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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.2 São Paulo  2018  Epub Feb 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180004.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Iniquidades raciais e envelhecimento:análise da coorte 2010 do Estudo Saúde,Bem-Estar e Envelhecimento (SABE)

Alexandre da SilvaI 

Tereza Etsuko da Costa RosaII 

Luís Eduardo BatistaII 

Suzana KalckmannII 

Marília Cristina Prado LouvisonIII 

Doralice Severo da Cruz TeixeiraIV 

Maria Lúcia LebrãoIII  *

IPrograma de Pós-Graduação em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIInstituto de Saúde, Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIIFaculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IVSecretaria Municipal da Saúde de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

Entender as disparidades raciais no Brasil tem sido algo bastante complexo e pouco investigado em alguns segmentos populacionais, como na população idosa.

Objetivo:

Objetivou-se apresentar de forma descritiva uma análise comparativa, numa perspectiva racial, do perfil sociodemográfico, das condições de saúde e de uso de serviços de saúde dos idosos da cidade de São Paulo, SP.

Métodos:

Trata-se de uma análise transversal do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE). Para o presente trabalho, foram considerados 1.345 idosos da coorte de 2010. Selecionaram-se os dados referentes aos idosos de cor preta, parda e branca. Abordaram-se os dados em três eixos essenciais: sociodemográficos, condições de saúde e uso e acesso a serviços de saúde. A medida epidemiológica de associação escolhida foi a razão de prevalência (RP), para expressar as diferenças entre os grupos.

Resultados e conclusão:

Os resultados evidenciaram um cenário mais favorável para o envelhecimento dos idosos de cor branca em comparação com aqueles de cor parda ou preta, no tocante aos indicadores sociodemográficos, às condições de saúde ou de uso e ao acesso a serviços de saúde.

Palavras-chave: Iniquidade social; Desigualdade em saúde; Raça e saúde; Cor; Envelhecimento; Racismo

INTRODUÇÃO

Para estudiosos dos determinantes sociais de saúde1, não somente a exclusão social, mas o preconceito e a discriminação também são fatores que repercutem nas condições de saúde2. Na literatura norte-americana 3,4, já se evidencia que as inadequações quanto à condição de vida, ao suporte social, à empregabilidade, ao acesso à alimentação, ao estilo de vida e ao acesso aos serviços de saúde estão fortemente associadas ao pertencimento racial.

Ainda não existe consenso para a definição dos termos etnia e raça ou cor da pele no meio acadêmico5, no entanto, com a inclusão do quesito cor nos sistemas de informação, foi possível ressaltar que o espaço social que brancos, negros (pretos e pardos) e indígenas ocupam na sociedade se reflete nos indicadores sociais: piores indicadores de escolaridade, inserção nos piores postos de trabalho e com menor acesso a bens e serviços sociais6. Essas desigualdades contribuem para a manutenção da miséria material, da restrição da participação política e do isolamento espacial e social. Tal processo, denominado racismo, enraíza-se, por meio da cultura, no tecido social e nos comportamentos da sociedade brasileira, como afirma Kabengele7.

No Brasil, são poucos os estudos populacionais que abordam as condições de saúde de idosos na perspectiva racial. A utilização das dimensões de iniquidade e de vulnerabilidade dos idosos pode possibilitar a reconstrução ampliada e reflexiva da promoção e proteção da saúde8.

Com essas considerações, o objetivo deste artigo foi apresentar uma análise comparativa, numa perspectiva racial, do perfil sociodemográfico, das condições de saúde e de uso de serviços de saúde dos idosos da cidade de São Paulo, SP.

MÉTODOS

Trata-se de uma análise transversal do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE) de 2010. O SABE é um estudo de seguimento (coorte) de base populacional, com entrevistas domiciliares, que vem sendo desenvolvido desde 2000, coletando informações sobre vários aspectos da vida dos idosos não institucionalizados residentes no município de São Paulo 9,10. A coleta de dados, realizada por entrevistadores treinados, ocorreu em três momentos: 2000, 2006 e 2010, com reposição, nos dois últimos, de idosos de 60 a 64 anos. Para o presente estudo, foram considerados 1.345 idosos da coorte de 2010.

