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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.14  supl.1 São Paulo Sept. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2011000500010 

ARTIGOS

 

Fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis obtidos por inquérito telefônico - VIGITEL Brasil - 2009

 

 

Betine Pinto Moehlecke IserI, II; Rafael Moreira ClaroIII; Erly Catarina de MouraIII; Deborah Carvalho MaltaI, IV; Otaliba Libânio Morais NetoV

ICoordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis - Departamento de Análise de Situação de Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde - Brasília (DF), Brasil
IIUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Porto Alegre (RS), Brasil
IIINúcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS) - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil
IVUniversidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte (MG), Brasil
VDepartamento de Análise de Situação de Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde - Brasília (DF), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever os fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis resultantes do Sistema de Vigilância por Inquérito Telefônico (VIGITEL) em 2009.
METODOLOGIA: Prevalências dos principais fatores de risco e proteção foram estimadas na população >18 anos a partir de entrevistas telefônicas em amostras probabilísticas da população coberta por telefonia fixa nas capitais de estados do Brasil e no Distrito Federal, segundo sexo, faixa etária e escolaridade.
RESULTADOS: Foram realizadas 54.367 entrevistas. Fumantes e ex-fumantes corresponderam a 15,5e 22% da população adulta brasileira, respectivamente. O excesso de peso atinge 46,6% dos adultos; 33% relataram consumo de carne com gordura e 18,9% afirmaram consumir bebida alcoólica de forma abusiva. Tais fatores de risco são mais prevalentes em homens e em geral nos indivíduos jovens e de menor escolaridade. A prevalência de atividade física no lazer é de 18,8% (IC95% 17,4-20,1) em homens e de 11,3% (IC95% 10,6-12,0) nas mulheres. A inatividade física atinge 15,6% da população e aumenta com a idade. O consumo de frutas, legumes e verduras e a atividade física no lazer são mais frequentes em homens e mulheres com mais anos de estudo. Diagnóstico de hipertensão arterial foi referido por 21,1% (IC95% 19,6-22,5) dos homens e 27,2% (IC95% 25,8-28,5) das mulheres. A prevalência de diabetes foi de 5,8%.
CONCLUSÃO: Os resultados apontaram comportamentos em saúde distintos de acordo com o sexo, idade e escolaridade da população e reforçam a tendência de queda do tabagismo e aumento no excesso de peso no Brasil.

Palavras-chave: fatores de risco; doença crônica; inquéritos epidemiológicos; vigilância; estudos transversais.


 

 

Introdução

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) - doenças cardiovasculares, neoplasias, doenças respiratórias crônicas, diabetes e doenças musculoesqueléticas, dentre outras - têm em comum sua longa história natural e alguns fatores de risco comportamentais modificáveis e não modificáveis. Análises epidemiológicas indicam que esse conjunto de fatores comportamentais de risco responde pela grande maioria das mortes por DCNT e por fração substancial da carga de doenças devida a essas enfermidades1. Destacam-se o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a obesidade, as dislipidemias, a ingestão insuficiente de frutas e hortaliças e a inatividade física, dentre outros.

A prevenção e controle das DCNT e seus fatores comportamentais de risco são fundamentais para evitar o crescimento epidêmico dessas doenças e suas graves consequências para a qualidade de vida dos indivíduos, pois além de causar mortes prematuras, as doenças crônicas geram efeitos econômicos adversos para as famílias, comunidades, sociedade em geral e para o sistema de saúde no país2.

Para o planejamento de ações de promoção de saúde e estabelecimento de programas que visem à redução da morbimortalidade por doenças crônicas, é essencial o conhecimento da situação de saúde da população. Neste sentido, os inquéritos populacionais têm sido importante ferramenta para a vigilância em saúde, pois são fontes de informação sobre a morbidade referida e os estilos de vida da população, características não captadas pelos sistemas de informações sobre mortalidade (SIM) e internações (SIH)3.

