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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.15 no.1 São Paulo Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2012000100010 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Inclusão digital e capacidade funcional de idosos residentes em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil (EpiFloripa 2009-2010)

 

 

Felipe de Luca MedeirosI; André Junqueira XavierII; Ione Jayce Ceola SchneiderIII; Luiz Roberto RamosIV; Daniel SigulemV; Eleonora d'OrsiIII

IUniversidade Federal de Santa Catarina
IIUniversidade do Sul de Santa Catarina e Universidade Federal de São Paulo
IIIPrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina
IVDepartamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
VDepartamento de Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Estudar a relação entre inclusão digital, na forma de troca de mensagens pela Internet, e capacidade funcional de idosos residentes em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
MÉTODOS: Utilizaram-se dados do EpiFloripa Idoso, um estudo transversal de base populacional com idosos (60+ anos) realizado entre 2009 e 2010. A capacidade funcional foi representada pela dificuldade ou incapacidade na realização de atividades básicas ou instrumentais da vida diária, e constituiu a variável dependente denominada dependência funcional. A variável independente principal foi a capacidade autorreferida de enviar e receber mensagens pela Internet usando um computador. Razões de prevalência (PR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram estimados em modelo multivariável por regressão de Poisson.
RESULTADOS: A amostra compreendeu 1.656 idosos entre 60 e 102 anos com idade média de 70,39 anos (DP = 7,79). Os idosos que conseguiam enviar e receber mensagens pela Internet sem dificuldade apresentaram prevalência significativamente menor de dependência funcional moderada/grave (RP = 0,61; IC95%: 0,40 - 0,94) após ajuste para fatores demográficos, socioeconômicos, de saúde e comportamentais.
CONCLUSÕES: A troca de mensagens pela Internet possui forte associação com independência funcional. Não é possível inferir a relação de causalidade dessa associação. Estudos alicerçam a hipótese de que a troca de mensagens pela Internet e a independência funcional tenham uma associação bidirecional, aditiva e sinérgica. Estudos longitudinais poderiam investigar os mecanismos envolvidos nessa associação, para fundamentar políticas de inclusão digital de idosos e para identificar qual o perfil de idosos que mais se beneficiaria com essa inclusão.

Palavras-chave: Idoso. Capacidade Funcional. Comunicação. Internet. E-mail.


 

 

Introdução

A população que possui 60 anos ou mais é a que mais cresce no Brasil1 - onde é definida como idosa a pessoa que se encontra nessa faixa etária2. Com o fenômeno mundial do envelhecimento populacional, o conceito de capacidade funcional emergiu como a medida mais operacional da saúde do idoso3,4. Capacidade funcional engloba a interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social e suporte familiar e econômico3. É medida pelas atividades da vida diária, que caracterizam um idoso independente e autônomo na comunidade. Autonomia e independência são os determinantes do envelhecimento saudável nesse contexto, e não a ausência de morbidades ou de problemas em todas as dimensões3,4.

A integridade das atividades da vida diária fundamenta a saúde física, mental, e o bem-estar social4. Na prática, trabalha-se com o conceito de capacidade/incapacidade5. A incapacidade ou dependência funcional é definida pela presença de dificuldade ou impossibilidade de desempenhar as atividades da vida diária5.

A avaliação da capacidade funcional por meio de escalas de atividades da vida diária é componente vital da avaliação geriátrica ampla, uma vez que a dependência funcional é preditora independente e modificável da mortalidade6. Nesse sentido, é essencial compreender quais fatores se associam à dependência funcional, e como essas associações ocorrem. Os fatores convencionalmente associados com dependência funcional em estudos brasileiros e de outros países incluem: idade avançada; baixa escolaridade; aposentadoria; deficiência cognitiva; autopercepção da saúde ruim; depressão e outras doenças crônicas; internação hospitalar nos últimos 6 meses; e relacionamentos infrequentes com amigos5,7,8.

Fenômeno contemporâneo ao envelhecimento populacional, o crescente uso de ferramentas digitais - tais como computadores pessoais, caixas eletrônicos, telefones celulares e Internet - emerge como revolucionário meio de integração social, num processo denominado Inclusão Digital. Tais ferramentas enriquecem a comunicação e proporcionam acesso a informações e a serviços diversos9,10, representando um processo de ganho sociocultural e de empoderamento, que pode ser considerado uma "nova alfabetização".

