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Revista de Administração Contemporânea

versão On-line ISSN 1982-7849

Rev. adm. contemp. vol.21 no.6 Curitiba nov./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1982-7849rac2017160284 

Artigo

As Organizações e a Felicidade no Trabalho: Uma Perspectiva Integrada

Organizations and Happiness at Work: An Integrated Perspective

Gisela Sender1 

Denise Fleck1 

1Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo

A despeito do grande número de estudos relacionados à felicidade derivada do trabalho nas organizações, estes são dispersos, divergentes e, portanto, pouco conclusivos. Isto traz dificuldades para a evolução da pesquisa sobre este tópico e para a tomada de decisões no dia a dia quanto ao tema nas empresas. Tomando por base uma revisão de literatura abrangente, este artigo propõe uma perspectiva que engloba o conhecimento desenvolvido sobre o assunto até o momento. Para tanto, parte de três questões: como se define felicidade no trabalho; o efeito da felicidade no trabalho nos resultados das empresas; e o que torna os indivíduos felizes no trabalho. A proposta de perspectiva integrada utiliza os princípios de Kahneman e Riis (2005), concentrando-se principalmente nos antecedentes da felicidade no trabalho e seus possíveis impactos no comportamento do indivíduo na organização.

Palavras-chave: felicidade no trabalho; satisfação; motivação; bem-estar; antecedentes

Abstract

Despite the large number of studies on happiness at work in organizations, they are disperse and divergent and thus inconclusive. This makes the evolution of research on this topic and practicioners’ decision-making regarding the happiness at work difficult. Based on a comprehensive literature review, this article proposes a perspective that encompasses the knowledge developed so far. To do so, it explores three issues: how happiness at work has been defined; the impact of happiness at work on organizational performance; and, what makes people happy at work. The integrated perspective this paper advances draws on the principles from Kahneman and Riis (2005), mainly focusing on antecedents of happiness at work and their impact on individual behavior in the organization.

Key words: happiness at work; job satisfaction; motivation; well-being; antecedents

Introdução

O pesquisador de organizações que decide estudar o tema felicidade no trabalho encontra questionamentos que, segundo Saks e Gruman (2014), até hoje não têm respostas conclusivas. Ainda não está bem definido na literatura o que é a felicidade no trabalho e como esta pode ser medida (Spicer & Cederström, 2015). Também não se conhece seu real efeito nos resultados das empresas; nem se sabe ao certo o que a causa e nem qual é o papel das ações das organizações na obtenção de tal felicidade por parte dos indivíduos (Saks & Gruman, 2014).

A falta de respostas conclusivas a estas questões não está ligada a um número reduzido de pesquisas no tema. Ao contrário, existe uma vasta literatura sobre o assunto, porém esta é difusa e desfocada (Danna & Griffin, 1999) e de difícil generalização (Sant'anna, Paschoal, & Gosendo, 2012), não havendo, portanto, uma unidade de conceitos nem uma convergência de resultados. Essa falta de alinhamento faz com que os acadêmicos não produzam conhecimento consistente que possa contribuir para a evolução do entendimento geral do assunto e auxiliar os gestores em relação ao tema.

Sendo assim, o objetivo deste artigo é propor uma perspectiva dos antecedentes da felicidade no trabalho nas organizações e suas consequências no comportamento dos indivíduos abrangendo o conhecimento gerado até o momento, de forma a ajudar a direcionar a evolução da pesquisa das organizações nesse assunto. Para isso, o estudo parte de três questionamentos: (a) como se define a felicidade no trabalho; (b) qual o efeito da felicidade no trabalho nos resultados das empresas; e (c) o que faz com que os indivíduos sejam felizes no trabalho.

A próxima seção descreve os procedimentos metodológicos da revisão de literatura. As seções seguintes abordam os três questionamentos acima, respectivamente: as principais noções associadas à felicidade no trabalho; os impactos da felicidade no trabalho para as organizações; e os aspectos que influenciam a felicidade no trabalho, compreendendo antecedentes que se originam tanto no indivíduo quanto na organização. Por fim, apresenta-se uma proposta de perspectiva integrada do conhecimento produzido até o momento, seguida da discussão das implicações do estudo para a pesquisa e para a prática.

Procedimentos Metodológicos

A revisão de literatura que serviu de base ao presente trabalho se realizou em duas etapas. Com o objetivo de traçar um panorama o mais abrangente possível sobre o tema, a primeira etapa teve um caráter exploratório, a partir da literatura de diversas disciplinas, com artigos de periódicos de Administração (Gestão, Comportamento Organizacional e RH), Psicologia, Economia, Sociologia, Engenharia de Produção e áreas menos correlatas (Marketing e Operações). Esta etapa compreendeu os seguintes passos:

  1. Busca do termo felicidade no trabalho e seu equivalente em inglês happiness at work nas bases de dados EBSCOhost, ProQuest, Google Scholar e ScienceDirect, por ordem de relevância, obtendo-se artigos que serviram como ponto de partida.

  2. Aplicação de uma abordagem do tipo snowball – normalmente aplicada à amostragem, caracterizase pelo uso de um conjunto inicial de dados como uma base para localizar novas fontes de dados (Given, 2008), buscando as referências mais citadas (visando cobrir os principais estudos de cada tema) e outras palavras-chave frequentes relacionadas ao tema.

Em função da ampla abrangência identificada na primeira etapa, a segunda consistiu em quantificar o uso dos conceitos encontrados na literatura e que servem de base para os estudos, a partir da consulta a artigos das bases de dados da Elsevier, utilizando os respectivos termos, em qualquer data e disciplina.

