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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.19 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1980-5497201600040015 

ARTIGOS ORIGINAIS

Bullying e fatores associados em adolescentes da Região Sudeste segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar

Flávia Carvalho Malta MelloI 

Deborah Carvalho MaltaII 

Rogério Ruscitto do PradoIII 

Marilurdes Silva FariasI 

Lidiane Cristina da Silva AlencastroI 

Marta Angélica Iossi SilvaI 

IEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto (SP), Brasil.

IIUniversidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

IIIUniversidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Objetivo:

Estimar a prevalência de bullying, sob a perspectiva da vítima, em escolares da Região Sudeste e analisar sua associação com variáveis individuais e de contexto familiar.

Métodos:

Analisadas informações de 19.660 adolescentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), calculando-se associação entre bullying e variáveis sociodemográficas, comportamentos de risco, saúde mental e contexto familiar. Foram realizadas análises multivariadas e efetuado cálculo odds ratio (OR), com respectivos valores de intervalo de confiança (IC95%).

Resultados:

A prevalência de bullying foi de 7,8% (IC95% 6,5 - 9,2). Após o ajuste, foi constatada a sua associação com: os escolares menores de 13 anos (OR = 2,40; 1,4 - 3,93) (p < 0,001); a proteção para estudantes de 14, 15 e 16 anos (p < 0,0001); o sexo masculino (OR = 1,47 IC95% 1,35 - 1,59); a cor preta (OR = 1,24 IC95% 1,11 - 1,40); a cor amarela (OR = 1,38 IC95% 1,14 - 1,6); os alunos de escola privada (OR = 1,11 IC95% 1,01 - 1,23) e os alunos que trabalham (OR = 1,30 IC95% 1,16 - 1,45). Maior escolaridade das mães mostrou-se fator protetor em todas as faixas. Foram considerados de risco: sentir-se sozinho (OR = 2,68 IC95% 2,45 - 2,94), ter insônia (OR = 1,95 IC95% 1,76 - 2,17), não ter amigos (OR = 1,47 IC95% 1,24 - 1,75), sofrer agressão física dos familiares (OR = 1,83 IC95% 1,66 - 2,03), faltar às aulas sem avisar aos pais (OR = 1,23 IC95% 1,12 - 1,34), além de supervisão familiar (OR = 1,14 IC95% 1,05 - 1,23). Como fator de proteção, ter bebido nos últimos 30 dias (OR = 0,88 IC95% 0,8 - 0,97).

Conclusão:

O bullying amplia as vulnerabilidades entre escolares, o que sugere necessidade de uma abordagem intersetorial na busca de medidas para sua prevenção.

Palavras-chave: Violência; Bullying; Adolescentes; Escolas; Família; Vulnerabilidade

INTRODUÇÃO

A infância e a adolescência são períodos fundamentais no processo de desenvolvimento humano. Entretanto, tem sido crescente o número de crianças e adolescentes que assumem comportamentos agressivos no contexto escolar1. A sociedade brasileira convive com um aumento dos diversificados tipos de violência nas escolas, envolvendo os diferentes atores da comunidade escolar em episódios como agressões verbais, físicas e simbólicas, despertando a atenção da sociedade2.

O comportamento violento observado nas escolas resulta da interação entre o desenvolvimento individual e os contextos sociais, como a família, a escola e a comunidade. Uma das formas de violência escolar é o bullying, um tipo de violência entre pares considerado um problema de saúde pública.

Caracteriza-se como abuso de poder físico ou psicológico, envolvendo dominação, prepotência, por um lado, e submissão, humilhação, conformismo e sentimentos de impotência, raiva e medo, por outro. As ações abrangem formas diversas, como colocar apelidos, humilhar, discriminar, bater, roubar, aterrorizar, excluir, divulgar comentários maldosos, excluir socialmente, dentre outras3,4,5.

Estudos demonstram que se trata de um problema mundial, comum a diversos países e escolas, sendo que de 20 a 56% dos adolescentes do mundo estão envolvidos anualmente em situações de bullying6,7.