Contudo, à medida que cresce a inclusão digital, aumenta a distância entre os incluídos digitalmente e os "infoexcluídos" - e embora a população idosa seja a que mais cresce no Brasil, constitui a população mais digitalmente excluída. Em 2009 e em 2010, apenas 5% dos idosos brasileiros eram usuários da Internet9,10. Todavia, tais usuários vêm cada vez mais usando esse meio para se comunicar: 70% deles usavam correio eletrônico, em 2009, e 82%, em 2010, correspondendo à atividade mais realizada por idosos na Internet9,10. O uso de correio eletrônico por idosos tem o potencial de solidificar a comunicação com familiares e amigos, de fomentar o desenvolvimento de novas amizades e de fortificar as relações intergeracionais11. Além disso, outros meios de comunicação via Internet vêm sendo cada vez mais utilizados pelos idosos brasileiros, desde mensagens instantâneas (como MSN®) e sítios de redes sociais (como Facebook®, Orkut®), até telefonia via internet (como Skype®) 9,10.

Esses meios de comunicação refletem a presença de uma rede social e se inserem no contexto da inclusão digital. A inclusão digital não é um processo passivo. Demanda iniciativa, alta capacidade cognitiva, controle emocional, e aprendizado contínuo. Com efeito, o estímulo cognitivo é fator determinante na redução da incidência de perda cognitiva e de demência - e esses processos, por sua vez, relacionam-se diretamente à perda funcional12. Não obstante, poucas pesquisas foram feitas para analisar a relação entre dependência funcional de idosos e inclusão digital.

O presente estudo tem por objetivo investigar a relação entre inclusão digital - representada por sua vertente mais importante, a comunicação, na forma de troca de mensagens pela Internet - e dependência funcional de idosos residentes em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, sob a hipótese de que há uma associação positiva entre inclusão digital e independência funcional.

 

Métodos

Foram utilizados dados do EpiFloripa Idoso, estudo transversal de base populacional sobre as condições de saúde das pessoas idosas do município de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, Brasil, realizado entre setembro de 2009 e junho de 2010.

O município de Florianópolis apresentou uma população estimada em 408.163 habitantes para o ano de 200913. A faixa etária em estudo - idade igual ou superior a 60 anos - correspondeu a 44.460 habitantes (10,8%). No ano de 2007, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), Florianópolis figurou como o município brasileiro com o 119º melhor Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM)14, que avalia emprego / renda, educação e saúde em todos os 5.564 municípios brasileiros, classificando-os.

O cálculo do tamanho da amostra foi realizado com o programa Epi-Info, de domínio público, versão 6.04, no qual foi utilizada a fórmula para cálculo de prevalência com amostra causal simples. Os seguintes critérios foram utilizados: população estimada em 44.460 idosos; prevalência para o desfecho desconhecida (50%); nível de confiança de 95%; e erro amostral igual a 4 pontos percentuais. O cálculo foi multiplicado por 2 (valor relativo ao efeito do delineamento estimado para amostra por conglomerados em dois estágios) e acrescido de 20% de perdas previstas e de 15% para controle de fatores de confusão em análise multivariável. Obteve-se, assim, um tamanho amostral desejável de no mínimo 1.599 pessoas.

A seleção da amostra foi realizada por conglomerados, em dois estágios. No primeiro estágio, os 420 setores censitários urbanos do município foram ordenados conforme a renda média mensal do chefe da família, e foram sorteados sistematicamente 80 desses setores (oito setores em cada decil de renda). Para o segundo estágio levou-se em consideração o número médio de moradores por domicílio no Sul do Brasil - que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)15, equivalia a 3,1 em 2009. Dessa forma, para entrevistar 20 idosos por setor, foram sorteados, sistematicamente, cerca de 60 domicílios por setor, e todos os idosos residentes nos domicílios sorteados foram convidados a participar do estudo.

Houve necessidade de atualização do número de domicílios dos setores sorteados (arrolamento). A contagem foi realizada pelos supervisores do estudo, obedecendo às normas do IBGE. Foi efetuado o agrupamento de setores com menos de 150 domicílios, e a divisão de setores com mais de 500 domicílios, respeitando-se o decil de renda correspondente, totalizando 83 setores.

