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Revista de Administração Contemporânea

versão On-line ISSN 1982-7849

Rev. adm. contemp. vol.8 no.3 Curitiba jul./set. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552004000300005 

ARTIGOS

 

Estudo do processo de inovação tecnológica no setor agroindustrial - estudos de caso na cadeia produtiva de leite fluido no sistema setorial de inovação da França(1)

 

 

Jean Philippe Palma Révillion; Antonio Domingos Padula; Luiz Carlos Federizzi; Orlando Martinelli Júnior; Vincent Mangematin

 

 


RESUMO

Essa pesquisa possui, como principal objetivo, contribuir para a compreensão da dinâmica associada à implementação de inovações tecnológicas no setor agroindustrial. A abordagem dos Sistemas Setoriais de Inovação (SSI) e o método de estudos de caso foram aplicados para avaliar o fenômeno de inovação tecnológica em agroindústrias processadoras de leite fluido no sistema setorial de inovação da França. O SSI da cadeia de leite fluido na França pode ser caracterizado pelas consistentes oportunidades de mercado, mas baixa apropriabilidade - em função da intensidade da concorrência vertical e spillovers - e fraca cumulatividade no nível da firma - decorrente da relevância do desenvolvimento externo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e das características da base de conhecimento acessada. Contudo as experiências inovadoras, descritas nos estudos de caso, demonstram que esses parâmetros podem ser flexibilizados com o aumento do nível de apropriabilidade (i) pelo pioneirismo associado com a exploração de ativos complementares discricionários, principalmente imagem de marca, ou (ii) pelo pioneirismo associado com o acesso a vantagens competitivas decorrentes do acúmulo de experiência em tecnologias incipientes.

Palavras-chave: inovação tecnológica; agroindústria; sistemas setoriais de inovação.


ABSTRACT

The aim of this study is to evaluate the dynamics related to the implementation of technological innovations in the food processing industry. We use case studies and the sectorial innovation system approach to give evidence about the innovation process carried out by fluid milk processors in the French sectorial innovation system. The SIS of fluid milk in France is characterized by a high level of market opportunities and low appropriability - considering the fiercely vertical competition and spillovers - and low cumulativity at the firm level - as a consequence of the external character of R&D sources and the characteristics of the knowledge base. Nevertheless, the innovative projects described in the case studies evidenced that those parameters can be relaxed with an increasing level of appropriability (i) as a consequence of pioneering associated with the exploration of complementary assets (especially brand image) or (ii) pioneering associated with tacit learning in the development of new technologies.

Key words: technological innovation; food industry; sectorial innovation system.


 

 

INTRODUÇÃO

Essa pesquisa possui, como principal objetivo, contribuir para a compreensão da dinâmica associada à implementação de inovações tecnológicas no setor agroindustrial. Em especial, busca-se considerar, de forma sistêmica, as inter-relações entre os principais fatores institucionais, competitivos, tecnológicos e organizacionais que configuram o processo de inovação e suas resultantes. As principais questões norteadoras do trabalho são: (i) O que leva as empresas agroindustriais a inovar? (ii) Como o processo de inovação se desenvolve nesse setor? (iii) Quais os principais determinantes envolvidos?

A abordagem dos Sistemas Setoriais de Inovação representa uma estrutura teórica, que integra a dinâmica neoschumpeteriana com aspectos relacionados ao desenvolvimento de fatores intra-organizacionais e tecnologia específicos, capaz de refletir as considerações sobre o processo de inovação nas cadeias agroindustriais.

Nesse particular, o objeto de estudo é o sistema setorial de inovação da França, relacionado com a cadeia produtiva de leite fluido, quefoi selecionado em função das intensas transformações de caráter estrutural, estratégico, organizacional e tecnológico do qual esse setor foi locus durante a década de 1990. Em especial, a aborda-se dinâmica de sucessão de diferentes trajetórias tecnológicas e a provável emergência de um novo paradigma tecnológico, na evolução do processamento baseado em tratamentos térmicos para um sistema de tratamento baseado em tratamentos físicos, que tornam essa cadeia de produção de especial interesse para a análise do avanço tecnológico no contexto agroindustrial.

A metodologia proposta é de caráter exploratório e qualitativo, considerando-se que a base de conhecimento da inovação organizacional no setor agroindustrial não permite, ainda, estabelecer relações de cunho mais específico. Aplicou-se o método de estudos de casos, a partir de um desenho de pesquisa que envolve uma unidade de análise, agroindústrias da cadeia de leite fluido que recentemente lançaram novos produtos e exploraram novos mercados, com múltiplos estudos de caso no sistema setorial de inovação da França.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

O Processo de Inovação Tecnológica no Setor Agroindustrial

Tradicionalmente, o setor agroindustrial é considerado um setor oligopolizado de baixo nível de investimento em P&D, dependente de avanços tecnológicos incrementais, cuja principal estratégia competitiva é baseada na fidelização do consumidor à marca e diminuição de custos (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996; Galizzi; Venturini, 1996). De fato, considerando-se o fim dos anos 80 no mercado europeu, a relação de investimento em P&D/faturamento foi relativamente baixa nas grandes agroindústrias européias (em torno de 0,5% contra 12% no setor farmacêutico e 8% no setor eletrônico) (Rama, 1999) e americanas, considerando-se o ano de 1991 (0,4% contra uma média de todas as manufaturas de 4,7%) (Connor e Schiek, 1997).