Diferentes abordagens são utilizadas para medir os comportamentos de saúde na população, sendo a escolha do método dependente não só do objetivo do estudo, mas também do custo, do número de profissionais envolvidos e do tempo requerido para a coleta e análise dos dados4. Devido ao alto custo dos inquéritos domiciliares e das pesquisas envolvendo exames físicos e coletas de sangue, uma parcela significativa dos inquéritos de saúde tem se baseado em informações autorrelatadas5,6. Do mesmo modo, tem crescido a utilização de inquéritos telefônicos, com a vantagem do uso de computadores para agilizar o processo de coleta e análise dos dados4,7. A maior experiência conhecida dá-se nos Estados Unidos, com o desenvolvimento, em 1984, do Behavioral Risk Factors Surveillance System (BRFSS) - Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais, originando pesquisas específicas em diferentes áreas da saúde8.

Seguindo essa tendência mundial, o Ministério da Saúde instituiu no Brasil, em 2006, o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (VIGITEL) nas capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal, a partir de entrevistas telefônicas assistidas por computador (computer-assisted telephonic interviews - CATI). Este sistema é anual e contínuo, a fim de permitir o monitoramento e a análise de tendências dos principais fatores de risco e proteção para doenças crônicas e morbidade referida no país9, bem como possibilita o monitoramento de políticas de saúde voltadas para a redução dos fatores de risco e das doenças crônicas.

O objetivo deste estudo foi descrever, conforme características sociodemográficas, os principais fatores de risco e proteção para DCNT encontrados em 2009 na população adulta (idade >18 anos) residente no conjunto das capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal.

 

Métodos

O VIGITEL utiliza amostras probabilísticas da população adulta (18 anos ou mais) residente nas capitais de estados do Brasil e no Distrito Federal, a partir do cadastro das linhas de telefone fixo de cada localidade. Anualmente, são sorteadas 5.000 linhas telefônicas de cada localidade, as quais são divididas em réplicas (ou subamostras) de 200 linhas cada, para identificação das linhas elegíveis, ou seja, linhas residenciais e ativas. Em cada linha elegível, na qual houve contato com um morador adulto e concordância em participar do estudo, é realizada a seleção aleatória do morador que será entrevistado10.

O questionário do VIGITEL, em 2009, constou de 94 questões, divididas nos seguintes módulos: características demográficas e socioeconômicas dos indivíduos, padrão de alimentação e atividade física, peso e altura referidos, consumo de cigarro e de bebidas alcoólicas, avaliação própria do seu estado de saúde e morbidade referida. As perguntas são lidas na tela do computador e as respectivas respostas registradas imediatamente em meio eletrônico, permitindo avanços automáticos em questões não válidas decorrentes das respostas anteriores.

Neste estudo, foram avaliadas as frequências dos principais indicadores relacionados a doenças crônicas em adultos, no conjunto das capitais brasileiras e no Distrito Federal, no ano de 2009.

Os fatores de risco descritos foram: fumantes atuais (indivíduos que fumam, independentemente da intensidade e duração do hábito de fumar), ex-fumantes (não fumantes que já fumaram em algum momento), fumantes passivos no domicílio (não fumantes que relatam que um dos moradores fuma dentro de casa) e no local de trabalho (não fumantes que relatam que pelo menos uma pessoa fuma no seu ambiente de trabalho); excesso de peso (Índice de Massa Corporal - IMC >25 kg/m2) e obesidade (IMC >30kg/m2); consumo de carnes com excesso de gordura (consumo de carne vermelha gordurosa ou frango com pele sem remoção da gordura visível) e consumo regular de refrigerantes ou suco artificial (cinco ou mais dias por semana); inatividade física em geral (indivíduos que não praticaram qualquer atividade física no tempo livre nos últimos três meses, que não realizam esforços físicos intensos no trabalho, que não se deslocam para o trabalho ou escola a pé ou de bicicleta e que não são responsáveis pela limpeza pesada de suas casas); consumo abusivo de bebidas alcoólicas (consumo de 4 ou mais doses para mulheres e 5 ou mais doses para homens em uma mesma ocasião nos últimos 30 dias, considerando como dose de bebida alcoólica 1 dose de bebida destilada, 1 lata de cerveja ou 1 taça de vinho); auto-avaliação do estado de saúde ruim; morbidade referida (diagnóstico médico prévio de hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia e doenças cardíacas)11.