Consideraram-se perdas os idosos não localizados após quatro visitas (sendo pelo menos uma no período noturno e uma no final de semana) e os impossibilitados de responder por motivo de viagem ou de internação hospitalar de curta permanência; e recusas, os idosos que se negaram a participar por opção pessoal.

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário padronizado, aplicado em entrevistas face a face - com auxílio de assistentes pessoais digitais - por entrevistadoras com nível médio completo de escolaridade ou mais, devidamente treinadas sobre os procedimentos da pesquisa. O estudo-piloto incluiu 99 idosos residentes em setores não amostrados para a pesquisa. Houve verificação semanal da consistência dos dados e controle de qualidade via telefone em 10% dos idosos sorteados aleatoriamente. A reprodutibilidade das questões utilizadas no controle de qualidade foi considerada satisfatória, com valores de kappa variando entre 0,6 a 0,9. A supervisão do trabalho de campo e o controle de qualidade e da consistência dos dados foram realizados por estudantes de cursos de pós-graduação.

A variável dependente deste estudo foi a dependência funcional, obtida a partir da aplicação da escala de atividades da vida diária (AVD) 4, composta por 8 atividades básicas da vida diária e por 7 atividades instrumentais da vida diária - totalizando 15 atividades. As atividades básicas da vida diária incluíram: deitar/levantar da cama; alimentar-se sozinho; cuidar da aparência; andar no plano; banhar-se; vestir-se; ir ao banheiro em tempo; e subir um lance de escadas. As atividades instrumentais da vida diária incluíram: tomar remédios na hora certa; andar perto de casa; fazer compras; preparar refeições; cortar as unhas dos pés; sair de ônibus ou táxi; e fazer limpeza da casa. A dependência funcional foi classificada em valores entre zero (realiza todas as AVDs sem incapacidade/dificuldade) e 15 (incapacidade/dificuldade em todas as AVDs), e dicotomizada em dependência funcional ausente/leve (incapacidade/dificuldade para realizar 0-3 atividades) e dependência funcional moderada/grave (incapacidade/dificuldade para realizar 4-15 atividades) 5.

A variável independente principal do estudo foi a capacidade de troca de mensagens pela Internet, definida como a capacidade autorreferida em usar um computador para envio e recebimento de mensagens pela Internet por meio de pelo menos um destes meios de comunicação: correio eletrônico, sítio de rede social, mensagem instantânea ou mensagem de voz. A definição de computador abrangeu os computadores de mesa e os portáteis do tipo laptop e netbook. Essa variável foi pesquisada através da pergunta "Você consegue enviar e receber mensagens pelo computador?", e foi dicotomizada em: consegue enviar e receber mensagens pela Internet sem dificuldade; e não consegue enviar nem receber mensagens pela Internet/consegue com dificuldade. É importante observar que esta variável representa a conclusão de um processo que se inicia com o uso dos dispositivos de apontamento e de entrada (mouse), e de um entendimento das metáforas implicadas no uso da máquina (navegação hipertextual). Não se trata de uma variável isolada, mas sim de um marcador de que esta pessoa - que manda e recebe mensagens - reúne condições de trocar informações e de partilhar serviços e atividades pela Internet. Representa o final do ciclo de aprendizado necessário à inclusão digital.

Também foi investigada a variável capacidade de uso de computador, que foi pesquisada com a seguinte pergunta, inquirida antes da pergunta sobre a troca de mensagens pela Internet: "Você consegue usar o computador?". O uso do computador, por sua vez, abrange vários níveis de usuário - desde o iniciante até o adiantado - e representa, assim, uma população mais heterogênea. Essa variável foi dicotomizada em: consegue usar computador sem dificuldade; e não consegue usar computador/consegue com dificuldade. Se o idoso não fosse capaz de usar computador, a capacidade de troca de mensagens pela Internet era automaticamente classificada em não consegue enviar nem de receber mensagens pela Internet usando um computador.