No Brasil, a primeira Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) foi realizada em 2009, em uma amostra com 60.973 estudantes do 9º ano do ensino fundamental de 1.453 escolas públicas e privadas, representativa das 26 capitais dos Estados brasileiros e no Distrito Federal. A pesquisa apontou que 5,4% (intervalo de confiança - IC95% 5,1% - 5,7%) dos estudantes relataram ter sofrido bullying quase sempre ou sempre nos últimos 30 dias8. Em 2012, uma nova edição da PeNSE, com uma amostra de 109.104 estudantes, em 2.842 escolas públicas e privadas, mostrou 6,8% (IC95% 6,4 - 7,2) de prevalência do bullying nas capitais, apontando o crescimento do problema no país9.

Sobre o fenômeno, a PeNSE 2012 identificou que a ocorrência do bullying entre adolescentes nas escolas corrobora o fato de que o contexto escolar brasileiro também tem se constituído em um espaço de reprodução da violência10.

Estudos nacionais e internacionais destacam as consequências do bullying a curto e longo prazo na vida das crianças e dos adolescentes que vivenciam tal situação11,12,13, interferindo no desenvolvimento cognitivo e socioemocional, seja enquanto vítimas, agressores ou, até mesmo, espectadores de acontecimentos desse tipo. Ao sofrer bullying, crianças e adolescentes estão mais expostos à dificuldade de concentração, à baixa autoestima, à ansiedade, à depressão, à ideação suicida, à tentativa de suicídio, ao suicídio consumado, à autoagressão e ao estresse psicológico12,13,14,15,16,17.

Um estudo desenvolvido no interior de uma cidade do Sudeste do Brasil identificou que adolescentes vítimas do bullying apresentam emoções como sentimento de raiva, desânimo, tristeza e vergonha11.

Evidencia-se que os efeitos do bullying interferem no modo de vida das crianças e dos adolescentes afetando, inclusive, o desempenho escolar desse grupo etário12,13,16,17,18.

No Brasil, estão mais sujeitos ao bullying adolescentes mais jovens, do sexo masculino, e associados a situações de risco, como sofrer violência doméstica, dentre outros, o que sugere necessidade de uma abordagem holística dos profissionais da educação e da saúde, dos pais e da comunidade na busca de medidas para sua prevenção10.

Salientamos que ainda são escassos estudos em outras regiões do país, tornando-se importante as análises regionais. Posto isso, este estudo objetivou estimar a prevalência de bullying, sob a perspectiva da vítima, em escolares brasileiros na Região Sudeste do Brasil e analisar sua associação com variáveis individuais e de contexto familiar.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal e de uma pesquisa documental, utilizando-se dados e informações provenientes da PeNSE realizada em 2012. Essa pesquisa investigou fatores comportamentais de risco e de proteção à saúde em uma amostra de estudantes que frequentavam o 9º ano (antiga 8ª série) do ensino fundamental, nos turnos diurnos de escolas públicas ou privadas, localizadas em zonas urbanas ou rurais de um conjunto de municípios de todo o território brasileiro.

Na amostragem da PeNSE foi utilizado o cadastro do Censo Escolar 2010 e foram incluídas na listagem escolas que informaram possuir turmas de 9º ano do ensino fundamental nos seus turnos diurnos. A amostra foi dimensionada de modo a estimar parâmetros populacionais (proporções ou prevalências) em diversos domínios geográficos, abrangendo as 27 capitais, as 5 grandes regiões geográficas do país (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), além do país como um todo. O estudo atual inclui apenas os estudantes da Região Sudeste do país (capitais e amostra das cidades do interior da região).

O processo de amostragem foi probabilístico e o plano amostral foi formado pelas escolas - unidades primárias de amostragem - e suas turmas - unidades secundárias. No caso dos municípios não capitais, as unidades primárias foram os agrupamentos de municípios e as secundárias foram as escolas, sendo suas turmas as unidades terciárias de amostragem. Foram utilizados pesos amostrais segundo as escolas, as turmas e os alunos matriculados, de acordo com dados do Censo Escolar 2012, fornecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Maiores detalhes metodológicos podem ser vistos em outras publicações19.