Os fatores de proteção avaliados foram: consumo regular (5 ou mais dias da semana) ou recomendado (5 ou mais porções diárias, em 5 ou mais dias da semana) de frutas, legumes e verduras (FLV); consumo regular de feijão (5 ou mais dias da semana); atividade física no tempo livre (prática de atividade de intensidade leve ou moderada como caminhada, caminhada em esteira, musculação, hidroginástica, ginástica em geral, natação, artes marciais e luta, bicicleta, voleibol ou outra, por pelo menos 30 minutos diários em 5 ou mais dias da semana ou atividades de intensidade vigorosa como corrida, corrida em esteira, ginástica aeróbica, futebol, basquetebol ou tênis, por pelo menos 20 minutos diários em 3 ou mais dias da semana)11.

As estimativas de prevalência e respectivos intervalos de confiança (IC 95%) foram calculados por sexo, idade e nível de escolaridade. As análises dos dados foram realizadas com auxílio do aplicativo Stata® 9.2, levando em conta fatores de ponderação que consideram a maior probabilidade que indivíduos com mais números de telefone ou menos moradores no domicílio tiveram em participar da amostra, além de corrigir a super ou a subestimação da amostra do VIGITEL decorrentes da cobertura de telefonia fixa desigual nas localidades estudadas, conforme os estratos sociodemográficos e o tamanho amostral de cada cidade. Descrição detalhada dos aspectos metodológicos do VIGITEL pode ser encontrada em Moura et al.9.

 

Resultados

Em 2009, um total de 54.367 adultos responderam às entrevistas do VIGITEL, sendo 21.347 homens e 33.020 mulheres. A duração média da entrevista foi de 11 minutos; a taxa média de sucesso foi de 76,5% e a taxa de recusa foi de 3%11.

A frequência dos fatores de risco e proteção para a população total e para os sexos separadamente são apresentadas na Tabela 1. A prevalência de indivíduos fumantes, ex-fumantes e fumantes passivos no local de trabalho foi maior no sexo masculino. Os homens também apresentaram maior frequência de excesso de peso, consumo de refrigerantes e sucos artificiais, consumo de carnes com excesso de gordura e consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Já as mulheres apresentaram maior freqüência de auto-avaliação de saúde ruim, além de maior referência a diagnóstico médico de hipertensão arterial e dislipidemia. Entre os fatores de proteção, os homens referiram maior frequência de consumo regular de feijão (cinco ou mais dias da semana) e de realização de atividade física suficiente no tempo livre, enquanto as mulheres apresentaram maior consumo de frutas, legumes e verduras. A prevalência de fumantes passivos no domicílio, de obesidade, de inatividade física e de diagnóstico médico de diabetes e dislipidemia não apresentaram diferenças significativas entre os sexos (Tabela 1).

Outras discrepâncias de comportamento em relação à saúde foram evidenciadas pela análise estratificada dos fatores de risco e proteção segundo faixa etária e escolaridade (Tabelas 2-4).

Em ambos os sexos, a prevalência de fumantes é menor entre os mais velhos (>65 anos), faixa etária em que a prevalência de ex-fumantes atinge seu ponto máximo. Já a prevalência de fumantes passivos no domicílio é maior entre os mais jovens, enquanto o percentual de fumantes passivos no local de trabalho atinge números mais elevados entre os indivíduos em idade produtiva (Tabela 2).

Em geral, com o aumento da idade verificou-se elevação da frequência de fatores de proteção, como o consumo regular e recomendado de FLV e diminuição da frequência de fatores de risco, como o consumo de refrigerantes, o consumo de carnes com excesso de gordura e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, para ambos os sexos (Tabela 2). No entanto, a inatividade física é maior nas idades mais avançadas entre homens e mulheres, com menores frequências de atividade física no tempo livre apenas para os homens mais velhos. Em todas as faixas etárias, o consumo de feijão é maior entre os homens.

O excesso de peso e a obesidade aumentam progressivamente com a idade até os 64 anos para ambos os sexos (Tabela 3). Na faixa de idade entre 25 e 54 anos, o excesso de peso é significativamente maior nos homens. A avaliação ruim do próprio estado de saúde é maior nas idades mais avançadas, assim como a referência a diagnóstico médico de hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração e dislipidemias (Tabela 3).

