, além da época de interrupção do hábito, os quais devem ser retratados: gravidade da má oclusão e padrão dentofacial, respiração bucal, instalação de hábitos acessórios e competência da musculatura peribucal25,26.

Uma mordida cruzada em uma criança jovem que possui sucção digital não significa, necessariamente, que os dentes permanentes irão irromper nessa posição14. A razão disso é que o hábito pode ser interrompido muito antes da irrupção dos pré-molares e caninos. Mesmo nos casos em que o hábito continua depois da irrupção dos primeiros molares, o efeito na posição transversal não parece ser significativo.

Assim como as demais más oclusões, a mordida cruzada posterior, se não tratada, persistirá até a maturidade oclusal24. Isso significa dizer que a atresia do arco dentário superior não se corrige espontaneamente, independentemente da persistência do fator etiológico envolvido.

É possível observar um aumento significativo das más oclusões com a irrupção dos primeiros molares decíduos e elevação da dimensão posterior6. Dessa forma, torna-se extremamente importante que a primeira visita odontológica ocorra no primeiro ano de vida, possibilitando ao odontopediatra a prevenção e o diagnóstico precoce de más oclusões na dentadura decídua em desenvolvimento.

Portanto, com base no exposto e diante da escassez de estudos internacionais e nacionais que analisem as más oclusões em crianças de pouca idade, o presente trabalho objetivou determinar essa prevalência por meio da realização de um estudo transversal, em crianças de 12 a 36 meses de idade, no município de João Pessoa (PB).

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo foi desenvolvido em creches públicas no município de João Pessoa, Paraíba. O município possui um total de 549.363 habitantes, dos quais 30.888 encontram-se na faixa etária de 12 a 36 meses de idade11. O número de creches públicas existentes no município é de 57, sendo 25 municipais e 32 estaduais. O número de crianças, na faixa etária de 12 a 36 meses de idade, matriculadas nas referidas creches é de 1.205, conforme informações da Secretaria do Trabalho e Promoção Social do Município de João Pessoa e da Secretaria do Trabalho e Ação Social do Estado da Paraíba.

Realizado o cálculo estatístico, utilizando-se um nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%, verificou-se que o tamanho amostral foi de 292 crianças, distribuídas, proporcionalmente, entre as do berçário (n = 62) e as do maternal (n = 230). Adotou-se como critérios de exclusão: a presença de cáries extensas; crianças com anomalias dentárias de forma, número e tamanho; crianças com fraturas nos dentes anteriores que atingissem a borda incisal; portadores de síndromes, disfunções sistêmicas e fissura labiopalatina.

O estudo foi realizado em 15 creches municipais e 13 creches estaduais, cuja seleção deu-se por meio da técnica de amostragem aleatória simples. O valor do teste Kappa, utilizado para conferir a concordância intraexaminador, foi de 0,85, sendo considerado satisfatório. A realização deste estudo foi devidamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba.

Exame clínico

Todas as crianças foram avaliadas por um único examinador calibrado, auxiliado por um anotador. O exame clínico foi realizado com o auxílio de espelho bucal e espátula de madeira, sendo realizado no próprio local da instituição selecionada, sob luz natural. As crianças do berçário foram examinadas com o auxílio de seu responsável, enquanto as crianças do maternal foram posicionadas sentadas diante do examinador.

Para a medição da amplitude da mordida aberta anterior e da sobressaliência, utilizou-se a sonda CPI. Os dados referentes ao exame clínico foram registrados em fichas individuais específicas, previamente elaboradas. Nessa ficha, foram descritas a presença de mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, sobressaliência e sobremordida. Foram registradas, também, as amplitudes da sobressaliência, da mordida aberta anterior e da sobremordida.

De acordo com os elementos dentários presentes no momento do exame, as crianças foram classificadas em 4 grupos: Grupo 1 - presença de incisivos decíduos; Grupo 2 - presença de incisivos e primeiros molares decíduos; Grupo 3 - presença de incisivos, caninos e primeiros molares decíduos; e Grupo 4 - presença da dentadura decídua completa.

As relações oclusais das crianças do maternal foram observadas e mensuradas com a criança em relação habitual, sempre com o cuidado de solicitar à mesma que abrisse e fechasse a boca diversas vezes, para que pudessem ser melhor identificadas essas características. Para o exame das crianças do berçário, a relação oclusal foi obtida por meio da manipulação da mandíbula da criança pela examinadora até a posição de máximo fechamento.

