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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180003.supl.1 

ARTIGO ORIGINAL

Procura por serviços ou profissionais de saúde entre adolescentes brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2015

Max Moura de OliveiraI  II 

Silvânia Suely Caribé de Araújo AndradeIII 

Sheila Rizzato StopaI  III 

Deborah Carvalho MaltaIV 

IFaculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IICentro Internacional de Pesquisa, A. C. Camargo Cancer Center - São Paulo (SP), Brasil.

III Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde, Ministério da Saúde - Brasília (DF), Brasil.

IVEscola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

O conhecimento sobre o perfil dos indivíduos que procuram serviços ou profissionais de saúde auxilia na melhoria e na reorganização desses atendimentos, entretanto entre adolescentes este tema ainda é pouco explorado. O objetivo deste estudo foi descrever e identificar características relacionadas à procura por serviços ou profissionais de saúde entre escolares brasileiros.

Métodos:

Por meio dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015, foram estimadas as prevalências, bem como seus respectivos valores do intervalo de confiança de 95% (IC95%), da procura por serviços ou profissionais de saúde pelos escolares; também foi realizada regressão de Poisson ajustada por idade e Região de residência para identificar os fatores associados.

Resultados:

Mais da metade dos estudantes procurou serviços ou profissionais de saúde no último ano, sendo maior a procura entre o sexo feminino. Associaram-se ao desfecho as características sociodemográficas (sexo feminino, cor branca, escola privada), os aspectos familiares (mãe com 12 anos ou mais de escolaridade, realizar refeições com os pais e conhecimento destes sobre o que os jovens fazem no tempo livre), os comportamentos de risco (consumo de álcool e relação sexual sem preservativo) e as questões relacionadas à saúde (sofrer violência física, chiado no peito, dor de dente, hábitos de higiene e atitude em relação ao próprio peso).

Conclusão:

Organizar os serviços de saúde de modo a considerar as particularidades dessa população pode possibilitar um espaço para tratar de assuntos relacionados aos riscos a que os jovens se expõem.

Palavras-chave: Saúde escolar; Comportamento do adolescente; Adolescente; Serviços de saúde

INTRODUÇÃO

A procura por serviços de saúde é influenciada tanto pelas características e necessidades dos indivíduos quanto por oferta dos serviços, facilidade de acesso, recursos financeiros e disponibilidade e vinculação dos profissionais da saúde1. A procura por serviços de saúde pode ocorrer de forma direta, como consultas médicas e hospitalizações, ou indireta, como para realização de exames preventivos e diagnósticos1,2,3. Apesar de a utilização dos serviços de saúde ser um tema bastante explorado entre adultos e idosos brasileiros, inclusive em inquéritos de abrangência nacional4, ainda são pouco frequentes as investigações entre adolescentes.

Entre os estudos de abrangência local, na pesquisa realizada em Niterói, em 2001, que abordou a relação dos adolescentes com os serviços de saúde (n = 457), foi demonstrado que dos 210 adolescentes que relataram necessidade de atendimento em um serviço de saúde, 166 (79,1%) responderam ter efetivamente procurado o serviço nos últimos 3 meses, e foram observadas diferenças segundo dependência administrativa da escola (pública e privada) e sexo5. Em Pelotas, no ano de 2012, 23,0% dos adolescentes referiram utilização de algum serviço de saúde nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa6.

Desde 2012, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) inseriu a temática da procura por serviços e/ou profissionais de saúde7. Analisando esses dados, Oliveira et al. destacaram, pela primeira vez, com abrangência nacional entre escolares do 9º ano do ensino fundamental, que a procura por algum serviço ou profissional de saúde nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa foi de 48,0%. Os autores identificaram que, além das características individuais e comportamentais, aspectos familiares e do estado de saúde foram associados à procura por serviços de saúde pelos escolares8. Na análise dos dados referentes à procura por serviços de saúde na edição da PeNSE de 2015, espera-se que esse percentual tenha aumentado, adotando como referência um aumento na oferta de serviços por meio da expansão da cobertura da Estratégia Saúde da Família, que passou de 53,75%, em janeiro de 2012, para 63,72%, em dezembro de 20159.