Participaram da PeNSE 109.104 alunos, representando 83% dos que foram considerados elegíveis para o estudo19. Este trabalho analisou os escolares da Região Sudeste, ou seja, 19.660.

Foi considerada a variável desfecho “ter sofrido bullying”, que foi obtida pela pergunta: “Nos últimos 30 dias, com que frequência algum dos seus colegas de escola te esculachou, zombou, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido/ofendido/humilhado?”. As respostas foram categorizadas em “Não” - nunca, raramente, às vezes - e “Sim” - a maior parte do tempo, sempre.

A análise foi guiada a partir de um modelo conceitual, multidimensional, utilizado por Malta et al.9, que consideram que na determinação do bullying constam aspectos sociodemográficos, individuais relativos aos comportamentos de risco, como uso do tabaco, álcool e drogas e atividade sexual precoce, além de características da saúde mental e contexto familiar.

Dessa forma, foram consideradas variáveis dependentes:

  1. características sociodemográficas: sexo, idade, raça/cor, escola (pública ou privada), escolaridade materna, trabalho do adolescente;

  2. comportamento de risco:

    • • consumo regular de álcool (considerado pelo consumo de um copo ou uma dose de bebida alcoólica. Uma dose equivale a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho, ou uma dose de cachaça ou uísque, etc.);

    • • consumo regular de tabaco (ou fumar nos últimos 30 dias);

    • • experimentação de drogas ilegais (ter experimentado droga alguma vez na vida - como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança-perfume, ecstasy, oxy etc.);

    • • ter tido relação sexual na vida;

  3. variáveis marcadoras da saúde mental:

    • • sentir-se sozinho nos últimos 12 meses;

    • • ter tido insônia nos últimos 12 meses);

    • • não ter amigos (para quem respondeu ter nenhum amigo);

  4. características familiares:

    • • morar com pai e mãe;

    • • supervisão familiar - quando os alunos respondiam que seus pais ou responsáveis sabiam o que eles faziam no tempo livre;

    • • faltar às aulas ou à escola sem permissão dos seus pais ou responsáveis;

    • • sofrer agressão física por um adulto de sua família.

Inicialmente, foi feita uma estimativa da prevalência do evento com IC95%. Para verificar fatores associados, realizou-se análise bivariada com estimativas de razões de chance (OR) com seus respectivos intervalos de confiança. Posteriormente foram inseridas todas as variáveis de interesse no modelo multivariado, permanecendo aquelas com nível descritivo igual ou inferior a 5% (p < 0,05); mantiveram-se no modelo ajustado final apenas as variáveis estatisticamente significativas (p < 0,05).

A análise foi feita no software SPSS versão 2.0, utilizando procedimentos do Complex Samples Module, adequado para análises de dados obtidos por plano amostral complexo.

O estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisas do Ministério da Saúde, tendo o parecer n.º 16805, em 27 de março de 2012. Declara-se, ainda, que a pesquisa não tem conflito de interesses.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta a distribuição dos escolares segundo o relato de bullying mencionado por 7,8% (IC95% 6,5 - 9,2) deles, predominando em escolares com menos de 13 anos (17% IC95% 11,9 - 23,7); em estudantes com 13 anos (9,0% IC95% 8,4 - 9,5); do sexo masculino (8,3% IC95% 7,8 - 8,8); das cores de pele preta (8,5% IC95% 7,8 - 9,3) e amarela (9,6% IC95% 8,2 - 11,1). Não houve diferença por escola pública ou privada.

Tabela 1: Frequência de sofrer bullying (% e IC95%) entre escolares do 9º ano do ensino fundamental na Região Sudeste, segundo idade, sexo, cor/raça e escola. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012. 

