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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180012.supl.1 

ARTIGO ORIGINAL

Prevalência de adolescentes fisicamente ativos nas capitais brasileiras: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012 e 2015

Luciano Antonacci CondessaI  II 

Carlos Alex SoaresIII 

Gregore Iven MielkeIV 

Deborah Carvalho MaltaV 

Waleska Teixeira CaiaffaII 

IInstituto Federal Fluminense de Educação, Ciência e Tecnologia - Itaperuna (RJ), Brasil.

IIObservatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

IIIPrograma de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil.

IVPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil.

VDepartamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

RESUMO:

Objetivo:

Comparar a prevalência de adolescentes fisicamente ativos, residentes nas capitais brasileiras, investigados nos inquéritos da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2012 e 2015.

Método:

A amostra foi composta por 61.145 (2012) e 51.192 (2015) adolescentes das 27 capitais brasileiras, frequentes no nono ano do ensino fundamental. O indicador atividade física globalmente estimada com o ponto de corte de 300 minutos ou mais por semana foi utilizado para determinar a prevalência de adolescentes fisicamente ativos nos dois inquéritos. Em seguida, as prevalências foram estratificadas pelas características sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade da mãe e cor da pele) e pelas capitais. Para a comparações das variáveis entre as duas edições da pesquisa foi utilizada estatística descritiva, com análise dos intervalos de confiança de 95% (IC95%).

Resultados:

As prevalências de adolescentes fisicamente ativos observadas em 2012 (21,0%; IC95% 20,3 - 21,7) e 2015 (20,7%; IC95% 20,1 - 21,3) foram similares, independente das características sociodemográficas analisadas. Dentre as 27 capitais analisadas, apenas em Belém foi verificada redução no percentual de adolescentes fisicamente ativos, entre 2012 e 2015.

Conclusões:

Não houve alteração da prevalência de adolescentes fisicamente ativos que residem nos centros urbanos entre 2012 e 2015, evidenciando a necessidade de novas políticas públicas para promover a prática de atividade física, assim como a expansão das já existentes.

Palavras-chave: Inquéritos epidemiológicos; Exercício; Saúde do adolescente

INTRODUÇÃO

A atividade física praticada por crianças e adolescentes tem sido associada ao aumento da capacidade aeróbica, força muscular e redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como obesidade e diabetes1, com reflexos positivos na vida adulta2,3.

Entretanto, estimativas globais recentes4,5 mostram que apenas 1 em cada 5 adolescentes atinge as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS)6 de prática de pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. No Brasil, uma série de levantamentos epidemiológicos, tanto com representatividade local quanto nacional, têm mostrado que a prevalência de adolescentes fisicamente ativos é baixa7,8,9.

A prática da atividade física, tanto no Brasil quanto em outros países, tem sido monitorada principalmente por meio de dois indicadores. O primeiro, denominado atividade física acumulada, utiliza informações sobre a frequência e o tempo despendidos em práticas de atividades físicas durante o deslocamento para a escola, aulas de educação física e outras atividades físicas extracurriculares nos sete dias anteriores à pesquisa10,11. Esse indicador é obtido por meio da multiplicação da frequência (dias) pela duração (tempo de prática diária) da referida atividade em cada domínio (deslocamento, aula de educação física e atividades físicas extracurriculares), seguido pela soma dos três domínios, que resulta no tempo total de prática de atividade física. Já o segundo indicador, denominado atividade física globalmente estimada (AFGE), é mais simples e utiliza uma única pergunta para avaliar a prática de atividade física diária por pelo menos 60 minutos nos 7 dias anteriores à pesquisa10,11. Além da simplicidade, outra vantagem da AFGE é ser utilizada em inquéritos de saúde, tais como o Global School-based Student Health Survey (GSHS)12 e o Youth Risk Behavior Survey (YRBS)13, coordenados, respectivamente, pela OMS e pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), permitindo a comparação da prevalência de adolescentes fisicamente ativos entre países.

