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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  São Paulo  2018  Epub Oct 11, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180018 

ARTIGO ORIGINAL

Moderada endemicidade da infecção pelo vírus linfotrópico-T humano na região metropolitana de Belém, Pará, Brasil

Ingrid Christiane SilvaI 

Bruna Teles PinheiroI 

Akim Felipe Santos NobreII 

Jaciana Lima CoelhoI 

Cássia Cristine Costa PereiraII 

Louise de Souza Canto FerreiraII 

Camila Pâmela Santos de AlmeidaII 

Maria de Nazaré do Socorro de Almeida VianaII 

Danilo Souza de AlmeidaII 

Jairo Ribeiro FalcãoIII 

Yago Costa Vasconcelos dos SantosII 

Marcos William Leão de AraújoI 

Mariza da Silva BorgesIV 

Lisandra Duarte NascimentoI 

Lorena Saldanha ValentimI 

Jorge Simão do Rosario CassebV 

Carlos Araújo da CostaII 

Maísa Silva de SousaII 

IFaculdade de Farmácia, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Pará - Belém (PA), Brasil.

IIPrograma de Pós-Graduação em Doenças Tropicais, Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará - Belém (PA), Brasil.

IIIMestrado Profissionalizante em Análises Clínicas, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará - Belém (PA), Brasil.

IVFaculdade de Enfermagem, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Pará - Belém (PA), Brasil.

VInstituto de Medicina Tropical, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

A disseminação da infecção pelo vírus linfotrópico-T humano (HTLV) em famílias da área metropolitana de Belém, Pará, Brasil, e a ausência de estudos na população em geral requisitam investigações que esclareçam melhor a sua prevalência na região.

Metodologia:

Foi realizada pesquisa de anticorpos anti-HTLV-1/HTLV-2 em indivíduos adultos transeuntes de logradouros públicos de Belém, entre novembro de 2014 e novembro de 2015. A infecção foi confirmada por pesquisa de DNA proviral e foi realizada avaliação clínica e investigação intrafamiliar dos infectados.

Resultados:

Dos 1.059 indivíduos investigados, 21 (2,0%) apresentaram amostras sororeagentes, 15 (1,4%) confirmados para HTLV-1, 5 (0,5%) para HTLV-2 e o DNA proviral foi indetectável em 1 caso. A média de idade dos infectados (57,2) foi maior que a dos não infectados (46,2) (p = 0,0010). A infecção aumentou com a idade e se destacou nos indivíduos com renda familiar menor ou igual a um salário mínimo. A transmissão intrafamiliar parece ter ocorrido em todas as famílias investigadas. Dentre os portadores de HTLV-1, 30% (3/10) já apresentavam algum sintoma relacionado à infecção.

Discussão:

O aumento da infecção de acordo com a idade pode ocorrer por soroconversão tardia de infecção pré-adquirida ou pelo risco cumulativo de novas infecções, sobretudo em mulheres.

Conclusão:

A infecção por HTLV demonstrou moderada prevalência na população estudada, com predomínio do HTLV-1. Essa mostrou-se associada à baixa renda e ao aumento da idade das mulheres. Também apresentou disseminação intrafamiliar e negligência no diagnóstico das doenças associadas.

Palavras-chave: Deltaretrovírus; Epidemiologia; Estudos transversais; Saúde da família

INTRODUÇÃO

O vírus linfotrópico-T humano (HTLV) foi o primeiro retrovírus identificado em humanos1,2. Trata-se de um retrovírus envelopado, que contém duas moléculas de ácido ribonucleico (RNA) de cadeia simples, iguais e com polaridade positiva. O HTLV pertence ao gênero Deltaretrovirus da família Retroviridae, subfamília Orthoretrovirinae3, e estão descritos atualmente quatro tipos (HTLV-1, HTLV-2, HTLV-3, HTLV-4), entretanto, apenas os HTLV-1 e HTLV-2 são associados a casos de doenças4.