Foram incluídos, como variáveis de controle, fatores demográficos, socioeconômicos, de saúde, comportamentais e sociais. Essas variáveis encontram-se listadas nas tabelas. Algumas merecem descrição pormenorizada: a renda familiar per capita foi agrupada em quartis (1º quartil: < R$ 327,50; 2º quartil: > R$ 327,50 e < R$700,00; 3º quartil: > R$700,00 e < R$1.500,00; 4º quartil: > R$1.500,00); o estado cognitivo foi categorizado em ausência de déficit cognitivo e em provável déficit cognitivo por meio do Miniexame do Estado Mental, levando em consideração o nível de escolaridade16; a presença de sintomas depressivos foi avaliada conforme a versão reduzida com 15 perguntas da Escala de Depressão Geriátrica, utilizando-se ponto de corte de cinco/seis (não caso/caso), conforme sugestão dos estudos que envolveram a tradução e validação da escala para o Brasil17; as demais doenças crônicas não transmissíveis foram autorreferidas; a atividade física foi dicotomizada em fisicamente ativo (pratica mais de 150 minutos por semana de exercícios físicos no lazer) ou não18; e as frequências de relacionamento com amigos e com parentes foram dicotomizadas em relacionamentos frequentes (mais de uma vez por mês) ou infrequentes (uma vez por mês ou menos).

Para testar a associação entre o desfecho e as variáveis independentes, foram realizadas análises bruta e multivariável mediante regressão de Poisson, estimando-se as razões de prevalência brutas e ajustadas; e calculados os respectivos intervalos de confiança de 95%, sendo o valor de p calculado pelo teste de Wald19.

A primeira variável a ser incluída no modelo múltiplo foi a variável independente principal; e, a seguir, uma de cada vez, em seleção "para frente", as variáveis de controle que apresentaram valor de p < 0,20 na análise bruta. As variáveis permaneciam no modelo se atingissem valor de p < 0,05 e/ou ajustassem o modelo. A variável capacidade de uso de computador não foi testada no modelo múltiplo, uma vez que constitui um elo entre o desfecho e a variável capacidade de troca de mensagens pela Internet.

Utilizou-se o aplicativo Stata 11.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos) como ferramenta de análise estatística. As análises multivariáveis consideraram o efeito do desenho amostral por meio do comando svy do Stata, projetado para a análise de dados provenientes de amostras complexas.

O projeto EpiFloripa Idoso foi aprovado pelo comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o protocolo de nº 352/2008, em 23 de dezembro de 2008; e foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob processo de nº 569834/2008-2.

 

Resultados

Nos domicílios sorteados foram encontrados 1.911 idosos elegíveis. Dentre eles, obteve-se uma amostra efetiva de 1.705 participantes; e, portanto, uma taxa de resposta de 89,2% (206 perdas ou recusas). Uma pequena parcela dos idosos da amostra efetiva não pôde ser entrevistada diretamente devido à incapacidade cognitiva severa do idoso (n = 49), sendo a entrevista então realizada com um informante residente no mesmo domicílio. Para efeitos de análise, essa parcela de idosos foi excluída, sendo o presente estudo realizado com uma amostra final de 1.656 idosos.

A amostra final abrangeu idosos entre 60 e 102 anos, com idade média de 70,39 anos (DP = 7,79; mediana = 69,00). Entre eles, 70,4% tinham dependência funcional ausente/leve; 21,9% eram capazes de usar computador sem dificuldade; e 20,7% conseguiam enviar e receber mensagens pela Internet sem dificuldade usando um computador (Tabelas 1 e 2).

Na análise bruta (Tabelas 3 e 4), a variável capacidade de troca de mensagens pela Internet apresentou a segunda associação mais forte com a variável dependente: quem era capaz de enviar e receber mensagens pela Internet sem dificuldade apresentou razão de prevalência 4 vezes menor para dependência funcional moderada/grave (RP = 0,26; IC95%: 0,17 - 0,38). A autopercepção da saúde foi a variável que teve a associação mais forte com dependência funcional moderada/grave; e, em terceiro lugar, a capacidade de uso de computador.