Ainda assim, o setor agroindustrial apresenta aspectos paradoxais: se de um lado é setor intensivo em propaganda e baixo investimento em P&D, por outro lado, é perceptível um crescente fluxo de lançamentos de novos produtos (Galizzi e Venturini, 1996) de alto valor agregado (Connor e Schiek, 1997), voltados a atender mercados exigentes e setores específicos (Grunert et al., 1997), o que propiciou a emergência das grandes empresas enfocadas em estratégias de diferenciação (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996; Galizzi e Venturini, 1996;Rama, 1999; Trail e Meulenberg, 2002).

De fato, o processo de concentração do setor de distribuição, com o aumento de seu poder de barganha, e a implementação de estratégias non-price, principalmente oferta de produtos com marca própria, geraram um processo de crescente concorrência vertical com o setor agroindustrial pelo lançamento de novos produtos e consolidação de marca. Esses mecanismos funcionam como máquina de inovação (Galizzi e Venturini, 1996; Hugues, 1996; Grunert et al., 1997), ao mesmo tempo que representam barreiras de entrada (Hugues, 1996).

Por outro lado, o atendimento de novos e sofisticados mercados pelo setor agroindustrial exige o desenvolvimento de novas tecnologias de processo e produto, oriundas, em grande parte, de organizações externas, como fornecedores de equipamentos e insumos, instituições públicas de P&D ou outros setores (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996;Connor e Schiek, 1997; Martinez e Burns, 1999; Trail e Meulenberg, 2002).

Essa situação de dependência tecnológica limita a apropriabilidade das inovações - dependente, principalmente, do pioneirismo (Galizzi e Venturini, 1996) - e torna crítica a capacidade das organizações de estabelecer inter-relações múltiplas com agentes externos (Christensen et al., 1996). Em visão menos favorável, esse contexto pode diminuir a propensão das empresas em inovar e favorecer estratégias de imitação (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996; Martinez e Burns, 1999).

Porém a absorção crescente de tecnologias avançadas oriundas de vários setores (biotecnologia, eletrônica, informática, comunicações, química de materiais, automatização, embalagens, instrumentos de precisão) faz com que o setor agroindustrial seja considerado como um carregador de inovações tecnológicas desenvolvidas em setores a jusante da cadeia produtiva (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996; Connor e Schiek, 1997). A complexidade desse processo extrapola os limites definidos pelo conceito de setor dominado por fornecedores; na realidade, o desafio de selecionar, implementar e integrar inovações tecnológicas, oriundas de diferentes disciplinas e bases científicas, exige a mobilização de competências e coordenação de parceiros diversificados (Galizzi e Venturini, 1996; Martinez e Burns, 1999).

No lugar de um tipo de modelo linear de mudança, dependente de desenvolvimentos a jusante, o modelo de inovação [no setor agroindustrial] é, agora, muito mais parecido com um modelo interativo com feedbacks. Essa mudança de ênfase - de tecnologia para o produto - tem permeado o sistema de produção (que faz face a um trade-off entre automação e flexibilidade) (Christensen, Rama e Von Tunzelmann, 1996).

Essa dinâmica setorial tende a favorecer as grandes agroindústrias, que concentram a maior parte dos investimentos setoriais em P&D (incluindo tanto o financiamento de programas internos como a terceirização em laboratórios externos) (Connor e Schiek, 1997). A relação entre a capacidade inovadora e o tamanho da empresa decorre da possibilidade de amortizar os sunk costs - investimentos em ativos tangíveis (equipamentos e plantas) e intangíveis (imagem de marca, conhecimento) específicos e necessários ao desenvolvimento de novos produtos, em ampla base de produção (Galizzi e Venturini, 1996).

Além disso, considerando-se os investimentos em propaganda e P&D como sunk costs endógenos ao setor agroindustrial (Sutton, 1991), sua importância na concentração setorial torna-se evidente, pois tende a aumentar o tamanho mínimo eficiente das empresas, representando uma barreira de entrada eficaz (Connor, 1981; Galizzi e Venturini, 1996; Connor e Schiek, 1997).

