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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.13 no.3 São Paulo Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2010000300013 

ARTIGO ESPECIAL

 

Prevalência da Síndrome de Burnout e fatores sociodemográficos e laborais em professores de escolas municipais da cidade de João Pessoa, PB

 

Prevalence of Burnout Syndrome and sociodemographic and work factors of elementary education teachers of the City of João Pessoa

 

 

Jaqueline Brito Vidal BatistaI; Mary Sandra CarlottoII; Antônio Souto CoutinhoIII; Lia Giraldo da Silva AugustoIV

IDepartamento de Fundamentação da Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba - UFP
IIUniversidade Luterana do Brasil - ULBRA
IIDepartamento de Engenharia de Produção do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba - UFPB
IVFundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães

Correspondência

 

 


RESUMO

A Síndrome de Burnout vem sendo considerada uma questão de saúde pública, tendo em vista suas implicações para a saúde física e mental do trabalhador, com evidente comprometimento de sua qualidade de vida no trabalho. Assim, esse estudo teve como objetivo avaliar a prevalência da Síndrome de Burnout nos professores da primeira fase do Ensino Fundamental das escolas municipais da cidade de João Pessoa, PB, e sua relação com as variáveis sociodemográficas e laborais. Os resultados evidenciaram que 33,6% dos professores apresentaram alto nível de Exaustão Emocional, 8,3% alto nível de Despersonalização e 43,4% baixo nível de Realização Profissional. Variáveis sociodemográficas e laborais associaram-se às dimensões do Burnout. Os resultados indicam a importância do entendimento e o reconhecimento dessa doença ocupacional para a inclusão do professor nas medidas de políticas públicas voltadas para a saúde e bem-estar da categoria.

Palavras-chave: Estresse psicológico. Síndrome de Burnout. Professores. Saúde ocupacional. Saúde pública.


ABSTRACT

The Burnout Syndrome has been considered a public health issue because of the physical and mental health implications on workers, with clear effect on the quality of life at work. Thus, this study aimed to evaluate the prevalence of the Burnout syndrome in elementary school teachers in the city of João Pessoa, PB, and its relationship with sociodemographic and labor variables. Results showed that 33.6% of teachers presented high levels of Emotional Exhaustion, 8.3% a high level of Depersonalization, and 43.4% a low level of Professional Achievement. Socio-demographic and labor variables were associated with the dimensions of Burnout. Results indicate the importance of understanding and acknowledging occupational diseases to include teachers in public policy measures for the health and well-being of the category.

Keywords: Psychological stress. Burnout Syndrome. Teachers. Occupational health. Public health.


 

 

Introdução

A saúde do professor vem sendo fonte de preocupação de segmentos variados da sociedade. Identificada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma profissão de alto risco, é considerada a segunda categoria profissional, em nível mundial, a portar doenças de caráter ocupacional1. Andrade e Silva², ao fazerem uma análise teórica da saúde dos professores do ensino fundamental no Brasil, colocaram em evidência a gravidade do processo de adoecimento desses profissionais.

Em meio aos agravos mais recorrentes na categoria docente, observa-se que os transtornos mentais ocupam um lugar de destaque3,4, mostrando sua relevância e a necessidade de estudos voltados para orientar medidas de atenção à saúde.

Dentre os transtornos mentais mais comuns entre professores se encontra a Síndrome de Burnout. De acordo com Maslach, Schaufeli e Leiter5, Burnout é um fenômeno psicossocial que surge como uma resposta crônica aos estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho, que acomete profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, como professores, médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, policiais, bombeiros etc.

O Burnout, segundo os autores, é constituído de três dimensões: Exaustão Emocional, Despersonalização e Baixa Realização Profissional. A Exaustão Emocional caracteriza-se pela falta de energia e sentimento de esgotamento de recursos com relação ao trabalho, tendo como maior causa o conflito pessoal nas relações e a sobrecarga. A Despersonalização se apresenta como um estado psíquico no qual prevalece a dissimulação afetiva, o distanciamento e uma forma de tratamento impessoal com a clientela, podendo apresentar sintomas como descomprometimento com os resultados, conduta voltada a si mesmo, alienação, ansiedade, irritabilidade e desmotivação. A Baixa Realização Profissional é caracterizada pela tendência do trabalhador a se auto-avaliar de forma negativa. Ele se torna insatisfeito com seu desenvolvimento profissional e experimenta um declínio no sentimento de competência e êxito6.