 

 

Após ajuste em análise multivariável por meio de regressão de Poisson (Tabela 5), quem era capaz de enviar e receber mensagens pela Internet sem dificuldade permaneceu com uma razão de prevalência significativamente menor para dependência funcional moderada/grave (RP = 0,61; IC95%: 0,40 - 0,94). A variável que apresentou associação mais forte com a variável dependente continuou sendo a autopercepção da saúde. A variável idade ficou em segundo lugar; e, a capacidade de troca de mensagens pela Internet, em terceiro. Outros fatores associados de forma independente com maior prevalência do desfecho incluíram: escolaridade de 1 a 4 anos; deficiência cognitiva; depressão; doença de coluna ou costas; artrite/reumatismo; diabetes; doença cardiovascular diferente de hipertensão; e acidente vascular encefálico. Além da troca de mensagens pela Internet, a atividade física apresentou associação independente com menor prevalência de desfecho.

 

Discussão

Foi encontrada, no presente trabalho, uma associação significativa entre envio e recebimento de mensagens pela Internet sem dificuldade usando um computador e menor prevalência de dependência funcional moderada/grave em análise bruta, e essa associação se manteve mesmo após ajuste para as variáveis de controle selecionadas. Não é possível, todavia, determinar a relação de causalidade dessa associação, devido à limitação de caráter transversal do estudo.

Vários fatores convencionalmente associados com dependência funcional, em estudos brasileiros e de outros países5,7,8, também se mostraram significativamente associados com dependência funcional moderada/grave em análise bruta e/ou multivariável no presente trabalho. Isso traduz consistência dos dados do presente trabalho com os da literatura; e fortalece a associação entre a variável independente e o desfecho, frente a fatores de confusão.

Uma hipótese para a associação encontrada entre capacidade de troca de mensagens pela Internet e independência funcional de idosos neste trabalho é de que a troca de mensagens pela Internet exerça um efeito protetor sobre a independência funcional. Outra hipótese, inversa à primeira, é de que idosos com uma maior independência funcional - e, portanto, com melhores índices socioeconômicos e culturais - tenham maior acesso e interesse por trocar mensagens pela Internet. Uma terceira hipótese é de que a troca de mensagens pela Internet e a independência funcional tenham uma associação bidirecional de forma aditiva.

Um estudo que respalda a primeira hipótese observou que o uso de correio eletrônico - o principal meio de comunicação usado por idosos brasileiros na Internet9 - pode proporcionar maior bem-estar social aos idosos. Sayago & Blat20 conduziram um estudo etnográfico sobre o uso de correio eletrônico com 388 idosos espanhóis, e evidenciaram que o seu uso propiciava benefícios como: maior interação com amigos e com familiares; sentimento de inclusão digital e de maior integração na sociedade moderna; sentimento de realização e aumento da autoestima; além de reforçar os métodos tradicionais de comunicação.

Além disso, num estudo com 42 pessoas - com idade média de 61 anos - Xavier et al21 concluíram que oficinas de treinamento em uso de Internet podem: promover cooperação contínua e solidariedade entre os participantes; aumentar a autoestima; e gerar novas perspectivas de inclusão digital, com enfoque não em tecnologias centradas em usuários isolados, mas em "grupos cooperativos, síncronos e evolucionários". Foi observada uma forte relação entre a criação de uma conta de correio eletrônico e a descoberta de uma nova identidade no sentido da cidadania: a máquina (nova ferramenta) passou a "aceitar" um indivíduo que era digitalmente excluído e rejeitado.

Uma vez que o uso de correio eletrônico pode promover o bem-estar social dos idosos, a possibilidade de que a capacidade de trocar mensagens pela Internet sem dificuldade por idosos seja um fator associado à independência funcional se justifica pela relação, bem estabelecida na literatura, entre bem-estar social e preservação da independência funcional na velhice8. Além disso, o bem-estar social possui evidente associação com preservação da capacidade cognitiva22, que, por sua vez, possui associação com independência funcional23.

Além do potencial de fortalecer os laços sociais, o aprendizado de computadores e da Internet pelos idosos tem o potencial de auxiliar na manutenção da capacidade cognitiva24. E essa manutenção, como já citado anteriormente, possui uma associação bem estabelecida com independência funcional na literatura. Xavier et al.24 conduziram um estudo com 173 brasileiros, com idade média de 70,1 anos (± 10,05), e constataram que 71 participantes que foram submetidos a oficinas de treinamento em uso de computadores e da Internet apresentaram um aumento estatisticamente significativo do Miniexame do Estado Mental frente aos 102 participantes do grupo controle.