De fato, as grandes empresas multinacionais (EMN) do setor agroindustrial desempenham um papel muito importante no desenvolvimento de inovações no mercado mundial (Christensen, Rama e Von Tunzelmann, 1996). As cem principais multinacionais voltadas à produção de alimentos e bebidas responderam por 51,3% das inovações patenteadas no setor no período de 1977-1994 (Alfranca, Rama e Von Tunzelmann, 2002).

Essa tendência só pode ser compensada nas pequenas e médias empresas (PME) pela implementação de estratégias de nicho, cuja sustentabilidade depende da construção de recursos e capacitações qualificados (Galizzi e Venturini, 1996) e um contexto de mercados crescentes e diversificados (Connor e Schiek, 1997). Em especial, a sobrevivência das PME agroindustriais parece ser fundamental na manutenção de um ambiente concorrencial favorável ao desenvolvimento de inovações: existem evidências de que as grandes agroindústrias tendem a ser mais inovadoras, quando sofrem concorrência de empresas menores (Galizzi e Venturini, 1996).

É necessário considerar, porém, a indiscutível importância das EMN no direcionamento da investigação científica no setor e na configuração do perfil de relações entre esse setor e os setores fornecedores de tecnologia a jusante. Esse fato pode configurar uma desvantagem nacional de países que não possuem forte representação de empresas na liderança do setor agroindustrial mundial, condenando as empresas domésticas a estratégias de imitação e favorecendo a adoção de tecnologias importadas não completamente adaptadas às necessidades das empresas do país (Christensen; Rama e Von Tunzelmann, 1996).

 

METODOLOGIA

A Abordagem de Sistema Setorial de Inovação - SSI

O conceito de um SSI (Breschi e Malerba, 1997) envolve o sistema de agentes setoriais que, por meio de mecanismos de interação, cooperação e concorrência no desenvolvimento de inovações tecnológicas, atuam na geração, desenvolvimento e utilização de processos e produtos.

Os limites do SSI aproximam-se do conceito de sistemas tecnológicos, enfatizando uma tecnologia específica. Porém, além de considerar as relações verticais e horizontais entre os agentes envolvidos no desenvolvimento de novas tecnologias, o conceito de SSI prioriza a consideração explícita das relações competitivas das firmas e o papel seletivo do ambiente (Breschi e Malerba, 1997). O Quadro 1 relaciona os principais elementos utilizados para a análise do SSI considerados nessa pesquisa.

 

 

Além disso, algumas questões podem ser exploradas no estudo da co-evolução dos SSI, envolvendo tecnologia, demanda, base de conhecimentos, processos de aprendizagem e agentes, a partir de uma perspectiva histórica (Breschi e Malerba, 1997): (i) Existem designs dominantes ou fenômeno de path dependency? (ii) Qual o impacto das descontinuidades tecnológicas e descontinuidades na demanda na sobrevivência e entrada de empresas? (iii) Como os agentes inovadores se estabeleceram e quais as características em relação à taxa, tipo e determinantes da entrada? (iv) Quais as novas competências, formas organizacionais e estratégias desenvolvidas pelos agentes inovadores? (v) Existiu adaptação ou mudança brusca? (vi) Como as características setoriais afetaram essa dinâmica? (vii) a rede de relacionamentos é estável ou evolui rapidamente? Em qual direção?

O Método de Pesquisa

O método de estudos de caso é especialmente útil e eficaz para compreender, de forma exploratória, o fenômeno da inovação no setor agroindustrial (Westgren e Zering, 1998).

Essa pesquisa propõe-se a ampliar o conhecimento atual sobre o fenômeno de inovação no setor agroindustrial por meio da confrontação da base teórica estabelecida sobre a questão, em face das observações empíricas, levantadas em casos relevantes. A aspiração deste trabalho é o de desenvolver novos conhecimentos sobre a questão, por meio do espelhamento entre teoria e observação empírica.

O desenho de pesquisa adotado enfoca uma unidade de análise (o processo de inovação desenvolvido por agroindústrias que, recentemente, lançaram novos produtos e conquistaram novos mercados no mercado de leite fluido), através de múltiplos estudos de caso. Essa configuração é especialmente útil e robusta na confrontação da base teórica, onde cada caso é selecionado pelo pesquisador para evidenciar resultados/observações contrastantes/divergentes (Yin, 1994). A análise de casos múltiplos permite ilustrar a variedade de formas e estratégias organizacionais desenvolvidas em um setor, sem preocupar-se com a mensuração de sua incidência (Westgren e Zering, 1998).

Nesse sentido, considerando-se os objetivos da pesquisa, selecionaram-se, para os estudos de caso, agroindústrias que desenvolveram e implementaram, recentemente, inovações de produto/processo no mercado de leite fluido na França (Quadro 2). Essa condição foi determinada a partir da detecção de novos produtos no mercado, que servem como indicadores do processo de inovação (D'Hauteville, Bardou e Codron, 1996).

