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Revista Brasileira de Epidemiologia

versão On-line ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.18 no.1 São Paulo jan./mar. 2015

https://doi.org/10.1590/1980-5497201500010003 

Artigos Originais

Início da vida sexual entre adolescentes (10 a 14 anos) e comportamentos em saúde

Helen GonçalvesI 

Eduardo Coelho MachadoI 

Ana Luiza Gonçalves SoaresI 

Fabio Alberto Camargo-FigueraI  II 

Lenise Menezes SeerigI 

Marília Arndt MesenburgI 

Marília Cruz GuttierI 

Raquel Siqueira BarcelosI 

Romina BuffariniI 

Maria Cecília Formoso AssunçãoI 

Pedro Curi HallalI 

Ana Maria Baptista MenezesI 

IPrograma de Pós-graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil

IIEscuela de Enfermería, Universidad Industrial de Santander - Bucaramanga, Colômbia


RESUMO

OBJETIVO:

Avaliar a prevalência de início da vida sexual até os 14 anos de idade e fatores sociodemográficos e comportamentais relacionados à sua ocorrência.

MÉTODOS:

Em 2008, 4.325 adolescentes dos 5.249 pertencentes ao estudo de coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul (1993) foram entrevistados. O início da vida sexual foi definido como primeira relação sexual ocorrida até os 14 anos. As informações foram obtidas através de questionários durante o acompanhamento de 2008, com entrevistas realizadas nos domicílios. As varáveis analisadas foram: cor da pele, índice de bens, escolaridade materna e do adolescente, uso experimental de cigarro e de álcool, episódio de embriaguez, uso de alguma droga ilícita pelo adolescente ou pelos amigos e envolvimento em brigas no último ano. Além dessas, foram analisados o uso de preservativos e contraceptivos, número de parceiros(as) e idade de iniciação sexual.

RESULTADOS:

A prevalência de iniciação sexual foi de 18,6%, sendo maior no sexo masculino, nos adolescentes com menor escolaridade, de baixo nível econômico e naqueles cujas mães tinham baixa escolaridade e tiveram filhos na adolescência. A prática sexual esteve relacionada às variáveis comportamentais analisadas. Na última relação sexual, 30% das entrevistadas não haviam usado métodos contraceptivos e 18% não usaram preservativos. Meninos referiram maior número de parceiros(as) sexuais do que meninas.

CONCLUSÃO:

Resultados apontam uma relação entre iniciação sexual (≤ 14 anos) e comportamentos vulneráveis à saúde. O não uso de preservativos e contraceptivos pode torná-los vulneráveis a experimentarem situações não desejadas. Estratégias educativas e socioculturais em saúde devem ser praticadas desde o início da adolescência.

Palavras-Chave: Adolescente; Assunção de riscos; Comportamento sexual; Saúde sexual e reprodutiva; Comportamento sexual; Estudos de coortes

ABSTRACT

OBJECTIVE:

To assess the prevalence of sexual initiation until the age of 14 years old, as well as sociodemographic and behavioral factors.

METHODS:

In 2008, 4,325 from the 5,249 adolescents of the 1993 birth cohort in Pelotas, Rio Grande do Sul, were interviewed. Sexual initiation was defined as the first intercourse up to the age of 14 years old. The information was obtained by interviewing adolescents in their houses, during the 2008 follow-up. The analyzed variables were: skin color, asset index, maternal and adolescents' schooling, experimental use of tobacco and alcohol, drunkenness episode, use of any illicit drug, illegal drug use by friends and involvement in fights during the past year. Use of condoms and contraceptive methods, number of partners and the age of sexual initiation were also analyzed.

RESULTS:

The prevalence of sexual initiation by the age of 14 was of 18.6%. Lower schooling, asset index and maternal education were related to higher prevalence of sexual initiation until the age of 14, as well as being male or being born to adolescent mothers. Sexual intercourse was also related to the behavioral variables analyzed. Among adolescent girls who had intercourse up to the age of 14, 30% did not use contraception and 18% did not use condoms in the last sexual intercourse. Boys reported a higher number of sexual partners than girls.

CONCLUSION:

The results suggest a relationship between sexual intercourse (≤ 14 years) and some health-risk behaviors. The non-use of condoms and contraceptives may make them vulnerable to experiencing unwanted situations. Education and sociocultural strategies for health should be implemented from the beginning of adolescence.