Torna-se importante monitorar a procura pelos serviços de saúde no intuito de identificar determinantes e condicionantes relacionados a comportamentos de risco para a saúde dos adolescentes, de modo a contribuir para a elaboração de políticas públicas de saúde e o estímulo à adoção de medidas preventivas10,11,12,13,14. Em 2015, além da amostra representativa de escolares do 9º ano do ensino fundamental, a PeNSE contou com uma segunda amostra, representativa de escolares de 13 a 17 anos de idade. Este estudo permitiu avaliar o uso de serviços dos escolares com essa faixa etária. Os objetivos foram descrever e identificar características relacionadas à procura por serviços de saúde ou profissionais de saúde pelos escolares brasileiros.

MÉTODOS

Estudo transversal que utilizou dados da PeNSE de 2015, disponibilizados publicamente no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)(1). A PeNSE é um inquérito trienal, em âmbito escolar, realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação7,15,16,17.

Em 2015, as amostras foram representativas tanto para os escolares do 9º ano do ensino fundamental (Amostra 1) quanto para os escolares do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, que é representativo de estudantes de 13 a 17 anos (Amostra 2)7,15,17. As análises deste trabalho foram realizadas utilizando dados da Amostra 2.

O plano amostral da Amostra 2 foi definido em cinco estratos geográficos, referentes a cada Grande Região do país, com o intuito de representar Brasil e as suas Grandes Regiões. A amostra de cada estrato geográfico foi alocada proporcionalmente ao número de escolas segundo a dependência administrativa das escolas (privada e pública) cadastradas no Censo Escolar de 2013. A Amostra 2 foi composta de 10.926 entrevistas válidas. Para constituir essa amostra, foram entrevistados escolares do 6º ao 9º ano (antigas 5ª a 8ª série) do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio (turnos matutino, vespertino e noturno) de escolas públicas e privadas, com ao menos 15 escolares matriculados nas séries escolhidas15.

Para os estratos, a amostra foi selecionada em três estágios: pelas agências do IBGE, pelo tamanho e pelas turmas elegíveis nas escolas selecionadas. Todos os estudantes das turmas selecionadas presentes no dia da entrevista foram incluídos na amostra15.

Os estudantes responderam a um questionário estruturado autoaplicável inserido em smartphone. Após a coleta dos dados, foram calculados os pesos amostrais para que a amostra fosse representativa para o Brasil, as cinco Regiões e as unidades da federação. Para mais detalhes, vide relatório da PeNSE de 201515.

A procura por serviços de saúde ou profissionais de saúde foi descrita utilizando o indicador “Percentual de escolares que procuraram por profissional ou serviço de saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa: não e sim”, sendo esta a variável dependente.

As variáveis independentes potencialmente associadas ao desfecho foram:

  • características sociodemográficas dos escolares: sexo (feminino ou masculino); idade (em anos); raça/cor da pele (branca, preta, amarela, parda e indígena); dependência administrativa da escola (pública ou privada); Região de residência (Sudeste, Norte, Nordeste, Sul ou Centro-oeste);

  • características familiares dos escolares: escolaridade materna (analfabeta, ensino fundamental incompleto/completo, ensino médio incompleto/completo, ensino superior incompleto/completo); moradia de, pelo menos, um dos pais na mesma residência do adolescente (nenhum dos pais; apenas com a mãe ou o pai; ambos); refeição com pais ou responsáveis na semana anterior à pesquisa (não [nunca ou uma vez] ou sim [duas ou mais vezes]); falta à aula sem permissão dos pais ou responsáveis nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa (não ou sim); conhecimento dos pais ou responsáveis sobre o tempo livre nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa (nunca; raramente/às vezes; maioria das vezes/sempre);

  • comportamentos de risco: tabagismo atual (não ou sim); consumo abusivo de álcool atual (não ou sim); uso de drogas atual (não ou sim); comportamento sexual na última relação (não teve relação sexual; teve relação sexual com preservativo; teve relação sexual sem preservativo).

