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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180005.supl.1 

ARTIGO ORIGINAL

Supervisão dos pais e o consumo de álcool por adolescentes brasileiros: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2015

Ísis Eloah MachadoI 

Mariana Santos Felisbino-MendesI 

Deborah Carvalho MaltaI 

Gustavo Velasquez-MelendezI 

Maria Imaculada de Fátima FreitasI 

Marco Antonio Ratzsch de AndreazziII 

IEscola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

IICoordenação de População e Indicadores Sociais, Diretoria de Pesquisas, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

RESUMO:

Objetivo:

Avaliar a relação de indicadores de supervisão dos pais e fatores sociodemográficos com o uso de álcool pelos adolescentes brasileiros.

Métodos:

Trata-se de estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015. A amostra foi composta de 16.608 adolescentes de 13 a 17 anos estudantes de escolas públicas e privadas brasileiras. Foram analisadas variáveis relacionadas ao uso de álcool, aos fatores sociodemográficos e aos indicadores de supervisão dos estudantes pelos pais. Foram calculadas razões de prevalência (RPs) para análise das relações existentes entre as variáveis sociodemográficas, de supervisão dos pais e o uso de álcool por adolescentes. As análises foram estratificadas por sexo.

Resultados:

Encontrou-se que 61,4% dos adolescentes já haviam experimentado bebida alcoólica, 27,2% já tiveram episódio de embriaguez alguma vez na vida, 9,3% já tiveram problemas devido ao uso de álcool e 29,3% relataram uso nos últimos 30 dias. Menores escores de supervisão dos pais se associaram à maior prevalência de uso de álcool, que também foi elevada entre as meninas, os que tinham idade superior a 16 anos, moravam na Região Sul, trabalhavam e não moravam com os pais.

Conclusão:

Os resultados obtidos evidenciaram, em adolescentes, a experimentação precoce de bebidas alcoólicas e a ocorrência de problemas devido ao uso da substância. Além disso, a falta de supervisão e acompanhamento mais próximo dos filhos pelos pais e responsáveis aumentou o uso de álcool nessa idade.

Palavras-chave: Adolescente; Consumo de bebidas alcoólicas; Relações pais-filho; Fatores socioeconômicos

INTRODUÇÃO

O uso de álcool entre adolescentes é um comportamento social que tem consequências para a saúde e a vida desses indivíduos, incluindo acidentes de trânsito, violência, depressão, absenteísmo escolar, mau desempenho escolar, comportamentos sexuais de risco e abuso de drogas1,2,3. Além disso, estudos experimentais em modelos animais apontam que o consumo de álcool durante a adolescência causa maiores danos, quando comparado à exposição durante a vida adulta4, e pesquisa com humanos mostra que a iniciação precoce ao uso de álcool predispõe ao uso crônico e à dependência na idade adulta5.

Por ser um comportamento social, o consumo de álcool pode ser influenciado por diversos atores sociais, tais como família, amigos, escola, mídia, tanto no sentido de promover a experimentação e o uso precoce quanto para preveni-los1. A adolescência é afirmada como um período crítico no qual o contexto social, que inclui relações com os amigos e os pais, exerce importante influência no desenvolvimento e, inclusive, em comportamentos de risco à saúde1,2. Ressalta-se que a supervisão dos pais pode incidir diretamente sobre o comportamento de ingerir bebidas alcoólicas, assim como sobre a escolha dos amigos, que, por sua vez, poderão influenciar o uso do álcool1.

Nos últimos 10 anos, alguns estudos no Brasil têm demonstrado a magnitude desse problema entre os adolescentes. Estudo em capital da Região Nordeste demonstrou que 29,8% adolescentes de 14 a 20 anos fazem uso de álcool6. Outro estudo, conduzido em município da Região Sudeste, revelou prevalência de uso episódico excessivo de álcool entre adolescentes de 35,6%, em 2010, e de 39,9%, em 20127. Ademais, 25% dos adolescentes de 15 anos pertencentes a uma coorte de nascimentos na Região Sul reportaram consumo de álcool8. Nacionalmente, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), com estudantes de 12 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de 273 municípios brasileiros, revelou prevalência de 21,2% de uso de álcool nos últimos 30 dias9. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2009, 2012 e 2015 mostraram uso de álcool de 27,3, 26,1 e 23,8%, respectivamente, entre os escolares do 9º ano do ensino fundamental10,11,12. No entanto, a relação entre o consumo de bebida alcoólica entre adolescentes e o ambiente familiar não foi explorada nessas investigações recentes, o que se pretendeu fazer no presente estudo com os dados da PeNSE de 2015.