A variável dependente do estudo foi “cor da pele autorreferida”11, e para a presente análise foram selecionados os dados referentes aos idosos de cor preta, parda e branca, de acordo com as variáveis que se seguem:

  • indicadores sociodemográficos: sexo (masculino e feminino), idade (60 a 64 anos, 65 a 69 anos, 70 a 74 anos, 75 a 79 anos, 80 anos ou mais), estado marital (divorciado/viúvo, casado, solteiro), número de filhos vivos (nenhum, um ou dois filhos, três ou mais filhos), renda suficiente para despesas diárias (sim, não), sabe ler e escrever um recado (sim, não), escolaridade (em anos de estudo);

  • modo de vida: mora sozinho (sim, não), religião (católica, evangélica, outra/nenhuma), sai de casa (sim, não), convida pessoas para sua casa (sim, não), trabalha atualmente (sim, não), motivos para trabalhar (financeiros, manter ocupação) e ter experimentado pelo menos cinco anos a vida no campo até os 15 anos de vida (sim, não);

  • condições de saúde: autoavaliação da saúde (muito boa/boa, regular, ruim/muito ruim), autorrelato de doenças - osteoporose (sim, não), hipertensão arterial (sim, não), diabetes (sim, não), acidente vascular encefálico (sim, não), declínio cognitivo (sim, não), problema psiquiátrico ou nervoso (sim, não) e depressão (sim, não). Para a avaliação da sintomatologia depressiva foi utilizada a escala de depressão geriátrica12, e para o estado cognitivo, o miniexame do estado mental13;

  • comportamentos de saúde: histórico de tabagismo (fuma atualmente, já fumou, nunca fumou), risco para dependência ao álcool - Michigan Alcoholism Screening Test, Geriatric Version (S-MAST-G)14 - (sim, não) e condições de cuidar da própria saúde (frequentemente, de vez em quando/raramente, nunca);

  • uso e acesso aos serviços de saúde: possuir plano de saúde suplementar (sim, não), valor pago pelo plano de saúde (em reais), dificuldade para utilizar serviços de saúde (sim, não), fazer exames complementares (sim, fez todos; não, mas estão marcados; não, só alguns), necessidade de atendimento de urgência (sim, não), local de atendimento de emergência (Sistema Único de Saúde - SUS, convênio/plano de saúde, particular).

Para a análise estatística dos dados, realizaram-se análises bivariadas entre a variável dependente “raça/cor da pele” e as demais independentes, por meio das tabelas de contingência, sempre considerando os valores proporcionais para cada categoria racial. Por se tratar de uma amostra complexa, utilizou-se o teste χ2 com correção de Rao-Scott para as análises bivariadas das variáveis qualitativas, e o cálculo de média e seu respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%) foram empregados quando a variável independente era quantitativa. Para expressar as diferenças entre os grupos, a medida epidemiológica de associação escolhida foi a razão de prevalência (RP), juntamente com os valores percentuais. Para todas as análises, foram usados os coeficientes de ponderação da amostra, bem como o nível de significância de 5% (a = 0,05). O software estatístico utilizado foi o Stata (versão 11.0).

O projeto SABE foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, de acordo com o protocolo de número 2.044, em março de 2010.

RESULTADOS

Do total de 1.345 idosos da coorte 2010, foram considerados para esta análise 1.263, por terem sido excluídos os amarelos e os indígenas. Analisaram-se 782 (62%) brancos, 387 (30,9%) pardos e 94 (7,1%) pretos, que, após os procedimentos de ponderação, passaram a representar a população de 1.244.371 pessoas idosas, dos quais 771.510 são brancos, 384.511 pardos e 88.350 pretos.

CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS

Conforme a Tabela 1, chamou a atenção o fato de que a maior proporção de pardos se concentra na faixa etária entre 60 e 69 anos (p < 0,001). Em relação ao estado marital, houve maior proporção de solteiros entre os pretos (p = 0,050). Não possuir filhos vivos em 2010 foi mais frequente para os idosos pretos (10,70%; p < 0,001), enquanto os brancos foram os que mais relataram ter um ou dois filhos vivos (40,80%; p < 0,001). No entanto, quando se analisaram os idosos que tinham três ou mais filhos, verificou-se maior proporção entre os pardos e pretos (p < 0,001).

