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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.1 São Paulo  2018  Epub Nov 29, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180021.supl.1 

ARTIGO ORIGINAL

Prevalência da hipertensão arterial segundo diferentes critérios diagnósticos, Pesquisa Nacional de Saúde

Deborah Carvalho MaltaI 

Renata Patrícia Fonseca GonçalvesI 

Ísis Eloah MachadoI 

Maria Imaculada de Fátima FreitasI 

Cimar AzeredoII 

Celia Landman SzwarcwaldIII 

IEscola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

IICoordenação de Trabalho e Rendimento, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

IIIInstituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Fundação Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

RESUMO:

Objetivo:

Determinar a prevalência populacional de hipertensão arterial em adultos, segundo diferentes critérios diagnósticos.

Métodos:

Trata-se de um estudo transversal, que analisa informações da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, que consistiu em entrevistas, medidas físicas e laboratoriais da população brasileira (n = 60.202). A prevalência de hipertensão arterial foi definida segundo três critérios diagnósticos: hipertensão autorreferida; medida por instrumento (pressão arterial ≥ 140/90 mmHg); medida e/ou em uso de medicamentos anti-hipertensivos. Foram estimadas as prevalências de hipertensão arterial segundo os três critérios diagnósticos e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%).

Resultados:

As prevalências de hipertensão arterial encontradas foram: 21,4% (IC95% 20,8 - 22,0) utilizando-se o critério autorreferido, 22,8% (IC95% 22,1 - 23,4) para hipertensão arterial medida e 32,3% (IC95% 31,7 - 33,0) para hipertensão arterial medida e/ou relato de uso de medicação. As mulheres apresentaram prevalências de hipertensão mais elevadas no critério autorreferido (24,2%; IC95% 23,4 - 24,9). Entre os homens, a prevalência foi maior no critério hipertensão arterial medida (25,8%; IC95% 24,8 - 26,7). Utilizando os três critérios, a hipertensão arterial aumentou com a idade, foi mais frequente na região urbana e maior nas regiões sudeste e sul, em relação à média do país e às demais regiões.

Conclusão:

Estes resultados são importantes para apoiar políticas que visem atingir a meta da Organização Mundial de Saúde de redução da hipertensão em 25% na próxima década.

Palavras-chave: Hipertensão; Inquérito epidemiológico; Doenças cardiovasculares; Doença crônica

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 600 milhões de pessoas tenham Hipertensão Arterial (HA), com crescimento global de 60% dos casos até 2025, além de cerca de 7,1 milhões de mortes anuais1. A HA acarreta aumento dos custos dos sistemas de saúde, com importante impacto socioeconômico2,3. A HA representa o principal fator de risco para a Doença Cardiovascular (DCV), sendo responsável por significativa contribuição na carga global das doenças e nos anos de vida perdidos ajustados por incapacidade4,5. Níveis elevados de Pressão Arterial (PA) aumentam a chance de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, doença vascular encefálica, insuficiência renal crônica e óbito6,7.

No Brasil, inquéritos populacionais têm adotado questionários para informações autorreferidas, pela simplicidade e pelos custos reduzidos na aplicação da técnica8,9,10. Um exemplo é o Sistema de Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que apontou prevalência de HA constante na última década, atingindo cerca de um quarto da população brasileira adulta8,11. Assim, a HA autorreferida é um indicador que pode ser utilizado quando a aferição da PA não é viável, entretanto esse critério pode subestimar o diagnóstico12.

O uso de aparelhos para mensuração da PA em âmbito populacional demanda padronização das técnicas de medidas, consenso sobre os critérios diagnósticos, qualidade dos equipamentos e capacitação da equipe de coleta, o que acarreta aumento da complexidade no planejamento da pesquisa e maior custo9,13,14. Assim, a maioria dos estudos em âmbito populacional estima a HA autorreferida, pela simplicidade na coleta8.

Estudos com medidas aferidas da PA são escassos na população brasileira, sendo os estudos, na sua maioria, locais e com grande variabilidade de informações, o que inviabiliza a comparação de dados15. Além disso, existem diferentes critérios diagnósticos para estimar a prevalência populacional de HA15,16,17,18. A OMS considera HA a partir da medida aferida acima de 140 mmHg e/ou pressão diastólica igual ou superior a 90 mmHg1,16, enquanto outros estudos consideram a medida aferida igual ou acima de 140 mmHg/90 mmHg, ou mediante o uso atual de medicação anti-hipertensiva15,17,18.

