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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  São Paulo  2018  Epub Aug 02, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180004 

ARTIGO ORIGINAL

Fatores sociodemográficos, comportamentais e de saúde associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos residentes em Florianópolis, Santa Catarina

Rodrigo de Rosso KrugI  II 

Ione Jayce Ceola SchneiderIII 

Maruí Weber Corseuil GiehlIV 

Danielle Ledur AntesV 

Susana Cararo ConfortinV 

Giovana Zarpellon MazoVI 

André Junqueira XavierV 

Eleonora d’OrsiV 

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis (SC), Brasil.

IIPrograma de Pós-Graduação em Atenção Integral à Saúde, Universidade de Cruz Alta - Cruz Alta (RS), Brasil.

IIICurso de Fisioterapia, Universidade Federal de Santa Catarina - Araranguá (SC), Brasil.

IVUniversidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis (SC), Brasil.

VPrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis (SC), Brasil.

VIPrograma de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Universidade do Estado de Santa Catarina - Florianópolis (SC), Brasil.

RESUMO:

O objetivo deste estudo foi verificar os fatores associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos (80+). Estudo transversal conduzido no município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, com 239 idosos participantes do EpiFloripa Idoso. Foram aplicados instrumentos de coleta para verificar dados sociodemográficos e econômicos, autorrelato do estado de saúde, quedas e estilo de vida. Para identificar os fatores associados à autopercepção de saúde positiva, utilizou-se regressão de Poisson ajustada por sexo. A autopercepção de saúde positiva foi mais prevalente nos idosos longevos sem a presença de depressão (RP = 0,49) e que faziam consumo de álcool (RP = 1,99). Compreender quais variáveis podem interferir na autopercepção de saúde de idosos longevos auxilia em melhores ações de saúde para essa população, principalmente para evitar depressão, além de reduzir custos com internações, medicamentos e tratamentos de saúde, muito frequentes em idosos longevos.

Palavras-chave: Idosos de 80 anos ou mais; Autoavaliação; Saúde; Comorbidade; Estilo de vida; Tratamento

INTRODUÇÃO

A faixa etária de pessoas com 80 anos ou mais (idosos longevos) é a que mais vem aumentando no mundo. Projeções da Organização Mundial de Saúde1 mostram que essa população irá superar 379 milhões em 2050. No Brasil, esse grupo também cresce. Em 2010, eram cerca de 3 milhões (1,1% da população total brasileira), com projeções de atingirem 14 milhões em 2040, correspondendo ao aumento de 466,6%. Estima-se que aproximadamente 2,6% desses idosos brasileiros residam em Santa Catarina e cerca de 0,3% na capital Florianópolis2.

Idosos longevos apresentam características diferenciadas, tais como maior prevalência de incapacidades e doenças, principalmente doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, artrite, demências e depressão2. Essas características acarretam preocupações para os setores de economia, saúde e bem-estar social, devido ao alto custo para tratar ou prevenir as doenças comuns dessa faixa etária, tornando-se um desafio para a implantação de políticas públicas e para melhorias em termos de promoção da saúde, além de serem necessárias maiores oportunidades para essas pessoas, com o intuito de maximizar suas capacidades participativas dentro da sociedade1,2.

Além disso, o avanço da idade pode piorar a autopercepção de saúde1. Pinquart3 explica que essa pior percepção de saúde dos idosos longevos, em comparação com mais jovens, é oriunda do aumento do número e da gravidade dos problemas de saúde que acometem os idosos mais velhos. Moschny et al.4, ao acompanharem 1.937 idosos alemães (idade entre 72 e 93 anos) por 7 anos, evidenciaram que as pessoas com 80 anos ou mais percebem sua saúde como pior se comparadas a pessoas com menor idade.

Autopercepção de saúde positiva é um ótimo indicador da própria saúde, predizendo a sobrevida de cada pessoa5. Ela está relacionada a bons componentes físicos, cognitivos e emocionais, além de sensação de bem-estar e satisfação com a vida6,7.