Variáveis Sofrer bullying (n = 19.660) Valor p
% IC95% OR IC95%
Inferior Superior Inferior Superior
Região Sudeste Total 7,8 6,5 9,2 1,00 - - -
Idade (anos)
< 13 17,0 11,9 23,7 2,08 1,37 3,15 0,001
13 9,0 8,4 9,5 1,00 - - -
14 7,6 7,0 8,2 0,83 0,76 0,90 < 0,001
15 7,3 6,6 8,0 0,80 0,72 0,89 < 0,001
16 ou mais 7,3 6,5 8,2 0,80 0,70 0,90 < 0,001
Sexo
Masculino 8,3 7,8 8,8 1,15 1,07 1,23 < 0,001
Feminino 7,3 7,0 7,7 1,00 - - -
Raça
Branca 7,5 7,1 7,9 1,00 - - -
Preta 8,5 7,8 9,3 1,15 1,04 1,27 0,006
Amarela 9,6 8,2 11,1 1,30 1,10 1,53 0,002
Parda 7,6 7,1 8,2 1,02 0,94 1,10 0,712
Indígena 8,6 7,3 10,1 1,16 0,97 1,39 0,105
Escola
Privada 8,2 7,6 8,8 1,06 0,98 1,15 0,159
Pública 7,7 7,5 8,0 1,00 - - -
Mora com mãe e/ou pai
Não 8,5 7,4 9,9 1,00 - - -
Sim 7,8 6,7 9,1 0,91 0,77 1,07 0,231
Trabalha atualmente
Não 7,4 7,1 7,6 1,00 - - -
Sim 11,4 10,5 12,3 1,62 1,48 1,77 < 0,001
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 10,8 9,6 12,2 1,00 - - -
Primário (incompleto/completo) 7,3 6,3 8,3 0,65 0,56 0,75 < 0,001
Secundário (incompleto/completo) 7,7 6,7 8,9 0,69 0,60 0,80 < 0,001
Superior (incompleto/completo) 7,7 6,5 9,0 0,68 0,57 0,82 < 0,001
Sentir-se solitário
Não 6,0 5,8 6,3 1,00 - - -
Sim 16,9 15,9 18,0 3,18 2,96 3,41 < 0,001
Insônia
Não 6,8 6,6 7,1 1,00 - - -
Sim 16,5 15,3 17,6 2,69 2,47 2,93 < 0,001
Amigos
Não tenho 13,5 11,9 15,3 1,90 1,64 2,19 < 0,001
Um ou mais 7,6 7,4 7,9 1,00 - - -
Apanhar (de familiar)
Não 6,9 6,7 7,1 1,00 - - -
Sim 14,7 13,7 15,7 2,32 2,14 2,52 < 0,001
Supervisão familiar
Não 8,1 7,8 8,5 1,00 - - -
Sim 7,6 7,2 8,1 0,93 0,87 0,99 0,034
Faltar às aulas
Não 7,4 7,1 7,6 1,00 - - -
Sim 8,9 8,4 9,5 1,23 1,15 1,32 < 0,001
Tabaco regular
Não 7,7 7,5 8,0 1,00 - - -
Sim 9,3 8,2 10,5 1,22 1,06 1,40 0,004
Álcool regular
Não 7,8 7,5 8,1 1,00 - - -
Sim 8,0 7,4 8,5 1,02 0,95 1,10 0,542
Drogas (experimentação)
Não 7,6 7,4 7,9 1,00 - - -
Sim 10,6 9,6 11,7 1,44 1,29 1,61 < 0,001
Relação sexual
Não 7,6 7,3 7,9 1,00 - - -
Sim 8,3 7,8 8,9 1,10 1,02 1,18 0,012

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Alunos que trabalham relatam mais casos de bullying (11,4% IC95% 10,5 - 12,3). Maior escolaridade da mãe foi fator protetor, comparado com filhos de mães sem estudo.