O monitoramento dos fatores de risco e proteção à saúde - dentre eles a prática da atividade física - é importante para o planejamento de políticas públicas, especialmente em adolescentes. Nesse sentido, desde 2009 a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) tem coletado informações sobre aspectos importantes da saúde dos adolescentes brasileiros. Entretanto, ainda são escassos os estudos que avaliam a prática de atividade física ao longo do tempo em adolescentes que vivem nos grandes centros urbanos brasileiros, sendo que os existentes são de caráter local14 ou avaliam contextos específicos, como as formas de deslocamento para a escola, as quais incluem deslocamento ativo (caminhar/pedalar durante o trajeto casa-escola-casa)15,16. Além disso, após a OMS17 estipular uma meta que propõe a redução de 10% do número de adolescentes e adultos inativos até 2025, o monitoramento da prática da atividade física tornou-se ainda mais relevante, sendo necessárias avaliações recorrentes para verificar se a meta ou parte dela tem sido atingida, especialmente em áreas urbanizadas que tendem a apresentar menor nível de atividade física comparadas às rurais5. Por fim, tais resultados podem auxiliar os gestores a avaliar e implantar políticas de promoção da atividade física específicas para essa faixa etária.

Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi comparar a prevalência de adolescentes fisicamente ativos, residentes nas capitais brasileiras, investigados nos inquéritos da PeNSE de 2012 e 2015.

MÉTODOS

AMOSTRA E COLETA DE DADOS

A PeNSE é um inquérito transversal, de base escolar, que avalia fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes. Esse inquérito integra o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas não Transmissíveis, tendo sido conduzido em 2009, 2012 e 2015, resultado da parceria entre a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A amostra foi composta de alunos frequentes do nono ano do ensino fundamental, de escolas públicas e privadas, das zonas urbanas e rural, do turno diurno, das 27 capitais e de um conjunto de municípios brasileiros do interior (PeNSE-2012 e PeNSE-2015). A escolha do nono ano do ensino fundamental foi baseada nas recomendações da OMS sobre o mínimo de escolarização necessária para responder a um questionário autoaplicável e no Estatuto da Criança e do Adolescente18, que prevê autonomia do adolescente para participar ou não de questionários que não ofereçam risco à saúde e visem subsidiar políticas públicas de proteção à saúde. Ressalta-se ainda que no questionário da PeNSE foi incluído um item no qual o adolescente é informado sobre a pesquisa e responde sobre a sua concordância em participar ou não do inquérito.

O recorte amostral do presente estudo foi definido para incluir as 27 capitais brasileiras e permitir análises do indicador AFGE, inserido a partir da PeNSE-2012. Por não conter o indicador AFGE, a PeNSE-2009 não foi considerada. Sendo assim, as análises deste estudo foram realizadas com dados referentes a 61.145 (PeNSE-2012)10 e 51.192 (PeNSE-2015)11 adolescentes. A amostra foi calculada para um erro máximo de 3% em valor absoluto ao nível de confiança de 95%. Detalhes adicionais sobre o processo amostral estão disponíveis em publicações prévias10,11.

CLASSIFICAÇÃO DOS ADOLESCENTES QUANTO À PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA

O indicador AFGE foi obtido por meio da seguinte pergunta, em 2012: “Nos últimos 7 dias, em quantos dias você fez atividade física por pelo menos 60 minutos (uma hora) por dia? (some todo o tempo que você gastou em qualquer tipo de atividade física), sendo as opções de resposta: (a) Nenhum (0 dia); (b) 1 dia; (c) 2 dias; (d) 3 dias; (e) 4 dias; (f) 5 dias; (g) 6 dias; (h) 7 dias”.

Em 2015, as perguntas e as opções de resposta foram mantidas praticamente sem alteração: “Nos últimos 7 dias, em quantos dias você fez atividade física por pelo menos 60 minutos (1 hora) por dia? (Some todo o tempo que você gastou em qualquer tipo de atividade física, em cada dia), sendo as opções de resposta: (a) Nenhum dia nos últimos 7 dias (0 dia); (b) 1 dia nos últimos 7 dias; (c) 2 dias nos últimos 7 dias; (d) 3 dias nos últimos 7 dias; (e) 4 dias nos últimos 7 dias; (f) 5 dias nos últimos 7 dias; (g) 5 dias mais sábado, nos últimos 7 dias; (h) 5 dias mais sábado e domingo, nos últimos 7 dias”.

Posteriormente, multiplicou-se os dias de atividade pelo tempo de prática da referida atividade que, nesse caso, foi de 60 minutos. A partir dessa informação, os adolescentes foram classificados em fisicamente ativos - aqueles que praticaram 300 ou mais minutos de atividade física por semana - e insuficientemente ativos (< 300 minutos).