Conceituando a Felicidade no Trabalho

Contexto

No século XVIII, Adam Smith, pai do capitalismo industrial, declarou que é da natureza humana abominar o trabalho e, portanto, os indivíduos seriam naturalmente preguiçosos e só trabalhariam por dinheiro (Smith, 1776). Essa ideia influenciou todo o modo de pensar sobre as relações de trabalho nos séculos seguintes (Ariely, 2013; Schwartz, 2015a, 2015b; Smith, 1776; Spencer, 2014).

No final do século XIX e início do século XX, as ideias de Adam Smith ajudaram a moldar o movimento de administração científica, desenvolvido por Frederick W. Taylor, que tinha como objetivo criar um sistema eficiente de manufatura através da fragmentação do trabalho, redução da demanda de habilidades, alto controle e separação entre conceito e execução (Taylor, 1990).

Um pouco mais tarde, os estudos de Hawthorne (fábrica da Bell Telephone Western Electric, em Chicago) tornaram-se, segundo Brannigan e Zwerman (2001), a mais importante investigação da dimensão humana nas relações industriais no início do século XX. Precisando lidar com um crescimento de demanda sem precedentes, a empresa criou uma divisão de pesquisa para conduzir experimentos sobre os efeitos de várias condições de trabalho na produtividade. No experimento de iluminação, mesmo quando esta era reduzida, os resultados melhoravam, indicando que as mudanças físicas tinham menor impacto do que o efeito psicológico de saber que a gestão buscava melhorar o ambiente de trabalho. Foi reconhecida, então, a importância de considerar a situação total dos indivíduos (vida emocional, valores culturais e aspirações pessoais) no trabalho e fora dele (Brannigan & Zwerman, 2001).

Desde então, executivos e acadêmicos de humanidades e ciências sociais mantêm um contínuo interesse em compreender a influência desses fatores na produtividade do indivíduo (Bagtasos, 2011; Ledford, 1999; Spicer & Cederström, 2015). No entanto, a evolução do conhecimento de um fenômeno requer o desenvolvimento de construtos associados a instrumentos de medição válidos e confiáveis (Paschoal & Tamayo, 2008), ou seja, a mensuração da felicidade é um ponto crucial no avanço da sua compreensão (Dolan, 2015). Assim, nas últimas quatro décadas, foram desenvolvidos vários construtos, com diferentes denominações, que permitem operacionalizar a noção de felicidade no trabalho.

Principais termos utilizados pela literatura

A Tabela 1 apresenta os principais termos utilizados na literatura ligados à felicidade no trabalho, de acordo com Fisher (2010).

Tabela 1 Principais Termos Ligados à Felicidade no Trabalho 

Termos Descrição
Job Satisfaction
(satisfação)
A primeira definição foi feita por Hoppock (1935), como uma combinação de circunstâncias (psicológicas, fisiológicas e ambientais) que fazem o indivíduo se considerar satisfeito com o seu trabalho. Mais tarde foi definido por Locke (1969) como um estado emocional resultante da avaliação que o indivíduo faz do seu trabalho.
Job Involvement
(envolvimento)
Segundo Lodahl e Kejnar (1965), relaciona-se ao grau de identificação psicológica do indivíduo com seu trabalho ou à importância do trabalho para sua autoimagem.
Organizational Commitment
(comprometimento)
De acordo com Mowday, Porter e Steers (1982), uma ligação psicológica com a organização leva o indivíduo a internalizar os objetivos da empresa e voluntariamente se comportar de forma a alcançá-los, o que seria uma visão afetiva. Além desta visão, Swailes (2002) cita também o comprometimento instrumental (baseado em fatores socioeconômicos) e o normativo (sentimentos de lealdade e obrigação).
Employee engagement
(engajamento)
Inicialmente proposto por Kahn (1990), o funcionário engajado é aquele atrelado ao desempenho dos seus papéis no trabalho, de forma física, cognitiva e emocional. O assunto passou cerca de 20 anos sem muitas referências, tendo sido retomado por volta de 2010 (Saks & Gruman, 2014).
Flow state
(estado de fluxo)
Ligado à experiência do indivíduo quando executa uma tarefa, o construto foi proposto por Csikszentmihalyi (1991) e tem como premissa ser positivo o indivíduo se concentrar integralmente nas tarefas que desempenha.
Work motivation
(motivação)
Conceito mais amplo, influencia as atitudes e o comportamento dos indivíduos no ambiente de trabalho (Ambrose & Kulik, 1999). A motivação pode ser intrínseca (os indivíduos realizam algo espontaneamente, pois acham a atividade interessante por si só, como no estado de fluxo) e/ou extrínseca (os indivíduos percebem consequências tangíveis pela realização da atividade, tais como recompensas materiais ou verbais) (Gagné & Deci, 2005).
Well-being
(bem-estar)
Assim como a motivação, este construto também é utilizado de uma forma mais ampla no contexto do trabalho. É chamado de bem-estar afetivo, de forma a distingui-lo da saúde física (Danna & Griffin, 1999) e pode ser diferenciado entre bem-estar objetivo (relaciona-se com condições objetivas, tais como conforto e riqueza) e subjetivo (reflete a experiência do indivíduo e sua avaliação da própria condição) (Diener, 1984).

Conforme sugerem Albuquerque e Tróccoli (2004), as definições existentes na literatura não são totalmente claras e não há um consenso entre os pesquisadores do assunto, o que pode ser visto pela multiplicidade de termos da Tabela 1, bem como pela existência de outros mais recentes, tais como Thriving, Vigor e Flourishing (Fisher, 2010). Pode-se perceber, também, pelas descrições apresentadas, que há uma sobreposição de conceitos. Além disso, a frequência com que os diversos termos são empregados não é uniforme.