  • questões relacionadas à saúde: ter sofrido ferimento (não ou sim); sofrer violência física nos últimos 12 meses (não ou sim); sentir-se sozinho: (nunca/raramente, às vezes, na maioria das vezes/sempre); chiado no peito (não ou sim); dor de dente (não ou sim); hábito de lavar as mãos (não ou sim); atitude em relação ao peso corporal (fazendo nada, tentando perder peso, tentando ganhar peso, tentando manter peso); autoavaliação do estado de saúde (muito bom, bom, regular, ruim, muito ruim).

Foram estimadas as prevalências, bem como seus respectivos valores do intervalo de confiança de 95% (IC95%), da procura pelos serviços de saúde ou profissionais de saúde entre os escolares segundo as variáveis independentes. As magnitudes das associações foram estimadas por meio das razões de prevalência (RPs) pelo modelo de regressão de Poisson. Como referência utilizou-se a primeira categoria de cada variável. Inicialmente, foi realizada uma análise bivariada. Em seguida, as variáveis que se apresentaram associadas com nível de significância p ≤ 0,20 foram selecionadas para o modelo múltiplo.

As análises dos dados foram realizadas no software Stata versão 14.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos), utilizando o comando survey para amostra complexa. A PeNSE foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde, sob Parecer nº 1.006.467, de 30 de março de 2015.

RESULTADOS

A procura por serviços ou profissionais de saúde, nos últimos 12 meses, entre escolares de 13 a 17 anos foi de 56,7% (IC95% 55,2 - 58,3). Quanto às características sociodemográficas, a procura foi maior no sexo feminino (61,1%; IC95% 59,2 - 63,0), para adolescentes com 16 anos (63,6%; IC95% 60,9 - 66,2), de raça/cor da pele branca (60,4%; IC95% 58,4 - 62,3), estudantes de escola privada (69,9%; IC95% 67,5 - 72,2) e residentes da Região Sudeste (59,6%; IC95% 57,1 - 62,2). Em relação às características familiares, houve crescimento da procura entre jovens com escolaridade materna elevada, chegando a 65,3% (IC95% 62,4 - 68,0) para filhos de mães com ensino superior, que residem com ambos os pais (58,5%; IC95% 56,4 - 60,6), que realizam refeição com os responsáveis (57,6%; IC95% 56,0 - 59,3), que não faltaram à aula sem permissão dos responsáveis (57,7%; IC95% 55,8 - 59,5) e entre os que os pais tinham conhecimento sobre o tempo livre dos filhos (60,3%; IC95% 58,8 - 61,8), conforme Tabela 1.

Tabela 1. Prevalência e intervalo de confiança de 95% da procura por serviço ou profissional de saúde nos últimos 12 meses, segundo características dos escolares de 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015.  