Em 2013, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), inquérito domiciliar nacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizou tanto medidas referidas quanto aferidas para calcular a HA na população brasileira. A inclusão dessas medidas na PNS resultou em um grande avanço para a saúde pública, possibilitando melhor avaliar a extensão do problema na população9,14. No mesmo ano, o Plano de Ação Global para Prevenção e Controle de Doenças não Transmissíveis foi aprovado na Assembleia Mundial de Saúde em Genebra, incluindo um conjunto de indicadores para enfrentar as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), inclusive a meta de reduzir em 25% a prevalência de PA elevada, até 202516. Essa meta deve ser monitorada de forma contínua pelos países16.

A PNS constitui um instrumento fundamental para monitorar esses indicadores. No seu questionário, foram inseridas perguntas sobre a HA autorreferida e diagnosticada previamente por médicos, o uso de medicamentos anti-hipertensivos, além da aferição da PA em adultos, tornando possível a comparação de diferentes critérios diagnósticos para cotejar as diversas medidas9,14.

O presente estudo tem, portanto, o objetivo de determinar a prevalência populacional de HA em adultos, segundo diferentes critérios diagnósticos, utilizando as informações da PNS.

MÉTODOS

Trata-se da análise de um estudo transversal, a PNS, realizada em 2013. A PNS é um inquérito epidemiológico de base domiciliar, realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, representativo para o Brasil, suas grandes regiões, Unidades da Federação (UF), regiões metropolitanas e capitais14,19.

A amostra da PNS 2013 foi composta por 64.348 domicílios. Os moradores selecionados, que realizaram entrevista específica sobre estado de saúde, estilo de vida e doenças crônicas, totalizaram 60.202. A taxa de perda foi de 20,8% e a taxa de não resposta foi de 8,1%14,19.

O plano amostral da PNS foi concebido em três estágios: as Unidades Primárias de Amostragem (UPA) foram os setores censitários ou o conjunto de setores; as unidades secundárias foram os domicílios; e as unidades terciárias, os residentes adultos (≥ 18 anos). Por ser a PNS parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares (SIPD) do IBGE, as UPA consideradas na pesquisa são uma subamostra do conjunto de UPA existentes na amostra mestra do IBGE. A seleção dos domicílios foi feita com base na versão mais recente, disponível à época, do Cadastro Nacional de Endereço para Fins Estatísticos (CNEFE). A investigação dos temas específicos de saúde foi feita junto a um único morador adulto selecionado em cada domicílio, por amostragem aleatória simples14,19.

Considerando as diferentes possibilidades de se obter o diagnóstico populacional de HA na PNS, foram comparados os seguintes critérios:

  • HA autorreferida: calculada segundo respostas à seguinte questão da PNS: “Algum médico já lhe disse que o(a) Sr.(a) tem hipertensão arterial (pressão alta)? sim, não”, sendo calculados como hipertensos os indivíduos que responderam sim.

  • HA medida por instrumento: a PA foi medida por uma equipe capacitada, usando um aparelho digital calibrado. Foram feitas três medidas da PA, com intervalos de dois minutos entre elas. As medições foram então inseridas em um smartphone. A média da PA arterial entre a segunda e terceira medição foi utilizada para o presente estudo9,14. Os dados faltantes sofreram um processo de imputação pela equipe do IBGE, utilizando um conjunto de rotinas computacionais integradas do sistema denominado CIDAQ (crítica e imputação de dados quantitativos), que levou em consideração o comportamento combinado de todas as variáveis registradas: idade, sexo, peso, estatura e renda familiar per capita. As rotinas para aferir a PA constavam de um protocolo que incluía estar em repouso, esvaziamento da bexiga, não beber ou fumar durante o período de 30 minutos, não realizar atividades físicas durante o período de uma hora que antecede a medição, medir em posição sentada, tendo descansado pelo menos cinco minutos antes, dentre outras. Maiores detalhes podem ser vistos em outros estudos9,14. Considerando-se que a PA pode se elevar no momento da medição, recomenda-se sua validação por aferições repetidas, em duas ou mais ocasiões, para diagnóstico da HA. Entretanto, neste estudo foi considerado hipertenso o indivíduo que apresentou PA ≥ 140/90 mmHg em uma única medição devido à impossibilidade de novas medidas para a amostra adotada.

  • HA medida por instrumento e/ou em uso de medicamento anti-hipertensivo. O terceiro critério diagnóstico consistiu em combinar a medida de PA ≥ 140/90 mmHg e/ou referir uso de medicamentos para hipertensão arterial, considerando as respostas positivas à seguinte questão da PNS: “Nas duas últimas semanas, o(a) Sr.(a) tomou medicamentos por causa da hipertensão arterial (pressão alta)?”.