 

 

Nessa pesquisa, buscou-se uma replicação teórica (Yin, 1994), quando se separaram os casos, considerando dois perfis de organizações diferentes (PME e EMN) e duas trajetórias tecnológicas (sistema de produção de leite orgânico e tecnologia de microfiltração do leite) - aspectos de impacto sobre o processo de inovação e seus resultantes.

Os dados obtidos em fontes secundárias serviram de base para a construção de um quadro analítico da dinâmica setorial capaz de permitir a compreensão dos fatores associados à inovação no setor processador de leite fluido na França.

De forma complementar, foram realizadas entrevistas em profundidade, tanto com os gerentes e técnicos responsáveis pela seleção, implementação e exploração de inovações tecnológicas nas agroindústrias consideradas, como com especialistas externos à organização: pesquisadores de instituições públicas, técnicos de associações de classe, representantes de organismos governamentais. A estrutura de abordagem definida para guiar as entrevistas semi-estruturadas é baseada no Quadro 1.

 

RESULTADOS

Aspectos do SSI Associados à Produção de Leite UHT Orgânico

A agricultura orgânica foi reconhecida oficialmente na França pelo Ministério da Agricultura, em 1981. Contudo somente em 1996, para os produtos de origem animal foi estabelecida uma normatização completa, com o desenvolvimento de um selo de qualidade oficial e a homologação de organismos independentes de certificação (Belon et al., 2000).

Os elementos balizadores da produção de lácteos orgânicos são de caráter, preponderantemente restritivo (não utilização de determinados insumos e restrição de algumas práticas no controle sanitário do rebanho), o que garante amplo espaço empírico para a evolução técnica a partir de iniciativas individuais (Marchand, 2002). De fato, o sistema de produção orgânico vale-se de um conjunto de práticas empíricas cujo domínio técnico é desigual entre os agentes produtivos e cuja validação científica é limitada (Belon et al., 2000). Complementarmente, esse sistema de produção adota princípios ecológicos, sociais e humanísticos diferenciadores (Belon et al., 2000).

A limitação na exploração de economias de escala é um dos principais fatores associados aos maiores custos desse sistema de produção, em face do sistema tradicional, além dos custos inerentes à certificação (Sylvander, 2000). De fato, patamares de produção em torno de 14% inferiores à cota de produção permitida indicam um problema crônico e importante (ONILAIT, 2002), que se estende, também ao setor agroindustrial, representado, em sua maioria, por empresas que processam volumes muito mais importantes de leite convencional, e que por isso muitas vezes não dispõem de equipamentos adequados aos pequenos lotes (Richard; Sylvander, 1997).

Durante a década de 1990, houve forte expansão do interesse e investimento na produção orgânica de alimentos, em função da crescente demanda que começa a ser atendida por meio do grande varejo. Atualmente, a União Européia (EU) representa o principal mercado desses produtos, respondendo por 45,2% do consumo mundial: o faturamento bruto anual do setor atinge 6 bilhões de euros (Sylvander e Le Floc'h-Wadel, 2000).

A reforma da Política Agrícola Comum (PAC) de 1992 introduziu subsídios para produtores orgânicos, o que aumentou sua oferta (Sylvander, 2000). Mesmo assim, em face de uma situação de oferta muito deficitária na década de 1990, a França estabeleceu um plano de desenvolvimento para a produção orgânica em 1998, aumentando os subsídios para a reconversão, coordenação regional e pesquisa (Sylvander, 2000); esses mecanismos possuem efeito muito importante na expansão da base de produção (ONILAIT, 2002).

Entre 1997 e 2001, a produção de lácteos orgânicos na França passa de 51 para 160 milhões de litros, o que corresponde a 0,5% da coleta total de leite. Entre 1998 e 2001, o número de unidades produtivas de leite orgânico passou de 440 produtores para 1145 (ONILAIT, 2002). O leite fluido representa a principal categoria de produto lácteo orgânico; esse segmento respondeu por 72,4% da produção em 2001, equivalente a 3% da produção total de leite fluido (ONILAIT, 2002). Desse segmento, 60% do volume total é processado como leite UHT (Marchand, 2002). A produção nacional é fortemente concentrada na região oeste da França (Bretanha, Loire e Baixa Normandia), que responde por mais de 60% do total (Richard e Sylvander, 1997; ONILAIT, 2002).

A importante evolução de mercado de produtos lácteos orgânicos na França transformou o perfil dos agentes processadores: de agroindústrias artesanais, no início da década de 1990, para grandes grupos não especializados na produção orgânica, que buscam somente complementar sua linha de produtos tradicionais, como no caso do leite UHT (Sylvander, 2000).