Critérios diagnósticos utilizados

• Sobremordida: analisou-se a distância vertical entre a borda incisal do incisivo central superior e a borda incisal do incisivo central inferior. Foram utilizados os seguintes critérios6: topo-a-topo - as bordas dos incisivos superiores e inferiores tocavam-se no plano vertical; leve - o trespasse vertical dos incisivos superiores limitava-se ao terço incisal dos inferiores; moderada - o trespasse vertical atingia o terço médio dos incisivos inferiores; exagerada - o trespasse vertical dos incisivos superiores atingia o terço cervical dos inferiores; negativa - mordida aberta anterior, não havia trespasse vertical entre os incisivos superiores e inferiores (a medição da mordida aberta anterior foi realizada considerando-se a distância entre as bordas incisais dos incisivos superiores e inferiores).

• Sobressaliência: foi considerada como a distância horizontal entre a borda incisal do incisivo central inferior e a porção incisal do incisivo central superior mais vestibularizado, sendo adotados os seguintes critérios6: topo-a-topo (quando as bordas incisais dos incisivos superiores contatavam com as dos incisivos inferiores); leve (sobressaliência positiva não excedendo 2mm); moderada (sobressaliência positiva de 2,1 a 4mm); exagerada (sobressaliência positiva incisal maior do que 4mm) ou negativa (mordida cruzada anterior).

• Mordida cruzada posterior: foi confirmada quando existia uma relação de sobressaliência vestibular inversa dos dentes superiores, de canino a segundo molar decíduo, com os seus antagonistas inferiores10.

Análise estatística

Para a análise dos dados, foram obtidas as frequências absolutas e percentuais (técnicas de estatística descritiva) e utilizados a técnica de intervalo de confiança para a prevalência estimada de má oclusão e o teste Qui-quadrado de independência de Pearson. Nas tabelas bivariadas, foi também apresentado o valor do Odds Ratio (OR) e um intervalo de confiança para essa medida.

O nível de significância utilizado nas decisões dos testes estatísticos foi de 5%. Os dados foram digitados no Microsoft Excel® e os softwares utilizados para a obtenção dos cálculos estatísticos foram o SPSS 11.0 (Statistical Package for the Social Sciences) e o SAS 8.0 (Statistical Analysis System).

 

RESULTADOS

Das 292 crianças examinadas, 131 pertenciam ao gênero feminino (44,9%) e 161 ao masculino (55,1%). Quanto à faixa etária, 21,2% tinham entre 12 e 24 meses, e 78,8% possuíam entre 25 e 36 meses de idade.

Na tabela 1, são apresentados os resultados da avaliação das relações dos arcos dentários segundo a presença ou ausência de mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. Nessa tabela, destaca-se que 40,7% das crianças apresentavam alguma dessas más oclusões, sendo a mais prevalente a mordida aberta anterior (35,6%). A mordida cruzada posterior foi observada em 5,1% das crianças.

 

 

A tabela 2 refere-se à classificação das crianças segundo o grupo de dentes presentes no momento do exame. Observa-se que 68,2% das crianças pertenciam ao grupo 4 e, em segundo lugar, com 17,5%, ficaram as crianças do grupo 3. Os menores percentuais foram encontrados nos grupos 1 e 2 (9,6% e 4,8%, respectivamente).

 

 

A tabela 3 mostra que a prevalência de mordida aberta anterior foi de 35,6%, sendo esse percentual bastante próximo entre os gêneros (36,0% entre os meninos e 35,1% entre as meninas), sem associação significativa entre o gênero e a ocorrência de mordida aberta anterior (p > 0,05 e intervalo para OR que inclui o valor 1,00). Em relação às faixas etárias, verifica-se um percentual de mordida aberta anterior 14,5% mais elevado na faixa etária de 25 a 36 meses (38,7% versus 24,2%); e a associação entre a faixa etária e a ocorrência de mordida aberta anterior revela-se significativa ao nível de 5,0% (p < 0,05 e intervalo para OR que não inclui o valor 1,00).

 

 

Dentre os valores observados para a amplitude da mordida aberta anterior, encontrou-se 0,5mm (mínimo) e 8mm (máximo), com média de 3,82mm.

O estudo da ocorrência de mordida aberta anterior segundo o grupo de dentes é apresentado na tabela 4, na qual é possível verificar que a prevalência de crianças com mordida aberta anterior foi menos elevada entre as crianças do grupo 1 e em segundo lugar, com 21,4%, entre as do grupo 2. A prevalência foi mais elevada entre as crianças do grupo 3, existindo associação fortemente significativa entre o grupo de dentes e a ocorrência de mordida aberta anterior (p < 0,05).