Burnout é um processo que se desenvolve com o passar dos anos e quase nunca é percebido em seus estágios iniciais, sendo seu desenvolvimento lento e raramente agudo7. Seu início é marcado pela presença de um excessivo e prolongando nível de tensão8.

A Síndrome de Burnout tem sido considerada uma importante questão de saúde pública9,10. Segundo Salanova e Llorens11, é um dos agravos ocupacionais de caráter psicossocial mais importantes na sociedade atual. Burnout tem sido considerado um sério processo de deterioro da qualidade de vida do trabalhador, tendo em vista suas graves implicações para a saúde física e mental12.

No que se refere à legislação, no Brasil, em 1999, o Ministério da Previdência e Assistência Social (DOU 12.05.1999 - nº 89)13 apresentou a nova lista de Doenças Profissionais e Relacionadas ao Trabalho, que contém um conjunto de doze categorias diagnósticas de transtornos mentais. Essas categorias se incluem no que foi chamado de Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionados ao Trabalho, que podem ser determinados pelos lugares, pelo tempo e pelas ações do trabalho. A Síndrome de Esgotamento Profissional - Burnout é a décima segunda categoria contemplada.

A Síndrome de Burnout tem sido considerada um problema social de grande relevância e vem sendo investigada em diversos países, uma vez que se encontra vinculada a grandes custos organizacionais e pessoais. Alguns desses devem-se à rotatividade de pessoal, absenteísmo, problemas de produtividade e de qualidade. O Burnout em professores afeta o ambiente educacional e interfere na obtenção dos objetivos pedagógicos, levando os profissionais a um processo de alienação, cinismo, apatia, problemas de saúde e intenção de abandonar a profissão14. Tem repercussões importantes no sistema educacional e na qualidade da aprendizagem9.

Dentre os custos pessoais, destaca-se a ocorrência de graves problemas psicológicos e físicos, podendo levar o trabalhador à incapacidade total para o trabalho. O profissional afetado se sente exausto, apresenta tensão muscular, fadiga crônica16, assim como gripe ou resfriados, cefaléias, ansiedade e depressão21, problemas cardiovasculares18 e transtornos psiquiátricos4. O professor pode apresentar rompimento com os hábitos normais, perda do entusiasmo e da criatividade, incapacidade para se concentrar, perda do auto-respeito e do autocontrole em aula e reações exageradas para moderar o estresse. Os efeitos do Burnout em curto prazo são: menor autocontrole, auto-respeito, eficiência no trabalho e alto nível de irritabilidade. Os efeitos em longo prazo são: depressão, possibilidade de úlcera e hipertensão, e alcoolismo19.

Embora o estresse e o Burnout no ensino certamente ocorram há muito tempo entre os professores, seu reconhecimento como problema sério tem sido mais explícito nos últimos anos. A Síndrome de Burnout acomete a categoria docente, provavelmente desde que a função de professor vem sendo associada a fatores sociais, psíquicos e econômicos, sendo estes reconhecidos hoje como importantes fatores de estresse. No trabalho docente, cada vez mais estão presentes aspectos potencialmente estressores, tais como baixos salários, escassos recursos materiais e didáticos, classes superlotadas, tensão na relação com alunos, excesso de carga horária, inexpressiva participação nas políticas e no planejamento institucional20. O professor assume muitas funções e desempenha papéis muitas vezes contraditórios entre si - ou seja, a instrução acadêmica e a disciplina da classe -, tendo de lidar com aspectos sociais e emocionais de alunos, bem como com conflitos ocasionados pelas expectativas de pais, estudantes, administradores e comunidade21.