Job satisfaction é o termo mais utilizado, conforme pode ser verificado nas estatísticas de uso dos termos em diversas áreas de conhecimento (vide Tabela 2). É digna de nota a quantidade de artigos sobre job satisfaction em Ciências da Saúde, que, de uma forma geral, referem-se: (a) ao impacto do assunto em stress e burnout, causando doenças; e (b) à atividade propriamente dita dos profissionais de medicina e enfermagem.

Tabela 2 Principais Termos e sua Utilização, por Área de Conhecimento 

Termoa # artigos Life Sciences Health Sciences Physical Sciences Social Sciences & Humanities
Satisfaction 31.937 5% 54%c 6% 35%
Well-being 6.645 5% 37% 8% 49%
Commitment 4.807 4% 17% 8% 71%
Engagement 2.402 2% 21% 10% 67%
Motivation 1.084 4% 25% 8% 63%
Involvement 643 3% 17% 8% 72%
Flow Stateb 500 3% 11% 19% 66%
Total 48.081 5% 44% 7% 44%

Nota. Pesquisa realizada na base de dados Elsevier. (n.d.). Scopus database. Retrieved August 30, 2016, from http://www.sciencedirect.com/science/search, selecionando apenas artigos e utilizando os campos Title, Abstract e Keywords.

aPara caracterizar o termo em questão, que pode ser utilizado em outros contextos, foram acrescidos, para fins de busca, as palavras work, job, organizational e/ou employee.

bNeste caso específico, foram utilizados também os termos state of flow e flow experience, além de acrescentado o nome do autor à busca (em todos os campos), pois especificamente em Physical Sciences há outros termos semelhantes.

A felicidade no trabalho

De maneira geral, é difícil encontrar explicitamente a palavra felicidade nas principais linhas de estudo sobre gestão de pessoas e comportamento organizacional. Normalmente são utilizados os termos citados na Tabela 2, considerados mais objetivos e acadêmicos (Bendassolli, 2007; Paschoal, Torres, & Porto, 2010). Para fins de comparação, ao se buscar os termos happiness at work ou work happiness, utilizando procedimento idêntico àquele que produziu a Tabela 2, apenas 49 artigos foram encontrados.

No entanto, segundo Paschoal, Torres e Porto (2010), o uso do termo felicidade oferece vantagens, pois envolve elementos filosóficos e conceituais que normalmente não são considerados nos estudos sobre o tema, trazendo uma conotação positiva. Em linha com Fisher (2010) e Sousa e Porto (2015), este artigo considera a felicidade no trabalho como um conceito guarda-chuva, englobando os demais construtos e conceitos apresentados nesta seção.

Além disso, em conformidade com as ideias de Macey e Schneider (2008), este artigo também considera a felicidade no trabalho como um estado psicológico positivo do indivíduo, que influencia seu comportamento e que pode levar a consequências positivas para as organizações. Tal perspectiva é baseada no Modelo de Características da Função (Hackman & Oldham, 1976) que tem o estado psicológico como núcleo causal – o indivíduo experimenta, através desse estado, um afeto positivo, que serve de incentivo para que ele tenha um bom desempenho, gerando o que os autores chamam de “ciclo de autoperpetuação da motivação positiva do trabalho alimentado por recompensas autogeradas” (Hackman & Oldham, 1976, p. 256). As consequências do estado psicológico da felicidade no trabalho são apresentadas na próxima seção.

Impacto da Felicidade no Trabalho no Desempenho das Organizações

O impacto da felicidade dos indivíduos nos resultados das organizações é também objeto de controvérsia em estudos sobre o tema. Segundo Weiss e Cropanzano (1996), o efeito da felicidade no desempenho é considerado o Santo Graal da pesquisa neste assunto. Desde os estudos de Hawthorne, tem prevalecido tanto nas organizações como nos meios acadêmicos a noção de que indivíduos mais felizes no trabalho são mais produtivos (Ledford, 1999).

No entanto, os estudos acadêmicos têm encontrado dificuldade em confirmar esta relação (Fisher, 2003; Ledford, 1999). O estudo de Brayfield e Crockett (1955) foi o primeiro a concluir que a felicidade no trabalho não implica um desempenho excepcional e que a produtividade é um objetivo periférico nas organizações. A partir de então, vários estudos foram desenvolvidos em torno do que é chamado de happy-productive worker thesis, gerando inúmeros debates nos estudos organizacionais (Ledford, 1999; Wright & Staw, 1999a, 1999b).

Como também pode ser visto na Tabela 3, além da produtividade, outros impactos positivos para as organizações também foram propostos: melhoria de índices de turnover e absenteísmo, com redução de doenças (Staw, Bell, & Clausen, 1986; Weiss & Cropanzano, 1996; Wright & Huang, 2012); e maior satisfação dos clientes, através de melhor atendimento pelos funcionários (Fisher, 2003; Spicer & Cederström, 2015).