 

 

A tabela 5 apresenta a distribuição da amostra de acordo com a sobressaliência e a sobremordida e o grupo de dentes presentes. Nessa tabela, é possível verificar que a sobressaliência moderada apresentou maior percentual entre as crianças do Grupo 1 (42,9%). Entretanto, para a sobremordida moderada, o maior percentual foi registrado entre as crianças do Grupo 4 (27,1%).

 

 

DISCUSSÃO

Os resultados obtidos neste estudo foram semelhantes aos relatados na literatura6,12,20,27 no que diz respeito à prevalência da mordida aberta anterior e da mordida cruzada posterior (Tab. 1). No entanto, discordam dos encontrados por Karjalainen et al.13, que encontraram proporções equivalentes entre essas más oclusões.

Com relação à sobremordida (Tab. 1), as crianças apresentaram uma maior prevalência de mordida aberta anterior (35,6%), seguida da sobremordida moderada (24,7%) e da leve (23,3%). A sobremordida exagerada e a topo-a-topo representaram menores percentuais (15,4% e 1,0%, respectivamente). Tais resultados diferem dos observados por Castro et al.6, que verificaram ser a sobremordida exagerada a mais prevalente, com 26,6%. A prevalência de mordida aberta anterior, nesse estudo, foi maior do que a encontrada por Nanda et al.16, que foi de apenas 2,75%. Entretanto, para as demais classificações da sobremordida (leve, moderada, severa e topo-a-topo), os resultados foram compatíveis. Na presente pesquisa, foram encontradas frequências menores, entretanto com igual ordem de acometimento.

Ainda na tabela 1, observa-se que a sobressaliência moderada foi a mais prevalente (35,5%). A do tipo exagerada e a leve foram verificadas em 33,4% e 29,7%, respectivamente. Em apenas três crianças (1,0%), verificou-se a sobressaliência do tipo topo-a-topo e a mordida cruzada anterior em apenas uma (0,3%), resultados bastante diferentes dos relatados na literatura16. Crianças com sobressaliência leve (até 2mm) representaram 89,5% da amostra. A sobressaliência moderada foi encontrada em 7,5% das crianças e a severa em 0,5% delas.

A amplitude da sobressaliência foi descrita por diversos autores6,13, variando de 26,0% a 38,8% para a sobressaliência moderada e leve. Esses resultados são compatíveis com os obtidos na presente pesquisa.

Não foram observadas diferenças entre os gêneros nem ocorrência de mordida aberta anterior (Tab. 3).

No tocante à amplitude da mordida aberta anterior, a média obtida nesse estudo foi maior do que a descrita por Adair et al.1, que variou de 0,41 a 0,81mm.

Com relação à prevalência de crianças com mordida aberta anterior e o grupo de dentes presentes, observou-se que a mesma foi menos elevada entre as crianças do grupo 1, existindo associação fortemente significativa entre o grupo de dentes e a ocorrência de mordida aberta anterior (Tab. 4). Esses resultados concordam com os existentes na literatura6,7,27, que reportaram uma maior prevalência de mordida aberta anterior em relação à fase de desenvolvimento da dentadura decídua, observando um aumento significativo das más oclusões com a irrupção dos primeiros molares decíduos e elevação da dimensão posterior. Talvez essa associação explique por que as crianças da faixa etária de 25 a 36 meses apresentaram maior prevalência de mordida aberta anterior.

Considerando-se a epidemiologia das más oclusões, pode-se dizer que a população pesquisada apresentou uma alta prevalência de mordida aberta anterior e uma baixa prevalência de mordida cruzada posterior. Além disso, a associação entre a fase de desenvolvimento da dentadura decídua, no que se refere à irrupção dos elementos dentários, e a presença de mordida aberta anterior confirma a necessidade de um monitoramento precoce da oclusão de crianças de pouca idade3, para que possa ser estabelecido em programa de prevenção aos desvios da oclusão.

 

CONCLUSÃO

Diante dos resultados, pode-se perceber a necessidade de implantação de programas de prevenção e controle de más oclusões direcionados a crianças de faixas etárias menores, incluindo a orientação aos pais, com o objetivo de diminuir a prevalência de más oclusões já na primeira infância, para que essas alterações sejam interceptadas precocemente e não evoluam para as dentaduras subsequentes.

 

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Endereço para correspondência:
Alessandro Leite Cavalcanti
Av. Ingá, 124 - Manaíra
CEP: 58.038-250 - João Pessoa / PB
E-mail: dralessandro@ibest.com.br

Enviado em: janeiro de 2007
Revisado e aceito: julho de 2007

 

 

* Baseado em dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Odontologia da Universidade Federal da Paraíba