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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.2 São Paulo  2018  Epub Feb 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180007.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Tendência da prática de automedicação entre idosos brasileiros entre 2006 e 2010: Estudo SABE

Silvia Regina SecoliI 

Erika Aparecida MarquesiniII 

Sandra de Carvalho FabrettiIII 

Ligiana Pires CoronaIV 

Nicolina Silvana Romano-LieberIII 

IDepartamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIInstituto do Coração, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIIDepartamento de Prática de Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IVDepartamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

Automedicação retrata o princípio do próprio indivíduo buscar espontaneamente por algum medicamento que considere adequado para resolver um problema de saúde. Essa prática é ainda pouco explorada entre idosos de acordo com outros estudos baseados em dados populacionais. Objetivo: Examinar as tendências da prática de automedicação dos idosos do Estudo SABE entre 2006 e 2010.

Método:

Estudode base populacional cujos dados foram obtidos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE). Aamostra de 2006 foi constituída de 1.258 idosos e a de 2010, de 865 idosos que utilizaram medicamentos.

Resultados:

Observou-se redução da automedicação de 42,3% em 2006 para 18,2% em 2010. Em ambos os períodos, as classes terapêuticas predominantes foram as dos medicamentos com ação no sistema nervoso (27,9% em 2006 e 29,6% em 2010) e trato alimentar e metabolismo (25,5% em 2006 e 35,9% em 2010). Entreos medicamentos mais usados nos anos de 2006 e 2010 estão os analgésicos/anti-inflamatórios e vitaminas. Houve tendência a declínio da utilização de medicamentos potencialmente inapropriados entre 2006 (26,4%) e 2010 (18,1%). Oidoso foi o principal responsável pela indicação da automedicação em 2006 (65,2%) e 2010 (66,5%).

Conclusão:

A extensão da prática de automedicação nos idosos do SABE apresentou redução entre 2006 e 2010, porém o emprego de medicamentos que oferecem risco à saúde ainda foi relatado. Desse modo, os achados reforçam a importância de monitorar, avaliar e educar continuamente os idosos acerca dos riscos e benefícios do consumo de medicamentos, sobretudo daqueles isentos de prescrição.

Palavras-chave: Automedicação; Idoso; Uso de Medicamentos; Prescrição Inadequada; Farmacoepidemiologia; Estudos de coortes

INTRODUÇÃO

Em âmbito global, os países vivenciam um crescimento expressivo da população de idosos. Esse aspecto demográfico tem sido acompanhado pela larga utilização de medicamentos e pelos efeitos deletérios associados ao mau uso desses insumos1. O consumo de medicamentos nesse grupo etário constitui um problema de saúde pública cuja ocorrência apresenta, como pano de fundo, o aumento da prevalência de doenças crônicas e das sequelas que acompanham o envelhecimento; a medicalização presente na formação dos profissionais da saúde; a falta de continuidade na assistência ao idoso; a solução rápida para os problemas de saúde; o grande arsenal de medicamentos disponíveis no mercado, incluindo os isentos de prescrição; e a prática da automedicação2.

O termo “automedicação” é definido como a iniciativa do indivíduo ou de seu responsável de obter ou usar um produto que trará benefícios no tratamento de doenças ou alívio de sintomas sem a indicação de um prescritor, que pode ser o médico ou odontólogo3. A prática da automedicação pode ser decorrente do compartilhamento dos medicamentos com familiares, vizinhos ou amigos, da utilização das sobras de medicamentos provenientes de outras prescrições, da reutilização de antigas receitas, do prolongamento do tratamento medicamentoso indicado na receita, além da aquisição do produto sem prescrição médica4,5.

Apesar do consumo de medicamento não criterioso aparentemente apresentar mais risco ao idoso, o fenômeno da automedicação nesse grupo etário ainda é pouco explorado. Pesquisas conduzidas com idosos exibem dados diversificados no que tange à prevalência, que varia de 17,7 a 31,2% nos países desenvolvidos e de 8,9 a 80,5% naqueles em desenvolvimento4,6,7,8,9,10,11,12. Essas diferenças parecem estar mais relacionadas ao método (amostra, local do estudo, avaliação da automedicação, tipo de análise) do que ao evento da automedicação.