Tabela 1. Características demográficas e econômicas dos idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento segundo cor, 2010. 

Variáveis Frequência (%) Total Razão de prevalência Valor p
Preta Parda Branca Preta Parda Branca
Sexo (1.263)
Masculino 46,60 39,00 39,20 39,70 1,17 0,98 0,99 0,400
Feminino 53,40 61,00 60,80 60,30 0,89 1,01 1,01
Idade (1.263) (anos)
60 a 64 26,70 42,30 28,20 32,40 0,82 1,31 0,87 <0,001
65 a 69 24,80 27,00 19,10 22,00 1,13 1,23 0,87
70 a 74 16,60 13,60 20,00 17,80 0,93 0,76 1,12
75 a 79 15,30 6,60 15,40 12,70 1,20 0,52 1,21
80 e mais 16,60 10,40 17,20 15,10 1,10 0,69 1,14
Estado marital (1.247)
Divorciado/viúvo 43,20 40,70 42,10 41,70 1,04 0,98 1,01 0,050
Casado 47,90 55,60 55,30 54,90 0,87 1,01 1,01
Solteiro 9,00 3,70 2,70 3,40 2,65 1,09 0,79
Número de filhos vivos (1.242)
Nenhum 10,70 3,30 4,20 4,40 2,43 0,75 0,95 <0,001
1 ou 2 29,20 29,30 40,80 36,40 0,80 0,80 1,12
3 ou mais 60,10 67,40 55,00 59,20 1,01 1,14 0,93
Renda suficiente para despesas diárias (1.233)
Sim 49,70 48,90 61,40 56,70 0,88 0,86 1,08 <0,001
Não 50,30 51,10 38,60 43,30 1,16 1,18 0,89
Lê e escreve recado (1.259)
Sim 76,80 81,10 90,70 86,80 0,88 0,93 1,04 <0,001
Não 23,20 18,90 9,30 13,20 1,76 1,43 0,70
Escolaridade em anos (média; IC95%) (1.245) 3,90 (3,01; 4,79) 4,09 (3,52; 4,66) 6,10 (5,49; 6,72) 5,31 (4,77; 5,85)

IC: intervalo de confiança.

Nos aspectos econômicos, houve concentração de pardos e pretos (p < 0,001) entre os que responderam não possuir renda suficiente para as despesas diárias, o que dialoga com os dados de escolaridade, pois são os mesmos grupos nos quais se observaram as maiores proporções de analfabetos (p < 0,001) e a menor média de número de anos de escolaridade (p < 0,05). O tempo médio de escolaridade para pretos (3,90 anos; 3,01 - 4,79 IC95%) e pardos (4,09 anos; 3,52 - 4,66 IC95%) foi bem menor se comparado ao de idosos brancos (6,10 anos; 5,49 - 6,72 IC95%). A maior proporção dos que não sabiam ler ou escrever um recado (23,20%; p < 0,001) estava entre os pretos.

MODO DE VIDA

Percebeu-se, de acordo com a Tabela 2, predomínio da religião evangélica entre os pardos e pretos e da católica (p < 0,001) entre os brancos. No que tange à vida social dos idosos, proporções expressivas de pretos responderam, respectivamente, nunca sair para lugares públicos (64,80%; p = 0,005) e nunca convidar pessoas para virem às suas casas (42,10%; p = 0,018).

Tabela 2. Características do modo de vida dos idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento segundo cor, 2010.  