O HTLV-1 mostra-se associado ao desenvolvimento de doenças graves, como leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL) e paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP), além de doenças correlacionadas como uveíte, dermatite infecciosa e estrongiloidíase5,6. Quanto ao HTLV-2, esse tem sido associado a casos raros de perturbações neurológicas semelhantes à HAM/TSP, mesmo que não haja indicações precisas de manifestações clínicas bem definidas7,8.

As principais vias de transmissão do HTLV são a sexual; a vertical ou de mãe para filho; e através de transfusão de sangue ou pelo uso de agulhas e/ou seringas contaminadas9. A explicação do risco intrafamiliar de infecção são as vias de transmissão vertical e sexual10. A transmissão vertical ocorre principalmente através da amamentação, com transferência de linfócitos infectados ao neonato, sendo rara a transmissão intrauterina. O tempo de amamentação influencia na possibilidade de ocorrer a transmissão por essa via6,9,11. Estudo realizado no Japão propõe que a transmissão sexual é mais eficiente do homem para a mulher, visto que o contrário é menos comum12.

O diagnóstico da infecção pelo HTLV é realizado através da detecção de anticorpos anti-HTLV-1/HTLV-2, por meio de ensaio imunoenzimático (ELISA) somado ao Western blot e/ou reação em cadeia mediada pela polimerase (PCR), para a respectiva detecção de proteínas e DNA proviral, com consequente diferenciação de genótipos do vírus13.

A infecção por HTLV está presente entre 5 e 10 milhões de indivíduos no mundo todo e é amplamente distribuída, com aglomerados de alta endemicidade no sudoeste do Japão, na África Subsaariana, América do Sul, na bacia do Caribe e em áreas localizadas do Irã e da Melanésia. Nas Américas, pode ser encontrado com taxas mais elevadas em países do Caribe e em menores taxas no Brasil4.

No Brasil, estima-se que existam aproximadamente 2,5 milhões de infectados, sendo, portanto, o território com maior número absoluto de infectados. Os estados da Bahia, Pará e Maranhão apresentam as maiores taxas de prevalência para essa infecção em doadores de sangue14,15,16. Além dos estudos realizados junto aos doadores de sangue do estado do Pará, existem também pesquisas da infecção por HTLV em grupos específicos de gestantes17, indígenas18, portadores de doenças neurológicas19 e do vírus da imunodeficiência humana (HIV)20. Outros estudos comprovam a presença dessa infecção também em populações de áreas rurais do estado do Pará21,22,23, mas não se conhece a prevalência do HTLV na população da região metropolitana de Belém, a maior área urbana do estado.

A alta endemicidade da infecção por HTLV em agregados familiares da área metropolitana de Belém24 e a ausência de estudos dessa infecção na população requisitam investigações que caracterizem sua epidemiologia na região. Dessa forma, este estudo descreveu a prevalência e os fatores associados à infecção por HTLV em indivíduos adultos da região metropolitana de Belém, Pará, Brasil.

MATERIAL E MÉTODOS

CASUÍSTICA, PERÍODO E LOCAL DO ESTUDO

Trata-se de um estudo prospectivo, transversal, analítico, realizado no período de novembro de 2014 a novembro de 2015, junto a indivíduos adultos, transeuntes de logradouros públicos (Complexo Ver-o-Peso e Praça da República) da cidade de Belém, Pará, Brasil. O complexo arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, que incluem mercados, praças e ruas. Localizado às margens da baía do Guajará, é um importante ponto de abastecimento, turístico e cultural de Belém. Possui a maior feira ao ar livre da América Latina, a qual comercializa variados tipos de gêneros alimentícios e ervas medicinais, fornecidos principalmente por via fluvial. A Praça da República é um dos mais importantes espaços públicos urbanos de lazer para o desempenho da vida ao ar livre da população de Belém e tem um público com estilos bem diversificados.