Tabela 3 Impactos da Felicidade no Trabalho X Construtos 

Consequência Construto Referência
↓Absenteísmo Commitment Mowday, Steers e Porter (1996)
↓ Acidentes Satisfaction Harter, Schmidt e Hayes (2002)
Engagement
↑ Lucratividade Engagement Gallup (2013); Hughes e Rog (2008)
Satisfaction Harter et al. (2002)
↑ Produtividade/Desempenho Commitment Mowday et al. (1996)
Engagement Gallup (2013); Harter et al. (2002); Hughes e Rog (2008); Shuck, Reio e Rocco (2011)
Satisfaction Brayfield e Crockett (1955); Fisher (2003); Harter et al. (2002); Spicer e Cederström (2015); Weiss e Cropanzano (1996)
Well-being Wright e Huang (2012)
↑ Qualidade do serviço Engagement Hughes e Rog (2008)
↑ Satisfação do cliente Engagement Gallup (2013); Harter et al. (2002)
↑ Saúde do indivíduo Well-being Wright e Huang (2012)
Turnover Commitment Mowday et al. (1982); Mowday et al. (1996)
Engagement Hughes e Rog (2008); Shuck et al. (2011)
Involvement Wickert (1951)
Satisfaction Harter et al. (2002)
Well-being Wright e Huang (2012)
↑ Vendas Engagement Hughes e Rog (2008)

Nota. ↑ = Incremento; ↓ = Redução. Muito embora não se tenha chegado a uma conclusão categórica a respeito da relação entre a felicidade no trabalho, independentemente do construto empregado e de seus impactos na organização, essa questão permanece relevante tanto no âmbito acadêmico como no da prática. Neste sentido, faz-se necessário compreender o que influencia a felicidade no trabalho dos indivíduos nas organizações.

Com base em alguns exemplos de artigos sobre o tema, a Tabela 3 também ilustra a variedade de construtos utilizados em estudos que buscam identificar a relação entre a felicidade no trabalho e esses indicadores organizacionais. A exemplo do estudo de Zelenski, Murphy e Jenkins (2008), as investigações sobre os impactos que diferentes conceitos ligados à felicidade no trabalho poderiam exercer sobre a produtividade têm produzido resultados inconclusivos, muitas vezes atribuídos a diferenças nos conceitos e medições empregados.

Buscando a Felicidade no Trabalho

Dois tipos de estudo buscam entender o que possibilita o alcance da felicidade no trabalho: os que propõem e/ou testam a influência de elementos isolados ou grupos deles; e os que desenvolvem teorias e/ou modelos para explicar de uma forma mais ampla o fenômeno. Em ambos os casos a origem dos antecedentes da felicidade do trabalho pode se situar no próprio indivíduo, cujas características poderiam influenciar seu grau de felicidade no trabalho; e na organização, cujas iniciativas podem tornar o indivíduo mais feliz. Estas variações serão apresentadas a seguir.

Antecedentes da felicidade no trabalho – elementos

Indivíduo

Os antecedentes com foco no indivíduo foram identificados principalmente em estudos de biologia, psicologia e sociologia e são apresentados na Tabela 4.

Tabela 4 Principais Elementos Antecedentes da Felicidade no Trabalho 

Nível de análise Antecedentes Referências
Indivíduo Carga genética Arvey, Bouchard, Segal e Abraham (1989); Lykken e Tellegen (1996); Schnittker (2008); Sosis (2014)
Traços de personalidade Handa e Gulati (2014); Ilies e Judge (2003); Judge, Heller e Mount (2002); Staw e Ross (1985)
Vocação (chamado) Bellah, Madsen, Sullivan, Swidler e Tipton (1985); Wrzesniewski, McCauley, Rozin e Schwartz (1997)
Criação R. Jones (2016); Schnittker (2008)
Significado do trabalho Cartwright e Holmes (2006); Dejours (2004); Frankl (1984); Morin (2001); Morin, Tonelli e Pliopas (2007); Rosso, Dekas e Wrzesniewski (2010); Wrzesniewski e Dutton (2001)
Inteligência Ganzach (1998)
Variáveis demográficasa Dolan, Peasgood e White (2008); Lok e Crawford (2004)
Organização Empresa Desenvolvimento e treinamento Baruch (2006); Eisenberger, Huntington, Hutchison e Sowa (1986); M. K. Jones, Jones, Latreille e Sloane (2009); Walton (1973)
Condições físicas Eisenberger et al. (1986); Morgeson e Humphrey (2006); Walton (1973)
Jornada de trabalho Aronsson (1989); Dejours, Abdoucheli e Jayet (1993); Leslie, Manchester, Park e Mehng (2012); Morgeson e Humphrey (2006); Oliveira e Cavazotte (2013); Spector e Jex (1998); Walton (1973)
Justiça Eisenberger et al. (1986); Walton (1973)
Remuneração Eisenberger et al. (1986); Walton (1973)
Segurança Bose e Sampath (2016); Kets de Vries e Balazs (1997); Eisenberger et al. (1986)
Cultura organizacional Boxx, Odom e Dunn (1991; Fernandes e Zanelli (2006); Lund (2003); Odom, Boxx e Dunn (1990)
Função Controle/autonomia Aronsson (1989); Csikszentmihalyi (1991); Hackman e Oldham (1976); Karasek (1989); Morgeson e Humphrey (2006)
Variedade de atividades e habilidades Dejours (2004); Hackman e Oldham (1976); Johansson (1989); Morgeson e Humphrey (2006); Walton (1973)
Equilíbrio entre complexidade e capacidade Csikszentmihalyi (1991); Morgeson e Humphrey (2006)
Feedback claro e imediato Csikszentmihalyi (1991); Hackman e Oldham (1976); Morgeson e Humphrey (2006)
Relevância, significância e identidade Hackman e Oldham (1976); Morgeson e Humphrey (2006)
Possibilidade de alteração do desenho da função Dejours (2004); Handa e Gulati (2014); Wrzesniewski e Dutton (2001)
Pessoas Relações com gestor Carasco-Saul, Kim e Kim (2015); Dejours (2004); Karasek (1989); Lennerlöf (1989); Li e Liao (2014).
Relações com grupo Dejours (2004); Johnson (1989); Kirmeyer e Lin (1987); Paschoal et al. (2010)

Nota. a Idade, número de anos na posição, qualificação, sexo, entre outros.