As empresas que dominam o processamento de leite UHT orgânico na França desfrutam de marcas consolidadas e de amplo acesso ao mercado, o que lhes permitiu explorar rapidamente o crescente mercado de produtos orgânicos, principalmente dos consumidores do grande varejo. Lactel Bio, do grupo LACTALIS e Candia Biolait e Nactalia, do grupo SODIAAL, respondem, respectivamente, por 56,8% e 22,4% do mercado de leite UHT orgânico, comercializados quase que exclusivamente no grande varejo nacional e na UE (Richard e Sylvander, 1997).

Contrapondo-se a uma tendência de desequilíbrio de forças entre o segmento processador e produtor, uma parcela desse último organizou-se em associações (Groupement d'Intérêts Economiques-GIE) que assumem, contratualmente, a coleta de leite de seus aderentes e negociam a venda do produto aos primeiros. Essa iniciativa cooperativa permitiu, de um lado, compartilhar os altos custos inerentes à coleta de pequenos volumes de leite e/ou em longos circuitos e, de outro, aumentar o poder de barganha em face de segmento agroindustrial, situação possível diante do mercado nacional deficitário.

Contudo as agroindústrias engajaram-se em uma estratégia de incentivo à reconversão de novos produtores, oferecendo auxílios financeiros durante o período de reconversão e a prestação de serviços técnicos, de maneira a aumentar a base de oferta própria (Richard e Sylvander, 1997). Atualmente, uma conjuntura de desequilíbrio entre a oferta e a demanda do mercado de leite orgânico na França obriga as GIE's a entregar 40% da produção orgânica ao preço do produto convencional (TRANSRURAL, 2002).

A oferta de produtos orgânicos e, em especial da linha UHT orgânica, é uma estratégia que agrega valor à marca da agroindústria e aumenta seu poder de barganha em face das redes de supermercados, que valorizam a possibilidade de oferecer linhas completas de produtos em cada categoria (Sylvander, 2000). Em 2001, em torno de 90% dos produtos lácteos orgânicos produzidos na França foram comercializados no grande varejo, contra 10% em lojas especializadas.

A oferta de marcas próprias pelo varejo, a preços em média 20% inferiores às marcas das agroindústrias, já representa quase um quarto da oferta de leite fluido orgânico (ONILAIT, 2002).

O grande varejo atende os novos consumidores, que representam em torno de 50% do mercado orgânico: eles estão mais preocupados com a saúde e o bemestar, apreciam a disponibilidade do produto e são sensíveis ao preço, à qualidade organoléptica do produto e aos serviços associados: informação nas etiquetas, vida de prateleira, praticidade da embalagem. Essa última categoria cresce de importância desde a década de 1990, processo acelerado nos últimos anos pelas crises que o sistema tradicional de produção de alimentos têm enfrentado, para eles é importante a certificação do sistema produtivo e a identificação dos produtos por selos (Sylvander, 2000).

O mercado pertinente dos produtos orgânicos é aquele da alimentação saúde, que valoriza a ausência de resíduos de pesticidas; e/ou aquele da alimentação respeitosa do ambiente (Gil, Gracia e Sánchez, 2000). Contudo é importante notar que, considerando os principais parâmetros físico-químicos e microbiológicos do leite, não é possível diferenciar o produto obtido no sistema convencional daquele obtido no sistema orgânico (ONILAIT, 2002; Toledo, Andrèn e Björck, 2002).

Aspectos relacionados à interface empresa-ambiente

A empresa tenta limitar ao máximo a necessidade de contar com fontes de expertise externa. A ONILAIT foi uma organização importante para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva. Para o grande varejo é extremamente importante contar com um produto diferenciado que agrega a imagem de marca da rede. Além disso, é notório que as margens do varejo sobre o produto são muito mais elevadas do que os outros produtos lácteos; contudo essas particularidades não deram ensejo à consolidação de relações mais cooperativas entre a agroindústria e a distribuição. Na verdade, "as relações melhoraram no plano comercial", sem que isso se tenha traduzido em iniciativas de cooperação, por exemplo, para desenvolver novos produtos mais adequados ao desejo dos consumidores. Porém existe um comportamento diversificado das redes de varejo no que tange ao compartilhamento de dados sobre o comportamento do consumidor, coletados no ato da compra: "dependendo da rede, as informações de consumo no caixa podem ser repassadas". A relação conflitiva com as cooperativas independentes de produtores GIE são atribuídas, em parte, a um aumento da oferta de matéria prima (primeiro semestre de 2002) no mesmo momento em que ocorreu uma retração de consumo, o que explica a crise da principal GIE da França, BIOLAIT. Na visão da empresa, esse conflito não possui o potencial de prejudicar a evolução do consumo ou a imagem de LACTEL: "o consumidor não está a par das relações entre setor agroindustrial e produtores; mesmo se estivesse, eles não ligam se nós nos engalfinhamos".