Estudos têm abordado aspectos diferenciados com relação ao Burnout em professores, principalmente em professores da educação básica, que inclui o Ensino Fundamental. Essa categoria de ensino, além da falta de reconhecimento social, lida com uma população de alunos que exige uma dedicação maior e cuidados que vão além da condição de professor, provocando uma sobrecarga de trabalho22.

Diversos estudos avaliam a prevalência e sugerem importantes variáveis relacionadas ao Burnout na categoria docente4,22-24 apontando para a idéia de que essas causas são uma combinação de fatores individuais, organizacionais e sociais. Alguns apontam, na categoria docente, como mais suscetíveis ao Burnout as mulheres25, professores jovens26,27 e solteiros28. Outros estudos que buscam relacioná-lo a variáveis laborais em professores têm identificado associação com elevada carga horária e quantidade de alunos atendidos20,29, e maior tempo de trabalho30.

Os estudos sobre Burnout no Brasil tiveram início nos anos 90 e, mesmo que a categoria docente no Brasil seja uma das mais investigadas em termos de Burnout31, a produção nacional ainda é incipiente se comparada à internacional.

Assim, pelo exposto, esse estudo buscou avaliar a prevalência da Síndrome de Burnout nos professores da primeira fase do Ensino Fundamental das escolas municipais da cidade de João Pessoa, PB, e sua relação com as variáveis sociodemográficas e laborais.

 

Método

O estudo de corte transversal foi realizado nas Regiões de Ensino da Prefeitura Municipal de João Pessoa, PB, que se distribuem de acordo com os bairros da cidade e são compostos por nove Pólos. Cada Pólo possui de 7 a 11 escolas, formando um total de 86. Apenas dois não foram contemplados nesse estudo, já que correspondiam a escolas de bairros que já estavam sendo incluídos em outros Pólos. As 18 escolas foram escolhidas através de sorteio, de maneira que cada Pólo tivesse sua representação e todas as regiões da cidade fossem contempladas.

A amostra probabilística do tipo aleatório simples constituída por 265 professores foi determinada através de cálculo amostral, considerando um intervalo de confiança de 95% e erro de 5%, a partir de uma população de 959 professores de ensino fundamental. Os professores foram sorteados a partir de lista nominal fornecida pela direção das escolas, considerando a proporção de cada unidade.

Para o levantamento das variáveis sociodemográficas (sexo, idade, presença de companheiro fixo, filhos, escolaridade) e laborais (situação no emprego, horas semanais de trabalho, tempo de serviço, se acredita que a atividade profissional interfere na vida pessoal, se sente a profissão menos interessante do que quando começou, se já pensou em mudar de profissão, se acredita que a profissão o está estressando, se já se afastou do trabalho por motivo de saúde) foi aplicado um questionário construído com base no referencial teórico sobre Burnout em professores.

Para avaliar a Síndrome de Burnout foi utilizado o MBI-ED - Maslach Burnout Inventory-Educators Survey32, versão para professores, com adaptação para o uso no Brasil realizada por Carlotto e Câmara23. Nesta, foram identificados os requisitos necessários em termos de validade fatorial e de consistência interna para ser utilizada na avaliação da Síndrome de Burnout em professores em nossa realidade. O inventário é auto-aplicado e totaliza 22 itens. Através desse instrumento pode-se verificar os índices presentes nas três dimensões que compõem o Burnout, sugeridas por Maslach e Jackson33.

Nesse estudo, a presença de cada uma dessas dimensões foi avaliada através da frequência das respostas, considerando uma escala de pontuação que varia de 0 a 6: numa escala tipo Likert, empregou-se zero para "nunca", um para " uma vez ao ano ou menos", dois para "uma vez ao mês ou menos", três para "algumas vezes ao mês", quatro para "uma vez por semana", cinco para "algumas vezes por semana" e seis para "todos os dias".