Para as variáveis do contexto familiar, declararam-se mais vitimados por bullying adolescentes com experiência de agressão física/violência de familiar (14,7% IC95% 13,7 - 15,7) e os que relataram faltar às aulas sem avisar aos pais (8,9% IC95% 8,4 - 9,5). A supervisão familiar ou o relato de que os pais sabem o que os adolescentes fazem no tempo livre exerceu papel protetor (OR bruto 0,93 IC95% 0,87 - 0,99) (Tabela 1).

Os relatos de comportamentos de risco como fumar (9,3% IC95% 8,2 - 10,5), experimentar droga (10,6% IC95% 9,6 - 11,7), bem como relação sexual (8,3% IC95% 7,8 - 8,9), apresentaram maior prevalência de vitimização por bullying.

Em relação às variáveis correspondentes ao domínio saúde mental, os alunos que sofreram mais bullying relataram sentirem-se mais solitários (16,9% IC95% 15,9 - 18), possuir mais episódios de insônia (16,5% IC95% 15,3 - 17,6) e não ter amigos (13,5% IC 95% 11,9 - 15,3) (Tabela 1).

Na Tabela 2, após o ajuste por todas as variáveis do modelo, permaneceram associadas ao bullying: idade menor que 13 anos (OR = 2,40; 1,47 - 3,93) (p < 0,0001); proteção para estudantes de 14, 15 e 16 anos (p < 0,0001); sexo masculino (OR = 1,47 IC95% 1,35 - 1,59) (p < 0,0001); cor preta (OR = 1,24 IC95% 1,11 - 1,40); cor amarela (OR = 1,38 IC95% 1,14 - 1,6); alunos de escola privada (OR = 1,11 IC95% 1,01 - 1,23); e alunos que trabalham (OR = 1,30 IC95% 1,16 - 1,45). A escolaridade das mães mostrou fator de proteção em todas as faixas, comparado com a não escolaridade materna. Dentre os fatores relacionados à saúde mental, foram considerados de risco: sentir-se sozinho (OR = 2,68 IC95% 2,45 - 2,94), ter insônia (OR = 1,95 IC95% 1,7 - 2,1) e não ter amigos (OR = 1,47 IC95% 1,24 - 1,75). No contexto familiar, foram julgados de risco os fatores: sofrer agressão física dos familiares (OR = 1,83 IC95% 1,66 - 2,03) e faltar às aulas sem avisar aos pais (OR = 1,23 IC95% 1,12 - 1,34), além de supervisão familiar (OR = 1,14 IC95% 1,05 - 1,23). Como fator de proteção, consumir álcool regularmente ou nos últimos 30 dias (OR = 0,88 IC95% 0,8 - 0,97) (Tabela 2).

Nas análises de resíduos do modelo final, utilizando a distância de Cook, as distribuições mostraram-se adequadas.

Tabela 2: Modelo final multivariado da associação do bullying entre escolares do 9º ano do ensino fundamental na Região Sudeste do Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012. 

Variáveis OR IC95% Valor p
Inferior Superior
Idade (anos)
< 13 2,40 1,47 3,93 < 0,001
13 1,00 - - -
14 0,84 0,76 0,92 < 0,001
15 0,64 0,56 0,73 < 0,001
16 e mais 0,63 0,54 0,73 < 0,001
Sexo
Masculino 1,47 1,35 1,59 < 0,001
Feminino 1,00 - - -
Raça
Branca 1,00 - - -
Preta 1,24 1,11 1,40 < 0,001
Amarela 1,38 1,14 1,66 0,001
Parda 1,05 0,96 1,15 0,311
Indígena 1,23 1,00 1,51 0,048
Escola
Privada 1,11 1,01 1,23 0,037
Pública 1,00 - - -
Trabalha atualmente
Não 1,00 - - -
Sim 1,30 1,16 1,45 < 0,001
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 1,00 - - -
Primário (incompleto/completo) 0,75 0,64 0,88 < 0,001
Secundário (incompleto/completo) 0,80 0,68 0,94 0,006
Superior (incompleto/completo) 0,73 0,60 0,89 0,002
Sentir-se solitário
Não 1,00 - - -
Sim 2,68 2,45 2,94 < 0,001
Insônia
Não 1,00 - - -
Sim 1,95 1,76 2,17 < 0,001
Amigos
Não tenho 1,47 1,24 1,75 < 0,001
Um ou mais 1,00 - - -
Apanhar (de familiar)
Não 1,00 - - -
Sim 1,83 1,66 2,03 < 0,001
Supervisão familiar
Não 1,00 - - -
Sim 1,14 1,05 1,23 0,003
Faltar às aulas
Não 1,00 - - -
Sim 1,23 1,12 1,34 < 0,001
Álcool regular
Não 1,00 - - -
Sim 0,88 0,80 0,97 0,007