Variáveis % (IC95%)
Sexo (n = 10.813)
Feminino 61,1 (59,2 - 63,0)
Masculino 52,4 (50,4 - 54,3)
Idade (anos) (n = 10.813)
13 51,8 (48,6 - 55,1)
14 53,9 (50,8 - 57,0)
15 57,5 (54,6 - 60,4)
16 63,6 (60,9 - 66,2)
17 56,7 (53,1 - 60,2)
Raça/cor (n = 10.806)
Branca 60,4 (58,4 - 62,3)
Preta 52,2 (48,6 - 55,7)
Amarela 53,3 (47,5 - 59,1)
Parda 55,8 (53,2 - 58,3)
Indígena 52,2 (44,9 - 59,4)
Dependência administrativa da escola (n = 10.813)
Privada 69,9 (67,5 - 72,2)
Pública 54,8 (53,1 - 56,4)
Região de residência (n = 10.813)
Norte 53,8 (51,0 - 56,5)
Nordeste 53,7 (50,5 - 56,9)
Sudeste 59,6 (57,1 - 62,2)
Sul 56,5 (53,3 - 59,7)
Centro-Oeste 56,4 (53,3 - 59,5)
Escolaridade da mãe (n = 8.484)
Analfabeta 48,6 (43,7 - 53,5)
Ensino fundamental 56,0 (53,3 - 58,7)
Ensino Médio 62,2 (59,7 - 64,6)
Ensino superior 65,3 (62,4 - 68,0)
Moradia de, pelo menos, um dos pais na residência (n = 10.807)
Nenhum dos pais 54,9 (50,7 - 59,1)
Apenas com a mãe ou pai 54,3 (52,2 - 56,3)
Ambos 58,5 (56,4 - 60,6)
Refeição com pais ou responsáveis (n = 10.802)
Não 53,7 (51,1 - 56,4)
Sim 57,6 (56,0 - 59,3)
Falta à escola sem permissão dos pais ou responsáveis (n = 10.799)
Não 57,7 (55,8 - 59,5)
Sim 54,2 (51,7 - 56,7)
Conhecimento dos pais ou responsáveis sobre o tempo livre dos filhos (n = 10.790)
Nunca/raramente 48,8 (46,0 - 51,7)
Às vezes 51,7 (48,2 - 55,2)
Maioria das vezes/sempre 60,3 (58,8 - 61,8)
Tabagismo atual (n = 10.810)
Não 56,7 (55,1 - 58,3)
Sim 57,5 (52,3 - 62,5)
Consumo abusivo de álcool atual (n = 10.802)
Não 54,4 (52,7 - 56,1)
Sim 62,4 (60,0 - 64,7)
Uso de drogas atual (n = 10.809)
Não 56,4 (53,3 - 56,9)
Sim 63,2 (56,4 - 61,3)
Comportamento sexual na última relação (n = 10.798)
Não teve relação 55,1 (53,5 - 56,6)
Com preservativo 58,8 (56,2 - 61,4)
Sem preservativo 60,4 (57,0 - 63,7)
Ter sofrido ferimento (n = 10.769)
Não 56,2 (54,5 - 57,9)
Sim 60,8 (57,4 - 64,1)
Sofrer violência física nos últimos 12 meses (n = 10.781)
Não 55,3 (53,6 - 57,1)
Sim 63,7 (61,0 - 66,3)
Sentir-se sozinho (n = 10.801)
Nunca/raramente 52,3 (49,8 - 54,8)
Às vezes 59,8 (57,9 - 61,7)
Maioria das vezes/sempre 56,0 (52,2 - 59,8)
Chiado no peito (n = 10.773)
Não 54,2 (52,5 - 56,0)
Sim 66,2 (63,8 - 68,5)
Dor de dente (n = 9.727)
Não 56,2 (54,4 - 58,1)
Sim 59,5 (56,6 - 62,2)
Hábito de lavar as mãos (n = 10.786)
Não 53,0 (50,8 - 55,2)
Sim 58,8 (57,1 - 60,5)
Atitude em relação ao peso corporal (n = 10.765)
Fazer nada 51,2 (48,8 - 53,5)
Perder peso 61,4 (58,9 - 63,8)
Ganhar peso 59,0 (56,0 - 62,0)
Manter o peso 60,9 (57,7 - 63,9)
Autoavaliação do estado de saúde (n = 10.795)
Muito bom 54,1 (51,5 - 56,6)
Bom 58,6 (56,4 - 60,8)
Regular 57,0 (54,4 - 59,7)
Ruim 59,8 (53,2 - 66,2)
Muito ruim 61,0 (54,8 - 66,8)
Total 56,7% (55,2 - 58,3)

%: prevalência; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Quanto aos comportamentos de risco, a procura foi maior entre os adolescentes que consomem bebida alcoólica (62,4%; IC95% 52,3 - 62,5), que usam drogas (63,2%; IC95% 60,0 - 64,7) e que tiveram relação sexual sem preservativo (60,4%; IC95% 57,0 - 64,1); não houve diferença para tabagismo atual. Sobre as questões relacionadas à saúde, a procura foi maior entre os que sofreram algum ferimento (60,8%; IC95% 57,4 - 64,1) ou violência física (63,7%; IC95% 61,0 - 66,3) e os que se sentiam sozinhos às vezes (59,8%; IC95% 57,9 - 61,7), bem como entre os que relataram chiado no peito (66,2%; IC95% 63,8 - 68,5) e dor de dente (59,5%; IC95% 56,6 - 62,2). Por outro lado, a procura foi menor entre os que não fazem nada em relação ao próprio peso corporal (51,2%; IC95% 48,8 - 53,5) e entre os que autoavaliaram como muito bom seu estado de saúde (54,1%; IC95% 51,5 - 56,6) (Tabela 1).