Key words: Adolescent; Risk taking; Sexual behavior; Sexual and reproductive health; Sexual behavior; Cohort studies

INTRODUÇÃO

O interesse crescente nas políticas públicas de educação sexual dos adolescentes - como inserção curricular de matéria sobre educação sexual, aumento do gasto público com distribuição de anticoncepcionais e campanhas de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) - está vinculado ao fato da idade de iniciação sexual poder definir padrões de comportamento e riscos à saúde também no futuro1. Parte do processo de definição de ações em saúde para essa população está atrelado à própria definição de adolescência, período compreendido entre 10 e 19 anos de idade2. Reconhecidamente uma época de transições físicas, biológicas e psicológicas, a experimentação e adoção de diversos comportamentos (sexuais, experimentação de fumo, álcool e/ou drogas) ocorrem, frequentemente, nessa faixa etária. As mudanças nesse período estão vinculadas ao aprendizado da sociabilidade, dos modelos de gêneros, dos valores, das moralidades sociais e das dificuldades advindas, experiências que ampliam suas vulnerabilidades3. O comportamento sexual (representações, comportamento, atitudes e práticas sexuais) é uma das expressões do comportamento juvenil que ganhou grande visibilidade e ações de controle social. No início dos anos 2000, a iminência de danos à saúde e/ou desvios nas trajetórias linear escolar e laboral desencadearam campanhas governamentais de educação em saúde, com foco na necessidade de uso de preservativos para evitar DST e de consequências negativas da gravidez durante a adolescência, promovidas pela Coordenação Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde (MS)4.

O início da vida sexual dos brasileiros ocorre, em geral, durante a adolescência5. Segundo dados do MS, a média de idade da primeira relação sexual no Brasil é de 14,9 anos, sendo que as mulheres iniciam mais tardiamente do que os homens6. Dados mais recentes demonstram que 29% dos adolescentes de 13 a 15 anos entrevistados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2012, já tiveram relação sexual7.

Estudos têm mostrado que quanto menor a idade da iniciação sexual, maiores serão as chances de ocorrerem prejuízos à saúde durante e após a adolescência8-11. Em geral, eles destacam que nem sempre há prevenção para as DST e gravidez, sendo essa abordagem dependente de quem é o(a) parceiro(a). Também demonstraram que quanto mais precoce for o início da vida sexual, maior será o número de parceiros sexuais8-11. Todavia, para algumas idades, o relato de uso de preservativos na última relação sexual por adolescentes com 15 anos ou mais, de diversos países, tem aumentado nos últimos anos12.

Para compreender melhor quais os fatores relacionados ao comportamento sexual, pesquisadores analisaram quais outras condutas ou estilos de vida se vinculam à idade de iniciação sexual. Os resultados apontaram que adolescentes (≥ 15 anos) que consomem álcool, fumam (tabaco), usam drogas ilícitas e se envolvem em situações de violência são também aqueles que se iniciam mais precocemente na vida sexual13-15. Apesar da relevância desses dados e do inquérito nacional de saúde do escolar ter incorporado adolescentes entre 13 e 14 anos, há poucos trabalhos de base populacional que avaliaram o comportamento sexual de adolescentes com idade abaixo de 15 anos7,16-19. Este estudo, portanto, visa avaliar a prevalência de iniciação sexual entre adolescentes com 10 a 14 anos e os fatores relacionados ao comportamento sexual. Fornecer informações sobre o que ocorre com adolescentes desse grupo etário, frequentemente excluído de grandes inquéritos sobre o tema, poderá fomentar ações endereçadas a professores, pesquisadores e gestores de políticas públicas. A iniciação sexual em idade bastante jovem pode desencadear uma série de vulnerabilidades importantes com consequências negativas no decorrer da vida.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo com dados obtidos no acompanhamento dos 15 anos da Coorte de Nascimentos de Pelotas, 1993. O município está localizado no extremo sul brasileiro, no estado do Rio Grande do Sul, possui aproximadamente 320.000 habitantes e 93,1% da sua população reside na zona urbana. Em 1993, todos os nascidos vivos (n = 5.249) nas cinco maternidades da cidade (cerca de 99% de todos os partos locais) cujas mães residiam na zona urbana do município foram avaliados. Desde então, aqueles que aceitaram participar são acompanhados periodicamente, conforme metodologia descrita detalhadamente em outra publicação20.