Tendo em vista que nenhum medicamento é 100% eficaz e totalmente seguro, a automedicação pode ser considerada uma prática potencialmente nociva à saúde e um problema associado aos medicamentos, sobretudo nos idosos. Desse modo, o uso indevido de medicação sem avaliação criteriosa do profissional habilitado pode ocasionar reações adversas, aparecimento de sintomas inespecíficos e piora da condição de saúde.

Nos países latino-americanos, o investimento em estratégias de monitoramento de práticas relativas ao uso de medicamentos tem sido limitado ao âmbito hospital13,14, havendo ainda pouca ênfase na situação da automedicação em idosos da comunidade.

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi examinar as tendências da prática de automedicação dos idosos do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE) entre 2006 e 2010.

MÉTODO

AMOSTRA E DESENHO DO ESTUDO

Esta investigação é parte do Estudo SABE15. A metodologia completa encontra-se no primeiro artigo deste suplemento. Nesta pesquisa, utilizaram-se as amostras de 2006 e 2010. Nestaúltima não foram considerados os idosos incluídos de 60 a 64 anos (coorte C), a fim de permitir comparações das mesmas populações participantes nos dois momentos, ou seja, os 1.413 idosos de 2006 e os 990 idosos do ano de 2010. Para a análise, levaram-se em conta, nos dois períodos, somente os idosos que usaram medicamentos. A Figura 1 ilustra o fluxograma da amostra.

Figura 1. Fluxograma da amostra. Estudo SABE, São Paulo (2006 e 2010). 

EXTRAÇÃO DOS DADOS

Os dados foram obtidos por meio de entrevistas domiciliares realizadas por entrevistadoras previamente treinadas15. Aplicou-se um questionário constituído de seções relativas às condições de vida e ao estado de saúde da pessoa idosa. As seguintes perguntas foram feitas para a obtenção de informações sobre a utilização de medicamentos:

  1. O(a) Sr.(a) poderia me mostrar os remédios que atualmente está usando ou tomando?;

  2. O(a) Sr.(a) poderia me dizer o nome dos remédios que está usando ou tomando?;

  3. Quem os receitou?

A variável dependente foi a prática de automedicação, considerada como o uso referido de, pelo menos, um medicamento sem prescrição do médico ou dentista, indicado pelo farmacêutico/balconista da farmácia, enfermeiro, pelo próprio idoso ou por outros.

Os medicamentos identificados nos questionários foram classificados segundo o Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) Classification System, adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

As variáveis independentes foram sociodemográficas: sexo; idade; escolaridade (em anos de estudo completos); renda per capita, considerada em salários-mínimos; e arranjo familiar; além das variáveis de estado de saúde: autopercepção da saúde (categorizada como muito boa/boa, regular e ruim/muito ruim), presença de doenças crônicas autorreferidas (hipertensão, diabetes, doença cardiovascular, doença cerebrovascular, osteoporose e doença osteoarticular, bem como o número total de doenças crônicas referidas) e sinais e sintomas autorreferidos; de medicamentos: quantidade e nome dos medicamentos; e de variáveis de uso e acesso a serviços: tipo de seguro-saúde e consulta médica nos últimos 12 meses.

O Estudo SABE foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Não há conflito de interesses.

ANÁLISE ESTATÍSTICA

As características dos idosos foram avaliadas segundo a prática de automedicação nos anos de 2006 e 2010. As diferenças entre os grupos foram estimadas pelos testes de Wald, da igualdade média, e de Rao-Scott, que consideram pesos amostrais para as estimativas de população com ponderações populacionais.

Realizaram-se as análises por intermédio do Stata® versão 11 (módulo ST), levando-se em conta os pesos amostrais e as inferências considerando o efeito de desenho.