Por outro lado, a hipótese de que a manutenção de uma boa independência funcional promova uma maior capacidade de troca de mensagens pela Internet também tem respaldo na literatura. Vários fatores relacionados a uma maior prevalência de independência funcional também possuem associação com maior prevalência de uso de computadores - por exemplo, ser mais jovem, ser casado, ter maior escolaridade, melhores condições financeiras, boa capacidade cognitiva e poucas morbidades25. Além disso, idosos com maior bem-estar social poderiam ter mais capacidade cognitiva para - ou interesse por - usar a Internet como meio de comunicação. Por exemplo, uma pesquisa26 mostrou que idosos com mais conectividade social, suporte social, e atitudes positivas perante o envelhecimento apresentaram uma menor taxa de desistência num programa de treinamento em uso da Internet. Seguindo esse raciocínio, o suporte e o bem-estar sociais podem ter atuado como fator de confusão na associação observada no presente trabalho, em que o suporte social foi representado pelas variáveis relacionamento com amigos, relacionamento com parentes e participação em grupo de convivência ou religioso. Entre elas, apenas a variável relacionamento com amigos apresentou associação significativa com independência funcional - em concordância com um estudo longitudinal brasileiro que pesquisou a associação entre independência funcional e relacionamento com amigos e parentes7. Contudo, mesmo que a variável relacionamento com amigos tivesse obtido critérios para permanecer na análise multivariável do presente estudo, a possibilidade de esse viés de confusão ocorrer persistiria de forma residual, uma vez que essa variável não mede todo o suporte social do idoso.

Foi encontrado na literatura apenas um estudo que havia relacionado o uso de computador ou da Internet com dependência funcional. McConatha & McConatha27 conduziram um estudo longitudinal com 29 estadunidenses institucionalizados com mais de 50 anos - 26 deles tinham mais de 70 anos. Após a realização de treinamento em (e suporte ao) uso de computadores e da Internet - incluindo uso de correio eletrônico - aos participantes, o grau de dependência funcional pela escala de Katz diminuiu frente ao grupo controle. A comparação do estudo supracitado com o presente estudo é prejudicada pela diferença dos métodos empregados. Contudo, os resultados de ambos corroboram a noção de que há uma associação positiva de independência funcional de idosos tanto com uso de computadores e da Internet quanto com troca de mensagens pela Internet.

A frequência de troca de mensagens pela Internet e de uso de computador não foi investigada no presente estudo. Devido a essa limitação, caso um idoso usasse computador ou trocasse mensagens pela Internet com uma frequência baixa, a capacidade autorreferida pode não ter refletido a real capacidade à época da entrevista. Contudo, 93% dos usuários brasileiros da Internet com mais de 60 anos acessaram a Internet pelo menos uma vez por mês, em 2009, e 98%, em 20109,10. Partindo do princípio de que essa frequência seja semelhante à frequência de acesso à Internet pelos idosos do presente estudo - cuja coleta de dados foi feita de 2009 a 2010 -, e uma vez que 78% dos internautas idosos brasileiros usavam a Internet para se comunicar, em 2009, e 91%, em 20109,10, é improvável que esse fator tenha exercido viés sobre a pesquisa. Pesquisas futuras poderiam investigar também a possibilidade de uma relação do tipo dose-resposta entre frequência de troca de mensagens pela Internet e dependência funcional.

Não foram discriminados os meios de comunicação que os idosos usavam para trocar mensagens pela Internet - se por correio eletrônico, por sítio de rede social, por mensagem instantânea, ou por mensagem de voz -, mas somente a capacidade de enviar e receber mensagens por pelo menos um desses meios usando um computador. Pesquisas futuras poderiam realizar uma abordagem integrada para investigar a relação entre dependência funcional, cada um dos meios de comunicação disponíveis na Internet para troca de mensagens, e outros meios de comunicação - incluindo a troca de mensagens pela Internet por meio de outros dispositivos eletrônicos além dos computadores. Além disso, a influência isolada exercida sobre a independência funcional, tanto pela troca de mensagens pela Internet quanto pelo uso de computador, precisa ser melhor discriminada em estudos futuros.