Em 2008, entre os meses de janeiro e setembro, foi realizado o 8oacompanhamento da coorte, quando todos os participantes foram procurados e 4.325 participaram do estudo. Através de entrevistas estruturadas realizadas no domicílio, o adolescente e seu responsável responderam a questionários formulados por pesquisadores locais, aplicados por entrevistadoras treinadas. Três questionários foram utilizados: um direcionado ao responsável, que na quase totalidade foi respondido pela mãe, e dois destinados aos adolescentes. Um deles foi aplicado pela entrevistadora e o outro, autoaplicado (com perguntas e respostas de marcar, chamado pelos pesquisadores de questionário confidencial), entregue ao adolescente, respondido em local reservado no domicílio e colocado em envelope lacrado após sua conclusão. Os três questionários foram previamente testados na sua compreensão e possibilidades de resposta em estudo piloto com adolescentes de 14 e 16 anos nascidos em Pelotas, Rio Grande do Sul, e de 15 anos não nascidos na cidade. O mesmo processo ocorreu com o instrumento do responsável. No questionário geral, foram coletados dados sobre características demográficas, socioeconômicas, comportamentais e de saúde. O questionário autoaplicado, dos adolescentes, investigou temas como comportamento sexual, uso de álcool, tabaco e outras drogas.

As variáveis utilizadas para as análises deste artigo foram: índice de bens21, idade materna (anos completos no momento da primeira gestação) e escolaridade materna (anos completos de estudo, respondidas pelo responsável pelo adolescente); cor da pele (referidas pelo adolescente) e escolaridade (anos completos de estudo). Do questionário confidencial foram utilizadas: idade da primeira relação sexual; uso experimental de fumo e de álcool; uso de contraceptivo e preservativo, número de parceiros(as) sexuais, episódio prévio de embriaguez ("porre"); envolvimento em brigas com agressões físicas no último ano; uso de alguma droga ilícita e conhecimento do uso de alguma droga ilícita pelos amigos.

O início da vida sexual na adolescência foi definido como primeira relação sexual ("transa") ocorrida até os 14 anos de idade. A iniciação sexual foi abordada através das seguintes questões, sem pergunta filtro: "Tu já tiveste relação sexual (já transaste)?" e "Que idade tu tinhas na primeira relação sexual (transa)?". Foram excluídos das análises aqueles que iniciaram a vida sexual antes dos 10 anos. O instrumento não contemplou se os adolescentes se relacionavam com homens e mulheres ou apenas com homens ou com mulheres.

Para fins operacionais, as variáveis de exposição foram analisadas em categorias: cor da pele (branca, preta, parda, amarela e indígena), índice de bens (em quintis), escolaridade materna (0 - 4, 5 - 8, 9 - 11 e ≥ 12 anos). Variáveis como uso experimental de cigarro, uso experimental de álcool, episódio de embriaguez, uso de alguma droga ilícita, uso de alguma droga ilícita pelos amigos e envolvimento em brigas no último ano possuíam respostas dicotômicas (sim ou não). A escolaridade do adolescente foi categorizada em séries (≤ 4ª, 5ª, 6ª, 7ª e ≥ 8ª). A idade materna na primeira gestação foi agrupada em ≤ 14 anos, 15 a 19 anos, 20 a 34 anos e ≥ 35 anos22.

A análise dos dados consistiu, inicialmente, em descrição da amostra e descrição das prevalências de iniciação sexual entre adolescentes com idade igual ou inferior a 14 anos em relação às demais variáveis. Posteriormente, foram descritos os comportamentos de risco para a prática sexual dos adolescentes com iniciação sexual no mesmo período e, nas meninas, descritas as caraterísticas próprias ao grupo feminino relacionadas à saúde. As análises foram estratificadas por sexo. Os comportamentos considerados na literatura como importantes para a saúde também foram avaliados em conjunto, a partir da criação de uma variável numérica contínua, de forma a identificar quantos comportamentos desse tipo se referiam a cada adolescente.

Posteriormente, foram descritos: idade da primeira transa, número de parceiros(as) sexuais até a data da entrevista, uso de preservativos na última relação sexual e características relacionadas aos adolescentes sexualmente ativos nas idades avaliadas. Para as meninas foi considerado, ainda, utilização de pílula anticoncepcional na última relação, prática de sexo sem o uso de algum método anticoncepcional, consulta prévia com o ginecologista, idade da menarca e gravidez ou aborto prévios.

Foi realizada, também, análise bivariada entre o início da vida sexual na adolescência (10 - 14 anos) e as demais variáveis de exposição a partir do teste do χ2 para variáveis categóricas e teste exato de Fisher para variáveis de exposição dicotômicas. Todas as análises estatísticas foram realizadas com nível de significância de 5% e conduzidas no programa Stata, versão 12.1 (Stata Corporation, College Station).