Variáveis Frequência (%) Total Razão de prevalência Valor p
Preta Parda Branca Preta Parda Branca
Mora sozinho (1.263)
Sim 18,90 15,40 15,30 15,60 1,21 0,99 0,98 0,720
Religião (1.256)
Católica 61,60 59,80 64,80 63,00 0,98 0,95 1,03 0,001
Evangélica 32,90 29,90 20,40 24,20 1,36 1,24 0,84
Outra ou nenhuma 5,50 10,30 14,80 12,80 0,43 0,80 1,16
Sai de casa (867)
Frequentemente 6,00 12,10 17,60 15,30 0,39 0,79 1,15 0,005
Às vezes/raramente 29,30 38,10 41,50 39,80 0,74 0,96 1,04
Nunca 64,80 49,80 40,90 44,90 1,44 1,11 0,91
Convida à casa (868)
Frequentemente 30,20 41,30 40,10 39,70 0,76 1,04 1,01 0,018
Às vezes/raramente 27,70 35,90 38,90 37,30 0,74 0,96 1,04
Nunca 42,10 22,70 21,00 23,00 1,83 0,99 0,91
Trabalha (1.256)
Sim 38,60 38,30 29,50 32,80 1,18 1,17 0,90 0,010
Não 61,40 61,70 70,50 67,20 0,91 0,92 1,05
Motivos do trabalho (344)
Necessidades financeiras 65,50 72,50 67,70 69,30 0,95 1,05 0,98 0,630
Manter ocupação 34,50 27,50 32,30 30,70 1,12 0,90 1,05
Viveu no campo por cinco anos ou mais (341)
Sim 44,30 59,30 41,50 49,00 0,90 1,21 0,85 0,020
Não 55,70 40,70 58,50 51,00 1,09 0,80 1,15

Os idosos pretos (38,60%) e pardos (38,30%) foram os que mais disseram trabalhar à época da realização do inquérito (p = 0,01), embora o motivo - a necessidade financeira - seja o mesmo nos três grupos (p = 0,63). Para a questão da vida pregressa em área rural, os idosos pardos foram os que mais afirmaram ter vivido, pelo menos, cinco anos no campo até os 15 anos (p = 0,02).

CONDIÇÕES DE SAÚDE: AUTORRELATO E AUTOAVALIAÇÃO DE SAÚDE

Como pode ser observado na Tabela 3, boa parte dos idosos avaliou como muito boa ou boa a sua própria saúde (50,30%, em média), proporção que diminui considerando os idosos pretos (41,80%), embora sem significância estatística (p = 0,38). A osteoporose foi uma das doenças crônicas com menor prevalência, apesar de mais marcante entre idosos brancos (21%), se comparados aos pardos (16,20%) e pretos (14,20%), também sem significância estatística (p = 0,053). Outros agravos são mais prevalentes entre idosos pretos: hipertensão arterial (83%; p=0,003), diabetes (40,80%; p = 0,005) e derrame/acidente vascular cerebral (18,7%; p<0,001). Apresença de déficit cognitivo foi identificada em proporções maiores entre os pretos (19,70%) e os pardos (12,60%) em comparação aos brancos (7,10%; p < 0,001). Vale salientar, no entanto, que os problemas psiquiátricos autorreferidos e a depressão, respectivamente, foram menos prevalentes entre os pretos - 4,10% (p = 0,049) e 13,80% (p = 0,013) - em comparação aos brancos (10,50% e 20,40%).

Tabela 3. Autorrelato e autoavaliação de saúde e outras condições de saúde dos idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, 2010. 

Variáveis Frequência (%) Total Razão de prevalência Valor p
Preta Parda Branca Preta Parda Branca
Autoavaliação saúde (1.224)
Muito boa/boa 41,80 48,30 52,30 50,30 0,83 0,96 1,04 0,380
Regular 48,10 43,60 40,20 41,80 1,15 1,04 0,96
Ruim/muito ruim 10,00 8,10 7,50 7,90 1,27 1,03 0,95
Osteoporose (1.252)
Sim 14,20 16,20 21,00 19,10 0,74 0,85 1,10 0,053
Hipertensão arterial (1.262)
Sim 83,00 67,30 64,40 66,60 1,25 1,01 0,97 0,003
Diabetes (1.262)
Sim 40,80 22,80 23,80 24,60 1,66 0,93 0,97 0,005
Derrame/AVC (1.260)
Sim 18,70 7,20 6,10 7,30 2,56 0,99 0,84 <0,001
Autoavaliação da memória (1.232)
Excelente/ muito boa 10,80 12,50 17,30 15,40 0,70 0,81 1,12 0,034
Boa 51,70 44,90 48,70 47,80 1,08 0,94 1,02
Regular/má 37,40 42,50 34,00 36,90 1,01 1,15 0,92
Déficit cognitivo (MEEM) (1.263)
Sim 19,70 12,60 7,20 9,30 2,12 1,35 0,77 <0,001
Problema psiquiátrico ou nervoso (1.261)
Sim 4,10 12,50 10,50 10,70 0,38 1,17 0,98 0,049
Depressão (1.259)
Sim 13,80 13,40 20,40 17,80 0,78 0,75 1,15 0,013

AVC: acidente vascular cerebral; MEEM: miniexame do estado mental.