De modo geral, foram verificadas maiores frequências de fatores de proteção e menores de fatores de risco para DCNT entre os indivíduos com maior nível de escolaridade, com algumas exceções e diferenças entre os sexos (Tabela 4). A prevalência de homens e mulheres fumantes é maior nos indivíduos com até oito anos de estudo, reduzindo-se a partir de nove anos de estudo, em sentido contrário à frequência de ex-fumantes. Já a redução na frequência de fumantes passivos no domicílio e no local de trabalho, ocorre somente entre os indivíduos com 12 anos ou mais de estudo em ambos os sexos.

O consumo regular e recomendado de FLV e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas foi maior nas faixas mais altas de escolaridade. Em direção oposta, verificou-se relação inversa entre a frequência de consumo regular de feijão e de carnes com excesso de gordura e o nível de escolaridade dos indivíduos. A prática de atividade física no lazer aumenta significativamente entre os grupos com 0 a 8 e 9 a 11 anos de estudo, tanto para homens quanto para as mulheres (Tabela 4).

O excesso de peso e a obesidade apresentaram comportamentos distintos. Entre os homens, o excesso de peso foi menor entre aqueles com nível intermediário de estudo (9 a 11 anos) e entre as mulheres, tanto o excesso de peso quanto a obesidade tiveram frequências mais elevadas no grupo de maior escolaridade.

As frequências de hipertensão arterial, diabetes e doenças do coração foram maiores entre os indivíduos de menor escolaridade, enquanto a frequência de dislipidemias foi maior entre os homens mais escolarizados (Tabela 4).

 

Discussão

Os resultados do VIGITEL 2009 apontam importantes diferenças na prevalência de fatores de risco e proteção de DCNT entre os sexos e também segundo grupos de idade e escolaridade. Verificou-se uma tendência geral de comportamentos mais saudáveis entre as mulheres, indivíduos mais velhos e de maior escolaridade, situação já verificada em avaliação anterior9,12. Entre os fatores de risco, os homens apresentam maiores frequências de tabagismo, excesso de peso, consumo de refrigerantes, de carnes com excesso de gordura e abuso de bebidas alcoólicas. Entre os fatores de proteção, os homens praticam mais atividade física no lazer e têm maior consumo regular de feijão, enquanto as mulheres apresentam maior frequência de consumo de frutas, legumes e verduras. Do mesmo modo, as mulheres também referiram com maior frequência diagnóstico médico de hipertensão arterial e dislipidemia, e estado de saúde ruim. Os inquéritos de fatores de risco de DCNT ainda são recentes no país, dificultando a análise de tendências. Entretanto, para temas como o tabagismo, pesquisas anteriores realizadas no Brasil podem servir de parâmetro, embora não utilizem metodologias idênticas às utilizadas no presente inquérito. Em 1989, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN), a prevalência de fumantes era de 33,1%, reduzindo-se para 17,2% em 2008 entre indivíduos de 15 anos ou mais, residentes em diferentes regiões brasileiras, incluindo a área rural13,14. Esse valor é semelhante ao encontrado pelo VIGITEL 2009, de 15,5% (IC95% 14,5-16,5), considerando-se apenas os adultos (>18 anos de idade) residentes nas capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal. No mesmo ano, a prevalência de fumantes entre os adultos norte-americanos foi de 20,6% (IC95% 19,9-21,3)15. Assim, embora a redução do tabagismo também tenha sido verificada em outros países nos últimos anos, a intensidade de queda anual do tabagismo no Brasil é considerada uma das mais altas do mundo16.

Observa-se também que o número de ex-fumantes é maior após os 45 anos de idade, reforçando a tendência de queda do tabagismo nas duas últimas décadas. O declínio do uso atual de tabaco no país e aumento na cessação do hábito de fumar é parte do resultado da implantação de políticas específicas do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com restrições de publicidade e propaganda, campanhas educativas, advertências nas embalagens de cigarros, proibição de consumo em lugares públicos, dentre outros16-18. O impacto desse declínio pode ser avaliado pela queda na mortalidade por câncer de traquéia, brônquios e pulmões em indivíduos mais jovens e na mortalidade por doenças respiratórias nos últimos anos19,20.