Os participantes deste estudo foram atendidos em ações de extensão universitária, realizadas por iniciativa do Laboratório de Biologia Molecular e Celular (LBMC) do Núcleo de Medicina Tropical (NMT) da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante as quais foram distribuídos 3.500 folhetos informativos sobre o HTLV, com esclarecimento sobre a infecção, suas formas de transmissão, doenças associadas e a realização dos exames necessários.

COLETA DE DADOS E AMOSTRAS

Após a explicação do objetivo, dos riscos e benefícios do estudo, foi obtido o consentimento de participação dos indivíduos, mediante a leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os dados sócio-epidemiológicos foram coletados em protocolo de pesquisa próprio, com investigação das variáveis idade, gênero, estado civil, histórico de ter recebido transfusão sanguínea, escolaridade e renda familiar mensal. As informações clínicas foram obtidas dos prontuários após a consulta no ambulatório da unidade universitária.

O sangue foi coletado por punção venosa (aproximadamente 5 mL) em tubo contendo ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) e armazenado refrigerado (8°C). As amostras foram identificadas com as iniciais do nome e o respectivo número de cadastro do participante. O sangue coletado foi centrifugado a 3.000 rpm por 10 minutos e separado em alíquotas de plasma e camada de leucócito, respectivamente, para pesquisa de anticorpos anti-HTLV-1/2 e, caso necessário, pesquisa de DNA proviral.

EXAMES LABORATORIAIS

A pesquisa de anticorpos anti-HTLV foi realizada pelo Kit Gold ELISA Anti-HTLV 1/2 (REM, São Paulo, Brasil), de acordo com instruções do fabricante. As amostras reativas e aquelas com valores 20% abaixo ou acima do cut off (casos suspeitos) passaram por um novo teste imunoenzimático e pesquisa de DNA proviral.

A extração de DNA foi realizada a partir de células da camada de leucócitos (300 µL), seguindo as recomendações do kit Wizard® GenomicDNA Purification (Promega, Madison, Wisconsin, Estados Unidos).

A amplificação do gene da β-globina humana, para avaliação da integridade do DNA extraído, utilizou os oligonucleotídeos PC04 (5’-CAACTTCATCCACGTTCACC-3’) e GH20 (5’-GAAGAGCCAAGGACAGGTAC-3’) e gerou um fragmento de 268 pares de bases (pb) após a PCR25.

A pesquisa do DNA proviral foi realizada por nested-PCR, com amplificação da região pX do HTLV, para a confirmação da infecção viral em amostras sororreagentes ou suspeitas. Uma reação de digestão enzimática do produto da nested-PCR foi realizada para diferenciação dos tipos I e II26.

A primeira etapa da nested-PCR foi realizada com 3,5 µL de Go Taq Green Master Mix, 1,0 µL de água, 0,25 µL (10 pmol) de cada iniciador HTLV_externo F 5’-TTCCCAGGGTTTGGACGAAG-3’ (7219-7238, direto) e HTLV_externo R 5’-GGGTAAG GACCTTGAGGGTC-3’ (7483-7464, reverso) e 2,0 µL de DNA, para um volume final de 7 µL. O protocolo para amplificação seguiu a temperatura de desnaturação de 94°C por 4 minutos, seguida de 30 ciclos (repetições), com desnaturação de 94°C por 40 segundos, hibridização a 51,6°C por 30 segundos e, por fim, a extensão a 72°C por 40 segundos, seguida da extensão final de 72°C por 10 minutos, e 10°C por 10 minutos.