A Tabela 2 apresenta os resultados das análises de regressão bivariada e do modelo múltiplo, ajustado por idade e Região de residência. Adolescentes com mães que têm ensino médio (RP = 1,19; p = 0,003) ou ensino superior (RP = 1,21; p = 0,002), realizaram refeição com os pais (RP = 1,09; p < 0,015) e cujos responsáveis, na maioria das vezes ou sempre, têm conhecimento sobre o que fazem no tempo livre (RP = 1,19; p < 0,001) se associaram à maior procura por serviços ou profissionais de saúde. Ainda, adolescentes que relataram consumo atual de álcool (RP = 1,10; p < 0,001), prática de relação sexual sem proteção (RP = 1,09; p = 0,018), sofrer violência física (RP = 1,09; p = 0,007), chiado no peito (RP = 1,15; p < 0,001), dor de dente (RP = 1,07; p = 0,018), hábito de lavar as mãos (RP = 1,09; p <0,001), bem como os que estão tentando perder (RP = 1,09; p = 0,005), ganhar (RP = 1,10; p = 0,004) ou manter o peso (RP = 1,16; p < 0,001), também foram relacionados à maior procura por serviços ou profissionais de saúde.

Tabela 2. Razão de prevalência e razão de prevalência ajustada com os respectivos valores do intervalo de confiança de 95% das características associadas à procura por serviço ou profissional de saúde, nos últimos 12 meses, entre escolares de 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015.  