O presente estudo descreveu a prevalência de indivíduos com HA segundo os três critérios diagnósticos: autorreferido; PA medida ≥ 140/90 mmHg; PA medida ≥ 140/90 mmHg e/ou em uso de medicamentos anti-hipertensivos. Foram estimadas as prevalências e os intervalos de confiança de 95% (IC95%) para os três critérios diagnósticos de HA para a população adulta brasileira, segundo sexo, Brasil, regiões, urbano e rural, e 27 UF. Foi ainda calculada a HA por faixa etária para cada critério diagnóstico, para a população total. No cálculo das prevalências, utilizou-se o módulo survey, do software Stata 14, que permitiu corrigir o efeito do plano amostral causado pela conglomeração das UPA nas estimativas dos inquéritos populacionais.

A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética para a Pesquisa com Seres Humanos, do Ministério da Saúde. A declaração de consentimento livre e esclarecido foi assinada no próprio smartphone durante a PNS.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta a prevalência da HA segundo os três diferentes critérios diagnósticos (autorreferida, medida por instrumento e medida por instrumento e/ou em de uso de medicação anti-hipertensiva). As medidas para a população adulta brasileira foram, respectivamente, de 21,4% (IC95% 20,8 - 22,0); 22,8% (IC95% 22,1 - 23,4) e 32,3% (IC95% 31,7 - 33,0). A HA autorreferida foi mais elevada na região urbana e nas regiões sudeste e sul. A prevalência de HA nos três critérios diagnósticos também foi mais elevada nas regiões sudeste e sul em relação à média do país e das demais regiões. As mulheres apresentaram prevalências mais elevadas pelo critério autorreferido e os homens, pelo critério medido (Tabela 1).

Tabela 1. Hipertensão arterial e intervalos de confiança de 95% segundo os critérios: HA autorreferida, HA medida por instrumento; e HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos. Adultos. Brasil, Urbano e Rural e Regiões.  

Região HA autorreferida HA medida por instrumento HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos
% IC95% % IC95% % IC95%
Total
Brasil 21,4 20,8 - 22,0 22,8 22,1 - 23,4 32,3 31,7 - 33,0
Urbano 21,7 21,0 - 22,3 22,0 21,0 - 21,9 33,1 31,5 - 32,9
Rural 19,8 18,6 - 21,0 19,3 18,6 - 21,7 32,1 31,6 - 34,6
Norte 14,5 13,6 - 15,5 14,6 13,4 - 15,8 20,5 19,3 - 21,8
Nordeste 19,4 18,5 - 20,4 21,0 20,1 - 21,9 29,4 28,4 - 30,4
Sudeste 23,3 22,3 - 24,3 25,0 23,8 - 26,1 35,5 34,4 - 36,7
Sul 22,9 21,5 - 24,3 25,0 23,5 - 26,1 35,0 33,5 - 36,5
Centro-Oeste 21,2 20,0 - 22,4 20,0 18,8 - 21,2 30,2 28,9 - 31,5
Masculino
Brasil 18,3 17,5 - 19,1 25,8 24,8 - 26,7 33,0 32,1 - 34,0
Urbano 18,8 17,9 - 19,7 21,3 19,7 - 22,2 33,1 32,0 - 34,2
Rural 15,2 13,7 - 16,6 17,8 16,7 - 20,3 32,5 30,4 - 34,7
Norte 12,5 10,9 - 14,1 16,4 14,7 - 18,2 20,6 18,7 - 22,5
Nordeste 15,5 14,1 - 16,9 24,2 22,7 - 25,8 29,5 28,0 - 31,1
Sudeste 20,4 19,0 - 21,7 28,4 26,6 - 30,2 36,9 35,1 - 38,7
Sul 20,1 18,2 - 22,1 27,3 25,1 - 29,5 35,7 33,5 - 37,9
Centro-Oeste 18,4 16,7 - 20,2 22,8 21,0 - 24,6 30,5 28,5 - 32,6
Feminino
Brasil 24,2 23,4 - 24,9 20,0 19,3 - 20,8 31,7 30,9 - 32,5
Urbano 24,1 23,3 - 24,9 19,6 16,7 - 20,7 31,4 30,5 - 32,3
Rural 24,7 22,6 - 26,8 17,8 15,9 - 20,2 33,6 31,6 - 35,7
Norte 16,5 15,0 - 17,9 12,7 11,3 - 14,3 20,4 18,8 - 22,2
Nordeste 23,0 21,8 - 24,2 18,1 17,0 - 19,2 29,3 28,2 - 30,4
Sudeste 25,9 24,5 - 27,2 21,9 20,6 - 23,3 34,3 32,9 - 35,9
Sul 25,4 23,4 - 27,3 22,8 21,0 - 24,7 34,3 32,3 - 36,4
Centro-Oeste 23,8 22,3 - 25,3 17,3 15,8 - 19,0 29,9 28,3 - 31,5