ANÁLISE DOS DADOS

A partir dos critérios descritos anteriormente, foram obtidas as prevalências (na forma de proporções, em percentuais) de adolescentes fisicamente ativos para cada um dos inquéritos (PeNSE-2012 e PeNSE-2015), considerando as 27 capitais brasileiras. Em seguida, as prevalências foram estratificadas pelas seguintes características sociodemográficas: sexo (masculino e feminino); faixa etária (≤ 13, 14, 15 e ≥ 16 anos); escolaridade da mãe - sem escolaridade, ensino fundamental incompleto/completo (1 a 8 anos de estudos), ensino médio incompleto/completo (9 a 11 anos de estudos) e superior incompleto/completo (12+ anos de estudos); cor da pele (branca, preta, amarela, parda e indígena); e pelas 27 capitais brasileiras. Para a comparação das variáveis entre os dois inquéritos, foi utilizada estatística descritiva, com análise dos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Esse método foi utilizado por Malta et al.19 para comparar as prevalências dos principais fatores de risco e proteção para DCNT entre a PeNSE-2009 e a PeNSE-2012.

Adicionalmente, para auxiliar as explicações, comparou-se entre a PeNSE-2012 e a PeNSE-2015 a porcentagem de adolescentes com dois ou mais dias de aulas de educação física por semana8.

Todas as análises foram realizadas no software Stata versão 12.0 (Stata Corporation, College Station, Estados Unidos da América), levando-se em conta a complexidade do desenho amostral de cada inquérito.

ASPECTOS ÉTICOS

Todas etapas do estudo estiveram de acordo com a Declaração de Helsinque, sendo a participação dos adolescentes voluntária e todas as informações, tanto do aluno quanto da escola, confidenciais e não identificadas. A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa aprovou a realização dos inquéritos de 2012 e 2015 (registros nº 16.805 e nº 1.006.467, respectivamente)10,11.

RESULTADOS

A maior parte da amostra foi composta de adolescentes do sexo feminino em 2012 (50,8% de meninas) e 2015 (50,8% de meninas), com idades entre 14 e 15 anos tanto em 2012 (69,5%) quanto em 2015 (70,9%) e de cor da pele parda, aproximadamente 40% nos dois inquéritos. Em relação aos anos de estudos da mãe, foi observada uma redução no percentual de estudantes que sabiam a escolaridade materna, com variação entre 2012 (80,9%) e 2015 (75,9%). Entretanto, essa perda de informação foi não diferencial nos dois inquéritos analisados, considerando as variáveis sexo, idade, tercil de bens e serviços e atividade física (dados não mostrados).

Como pode ser observado, entre 2012 e 2015 não foi verificada alteração na prevalência de adolescentes fisicamente ativos, respectivamente, 21,0% (IC95% 20,3 - 21,7) e 20,7% (IC95% 20,1 - 21,3) (Figura 1).

PeNSE: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Fonte: dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012 e 2015.

Figura 1. Prevalência e intervalos de confiança de 95% de adolescentes fisicamente ativos do nono ano do ensino fundamental, residentes nas capitais brasileiras.  

A manutenção da prática da atividade física dos escolares também foi verificada independente do sexo, idade, escolaridade da mãe e cor da pele (Tabela 1).

Tabela 1. Prevalência de adolescentes fisicamente ativos do nono ano do ensino fundamental, residentes nas capitais brasileiras, segundo as características sociodemográficas.  

PeNSE 2012 PeNSE 2015 MR
% (IC95%) % (IC95%) (%)
n = 61.145 n = 51.192
Sexo
Masculino 29,2 (28,2 - 30,2) 28,3 (27,3 - 29,2) -3,1
Feminino 13,2 (12,4 - 13,9) 13,5 (12,7 - 14,2) 2,2
Idade (anos)
≤ 13 19,4 (17,9 - 20,9) 18,6 (17,1 - 20,1) -4,3
14 20,7 (19,7 - 21,6) 20,1 (19,2 - 21,0) -2,6
15 22,5 (21,3 - 23,7) 23,4 (21,9 - 24,9) 4,0
≥ 16 22,9 (21,3 - 24,4) 23,7 (21,9 - 25,5) 3,7
Escolaridade da aãe
Sem estudo 17,4 (14,9 - 19,9) 18,9 (15,9 - 21,9) 8,7
Ensino fundamental 19,3 (18,2 - 20,5) 18,6 (17,3 - 20,0) -3,5
Ensino médio 20,4 (19,3 - 21,5) 20,8 (19,7 - 21,9) 2,0
Ensino superior 26,5 (24,9 - 28,0) 23,8 (22,6 - 24,9) -10,1
Cor da pele
Branca 21,7 (20,6 - 22,9) 20,3 (19,3 - 21,3) -6,7
Preta 22,2 (20,6 - 23,7) 22,4 (20,5 - 24,2) 0,9
Amarela 19,9 (17,2 - 22,5) 21,8 (18,6 - 24,9) 9,7
Parda 19,8 (18,9 - 20,7) 20,2 (19,3 - 21,0) 1,8
Indígena 24,1 (20,8 - 27,3) 24,6 (21,6 - 27,6) 2,2