Foram utilizados os pontos de corte adotados por Shiron34 e sugeridos por Gil-Monte9, que os consideram uma alternativa válida para identificar os níveis de Burnout baseados na frequência de sintomas em países que ainda não possuem pontos de corte validados. Shiron34 recomenda o diagnóstico mediante a escala de evolução, de acordo com os critérios normativos. Ou seja, os indivíduos que apresentam os sintomas com frequência igual ou superior a "uma vez por semana" desenvolveram os sintomas característicos do Burnout. Com esse procedimento, considera-se que apresentaram alto nível de Burnout os sujeitos que se situaram igual ou acima do ponto médio 4 (uma vez por semana) da escala de Likert.

Para a coleta de dados, primeiramente foi realizado um contato prévio com a direção de cada escola para a explicação dos objetivos do estudo, tendo sido cedido um tempo de aproximadamente 40 minutos no final do expediente para a aplicação dos instrumentos. Estes foram aplicados em grupo aos professores e levaram em média 30 minutos para serem respondidos.

A análise dos dados foi realizada através do programa SPSS - Statistical Package for Social Sciences, versão 13.0. Inicialmente realizou-se um estudo exploratório a fim de avaliar casos omissos, identificar extremos e possíveis erros de digitação e, na sequência, foi aplicado o teste Qui-Quadrado (nível de significância de 5%), com o objetivo de verificar a relação entre as variáveis sociodemográficas, laborais e as dimensões do Burnout. As variáveis idade, horas de trabalho semanais e tempo de serviço foram recodificadas em variáveis categóricas. A idade foi categorizada em três faixas: de 20 a 39 anos, entre 40 e 59 e mais de 59 anos. As horas de trabalho constituíram-se em três categorias: até 20 horas, de 21 a 40, mais de 40 horas; e o tempo de serviço também em três faixas: até 10 anos, entre 10 e 20 anos e de 21 a 30 anos). As variáveis acreditar que a atividade profissional interfere na vida pessoal, sentir a profissão menos interessante do que quando começou, pensar em mudar de profissão, acreditar que a profissão está estressando, já ter se afastado do trabalho por motivo de saúde, foram avaliadas de forma dicotômica com opções de resposta sim/não.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba com o Protocolo número 116/09. Todos os participantes do estudo receberam e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

Resultados e Discussão

Os 265 sujeitos estudados têm idade média de 43,5 anos (mínimo de 20 e máximo de 66; DP = 10,4). A maioria dos sujeitos é do sexo feminino (90,9%), possui companheiro fixo (59,6%), filhos (72,1%) e nível de escolaridade superior (72,5%). Apresenta estabilidade no emprego (64,9%), trabalha 40 horas semanais ou mais (67,6%), tem mais de 10 anos de tempo de serviço (70,2%) e não exerce outra atividade além do magistério (71,3%). Também a maioria não acredita que a atividade profissional interfere na vida pessoal (53,6%), não sente a profissão menos interessante do que quando começou (55,8%), não pensa em mudar de profissão (55,5%), acredita que a profissão está estressando (64,9%) e não tem se afastado do trabalho por motivo de saúde (57,4%).

No que se refere aos resultados da avaliação das dimensões do Burnout (Tabela 1), verifica-se que 8,3% dos professores apresentaram alto nível de Despersonalização, 33,6% alto nível de Exaustão Emocional e 56,6% alto nível de Baixa Realização Pessoal no Trabalho. Resultado semelhante foi identificado em estudos realizados por e Carlotto e Palazzo20. O modelo teórico de Maslach utilizado nesse estudo descreve a síndrome de Burnout como um processo em que a exaustão emocional é a dimensão precursora da síndrome, sendo seguida por despersonalização e, na sequência, pelo sentimento de baixa realização profissional. A análise dos resultados indica a presença de Burnout e a possibilidade do processo se encontrar em curso na população estudada, podendo estar sendo contido pelo sentimento de realização profissional no trabalho, tendo em vista ser a dimensão que apresentou maior percentual.