Variáveis RP (IC95%) Valor p RPa (IC95%)* Valor p
Sexo
Feminino Referência Referência
Masculino 0,86 (0,82 - 0,89) < 0,001 0,86 (0,82 - 0,91) < 0,001
Idade (em anos) 1,04 (1,02 - 1,06) < 0,001 - -
Raça/cor
Branca Referência Referência
Preta 0,86 (0,80 - 0,93) < 0,001 0,86 (0,79 - 0,94) < 0,001
Amarela 0,88 (0,79 - 0,99) 0,033 0,87 (0,78 - 0,99) 0,029
Parda 0,92 (0,87 - 0,98) 0,006 0,96 (0,90 - 1,01) 0,129
Indígena 0,86 (0,75 - 1,00) 0,048 1,00 (0,85 - 1,17) 0,988
Dependência administrativa da escola
Privada Referência Referência
Pública 0,78 (0,75 - 0,82) < 0,001 0,87 (0,82 - 0,93) < 0,001
Região de residência
Norte Referência - -
Nordeste 1,00 (0,92 - 1,08) 0,977 - -
Sudeste 1,11 (1,04 - 1,19) 0,002 - -
Sul 1,05 (0,97 - 1,13) 0,197 - -
Centro-Oeste 1,05 (0,97 - 1,13) 0,205 - -
Escolaridade da mãe
Analfabeta Referência Referência
Ensino fundamental 1,15 (1,03 - 1,29) 0,011 1,09 (0,97 - 1,22) 0,167
Ensino médio 1,28 (1,15 - 1,42) < 0,001 1,19 (1,06 - 1,34) 0,003
Ensino superior 1,34 (1,20 - 1,50) < 0,001 1,21 (1,07 - 1,38) 0,002
Moradia de, pelo menos, um dos pais na residência
Nenhum dos pais Referência - -
Apenas com a mãe ou o pai 0,99 (0,91 - 1,08) 0,782 - -
Ambos 1,07 (0,98 - 1,16) 0,154 - -
Refeição com pais ou responsáveis
Não Referência Referência
Sim 1,07 (1,02 - 1,13) 0,010 1,09 (1,02 - 1,16) 0,015
Falta à escola sem permissão dos pais ou responsáveis
Não Referência - -
Sim 0,94 (0,89 - 0,99) 0,027 - -
Conhecimento dos pais ou responsáveis sobre o tempo livre dos filhos
Nunca/raramente Referência Referência
Às vezes 1,06 (0,97 - 1,16) 0,202 1,01 (0,91 - 1,13) 0,202
Maioria das vezes/sempre 1,23 (1,16 - 1,32) < 0,001 1,19 (1,10 - 1,28) < 0,001
Tabagismo atual
Não Referência - -
Sim 1,01 (0,92 - 1,11) 0,771 - -
Consumo abusivo de álcool atual
Não Referência Referência
Sim 1,15 (1,10 - 1,20) < 0,001 1,10 (1,05 - 1,16) < 0,001
Uso de drogas atual
Não Referência - -
Sim 1,12 (1,02 - 1,23) 0,013 - -
Comportamento sexual na última relação
Não teve relação Referência Referência
Com preservativo 1,07 (1,02 - 1,11) 0,002 1,01 (0,95 - 1,07) 0,821
Sem preservativo 1,10 (1,03 - 1,17) 0,007 1,09 (1,01 - 1,17) 0,018
Ter sofrido ferimento
Não Referência - -
Sim 1,08 (1,02 - 1,15) 0,013 - -
Sofrer violência física nos últimos 12 meses
Não Referência Referência
Sim 1,15 (1,10 - 1,21) < 0,001 1,09 (1,02 - 1,16) 0,007
Sentir-se sozinho
Nunca/raramente Referência - -
Às vezes 1,14 (1,08 - 1,21) < 0,001 - -
Maioria das vezes/sempre 1,07 (0,99 - 1,15) 0,078 - -
Chiado no peito
Não Referência Referência
Sim 1,22 (1,17 - 1,28) < 0,001 1,15 (1,09 - 1,20) < 0,001
Dor de dente
Não Referência Referência
Sim 1,06 (1,00 - 1,12) 0,057 1,07 (1,01 - 1,14) 0,018
Hábito de lavar as mãos
Não Referência Referência
Sim 1,11 (1,06 - 1,16) < 0,001 1,09 (1,03 - 1,15) < 0,001
Atitude em relação ao peso corporal
Fazer nada Referência Referência
Perder peso 1,20 (1,13 - 1,27) < 0,001 1,09 (1,03 - 1,17) 0,005
Ganhar peso 1,15 (1,08 - 1,23) < 0,001 1,10 (1,03 - 1,18) 0,004
Manter o peso 1,19 (1,12 - 1,26) < 0,001 1,16 (1,09 - 1,23) < 0,001
Autoavaliação do estado de saúde
Muito bom Referência - -
Bom 1,08 (1,02 - 1,15) 0,009 - -
Regular 1,05 (0,99 - 1,12) 0,097 - -
Ruim 1,11 (0,98 - 1,25) 0,101 - -
Muito ruim 1,13 (1,02 - 1,25) 0,023 - -

RP: razão de prevalência; RPa: razão de prevalência ajustada; IC95%: intervalo de confiança de 95%; *modelo ajustado por idade e Região de residência.

Por outro lado, ser do sexo masculino (RP = 0,86; p < 0,001), ter raça/cor da pele preta (RP = 0,86; p < 0,001) e amarela (RP = 0,87; p = 0,029) e ser estudante de escola pública (RP = 0,87; p < 0,001) foram fatores que se associaram à menor procura por serviços ou profissionais de saúde.

DISCUSSÃO

Mais da metade dos escolares brasileiros de 13 a 17 anos procurou por serviço ou profissional de saúde nos últimos 12 meses. Essa prevalência foi maior do que aquela observada no estudo com dados da PeNSE de 2012, que estimou uma prevalência de 48,0%8, mas semelhante aos achados de uma revisão sistemática sobre utilização de serviços de saúde no Brasil4. Estudos que abordam essa temática são relevantes, pois orientam os serviços de saúde a adequar seus processos de trabalho de modo a atender às demandas específicas de cada fase do ciclo de vida.