A PeNSE é conduzida a cada três anos desde 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, junto a estudantes de escolas públicas e privadas. Em sua edição de 2015 foram utilizados dois desenhos amostrais: o primeiro incluiu estudantes do 9º ano, conforme edições anteriores, e o segundo incluiu estudantes de 13 a 17 anos que frequentavam do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª a 3ª série do ensino médio13. O segundo desenho amostral do inquérito avançou na possibilidade de comparação com estudos internacionais que avaliam comportamentos em saúde entre adolescentes, como o Global School-Based Student Health Survey (GSHS), que já foi conduzido em vários países com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Center for Disease Control and Prevention (CDC)14.

Portanto, tendo em vista estimativas de que um a cada quatro adolescentes faz uso de bebidas alcóolicas8,11,15, que a maioria dos estudos nacionais tem características muito particulares em suas amostras e que a relação da supervisão dos pais quanto ao uso de álcool entre adolescentes foi apresentada somente em alguns estudos3,16 (com conclusões que apontam tanto o papel protetor da família como de possibilidade de ser promotora de seu uso precoce), o presente estudo pretendeu estimar a prevalência de indicadores de uso de álcool e analisar a relação entre os fatores sociodemográficos e o uso de álcool pelos adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos, de ambos os sexos, com indicadores de supervisão dos pais baseados nos dados da PeNSE de 2015.

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal que utilizou dados da Amostra 2 da PeNSE de 2015. Essa amostra fornece resultados para estudantes de 13 a 17 anos de idade, frequentando do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª a 3ª série do ensino médio de escolas públicas e privadas, e é representativa do conjunto do país e das Grandes Regiões13. Para o cálculo dessa amostra, foram definidos, inicialmente, cinco estratos geográficos correspondendo às Grandes Regiões (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste). Em cada um desses estratos foram selecionadas as escolas, as unidades primárias de amostragem e, em seguida, as turmas elegíveis dessas escolas, unidades secundárias de amostragem. Todos os alunos das turmas selecionadas presentes no dia da coleta de dados compuseram a amostra de estudantes e foram convidados a participar da pesquisa13. Para o cálculo do tamanho amostral em cada estrato, considerou-se erro amostral máximo de 3%, para estimar uma proporção da ordem de 50%, com nível de confiança de 95% e efeito médio do plano amostral da ordem de 3 no primeiro estágio. Ao final da coleta dos dados, a amostra foi composta de 16.608 estudantes, em 371 escolas e 653 turmas em todo o país13.

COLETA DOS DADOS

A coleta dos dados foi realizada pelos agentes de coleta do IBGE, no período de abril a setembro de 2015. Foi utilizado o questionário estruturado autoaplicável, direcionado aos alunos, inserido em smartphones, que incluiu perguntas sobre aspectos socioeconômicos, contexto familiar, alimentação, atividade física, consumo de álcool, tabaco e drogas, entre outros13.

VARIÁVEIS

Para atingir os objetivos do presente estudo, foram analisadas as variáveis do banco de dados da PeNSE de 2015 referentes a consumo de álcool, fatores sociodemográficos e indicadores de supervisão dos estudantes pelos pais. As variáveis relacionadas ao consumo de álcool utilizadas neste estudo foram: experimentação de uma dose de bebida alcoólica (o equivalente a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho ou uma dose de cachaça ou uísque etc.), categorizada em sim e não; embriaguez na vida, categorizada em sim e não; ter problemas com o álcool, categorizada em sim - no caso de ter tido problemas com a família ou amigos, perdido aulas ou brigado porque tinha bebido alguma vez na vida - e não; e uso recente de álcool, categorizada em sim - caso o estudante tivesse tomado, pelo menos, um copo ou uma dose de bebida alcoólica nos últimos 30 dias - e não.

