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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.19 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1980-5497201600010019 

Notas e Informações

Resenha crítica e descritiva da obra "Dicionário de Epidemiologia" de autoria de Carlos Henrique Mudado Malleta

Claudia Cristina de Aguiar PereiraI 

Carla Jorge MachadoII 

IEscola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro, Brasil.

IIDepartamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

Lançado em 2014 pela Editora Coopmed, o Dicionário de Epidemiologia, de autoria de Carlos Henrique Mudado Malleta, visa preencher uma lacuna no idioma português quanto a obras de consulta de termos relacionados à epidemiologia. A motivação para a obra, conforme relatada pelo autor, foi apresentar noções indispensáveis de epidemiologia, bioestatística e metodologia, em linguagem de fácil acesso.

Diferentemente da obra Dictionary of Epidemiology de John Last et al.1, e depois atualizada e editada por Miquel Porta2, a qual inspirou o livro e que compila termos definidos por diversos especialistas em epidemiologia e áreas afins, o autor desse dicionário brasileiro realizou toda a pesquisa para as definições apresentadas no dicionário. Dessa forma, o autor não contou com a ajuda de colaboradores, como tem sido a obra continuamente editada pela International Epidemiological Association1,2, que contou com quase 200 colaboradores em sua última versão.

Esse pode ser considerado um ponto de diferenciação da obra nacional, no sentido de que compila as definições e termos por um único autor, o que permitiu que um padrão fosse mantido na forma de apresentar os termos, dado que todos foram realizados pelo mesmo pesquisador. Além disso, diferentemente da obra internacional, o autor privilegiou personalidades de importância para a saúde pública, especificamente brasileira, como Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz e Carlos Chagas, para os quais uma pequena biografia foi apresentada. Na obra de Porta não são apresentadas biografias de personalidades da Epidemiologia, como a de John Snow, por exemplo.

Os termos são dispostos em ordem alfabética. Ao lado de cada um, o autor apresenta a tradução da expressão. Foi possível verificar problemas em algumas traduções, como, por exemplo, eficácia que foi traduzida como effectiveness , sendo que há, de maneira geral, consenso que eficácia se refere a efficacy , ou seja, alcance de objetivos em condições ideais (exemplo: em um ensaio clínico randomizado), ao passo que effectiveness é a efetividade, resultados obtidos em condições do mundo real, não controlado. Nesse sentido, a obra não apresenta tal diferenciação. Ainda no que diz respeito à tradução, a obra pode oferecer melhorias, em termos como fecundidade (fertility ), que foi chamada pelo autor de fecundity . Do ponto de vista da demografia, a diferença entre os dois termos tem importância e, portanto, não pode ser chamada de forma intercambiável. Outros termos poderiam sofrer revisão, como a expressão "casa de uma tabela", traduzida como "house from a table ".

Além dos termos epidemiológicos e bioestatísticos, o dicionário apresenta diversas definições de termos médicos e biológicos, como: disfagia, epistaxe, fagócito e fômites.

Alguns assuntos são mais detalhados pelo autor, como por exemplo, ofidismo, que ganhou espaço de quase duas páginas no texto. O pesquisador também apresenta várias fórmulas de taxas e suas definições, como taxa de mortalidade materna e taxa de natalidade, dentre outras. Outros assuntos não foram incluídos na obra, como uma explanação de "Classificação Internacional de Doenças (CID)" ou a definição de "anos de vida ajustados pela qualidade", medida que vem sendo utilizada em ensaios clínicos randomizados e outros estudos. Por outro lado, o autor apresenta a definição de "anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALY)".

O livro poderia ser também enriquecido com o acréscimo das definições dos diferentes tipos de vieses.

De maneira geral, a obra corresponde às aspirações do escritor, no sentido de ter uma linguagem acessível que pudesse ser utilizada por estudantes de graduação e pós-graduação, e outros profissionais em suas consultas. O autor reconhece a dificuldade de uma obra de compilação como essa, dada a divergência de conceitos entre especialistas, o que pode ser uma tarefa hercúlea, e, certamente, a escolha dos termos incluídos reflete a despretensão de que fosse uma obra exaustiva sobre todos os termos de epidemiologia e áreas afins.

REFERÊNCIAS

1. Last JM, Spasoff RA, Harris SS, editors. A dictionary of epidemiology. 4th ed. New York: Oxford University Press; 2000. [ Links ]

2. Porta M, editor. A dictionary of epidemiology. 6th ed. New York: Oxford University Press; 2014. [ Links ]

Fonte de financiamento: nenhuma.

Recebido: 09 de Abril de 2015; Aceito: 18 de Agosto de 2015

Autor correspondente: Claudia Cristina de Aguiar Pereira. Rua Leopoldo Bulhões, 1480, 7º andar, CEP: 21041-210, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: cpereira@ensp.fiocruz.br

Conflito de interesses: nada a declarar

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