A autopercepção de saúde apresenta relação com alguns importantes aspectos da saúde do idoso, como aspectos socioeconômicos8, prática de atividade física9, capacidade física5,9, morbidades5,10 e mortalidade9,11,12. No entanto, nenhum desses resultados encontrados são oriundos de estudos com idosos longevos, ressaltando, assim, que existem ainda vários aspectos desse segmento etário que ainda devem ser investigados3. Além disso, a maioria dos estudos com essa temática abordam a autopercepção de saúde negativa6.

Assim, esta pesquisa se justifica pela população diferenciada (idosos longevos) que foi investigada, pelo fato desses perceberem pior sua saúde em relação a outros grupos etários, e também pelo fato de que compreender as questões envolvidas na autopercepção de saúde positiva de idosos longevos pode auxiliar em melhores ações e políticas de saúde para eles, bem como ser um importante indicador para a vigilância da saúde geral do idoso13. O objetivo deste estudo foi verificar os fatores associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos de Florianópolis, Santa Catarina.

MÉTODOS

TIPO DE ESTUDO

Estudo transversal, domiciliar de base populacional, conduzido no município de Florianópolis, Santa Catarina, com população formada por idosos, de ambos os sexos, com 80 anos ou mais.

POPULAÇÃO E AMOSTRA

O estudo EpiFloripa Idoso14 ocorreu nos anos de 2009 e 2010, em Florianópolis, e teve como objetivo estudar as condições de saúde da população idosa (60 anos ou mais) de ambos os sexos, residentes na região urbana município.

Foram considerados para o cálculo do tamanho da amostra, a prevalência esperada (50%), erro de 4 pontos percentuais, intervalo de confiança de 95% (IC95%), efeito de delineamento para amostras por conglomerados (= 2), acrescidos de 20% de perdas previstas e 15% para estudos de associação, além de levar em consideração também o tamanho da população de 60 anos ou mais, atingindo o valor mínimo de 1.599 entrevistas. Em virtude da disponibilidade financeira, a amostra foi ampliada para 1.911 idosos.

O processo de seleção da amostra foi realizado por conglomerados em 2 estágios, sendo os 420 setores censitários (unidades de recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE) de Florianópolis o primeiro estágio. Esses setores são constituídos por 300 a 350 domicílios cada, e os domicílios foram as unidades do segundo estágio. Estimou-se realizar 20 entrevistas por setor censitário e, em virtude da disponibilidade de recursos financeiros, aumentou-se a quantidade de idosos entrevistados por setor para 23, a fim de aumentar a variabilidade da amostra. Os setores censitários foram estratificados em ordem crescente de renda média mensal do chefe da família (R$ 314,76 a R$ 5.057,77) e posteriormente sorteados, bem como os domicílios. Assim, foram encontrados 1.911 idosos elegíveis. A taxa de resposta do estudo foi de 89,1%, com amostra final de 1.702 idosos entrevistados, sendo consideradas perdas as entrevistas não realizadas após quatro tentativas e recusas quando as pessoas optaram por não responder ao questionário.

A amostra do estudo foi representativa da população com 60 anos ou mais de idade residente em Florianópolis, sendo a faixa etária de 80 anos ou mais no estudo (239/1.705 idosos ou 14% da amostra) correspondente ao mesmo percentual de idosos com 80 anos ou mais na população alvo identificada pelo Censo do IBGE de 2010 (6.784/48.423 ou 14% da população-alvo).

INSTRUMENTOS E COLETA DE DADOS

A coleta de dados foi realizada por instrumento padronizado e pré-testado aplicado na forma de entrevistas face a face, utilizando o Personal Digital Assistants (PDA), que é um computador de dimensões reduzidas, que possui grande capacidade computacional, cumprindo as funções de agenda e sistema informático de escritório elementar, com possibilidade de interconexão com um computador pessoal e uma rede informática sem fios para acesso à internet.

