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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.8 no.4 São Paulo Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2005000400001 

EDITORIAL

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Não é demais repetir que, aprovada para figurar na base SciELO, a Revista Brasileira de Epidemiologia passou a receber notável impulso no fluxo de trabalhos encaminhados. Mantida a regularidade exigida, o número de originais aumentou a ponto de exigir a ampliação do quadro de Editores Associados. No processo de peer review que empregamos cabe aos Associados o principal papel de conduzir a análise e elaborar o parecer final, raramente modificado pelo Editor Científico ou seus Adjuntos. Neste processo de fluxo contínuo concluímos o ciclo completo de onze trabalhos que se publicam neste número 8(4), com que finalizamos o ano de 2005. Com 28 responsáveis por essas contribuições, a média de 2,5 autores por artigo é ligeiramente menor do que a usual, superior a três. Apenas dois trabalhos são de autor solitário, mesmo assim ambos articulados e inseridos num mesmo esforço de análise do fator acidentário previdenciário. A proporção de mulheres mantem-se elevada (64 %) como tem sido habitual.

A origem geográfica e institucional continua diversificada, assim como a temática e a opção metodológica. Um dos trabalhos, com original em espanhol, associa uma autora do Ministério da Saúde, em Brasília, no Centro Oeste, com uma cubana, da Universidad de la Habana. Analisa uma série histórico-geográfica da detecção da hanseníase, no Brasil, de 1960 a 2002. Outro trabalho, em português, tem temática e metodologia semelhantes mas área de abrangência (Estado de São Paulo) e período (1991 a 2002) distintos. O artigo é de autores do Instituto Lauro de Souza Lima, que pertence à Secretaria de Saúde de São Paulo, e da UNESP, nos campi de Botucatu e de Presidente Prudente. Não podemos deixar passar em branco que os níveis de detecção da doença, variáveis embora, continuam elevados no Brasil.

Um trabalho trata da associação entre saneamento e saúde, com dados secundários da OPAS em países da América Latina. Conduzido por dois pesquisadores ligados à Universidade de Juiz de Fora, MG, empregam um desenho ecológico para relacionar abastecimento de água e esgotamento sanitário com indicadores de mortalidade. Um estudante de pós-graduação e uma professora da Universidade Federal de Santa Catarina analisam fatores associados à qualidade parasitológica de hortaliças comercializadas em Florianópolis, SC. Dois pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, laboratório de saúde pública de Ribeirão Preto, SP, associados a um professor da USP local e um profissional de Unidade Básica de Saúde do Município, examinam manipuladores de alimentos para avaliar a presença de enteroparasitoses e onicomicoses.

Quatro pesquisadores da Fiocruz, no Rio de Janeiro, numa revisão sistemática da literatura, analisam os (poucos) estudos relacionados com ocorrência de eventos adversos em hospitais, que tenham empregado a revisão de prontuários como método. São todos de países "desenvolvidos". Concluem que esse procedimento pode orientar o desenho metodológico para estudar um fenômeno de magnitude desconhecida no Brasil.

Dois artigos empregam sistemas de informação públicos para estudar a tendência de mortalidade por neoplasias em capitais brasileiras e a confiabilidade dos dados informados na notificação de casos de sífilis congênita. No primeiro, três pesquisadoras ligadas à Universidade Federal de Viçosa e à Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (UNIJUI) partem da reconhecida confiabilidade do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) para um estudo com desenho ecológico numa série temporal da mortalidade por neoplasia. No outro, quatro pesquisadoras da ENSP/ Fiocruz e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro colocam em análise a própria confiabilidade do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), concluindo pela necessidade de seu aprimoramento.

Confirmando uma tendência já detectada em números anteriores, a RBE segue sendo um veículo de divulgação de trabalhos de odontologia sanitária. Neste caso, dois pesquisadores ligados à Prefeitura Municipal de Ouro Preto, à PUC/ MG,à UFMG e ao Centro de Pesquisas René Rachou, da Fiocruz em Belo Horizonte, analisam a prevalência de fluorose dentária em escoares de Ouro Preto.

Finalmente, dois trabalhos tratam do fator acidentárioprevidenciário, seus fundamentos epidemiológicos e sua função de instrumento de controle de riscos no trabalho. Seus autores são, ambos, professores universitários, da UNICAMP e da UFBA.

Além dos artigos de fluxo contínuo, publicamos um Editorial Especial de autoria de Maria Rita Donalísio, relacionado com a realização de um Seminário Internacional sobre a Pandemia de Influenza, realizado em novembro deste ano no Rio de Janeiro. A autora, nossa permanente Editora para "endemias e epidemias", prosseguirá contribuindo nos próximos números com esta preocupante ameaça que está por abater-se sobre a humanidade.

Conforme anunciamos em número anterior, iniciamos a publicação dos trabalhos apresentados e dos debates travados no Seminário "Estudos de Coorte". A série terá como Editoras Especiais Marília Sá Carvalho e Claudia Lopes, coordenadoras do seminário. Neste número é apresentado e discutido o "Estudo Pró-Saúde". Conduzido por quatro professores da ENSP/Fiocruz, da UERJ e da UFRJ, foi comentado por dois pesquisadores da Fiocruz.

Finalmente, damos prosseguimento ao debate iniciado no número 8(2), de junho com a publicação do texto seminal de Juan Gérvas sobre o fundamento epidemiológico do papel de filtro do sistema de saúde, exercido pelo médico geral. Teve prosseguimento no número seguinte, de setembro, com contribuição de autores espanhóis. Neste número apresentamos comentários de brasileiros e resposta dos autores do artigo original.

Boa leitura.

 

O Editor

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