PeNSE: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar; MR: mudança relativa; IC95%: intervalo de confiança de 95%; n: amostra. Fonte: dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012 e 2015.

Ao estratificar a prevalência dos adolescentes fisicamente ativos pelas capitais, também foi observada estabilização da prática da atividade física, exceto em Belém, onde houve redução significativa na prevalência de adolescentes fisicamente ativos de 2012 para 2015 (Figura 2).

PeNSE: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Fonte: dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012 e 2015.

Figura 2. Prevalência e intervalo de confiança de 95% de adolescentes fisicamente ativos do nono ano do ensino fundamental, residentes nas capitais brasileiras.  

Também foi observado, dentro do triênio analisado, a manutenção da porcentagem de adolescentes com dois ou mais dias de aulas de educação física por semana (Figura 3).

PeNSE: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar.

Figura 3. Porcentagem e intervalo de confiança de 95% de adolescentes do nono ano do ensino fundamental, residentes nas capitais brasileiras, com dois ou mais dias de aulas educação física por semana. 

DISCUSSÃO

O estudo mostrou que aproximadamente um quinto dos adolescentes foram considerados fisicamente ativos nas duas edições da PeNSE (2012 e 2015), não ocorrendo alteração na prevalência de ativos entre escolares residentes das 27 capitais brasileiras no período estudado. Também foi identificada manutenção na prática de atividade física independente do sexo, idade, escolaridade da mãe e cor da pele. Dentre as capitais analisadas, apenas em Belém observou-se redução na prevalência de adolescentes fisicamente ativos.

Este é o primeiro estudo que retrata a manutenção da prevalência de escolares fisicamente ativos, obtido pela comparação da PeNSE-2012 com a PeNSE-2015. Optou-se por utilizar o indicador AFGE por não ter se alterado nas duas edições da PeNSE, o que possibilita comparações ao longo do tempo19. O estudo atual ainda ressalta a necessidade da manutenção de questões padronizadas nos inquéritos populacionais de grande porte, o que possibilita comparações mais robustas e análise de tendências temporais.

Outro indicador utilizado para mensurar a prática da atividade física nas edições da PeNSE 2012 e 2015 foi a atividade física acumulada, porém esse indicador sofreu alteração nas perguntas entre os dois inquéritos20,21, limitando sua comparação. Em 2012, o domínio deslocamento para escola foi abordado em duas questões, acompanhadas da orientação para que o adolescente somasse os tempos de ida e volta, enquanto em 2015 foram quatro questões, sendo o tempo de ida e volta para escola questionados separadamente.

A ampliação de duas perguntas em 2012 para quatro questões em 2015 pode ter introduzido um viés de informação, uma vez que entre 2012 e 2015 foi verificado aumento de 66,6% (dados não publicados) na mediana do tempo de deslocamento, fato que não ocorreu nos outros domínios (aulas de educação física e atividades físicas extracurriculares), cujas perguntas não sofreram mudanças nas duas edições do inquérito20,21. Sendo assim, a alteração da prevalência de adolescentes fisicamente ativos, provenientes das 27 capitais brasileiras, utilizando o indicador atividade física acumulada relatada entre a PeNSE-2012 (33,0%; IC95% 32,1 - 33,9)10 e a PeNSE-2015 (36,3%; IC95% 35,3 - 37,2)22 pode ter como causa a modificação dos questionários.

Em decorrência dos problemas apresentados anteriormente com o indicador atividade física acumulada, a utilização do indicador AFGE - que também tem sido utilizado pela OMS e por instituições norte-americanas como o CDC para aferir a prática da atividade física - possibilita comparar a prevalência de adolescentes fisicamente ativos entre países10,11,23,24,25,26.