As entrevistas foram realizadas por entrevistadoras do sexo feminino com nível médio completo de escolaridade, devidamente treinadas. A escolha por entrevistadoras do sexo feminino foi uma decisão metodológica no planejamento do estudo, tendo em vista que tendem a ser mais bem recebidas pelos entrevistados. Além disso, poucas questões utilizadas neste estudo podem ter sofrido viés de informação pelo fato de serem entrevistadoras do sexo feminino.

Houve verificação semanal da consistência dos dados e controle de qualidade por meio de aplicação por telefone de questionário reduzido em aproximadamente 10% das entrevistas selecionadas aleatoriamente.

A variável autopercepção de saúde foi verificada por meio da pergunta “Em geral, você diria que sua saúde é: muito boa, boa, regular, ruim ou muito ruim?”15. Essas opções de resposta foram categorizadas em positiva (“muito boa” e “boa”) e negativa (“regular”, “ruim” e “muito ruim”).

As covariáveis estudadas foram:

  1. variáveis sociodemográficas: idade (em anos); sexo (masculino, feminino); estado civil (solteiro, casado/juntado, separado/divorciado, viúvo); moradia (sozinho, acompanhado); cuidador (não, sim); escolaridade (sem escolaridade formal, fundamental incompleto, fundamental completo, ensino médio, ensino superior); cor da pele (branca, negra/parda/amarela); trabalha atualmente (não, sim), que foi verificada por meio da pergunta “O(a) Sr.(a) tem algum trabalho remunerado atualmente?”; e renda em salários mínimos (menor que 1, 1 a 3, 4 a 6, > 6; sendo o salário mínimo em 2009, R$ 465,00, e em 2010, R$ 510,00);

  2. variáveis de saúde: declínio cognitivo avaliado pelo Mini Exame de Estado Mental (MEEM) validado no Brasil por Bertolucci et al.16 - MEEM é a escala de rastreio cognitivo mais utilizada em todo o mundo, que varia de 0 a 30 pontos; sua classificação se dá pelo nível de escolaridade, onde são considerados idosos com ausência de provável déficit cognitivo os idosos que atingem valores maiores ou iguais a 19/20 pontos (idosos sem escolaridade) e maiores ou iguais a 23/24 pontos (idosos com educação formal); e idosos com provável déficit cognitivo os que atingem valores menores que os mencionados17 -; doença de coluna (não, sim); artrite e/ou reumatismo (não, sim); câncer (não, sim); diabetes (não, sim); bronquite e/ou asma (não, sim); hipertensão arterial sistêmica (não, sim); doenças cardiovasculares (não, sim); depressão (não, sim); acidente vascular cerebral (AVC) (não, sim); úlcera estomacal (não, sim); incontinência urinária (não, sim); e uso de medicamentos (não, sim);

  3. variáveis comportamentais: uso de tabaco (não, fumou e parou, fuma atualmente); e uso de álcool (não, moderado/alto), que foi avaliado pelo The Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT)18, por meio das três primeiras perguntas do instrumento que fazem referência à quantidade e frequência do uso regular ou ocasional do álcool19. Esse instrumento configura-se, na atualidade, como uma das medidas mais empregadas em todo o mundo para a identificação de grupos de risco e rastreamento do uso inadequado de álcool em amostras clínicas e da população geral20. Foram considerados como não uso de álcool os idosos que não consomem álcool; como moderado, o consumo de uma dose ou menos com qualquer frequência; e como alto consumo de álcool, a ingestão de cinco doses ou mais ou duas ou mais doses normalmente ao beber. Devido ao tamanho reduzido da amostra, as categorias foram agrupadas em consumo de álcool (não, sim). Assim, a interpretação não se refere à identificação de grupo de risco, e sim ao consumo de álcool. Também avaliado o nível de atividade física, pelo Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) no domínio lazer, na forma longa e semana normal21 (inativo fisicamente = realiza menos que 150 minutos semanais de atividade física; e ativo fisicamente = realiza no mínimo 150 minutos semanais de atividade física); e a participação de grupos de convivência (não, sim);

  4. quedas no último ano (não, sim).