Embora baseado em informações auto-relatadas de peso e altura, os dados do VIGITEL são semelhantes aos dados recentes da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-200921, em que o excesso de peso foi diagnosticado em cerca da metade dos homens e das mulheres de 20 ou mais anos de idade. Na avaliação das tendências por sexo, a prevalência de excesso de peso na população masculina aumentou em quase 3 vezes, passando de 18,5% em 197422 para 50,1% em 200921; entre as mulheres duplicou, passando de 28,7 para 48% no mesmo período. A obesidade aumentou quatro vezes entre homens (2,8 para 12,4%) e em mais de duas vezes para mulheres (de 8 para 16,9%)21. Igualmente, a relação inversa entre a prevalência de obesidade e o nível de escolaridade verificada no VIGITEL para as mulheres e direta para os homens fora descrita anteriormente em estudos nacionais23,24, uma vez mais reforçando a validade de nossos achados. Essa verdadeira epidemia de obesidade em curso no país, está relacionada ao aumento na prevalência de outros fatores de risco como alimentação inadequada (alto consumo de alimentos ricos em gordura saturada, baixo consumo de frutas, legumes e verduras) e aos baixos índices de atividade física na população25,26. A maior frequência de excesso de peso e obesidade nas idades mais avançadas pode ser decorrente de hábitos mais sedentários e maior ingestão de alimentos calóricos, além de fatores genéticos e metabólicos. A consequência desse problema é o aumento na morbimortalidade por doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial11,12,20, justificando o investimento em ações de promoção de alimentação saudável e de incentivo à atividade física27. Estima-se que se a tendência atual se mantiver, em 10 anos, o Brasil alcançará os números dos Estados Unidos, onde quase um terço da população é obesa e a prevalência aumenta em ritmo mais lento28.

Os resultados do VIGITEL apontam ainda os baixos níveis de atividade física no país. Destaca-se que a frequência de atividade física no tempo livre é menor nas maiores idades, sendo que homens com maior escolaridade são mais ativos, características já apontadas em outros estudos25,29,30. A falta de atividade física está relacionada ao aumento da obesidade e ao desenvolvimento de diferentes tipos de doenças crônicas, como doenças cardíacas, diabetes e cânceres31. Apesar dos esforços na promoção da atividade física no lazer, ou no tempo livre, as prevalências de atividade física no lazer e sedentarismo não têm sofrido alterações significativas nos últimos anos11.

As evidências dos benefícios da alimentação saudável na prevenção de DCNT já foram bem estabelecidas. De acordo com a OMS, o consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras (consumo diário inferior a 400 g ou aproximadamente 5 porções por pessoa) é responsável anualmente por 2,7 milhões de mortes, 31% das doenças isquêmicas do coração, 11% das doenças cerebrovasculares e 19% dos cânceres gastrointestinais ocorridos em todo o mundo2,27. O VIGITEL apontou que apenas 30,4% da população adulta tem consumo regular de frutas, legumes e verduras e apenas 18,9% da população adulta atingiu os níveis recomendados pela OMS27. Além disso, quase um terço da população ingere carnes com gordura e refrigerantes regularmente. O consumo de feijão atinge níveis elevados, sendo mais frequente entre homens, embora apresente tendência decrescente nos últimos anos para ambos os sexos11,32. O consumo alimentar de maneira geral é mais adequado entre mulheres do que entre homens e melhora ainda na maior escolaridade e na maior idade, em concordância com estudos anteriores33,34. Alimentação mais saudável em populações de maior escolaridade pode ser explicada pelo maior acesso à informação para adoção de hábitos saudáveis35, bem como pelo maior poder aquisitivo para a escolha na compra de alimentos36.

É preocupante o consumo abusivo de bebidas alcoólicas na população adulta brasileira, especialmente entre os homens e na população jovem. Além de ser fator de risco para hipertensão, cirrose, acidente vascular cerebral e cânceres, o consumo de bebidas alcoólicas está associado a altos índices de violências e acidentes.