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas. Todos os participantes (adolescente e responsável) só foram entrevistados após concordância e assinatura de Termo de Consentimento Livre e Informado.

RESULTADOS

Em 2008, foram entrevistados 4.325 adolescentes, correspondendo a 82,5% da coorte original. A Tabela 1 mostra as características socioeconômicas, demográficas e comportamentais da amostra. Cerca de dois terços dos adolescentes era de cor da pele branca e aproximadamente metade deles era do sexo feminino. Em relação à escolaridade, 30,9% dos adolescentes apresentavam atraso escolar (principalmente por repetência), sendo que as meninas tiveram maior número de anos de estudo completos do que os meninos. Observou-se que 58,6% dos adolescentes já haviam experimentado álcool e esse comportamento foi mais frequente entre as meninas (62,4%), que também relataram maior experimentação de fumo e uso de drogas ilícitas por amigos. Episódio de embriaguez foi referido por 8,4% dos entrevistados e o sexo masculino apresentou maior frequência de envolvimento em brigas.

Tabela 1. Descrição da amostra, coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Rio Grande do Sul, acompanhamento de 2008. 

Total
(n = 4.325)
Sexo masculino
(n = 2.113)
Sexo feminino
(n = 2.212)
Valor p
n (%) n (%) n (%)
Cor da pele 0,496
Branca 2769 (64,0) 1359 (64,3) 1410 (63,8)
Preta 611 (14,1) 304 (14,4) 307 (13,9)
Parda 784 (18,1) 365 (17,3) 419 (18,9)
Amarelo 76 (1,8) 38 (1,8) 38 (1,7)
Indígena 83 (1,9) 46 (2,2) 37 (1,7)
Escolaridade (série) < 0,001
≤ 4ª 709 (16,5) 454 (21,6) 255 (11,5)
621 (14,4) 350 (16,7) 271 (12,30)
669 (15,5) 337 (16,1) 332 (15,00)
741 (17,2) 336 (16,0) 405 (18,3)
≥ 8ª 1569 (36,2) 623 (29,7) 946 (42,8)
Quintis de índice de bens 0,354
1º (inferior) 866 (20,1) 417 (19,8) 449 (20,4)
856 (19,9) 397 (18,9) 459 (20,9)
860 (20,0) 422 (20,4) 438 (19,9)
865 (20,1) 429 (20,1) 436 (19,8)
5º (superior) 857 (19,9) 439 (20,9) 418 (19,0)
Idade da mãe na 1ª gestação (anos) 0,788
≤ 14 97 (2,3) 47 (2,3) 50 (2,3)
15 a 19 1784 (42,0) 884 (42,7) 900 (41,4)
20 a 34 2280 (53,7) 1101 (53,2) 1179 (54,2)
≥ 35 86 (2,0) 39 (1,9) 47 (2,2)
Escolaridade da mãe (anos) 0,922
0 a 4 924 (23,0) 457 (23,3) 467 (22,7)
5 a 8 1658 (41,3) 800 (40,8) 858 (41,8)
9 a 11 946 (23,6) 463 (23,6) 483 (23,5)
≥ 12 488 (12,1) 242 (12,3) 246 (12,0)
Uso experimental de fumo < 0,001
Não 3432 (81,2) 1760 (85,6) 1672 (77,0)
Sim 796 (18,9) 296 (14,4) 500 (23,0)
Uso experimental de álcool < 0,001
Não 1736 (41,4) 923 (45,5) 813 (37,6)
Sim 2455 (58,6) 1104 (54,5) 1351 (62,4)
Episódio de embriaguez 0,823
Não 3838 (91,7) 1871 (91,8) 1967 (91,5)
Sim 350 (8,4) 168 (8,2) 182 (8,5)
Uso de alguma droga ilícita 0,744
Não 4033 (97,9) 1961 (98,0) 2072 (97,8)
Sim 86 (2,1) 40 (2,0) 46 (2,2)
Uso de droga ilícita por amigos* < 0,001
Não 3312 (85,0) 1663 (87,3) 1649(83,0)
Sim 583 (15,0) 242 (12,7) 341 (17,1)
Envolvimento em brigas < 0,001
Não 3670 (87,9) 1694 (83,5) 1976 (92,0)
Sim 505 (12,1) 334 (16,5) 171 (8,0)

*Maior número de observações perdidas, n = 430 (9,9%).