Uma breve comparação da prevalência de adolescentes fisicamente ativos entre países mostra que os brasileiros apresentam nível de atividade física maior que os de Gana (16,0%)23, similar aos da Malásia (21,7%)25 e menor que os da Argentina (23,3%)26, Peru (24,5%)27, Uruguai (27,0%)28 e Estados Unidos da América (48,6%)29, sugerindo novos estudos para verificar se as políticas públicas de promoção da atividade física implantadas em outros países da América do Sul e do Norte têm sido mais assertivas do que as brasileiras.

Nos Estados Unidos também foi identificada estabilização da prática de atividade física em escolares, embora com níveis bem mais elevados que no Brasil, 49,5% em 2011 e 48,6% em 201529. A manutenção da prevalência de adolescentes fisicamente ativos torna-se relevante quando comparamos esses resultados com outro estudo que aponta, na maior parte dos países, uma queda na prática de atividade física por adolescentes ao longo do tempo5. Essa redução na prática da atividade física pode ser explicada por diversos fatores, entre eles a incapacidade de implementar políticas de promoção da atividade física em larga escala, além da rápida urbanização e acesso facilitado a veículos motorizados5.

Por outro lado, o presente estudo mostra que o Brasil está distante da meta proposta pela OMS de redução relativa de 10% na prevalência de inatividade física entre adolescentes e adultos até 202517, reforçando a necessidade de reavaliar e/ou redirecionar as políticas públicas vigentes para que ocorra um aumento do percentual dos jovens ativos, reduzindo futuros gastos com DCNT.

O Brasil tem investido em políticas públicas de promoção da atividade física dos adolescentes. Nesse contexto, ressaltam-se as academias da saúde, o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Programa Segundo Tempo (PST). As academias da saúde contemplam várias atividades físicas e/ou práticas corporais que são desenvolvidas com adolescentes, adultos e idosos30,31, enquanto o PSE promove a saúde nas escolas públicas por meio de várias ações, entre as quais estão a educação alimentar e o estímulo à prática de atividade física por meio de palestras e atividades extracurriculares, tais como caminhadas e jogos intercolegiais, sendo o aumento do nível de atividade física dos escolares um dos objetivos do programa32. Já o PST, uma política pública do Ministério dos Esportes, entende o esporte como dever do Estado e direito de todos, buscando atingir a população de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e que estejam regularmente matriculados e frequentes nas escolas33.

Embora tenha sido relatada uma expansão nas três políticas públicas citadas anteriormente, no período entre 2012 e 201530,31,32,33,34,35, algumas considerações devem ser ressaltadas. Nas academias da saúde, quase 100% dos polos afirmaram desenvolver atividades com adultos e idosos, enquanto apenas 76% receberam adolescentes30. Além disso, 41,6% dos polos relataram dificuldades para desenvolver atividades com adolescentes, mostrando a necessidade de investimento e treinamento das equipes para lidar com as especificidades desse grupo e consequentemente atraí-los para a prática da atividade física30. É possível ainda que o PST esteja influenciando positivamente os adolescentes que já praticam atividade física regularmente. Estudo realizado na África mostrou que o desenvolvimento de atividades esportivas com participação voluntária atinge justamente aqueles adolescentes com maior capacidade física, não alcançando os jovens que mais precisam, aqueles insuficientemente ativos36. Ressalta-se ainda que são necessários mais estudos para avaliar a capilaridade dessas políticas públicas nos centros urbanos, assim como apontar as possíveis barreiras que dificultam a inserção dos jovens insuficientemente ativos nesses programas.

Além dos contrapontos apresentados anteriormente, também foi observada a manutenção das aulas de educação física e da violência, fatores que podem ter contribuído para a estabilidade da prática de atividade física7,37. Entre a PeNSE-2012 (49,3%) e a PeNSE-2015 (50,7%) não foi observada alteração do percentual de adolescentes que tiveram 2 ou mais dias de aulas de educação física, podendo ser um dos fatores responsáveis pela manutenção da prevalência de adolescentes fisicamente ativos no triênio analisado7,38. Esses resultados são semelhantes aos de Malta e colaboradores, que estudaram períodos anteriores do mesmo inquérito, 2009 e 201219, confirmando que apenas metade dos adolescentes tem 2 ou mais dias de aulas de educação física por semana.