A segunda etapa da nested-PCR foi realizada com 6,0 µL de Go Taq Green Master Mix, 0,25 µL (10 pmol) de cada oligonucleotídeo, HTLV_interno F 5’-CGGATACCCAGTCTACGTGTT-3’ (7248-7268, direto) e HTLV_interno R 5’-GAGCCGATAACGCGTCCATCG-3’ (7406-7386, reverso), 5,2 µL de água e 0,3 µL do produto da primeira PCR, completando uma reação com volume final de 12 µL, gerando um fragmento de 159 pb. O protocolo de amplificação dessa reação seguiu 35 ciclos (repetições), com desnaturação de 94°C por 30 segundos, hibridização de 51,6°C por 30 segundos, extensão de 72°C por 30 segundos, seguida da extensão final a 72°C, por 10 minutos, e 10°C por 10 minutos.

Foram utilizados os controles positivo (amostras de HTLV-1 e HTLV-2) e negativo (água estéril) em cada reação de PCR.

A reação de polimorfismo no comprimento de fragmentos de restrição (RFLP) do produto do região pX (159 pb) foi realizada misturando-se 6,0 µL do produto amplificado, 2,8 µL de água, 0,1 µL de proteína albumina do soro bovino (BSA), 1 µL tampão de restrição (10 x) e 0,1 µL da enzima de restrição TaqI (10 U/µL, Promega, Madison WI, EUA), com posterior incubação a 65°C por 2 horas. Foram consideradas positivas para HTLV-2 as amostras que apresentaram dois fragmentos (85, 53 e 21 pb), ausentes nas amostras de HTLV-1 (138 e 21 pb).

Os produtos das reações de β-globina humana, nested-PCR e digestão enzimática foram aplicados em gel de agarose a 1, 2 e 3%, respectivamente, contendo brometo de etídio (1 mg/mL), submetidos a 100 V por 60 minutos e visualizados em transiluminador ultravioleta.

AVALIAÇÃO DOS INFECTADOS E INVESTIGAÇÃO FAMILIAR

Os indivíduos identificados com a infecção, denominados casos índices (CI), foram encaminhados ao NMT para avaliação clínico-ambulatorial por profissionais especializados. A investigação familiar priorizou a realização de exames para HTLV em cônjuges e mãe dos CI masculinos; e em mãe, cônjuges e filhos dos CI femininos. No caso de mãe falecida, foram investigados os irmãos dos CI.

ARMAZENAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS

As informações coletadas na entrevista, no laboratório e nos prontuários foram inseridas em planilha para a identificação das frequências e confecção de gráficos e tabelas, utilizando os programas Microsoft Office Excel® 2016 e Bioestat 5.0. O teste G foi utilizado para análise de significância das proporções (frequências relativas) e foram considerados significativos os valores de p menores ou iguais a 0,05 (p ≤ 0,05). Para a avaliação da normalidade e da diferença das médias das idades, dos casos positivos e negativos, foram utilizados os testes de Lilliefors e Mann-Whitney, respectivamente.

ASPECTOS ÉTICOS

O presente estudo faz parte do projeto “Pesquisando infecções e doenças infecciosas na extensão universitária”, o qual possui aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Pará, por meio da Plataforma Brasil, obedecendo à Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CAAE: 38202214.6.0000.5172), número do paracer 1.218.417, de 08 de setembro de 2015.

RESULTADOS

Foram investigados 1.059 indivíduos, dentre os quais 21 (2,0%) foram identificados com anticorpos anti-HTLV-1/2; e 20 desses apresentaram o DNA proviral, confirmando 15 (1,4%) casos de HTLV-1 e 5 (0,5%) de HTLV-2. O indivíduo sem detecção do DNA proviral não compareceu para nova coleta de sangue.

De todos os investigados, 61,1% eram mulheres, 51,2% tinham relacionamento conjugal estável, 80,2% disseram nunca ter recebido transfusão sanguínea, 54% concluíram o ensino médio ou superior e 70,9% afirmaram possuir renda menor ou igual a 1 salário mínimo brasileiro. Dentre essas características, a infecção por HTLV se destacou nas pessoas com renda familiar menor ou igual a 1 salário mínimo brasileiro (p = 0,0114), quando comparadas ao grupo com renda superior (Tabela 1).