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

DISCUSSÃO

Cerca de um duodécimo dos escolares da Região Sudeste sofreu bullying. Após o ajuste para variáveis explicativas sociodemográficas, comportamentos de risco, saúde mental e contexto familiar, mostraram-se associadas: escolares com menos de 13 anos, estudantes com 13 anos, do sexo masculino, das cores preta e amarela, alunos de escola privada e que trabalham. A escolaridade das mães mostrou fator de proteção em todas as faixas, comparado com a não escolaridade materna. Dentre os fatores da saúde mental, foram considerados de risco: sentir-se sozinho, ter insônia e não ter amigos. Alunos que relatam uso de bebida alcoólica sofreram menos bullying. No contexto familiar, sofrer agressão física dos familiares e faltar às aulas sem avisar aos pais foram fatores considerados de risco.

O bullying tem sido estudado em diversos contextos e mostrado prevalências diferentes, que variam em função dos contextos sociais. É comum, na maioria dos estudos, ser encontrado com maior frequência em meninos e estudantes mais jovens20,21, conforme descrito na edição da PeNSE de 2012, com relação à Região Sudeste do Brasil - embora outro estudo22, realizado em um centro urbano brasileiro, não tenha encontrado diferença significativa entre os sexos.

O presente estudo em escolares da Região Sudeste também encontrou que os estudantes que relatam sentirem-se sozinhos, que têm insônia e não têm amigos têm maior chance (OR) de sofrer bullying. Todos esses aspectos podem afetar a saúde dos adolescentes10. Destaca-se, portanto, que esses traços podem evidenciar que as vítimas de bullying apresentam maior probabilidade de sintomas depressivos e altos níveis de ideação suicida em relação as não vítimas23.

Estudos têm apontado associação entre a vitimização e os comportamentos de risco, como uso de tabaco24,25, álcool26,27,28 e drogas ilegais29,30,31. No estudo atual, o uso de substâncias esteve no modelo bivariado, mas não se manteve no modelo final, exceto o uso de álcool, visto como fator protetor. Esse achado deve ser melhor investigado. Embora outros estudos apontem que escolares que usam álcool tendem a ser mais populares, este traço, somado ao fato de ter mais amigos, poderia justificar a condição de proteção conferida pelo álcool no caso da vitimização29. Esse fato pode estar coerente com a forma como o álcool é usado na nossa cultura, estando associado ao prazer, à convivência, às celebrações e às festas, sendo estimulado o seu uso no convívio social29.

Atividade sexual também não mostrou associação no modelo final, embora outros estudos apontem a relação entre atividade sexual e vítimas de bullying10,32.

Estudos apontam que a agressão familiar resulta em ambientes inseguros, maiores frequências no uso de substâncias, baixa autoestima, violências repetidas, pior desempenho escolar e práticas de bullying31. O que foi confirmado no atual estudo, ou seja, a violência familiar esteve associada à vitimização na escola.

Além disso, estudos têm descrito efeito protetor ao bullying aspectos do monitoramento e envolvimento dos pais em atitudes dos filhos, como estar atento a seus atos, - faltar às aulas30,31 sem comunicá-los, por exemplo -, o que foi confirmado no presente estudo. Esses aspectos estiveram presentes na análise univariada, mas perderam a significância estatística no modelo final ou a supervisão mostrou ao contrário: que era um fator de risco. Esse resultado deve ser visto com cautela, podendo ser devido à interação com outras variáveis.