ANÁLISE DOS DADOS

Foi utilizada estatística descritiva para analisar as características da população. Os dados categóricos foram descritos por frequência relativa e os respectivos IC95%. Testou-se a normalidade dos dados contínuos (idade).

Foram calculadas as prevalências de autopercepção de saúde positiva e seus respectivos IC95%. Para a identificação dos fatores associados à autopercepção de saúde positiva, utilizou-se a análise bruta e ajustada por regressão de Poisson. Na análise ajustada, as variáveis que apresentaram associação com o desfecho (valor de p ≤ 0,05) foram inseridas no modelo. O modelo final foi ajustado por sexo. Para todas as análises foi utilizado o programa estatístico STATA SE 11.0 (StataCorp. 2009. Stata Statistical Software: Release 11. College Station, TX, StataCorp LP.).

ASPECTOS ÉTICOS

O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, Protocolo nº 352/2008. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os autores declaram não haver conflitos de interesses.

RESULTADOS

A amostra deste estudo totalizou 239 idosos longevos com média de idade 85,06 ± 4,68 anos. A prevalência de autopercepção de saúde positiva foi de 41,4% (IC95% 34,6 - 48,5) (Tabela 1).

Tabela 1: Associação entre as características sociodemográficas, condições de saúde e nível de atividade física no lazer e no deslocamento dos idosos longevos do EpiFloripa Idoso, Florianópolis, Santa Catarina, 2014.  

Variáveis n = 239
n % (IC95%)
Autopercepção de saúde
Positiva 100 41,4 (34,6 - 48,5)
Negativa 139 58,6 (51,5 - 65,4)
Sociodemográficas
Sexo
Feminino 159 66,0 (58,5 - 72,7)
Masculino 80 34,0 (27,3 - 41,4)
Estado civil
Casado/juntado 91 35,7 (28,7 - 43,4)
Solteiro 9 3,3 (1,6 - 6,6)
Divorciado/separado 9 3,9 (2,0 - 7,5)
Viúvo 130 57,1 (49,5 - 64,3)
Moradia
Sozinho 45 20,8 (15,2 - 27,6)
Acompanhado 194 79,2 (72,3 - 84,7)
Cuidador
Não 167 71,1 (60,8 - 81,3)
Sim 72 28,9 (18,7 - 39,17)
Escolaridade
Analfabeto 44 16,6 (11,0 - 24,2)
Fundamental incompleto 104 41,8 (32,8 - 51,4)
Fundamental completo 28 14,7 (8,3 - 24,7)
Médio completo 43 19,4 (12,7 - 28,4)
Ensino superior 20 7,5 (3,9 - 13,6)
Cor da pele
Branca 211 87,8 (80,6 - 92,5)
Negra/parda/amarela 28 12,2 (7,5 - 19,3)
Trabalho
Não trabalha 232 97,3 (94,0 - 98,8)
Trabalha 7 2,7 (1,2 - 6,0)
Renda (salários mínimos)
< 1 128 49,7 (39,8 - 59,6)
1 a 3 74 31,8 (26,6 - 37,4)
4 a 6 13 6,0 (3,3 - 10,6)
> 6 24 12,4 (6,9 - 21,4)
De saúde
Déficit cognitivo
Ausência de déficit 124 56,5 (46,8 - 66,2)
Provável déficit 112 43,5 (33,8 - 53,2)
Doença de coluna
Não 132 52,1 (44,5 - 59,7)
Sim 107 47,9 (40,3 - 55,5)
Artrite/reumatismo
Não 147 65,9 (57,0 - 74,8)
Sim 92 34,1 (25,2 - 43,0)
Diabetes
Não 188 76,1 (68,4 - 82,3)
Sim 5 23,9 (17,6 - 31,5)
Bronquite/asma
Não 199 83,5 (77,1 - 90,0)
Sim 40 16,4 (10,0 - 22,9)
Hipertensão arterial sistêmica
Não 89 37,1 (28,1 - 47,1)
Sim 150 62,9 (52,9 - 71,8)
Doenças cardiovasculares
Não 15 60,7 (52,0 - 68,8)
Sim 88 39,2 (31,2 - 48,0)
Depressão
Não 180 75,9 (70,6 - 80,5)
Sim 59 24,1 (19,4 - 29,4)
Acidente vascular cerebral
Não 206 87,7 (82,5 - 92,9)
Sim 33 12,3 (7,1 - 17,5)
Úlcera estomacal
Não 212 89,0 (84,4 - 93,6)
Sim 27 11,0 (6,3 - 15,6)
Incontinência urinária
Não 132 62,7 (54,3 - 71,2)
Sim 107 37,2 (28,8 - 45,7)
Uso de medicamento
Não 13 5,8 (3,1 - 10,6)
Sim 226 94,2 (89,4 - 96,8)
Comportamentais
Uso de tabaco
Não 156 64,5 (57,4 - 70,9)
Fumou e parou 75 32,3 (26,3 - 39,0)
Fuma atualmente 8 3,2 (1,5 - 6,5)
Uso de álcool
Não 195 82,3 (76,3 - 87,0)
Sim 44 17,7 (13,0 - 23,7)
Participa de grupos de convivência
Não 75 33,4 (25,2 - 42,6)
Sim 164 66,6 (57,3 - 74,8)
Nível de atividade física no lazer (minutos semanais)
< 150 200 83,1 (76,5 - 88,1)
≥ 150 39 16,9 (11,9 - 23,5)
Outras
Quedas no último ano
Não 178 75,0 (68,8 - 80,2)
Sim 61 25,0 (19,7 - 31,1)