CARACTERÍSTICAS DE COMPORTAMENTO DE SAÚDE

Em conformidade com a Tabela 4, em relação aos comportamentos de saúde, foi notável a proporção entre os idosos pretos (52,30%; p = 0,007) que deixaram de fumar, em que pesea maior proporção de idosos pardos (11%) e pretos (12%) que responderam nunca cuidar da sua própria saúde, quando comparados aos brancos (6,30%; p = 0,03). O provável risco para dependência do álcool foi maior para os pardos (22,70%) e pretos (10,70%), quando comparados aos brancos (6,60%; p = 0,001).

Tabela 4. Características de comportamento de saúde dos idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, 2010. 

Variáveis Frequência (%) Total Razão de Prevalência Valor p
Preta Parda Branca Preta Parda Branca
Tabagismo na vida (1.261)
Fuma atualmente 9,40 14,20 11,60 12,20 0,77 1,16 0,95 0,007
Já fumou 52,30 39,60 33,60 36,80 1,42 1,08 0,91
Nunca fumou 38,30 46,10 54,80 51,00 0,75 0,90 1,07
Risco para dependência de álcool (362)
Não 89,30 77,30 93,40 89,00 1,00 0,87 1,05 0,001
Sim 10,70 22,70 6,60 11,00 0,97 2,06 0,60
Cuidar da própria saúde (n=867)
Frequentemente 77,20 78,70 86,20 83,60 0,92 0,94 1,03 0,033
De vez em quando/raramente 10,80 10,30 7,50 8,50 1,27 1,21 0,88
Nunca 12,00 11,00 6,30 7,90 1,52 1,39 0,80

USO E ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE

De acordo com a Tabela 5, os idosos pretos (25,70%) e pardos (30,20%) foram os que menos possuíam plano privado de saúde (p < 0,001), e foram eles que pagaram os menores valores médios por esses planos (pretos: R$ 119,84; pardos: R$ 172,33; brancos: R$ 314,29).

Tabela 5. Características quanto ao uso de serviços de saúde e acesso a eles por idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, 2010. 

Variáveis Frequência (%) Total Razão de prevalência Valor p
Preta Parda Branca Preta Parda Branca
Plano de saúde além do SUS (1.263)
Sim 25,70 30,20 53,10 44,10 0,58 0,68 1,20 < 0,001
Não 74,30 69,80 46,90 55,90 1,33 1,25 0,84
Valor médio pago pelo plano de saúde (R$) (IC95%) (561) 119,84 (65,96; 173,72) 172,33 (116,75; 227,92) 314,29 (276,95; 351,63) 275,20 (242,83; 309,57)
Dificuldade para utilizar serviços de saúde (1.255)
Não 75,00 75,00 74,00 74,40 1,01 1,01 0,99 0,91
Fez exames complementares (638)
Sim, fez todos 61,80 64,80 77,30 72,50 0,85 0,89 1,07 0,011
Não, mas estão marcados 25,60 22,70 17,10 19,40 1,32 1,17 0,88
Não ou só alguns 12,50 12,50 5,60 8,10 1,54 1,54 0,69
Necessidade de atendimento de urgência (1.263)
Sim 16,30 25,00 20,10 21,30 0,77 1,17 0,94 0,13
Não 83,70 75,00 79,90 78,70 1,06 0,95 1,02
Local de atendimento da urgência/emergência (289)
SUS 80,30 81,00 49,20 62,30 1,29 1,30 0,79 <0,001
Convênio/plano de saúde 19,70 18,50 48,00 35,80 0,55 0,52 1,34
Particular 0,00 0,60 2,80 1,80 0,00 0,33 1,56

SUS: Sistema Único de Saúde; IC: intervalo de confiança.