O uso de computadores é uma atividade da vida diária instrumentalizada, tal como fazer compras, usar transporte público ou privado, e administrar finanças. Essas funções também são classificadas como funções executivas. O dicionário da International Neuropsychological Society28 define as funções executivas como "as habilidades cognitivas necessárias para realizar comportamentos complexos dirigidos para determinado objetivo, incluindo a capacidade adaptativa às diversas demandas e mudanças ambientais". Na avaliação neuropsicológica, as funções executivas traduzem uma ampla variedade de funções cognitivas, como atenção, concentração, seletividade de estímulos, capacidade de abstração, planejamento, flexibilidade cognitiva, autocontrole e memória operacional29.

Um adequado funcionamento social depende da integridade das funções executivas30, e o declínio das funções executivas possui associação precoce com dependência funcional31. A atividade de troca de mensagens pela Internet, por sua vez, demanda um adequado funcionamento executivo e social. A associação observada entre essa atividade e a independência funcional, no presente trabalho, suscita a possibilidade de que o monitoramento da funcionalidade da troca de mensagens pela Internet poderia ser um marcador de capacidade funcional em idosos já incluídos digitalmente. Estudos longitudinais poderiam ir além e investigar a funcionalidade da troca de mensagens pela Internet não só como marcador de capacidade funcional, mas também de depressão, na dimensão psicossocial, e de comprometimento cognitivo leve, na dimensão cognitiva/executiva. O acompanhamento dessa funcionalidade poderia ser feito de forma verbal e periódica por profissionais da saúde, ou de forma automatizada, mediante sistemas computacionais providos de inteligência artificial com reconhecimento de padrões. Com a perspectiva de uma sociedade cada vez mais incluída digitalmente9,10, políticas de planejamento de saúde de idosos - num futuro talvez não tão distante - poderiam se beneficiar do acompanhamento automatizado como uma forma simples e de baixo custo de avaliar - de forma integrada, simultânea e em larga escala - as dimensões funcional, social, e cognitiva de vários idosos.

A menor prevalência de dependência funcional entre idosos que trocam mensagens pela Internet, observada neste trabalho, poderia ser explicada por um possível efeito protetor da comunicação pela Internet sobre a independência funcional. Ademais, pesquisas respaldam que o aprendizado do uso da Internet e de computadores pode exercer efeitos benéficos sobre a capacidade cognitiva, que é um dos mais importantes marcadores de perda funcional. A hipótese inversa também é plausível - os idosos que são mais funcionalmente independentes podem se interessar mais pelo uso da Internet, e ter mais acesso a ela. Tais hipóteses não são excludentes. Acreditamos que quem tem mais independência funcional é mais propenso a trocar mensagens pela Internet; e que essa atividade, por seu turno, exerça um efeito benéfico sobre a capacidade cognitiva e o bem-estar social. Com efeito, há uma relação bem estabelecida na literatura de que a manutenção da capacidade cognitiva e do bem-estar social na velhice propicia a manutenção da independência funcional. Assim, a troca de mensagens pela Internet poderia promover uma maior independência funcional, e a independência funcional poderia promover a troca de mensagens pela Internet - de forma bidirecional, aditiva e sinérgica. Os mecanismos envolvidos na associação encontrada neste trabalho merecem ser investigados em estudos longitudinais. Tais estudos são essenciais para fundamentar políticas de inclusão digital de idosos - tão digitalmente excluídos no Brasil - e para identificar qual o perfil de idosos que mais se beneficiaria com essa inclusão.

 

Referências

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Correspondência:
Eleonora d'Orsi
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Departamento de Saúde Pública
Trindade, Florianópolis, SC - CEP 88040-970
E-mail: eleonora@ccs.ufsc.br

Recebido em: 16/06/11
Versão final apresentada em: 09/10/11
Aprovado em: 25/11/11
Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No. do processo: 569834/2008-2.

 

 

ERRATA CORRECTION

 

Inclusão digital e capacidade funcional de idosos residentes em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil (EpiFloripa 2009-2010)

 

Digital inclusion and functional capacity of older adults living in Florianópolis, Santa Catarina, Brazil (EpiFloripa 2009-2010)

 

Volume 15, número 1, março/2012, Página 107:

Onde se lê:

difficulty in performing basic

O correto é:

difficulty to perform basic