IC95%: intervalo de confiança de 95%

Para a população total, a prevalência de HA segundo o critério autorreferido variou de 13,1% (IC95% 11,3 - 14,9) no Pará a 24,9% (IC95% 22,7 - 27,1) no Rio Grande do Sul. A variação da HA segundo o critério medido foi de 13,3% (IC95% 11,7 - 15,1) no Amazonas a 27,6% (IC95% 25,3 - 30,0) no Rio Grande do Sul. Em relação ao critério HA medida e/ou relato de uso de medicamento, a menor prevalência foi de 17,8% (IC95% 16,0 - 19,7) e a maior, de 39,3% (IC95% 36,8 - 41,8), no Amazonas e Rio Grande do Sul, respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2. Hipertensão arterial e intervalos de confiança de 95% segundo os critérios: HA autorreferida, HA medida por instrumento; e HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos. Adultos. Brasil, Urbano e Rural e Regiões. Adultos, por estado. 

Estados HA autorreferida HA medida por instrumento HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos
% IC95% % IC95% % IC95%
Rondônia 18,1 15,6 - 20,6 15,6 14,0 - 17,4 23,7 21,3 - 26,2
Acre 16,1 14,3 - 17,9 15,6 13,9 - 17,6 22,8 20,9 - 24,8
Amazonas 13,7 12,2 - 15,2 13,3 11,7 - 15,1 17,8 16,0 - 19,7
Roraima 14,2 12,1 - 16,3 15,3 13,5 - 17,3 21,4 19,5 - 23,5
Pará 13,1 11,3 - 14,9 14,5 12,5 - 16,9 19,7 17,5 - 22,1
Amapá 13,3 11,0 - 15,5 16,4 14,1 - 19,0 20,3 17,9 - 22,9
Tocantins 19,6 17,4 - 21,8 14,7 12,7 - 16,9 25,7 23,1 - 28,5
Maranhão 13,6 11,2 - 16,1 17,2 14,3 - 20,5 23,6 21,2 - 26,3
Piauí 19,3 17,0 - 21,6 18,3 15,9 - 20,9 27,8 25,4 - 30,4
Ceará 18,7 16,9 - 20,6 20,5 18,6 - 22,5 29,2 27,0 - 31,5
Rio Grande do Norte 20,8 18,8 - 22,9 19,1 16,8 - 21,7 30,3 27,8 - 32,9
Paraíba 21,6 19,7 - 23,4 21,3 19,0 - 23,9 29,8 27,5 - 32,1
Pernambuco 21,5 19,7 - 23,4 21,1 19,2 - 23,2 31,6 29,5 - 33,8
Alagoas 19,2 17,1 - 21,3 20,5 18,4 - 22,6 28,9 26,6 - 31,3
Sergipe 20,7 18,6 - 22,8 22,7 20,5 - 25,1 31,8 29,5 - 34,2
Bahia 20,0 17,3 - 22,7 23,5 21,1 - 26,1 30,3 27,6 - 33,0
Minas Gerais 24,0 21,8 - 26,1 24,8 22,1 - 27,8 36,0 33,4 - 38,8
Espírito Santo 20,6 18,2 - 23,0 22,0 19,4 - 25,0 31,6 28,6 - 34,7
Rio de Janeiro 23,9 22,2 - 25,7 27,5 25,6 - 29,4 37,8 35,8 - 39,8
São Paulo 23,0 21,5 - 24,4 24,3 22,7 - 25,9 34,8 33,1 - 36,5
Paraná 21,4 19,2 - 23,7 21,8 19,4 - 24,3 30,9 28,6 - 33,4
Santa Catarina 21,8 18,6 - 24,9 25,6 22,3 - 29,2 34,2 31,0 - 37,5
Rio Grande do Sul 24,9 22,7 - 27,1 27,6 25,3 - 30,0 39,3 36,8 - 41,8
Mato Grosso do Sul 21,1 18,9 - 23,2 26,3 24,0 - 28,7 35,0 32,5 - 37,6
Mato Grosso 20,8 18,7 - 22,9 18,2 15,5 - 21,2 27,8 25,2 - 30,6
Goiás 22,1 19,9 - 24,4 19,5 17,6 - 21,6 30,9 28,6 - 33,3
Distrito Federal 19,7 17,6 - 21,8 17,6 15,6 - 19,7 27,1 24,9 - 29,4

IC95%: intervalo de confiança de 95%

Na Tabela 3, a prevalência de HA entre homens segundo o critério autorreferido variou de 9,3% (IC95% 6,8 - 11,9) no Maranhão a 21,5% (IC95% 18,7 - 24,4) no Rio Grande do Sul. Considerando a PA medida ≥ 140/90 mmHg, a variação foi de 15,1% (IC95% 16,4 - 13,9) no Amazonas a 31,8% (IC95% 28,3 - 35,5) no Rio Grande do Sul. Utilizando a HA medida e/ou relato de uso de medicamento, a menor frequência foi de 18,4% (IC95% 16,0 - 21,2) e a maior, de 40,8% (IC95% 37,2 - 44,4), no Amazonas e Rio Grande do Sul, respectivamente.