 

 

Carlotto e Palazzo20 referem que esse resultado pode estar relacionado a valores presentes na construção sócio-histórica da profissão docente, que, por ser entendida como profissão vocacional, pode induzir o profissional à repressão dos questionamentos sobre até que ponto o trabalho tem sido fator de realização e satisfação. Segundo Woods35, este sentimento pode tornar o professor ainda mais vulnerável, pois o mesmo pode se envolver de forma excessiva com o trabalho, tendo como resultado a sobrecarga geralmente relacionada à dimensão de Exaustão Emocional que nesse estudo apresentou-se como a de maior percentual de ocorrência. Os resultados também podem estar indicando um esforço de resistência subjetiva e coletiva dos professores que procuram reinventar normas e sentidos cotidianamente, criam espaços de criatividade e de afirmação pessoal, formulando relações mais saudáveis entre trabalho e saúde diante das precárias e nocivas condições de trabalho. Estes esforços possibilitariam a realização das suas atividades de forma a preservar sua saúde36. Pode-se também considerar a possibilidade de este resultado estar marcando a presença de aspectos positivos relacionados à profissão docente relacionadas a natureza do trabalho, as relações diferenciadas decorrentes das especificidades do objeto de trabalho, assim como a função social do professor que oferece possibilidade de vivenciar a utilidade do trabalho realizado.

No que diz respeito à análise da relação entre as dimensões de Burnout e às variáveis sociodemográficas e laborais, verifica-se que a dimensão Despersonalização apresentou associação com não ter companheiro fixo (0,019), a faixa etária de 40 e 59 anos (p = 0,008), a estabilidade no trabalho (p = 0,004), tempo de serviço de 21 a 30 anos (p = 0,006).

O distanciamento, a desmotivação e o endurecimento afetivo no trabalho associaram-se a pessoas sem companheiro fixo, com mais de 40 anos, estáveis no emprego, com mais de 20 anos de trabalho. De acordo com Farber27, geralmente os professores iniciam sua carreira bastante entusiasmados e com muita dedicação, tendo senso do significado social do seu trabalho e imaginando que o mesmo lhe proporcionará grande satisfação pessoal. Contudo, as inevitáveis dificuldades do ensino, acrescidas das pressões e valores sociais, engendram os sentimentos de frustração, que podem conduzir ao Burnout. Oliveira36, em pesquisa realizada com professores de escolas públicas e particulares identificou sentimentos de estranhamento, vergonha e baixa auto-estima, associando tais sentimentos ao Burnout. Dorman23 também coloca a Despersonalização como uma dimensão consequente do desinteresse profissional e diretamente relacionada à Exaustão Emocional.

A dimensão Exaustão Emocional foi associada à estabilidade no trabalho (p = 0,004); horas diárias de trabalho, 40 horas ou mais (p = 0,014); acreditar que a atividade profissional está interferindo na vida pessoal (p = 0,001); considerar a profissão menos interessante do que quando começaram a trabalhar (p = 0,001); pensar em mudar de profissão (p = 0,005), acreditar que a profissão está estressando (p = 0,001) e ter de se afastar do trabalho por motivo de saúde (p = 0,001).

Observa-se, através dos resultados, uma coerência entre o sentimento de esgotamento de recursos emocionais com relação ao trabalho e o perfil laboral dos professores. Professores com carga máxima de trabalho, que sentem sua vida pessoal atingida pelo trabalho, que já pensaram em mudar de profissão, que sentem a profissão estressante e que já se afastaram do trabalho por motivo de saúde possuem justificativas suficientes para o desenvolvimento da dimensão Exaustão Emocional.

Carlotto e Palazzo20 identificaram associação entre a Exaustão Emocional, carga horária e quantidade de alunos atendidos. A intenção de abandonar a profissão pode ser considerada uma tentativa de lidar com a Exaustão Emocional, de acordo com Lee e Ashforth37. Estudo desenvolvido por Weisberg e Sagie38 com professores israelenses vai ao encontro do referido, uma vez que a estabilidade foi negativamente associada tanto com Burnout como com a intenção de deixar o trabalho. Segundo os autores, o professor pode pensar em abandonar sua profissão, mas fica em conflito, devido à escassa probabilidade de encontrar outro trabalho adequado às suas expectativas. Quanto ao afastamento por problemas de saúde, Peterson et al.39 encontraram resultados semelhantes, referindo estar esse resultado relacionado ao alto nível de pressão no trabalho. Conforme Benevides-Pereira40, o absenteísmo, enquanto sintoma defensivo, torna-se uma possibilidade de alívio para tentar diminuir o estresse laboral, sendo que as faltas servem para que o indivíduo possa levar adiante a situação desconfortável que se tornou sua atividade laboral.