Pela visão biológica, de acordo com estudos de hereditariedade, os eventos da vida (positivos e negativos) têm um efeito temporário - os indivíduos se adaptam a eles, retornando a um nível predeterminado de felicidade média (set point) (Arvey, Bouchard, Segal, & Abraham, 1989; Lykken & Tellegen, 1996; Schnittker, 2008; Sosis, 2014).

Já pela perspectiva psicológica, características pessoais, tais como traços de personalidade (Handa & Gulati, 2014; Ilies & Judge, 2003; Judge, Heller, & Mount, 2002; Staw & Ross, 1985), vocação (Bellah, Madsen, Sullivan, Swidler, & Tipton, 1985; Wrzesniewski, McCauley, Rozin, & Schwartz, 1997) e inteligência (Ganzach, 1998), impactam a forma de o indivíduo perceber o trabalho. A influência da família, principalmente na infância, e os valores transmitidos em relação ao trabalho (R. Jones, 2016; Schnittker, 2008), assim como outras variáveis demográficas como idade e sexo (Dolan, Peasgood, & White, 2008; Lok & Crawford, 2004), também são relevantes nesta percepção.

Finalmente, sob o prisma sociológico, o significado do trabalho como forma de inserção das pessoas na sociedade e criação de identidade influencia como o indivíduo se relaciona com o trabalho.

Organizações

As chamadas variáveis situacionais, ligadas às organizações, são estudadas há mais tempo do que as variáveis pessoais (Ilies & Judge, 2003; Staw & Ross, 1985), o que leva a um maior número de elementos relacionados a este nível de análise. Estes elementos, também apresentados na Tabela 4, relacionam-se basicamente a três dimensões das organizações: (a) empresa, enquanto entidade com políticas e práticas; (b) função desempenhada; e (c) pessoas que lá trabalham e com quem o indivíduo se relaciona.

Devido a sua quantidade, os elementos identificados foram agrupados e alocados em cada uma das três dimensões, a partir de uma codificação dos diferentes termos encontrados. Por exemplo, salário, pagamento, benefícios, retribuição material, incentivos, compensação e disponibilidade de dinheiro foram agrupados no antecedente remuneração, da categoria empresa.

Outros antecedentes codificados no nível da empresa estão ligados às políticas normalmente definidas pela área de recursos humanos (RH), tais como desenvolvimento/treinamento, jornada e condições físicas de trabalho. Já antecedentes como justiça e segurança relacionam-se à percepção do indivíduo quanto às ações tomadas pela empresa como um todo, ultrapassando as fronteiras de RH. A cultura organizacional também tem papel importante, uma vez que há certos tipos de cultura mais favoráveis à felicidade no trabalho, normalmente ligados a ambientes mais abertos e dinâmicos.

Quanto à função, há elementos ligados tanto ao seu desenho (job design) quanto à sua execução (job crafting). O principal elemento ligado ao desenho da função, que Dejours (2004) denomina trabalho prescrito, diz respeito à autonomia ou nível de controle no que tange ao seu exercício. Também constituem elementos de destaque no desenho da função: evitar a monotonia da tarefa a ser executada, assegurar à mesma um nível adequado de complexidade, dotar de clareza o que deve ser feito e proporcionar transparência quanto ao desempenho alcançado. Já durante a execução da função, que Dejours (2004) chama de trabalho real, poder-se-ia ajustar o desenho original, incluindo melhorias nas atividades que contribuam para a felicidade no trabalho.

Por fim, “as pessoas precisam de pessoas” (Davidoff, 1983, p. 667), portanto, as relações agradáveis com outros indivíduos também são uma fonte de felicidade no trabalho (Fisher, 2010). Assim, há o impacto das relações com os gestores/líderes e com o grupo no qual o indivíduo se insere, já que a atenuação de formas antigas de coesão social (vilas, vizinhanças, igrejas, etc.) fez com que a interação no ambiente de trabalho se tornasse uma das poucas fontes remanescentes de contato estável e contínuo fora do ambiente familiar (Johnson, 1989).

Antecedentes da felicidade no trabalho - teorias/modelos

As diversas disciplinas envolvidas com o estudo de felicidade no trabalho também buscaram desenvolver teorias/modelos com o objetivo de explicar o fenômeno de forma mais ampla. Estas são apresentadas na Tabela 5, sendo que algumas delas englobam vários dos elementos apresentados anteriormente.

Tabela 5 Principais Teorias/Modelos Antecedentes da Felicidade no Trabalho 

Nível de análise Teoria/Modelo Autores
Indivíduo Teoria das Necessidades Maslow (1943)
Teoria da Motivação-Higiene Herzberg, Mausner e Bloc (1959)
Psicodinâmica do Trabalho Dejours (2004)
Psicologia Positiva Seligman (2002)
Economia da felicidade Frey e Stutzer (2002)
Organização Empresa Qualidade de Vida Total Walton (1973)
Suporte Organizacional Percebido Eisenberger et al. (1986)
Função Modelo das Características da Função Hackman e Oldham (1976)
Modelo Demanda-Controle da Função Karasek (1989)
Pessoas Suporte Social House (1981)

Indivíduo

No que tange ao indivíduo, teorias originadas na psicologia, tais como a Teoria das Necessidades (Maslow, 1943) e a Teoria da Motivação-Higiene (Herzberg, Mausner, & Bloc, 1959), foram adaptadas para situações do ambiente de trabalho. O estudo da Psicodinâmica do Trabalho (Dejours, 2004; Dejours, Abdoucheli, & Jayet, 1993) e, mais recentemente, o desenvolvimento da Psicologia Positiva (Seligman, 2002), com seu foco nas forças que os indivíduos possuem, também trouxeram contribuições relevantes para a questão.