Este estudo demonstrou que o bullying ultrapassa as barreiras socioeconômicas, tendo maiores proporções nas dependências de escolas privadas, diferentemente de outros estudos que não evidenciaram diferença significativa para a incidência do bullying entre instituições de ensino públicas e privadas33,34. Esse aspecto corrobora a ideia de que o bullying é um fenômeno que atravessa transversalmente a sociedade, que se manifesta na maioria das escolas, independentemente das características sociais, culturais e econômicas de seus alunos.

Os dados encontrados na presente investigação evidenciaram também que alunos que trabalham relataram sofrer mais bullying. Observa-se que a dinâmica do bullying e sua ocorrência envolvem geralmente ações de hostilidade e estigmatização, sobretudo quando as vítimas apresentam características socialmente representadas como negativas ou inferiores35 - gerando preconceito -, o que pode estar relacionado aos alunos trabalhadores.

O bullying é expressão de preconceito e intolerância a situações sociais, estruturais e pessoais que sejam diferentes de um padrão idealizado por nossa sociedade de consumo35.

Nesse sentido, apreende-se que as situações de bullying resultam das interações entre o desenvolvimento individual e os contextos sociais em que o adolescente se encontra, como a família, a escola e as suas relações na sociedade - estas marcadas por processos de exclusão e delineadas por preconceitos, crenças e valores individualistas e competitivos -, o que resulta na reprodução da vida social e cultural do jovem no próprio ambiente escolar, a exemplo da violência entre pares36.

CONCLUSÃO

Considerando a magnitude e os resultados apresentados sobre bullying no contexto escolar, ressaltamos que as áreas da saúde e da educação, enquanto práticas sociais, devem estabelecer uma dimensão cuidadora na perspectiva da promoção da saúde individual e coletiva por meio da prática interdisciplinar e intersetorial.

Dessa forma, é relevante considerar que as ações educativas sejam realizadas dentro de uma perspectiva problematizadora, horizontalizada e interdisciplinar para possibilitar às vítimas um espaço concreto de confiança interpessoal, uma vez que as maiores dificuldades ao abordar vítimas de bullying são refletidas pelo silêncio.

Depreende-se que o bullying expõe os escolares à condição de vulnerabilidade, tendo como fatores determinantes variáveis pessoais, familiares, escolares, sociais e culturais. Sabe-se também que não é a escola a única responsável pela produção de violência, pois trata-se de um fenômeno complexo, dinâmico, multifacetado e multicausal, com raízes também em questões de ordem macrossocial e macroeconômica. Por isso, esse fato exige enfrentamentos no contexto da intersetorialidade e ações educativas sistemáticas por meio da valorização do protagonismo juvenil, do estímulo à participação social e à reflexão, envolvendo alunos, educadores e famílias, reconhecendo os jovens como sujeitos de necessidades e de direitos e a saúde e a educação como direitos para a construção da cidadania. Dessa forma, é relevante considerar que o trabalho de prevenção e minimização das situações de bullying na escola deve estar ancorado no conceito de promoção da saúde e integralidade do cuidado na medida em que se precisa conceber a violência enquanto um fenômeno sociocultural, que atinge indistintamente a sociedade, as instituições, os grupos e os sujeitos e que tem de ser abordado e estudado de forma holística, considerando todos os aspectos envolvidos nessa problemática.

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Fonte de financiamento: Ministério da Saúde. Termo de cooperação 172179850001/14-034

Recebido: 11 de Dezembro de 2015; Aceito: 02 de Maio de 2016

Autor correspondente: Flávia Carvalho Malta Mello. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Avenida Bandeirantes, 3900, Sala 72, CEP: 14040-902, Ribeirão Preto, SP, Brasil. E-mail: flaviamalta@usp.br

Conflito de interesses: nada a declarar

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