Tabela 3. Hipertensão arterial e intervalo de confiança de 95% segundo os critérios: HA autorreferida, HA medida por instrumento; e HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos. Homens adultos, por estado. 

Estados HA autorreferida HA medida por instrumento HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos
% IC95% % IC95% % IC95%
Rondônia 15,9 11,7 - 20,1 17,2 14,3 - 20,5 23,1 19,4 - 27,3
Acre 12,6 10,3 - 15,0 18,7 15,8 - 21,9 23,4 20,3 - 26,8
Amazonas 11,7 9,7 - 13,6 15,1 16,4 - 13,9 18,4 16,0 - 21,2
Roraima 13,5 10,4 - 16,5 19,5 16,8 - 22,6 23,4 20,6 - 26,6
Pará 11,4 8,4 - 14,4 15,7 12,7 - 19,3 19,6 16,3 - 23,5
Amapá 10,6 7,3 - 13,9 17,6 14,7 - 20,9 20,3 17,4 - 23,5
Tocantins 16,9 13,2 - 20,7 16,8 13,6 - 20,5 25,3 21,5 - 29,5
Maranhão 9,3 6,8 - 11,9 19,9 15,9 - 24,6 23,1 19,2 - 27,7
Piauí 15,3 12,1 - 18,5 20,2 16,9 - 24,0 27,9 24,4 - 31,6
Ceará 16,1 13,5 - 18,6 23,9 21,0 - 27,0 30,6 27,5 - 33,8
Rio Grande do Norte 16,1 12,8 - 19,5 22,1 18,6 - 26,1 28,9 25,2 - 32,9
Paraíba 17,9 14,9 - 20,9 23,3 19,8 - 27,3 29,0 25,5 - 32,9
Pernambuco 18,0 15,2 - 20,7 23,9 21,2 - 26,8 31,8 28,8 - 35,0
Alagoas 15,8 12,7 - 19,0 22,8 19,5 - 26,3 28,6 25,1 - 32,5
Sergipe 15,1 12,0 - 18,3 25,7 22,5 - 29,2 32,0 28,4 - 35,9
Bahia 15,4 11,2 - 19,7 28,0 23,7 - 32,6 30,6 26,3 - 35,3
Minas Gerais 19,5 17,0 - 22,1 29,1 24,8 - 33,7 37,0 33,1 - 41,1
Espírito Santo 16,4 13,1 - 19,7 23,4 19,0 - 28,6 30,2 25,7 - 35,2
Rio de Janeiro 21,1 18,4 - 23,7 30,7 27,8 - 33,8 39,2 36,1 - 42,3
São Paulo 20,8 18,7 - 22,9 27,6 25,2 - 30,2 36,5 34,0 - 39,2
Paraná 19,8 16,4 - 23,2 23,2 20,2 - 26,5 31,4 28,1 - 35,0
Santa Catarina 18,4 14,5 - 22,4 26,1 21,5 - 31,3 33,9 29,6 - 38,6
Rio Grande do Sul 21,5 18,7 - 24,4 31,8 28,3 - 35,5 40,8 37,2 - 44,4
Mato Grosso do Sul 17,4 14,5 - 20,2 29,9 26,2 - 33,9 36,5 32,6 - 40,6
Mato Grosso 17,6 14,3 - 20,9 21,3 17,3 - 25,9 28,5 24,5 - 32,9
Goiás 19,8 16,6 - 23,0 21,9 19,2 - 25,0 30,8 27,3 - 34,6
Distrito Federal 17,1 14,2 - 20,0 20,2 17,0 - 23,7 26,9 23,6 - 30,4

IC95%: intervalo de confiança de 95%

No sexo feminino, a prevalência de HA autorreferida variou de 14,8% (IC95% 12,1 - 15,5) no Pará a 28,0% (IC95% 24,8 - 31,1) em Minas Gerais. Considerando a PA medida ≥ 140/90 mmHg, a variação foi de 10,2% (IC95% 8,3 - 12,6) no Amazonas e 25,1% (IC95% 20,7 - 30,1) em Santa Catarina. Segundo o critério de HA medida e/ou com relato de uso de medicamento, a menor frequência de HA foi observada no Amazonas, com 17,1% (IC95% 14,9 - 19,6), e a maior frequência, no Rio Grande do Sul, com 37,9% (IC95% 34,5 - 41,4) (Tabela 4).