Já no âmbito da economia, os estudos da recente Economia da Felicidade oferecem uma evolução dos conceitos originais da utilidade do trabalho, indo além da retribuição financeira (Frey & Stutzer, 2002; Graham, 2005; Rätzel, 2012; Spencer, 2014).

Organizações

A perspectiva organizacional é a mais estudada na área de administração. Foram desenvolvidos conceitos como Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) (Bagtasos, 2011; Walton, 1973) e Suporte Organizacional Percebido (Eisenberger, Huntington, Hutchison, & Sowa, 1986). A QVT tem como objetivo aumentar a produtividade através da melhoria das condições de trabalho, com desdobramentos nas práticas de recursos humanos das organizações. Já sob o ângulo do Suporte Organizacional Percebido, os indivíduos acreditam que a empresa valoriza suas contribuições e se preocupa com sua felicidade, oferecendo recompensas materiais e simbólicas.

A ênfase na influência do desenho da função (job design) também produziu o desenvolvimento de modelos como forma de contrabalançar o legado da Administração Científica. Destacam-se o modelo das Características da Função (Hackman & Oldham, 1976) e seus desdobramentos (por exemplo, de Morgeson e Humphrey (2006)) e o modelo de Demanda-Controle da Função (Karasek, 1989). Já quanto a relações interpessoais, surgiram modelos ligados ao Suporte Social, sendo o de House (1981) o mais utilizado (Dormann & Zapf, 1999).

O fit

Como visto anteriormente, tanto antecedentes ligados ao indivíduo quanto à organização podem impactar a felicidade no trabalho. No entanto, segundo Caldwell e O'Reilly (1990), a interação entre eles explica o fenômeno melhor que cada um sozinho. Nesta linha foram desenvolvidos modelos interacionais para entender e prever o comportamento, considerando fatores pessoais e situacionais e como eles se relacionam (Chatman, 1989). Este efeito combinado dos antecedentes ligados ao indivíduo e à organização é denominado fit (Sousa & Porto, 2015).

O conceito mais amplo de fit é conhecido como PE fit (person-environment fit) e se refere à coerência ou similaridade entre o indivíduo e o ambiente (Edwards, 2008; O'Reilly, Chatman, & Caldwell, 1991). Os indivíduos têm experiências positivas quando o trabalho proporciona um ambiente compatível com suas características pessoais (Kristof-Brown, Jansen, & Colbert, 2002).

Essa adequação é estudada em relação à função, à organização, ao grupo de trabalho, à vocação e à cultura organizacional, conforme apresentado na Tabela 6.

Tabela 6 Tipos de Fit 

Lacunas na literatura e oportunidades

Como visto na revisão apresentada nas seções anteriores, muito já se estudou acerca da felicidade no trabalho. No entanto, o conhecimento gerado pela ampla e abrangente literatura carece de convergência, impossibilitando a visão da questão de forma plena. Em primeiro lugar, não há um consenso acerca do conceito da felicidade em si, existindo uma série de diferentes construtos ligados ao tema, como pôde ser visto anteriormente. No que diz respeito aos antecedentes, essa integração também é deficiente. Os elementos que atuam como antecedentes da felicidade no trabalho, por exemplo, são muitas vezes considerados de forma isolada ou em pequenos grupos.

As teorias e os modelos apresentados neste estudo, por sua vez, proporcionam uma visão mais abrangente do que os estudos que avaliam a relação entre um ou mais elementos e a felicidade no trabalho. Ainda assim, consideram os níveis de análise do indivíduo e da organização de forma isolada, não oferecendo, portanto, um panorama geral da questão. Finalmente, o fit constitui uma iniciativa de integrar as visões do indivíduo e da organização. Porém, este conceito não reflete as influências de cada nível de análise separadamente, apenas a adequação entre eles.

Devido à ausência de integração entre os variados estudos relacionados à felicidade no trabalho, esta área de estudo carece de perspectivas abrangentes que contemplem todos os níveis de análise – Indivíduo e Organização (Empresa, Função e Pessoas) – bem como os elementos que identificam os canais de fit entre eles. Em consonância com as lacunas identificadas, este artigo apresenta duas propostas. A primeira diz respeito a usar felicidade no trabalho como um conceito guarda-chuva, englobando todos os construtos ligados a ele, conforme mencionado anteriormente. A segunda se refere ao desenvolvimento de uma perspectiva integrada dos antecedentes da felicidade no trabalho, que supostamente influenciam este estado psicológico do indivíduo. Esta perspectiva integrada é descrita na próxima seção.

Proposta de Perspectiva Integrada dos Antecedentes

Perspectiva proposta

O desenvolvimento de uma perspectiva integrada dos antecedentes da felicidade no trabalho buscou dois propósitos. Primeiramente, incorporar tanto a visão individual (nature) quanto a das organizações (nurture), uma vez que, segundo Davidoff (1983, p. 70), “não faz sentido dizer que a hereditariedade ou meio é mais significativo, pois ambos são absolutamente essenciais”. Além disso, procurou propor uma visão abrangente o suficiente para poder acomodar novas descobertas de antecedentes que venham a surgir através de pesquisas futuras. Assim, ao invés de partir dos antecedentes e suas origens, a perspectiva proposta busca colocar o foco no efeito de cada um deles no indivíduo, que é a unidade de análise onde efetivamente se aplica o conceito da felicidade do trabalho. Em outras palavras, o foco é a forma como o indivíduo percebe o seu trabalho, sendo essa percepção influenciada pelos antecedentes.