As variáveis sociodemográficas dos estudantes foram: sexo (masculino e feminino); idade (em anos); raça/cor (branca, preta, amarela, parda e indígena); trabalho (sim e não); moradia com os pais, (ambos, somente um ou nenhum); escolaridade da mãe (0 a 8, 9 a 11 ou 12 anos e mais anos de estudo); região geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste); e tipo de administração da escola (pública ou privada).

As variáveis de supervisão parental estudadas foram: faltou à aula sem permissão dos pais, categorizada em não - caso não tivessem faltado nenhum dia sem permissão nos últimos 30 dias - e sim; pais não cientes das atividades no tempo livre, categorizada em não - caso os pais realmente estivessem cientes das atividades do(a) filho(a) no tempo livre na maior parte das vezes ou sempre nos últimos 30 dias - e sim; pais ausentes nas refeições, categorizada em não - quando os pais costumam almoçar ou jantar com o(a) filho(a), pelo menos, uma vez na semana - e sim; pais raramente verificam os deveres de casa, categorizada em não - quando os pais verificaram os deveres de casa na maior parte das vezes ou sempre nos últimos 30 dias - e sim; pais não entenderam as preocupações, categorizada em não - quando os pais entenderam as preocupações dos filhos na maior parte das vezes ou sempre nos últimos 30 dias - e sim. Esses cinco indicadores foram também somados, formando um escore que variou de 0 a 5, sendo que os adolescentes sem nenhuma supervisão parental (sim para todas as respostas) obtiveram escore 5 e os que estavam sob intensa supervisão (não para as cinco respostas) receberam escore 0.

ANÁLISE DOS DADOS

Foram estimados a prevalência e o intervalo de 95% de confiança (IC95%) de 4 indicadores relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas (experimentar uma dose de bebida alcoólica na vida; embriaguez na vida; ter problemas com o álcool; e uso recente de álcool nos últimos 30 dias), sendo feita sua distribuição segundo variáveis demográficas, socioeconômicas, sexo e indicadores do contexto familiar que tratam da supervisão parental. Para todas essas estimativas obteve-se adicionalmente o número absoluto. Utilizou-se o teste do χ2 de Pearson a um nível de significância de 5%.

Para a comparação das prevalências de uso de bebida alcoólica nos últimos 30 dias segundo variáveis propostas, foram estimadas a razão de prevalência (RP) não ajustada e ajustada, bem como seus respectivos valores de IC95%. Os modelos não ajustados e multivariados foram estratificados por sexo. Todas as análises foram realizadas no módulo Survey do software Stata 14, levando em consideração o desenho amostral complexo da Amostra 2 da PeNSE, o que permitiu a produção das estimativas populacionais para adolescentes escolares entre 13 e 17 anos.

CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

A PeNSE de 2015 foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que regulamenta as pesquisas em saúde envolvendo seres humanos.

RESULTADOS

A prevalência de experimentação do álcool entre os adolescentes foi de 61,4% (IC95% 59,1 - 63,7), maior entre as meninas (62,9%) do que entre os meninos (60,0%) (p = 0,044) (Tabela 1). A experimentação precoce, ou seja, antes dos 13 anos, foi de 50,6% (IC95% 47,6 - 53,7%) e há maior proporção de meninos que experimentam álcool precocemente do que de meninas (54,4 versus 47,0%) (p < 0,001). Entre os jovens, 27,2% (IC95% 25,4 - 29,0) relataram embriaguez alguma vez na vida, 9,3% (IC95% 8,5 - 10,2) declararam ter tido problemas devido ao uso de bebida alcoólica e 29,3% (IC95% 27,5 - 31,2) reportaram seu uso recente, sem diferenças significativas entre meninos e meninas (p > 0,05).

Tabela 1, Prevalências e respectivos valores do intervalo de confiança de 95% de desfechos relacionadas ao consumo de álcool, segundo sexo, em estudantes com idade entre 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015. 