Tabela 1: Características epidemiológicas dos investigados e infectados pelo vírus linfotrópico-T humano, pesquisados em logradouros públicos de Belém, Pará, Brasil, entre novembro de 2014 e novembro de 2015. 

Investigados Infectados Valor p
n % n %
Gênero 0,7608
Feminino 647 61,1 14 2,2
Masculino 412 38,9 7 1,7
Estado civil 0,9130
Casado/união estável 542 51,2 11 2,0
Solteiro/separado/divorciado/viúvo 517 48,8 10 1,9
Histórico de ter recebido transfusão 0,9499
Não 849 80,2 19 2,2
Sim 110 10,4 2 1,8
Não informado 100 9,4 - -
Escolaridade (anos) 0,2092
0 a 11 487 46 13 2,7
≥ 12 572 54 8 1,4
Renda (salário mínimo) 0,0114*
≤ 1 751 70,9 20 2,7
> 1 308 29,1 1 0,3

*Valor significativo para o teste G.

Um total de 1.019 (96%) investigados residiam na região metropolitana de Belém, sendo 84,7% (863/1.019) do município de Belém, 12,6% (128/1.019) de Ananindeua, 1,8% (18/1.019) de Marituba, 0,7% (7/1.019) de Benevides e 0,3% (3/1.019) de Santa Bárbara do Pará. Os demais 4% (n = 40) dos investigados residiam em outros municípios do estado do Pará. Todos os indivíduos identificados com anticorpos anti-HTLV1/2 residiam na região metropolitana de Belém, sendo 19 habitantes do município de Belém e 2 do município de Ananindeua.

As idades dos indivíduos investigados variaram de 18 a 88 anos, com média de 46,4 (± 15,2) anos e 10,4% (n = 110) deles tinham mais de 65 anos de idade. As idades dos indivíduos infectados variaram de 35 a 77 anos, com média de 57,2 (± 11,6) anos e, nos casos negativos para a infecção, a média de idade foi de 46,2 (± 15,2) anos (p = 0,0010) (Figura 1).

Figura 1: Box-plot das médias das idades dos indivíduos, sem e com infecção pelo vírus linfotrópico-T humano, investigados em logradouros públicos da cidade de Belém, Pará, Brasil, de novembro de 2014 a novembro de 2015. 

No geral, houve mais infectados quando separada a população em indivíduos com mais de 30 anos (p = 0,0260), 40 anos (p = 0,0036) e 50 anos (p = 0,0054), em comparação aos grupos com idades respectivamente maiores. Nas mulheres, a frequência da infecção também se mostrou maior naquelas acima de 40 anos (p = 0,0018) e 50 anos (p = 0,0083), quando comparadas com grupos que tinham idades menores. A proporção da infecção por faixa etária nos homens não demonstrou significância expressiva (Tabela 2).

Tabela 2: Idades dos investigados e infectados pelo vírus linfotrópico-T humano, pesquisados em logradouros públicos de Belém, Pará, Brasil, entre novembro de 2014 e novembro de 2015. 

Faixa etária (anos) Total Mulheres Homens
Investigados Infectados Valor p Investigados Infectados Valor p Investigados Infectados Valor p
n % n % n % n % n % n %
< 30 185 17,5 - - 0,0260* 134 21 - - 0,0584 51 12 - - 0,6486
≥ 30 874 82,5 21 2,4 513 79 14 2,7 361 88 7 1,9
< 40 354 33,4 1 0,3 0,0036* 246 38 - - 0,0018* 108 26 1 0,9 0,7668
≥ 40 705 66,6 20 2,8 401 62 14 3,5 304 74 6 2,0
< 50 591 55,8 5 0,8 0,0054* 384 59 3 0,8 0,0083* 207 50 2 1,0 0,4351
≥ 50 468 44,2 16 3,4 263 41 11 4,2 205 50 5 2,4

*Valor significativo para o teste G.