Quanto à dificuldade de utilizar serviços de saúde, não houve diferença significativa entre os grupos raciais, embora chamem a atenção os seguintes fatos: 25% dos idosos relatam dificuldade em acessá-los e, significativamente, mais brancos realizam todos os exames complementares solicitados (p = 0,011).

Quando indagados sobre ter realizado atendimento de urgência, os pardos (25%) foram os que mais utilizaram esse tipo de serviço de saúde, enquanto os pretos foram os que menos o utilizaram (16,30%), embora sem significância estatística (p = 0,13). No tocante ao local de atendimento de urgência, 48% dos brancos têm convênio ou plano de saúde, enquanto aproximadamente 80% dos pretos e pardos usam o SUS (p < 0,001).

DISCUSSÃO

Os resultados aqui analisados, confirmando a hipótese de partida, evidenciaram um cenário mais favorável ao envelhecimento entre idosos de cor branca em comparação com aqueles de cor parda ou preta no tocante aos indicadores sociodemográficos, de condições de saúde e de uso e acesso a serviços de saúde.

Foram notáveis a proeminência de brancos, principalmente entre os mais velhos, e reduzida proporção de pardos nesse segmento etário. No contexto do município de São Paulo, excluindo os indígenas, indicadores tais como a menor média de idade ao morrer, menor índice de envelhecimento e maior média de anos potenciais de vida perdidos no grupo de pessoas de cor parda 15,16 expressam claramente a menor expectativa de vida nesse grupo racial. Em nível nacional, Oliveira et al., com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 20088, reforçam esses achados.

No que se refere ao sexo, apesar da esperada existência de maior proporção de mulheres em todos os grupos raciais, no de cor preta se observa que o excedente de mulheres em relação aos homens é menor do que nos outros grupos raciais. Esse achado é congruente com os dados do IBGE, que já indicavam, na pirâmide populacional, a mesma tendência, sobretudo nas faixas etárias dos mais velhos17.

Considerando o estado marital, foi evidente a proporção de idosos pretos solteiros, que chega a ser o triplo da encontrada entre brancos e pardos. A condição de solteiro, aliada à maior proporção de pessoas sem filhos, pode indicar no grupo de idosos pretos uma situação de vulnerabilidade no que concerne à rede de apoio social. Essa situação também foi verificada nos Estados Unidos, onde os idosos pretos, comparados aos brancos, foram os que mais relataram morar sozinhos e ter mais necessidade de apoio emocional18. Ao que tudo indica, os piores níveis de apoio social (frequência de contatos, diversidade de contatos e ajudas recebidas e prestadas) são vivenciados por idosos solteiros. A explicação para essa situação é que os filhos são figuras essenciais no apoio aos pais em idades avançadas e os solteiros, que são aqueles mais prováveis de não terem tido filhos, ficam em desvantagem19. Reforça essa configuração desfavorável para os idosos pretos o seu modo de vida no que diz respeito ao relacionamento social, no qual se verificam as maiores proporções de idosos que moram sozinhos, que nunca convidam pessoas para virem à casa ou que nunca saem para lugares públicos.

Em contrapartida, no presente estudo, a relevância da religiosidade na velhice, indicada pela alta proporção dos que responderam professar alguma religião, parece apontar a igreja como importante fonte de apoio social informal, ao proporcionar espaços de socialização e de apoio mútuo, tais como grupos de oração, voluntariado, trabalhos caritativos e outras situações que promovem coletividades. Outras análises no contexto do próprio Estudo SABE evidenciam que a importância atribuída à religião é maior entre os que vivem sós, comparativamente aos que vivem acompanhados, e que os idosos relatam que os vínculos de amizade são formados na corporação religiosa20.

No tocante à situação econômica, os idosos pretos e pardos foram, proporcionalmente, os que mais responderam não possuir renda suficiente para suas despesas diárias e os que mais trabalhavam na época. Piores níveis de escolaridade foram encontrados entre os pretos e pardos, e eles apresentaram as maiores proporções acerca de não saber ler/escrever um recado, denotando a condição de analfabetismo, como também os mais baixos valores médios em número de anos de escolarização. Tanto os resultados relativos à renda quanto os de escolaridade são consistentes em todo o território nacional8.