Situações relacionadas ao consumo de álcool Total Sexo Valor p
Feminino Masculino
n % IC95% % IC95% % IC95%
Experimentar uma dose de bebida alcoólica na vida 0,044
Não 4.312 38,6 (36,3 - 40,9) 37,1 (34,3 - 40) 40,0 (37,4 - 42,7)
Sim 6.593 61,4 (59,1 - 63,7) 62,9 (60 - 65,7) 60,0 (57,4 - 62,6)
Embriaguez na vida 0,591
Não 8.079 72,9 (71 - 74,6) 73,2 (71,2 - 75) 72,5 (70,2 - 74,8)
Sim 2.835 27,2 (25,4 - 29) 26,8 (25 - 28,8) 27,5 (25,2 - 29,8)
Ter problemas com o álcool 0,102
Não 9.949 90,7 (89,8 - 91,5) 91,4 (90,2 - 92,4) 90,1 (88,7 - 91,3)
Sim 969 9,3 (8,5 - 10,2) 8,7 (7,6 - 9,8) 9,9 (8,7 - 11,3)
Uso recente de álcool nos últimos 30 dias 0,117
Não 7.804 70,7 (68,9 - 72,5) 69,7 (67,5 - 71,8) 71,7 (69,4 - 73,8)
Sim 3.108 29,3 (27,5 - 31,2) 30,3 (28,2 - 32,5) 28,3 (26,2 - 30,6)

IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Observaram-se, ainda, diferenças das prevalências do uso recente de álcool segundo variáveis sociodemográficas (Tabela 2). A prevalência de uso recente aumentou com a idade, em ambos os sexos (p < 0,0001). Jovens residentes na Região Sul apresentaram maior predomínio de uso recente de álcool, 39,8% para o sexo feminino e 36,7% para o masculino, e os da Região Norte, a menor prevalência (20,4 versus 19,9% respectivamente) (p < 0,0001). As jovens de cor da pele amarela ou indígenas relataram maior prevalência de uso de álcool (p = 0,020). Entre os adolescentes que trabalham, observou-se maior predomínio de uso de bebidas alcoólicas, sendo 45,7% para o sexo feminino e 46,1% para o masculino (p < 0,0001). Morar com os pais teve impacto importante na prevalência do uso do álcool, que foi maior na ausência de um ou de ambos os pais, principalmente para adolescentes do sexo feminino (p = 0,030). Não houve diferenças significativas segundo a cor da pele e a moradia com os pais para os meninos, nem segundo a escolaridade da mãe e o tipo de administração da escola para ambos os sexos.

Tabela 2. Prevalências e valores do intervalo de confiança de 95% de uso de álcool nos últimos 30 dias, por características sociodemográficas em estudantes de 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015. 