Dos 21 indivíduos sororreagentes, 14 (10 HTLV-1 e 4 HTLV-2) compareceram para a avaliação clínica. Dentre os portadores de HTLV-1, 30% (3/10) apresentaram algum sintoma ou doença associada à infecção, sendo 1 caso de HAM/TSP, 1 caso de uveíte e 1 caso de artropatia crônica e disfunção vesical. Esses indivíduos já faziam tratamento de suas doenças, porém com outro diagnóstico clínico, sem o conhecimento prévio da infecção pelo HTLV-1.

Seis famílias (5 HTLV-1 e 1 HTLV-2) deram prosseguimento na investigação da transmissão intrafamiliar e todas (100%) apresentaram pelo menos mais um indivíduo infectado pelo mesmo tipo viral do CI. Dessas 6 famílias, foram investigados 14 familiares dos CI, dos quais 9 (64%) apresentaram a infecção. A transmissão intrafamiliar pode ter ocorrido em 100% (4/4) das relações conjugais e em 42% (5/12) das relações verticais (incluindo as famílias 6.653, 6.663, 7.006 e 7.013) (Tabela 3).

Tabela 3: Famílias investigadas para a infecção pelo vírus linfotrópico-T humano, a partir de pessoas identificadas em logradouros públicos de Belém, Pará, Brasil, entre novembro de 2014 e novembro de 2015. 

Família Gênero Idade Parentesco Sorologia PCR
6.653 F 40 Caso índice Reagente HTLV-1
F 59 Mãe Não reagente Indetectável
M 42 Cônjuge Reagente HTLV-1
M 23 Filho Não reagente Indetectável
F 22 Filha Não reagente Indetectável
F 21 Filha Reagente HTLV-1
6.663 F 52 Caso índice Reagente HTLV-1
F 64 Irmã Reagente HTLV-1
F 61 Irmã Reagente HTLV-1
M 51 Irmão Reagente HTLV-1
6.662 M 64 Caso índice Reagente HTLV-1
F 56 Ex-cônjuge Reagente HTLV-1
6.715 M 73 Caso índice Reagente HTLV-2
F 66 Cônjuge Reagente HTLV-2
7.006 F 66 Caso índice Reagente HTLV-1
F 47 Filha Não reagente Indetectável
M 81 Cônjuge Reagente HTLV-1
7.013 F 49 Caso índice Reagente HTLV-1
F 48 Irmã Reagente Indetectável
F 54 Irmão Não reagente Indetectável

PCR: reação em cadeia mediada pela polimerase; F: feminino; M: masculino; HTLV: vírus linfotrópico-T humano.

DISCUSSÃO

As investigações sobre a frequência da infecção por HTLV, no estado do Pará, são especialmente realizadas em grupos específicos de doadores de sangue15, grávidas17, comunidades rurais e/ou remanescentes de quilombos18, portadores de HIV20 e de doenças neurológicas27. No entanto, por ser um dos três estados brasileiros com maior endemicidade para essa infecção, em doadores de sangue15, pela alta agregação familiar da infecção na área metropolitana de Belém24 e pela ausência de estudos em demanda não referenciada da maior área de densidade populacional do estado, pesquisamos a prevalência da infecção por HTLV em indivíduos adultos transeuntes de logradouros públicos da cidade de Belém, Pará, Brasil.

A prevalência observada (2%) em indivíduos adultos da região metropolitana de Belém não diferiu significativamente das observadas em estudos de base populacional, realizados em comunidades ribeirinhas da região nordeste do mesmo estado (1,14%)22 e em áreas sentinelas da Bahia (1,7%)28. Estudo realizado em comunidades localizadas às margens do lago de Tucuruí, também no estado do Pará, apresentou maior soroprevalência (4,7%)23 do que a do presente estudo, porém sem confirmação molecular da infecção.