Dessa forma, tanto a situação da necessidade de manter-se trabalhando por razões econômicas até idades mais avançadas quanto a de pior nível de escolaridade podem ratificar uma condição que vem há anos sendo considerada como a principal causa das iniquidades na área da saúde.

A vida rural nos primeiros 15 anos de vida e por no mínimo cinco anos foi mais frequente entre os pardos. Diversos autores têm afirmado que essas condições, denominadas de “pregressas”21, geram desvantagens para os indivíduos que moram em áreas rurais ou em periferias dos grandes centros urbanos, onde supostamente o uso de serviços de saúde e as condições sanitárias são mais desfavoráveis se comparados às das regiões urbanas centrais. Pondera-se, então, se entre os pardos paulistanos as condições desfavoráveis vividas na zona rural em época remota poderiam também ser determinantes de piores condições de vida mantidas ao longo do tempo na cidade de São Paulo, que por sua vez tem resultado em menores expectativas de vida nesse grupo racial.

O pior padrão de saúde dos idosos pretos e pardos observado neste estudo está relacionado principalmente com as altas prevalências de hipertensão arterial, diabetes e derrame/acidente vascular cerebral. As doenças cerebrovasculares, diabetes mellitus e a doença hipertensiva têm sido apontadas como causas mais importantes de mortalidade em pessoas de cor preta, no Brasil22, e negras, nos Estados Unidos18. Entre os brasileiros, as doenças cerebrovasculares foram mais associadas à pobreza em períodos precoces da vida, e entre os norte-americanos esse tipo de agravo foi maior nos negros em razão das constantes situações de subdiagnóstico e subtratamento às quais eles estiveram submetidos23.

Os problemas de saúde mental são outro aspecto das condições de saúde no qual as populações preta e parda se diferenciam negativamente da branca. Entre pretos e pardos, verificaram-se maiores proporções de comprometimento cognitivo avaliado por escala de rastreamento. Estudos nessa área em vários países sugerem que a associação entre pobreza e transtornos mentais é universal, independentemente do nível de desenvolvimento do país23. Tais investigações ratificam que aassociação da distribuição de renda com os homicídios, os crimes violentos e as mortes relacionadas ao consumo de álcool reforçam a concepção de que as desigualdades de renda também imprimem efeitos psicossociais.

Ao contrário, resultado inusitado foi constatado em relação à prevalência de depressão. Esta foi significativamente maior entre os idosos brancos e menor nos idosos negros. Apesar da necessidade de uma análise mais cautelosa, tais resultados parecem mais consistentes com as proposições de Barros et al., que debatem a questão do subdiagnóstico e do subtratamento dado aos idosos negros24.

Na literatura consultada não foi possível localizar estudos brasileiros desenvolvidos para explicar as desigualdades étnico-raciais no âmbito da saúde, apesar de diversos indicadores evidenciarem variações significativas na mortalidade e morbidade entre os grupos raciais22. Da mesma forma, não se veem explicações para certas características comportamentais desfavoráveis mais frequentemente observadas entre pretos e pardos, como o tabagismo e a dependência de álcool. Todavia, com a clara associação dessas características comportamentais desfavoráveis e de outras, como a falta de cuidado com a própria saúde com grupos de idosos pretos e pardos, parece não ser difícil sugerir essas categorias raciais como preditoras de piores indicadores de saúde.

Em relação ao uso e acesso aos serviços de saúde, percebeu-se a condição desfavorável dos pretos e dos pardos, em comparação aos brancos, no tocante ao uso da saúde suplementar, na medida em que aqueles relataram em menor proporção a posse de planos de saúde e, quando os possuem, pagam em média valores mais baixos. É interessante notar que apesar dessa visível diferença no tipo de serviço de saúde público ou privado usado por negros e brancos, não houve diferença entre os grupos raciais nas dificuldades em acessar os serviços de saúde. Vale ressaltar, entretanto, que para 25% dos idosos, em todos os grupos raciais, ainda existe dificuldade em acessar os serviços de saúde, independentemente se públicos ou privados.