Tabela 4. Hipertensão arterial e intervalo de confiança de 95% segundo os critérios: HA autorreferida, HA medida por instrumento; e HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos. Mulheres adultas, por estado. 

Estados HA autorreferida HA medida por instrumento HA medida por instrumento e/ou uso de medicamentos
% IC95% % IC95% % IC95%
Rondônia 20,3 17,1 - 23,5 14,0 12,1 - 16,2 24,2 21,3 - 27,5
Acre 19,3 16,8 - 21,8 12,8 10,8 - 15,1 22,2 19,7 - 24,8
Amazonas 15,7 13,5 - 17,9 10,2 8,3 - 12,6 17,1 14,9 - 19,6
Roraima 14,9 12,4 - 17,4 11,0 8,9 - 13,5 19,4 17,0 - 22,0
Pará 14,8 12,1 - 17,5 13,4 10,8 - 16,5 19,8 16,8 - 23,2
Amapá 15,7 12,9 - 18,4 15,3 12,4 - 18,9 20,4 17,1 - 24,1
Tocantins 22,0 19,0 - 25,1 12,6 9,9 - 16,0 26,1 22,7 - 29,8
Maranhão 17,6 14,1 - 21,1 14,6 11,3 - 18,8 24,1 21,1 - 27,4
Piauí 23,0 20,1 - 25,8 16,4 13,5 - 19,8 27,8 24,7 - 31,1
Ceará 21,1 18,5 - 23,7 17,3 15,1 - 19,8 27,9 25,3 - 30,7
Rio Grande do Norte 24,9 22,3 - 27,5 16,5 13,6 - 19,9 31,5 28,4 - 34,8
Paraíba 24,8 22,2 - 27,3 19,5 16,3 - 23,1 30,4 27,4 - 33,5
Pernambuco 24,6 22,2 - 27,0 18,7 16,4 - 21,1 31,4 29,0 - 34,0
Alagoas 22,1 19,2 - 25,0 18,4 15,7 - 21,5 29,1 25,9 - 32,5
Sergipe 25,9 23,0 - 28,8 19,9 17,3 - 22,9 31,6 28,9 - 34,5
Bahia 24,0 20,7 - 27,3 19,6 17,1 - 22,4 29,9 27,3 - 32,8
Minas Gerais 28,0 24,8 - 31,1 21,0 18,0 - 24,3 35,1 31,9 - 38,5
Espírito Santo 24,4 20,9 - 28,0 20,8 18,1 - 23,8 32,9 29,5 - 36,4
Rio de Janeiro 26,3 24,2 - 28,4 24,8 22,8 - 27,0 36,6 34,5 - 38,8
São Paulo 24,8 22,8 - 26,9 21,3 19,3 - 23,4 33,2 31,0 - 35,6
Paraná 22,9 20,0 - 25,8 20,4 17,7 - 23,5 30,5 27,6 - 33,5
Santa Catarina 25,0 20,2 - 29,8 25,1 20,7 - 30,1 34,4 29,9 - 39,3
Rio Grande do Sul 27,9 24,8 - 30,9 23,8 21,2 - 26,5 37,9 34,5 - 41,4
Mato Grosso do Sul 24,4 21,6 - 27,3 22,9 20,3 - 25,7 33,7 30,7 - 36,8
Mato Grosso 24,0 20,7 - 27,2 15,1 12,0 - 18,9 27,1 23,5 - 31,0
Goiás 24,3 21,6 - 27,0 17,2 14,5 - 20,2 31,0 28,3 - 33,8
Distrito Federal 21,9 19,2 - 24,6 15,4 12,9 - 18,1 27,3 24,6 - 30,2

IC95%: intervalo de confiança de 95%

Em todos os critérios analisados ocorreu aumento da HA com a idade, chegando a 71,7% para os indivíduos acima de 70 anos, com PA elevada e/ou relato de uso de medicamentos anti-hipertensivos. A HA autorreferida tende a estabilizar após 60 anos ou mais, em torno de 60% (Figura 1).

Figura 1. Prevalência populacional de hipertensão arterial segundo diferentes critérios diagnósticos, em adultos com 18 anos ou mais de idade, ambos os sexos, segundo faixa etária, Brasil, 2013. 

DISCUSSÃO

Este é o primeiro estudo nacional que compara três critérios diagnósticos para aferir a prevalência de HA em âmbito populacional, analisando os dados da PNS. A prevalência de hipertensão variou entre um quinto e um terço da população brasileira adulta, dependendo do critério adotado, sendo mais elevada para o critério HA medida e/ou em uso de medicamentos. Na população geral, a HA medida apresenta prevalências mais elevadas que a autorreferida, embora próximas. Ao se analisar por sexo, a HA autorreferida apresenta-se mais elevada em mulheres e a medida, entre homens. A PA medida ≥ 140/90 mmHg atingiu um quarto da população masculina e um quinto para a população feminina. Quando o diagnóstico foi feito pelo critério HA medida e/ou o uso de medicamentos, as diferenças segundo o sexo não foram significantes. Também não houve diferenças em relação a urbano e rural, exceto para a HA medida, que foi menor na rural, no sexo feminino. Em geral, as prevalências de HA por todos os critérios foram mais elevadas nas regiões sudeste e sul e nos estados dessas regiões.

