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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.8 no.3 São Paulo Sept. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2005000300004 

EDITORIAL

 

Métodos em estudos de coorte

 

 

A comissão de epidemiologia da ABRASCO organizou, no início de agosto, um seminário cujo principal objetivo foi discutir os principais desafios dos estudos de coorte no cenário contemporâneo, avaliar perspectivas e propor estratégias de forma a estimular a ampliação deste tipo de investigação no Brasil.

Apesar do aumento no número de pesquisas que utilizam este desenho, ainda estamos longe do necessário para avaliar a incidência de agravos à saúde no Brasil, muitos deles decorrentes de profundas mudanças demográficas e culturais ocorridas no país nas últimas décadas. Além disso, no contexto brasileiro, a realização de estudos de coorte deve levar em conta a diversidade de cenários e dificuldades crônicas de financiamento, buscando soluções criativas, que permitam, ao mesmo tempo, acompanhar os avanços metodológicos na área. A realização deste evento buscou, portanto, a reunião de epidemiologistas com interesse específico sobre aspectos metodológicos deste tipo de estudo.

A principal atividade do evento foi a discussão de seis estudos de coorte, com dois a três debatedores convidados. Desta forma foi possível aprender com a experiência, trazendo para a comunidade epidemiológica não só os sucessos e resultados positivos, como nas publicações científicas, mas, principalmente, partilhar experiência, problemas e estratégias.

Os seis estudos foram escolhidos buscando a maior diversidade possível: estudos observacionais e de intervenção; voltado para idosos, crianças, adultos ou populações específicas. Debatemos a coorte de Pelotas, o estudo brasileiro mais antigo e com maior experiência acumulada; o estudo ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities Study), multicêntrico sediado nos EUA, cuja coleta de dados iniciou em 1987; o projeto Bambuí, estudo de coorte de base populacional da saúde dos idosos, já com sete coletas; o estudo Pró-Saúde, que tem ênfase nos efeitos de posição social e comportamentos na população de trabalhadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; o estudo REVAC, um ensaio randomizado em larga escala para avaliação da efetividade da segunda dose de BCG; e o estudo multicêntrico com coortes de homo e bissexuais masculinos HIV negativos, cuja estratégia de recrutamento (snow-ball) foi amplamente discutida.

Diversos estudos importantes não foram, infelizmente, incluídos entres esses seis, pela opção por um evento pequeno, sem atividades simultâneas, com tempo suficiente para os debates.

O estado-da-arte foi apresentado em três conferências, que abordaram os desenhos de estudos, as estratégias de viabilização e a modelagem estatística de dados longitudinais. O evento se encerrou com a Mesa Redonda "Problemas e Perspectivas dos Estudos Longitudinais no Brasil", abordando o papel destes estudos na definição de políticas de saúde e políticas de financiamento.

O evento superou as expectativas, tanto em relação ao interesse despertado 179 participantes entre convidados e inscritos como quanto ao grau de amadurecimento e profundidade dos debates. Foram três dias intensos, em que o sentimento predominante era de satisfação e de que aquele espaço, por si só, já representava um avanço e acenava com grandes possibilidades e novas parcerias. Das questões estritamente acadêmicas às discussões de políticas públicas, houve, sem dúvida alguma, um nexo bastante coerente e que demonstrou estar a comunidade de epidemiologistas e gestores da área de saúde afinados no interesse de se fomentar novos estudos de coorte no país.

Motivados pelo sucesso deste primeiro Seminário Metodológico, a Comissão de Epidemiologia da ABRASCO pretende organizar outros eventos do mesmo tipo, sobre temas variados, entre os quais. Por exemplo, inquéritos e estudos de avaliação de intervenção, entre outros. Pretendemos publicar, nos próximos números da Revista Brasileira de Epidemiologia os debates do seminário, de forma a partilhar com os leitores da RBE a rica troca científica possibilitada pelo seminário.

 

Marilia Sá Carvalho e Claudia Lopes

Comissão de Epidemiologia da ABRASCO

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