Outro aspecto notável foi não haver diferença entre os grupos raciais em relação ao acesso à solicitação de exames complementares e a medicamentos (dados não apresentados nas tabelas). Contudo levantou-se a hipótese de que a diferença reside no tempo decorrido entre a solicitação do exame e a sua realização, visto que significativamente mais brancos afirmaram ter realizado todos os exames solicitados, ao contrário dos pretos e pardos, que responderam só terem marcado os exames ou só terem conseguido marcar alguns deles.

Por um lado, pode-se concluir que o SUS tem garantido o acesso aos serviços de saúde de forma relativamente adequada. Por outro, os dados de mortalidade evidenciam maior proporção de morte precoce entre pretos e pardos, o que aponta para a necessidade de estudos que possam qualificar os atendimentos realizados para a compreensão das possíveis iniquidades que podem estar ocorrendo nos serviços de saúde do SUS. Estudo nesse sentido realizado nos Estados Unidos identificou que condições de diagnóstico inconclusivo, tratamentos incompletos e falta de controle de fatores associados à ocorrência de acidente vascular cerebral foram comuns para as pessoas negras e identificaram como uma das causas a falta de acesso aos serviços de saúde23.

O presente trabalho traz resultados preocupantes de desigualdades entre os segmentos raciais que continuam na velhice. Pesquisas futuras poderão dimensionar e ajudar na criação de estratégias de eliminação/amenização de fatores modificáveis como escolaridade, renda e curso de doenças. Intervenções centradas na busca da equidade podem ser benéficas ao adequar atendimentos que compensem as principais condições de vulnerabilidade desses grupos raciais.

Para finalizar, é necessário apontar a principal limitação do estudo, que reside no fato de ele não ter sido delineado para analisar a variável raça/cor. Sugere-se também o provável viés de seleção que ocorreu durante o desenvolvimento dos trabalhos de campo, ocasionando um possível erro amostral relativo aos grupos raciais, pois há na população geral, proporcionalmente, mais brancos e menos pardos e pretos17 do que na amostra do presente estudo. A hipótese explicativa seria a de que os idosos brancos teriam tido menos chance de serem entrevistados por residirem mais em condomínios, o que normalmente dificulta o acesso dos entrevistadores. Em oposição, as pessoas pardas e pretas tiveram mais chance de serem entrevistadas por suas residências se concentrarem em áreas onde o acesso aos entrevistadores em geral é mais fácil, havendo mais sistematicamente mais entrevistas com pardos e pretos em comparação a brancos. Ainda assim, as análises comparativas com achados de outros estudos identificaram elementos bastante consistentes. Portanto, o presente estudo mostra-se favorável em relação à sua validade.

CONCLUSÃO

As desigualdades encontradas entre as categorias raciais apontaram para situações sistemáticas de desvantagem para idosos pardos e, principalmente, idosos pretos. Todo o contexto deste artigo sugeriu condições de iniquidade que, ao longo da vida, geraram pior condição de vida para os idosos negros e que se iniciaram muito cedo, talvez na fase adulta ou ainda na infância, mas que afetaram negativamente os comportamentos, as condições de saúde e o acesso a bens e serviços de saúde e o uso deles. Algumas das condições de saúde, como doenças de maior prevalência para pretos e pardos, não são explicadas exclusivamente por fatores biológicos e precisariam ter uma linha de cuidado e com efetividade para o alcance de todos, sem distinção.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos as observações do professor doutor Jair Lício Ferreira Santos, que contribuíram imensamente para o aprimoramento do manuscrito.

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Fonte de financiamento: Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Ministério da Saúde e Universidade de São Paulo (USP).

Recebido: 27 de Agosto de 2016; Revisado: 26 de Setembro de 2016; Aceito: 22 de Dezembro de 2016

Autor correspondente: Alexandre da Silva. Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade deSão Paulo. Avenida Doutor Arnaldo, 715, 1º andar, Pinheiros, CEP: 01246-904. São Paulo, SP, Brasil. E-mail: alesilva@usp.br

*in memoriam

Conflito de interesses: nada a declarar

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