 

 

Aspectos do SSI Associado à Cadeia de Produção de Leite Microfiltrado (MF)

A técnica de microfiltração é conhecida há décadas, tendo sido introduzida comercialmente em 1929. Contudo avanços técnicos recentes, empreendidos pela empresa Tetra Laval e pelo Laboratório de Pesquisa em Tecnologia de Laticínios da unidade INRA de Rennes, permitiram sua aplicação industrial no processamento de leite fluido (Maubois, 2002).

Na categoria de leites fluidos, a tecnologia de microfiltração representa uma alternativa aos tratamentos térmicos aplicados no leite para a eliminação da flora patogênica (Saboya e Maubois, 2000), para obtenção de um leite fluido não esterilizado de vida de prateleira estendida (Maubois, 1997). Esses produtos associam as vantagens organolépticas do leite pasteurizado, em relação ao UHT e esterilizado, com a praticidade de um produto de vida de prateleira relativamente mais longa do que o produto pasteurizado, mas sem a vantagem da distribuição na temperatura ambiente do leite UHT.

Essa é uma tendência importante na França, onde a oferta de produtos resfriados é um fator de diferenciação entre as redes de hipermercados (Steenkamp, 1997); os consumidores associam produtos de baixa temperatura com qualidade, e mais de 90% entre eles visitam essa prateleira na ida a um hipermercado (D'Hauteville, Bardou e Codron, 1996).

O leite Marguerite® é o primeiro leite MF produzido na França pela Coopérative Laitière de Villefranche, a partir da mistura de creme (nata) termotratado (95ºC/20s) e leite desnatado MF (membrana com tamanho de poro de 1,4 μm), seguido de envase asséptico em garrafas plásticas. Legalmente, o produto é considerado leite cru. A vida de prateleira autorizada, a 4-6ºC, é de 15 dias, contra 3 dias para o leite cru não MF (Maubois, 1997).

Uma grande empresa do setor agroindustrial deve lançar na França um leite MF em membrana com tamanho de poro de 0,5 μm e termotratado a 96ºC/6s seguido de envase asséptico (processo desenvolvido pela unidade INRA de Rennes em parceria com a empresa Tetra Pak), com uma vida de prateleira de 4 a 6 meses e perfil organoléptico muito próximo do leite pasteurizado (Maubois, 2002), o que pode tornar essa tecnologia paradigmática para essa cadeia produtiva.

 

 

DISCUSSÃO

O Sistema Setorial de Inovação da cadeia de produção de leite fluido na França caracteriza-se por alto nível de oportunidade, tendo em vista a disponibilidade de um mercado consumidor relevante (Cniel, 2002), diversificado (Broussole et al., 1994; Richard e Sylvander, 1997) e um sistema estruturado de financiamento e apoio às atividades inovadoras (Christensen, Rama e Von Tunzelmann, 1996). Existe, também, uma rica variedade de agentes, especialmente os fornecedores domésticos de equipamentos e os institutos de ensino e pesquisa especializados, capazes de ofertar e desenvolver ampla gama de soluções tecnológicas inovadoras (Christensen, Rama e Von Tunzelmann, 1996), o que se exprime pela emergência de variantes tecnológicas pré-paradigmáticas, como as tratadas nos estudos de caso, cujas fontes podem originar-se tanto de avanços científicos aplicados, como de desenvolvimentos de P&D empreendidos, em conjunto ou isoladamente, pelas empresas ou fornecedores tecnológicos.

Essa base institucional é sustentada pelas inúmeras complementaridades dinâmicas que caracterizam esse SSI na França, concentrado na região da Bretanha, e que favorecem as cadeias produtivas de lácteos. Essa região concentra uma diversificada amostra de empresas lácteas, desde empresas voltadas à produção em escala de commodities até PME, que elaboram especialidades de alto valor agregado para nichos de mercado; fornecedores de matéria prima, equipamentos de processo, embalagens, serviços técnicos especializados e instituições de ensino e pesquisa. Os spillovers desse sistema beneficiaram, de forma decisiva, as organizações enfocadas nos estudos de caso.

Além disso, a forte atuação exportadora do setor lácteo francês (ONILAIT, 2002), a presença de EMN líderes, de origem doméstica, e a crescente exploração de economias de escala na produção e processamento são fatores favoráveis à manutenção da competitividade e capacidade inovadora desse setor.

Esse elevado nível de oportunidade é amplificado nas cadeias produtivas do leite UHT orgânico e MF, considerando-se: (i) o crescimento da demanda desses produtos de alto valor agregado (Marchand, 2002; Sylvander, 2000); (ii) o acesso a subsídios para a produção de leite orgânico (Sylvander, 2000) e a disponibilidade de linhas de crédito para o investimento em P&D de tecnologias de processo de leite MF; (iii) a riqueza de soluções tecnológicas disponíveis; (iv) a alta pervasividade dos conhecimentos relacionados com a produção orgânica e com a microfiltração do leite, ambos aplicáveis a outros produtos e ingredientes lácteos. Esses elementos, associados com a consolidação de uma estrutura institucional sólida, que permitiu o reconhecimento nacional de um selo oficial de qualidade, (Belon et al., 2000), compensam, no caso da produção orgânica, as deseconomias de escala na produção e processamento (Richard; Sylvander, 1997) e a subjetividade dos critérios de diferenciação do produto.