Valor utilizado para conversão da variável renda familiar bruta: EpiFloripa11 R$ 465; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

A maior parte dos idosos longevos era do sexo feminino, viúva, morava acompanhada, tinha baixa escolaridade (analfabeta ou tinha o ensino fundamental incompleto), era branca, não possuía trabalho remunerado e/ou voluntário e recebia menos de três salários mínimos mensais. Quanto às condições de saúde, grande parte não tinha nenhuma doença além da hipertensão arterial sistêmica e fazia uso de, no mínimo, um medicamento diário. Em relação aos hábitos de vida, a maioria nunca fumou e não fazia uso de bebidas alcoólicas, participava de grupos de convivência para idosos e era inativa fisicamente no lazer. Em relação às quedas, a maioria não teve quedas no último ano (Tabela 1).

Na Tabela 2, verificou-se na análise bruta que a autopercepção de saúde positiva foi associada à presença de depressão, uso de medicamentos, não fazer uso de álcool e ser ativo fisicamente no lazer. Porém, após a análise ajustada verificou-se que a autopercepção de saúde positiva permaneceu associada com a presença de depressão, com prevalência 51% menor naqueles com diagnóstico da doença (RP = 0,49; IC95% 0,28 - 0,85), e naqueles que faziam consumo de álcool, onde a prevalência de autopercepção positiva foi praticamente o dobro em relação àqueles que não consumiam (RP = 1,99; IC95% 1,54 - 2,56).

Tabela 2: Análises ajustada dos fatores associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos do EpiFloripa Idoso. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2014. 