Estudantes do sexo feminino apresentaram maior procura por serviços ou profissionais de saúde. Os achados se assemelham ao estudo ora citado8, bem como aos estudos que avaliaram a população adulta4,18,19,20. A procura por atendimento entre mulheres tem sido atribuída à preocupação com o próprio cuidado4,20,21,22, e esses achados indicam que tal costume se dá desde a fase da adolescência. O fato de os homens procurarem menos os serviços de saúde pode gerar diagnósticos tardios, o que poderia prejudicar o controle e o tratamento de doenças23. É necessário ultrapassar o senso comum de que o homem é um ser forte, que dificilmente adoece e, consequentemente, procura menos os serviços de saúde21.

Adolescentes de raça/cor branca, que estudavam em escolas privadas e tinham mães com maior nível de escolaridade apresentaram elevada associação com procura por serviços ou profissionais de saúde. Considerando tais características como proxy de renda, os efeitos são semelhantes aos apresentados por estudos entre adultos24. Pesquisas apontam que indivíduos pertencentes a grupos de renda mais baixa procuram menos os serviços de saúde independentemente da faixa etária25,26,27,28. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicam aumento da utilização dos serviços de saúde e apontam redução das desigualdades de acesso à atenção primária29,30, entretanto ainda persistem as desigualdades de acesso, principalmente quanto à renda. Essas diferenças podem relacionar a demanda por atendimento, que é maior entre pessoas de menor renda31,32,33,34.

A relação com a família, evidenciada pela associação da realização das refeições com os pais ou responsáveis e o conhecimento destes sobre o tempo livre dos escolares, foi importante na procura por serviços de saúde. Essas características são relevantes em diversos estudos entre adolescentes8,35,36. A família tem papel protetor junto aos adolescentes não só ao estimular a procura por serviços ou profissionais de saúde, mas também no que tange à prática sexual segura37 e ao não consumo de álcool, tabaco e outras drogas38, por exemplo.

Adolescentes que relataram consumo atual de álcool procuraram mais serviços de saúde. No estudo que tratou do padrão de consumo de álcool de usuários adultos de serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) da cidade de Bebedouro, São Paulo, identificou-se que 78% dos usuários eram abstinentes ou faziam uso de baixo risco e 22% faziam uso problemático do álcool. Segundo os autores, a APS é um espaço não só de rastreamento como de utilização de estratégias para redução dos danos relacionados ao consumo problemático do álcool, principalmente entre os indivíduos mais suscetíveis à morbidade e à mortalidade relacionadas a esse uso39.

Por outro lado, o tabagismo e o uso de drogas não permaneceram associados à procura por serviços ou profissionais de saúde no modelo múltiplo. A hipótese para isso é de que os adolescentes que consomem produtos derivados do tabaco e experimentam drogas também fazem uso de álcool. A utilização isolada dessas substâncias é rara, como descrito anteriormente39.

A vida sexual dos adolescentes tem início cada vez mais cedo, comportamento associado ao sexo desprotegido e ao maior número de parceiros ao longo da vida40. No presente estudo, a prática de relação sexual sem preservativo esteve associada ao desfecho. Uma hipótese explicativa é de que os adolescentes que não utilizam preservativos podem ter preocupação posterior com alguma infecção sexualmente transmissível ou mesmo com gravidez indesejada devido à não utilização ou ao uso inadequado do preservativo41. Os serviços de saúde devem estar aptos para acolher os adolescentes que buscam o serviço de saúde e aproveitar a oportunidade da procura para abordar esse tema.