Teste do ?2 de heterogeneidade;

Teste exato de Fisher.

A prevalência de iniciação sexual antes dos 15 anos foi referida por 18,6% dos entrevistados, com intervalo de confiança de 95% (IC95%) 17,4 - 19,7, tendo ocorrido em 20,9% (IC95% 19,1 - 22,7) dos adolescentes do sexo masculino e 16,4% (IC95% 14,8 - 18,0) do sexo feminino (p < 0,001). Somente 8 adolescentes (1,1% dos sexualmente iniciados até os 14 anos) relataram terem tido relação sexual antes dos 10 anos. A Tabela 2 mostra as prevalências de início da vida sexual na adolescência (10 - 14 anos) conforme as variáveis de exposição avaliadas. Escolaridade do adolescente e da mãe, índice de bens da família e idade da mãe na primeira gestação apresentaram relação inversa com a iniciação sexual dos adolescentes entre as idades avaliadas.

Tabela 2. Prevalência de iniciação sexual entre 10 - 14 anos, estratificado por sexo, coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Rio Grande do Sul, acompanhamento de 2008. 

Início sexual na adolescência (≤ 14 anos)
Total adolescentes
(n = 773)
Sexo masculino
(n = 420)
Sexo feminino
(n = 353)
n (%) n (%) n (%)
Cor da pele p = 0,002* p = 0,241* p = 0,001*
Branca 460 (17,1) 255 (19,6) 205 (14,8)
Preta 110 (18,9) 66 (23,4) 44 (14,6)
Parda 161 (21,7) 79 (23,0) 82 (20,6)
Amarelo 20 (28,2) 9 (26,5) 11 (29,8)
Indígena 22 (26,8) 11 (24,4) 11 (29,7)
Escolaridade (série) p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001*
≤ 4ª 191 (28,9) 135 (31,8) 56 (23,7)
139 (23,3) 71 (21,5) 68 (25,6)
138 (21,1) 73 (22,4) 65 (19,9)
132 (18,5) 59 (18,3) 73 (18,7)
≥ 8ª 172 (11,1) 81 (13,5) 91 (9,7)
Quintis de índice de bens p < 0,001 p < 0,001* p < 0,001
1º (inferior) 200 (24,3) 99 (25,7) 101 (23,1)
170 (20,9) 79 (21,3) 91 (20,5)
164 (19,7) 99 (24,4) 65 (15,3)
138 (16,4) 78 (19,0) 60 (14,0)
5º (superior) 97 (11,6) 62 (14,5) 35 (8,6)
Idade da mãe na 1ª gestação (anos) p < 0,001 p = 0,001 p < 0,001
≤ 14 32 (33,7) 11 (23,9) 21 (42,9)
15 a 19 384 (22,4) 201 (24,1) 183 (20,9)
20 a 34 327 (14,8) 186 (17,7) 141 (12,2)
≥ 35 10 (12,1) 7 (19,4) 3 (6,4)
Escolaridade da mãe (anos) p < 0,001 p < 0,001 p = 0,001
0 a 4 190 (21,5) 107 (25,0) 83 (18,3)
5 a 8 283 (17,8) 156 (20,7) 127 (15,1)
9 a 11 136 (14,9) 69 (15,5) 67 (14,4)
≥ 12 55 (11,6) 35 (14,8) 20 (8,4)
Uso experimental de fumo p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 429 (12,7) 270 (15,7) 159 (9,6)
Sim 342 (43,9) 149 (52,3) 193 (39,0)
Uso experimental de álcool p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 140 (8,2) 96 (10,6) 44 (5,5)
Sim 622 (25,8) 315 (29,3) 307 (22,9)
Episódio de embriaguez p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 593 (15,7) 318 (17,4) 275 (14,1)
Sim 167 (48,7) 96 (59,3) 71 (39,2)
Uso de alguma droga ilícita p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 698 (17,6) 382 (19,9) 316 (15,4)
Sim 47 (57,3) 22 (57,9) 25 (56,8)
Uso de droga ilícita por amigos p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 504 (15,5) 279 (17,2) 225 (13,7)
Sim 198 (34,4) 100 (42,2) 98 (29,0)
Envolvimento em brigas p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001
Não 580 (16,0) 287 (17,3) 293 (15,0)
Sim 183 (37,0) 127 (39,2) 56 (32,8)

*Teste do ?2 de heterogeneidade;

Teste exato de Fisher;

Teste do ?2 de tendência.