Variáveis Autopercepção de saúde positiva % (IC95%) Análise bruta Análise ajustada
RP (IC95%) Valor p RP (IC95%) Valor p
Sociodemográficas
Idade - 1,01 (0,97 - 1,05) 0,657 -
Sexo
Feminino 38,9 (30,4 - 48,1) 1 0,341 1 0,616
Masculino 46,2 (34,5 - 58,3) 1,19 (0,83 - 1,70) 0,91 (0,63 - 1,31)
Estado civil
Casado/juntado 47,3 (35,4 - 59,6) 1 0,146 -
Solteiro 50,8 (19,7 - 81,3) 1,07 (0,53 - 2,17)
Separado/divorciado 83,0 (47,8 - 96,3) 1,75 (1,18 - 2,61)
Viúvo 34,3 (24,4 - 45,7) 0,72 (0,47 - 1,12)
Moradia
Sozinho 41,8 (27,7 - 57,5) 1 0,955 -
Acompanhado 41,3 (32,6 - 50,5) 0,99 (0,61 - 1,59)
Cuidador
Não 45,5 (0,37 - 0,54) 1 0,127
Sim 31,2 (0,55 - 0,83) 0,68 (0,42 - 1,12)
Escolaridade
Analfabeto 24,6 (13,3 - 41,0) 1 0,068 -
Fundamental incompleto 38,2 (28,4 - 48,6) 1,55 (0,82 - 2,95)
Fundamental completo 42,6 (29,0 - 57,5) 1,73 (0,90 - 3,34)
Médio completo 57,5 (28,9 - 81,9) 2,34 (1,07 - 5,09)
Ensino superior 51,9 (28,4 - 74,6) 2,11 (1,04 - 4,27)
Cor da pele
Branca 43,6 (36,8 - 50,7) 1 0,171 -
Negra/parda/amarela 25,2 (10,5 - 49,0) 0,58 (0,26 - 1,27)
Trabalho
Não trabalha 41,3 (34,5 - 48,5) 1 0,964 -
Trabalha 42,3 (12,3 - 79,2) 1,02 (0,39 - 2,66)
Variáveis Autopercepção de saúde positiva % (IC95%) Análise bruta Análise ajustada
RP (IC95%) Valor p RP (IC95%) Valor p
Renda (salários mínimos)
< 1 37,6 (29,2 - 46,9) 1 0,219 -
1 a 3 39,7 (25,6 - 55,7) 1,06 (0,68 - 1,84)
4 a 6 23,4 (7,6 - 53,3) 0,62 (0,22 - 1,75)
> 6 69,4 (49,8 - 83,8) 1,85 (1,29 - 2,64)
De saúde
Déficit cognitivo
Ausência de déficit 44,4 (36,3 - 52,6) 1 0,455
Provável déficit 38,7 (26,5 - 50,9) 0,87 (0,60 - 1,26)
Doença de coluna
Não 43,7 (33,1 - 54,3) 1 0,495 -
Sim 38,8 (29,5 - 48,2) 0,89 (0,63 - 1,25)
Artrite/reumatismo
Não 45,6 (35,3 - 55,8) 1 0,187 -
Sim 33,3 (20,7 - 45,8) 0,73 (0,46 - 1,17)
Câncer
Não 39,8 (31,3 - 48,2) 1 0,182 -
Sim 52,8 (35,8 - 69,8) 1,33 (0,87 - 2,02)
Diabetes
Não 45,9 (37,4 - 54,7) 1 0,058 -
Sim 26,8 (15,3 - 42,6) 0,58 (0,33 - 1,02)
Bronquite/asma
Não 40,7 (33,3 - 48,2) 1 0,656 -
Sim 44,7 (27,5 - 62,0) 1,10 (0,72 - 1,67)
Hipertensão arterial sistêmica
Não 44,1 (31,7 - 57,3) 1 0,583 -
Sim 39,8 (31,8 - 48,3) 0,90 (0,62 - 1,31)
Doenças cardiovasculares
Não 46,8 (38,6 - 55,1) 1 0,079 -
Sim 33,0 (22,8 - 45,2) 0,71 (0,48 - 1,04)
Depressão
Não 47,9 (39,2 - 56,7) 1 0,004* 1 0,013*
Sim 20,8 (12,0 - 33,5) 0,43 (0,25 - 0,76) 0,49 (0,28 - 0,85)
Variáveis Autopercepção de saúde positiva % (IC95%) Análise bruta Análise ajustada
RP (IC95%) Valor p RP (IC95%) Valor p
Acidente vascular cerebral
Não 43,6 (36,1 - 51,1) 1 0,132 -
Sim 25,4 (7,8 - 43,1) 0,58 (0,29 - 1,18)
Úlcera estomacal
Não 41,8 (34,3 - 49,2) 1 0,778 -
Sim 38,1 (14,4 - 61,8) 0,91 (0,47 - 1,75)
Incontinência urinária
Não 41,4 (33,3 - 49,5) 1 0,994 -
Sim 41,3 (29,1 - 53,6) 1,00 (0,71 - 1,41)
Uso de medicamento
Não 69,6 (37,0 - 90,0) 1 0,024* 1 0,058
Sim 39,6 (32,1 - 47,6) 0,57 (0,35 - 0,93) 0,62 (0,37 - 1,02)
Comportamentais
Uso de tabaco
Não 41,2 (30,8 - 52,4) 1 0,639 -
Fumou e parou 40,0 (29,0 - 52,2) 0,97 (0,61 - 1,53)
Fuma atualmente 58,1 (21,6 - 87,4) 1,41 (0,66 - 2,98)
Uso de álcool
Não 34,5 (28,4 - 41,1) 1 > 0,001* 1 > 0,001*
Sim 73,2 (56,0 - 85,5) 2,21 (1,64 - 2,25) 1,99 (1,54 - 2,56)
Participa de grupos de convivência
Não 47,7 (33,2 - 62,6) 1 0,265 -
Sim 38,2 (30,5 - 46,5) 0,80 (0,54 - 1,19)
Nível de atividade física no lazer (minutos por semana)
< 150 38,1 (31,1 - 45,7) 1 0,010* 1 0,150
≥ 150 57,3 (42,1 - 71,3) 1,50 (1,11 - 2,05) 1,22 (0,93 - 1,60)
Outras
Quedas
Não 39,9 (33,3 - 47,0) 1 0,454 -
Sim 45,8 (31,0 - 61,3) 1,15 (0,80 - 1,65)