O tratamento da hipertensão tem sido associado com cerca de 40% da redução de acidente vascular cerebral e cerca de 15% de redução de infarto agudo do miocárdio, por isso são recomendados pela OMS20 o diagnóstico precoce e o monitoramento populacional da HA16,20. A PNS inova por permitir utilizar diferentes critérios diagnósticos para estimar a prevalência da PA elevada14. Foram utilizados aparelhos eletrônicos digitais, permitindo estabelecer padrão-ouro em relação ao diagnóstico populacional de hipertensão, constituindo-se algo inédito no país9,14. A aferição da PA é recomendada internacionalmente, por ser o critério mais fidedigno e possibilitar a padronização dos resultados20,21,22.

Os questionários contendo medidas autorreferidas têm sido uma estratégia amplamente utilizada, em outros países e no Brasil, por ser de menor custo e de fácil exequibilidade8,22. Estudo populacional em coorte de idosos, em Bambuí, Minas Gerais, realizou a validação entre medidas referidas e aferidas e os resultados encontrados foram válidos, apontando que a HA autorreferida pode ser usada como estimativa populacional válida13. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas, com o objetivo de validar o autorrelato de HA em um estudo de base populacional, também demonstrou que essa metodologia é válida e pode ser usada em nosso meio para monitorar mudanças na prevalência de DCNT23. A PNS encontrou resultados próximos entre os critérios autorreferido e medido, o que pode indicar que a medida autorreferida possa ser útil em estudos populacionais. Considera-se o fato de apenas 3% da população brasileira declarar nunca ter medido a PA no país24 como fator que facilita adotar medidas referidas, como proxy das prevalências populacionais.

As diferenças segundo sexo também estão em conformidade com a literatura. Em geral, o critério autorreferido tende a aumentar o diagnóstico entre mulheres, conforme já identificado8,11,24. Uma das explicações possíveis pode ser a maior procura pelos serviços de saúde por parte de mulheres, o que leva à maior oportunidade de diagnósticos, também identificada na PNS11,25. Já entre estudos com critério diagnóstico de HA medida, ao contrário, os homens apresentam prevalências mais elevadas. O que foi descrito em estudo da OMS, que estimou globalmente maiores prevalências entre os homens (29,2%) e 24,8% para as mulheres26. O mesmo ocorreu na região das Américas: 26,3% para o sexo masculino e 19,7% para o feminino26; e no Brasil: 25,8% no sexo masculino versus 20,0% no feminino9.

O estudo também identificou o aumento da prevalência da hipertensão com a idade, o que está em conformidade com a literatura e é explicado pelas alterações fisiológicas do envelhecimento, com maior enrijecimento dos vasos sanguíneos, maior resistência vascular periférica e comorbidade em idosos 27,28,29.

As diferenças regionais com maior prevalência nas UF do sudeste e sul podem ser explicadas por fatores demográficos, como a maior expectativa de vida e diferenças na estrutura etária dessas regiões, com maior participação de idosos30. Outros estudos também têm identificado prevalências mais elevadas de hipertensão em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul9,18,31. A PNS identificou que, dentre os adultos que referiram HA (21,4%), 81,4% mencionaram ter tomado medicamento e 69,7% dos adultos com HA autorreferida receberam assistência médica nos últimos 12 meses24. Assim, utilizar como critério ter a pressão elevada ou usar medicamentos fez com que a prevalência atingisse mais de um terço da população adulta, chegando a mais de 70% na população acima de 70 anos. Destaca-se aqui o amplo acesso a medicamentos para hipertensão e diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS) e os programas de gratuidade como o “Aqui tem Farmácia Popular”24,32.

A aprovação do Plano Global de Enfrentamento das DCNT, na Assembleia Mundial da Saúde, definiu um conjunto de metas globais para redução das DCNT e seus fatores de risco. Dentre eles a redução relativa da prevalência de PA elevada em 25%, entre as pessoas com 18 anos ou mais (definida como PA ≥ 140 mmHg/≥ 90 mmHg) e, em alguns contextos, conforme as circunstâncias nacionais, considera-se a meta de deter o crescimento da HA16. Assim, torna-se importante monitorar esses indicadores, pois os países terão que relatar periodicamente seus resultados à OMS, visando a avaliação da meta Global no ano de 202516. A meta adotada pela OMS explicita o critério da HA aferida como o padrão de referência internacional, mostrando a importância da aferição da PA na PNS, possibilitando a comparação internacional16.