A dimensão de Realização Profissional se apresentou relacionada às variáveis: ter companheiro fixo (0,022); filhos (p = 0,017); possuir estabilidade no trabalho (p = 0,002); realizar 40 horas ou mais (p = 0,047); acreditar que a atividade profissional está interferindo na vida pessoal (p = 0,003); considerar a profissão menos interessante do que quando começou a trabalhar (p = 0,004); pensar em mudar de profissão (0,005) e acreditar que a profissão o está estressando (p = 0,000).

Esses resultados relacionam sentimentos de incapacidade e fracasso no trabalho, insatisfação, autodepreciação e baixa auto-estima. Os professores que têm filhos, que atuam com uma elevada carga horária de trabalho, que sentem que a profissão está interferindo na sua vida, que consideram a profissão menos interessante do que quando começaram a trabalhar e acreditam que a mesma é estressante, possuem maior sentimento de que a profissão não é fonte de realização pessoal.

É possível que o excesso de trabalho e a sensação de que este extrapola o seu lugar, interferindo na vida pessoal, além dos cuidados com a família (companheiro(a) e filhos), provoca essa sensação de insatisfação e desinteresse pelo trabalho que faz com que o professor se perceba inferior e distante da realização profissional48. Também pode-se pensar que a diminuição do interesse pela profissão pode decorrer do desequilíbrio entre os investimentos realizados e as recompensas recebidas46.

É importante destacar que as variáveis estabilidade no trabalho e achar a profissão menos interessante do que quando começou a trabalhar se relacionaram às três dimensões do Burnout. A estabilidade no emprego, geralmente percebida como um aspecto positivo no trabalho em termos de segurança, também pode estar funcionando como uma acomodação no sentido de busca de novos desafios profissionais. De acordo com Cherniss41, o Burnout pode ser uma razão para a pessoa permanecer no trabalho, pois o trabalhador com altos níveis pode se sentir sobrecarregado e optar por não efetuar uma mudança, uma vez que isto seria um estresse adicional com o qual teria de lidar sem se sentir em condições de fazê-lo. Quando ficam, trabalham muito abaixo de seu potencial laboral.

Leite22, em estudo realizado com professores de educação básica, confirmou que a Síndrome de Burnout é afetada diretamente pelas relações sociais no trabalho. Kokkinos42 identificou em professores de ensino primário associação entre as três dimensões de Burnout, problemas de comportamento de alunos e pouco tempo para realizar as atividades profissionais. Betoret43 aponta a falta de suporte institucional e sentimento de baixa auto-eficácia para administrar a classe como importantes variáveis relacionadas ao ensino em nível de educação básica.

 

Tabela 2

 

Santos44, ao avaliar os determinantes do processo saúde/doença em professores do ensino básico da cidade de São Paulo, observou que o tempo prolongado no exercício do magistério, o número excessivo de alunos em classe, as jornadas extenuantes, o acúmulo de responsabilidades transferidas à escola, o desgaste na capacidade de trabalho e a desvalorização do magistério - características relacionadas às dimensões do Burnout - são fatores que, de maneira cumulativa, estão adoecendo o professor, confirmando ser essa uma profissão de risco.