A prática sexual antes dos 15 anos esteve diretamente relacionada a todos os comportamentos considerados de risco à saúde. Entre aqueles que já haviam experimentado fumo, a atividade sexual entre 10 - 14 anos ocorreu em 52,3 e 39,0% dos meninos e meninas, respectivamente. Entre adolescentes do sexo masculino que tiveram episódio de embriaguez, 59,3% referiram haver iniciado sua vida sexual antes dos 15 anos e essa frequência foi 3,4 vezes superior à relatada pelo grupo sem episódios prévios de embriaguez. Em ambos os sexos, mais da metade dos que usaram alguma droga ilícita tiveram sua primeira relação antes dos 15 anos.

A Figura 1 apresenta os comportamentos de risco à saúde, separadamente entre meninos e meninas, para aqueles indivíduos com e sem iniciação sexual entre 10 - 14 anos. Tanto para meninos quanto para meninas, as prevalências de todos os comportamentos de risco avaliados foram superiores no grupo que teve iniciação sexual. Entre as adolescentes com atividade sexual antes dos 15 anos, o uso experimental de álcool foi comum a 87,5% delas, embriaguez em 20,5% e o uso experimental de cigarro em 54,8%. Entre os adolescentes, o uso experimental de álcool foi referido por 76,6% dos sexualmente iniciados, assim como o uso de cigarro (35,6%) e o relato de pelo menos um episódio de briga (30,6%). O uso de drogas ilícitas foi muito mais frequente entre aqueles sexualmente já iniciados, em ambos os sexos.

Figura 1. Prevalências de comportamentos em relação ao status de experiência sexual na adolescência (10 - 14 anos), de acordo com o sexo. Coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Rio Grande do Sul, acompanhamento de 2008. 

Avaliando a ocorrência conjunta dos comportamentos considerados de risco à saúde (experimentação de fumo e álcool, episódio de embriaguez, uso de drogas ilícitas e envolvimento em brigas), observou-se que a prevalência de 2 ou mais desses comportamentos foi de 55,1% (IC95% 51,5 - 58,6) nos sexualmente iniciados entre 10 - 14 anos, comparado com 17,6% (IC95% 16,3 - 18,9) naqueles não iniciados nesse mesmo período.

Quanto à idade da primeira relação sexual, a Figura 2 mostra que a maioria das meninas se iniciou até os 14 anos (60,6%). Esse achado diferiu dos meninos, que iniciaram sua vida sexual mais cedo (53,0%; p < 0,001). O uso de preservativo na última relação foi referido mais frequentemente pelos adolescentes homens, que também relataram ter tido mais de um(a) parceiro(a) sexual na vida em maior frequência do que as mulheres. Ter se relacionado sexualmente com três ou mais parceiros(as) foi referido por 43,0% dos adolescentes do sexo masculino.

Figura 2. Prevalência de comportamentos sexuais em relação à experiência sexual na adolescência (10 - 14 anos), de acordo com o sexo. Coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Rio Grande do Sul, acompanhamento de 2008. *Maior número de observações perdidas (2,2%). 

Também foram analisadas as características associadas à saúde sexual feminina, demonstradas na Tabela 3. Apenas duas adolescentes já sexualmente iniciadas não haviam referido menarca e quase metade das meninas negou ter consultado com ginecologista. Na última relação sexual, cerca de 30,0% das adolescentes não haviam usado qualquer método contraceptivo e 17,9% não fizeram uso de preservativo. Entre as adolescentes, houve relato de gravidez (7,3%) e abortamento prévios (2,9%), espontâneo ou provocado. Entre os meninos que se iniciaram antes dos 15 anos, 1,3% (IC95% 0,43 - 3,06) relatou aborto e/ou gravidez da parceira.

Tabela 3. Características relacionadas à saúde nas adolescentes do sexo feminino que apresentaram início da vida sexual entre 10 - 14 anos (n = 353). Coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Rio Grande do Sul, acompanhamento de 2008. 

Variáveis n (%)
Uso de pílula anticoncepcional
Não 93 (39,9)
Sim 140 (60,1)
Sexo sem uso de algum método anticoncepcional*
Não 70 (71,4)
Sim 28 (28,6)
Consulta prévia com ginecologista
Não 168 (48,7)
Sim 177 (51,3)
Idade da menarca (anos)
≤ 10 60 (17,5)
11 100 (29,2)
12 108 (31,5)
13 63 (18,4)
14 2 (3,5)
Gravidez prévia
Não 315 (92,7)
Sim 25 (7,3)
Aborto prévio
Não 335 (97,1)
Sim 10 (2,9)

*Maior número de observações perdidas, n = 255 (72.2%);

Apenas duas adolescentes não referiram menarca.