As taxas médias de infecção por HTLV-1 na população variam, de maneira geral, entre 1 e 15% nas regiões endêmicas29. Uma classificação didática foi apresentada pelo Ministério da Saúde brasileiro30, na qual as regiões que apresentam mais de 5% de soropositividade são consideradas de alta prevalência; entre 5 e 1%, de média prevalência; e menos de 1%, de baixa prevalência para o HTLV-1. A prevalência observada da infecção por HTLV-1 (1,4%) aponta o estado do Pará como de média endemicidade para essa infecção, segundo o Ministério da Saúde.

Foi observado um aumento linear da infecção, a partir da faixa etária dos 30 anos, mesmo com apenas 10% de indivíduos acima dos 65 anos. Isso pode ser justificado devido à elevação do número de anticorpos anti-HTLV com o aumento da idade, que ocorreria por soroconversão tardia de infecção adquirida ao nascer ou pelo risco cumulativo de novas infecções ao longo da vida31,32, aspectos que justificariam a investigação continuada dos casos negativos, como também em decorrência de um aumento de exposição a parceiros sexuais infectados ao longo da vida23,33.

Alguns estudos sugerem que a transmissão vertical é mais prevalente no gênero feminino do que no masculino34,35. Mas ao contrário, estudo no Japão concluiu que a infecção por HTLV-1 é mais comum no gênero masculino até a idade de 20 anos, quando a transmissão sexual do homem para a mulher se torna mais provável36. No Japão, após 10 anos de observação, 60% das mulheres foram infectadas quando os CI eram homens, em contrapartida, apenas de 0,1 a 1,0% dos homens foram infectados quando os CI eram mulheres12. Esses fatos podem justificar a expressividade encontrada nas mulheres analisadas, que se mostrou ausente nos homens.

A investigação realizada não demonstrou diferença percentual significante entre mulheres e homens portadores do vírus. No entanto, a maior frequência da infecção em mulheres é bem relatada em um estudo que observou a transmissão viral mais efetiva do homem para a mulher37, chamando atenção para a necessidade de se ampliar a amostra estudada para o esclarecimento dessa variável na população estudada.

O histórico de ter recebido transfusão sanguínea não demonstrou associação com a infecção. Desde a instituição da Portaria do Ministério da Saúde nº 1.37638, houve mais cuidado dos bancos de sangue do Brasil com a instituição de exames de triagem sorológica em todas as unidades de sangue coletado, com a realização de técnicas de alta sensibilidade, o que reduziu as transmissões por essa via33.

Apesar de estudos demonstrarem que a infecção pelo HTLV está associada à baixa escolaridade28, esse fato não foi observado neste estudo. Ações de educação em saúde realizadas conjuntamente com este estudo levaram informações à população, com esclarecimentos sobre a infecção viral, suas formas de transmissão e doenças associadas, visto que a desinformação pode promover maior transmissão negligenciada e omissa do vírus.

Houve associação da infecção com a baixa renda familiar, diferindo28 ou concordando23 com outras pesquisas. Estudo realizado em um centro de referência em Belém declarou que o reduzido poder aquisitivo afeta o acesso à saúde básica, sobretudo ao se tratar de infecções sexualmente transmissíveis. Muitos desses indivíduos vivem na periferia da cidade e têm acesso apenas ao plano de saúde pública, nem sempre atendendo às suas necessidades16.

Como aproximadamente 90% dos portadores são assintomáticos e suas complicações mais conhecidas e estudadas ocorrem em cerca de apenas 5% dos infectados, a infecção é tradicionalmente relacionada a uma baixa morbidade30. Apesar disso, o HTLV ataca as pessoas infectadas de várias formas, muitas delas ainda pouco esclarecidas. Uma diversidade de sintomas e de diagnósticos pode ser encontrada entre indivíduos portadores de HTLV-1. É bom reforçar que os indivíduos infectados com HTLV apresentam várias manifestações clínicas que não estão associadas à HAM/TSP ou ATL, tais como uveíte, artropatia, bexiga hiperativa associada ao HTLV-1, entre outros. Mesmo com reduzida amostra de indivíduos infectados pelo HTLV-1, esta investigação demonstrou comprometimento clínico associado à infecção, porém sem conhecimento dessa, em um terço dos investigados.