Diante do quadro apresentado da Síndrome de Burnout nos professores do ensino fundamental da cidade de João Pessoa, pode-se dizer que a situação é preocupante. Um terço dos professores avaliados (33,6%) apresentou alto nível de Exaustão Emocional; 43,4% evidenciaram Baixa Realização Profissional e 8,3% já revelam altos índices de Despersonalização. Soma-se a isso uma realidade em que a maioria da classe docente submete-se a uma sobrecarga de trabalho, dedica-se exclusivamente ao magistério e sente a profissão como algo que o está estressando. Os resultados revelam um rol de sinais e sintomas que, apesar de a maioria não se transformar em transtornos mentais graves, repercutem em termos de saúde mental, podendo interferir no desempenho profissional dos docentes. A situação preocupa também pelo fato de os professores estarem em pleno exercício funcional, provavelmente agravando o seu quadro com sérios prejuízos para a qualidade de seu trabalho e com consequências importantes na relação ensino-aprendizagem.

É importante considerar algumas limitações ao se analisar os resultados do estudo. Pode-se pensar em um possível viés de seleção, em que os mais afetados não conseguem se manter no emprego, entre outros motivos, afastando-se por licenças para tratamento de saúde. Esta condição produz o "efeito do trabalhador sadio" na amostra, questão peculiar em estudos transversais de epidemiologia ocupacional, quando ocorre a exclusão do possível doente45. Destaca-se que se trata de uma escala de rastreamento de possíveis casos, sendo necessária a realização de entrevistas clínicas e outros métodos de avaliação psicológica para confirmar o diagnóstico e descartar problemas que podem influenciar nos sintomas avaliados e o grau de incapacidade que apresentam para o exercício de sua atividade laboral.

Também deve-se ter cautela com relação aos resultados obtidos, uma vez que estes são decorrentes de organizações escolares públicas localizadas em uma região específica do nordeste do Brasil, não sendo, portanto, passíveis de generalizações. Ozdemir28 pontua que, além do nível de ensino, questões socioeconômicas e geográficas devem ser consideradas nos estudos de Burnout em professores. Outra questão que pode ser considerada uma limitação do estudo é o fato de terem sido utilizadas apenas medidas de auto-relato, o que pode ocasionar algum viés devido à desejabilidade social que algumas questões abordam - no caso deste estudo, as questões relacionadas à dimensão de despersonalização, pois é difícil para o professor admitir que se distancia de seus alunos e se relaciona com eles de forma impessoal.

É necessário destacar que a literatura sobre Burnout em professores no Brasil ainda é incipiente, dificultando a comparação com outros estudos nacionais, no que diz respeito à sua prevalência. Esta situação é importante, uma vez que hoje já se tem clara a influência de aspectos culturais e contexto laboral sobre os resultados de Burnout. É indiscutível hoje a influência dos fatores ambientais para a saúde do trabalhador46. A produção de conhecimento científico sobre os determinantes das doenças e agravos ocupacionais vem contribuindo para a tendência de queda do número de várias enfermidades ocupacionais, em quase todo o mundo23.

O entendimento e reconhecimento dessa realidade se fazem necessários para uma inclusão do professor nas medidas de políticas públicas voltadas para a saúde e bem-estar da categoria. Santana48 pontua a necessidade de uma maior integração entre pesquisadores e gestores para que a pesquisa seja de fato aplicada, visando uma melhor adequação das ações na perspectiva da melhoria das condições de trabalho, de vida e saúde dos trabalhadores.

O estudo aponta para um quadro complexo de variáveis que podem prevenir ou ocasionar a Síndrome de Burnout na população investigada e que sinalizam a importância de intervenções que atuem sobre as variáveis laborais e psicossociais que influenciam o desenvolvimento desse adoecimento ocupacional. Neste sentido os resultados podem subsidiar formas de auxiliar a comunidade escolar na busca de uma melhor qualidade de vida no trabalho e instituições a oferecer à sociedade um trabalho eficiente e qualificado.

 

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Correspondência:
Jaqueline Brito Vidal Batista
Departamento de Fundamentação da Educação
Centro de Educação
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
Campus I, Cidade Universitária
João Pessoa, PB CEP 58000-000
E-mail: jaquebvb@gmail.com

Recebido em: 07/05/09
Versão final reapresentada em: 16/06/10
Aprovado em: 21/06/10