RESULTADOS

Na tendência relativa à prática de automedicação, evidencia-se redução marcante entre 2006 e 2010. No ano de 2006, estimou-se a prevalência de 42,3% (n = 525), e, em 2010, de 18,2% (n = 172) de idosos que utilizaram pelo menos um medicamento sem prescrição.

O perfil dos idosos que praticaram automedicação encontra-se na Tabela 1. Em 2006, houve diferenças significativas em relação aos idosos que não utilizaram automedicação nas variáveis sexo, idade, escolaridade, plano de saúde, polifarmácia e doença pulmonar. Em 2010, observou-se diferença significativa no tocante ao grupo que usou somente medicamentos prescritos nas variáveis idade, polifarmácia, realização de consulta médica no último ano e sintomas de saúde (falta de ar, fadiga, vertigem, náuseas e vômitos persistentes), apesar das doenças crônicas não terem sido significativas para a prática de automedicação (Tabela 1). A média de medicamentos consumidos na modalidade de automedicação apresentou tendência à elevação: 4,2 no ano de 2006 e 6,1 em 2010.

Tabela 1. Distribuição proporcional dos idosos que praticaram automedicação segundo ano, variáveis sociodemográficas e condições de saúde. Estudo SABE, São Paulo (2006 e 2010). 

Variáveis sociodemográficas e de condições de saúde 2006 % (IC95%) 2010 % (IC95%)
Sexo*
Masculino 37,7 (31,5 - 44,4) 17,8 (12,9 - 24,2)
Feminino 45,0 (40,2 - 49,9) 18,5 (15,2 - 22,3)
Idade (anos)*#
60 a 74 44,0 (38,9 - 49,3) 15,8 (12,0 - 20,3)
75 ou mais 37,3 (31,7 - 43,2) 21,8 (17,5 - 26,8)
Escolaridade (anos)*
8 ou mais 34,7 (28,1 - 41,9) 18,2 (12,0 - 26,7)
4 a 7 39,5 (33,8 - 45,6) 18,0 (13,1 - 24,1)
1 a 3 46,6 (40,3 - 53,0) 17,6 (13,7 - 22,4)
Nenhum 47,5 (39,3 - 55,8) 19,8 (14,7 - 26,2)
Renda (SM)
Sem renda 37,4 (25,6 - 50,9) 15,6 (6,9 - 31,8)
Menor que um 44,2 (36,9 - 51,8) 15,9 (11,3 - 21,9)
1,0 a 2,99 45,3 (39,3 - 51,4) 17,5 (12,5 - 24,0)
3,0 a 4,99 40,2 (32,6 - 48,3) 14,9 (9,3 - 22,9)
5,0 ou mais 36,6 (28,1 - 46,0) 20,8 (12,8 - 32,1)
Arranjo familiar
Vive sozinho 43,2 (34,7 - 52,1) 19,4 (13,6 - 27,0)
Acompanhado 42,3 (37,7 - 46,9) 18,0 (14,5 - 22,0)
Plano de saúde*
Público 46,2 (40,6 - 51,8) 17,3 (13,4 - 22,1)
Privado 37,7 (32,7 - 43,1) 19,2 (15,2 - 23,9)
Consulta médica#
Não 50,8 (38,7 - 62,8) 27,0 (18,6 - 37,6)
Sim 41,7 (37,3 - 46,2) 17,3 (14,3 - 20,9)
Número de medicamentos*#
1 a 4 39,3 (33,9 - 45,0) 14,6 (10,5 - 19,9)
5 ou mais 48,4 (43,4 - 53,4) 21,5 (17,8 - 25,6)
Autopercepção de saúde
Muito boa/Boa 40,0 (33,8 - 46,7) 16,5 (12,5 - 21,5)
Regular 44,6 (38,9 - 50,3) 19,3 (15,7 - 23,4)
Ruim/Muito ruim 42,1 (33,0 - 51,8) 23,5 (14,0 - 36,6)
Número de doenças
Nenhuma 50,7 (40,0 - 61,3) 18,1 (10,6 - 29,2)
1 38,5 (31,4 - 46,1) 19,2 (13,4 - 26,8)
2 e mais 42,3 (37,4 - 47,4) 17,9 (14,4 - 21,9)
Hipertensão
Não 42,4 (36,3 - 48,8) 16,3 (11,6 - 22,5)
Sim 42,3 (37,3 - 47,3) 18,9 (15,4 - 23,0)
Diabetes
Não 42,8 (37,7 - 48,2) 18,5 (14,7 - 22,9)
Sim 41,2 (35,5 - 47,1) 17,5 (12,7 - 23,6)
Doença pulmonar*
Não 41,2 (36,6 - 46,0) 18,1 (14,9 - 21,8)
Sim 51,2 (42,3 - 59,9) 19,3 (11,5 - 30,6)
Doença cardíaca
Não 42,5 (37,3 - 47,8) 19,7 (15,7 - 24,4)
Sim 42,3 (35,2 - 49,7) 14,4 (10,0 - 20,3)
Doença cerebrovascular
Não 43,0 (38,7 - 47,4) 17,9 (14,7 - 21,6)
Sim 34,8 (24,5 - 46,7) 21,9 (13,8 - 32,8)
Doença osteoarticular
Não 42,7 (37,5 - 48,0) 16,8 (13,4 - 20,8)
Sim 41,8 (36,7 - 46,9) 20,5 (16,6 - 25,1)
Falta de ar#
Não 41,8 (37,4 - 46,3) 17,2 (13,9 - 21,1)
Sim 46,4 (36,9 - 56,1) 24,1 (18,6 - 30,7)
Vertigem ou tontura persistente#
Não 42,5 (37,8 - 47,3) 16,7 (13,4 - 20,6)
Sim 45,4 (36,8 - 54,4) 23,1 (17,9 - 29,3)
Fadiga ou cansaço grave#
Não 42,0 (36,8 - 47,3) 15,4 (12,3 - 19,2)
Sim 47,2 (38,5 - 56,0) 25,1 (19,8 - 31,2)
Náusea persistente ou vômito#
Não 41,4 (36,9 - 46,1) 17,7 (14,7 - 21,2)
Sim 52,7 (41,7 - 63,5) 27,5 (18,9 - 38,2)