RP: razão de prevalência; IC95%: intervalo de confiança de 95%; *nível de significância menor que 5%. Modelo final ajustado por sexo.

DISCUSSÃO

No presente estudo, a prevalência de autopercepção de saúde positiva foi de 41,8%. Além disso, constatou-se que a autopercepção de saúde positiva foi menos prevalente nos idosos longevos sem sintomas depressivos, e mais prevalente naqueles que consumiam álcool.

Observou-se que a depressão se associou inversamente à autopercepção de saúde positiva, corroborando os achados de Arnadottir et al.9, confirmando a relação entre a pior percepção de saúde e sintomas depressivos, que tem sido bem descrita em estudos prévios22,23,24. Entre os idosos, a depressão é um problema de saúde mental muito comum22, que se não tratada, aumenta o risco de morbimortalidades e associa-se a um fardo social e econômico23.

A autopercepção de saúde positiva também foi associada ao consumo de álcool dos idosos longevos. Estudos25,26,27,28,29 também observaram associação entre maior consumo de álcool e percepção positiva de saúde, após ajustes por variáveis sociodemográficas e de estilo de vida, corroborando os achados desta investigação. Outra pesquisa mostrou que a prevalência de autopercepção de saúde negativa foi maior entre os que haviam parado de beber, seguidos pelos não bebedores27.

O aumento da idade é um determinante importante na quantidade de consumo de álcool, sendo que pessoas mais velhas consomem menores quantidades de álcool quando comparados aos mais novos, porém com maior frequência29. Beber moderadamente está associado a algumas boas condições de saúde27,28,29 como melhor cognição e menor risco de demência30, melhor desempenho funcional30, menos sintomas depressivos27, alguma proteção contra doenças cardiovasculares31 e asma32, menor mortalidade29,31 e melhor qualidade de vida28,33, o que pode elucidar a melhor autopercepção de saúde destes idosos. Essa associação pode ser explicada também pelo provável maior vínculo social entre os idosos que consomem álcool28.