DISCUSSÃO

O presente estudo mostrou que o início da vida sexual ocorrido entre 10 - 14 anos de idade foi frequente entre os adolescentes investigados, principalmente entre aqueles do sexo masculino, com menor escolaridade e com baixo nível econômico. Esses dados apontam uma relação entre a prática sexual antes dos 15 anos de idade e a ocorrência (concomitante ou não) de alguns comportamentos considerados de risco à saúde.

A idade da primeira relação sexual entre os pertencentes ao estudo (10 - 14 anos) cursa com um momento da vida no qual o adolescente frequentemente ainda não possui um conjunto de condições (emocionais e/ou conhecimento) que lhe permita manejar situações que possam trazer consequências à sua saúde no futuro, como iniciar-se sexualmente "sem estar a fim"23 ou adotar sempre boas práticas contraceptivas/preventivas24.

Neste estudo, salienta-se que os meninos se iniciam sexualmente antes das meninas e relatam ter tido mais parceiros(as) sexuais do que elas16,25. No contexto brasileiro, esse achado tem sido explicado por questões sociais e culturais, como a valorização da masculinidade pela idade da iniciação sexual e pelo número de relacionamentos vivenciados17. Talvez por motivos semelhantes, os meninos relataram se envolver mais frequentemente em episódios de brigas do que as meninas.

Esses achados são consistentes com outros trabalhos nacionais e internacionais que avaliaram adolescentes com idade igual ou superior a 15 anos. Os resultados desta coorte também evidenciam uma relação inversa entre nível econômico e escolaridade (do adolescente e da sua mãe/responsável) com a iniciação sexual, achado consistente com outros trabalhos com adolescentes mais velhos6,16,17,26,27. Acredita-se que a escolaridade mais baixa dos entrevistados com maiores frequências de prática sexual entre 10 - 14 anos pode evidenciar pressões, normas, escolhas e expectativas sociais vivenciadas por esses adolescentes. Os menos privilegiados economicamente e com baixa escolaridade podem ter se sentido pressionados a se afastar do sistema escolar por terem que colaborar com os gastos da família28, ou ainda terem ideias distintas das comunicadas pelas instituições sobre como e com quem a prevenção nas relações sexuais deve ser concretizada29. Análises não demonstradas neste artigo revelaram que, dos meninos que começaram sua vida sexual antes dos 15 anos, 42,1% trabalharam no ano anterior à entrevista, enquanto que 24,0% dos que não haviam se iniciado até essa idade trabalhavam.

A prática sexual desprotegida, os relatos de gravidez e abortamentos podem ser consequências, em curto prazo, da distância que se impõe entre eles e esses sistemas. A escolaridade materna pode refletir a importância da educação, transmissão de informações e postura moral familiar nos comportamentos dos jovens, mas poderá, ainda, ser um fator de confundimento nas análises, por ser um proxy de renda familiar30.

A idade da primeira gestação da mãe também influenciou a prática sexual dos filhos. Filhos de mulheres que engravidaram antes dos seus 20 anos se iniciaram sexualmente mais cedo do que o grupo de comparação. Isso também foi observado em outros estudos31,32. É possível que, por serem mães jovens, tenham em relação à sexualidade valores e normas menos distintos dos da adolescência de seus filhos e do que hoje se espera de um adolescente entre 10 - 14 anos.

Entre os adolescentes, as prevalências de experimentação de fumo e de álcool, gravidez, aborto, episódios de embriaguez e uso de drogas ilícitas foram maiores naqueles que iniciaram a vida sexual entre as idades avaliadas. A literatura tem apontado que os comportamentos considerados de risco em saúde pública tendem a ocorrer conjuntamente3,22. Entre os que tiveram iniciação sexual até os 14 anos, o escore de dois ou mais comportamentos de risco foi 50,5% (IC95% 45,6 - 55,3) entre os meninos e 60,6% (IC95% 55,5 - 65,7) entre as meninas. Entre os que não tinham iniciado a vida sexual, o escore foi de 15,8% (IC95% 14,0 - 17,7) e 19,2% (IC95% 17,4 - 21,1) entre meninos e meninas, respectivamente (dados não mostrados). A ocorrência de um ou mais desses comportamentos pode expor os adolescentes a outras experimentações que os colocam curiosos e vulneráveis.

