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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.2 São Paulo  2018  Epub Feb 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180001.supl.2 

EDITORIAL

Apresentação do suplemento

Jair Licio Ferreira SantosI 

IFaculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Medicina Social, Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Desde 2002, quando estava em seu quinto volume, a Revista Brasileira de Epidemiologia vem complementando os seus números trimestrais com suplementos voltados a temas de claro interesse para a epidemiologia e a saúde, tanto em aspectos da investigação acadêmica como naqueles relativos à gestão social.

Assim, pelos oito suplementos já publicados circularam questões de grande interesse, como os inquéritos nacionais de saúde, planos diretores para o desenvolvimento da epidemiologia, textos de mesas-redondas do V Congresso Brasileiro de Epidemiologia, inquéritos populacionais, infecção por vírus da imunodeficiência humana (HIV), Pesquisa Nacional de Saúde, Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e determinantes sociais da saúde.

Este nono suplemento trata de um fenômeno que vem acumulando interesse e relevância no mundo todo - o envelhecimento -, por meio da apresentação de investigações e resultados do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE).

Um dos primeiros esforços para obter informações de forma sistemática sobre condições de vida do idoso, o projeto foi desenvolvido em São Paulo e em mais seis cidades da América Latina e do Caribe1. O Ministério da Saúde, a Universidade de São Paulo (USP), O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) apoiaram o SABE em São Paulo desde o início, e o estudo tornou-se, em 2006, do tipo painel, com replicações em 2010 e 2015. Esse desenho possibilita, entre outros esquemas de análise, estudar dois tipos de mudanças: aquelas presentes nos indivíduos durante o envelhecimento e as mudanças ocorridas na sociedade que se refletem em cada faixa de idade2.

O presente suplemento traz resultados de investigações realizadas com os dados de 2010, algumas delas incorporando de forma longitudinal as informações de 2000 e 2006. A ampla variedade dos assuntos e o grande interesse que despertam deverão fazer deste suplemento um marco nas publicações sobre a epidemiologia do envelhecimento.

É interessante ressaltar que tanto o campo de conhecimento formado pela epidemiologia do envelhecimento como o próprio Estudo SABE constituem difíceis desafios para pesquisadores e estudiosos, a primeira pela amplitude do objeto de estudo, e o segundo pela complexidade na concepção, organização, acompanhamento, auditoria e administração de recursos humanos ou materiais.

Foram esses exatos desafios que Maria Lúcia Lebrão, professora titular do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, abraçou desde o início do estudo: trabalhou nele na sua formatação, na adequada tradução de questionários padronizados, no acompanhamento do processo de amostragem, no recrutamento e gerenciamento do pessoal de campo, nas revisões dos questionários, na formatação dos bancos, nas auditorias de campo e de processamento. Ruy Laurenti foi seu parceiro nas ações iniciais, e Yeda Aparecida de Oliveira Duarte permaneceu com Lúcia naquelas atividades e nas que se seguiram - análises e publicações dos resultados, recrutamento de estudantes de pós-graduação, seminários de acompanhamento e atualização, publicação de resultados.

Para a tristeza de todos os que com ela conviviam, Lúcia foi-se prematuramente, sem deixar de apoiar as atividades nem de acompanhar o SABE até seus últimos dias e suas forças permitiram. Mas ela permanece no SABE e entre todos os que procuram o conhecimento e a pesquisa, com o objetivo de promover as mudanças necessárias para conduzir a um envelhecimento melhor. Como ela mesmo afirmou, “a ideia de pessoas idosas associada a doenças e dependência tem de ser substituída por mudanças que as façam permanecer mais tempo ativas e independentes”.

Neste suplemento Lúcia é autora de vários textos, incluindo o capítulo “Antecedentes, metodologia e organização - 10 anos do Estudo SABE”. É a melhor narrativa histórica do estudo e, de certa forma, a história dela mesmo.

REFERÊNCIAS

1. Lebrão ML, Laurenti R. Health, Well-Being and aging: the SABE Study in São Paulo, Brazil. Rev Bras Epidemiol 2005; 8(2): 127-41. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2005000200005Links ]

2. National Research Council. Committee on Population and Committee on National Statistics. Division of Behavioral and Social Sciences and Education. Preparing for an aging world: the case for Cross-National Research. Panel on a Research Agenda and New Data for an Aging World. Washington, D.C.: National Academy Press; 2001. [ Links ]

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