Dolan (2015) conta em seu livro a história de uma amiga que passou um jantar descrevendo o quanto estava infeliz na prestigiada empresa de comunicação onde trabalhava, reclamando do chefe, dos colegas e do tempo de deslocamento, e que terminou o encontro declarando sinceramente o quanto adorava trabalhar lá. Há várias histórias como esta: pessoas que adoram a tarefa que desempenham, mas não suportam o chefe (W. Jones, 2013); ou que adoram sua atividade, mas não gostam como são tratados na empresa (Wood, 2016); ou, ainda, que adoram a empresa onde trabalham, mas não gostam das atividades que realizam (Levin-Epstein, 2013).

De uma forma geral, podemos resumir essas questões em duas dimensões. A proposta destas duas dimensões, além de derivar da dicotomia apresentada pelos exemplos acima, baseia-se nas ideias de Kahneman e Riis (2005) de que existem duas perspectivas de felicidade: a experimentada e a avaliada.

A primeira dimensão proposta se relaciona à função desempenhada – como o indivíduo experimenta o trabalho. Uma vez que ele passa a maior parte do tempo que dedica ao trabalho desempenhando as atividades inerentes à sua função, a forma como vivencia essas tarefas pode ser considerada uma questão importante para o seu estado geral de felicidade. Esta dimensão será aqui tratada como execução do trabalho - experiência.

A segunda dimensão proposta diz respeito ao contexto – como o indivíduo avalia o trabalho. Esta dimensão considera questões tais como a localização do trabalho, a remuneração, o ambiente social, o horário em que entra ou sai do trabalho, o status da empresa e da função, entre outras, e aqui será resumida como contexto do trabalho - avaliação.

Essas duas dimensões, de forma simplificada, podem levar a quatro situações do indivíduo em relação ao trabalho: (1) gosta do que faz e está bem onde está; (2) não gosta do que faz, mas está bem onde está; (3) gosta do que faz, mas não está bem onde está; e (4) não gosta do que faz e não está bem onde está. Estas quatro situações são ilustradas na Figura 1.

Figura 1 Perspectiva Integrada dos Antecedentes da Felicidade no Trabalho e Comportamentos Derivados. 

As quatro situações apresentadas na Figura 1 representam diferentes estados psicológicos em relação à felicidade no trabalho, que levam a diversos comportamentos por parte dos indivíduos, com múltiplas consequências para as organizações.

As situações (1) e (4) são de interpretação mais direta. A situação (1), na qual o indivíduo gosta do que faz e está bem onde está, pode ser considerada um estado feliz, quando surgem comportamentos positivos para a organização, tais como uma expansão da sua atuação além do papel previsto, proatividade e uma melhor adaptabilidade (Macey & Schneider, 2008). Além disso, os indivíduos ficam mais sensíveis a oportunidades, mais dispostos a ajudar os colegas e mais confiantes (Zelenski, Murphy, & Jenkins, 2008), o que pode, por sua vez, acarretar os impactos positivos de resultados apresentados na seção referente aos impactos da felicidade no trabalho.

Já a situação (4), em que o indivíduo não gosta do que faz e não está bem onde está, levaria a um estado infeliz. Como consequência, tal indivíduo tenderia a ter menos energia, tomar decisões de pior qualidade e reduzir sua produtividade e sua contribuição para a organização. Este estado poderia desencadear também um aumento do nível de absenteísmo e da quantidade de licenças devido a estafa e outras doenças. No limite, pode levar à decisão de uma mudança de trabalho (turnover) (Danna & Griffin, 1999; Lok & Crawford, 2004; Warr, 2007; Zelenski et al., 2008). Baixa produtividade, desempenho ruim, absenteísmo e turnover são comportamentos negativos para a organização.

As situações (2) e (3) são estados intermediários, nas quais o comportamento dependeria das características individuais. Assim, para uma mesma situação (2), indivíduos que valorizam mais o contexto do que a experiência poderiam ter comportamentos positivos mesmo não gostando do que fazem, caso estejam felizes onde estão, enquanto indivíduos que valorizam mais a experiência do que o contexto teriam comportamentos negativos. A situação 3 funcionaria de forma inversa – indivíduos que valorizam mais o contexto teriam comportamentos negativos e aqueles que valorizam mais a experiência teriam comportamentos positivos.

Em ambas as situações, no entanto, caso o equilíbrio entre as dimensões ficasse desbalanceado – por exemplo, mesmo que o indivíduo valorize mais o contexto, a execução da tarefa é tão ruim que minimizaria ou anularia o aspecto positivo deste contexto – o comportamento poderia ser neutro ou, ainda, negativo.

Integração dos antecedentes

A perspectiva proposta anteriormente procura integrar os antecedentes apresentados neste estudo, conforme a Figura 2.

Figura 2 Relação entre os Antecedentes e as Dimensões Propostas na Perspectiva Integrada(1) P-G = Person-Group; P-O = Person-Organization; P-C = Person-Culture; P-J = Person-Job; P-V = Person Vocation; (2) As sinalizações (a), (b), (c), (d) e (e). 

Os níveis de análise ligados à Organização (Pessoas, Empresa e Função) se integram diretamente às duas dimensões propostas.

Os antecedentes ligados à Empresa e às Pessoas (sinalizadas respectivamente como (a) e (b) na Figura 2) influenciam a forma como o indivíduo avalia o contexto do seu trabalho (Contexto do Trabalho - Avaliação). Esses níveis de análise englobam elementos tais como oportunidades de desenvolvimento, condições físicas, jornada de trabalho, remuneração e relações com gestores e com as demais pessoas, além das teorias de Qualidade de Vida Total (Walton, 1973), Suporte Organizacional Percebido (Eisenberger et al., 1986) e Suporte Social (House, 1981).