Há grande dificuldade nessa busca dos sintomáticos, visto que muitos deles têm receio e/ou desinteresse em saber o resultado de seu exame, talvez por medo ou algum outro motivo desconhecido, inviabilizando a descoberta e o controle de novos casos da infecção. Além dos fatores relacionados aos indivíduos infectados, muitos profissionais de saúde desconhecem sobre a infecção por HTLV, por vezes não ser um assunto inserido desde a graduação ou por não procurarem meios de conhecê-la. Esse fato é de extrema importância para uma avaliação clínica adequada e diagnóstico diferencial dos indivíduos infectados, pois muitos deles podem não estar recebendo o tratamento adequado de suas doenças.

Algumas enfermidades degenerativas, como a HAM/TSP, podem confundir seu diagnóstico, visto que nem sempre a sintomatologia é presente ou pode não ser bem característica da infecção por HTLV. A atualização dos profissionais forneceria melhor discernimento para distinguir o diagnóstico da doença e poderia fornecer alternativas a um melhor tratamento da enfermidade. Muitos aspectos aparentemente já definidos, sobre transmissão e morbidade do vírus em indivíduos, famílias e populações, têm sido escassamente explorados, como se o assunto da epidemiologia e o problema de saúde coletiva estivessem exauridos39,40.

A partir da investigação familiar da transmissão do vírus se observa a importância do estudo dessa variável, uma vez que com a descoberta de um novo infectado por HTLV se encontra o “fio da meada” da transmissão intrafamiliar da infecção e, a partir desse, inicia-se uma investigação que comprovará a transmissão da infecção na maioria das famílias, senão em todas elas, como no presente estudo.

Na ausência de programas de saúde coletiva voltados para controlar a disseminação do vírus, a implementação dessa ação de busca de casos nas famílias pode ser importante pelo alto rendimento. Neste caso, destaca-se a importância da informação aos portadores e seus familiares, pois o conhecimento pode evitar que o vírus se difunda no seio familiar, sobretudo pela amamentação natural e relação sexual24.

CONCLUSÃO

Este estudo evidenciou moderada prevalência e disseminação intrafamiliar da infecção por HTLV em indivíduos adultos da região metropolitana de Belém. Essa infecção se mostrou associada ao aumento da idade, principalmente em mulheres, e às pessoas de baixa renda. O predomínio da infecção pelo HTLV-1 demonstrou a negligência no diagnóstico precoce de doenças debilitantes associadas a essa infecção viral.

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Fonte de financiamento: Este trabalho obteve suporte financeiro da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (MCTI/CNPq/Universal 14/2014, n° 459352/2014-8).

Recebido: 23 de Fevereiro de 2017; : 28 de Junho de 2017; Aceito: 14 de Agosto de 2017

Autor correspondente: Ingrid Christiane Silva. Núcleo de Medicina Tropical, Universidade Federal do Pará. Avenida Generalíssimo Deodoro, 92, Umarizal, CEP: 66055-240, Belém, PA, Brasil. E-mail: ingridchristiane22@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

ICS, BTP, AFSN e MSS redigiram o manuscrito, participaram da análise e interpretação dos dados e realização da análise estatística. JLC, CCCP, LSCF, CPSA, MNSAV, DAS, JRF, YCVS, MWLA, MSB, LDN, LSV, AFSN e MSS participaram da aquisição de dados, recolhimento das amostras biológicas, análise sorológica e molecular e ajudaram a redigir o manuscrito. JSRC, CAC, AFSN e MSS revisaram criticamente o conteúdo intelectual e a versão final do manuscrito e forneceram sugestões. Todos os autores leram e aprovaram o projeto final do manuscrito.

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