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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.8 no.4 São Paulo Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2005000400002 

EDITORIAL ESPECIAL

 

Pandemia de Influenza: Seminário Internacional

 

 

Maria Rita Donalísio

Membro da Comissão de Epidemiologia da ABRASCO e da FCM-Unicamp. Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Caixa Postal 6111 Campinas - SP 13083-970 donalisi@fcm.unicamp.br

 

 

Grande parte das enfermidades humanas origina-se de reservatórios animais; estima-se que 75% das doenças emergentes são zoonóticas. A existência de múltiplos reservatórios do vírus da influenza na natureza favorece recombinações de vírus que circulam em humanos e animais ou mutações do genoma viral, aumentando a possibilidade de emergência de novos subtipos, aos quais a população humana é susceptível.

As epidemias de influenza, bem como de outras doenças respondem a determinantes sociais, culturais, ecológicos que favorecem a disseminação de novas cepas e influenciam na dinâmica de transmissão no espaço e no tempo. No século XX ocorreram 3 grandes pandemias de influenza: a Gripe Espanhola em 1918-19, a Gripe Asiática em 1957-58 a Gripe de Hong Kong em 1968-69, em contextos históricos e tecnológicos diferentes.

Em 1997 na Ásia, foi registrada a transmissão de aves para humanos de um vírus de alta patogenicidade, influenza A H5N1, colocando o mundo em alerta. A partir de 2003, em um contexto econômico e cultural de convivência próxima com aves e suínos, têm ocorrido surtos de influenza na China, Vietnam, Coréia e Tailândia com expressão clínica severa e alta letalidade. Foi identificado o vírus A H5N1, já com evidente mudança em sua caracterização antigênica, comparada com a cepa de 1997, sugerindo a ocorrência de mutações adaptativas nesta cepa.

A história de antigas pandemias de influenza deixou lições, porém hoje nenhum modelo pode predizer a magnitude, a gravidade e mesmo a etiologia precisa de uma próxima pandemia. A população urbana cresceu, há maior contingente de doentes crônicos e idosos, houve aumento da pobreza e iniqüidade em algumas regiões, além da maior rapidez de transportes facilitando a circulação de patógenos ao redor do mundo. Ao mesmo tempo há possibilidade de síntese de vacina em larga escala, uso de antivirais profiláticos e terapêuticos, além de melhor abordagem clínica de suporte aos pacientes com quadros graves.

Diante da incerteza, resta o desafio de preparar-se para o inesperado, estudando possíveis cenários.

Em vários fóruns internacionais e nacionais, entre eles o Seminário Internacional sobre a Pandemia de Influenza, em novembro no Rio de Janeiro tem-se discutido medidas possíveis, como a preparação de instituições para a produção de uma vacina apropriada no Brasil, um estoque nacional estratégico de antivirais, critérios e prioridades, o provável impacto em internações e mortes, medidas para proteção individual e coletiva na comunidade e em serviços de saúde, vigilância epidemiológica e virológica. Há consenso sobre: trabalhar em rede e com parcerias, priorizar o enfoque metropolitano, controlar a doença no foco, reforçar a vigilância virológica e epidemiológica em humanos e animais, monitorando mutações e circulação de vírus, investir em recursos terapêuticos e laboratoriais. O Ministério da Saúde e Estados têm proposto planos de contingência flexíveis que possam responder e adaptar-se a inesperadas versões da doença e da transmissão.

São as epidemias reeditadas, novas velhas e velhas novas que exigem dos técnicos da área, flexibilidade e criatividade, solidariedade e transparência para responder ao inesperado.

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