A auto-avaliação do estado de saúde ruim foi maior entre as mulheres e nos grupos de maior idade, semelhante aos achados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Essa característica era esperada por se tratar de uma medida do estado de saúde das populações, do acesso aos serviços de saúde, do impacto das doenças na qualidade de vida dos indivíduos; além disso, esse indicador tem sido considerado importante preditor de mortalidade, especialmente para a população idosa.

Em relação às condições de morbidade, é maior entre as mulheres a freqüência de diagnóstico médico de hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração e dislipidemias, o que pode ser explicado pela maior procura das mulheres pelos serviços de saúde. A PNAD também mostrou maior percentual de doenças crônicas em mulheres e frequência expressivamente maior dessas doenças nas faixas etárias mais altas. Considerando que os homens apresentam com maior freqüência fatores de risco como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso e alimentação inadequada, a menor auto-referência às doenças crônicas em homens pode ser explicada pela menor preocupação desta população com a sua saúde e da menor procura aos serviços de saúde, resultando em maior morbimortalidade e menor expectativa de vida. Este cenário contribuiu para a instituição da Política Nacional de Saúde do Homem pelo Ministério da Saúde em 2009, cujo intuito é facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde e aos exames preventivos40.

A hipertensão é a doença crônica mais frequente entre os resultados dos inquéritos de saúde, no entanto os valores identificados apresentaram variações de acordo com a metodologia utilizada e o período do estudo30,41. Por se limitar a diagnóstico referido na população adulta e residente nas capitais de estados do Brasil e no Distrito Federal, onde o acesso a exames diagnósticos costuma ser maior, o VIGITEL tende a apresentar frequências maiores quando comparado a inquéritos de maior abrangência geográfica como a PNAD, mas ainda subestimadas quando comparados a inquéritos que utilizam medidas biomédicas para diagnóstico26,42,43.

A idade de maior relato de diabetes no VIGITEL (a partir de 45 anos) coincide com a faixa etária que apresenta maior carga da doença em termos de anos de vida ajustados para incapacidade (indicador DALYs)44. Em relação à prevalência de hipertensão arterial, a maioria dos estudos populacionais não encontrou diferença entre os sexos45, diferente do verificado neste estudo e no inquérito em Bambuí (MG)46, nos quais as mulheres apresentaram prevalência significativamente maior da doença. A maior prevalência nas maiores idades e nas menores escolaridades é condição evidenciada em outros estudos34,45,47.

Podem ser consideradas limitações deste estudo: a restrição da amostra aos indivíduos residentes nas capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal que possuem telefone fixo, pois no Brasil existem diferenças regionais em relação à cobertura de telefonia; o uso de informações autorreferidas para estimar a frequência de doenças como hipertensão arterial e diabetes, cujo diagnóstico é dependente do acesso aos serviços de saúde, também apresenta diferenças regionais; e o estudo do tipo transversal que não permite avaliação de causa-efeito. O VIGITEL utiliza fatores de ponderação para ajustar as estimativas obtidas no inquérito telefônico de forma a corrigir as diferenças entre a população com e sem telefone e assim extrapolar os resultados para a população total das localidades avaliadas9,11. Com relação ao uso de morbidade referida, estudos anteriores realizados nos Estados Unidos e no Brasil demonstraram que, apesar da possível subestimação ou falsos-relatos, este tipo de mensuração é considerado válido26,39,48.

Inquéritos telefônicos são úteis para prover informações ágeis com menor custo4, tornando-se um importante instrumento para o monitoramento dos fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis e ações de promoção à saúde, bem como dos impactos das políticas de saúde destinadas ao enfrentamento dos fatores de risco e controle das doenças crônicas.

 

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Correspondência:
Deborah Carvalho Malta
Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde
SAF Sul - Trechos 02 - Lotes 05/06 - Bloco F - Torre 1 - Edifício Premium - Térreo - Sala 14
CEP: 70070-600 - Brasília (DF), Brasil
E-mail: deborah.malta@saude.gov.br

Trabalho realizado em parceria entre a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).
Fonte de financiamento: nenhuma.
Conflito de interesse: nada a declarar.
Recebido em: 05/01/2011
Versão final apresentada em: 05/02/2011
Aprovado em: 08/02/2011