Características sociodemográficas n Sexo feminino Sexo masculino
% IC95% Valor p % IC95% Valor p
Idade (anos) < 0,001 < 0,001
13 2.561 18,2 (15,1 - 21,7) 13,8 (11,1 - 17,0)
14 2.133 27,3 (22,3 - 32,9) 22,2 (18,8 - 26,1)
15 2.425 32,7 (28,9 - 36,7) 29,4 (25,4 - 33,7)
16 2.270 35,2 (31,1 - 39,5) 39,0 (34,7 - 43,4)
17 1.537 38,1 (33,0 - 43,4) 39,0 (34,1 - 44,1)
Cor ou raça 0,020 0,235
Preta/parda 5.837 28,2 (25,7 - 30,9) 27,3 (24,7 - 30,0)
Branca 4.300 32,9 (30,0 - 36,1) 29,2 (26,3 - 32,2)
Amarela/indígena 781 33,5 (27,3 - 40,3) 32,2 (26,3 - 38,7)
Trabalho < 0,001 < 0,001
Não 9.112 28,0 (25,8 - 30,2) 23,7 (21,5 - 26,1)
Sim 1.804 45,7 (39,8 - 51,7) 46,1 (42,5 - 49,8)
Moradia com os pais 0,030 0,344
Nenhum 707 32,4 (27,0 - 38,4) 30,5 (23,6 - 38,5)
Somente um 3.943 32,7 (29,6 - 35,9) 29,7 (26,4 - 33,2)
Ambos 6.266 28,4 (26,0 - 31,0) 27,3 (24,9 - 29,8)
Escolaridade da mãe (anos) 0,857 0,096
0 a 8 2.997 32,9 (29,4 - 36,5) 27,9 (24,8 - 31,2)
9 a 11 2.788 32,3 (28,3 - 36,6) 29,3 (25,6 - 33,2)
12 e mais 2.767 31,2 (26,8 - 35,8) 33,3 (29,4 - 37,6)
Região geográfica < 0,001 < 0,001
Norte 2.139 20,4 (17,2 - 24,1) 19,9 (16,5 - 23,9)
Nordeste 2.277 22,5 (19,3 - 26,2) 21,4 (17,8 - 25,4)
Sudeste 2.083 33,9 (29,9 - 38,2) 32,0 (28,2 - 36,1)
Sul 2.152 39,8 (35,9 - 43,9) 36,7 (32,9 - 40,7)
Centro-Oeste 2.275 33,4 (29,9 - 37,0) 31,2 (27,6 - 35,0)
Dependência administrativa 0,366 0,141
Privada 2.639 32,8 (27,1 - 39,1) 32,3 (26,8 - 38,2)
Pública 8.287 29,9 (27,6 - 32,3) 27,8 (25,5 - 30,2)

IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Ao avaliar o predomínio do uso recente de álcool segundo o contexto familiar, observou-se, para todos os indicadores estudados, que quanto menor a supervisão dos pais, maior a prevalência do uso de bebidas alcoólicas pelos adolescentes para ambos os sexos (p < 0,001) (Tabela 3).

Tabela 3. Prevalências e valores do intervalo de confiança de 95% de uso de álcool nos últimos 30 dias, por indicadores de supervisão parental em estudantes de 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015. 

Indicadores de supervisão parental n Sexo Feminino Sexo Masculino
% IC95% Valor p % IC95% Valor p
Faltou à aula sem permissão dos pais < 0,001 < 0,001
Não 8.364 25,6 (23,6 - 27,8) 24,8 (22,5 - 27,3)
Sim 2.527 44,4 (40,1 - 48,9) 37,0 (33,2 - 41,1)
Pais raramente cientes das atividades no tempo livre < 0,001 < 0,001
Não 7.374 26,7 (24,5 - 29,1) 25,0 (22,5 - 27,7)
Sim 3.505 38,9 (35,3 - 42,7) 33,6 (30,8 - 36,5)
Pais raramente presentes nas refeições < 0,001 0,002
Não 8.592 27,5 (25,4 - 29,8) 27,2 (24,9 - 29,7)
Sim 2.314 38,4 (34,0 - 42,9) 33,4 (29,7 - 37,4)
Pais raramente verificaram se os deveres de casa foram feitos < 0,001 < 0,001
Não 3.086 22,0 (19,2 - 25,0) 21,5 (18,4 - 25)
Sim 7.786 33,3 (30,9 - 35,9) 31,4 (29,1 - 33,8)
Pais não entenderam seus problemas e preocupações < 0,001 < 0,001
Não 4.833 25,0 (22,5 - 27,8) 25,1 (22,5 - 27,9)
Sim 6.031 34,5 (31,8 - 37,3) 31,1 (28,6 - 33,9)
Escore de supervisão parental < 0,001 < 0,001
0 1.344 16,5 (13,4 - 20,3) 15,4 (12 - 19,5)
1 2.538 22,6 (19,4 - 26,3) 23,9 (20,9 - 27,2)
2 3.054 28,8 (25,9 - 31,9) 27,6 (24,1 - 31,3)
3 2.407 35,8 (32,1 - 39,7) 33,3 (29,4 - 37,3)
4 1.186 43,6 (38,7 - 48,6) 38,4 (34,2 - 42,9)
5 279 61,9 (51,0 - 71,7) 42,9 (32,8 - 53,6)

IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Após ajustes por todos os fatores investigados, o modelo multivariado final evidenciou que os jovens com mais de 13 anos têm maior predomínio de uso recente de álcool, sendo que entre os mais velhos (16 ou mais) a prevalência do uso de álcool foi o dobro do observado entre os mais jovens (13 anos), ainda em maior magnitude para os adolescentes do sexo masculino (Tabela 4). As meninas de cor da pele amarela ou indígenas apresentaram maior prevalência de consumo mesmo após ajustes. Os adolescentes que trabalham, comparados com os que não trabalham, têm predomínio de uso de álcool cerca de 30 e 60% maior, para meninas e meninos, respectivamente. Morar nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, em ambos os sexos, aumentou a prevalência do uso de álcool. Estudar em escolas públicas se mostrou como fator protetor para o uso recente de álcool, para ambos os sexos, e o elevado nível de escolaridade materna se associou ao uso de bebidas alcoólicas, somente para os meninos (RP = 1,20; IC95% 1,01 - 1,42). Finalmente, a supervisão parental permaneceu associada ao uso recente de bebidas em jovens, com efeito dose-resposta (p-tendência < 0,0001), independentemente do sexo. Assim, quanto menor a supervisão dos pais, maior a prevalência de uso recente de álcool, sendo quase duas vezes maior para os meninos e três vezes mais elevada para as meninas. No modelo ajustado, no entanto, morar com os pais não permaneceu associado ao uso recente de álcool.

Tabela 4. Razões de prevalência não ajustadas e ajustadas e valores do intervalo de confiança de 95% de uso de álcool nos últimos 30 dias, por características sociodemográficas e supervisão parental, segundo sexo em estudantes de 13 a 17 anos. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, Brasil, 2015. 

Variáveis Sexo feminino Sexo masculino
RPna IC95% RPa IC95% RPna IC95% RPa IC95%
Idade (anos)
13
14 1,5 (1,19 - 1,90) 1,45 (1,15 - 1,84) 1,61 (1,25 - 2,08) 1,58 (1,16 - 2,15)
15 1,8 (1,45 - 2,23) 1,6 (1,29 - 1,98) 2,13 (1,66 - 2,74) 2,05 (1,54 - 2,72)
16 1,93 (1,54 - 2,43) 1,7 (1,37 - 2,09) 2,83 (2,22 - 3,59) 2,49 (1,92 - 3,23)
17 2,1 (1,67 - 2,63) 1,77 (1,43 - 2,20) 2,83 (2,22 - 3,60) 2,41 (1,85 - 3,12)
Cor ou raça
Preta/parda
Branca 1,17 (1,04 - 1,31) 1,09 (0,97 - 1,22) 1,07 (0,95 - 1,21) 0,95 (0,83 - 1,08)
Amarela/indígena 1,19 (0,97 - 1,45) 1,24 (1,03 - 1,49) 1,18 (0,96 - 1,45) 1,04 (0,82 - 1,32)
Trabalho
Não
Sim 1,63 (1,40 - 1,91) 1,26 (1,09 - 1,47) 1,95 (1,74 - 2,17) 1,56 (1,38 - 1,75)
Moradia com os pais
Nenhum
Somente um 1,01 (0,84 - 1,21) 1,1 (0,91 - 1,32) 0,97 (0,73 - 1,29) 0,98 (0,73 - 1,32)
Ambos 0,88 (0,73 - 1,05) 1,04 (0,86 - 1,27) 0,89 (0,71 - 1,13) 0,89 (0,70 - 1,14)
Escolaridade da mãe (anos)
0 a 8
9 a 11 0,98 (0,83 - 1,16) 0,96 (0,82 - 1,11) 1,05 (0,89 - 1,24) 1,06 (0,91 - 1,25)
12 e mais 0,95 (0,78 - 1,15) 0,92 (0,76 - 1,11) 1,2 (1,02 - 1,40) 1,19 (1,01 - 1,41)
Região geográfica
Norte
Nordeste 1,1 (0,88 - 1,39) 1,23 (0,97 - 1,56) 1,07 (0,83 - 1,39) 1 (0,78 - 1,29)
Sudeste 1,66 (1,35 - 2,05) 1,77 (1,43 - 2,18) 1,6 (1,28 - 2,01) 1,51 (1,22 - 1,87)
Sul 1,95 (1,60 - 2,38) 1,93 (1,56 - 2,39) 1,84 (1,49 - 2,28) 1,77 (1,43 - 2,19)
Centro-Oeste 1,63 (1,34 - 2,00) 1,72 (1,38 - 2,13) 1,56 (1,25 - 1,95) 1,52 (1,22 - 1,9)
Dependência administrativa
Privada
Pública 0,91 (0,75 - 1,11) 0,81 (0,68 - 0,98) 0,86 (0,71 - 1,05) 0,81 (0,67 - 0,96)
Escore de supervisão parental*
0
1 1,37 (1,07 - 1,75) 1,21 (0,95 - 1,54) 1,55 (1,22 - 1,97) 1,44 (1,09 - 1,89)
2 1,74 (1,37 - 2,22) 1,56 (1,23 - 1,98) 1,79 (1,38 - 2,32) 1,6 (1,22 - 2,10)
3 2,17 (1,73 - 2,71) 1,92 (1,52 - 2,41) 2,16 (1,66 - 2,80) 2,13 (1,59 - 2,84)
4 2,64 (2,09 - 3,33) 2,3 (1,81 - 2,93) 2,49 (1,92 - 3,23) 2,3 (1,71 - 3,10)
5 3,75 (2,84 - 4,95) 2,99 (2,22 - 4,04) 2,78 (1,97 - 3,93) 2,46 (1,68 - 3,59)