O indicador global de redução em 25% da HA16 não é um consenso na literatura, especialmente no que se refere a instituir tratamento medicamentoso em todos os hipertensos33,34. Beaglehole et al.35 defendem que reduções nos níveis de PA da população serão mais eficazmente alcançadas com medidas populacionais, como redução do consumo de sal, estímulo à prática de atividade física e alimentação saudável. O tratamento medicamentoso seria priorizado em pessoas com alto risco global de doença cardiovascular35. Entretanto, MacMahon et al.36 defendem que o controle de HA nos Estados Unidos da América, nas últimas décadas, foi devido ao aumento da disponibilidade do tratamento medicamentoso. Outro argumento contrário ao tratamento populacional em massa seria o tamanho do custo e do esforço que, no caso do Brasil, incluiria um terço dos adultos, segundo o estudo atual35,34. No caso da China, tratar com medicamentos toda a população com níveis de PA > 140/90 mmHg poderia custar cerca de um décimo do orçamento da saúde do país35. Beaglehole et al.35 argumentam que nem sempre a população com níveis de PA > 140/90 mmHg apresentaria riscos de doenças cardiovasculares, já que metade de todas as doenças cardiovasculares ocorre em pessoas não hipertensas36, assim, pessoas hipertensas que agreguem o risco cardiovascular deveriam ser prioritárias para iniciar o tratamento medicamentoso35.

Dentre as limitações, destaca-se que este é um estudo epidemiológico, usando dados da PNS, que utiliza técnica padronizada para a PA aferida por entrevistadores capacitados e não profissionais de saúde, podendo ter erros de medida37. Além disso, a literatura descreve que as medidas de PA podem variar em função de diferentes técnicas empregadas e ansiedade com a aferição da PA, resultando eventualmente em elevação momentânea38. Provavelmente esse fato deve ter sido mínimo, por ter sido realizado por pesquisadores não médicos no próprio domicílio dos participantes. Em relação ao diagnóstico prévio e uso de medicação, por se tratar de informação autorreferida pelos entrevistados, podem haver diferenças na compreensão dos entrevistados, viés de memória, dentre outros. Esses fatores podem afetar as prevalências aqui descritas.

Destaca-se ainda que o critério HA medida por instrumento está relacionado à PA elevada no momento da medida, o que difere um pouco da hipertensão arterial, que é definida por apresentar essa medida sistematicamente.

CONCLUSÃO

O tema das DCNT ganhou prioridade e assumiu liderança nas agendas globais. Contudo, permanecem muitos desafios, como o monitoramento das DCNT por meio de metodologias válidas, de fácil mensuração e de baixo custo, que elucidem um diagnóstico populacional fidedigno para o desenvolvimento de políticas efetivas. O estudo atual apresenta três diferentes critérios diagnósticos para medir a prevalência de HA populacional. A HA autorreferida e medida apresentaram prevalências próximas, indicando ser útil a medida autorreferida em estudos populacionais. Entretanto, o monitoramento das metas globais de redução da HA16 será realizado utilizando medidas aferidas, mostrando o acerto da PNS em incluir a medição da PA no seu escopo. O critério de HA medida ≥ 140/90 mmHg e/ou uso de anti-hipertensivos incluiu um alto número de indivíduos com HA, apontando o desafio do suprimento e do custo de anti-hipertensivos para quase um terço da população brasileira.

Conhecer e monitorar indicadores referentes às DCNT, incluindo as metas de redução de HA são importantes no contexto nacional e global. A PNS constitui a linha de base do indicador de redução da hipertensão aferida. Para alcançar a meta de redução relativa de 25% na prevalência de pressão sanguínea elevada serão necessárias intervenções para redução do consumo de sal, de gorduras saturadas e aumento do consumo de frutas e verduras; esforços para redução do sobrepeso/obesidade e rastreamento para detecção e tratamento precoce das pessoas hipertensas. O estudo atual pode apoiar esse monitoramento da HA e identificar prioridades para atuação.

AGRADECIMENTOS

Malta DC agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) a bolsa de produtividade em pesquisa; Machado IE agradece ao CNPQ a bolsa de pós-doutorado júnior.

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Fonte de financiamento: nenhuma.

Recebido: 08 de Dezembro de 2017; Revisado: 04 de Janeiro de 2018; Aceito: 08 de Janeiro de 2018

Autor correspondente: Deborah Carvalho Malta. Avenida Alfredo Balena, 190, CEP: 30130-100, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: dcmalta@uol.com.br

Conflito de interesses: nada a declarar

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