Os achados das variáveis relacionadas à iniciação sexual até os 14 anos devem ser interpretados com precaução, tendo em vista que foram produto de uma análise exploratória (bivariada). Recomenda-se que essas possíveis associações sejam confirmadas por análise multivariável, controlando para fatores de confusão.

É importante, ainda, considerar que as relações encontradas entre os comportamentos considerados de risco podem estar permeadas de causalidade reversa, pois não é possível saber, neste delineamento, qual comportamento de risco à saúde ocorreu primeiro. No entanto, isso não prejudica a relevância dos resultados evidenciados neste estudo, visto que tais comportamentos podem ser preocupantes para a saúde atual e futura, independentemente da ordem dos acontecimentos. Uma possível limitação do estudo está na interpretação do que possam ter considerado como relação sexual. É possível que alguns não tenham considerado o sexo oral nas suas respostas e tal fato pode ter subestimado as frequências encontradas. O uso de uma definição mais específica de relação sexual permitirá que essa limitação seja contornada em novos estudos. O mesmo não deve ter ocorrido para embriaguez e brigas, pois as perguntas eram exemplificadas com termos compreendidos localmente, como "porre" para embriaguez e para brigas a pergunta incluía "que alguém tenha se machucado", pressupondo uma agressão física.

Os pontos metodológicos positivos do estudo incluem o fato das informações analisadas sobre os comportamentos dos adolescentes serem decorrentes de questionário autoaplicado e confidencial, o que permitiu que os participantes respondessem com menos inibição. Houve, ainda, uma alta taxa de respostas para o questionário confidencial e um rigor metodológico que um estudo epidemiológico preconiza em todas as etapas. Além desses, descrever dados sobre sexualidade e outros comportamentos relativos a uma faixa etária muito pouco descrita na literatura destaca que a educação em saúde sexual deve começar no início da adolescência ou mesmo na infância33. Deve-se, portanto, estar atento a incrementar as estratégias socioculturais e de educação às prevenções de doenças sexualmente transmissíveis, especialmente, para o grupo que apresenta comportamentos conceituados como de risco à saúde relacionados à iniciação sexual até os 14 anos. Políticas voltadas à educação em saúde para escolares - embora abarque grande parte dos adolescentes - pode não atingir um contingente de meninos e meninas que possuem trajetórias escolares descontínuas. Utilizar locais de lazer e espaços comunitários para a promoção de saúde, considerando a cultura local, poderá provocar interesse e mudanças para esses adolescentes.

CONCLUSÃO

Os resultados encontrados neste estudo sugerem uma relação entre o início sexual até os 14 anos de idade e a ocorrência de comportamentos considerados de risco à saúde, como experimentação de álcool e fumo, episódio de embriaguez, envolvimento em brigas e uso de drogas ilícitas pelo adolescente ou pelos seus amigos. Dessa forma, estratégias educativas devem ser implementadas, especialmente no início da adolescência, visando a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo nos grupos que apresentam os comportamentos de risco acima referidos.

AGRADECIMENTOS

Estudo financiado pela Wellcome Trust (086974/Z/08/Z). As instituições, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq; Brasil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Rio Grande do Sul (FAPERGS), a União Europeia, o Programa Nacional para Centros de Excelência (PRONEX/CNPq; Brasil), a Pastoral da Criança (Brasil) e o Ministério da Saúde do Brasil financiaram outras etapas deste estudo de coorte de nascimentos.

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ERRATA

Rev. bras. epidemiol. vol.18 no.1 São Paulo jan./mar. 2015 http://dx.doi.org/10.1590/1980-5497201500010003 Volume 18, número 1, março/2015 Início da vida sexual entre adolescentes (10 a 14 anos) e comportamentos em saúde

Onde se lia:

Lenise Menezes Seering

Leia-se:

Lenise Menezes Seerig

Fonte de financiamento: Wellcome Trust (086974/Z/08/Z), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Rio Grande do Sul (FAPERGS), União Europeia, Programa Nacional para Centros de Excelência (PRONEX/CNPq), Pastoral da Criança e Ministério da Saúde do Brasil.

Recebido: 26 de Junho de 2013; Revisado: 31 de Março de 2014; Aceito: 25 de Abril de 2014

Autor correspondente: Helen Gonçalves. Rua Marechal Deodoro, 1160, 3o andar, CEP: 96020-220, Pelotas, RS, Brasil. E-mail:hdgs.epi@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

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