Ampliar as aulas de educação física seria uma ação essencial para elevar a prática de atividade física nesse grupo etário7. Além disso, torna-se necessário melhorar os espaços das escolas para prática de esporte, como propõe o plano de ações estratégicas para o enfrentamento das DCNT39. Dessa forma, os estudantes poderiam se beneficiar dos efeitos positivos da prática regular da atividade física, tais como a estagnação/redução da epidemia de sobrepeso e obesidade, que atinge aproximadamente 25,5% dos adolescentes brasileiros40, e/ou a melhora do desempenho cognitivo41.

As elevadas taxas de violência também podem ser um dos fatores responsáveis pela não ampliação da prática da atividade física em adolescentes. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Brasil, 24,7% das pessoas já restringiram locais de lazer devido ao medo de delinquência42, provocando um impacto negativo na prática da atividade física de adolescentes e adultos37,43. Sendo assim, a similaridade das taxas de homicídios no Brasil, entre 2012 (29,4/100 mil habitantes) e 2015 (28,9/100 mil habitantes)44, pode estar favorecendo escolhas de atividades de baixo gasto calórico, como assistir televisão, jogar videogames e utilizar computadores45,46,47.

Dentre todas as capitais analisadas, Belém foi a única que apresentou redução no percentual de adolescentes ativos. Destaca-se que no estado do Pará houve um aumento de 8,7% na taxa de homicídios entre 2012 (41,4/100 mil habitantes) e 2015 (45,0/100 mil habitantes)44. Além disso, a capital Belém provavelmente recebeu menos investimento em infraestrutura por não ser uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014, o que também pode ter contribuído para a redução na prática de atividade física5,48,49.

Esse estudo apresenta algumas limitações e pontos fortes. O questionário utilizado para obter o indicador AFGE é autorreferido, sendo passível de viés de informação. O uso de acelerômetros forneceria medidas objetivas e detalhadas de atividade física, mas não seria prático em uma amostra tão ampla. Além disso, tem sido relatado que, durante a avaliação da prática da atividade física com questionários, deve-se evitar a junção de diferentes domínios de atividade física, uma vez que dificulta a lembrança das atividades realizadas, aumentando o erro da medida50,51. Entretanto, perguntas similares à utilizada no presente estudo foram comparadas com a acelerometria, fornecendo uma estimativa confiável do comportamento da atividade física dos adolescentes52,53. Além disso, como as duas pesquisas utilizaram a mesma questão para avaliar a prática da atividade física, essa limitação parece não interferir na comparação dos dados. Outra limitação é o fato de serem avaliados somente dois pontos (prevalências) em painéis transversais, o que pode provocar instabilidade na avaliação de tendências, sendo necessária a manutenção dos inquéritos e das perguntas padronizadas, permitindo comparações mais longínquas.

Apesar dessas limitações, este estudo utiliza dados de um inquérito de larga escala com representatividade de adolescentes de todas as capitais do Brasil, especialmente na faixa etária dos 14 e 15 anos, o que garante a sua validade externa. Sendo assim, os resultados desta pesquisa podem ajudar a avaliar e elaborar políticas públicas que visem ao aumento da prática de atividade física entre os adolescentes, contribuindo com a redução de gastos do sistema público de saúde com DCNT.

CONCLUSÃO

Conclui-se que houve estabilidade na prevalência de adolescentes fisicamente ativos entre 2012 e 2015, observada em todas as características sociodemográficas analisadas. Concomitantemente, a prevalência de 20,7% de escolares fisicamente ativos mostra que é necessário continuar avaliando as políticas públicas existentes e elaborando novas propostas que promovam a prática de atividade física entre os adolescentes.

Além disso, a PeNSE deve ser mantida e ampliada, permitindo análises temporais mais longas e comparabilidade internacional, contribuindo para a promoção da saúde dos adolescentes.

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Fonte de financiamento: nenhuma

Recebido: 11 de Setembro de 2017; Revisado: 12 de Dezembro de 2017; Aceito: 02 de Janeiro de 2018

Autor correspondente: Luciano Antonacci Condessa. Avenida Professor Alfredo Balena, 190, 7º andar, Sala 730, Santa Efigênia, CEP: 30130-100, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: lucianoantonacci@yahoo.com.br

Conflito de interesses: nada a declarar

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