RPna: razão de prevalência não ajustada; RPa: razão de prevalência ajustada; IC95%: intervalo de confiança de 95%; *p de tendência <0,001 para ambos os sexos.

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo evidenciam que, pelo menos, um a cada três adolescentes, aproximadamente, fez uso de bebida alcoólica. Demonstram ainda que a proporção de experimentação de bebida alcoólica foi maior para o sexo feminino. Quanto maior a idade, maior foi a prevalência de uso de álcool para ambos os sexos. Além disso, grupos específicos, como adolescentes que trabalham e que moram na Região Sul, também apresentaram maior predomínio do uso recente de álcool, em ambos os sexos. A falta de supervisão dos pais também esteve associada ao maior uso de álcool, sendo observada, neste caso, uma relação dose-resposta, ou seja, quanto menor a supervisão, maior a prevalência do uso. Houve diferentes fatores associados ao uso de álcool em relação ao sexo: cor da pele amarela/indígena (no sexo feminino) e escolaridade da mãe igual ou superior a 12 anos de estudo (no sexo masculino) foram significativamente associadas à maior prevalência de uso de álcool.

O uso de álcool pelos adolescentes no Brasil foi similar ao verificado por alguns estudos prévios, incluindo as estimativas da PeNSE com amostra de escolares do 9º ano do ensino fundamental, ressaltando-se que, em 2009, foram incluídos apenas escolares das capitais brasileiras6,10,11,12; e ligeiramente superior àquele encontrado por outras pesquisas brasileiras8,9. Em relação ao cenário internacional, a frequência do consumo foi ligeiramente menor que o encontrado em outros países, como apresentado em estudo americano com 2.000 escolares participantes das diferentes ondas da pesquisa Add Health, que mostrou prevalência de 40 a 50% de consumo de álcool1 (apesar de os métodos utilizados para mensurar o uso de álcool serem diferentes). Pesquisa com medida similar que avaliou dados do estudo GSHS, incluindo populações de adolescentes de 12 a 15 anos de países todas as regiões da OMS (África, Américas, Europa, Mediterrâneo Oriental, Pacífico Ocidental e Sudeste Asiático), encontrou prevalência média de uso de álcool nos últimos 30 dias de 15,7% (12,3 - 19,5), menor que a encontrada no presente trabalho17. Porém, ao comparar somente com as Américas, que apresentaram maiores prevalências de uso de álcool, as estimativas foram similares: 27,6% (22,7 - 32,9) entre os adolescentes do sexo masculino e 24,7% (19,3 - 30,5) entre as do sexo feminino17.