Por outro lado, esse SSI é emblemático pelo grau de concorrência vertical estabelecido entre o segmento agroindustrial e o segmento de distribuição. De fato, o elevado grau de concentração e a disseminação de estratégicas competitivas verticais, como o lançamento de novos produtos com marcas próprias (Hugues, 1996), capacitam as grandes redes de varejo a efetuar forte pressão nos segmentos a montante, no sentido de apropriar uma parcela crescente da renda gerada nessa cadeia produtiva (Drescher e Maurer, 1999) e, ao mesmo tempo, ameaçar o deslocamento das gôndolas de produtos com marca de agroindústria.

Essa estrutura concorrencial sinaliza a limitação da apropriabilidade das inovações geradas no segmento agroindustrial, tanto pelo risco de imitação dos lançamentos das EMN pelo grande varejo, como pela possibilidade de rápida apropriação de variantes tecnológicas, aperfeiçoadas por PME, pelas EMN (D'Hauteville, Bardou e Codron, 1996). O elevado grau de externalidades tecnológicas disseminadas por fornecedores tecnológicos e instituições públicas de ensino e pesquisa, especialmente importantes no caso do leite MF, e mesmo por associações de classe, como a Fédération Nationale d'Agriculture Biologique des Régions de France-FNAB no caso de leite orgânico, indicam restrições no nível de apropriabilidade que o setor processador de lácteos pode acessar.

Porém a expertise relacionada à busca de um processo de inovação contínua nas agroindústrias e o conhecimento sobre o consumidor de alimentos são capacitações que ainda garantem vantagens competitivas no setor de laticínios europeu. Isso permite que existam espaços de apropriação que garantam a sustentabilidade de empreendimentos inovadores e pioneiros, tanto para as PME, com o resguardo de segredos industriais sobre a adaptação de novas tecnologias instrumentais para a rápida exploração de novos nichos de mercado, como no caso do leite MF, como para as EMN, que detêm o controle de ativos complementares, especialmente imagem de marca, linha completa de produtos e acesso privilegiado à grande distribuição, como no caso do leite UHT orgânico.

O SSI da cadeia de produção de leite fluido na França também se caracteriza por elevada cumulatividade no nível do setor, pela base de conhecimentos de fácil acesso, e uma baixa cumulatividade, a priori, tanto no nível tecnológico, com oferta de sistemas tecnológicos prontos, tipo plantas chave em mãos, como no nível da firma. Evidentemente, essa tendência é revertida, quanto mais incipiente for a tecnologia considerada, o que evidencia o trade-off entre apropriabilidade e cumulatividade, em nível da firma, e custos de P&D. Nesse mesmo eixo de raciocínio, pode-se concluir que, quanto mais recente e incerta a trajetória tecnológica considerada, mais forte é o caráter tácito e específico da base de conhecimentos pertinente e mais importante a natureza cognitiva dos processos de aprendizagem e, a priori, mais apropriável e cumulativo ao nível da firma.

No caso do leite MF, a cumulatividade no nível tecnológico decorre da necessária adaptação dos parâmetros processuais às características microbiológicas da matéria prima: tanto a eficácia do processo de retenção de bactérias como a manutenção das qualidades organolépticas do produto dependem do tamanho médio das espécies de bactérias presentes no leite e de sua capacidade de liberar enzimas proteolíticas e lipolíticas. Assim, é possível prever que tanto a carga térmica aplicada, como o nível de ação residual de enzimas de degradação no leite, dependem do tipo de microbiota presente na matéria prima, o que torna o ajuste fino dessa tecnologia particular a cada região, e estação do ano. Essas particularidades configuram uma base de conhecimento de caráter tácito e específico que podem representar vantagens competitivas diferenciais para os pioneiros na adoção dessa tecnologia em função de sua apropriabilidade elevada.

Essa mesma importância da cumulatividade no nível tecnológico - e especificidade - estão presentes na produção de lácteos orgânicos. Contudo, como se demonstra no estudo de caso do leite UHT orgânico, a agroindústria enfocada considera que essa é mais uma situação clássica de inovação de produto, a filosofia subjacente ao sistema de produção orgânico não representa nova orientação estratégica para essa organização. Além disso, o grande potencial de apropriabilidade do sistema de produção orgânico, base de conhecimento de caráter tácito e importância dos processos cognitivos de aprendizagem, é anulado pelo principio elementar desse sistema, que é o de difundir, ao máximo, sua base de oferta, o que, quando descolado da dinâmica de demanda, leva à perda de valor da matéria prima.