No entanto, estes resultados podem ser questionados por alguns vieses. Um viés é a condição econômica na qual pessoas com melhores rendas consomem mais álcool e podem acessar os serviços de saúde com mais frequência, reduzindo assim o impacto do álcool na saúde34. Outro ponto é que provavelmente os idosos que consomem álcool fazem isso porque estão com a saúde melhor, e essa é a explicação mais provável para a associação encontrada entre álcool e autopercepção positiva de saúde, além dos laços sociais. Outro ponto é a diferença de avaliação do consumo do álcool entre os estudos, pois alguns estudos avaliam em baixo, moderado e alto consumo26, somente uso moderado29,30, doses de consumo26,33, frequência de consumo em dias26,33, meses26 ou anos27, comparados a nunca ter consumido e/ou ser ex-consumidor de álcool.

Contudo, são imprescindíveis mais investigações no que se refere à relação entre percepção de saúde e consumo de álcool em idosos longevos, sendo que os autores deste estudo não recomendam que idosos longevos consumam álcool para que tenham a autopercepção de saúde positiva, tendo em vista que a abordagem da saúde pública no Reino Unido promove o consumo responsável, que busca equilibrar os benefícios potenciais de beber contra possíveis danos34, e que a recomendação do Ministério da Saúde enfatiza a cessação do uso do álcool para a melhora da saúde e prevenção de doenças crônicas34.

É importante destacar que o presente estudo apresenta algumas limitações, dentre elas o emprego do delineamento transversal, que não permite inferir relações de causa e efeito entre as variáveis independentes e o desfecho, e o viés de sobrevivência, pois somente podem ser entrevistados em um estudo transversal os idosos sobreviventes, algo inerente a todo estudo transversal. Os mais graves, mais comprometidos ou mais doentes morreram ou foram internados em instituições de longa permanência para idosos e, portanto, não foram entrevistados.

Os principais pontos positivos deste estudo foram o fato da investigação com idosos longevos ainda ser pequena no Brasil, devido à dificuldade de contatá-los, o que ilustra ainda mais a importância de pesquisar essa população específica, e o fato da pesquisa ter como desfecho a autopercepção positiva de saúde em detrimento da negativa, se diferenciando assim da maioria dos estudos.

Investigações longitudinais podem contribuir para o melhor entendimento da direção das associações encontradas. Neste sentido, o projeto EpiFloripa Idoso deu continuidade ao estudo e realizou uma nova onda de coletas nos anos de 2013/14.

CONCLUSÃO

Conclui-se neste estudo que os fatores associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos de Florianópolis, Santa Catarina, foram a presença de depressão e o consumo de álcool. Assim, os resultados mostram que compreender essas variáveis que interferem na autopercepção de saúde positiva de idosos longevos pode auxiliar em melhores ações de saúde, principalmente ações para evitar a depressão nessa população. Esse conhecimento, se bem aplicado, pode auxiliar na redução de custos com internações, medicamentos e tratamentos de saúde, que são muito comuns nessa população mais velha, além de servir como importante indicador para a vigilância da saúde geral do idoso longevo do referido município.

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Fonte de financiamento: Este artigo é originário do Projeto EpiFloripa 2009/2010, Estudo Epidemiológico das Condições de Saúde dos Idosos de Florianópolis, Santa Catarina e foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processo n° 569834/2008-2 e desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina.

Recebido: 21 de Março de 2016; Revisado: 29 de Agosto de 2016; Aceito: 05 de Dezembro de 2016

Autor correspondente: Rodrigo de Rosso Krug. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Centro de Ciências da Saúde. Rua Delfino Conti, s/n, bloco A, sala 126, Campus Universitário, Trindade, CEP: 88040-410, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: rodkrug@bol.com.br

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