Travassos et al. discutem que a procura por serviços de saúde é mais elevada entre aqueles que têm necessidades de saúde ou que estão doentes1. Destacam, ainda, aspectos como a gravidade e a urgência da doença. Os dados da PeNSE corroboram o estudo citado, uma vez que os adolescentes entrevistados que mais procuraram os serviços de saúde eram, também, aqueles que referiram problemas/condições de saúde, tais como asma, ter chiado no peito, ter sofrido violência física nos últimos dias e dor de dentes, bem como os que estavam tentando perder, ganhar ou manter o peso. O comportamento do indivíduo perante a doença26,42,43,44 e a busca por práticas de promoção de saúde e prevenção são necessidades de saúde descritas como determinantes de acesso e utilização dos serviços de saúde42,43. Há evidências quanto ao aumento da procura por serviços de saúde no caso de acidentes, lesões e reabilitação; por outro lado, ocorreu decréscimo da procura por ações de prevenção25. O hábito de lavar as mãos antes das refeições e após ir ao banheiro foi associado à procura por serviços de saúde. A promoção dessas práticas é um componente que traz implicações amplas no estado geral de saúde dos indivíduos42 e é indicativa de hábitos saudáveis43.

A opção pelo ajuste por idade se deu pelas evidências do aumento da procura por serviços e profissionais de saúde com o aumento da idade em adolescentes8,44. Quanto à Região de residência, a adequação foi necessária, pois, no Brasil, apesar da redução da desigualdade nas últimas décadas, ainda há distribuição desequilibrada dos serviços de saúde (e estes se concentram na Região Sudeste)45,46.

Ao contrário do verificado entre escolares de Niterói, Rio de Janeiro, em 20015, a autoavaliação de saúde não se manteve associada ao desfecho estudado. Entretanto, ressalta-se que tanto o referido estudo como o presente utilizaram outras variáveis no modelo múltiplo.

Como limitação deste estudo é importante ressaltar que a PeNSE é representativa de adolescentes que frequentavam a escola e que estavam presentes no dia da aplicação do questionário. O próprio absenteísmo escolar pode estar relacionado à procura por serviços ou profissionais de saúde. Este é um estudo transversal e, pela sua natureza, não é possível inferir se a procura por serviços de saúde foi a causa ou a consequência de algumas variáveis associadas17. Além disso, a grande prevalência de procura por serviços de saúde pode ser devido ao maior tempo investigado (360 dias); entretanto, longos períodos recordatórios resultam em maior probabilidade de os indivíduos se esquecerem de referir a procura por serviços de saúde4.

Destaca-se como ponto forte do presente trabalho a possibilidade de avaliar e monitorar o indicador de uso dos serviços entre os adolescentes, visto que essa população historicamente esteve sempre à margem do sistema de saúde. Salienta-se também que a procura pelos serviços de saúde aumentou em quase 10% para esse grupo populacional, tendo como hipótese a expansão da Estratégia Saúde da Família9,47 e do Programa Saúde na Escola48,49, que possibilitaram espaços de atendimento de demandas e de educação em saúde.

CONCLUSÃO

Estudos sobre a procura por serviços e profissionais de saúde pelos adolescentes são relevantes, uma vez que são pouco frequentes e podem contribuir para a organização da assistência25 e o planejamento de programas e políticas para a população em questão. Além disso, podem orientar o Programa Saúde na Escola (PSE) a abordar temas como promoção da saúde e educação integral (promoção, prevenção, diagnóstico e recuperação da saúde e formação), na perspectiva da atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e jovens do ensino público básico, por meio da articulação intersetorial das redes públicas de saúde e de educação e das demais redes sociais.

Assim como entre adultos, adolescentes do sexo feminino, estudantes de colégio privado, com mães mais escolarizadas, que apresentam comportamentos de risco e relataram sofrer algum problema de saúde procuraram mais os serviços de saúde. Outro ponto importante foi o aumento geral na procura, quando comparado com resultados da edição anterior da pesquisa.

É importante levar em consideração as características desses adolescentes, tanto no que diz respeito à organização dos serviços de saúde quanto ao treinamento adequado dos profissionais no atendimento em saúde, possibilitando um espaço de abordagem para tratar de assuntos relacionados aos riscos a que esses adolescentes estão expostos.

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Fonte de financiamento: nenhuma.

Recebido: 20 de Outubro de 2017; Revisado: 02 de Fevereiro de 2018; Aceito: 08 de Fevereiro de 2018

Autor correspondente: Max Moura de Oliveira. Rua Taguá, 440, Liberdade, CEP: 01508-010, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: maxomoura@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

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