Já os antecedentes da Função (c) têm impacto na experiência vivenciada pelo indivíduo na execução da sua atividade (Execução do Trabalho - Experiência). Esse nível de análise corresponde aos elementos ligados à forma como a função é desenhada (com menor ou maior autonomia, variedade de atividades, complexidade) e o indivíduo realiza tal função na prática (modificando-a para torná-la mais prazerosa). Refere-se também aos modelos das Características da Função (Hackman & Oldham, 1975), de Demanda-Controle (Karasek, 1989) e de Fluxo (Csikszentmihalyi, 1991).

Os antecedentes ligados aos Fits (sinalizados com (d) na Figura 2) indicam de que forma as suas características pessoais se relacionam tanto com o trabalho executado quanto com o contexto. Assim, os diferentes fits influenciam o ponto em que o indivíduo será posicionado na matriz, levando ao fato de que, em situações concretas semelhantes, indivíduos diferentes podem estar em posições distintas, uma vez que podem avaliar e experimentar o trabalho de forma diversa. Tome-se como exemplo dois indivíduos em uma mesma empresa, em uma mesma equipe (relacionando-se com as mesmas pessoas) e desempenhando a mesma função - eles podem, no entanto, se situar em quadrantes distintos. Uma melhor ou pior adequação de suas características individuais com as características da função (P-J e P-V fit), da empresa (P-O e P-C fit) e das pessoas (P-G fit) influenciaria a percepção das duas dimensões propostas e, consequentemente, resultaria em um posicionamento distinto na matriz da Figura 1.

Os antecedentes ligados ao Indivíduo (e), por sua vez, influenciam os comportamentos derivados do posicionamento na matriz, conforme apresentado na descrição das situações (2) e (3) na seção anterior.

Conclusões

Segundo Saks e Gruman (2014, p. 178), “o frenesi de pesquisas” sobre a felicidade no trabalho deixou uma série de perguntas importantes sem respostas claras e sem consenso. As várias pesquisas realizadas, como as citadas neste artigo, buscam definir o significado e propor medidas no que tange à felicidade no trabalho; entender os efeitos nos resultados das empresas; e identificar o que influencia tal estado, especialmente no que diz respeito ao que a empresa pode (ou não) fazer neste sentido.

Por outro lado, observam-se vozes dissonantes quanto a essa questão, principalmente em publicações mais ligadas à prática como as presentes nas revistas Harvard Business Review, The Economist e GV executivo. Alguns artigos apontam aspectos negativos ligados à pressão da busca da felicidade no trabalho, que torna tal busca obrigatória e artificial, enquanto outros afirmam que as organizações não são locais onde se deve buscar a felicidade (Bendassolli, 2007; Spicer & Cederström, 2015; Wooldridge, 2016), aumentando, desta forma, as divergências existentes acerca do tema.

Neste contexto de falta de respostas concretas acerca do papel da felicidade no trabalho e de seus efeitos nas organizações, a evolução do conhecimento científico é fundamental para apoiar as empresas na tomada de decisões acerca da gestão de recursos humanos, muitas das quais impactam os custos. Portanto, o tópico felicidade no trabalho deve permanecer na agenda da pesquisa de estudos organizacionais.

Ao propor uma perspectiva que procura integrar e convergir o conhecimento existente, o presente artigo oferece um quadro de análise para o desenvolvimento futuro deste tema. A proposta aqui apresentada possibilita o emprego de perspectivas mais abrangentes em novos estudos, podendo também facilitar a identificação de lacunas da literatura e caminhos de pesquisa. A título de exemplo, novos antecedentes que venham a ser identificados podem ser alinhados a uma das dimensões apresentadas. Ou, ainda, a presença e/ou intensidade de determinada consequência da felicidade no trabalho pode ser relacionada a um dos quadrantes propostos.

Esta perspectiva, no entanto, pode e deve ser refinada, principalmente em torno de questões que permitam expandi-la em outros níveis. Uma questão a ser aprofundada se refere às diferenças de comportamento dos indivíduos, principalmente quando o estado psicológico derivado da influência dos antecedentes resultar em situações como a (2) e a (3) na matriz da Figura 1.

Outra questão a ser incluída diz respeito à influência do ambiente mais amplo, além das questões organizacionais tratadas neste artigo. Segundo Lok e Crawford (2004), por exemplo, a cultura nacional influencia a felicidade no trabalho e o comportamento dos indivíduos. Essa influência deriva da diferença de estilos de liderança e de cultura organizacional em diferentes locais geográficos. Ainda no que diz respeito ao ambiente, Frey e Stutzer (2002) sustentam que a felicidade seria também influenciada por fatores macroeconômicos (como desemprego, renda e inflação) e políticos (como a participação da população e o grau de descentralização do governo).

Para evoluir a perspectiva apresentada, também seria importante verificar a aplicação desses conceitos através de um estudo de campo em profundidade, analisando as dimensões propostas, incorporando as questões anteriores e verificando as conexões dos antecedentes com o comportamento dos indivíduos e os efeitos deste comportamento no desempenho das organizações.

Publicado online em 11.10.2017.

Agradecimentos

As autoras agradecem os valiosos comentários e sugestões efetuados pelos avaliadores. A realização do estudo contou com o apoio do CNPq, sob o processo número 309771/2015-3.

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Recebido: 26 de Setembro de 2016; Revisado: 09 de Junho de 2017; Aceito: 13 de Junho de 2017

Dados dos Autores

Gisela Sender

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Denise Fleck

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