Dados do presente trabalho e de outras edições da PeNSE com alunos do 9º ano do ensino fundamental10,11 mostram que, no sexo feminino, as prevalências de uso e experimentação de álcool são semelhantes ou, por vezes, ligeiramente superiores do que no sexo masculino, diferente do encontrado na literatura internacional. Análise do pool de dados do GSHS, conduzido pela OMS, encontrou predomínio de uso recente de álcool superior no sexo masculino, em relação ao feminino, em todas as regiões da OMS17. Entretanto, estudos com a população adulta brasileira mostram que, com o passar dos anos, os meninos tendem a superar as meninas em relação a esse comportamento18,19. Assim, a relação entre o consumo de álcool e a variável sexo deve continuar a ser monitorada, pois pode constituir efeito de coorte devido a novas tendências de identidades de gênero20.

Observou-se maior prevalência de uso de álcool entre os adolescentes que trabalhavam, corroborando os achados de outros estudos2,12,21. Uma possível explicação para essa associação encontra-se no fato de que os adolescentes que trabalham adquirem maior independência e proximidade com os papéis de adulto21. Além disso, o ambiente de trabalho proporciona convivência com pessoas mais velhas que podem apresentar o álcool ao adolescente, somada a situações de estresse que predispõem ao uso de álcool2,21. Estudo que analisou a relação de outras drogas e trabalho também encontrou resultados similares12, com destaque para o menor compromisso com a escola entre esses adolescentes.

Estudos recentes demonstraram também a relação do consumo de álcool com a supervisão dos pais1,3,22,23, corroborando os achados deste estudo e ressaltando a relevância da presença dos pais e sua possível relação direta com maior disciplina e normas, que, consequentemente, contribuem para que os adolescentes desenvolvam competências sociais importantes para a adoção de comportamentos protetores ao uso de álcool, como escolha de amigos, reconhecimento dos riscos envolvidos, entre outros1. Estudo que analisou rede causal do uso de álcool também demonstrou que a maior participação dos pais contribuiu para o aumento da autoestima dos adolescentes, o que, por sua vez, contribuiu para o menor consumo de álcool23. O presente estudo demonstrou relação dose-resposta desse achado, indicando uma potencial confirmação de mecanismos psicossociais do efeito negativo da ausência dos pais na vida e nas atividades diárias dos adolescentes sobre o consumo de álcool.

Destacam-se, no entanto, limitações do estudo pela possibilidade de subestimação do real uso de álcool entre os adolescentes, uma vez que aqueles que não frequentam a escola podem consumir mais bebidas alcoólicas. Ademais, as associações encontradas devem ser interpretadas com cautela no que diz respeito às relações de causa e efeito, devido ao recorte transversal. No entanto, como poucos são os estudos que têm explorado o contexto familiar, como a supervisão dos pais, e o aumento do consumo de álcool3, acredita-se que este estudo contribua para com algumas evidências nesse sentido. Além disso, destaca-se a utilização de população de adolescentes de 13 a 17 anos, o que permitiu maior comparabilidade internacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos evidenciaram a experimentação de bebidas alcoólicas e a ocorrência de problemas devido ao uso da substância em idades ainda muito jovens. O estudo ainda apontou alta prevalência de uso de álcool em ambos os sexos, principalmente entre aqueles que trabalham, com idade superior a 13 anos e residentes da Região Sul. As características relacionadas ao contexto familiar mostraram associação com o uso de álcool por adolescentes, sendo que a maior supervisão dos filhos pelos pais e responsáveis protegeu para o desfecho na faixa etária estudada.

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), pela bolsa de produtividade em pesquisa e pela bolsa de pós-doutorado júnior.

REFERÊNCIAS

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Fonte de financiamento: nenhuma

Recebido: 20 de Outubro de 2017; Aceito: 16 de Novembro de 2017

Autor correspondente: Ísis Eloah Machado. Avenida Alfredo Balena, 190, Santa Efigênia, CEP: 30130-100, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: isiseloah@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

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