Na verdade, no caso de produção de leite UHT orgânico, as barreiras à imitação foram erguidas em função do pioneirismo da iniciativa e da exploração de ativos complementares da agroindústria inovadora, em especial da força de sua marca, de sua capacidade de investir em propaganda, da oferta de uma linha completa de produtos e do acesso privilegiado às grandes redes de varejo. Como se relata no estudo de caso, a sinergia entre a confiança à marca comercial da empresa e o sistema de produção orgânico, em um contexto de forte incerteza e insegurança no consumo de alimentos na Europa, foram suficientes para fidelizar o consumidor mesmo após a reação da concorrência.

 

CONCLUSÕES

As principais evidências, emergentes na análise desse Sistema Setorial de Inovação, apontam para a existência de dinâmicas setoriais diferentes e quase estanques. De um lado, no mundo das PME, o alto nível de oportunidades e o moderado grau de apropriabilidade das novas tecnologias - importância de spillovers e limite temporal relacionado com a adaptação de novas tecnologias - incrementa o grau de instabilidade hierárquica entre as firmas e favorece a entrada de novos inovadores, o que restringe a tendência de concentração setorial. Essa dinâmica de destruição criativa - o modelo Schumpeter Mark I, descrito por Breschi e Malerba (1997), mantém-se no espaço das franjas dos oligopólios setoriais e na fase inicial dos ciclos tecnológicos, antes da consolidação de designs dominantes.

No mundo das EMN, a exploração de ativos complementares, como a imagem de marca e economias de escopo erigem barreiras de entrada que restringem a concorrência de firmas inovadoras de menor porte. Essa configuração estabiliza a hierarquia entre as empresas líderes e favorece a concentração setorial. Também é possível perceber que, em face da concorrência vertical com o grande varejo, a busca de incrementar a apropriabilidade das novas tecnologias, como a nova variante de MF, estimula a busca de capacitações cumulativas firma-específicas. Essa tendência pode sinalizar um padrão de evolução Schumpeter Mark II, que favoreça a acumulação criativa.

De maneira geral, o SSI da cadeia de leite fluido na França poderia ser caracterizado por consistentes oportunidades de mercado, mas baixa apropriabilidade, em função da intensidade da concorrência vertical e spillovers e fraca cumulatividade no nível da firma, decorrente da relevância do desenvolvimento externo de P&D e das características da base de conhecimento acessada. Contudo as experiências inovadoras descritas nos estudos de caso demonstram que esses parâmetros podem ser flexibilizados com o aumento do nível de apropriabilidade: (i) pelo pioneirismo associado com exploração de ativos complementares discricionários, principalmente imagem de marca; ou (ii) pelo pioneirismo associado com o acesso a vantagens competitivas decorrentes do acúmulo de experiência em tecnologias incipientes.

 

NOTAS

1 Essa pesquisa contou com o apoio da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.

 

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Jean Philippe Palma Révillion, É Doutorando em Agronegócios pelo Programa de Pós-Graduação em Agronegócios do Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor Assistente do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRGS. Suas áreas de interesse em pesquisa envolvem a pesquisa do processo de inovação no setor agroindustrial com ênfase na implementação de estratégias organizacionais e políticas públicas.
Endereço: Rua Casemiro de Abreu, 1549, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP 90420-001. E-mail: jeanpr@cpovo.net

Antonio Domingos Padula, É Doutor em Administração de Empresas pela Université de Sciences Sociales de Grenoble (França). Professor Adjunto da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Suas áreas de interesse em pesquisa envolvem a análise do impacto da inovação tecnológica nas organizações e setores produtivos.
Endereço: Avenida João Pessoa, 31, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP 90040-000. E-mail: adpadula@adm.ufrgs.br

Luiz Carlos Federizzi, É Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas pela University of California. Professor Titular da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Suas áreas de interesse em pesquisa envolvem empreendedorismo e inovação tecnológica no agronegócio.
Endereço: Avenida João Pessoa, 31, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP 90040-000. E-mail: federizi@ufrgs.br

Orlando Martinelli Júnior, É Doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Suas áreas de interesse em pesquisa envolvem a análise do impacto da inovação tecnológica nas organizações e setores produtivos.
Endereço: Avenida João Pessoa, 31, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP 90040-000. E-mail: orlando.martinelli@ufrgs.br

Vincent Mangematin, É Doutor em Administração de Empresas pela Université Paris IX (França). Diretor da unidade de Grenoble (França) do Institut Nationale de Recherche Agricole (INRA). Suas áreas de interesse em pesquisa envolvem a análise do impacto da inovação tecnológica nas organizações e setores produtivos.
Endereço: Université Pierre Mendès France, BP 47, 38040, Grenoble Cedex 9, França. E-mail: vincent.mangematin@grenoble.inra.fr