*p < 0,05 em comparação ao grupo de idosos que não utilizava automedicação em 2006; #p < 0,05 em comparação ao grupo de idosos que não utilizava automedicação em 2010; SM: salário-mínimo.

Entre os idosos que relataram automedicação em 2006, 17,3% (n = 61) continuaram a relatar a prática em 2010. Do grupo que usava exclusivamente medicamentos prescritos, 83% (n = 381) dos participantes mantiveram-se consumindo apenas medicamentos prescritos em 2010 e 17% (n = 84) passaram a consumir pelo menos um medicamento não prescrito.

Nos anos de 2006 e 2010, foram identificados respectivamente 333 e 287 medicamentos distintos que pertenciam a 12 grupos da ATC. O Gráfico 1 ilustra esses medicamentos, segundo o sistema orgânico alvo (ATC - nível 1). O padrão relativo ao consumo destacado de medicamentos dos grupos de ação no trato alimentar e metabólico (Grupo A) e sistema nervoso (Grupo N) foi mantido nos anos analisados. Observa-se tendência de aumento de uso de tais medicamentos, incluindo também, os agentes que atuam nos sistemas geniturinário e dermatológico. Na maioria dos grupos da ATC (58,4%), verificou-se tendência de redução de consumo.

Gráfico 1. Distribuição dos medicamentos de acordo com grupos terapêuticos e o período. EstudoSABE, São Paulo (2006 e 2010). 

A Tabela 2 exibe que, nos anos de 2006 e de 2010, o padrão de uso dos medicamentos (nível 1) foi muito semelhante, destacando-se dipirona, polivitamínicos, diclofenaco e ácido acetilsalicílico (AAS). Na análise dos medicamentos, identificaram-se medicamentos potencialmente inapropriados (MPI), observando-se tendência de redução entre 2006 (26,4%) e 2010 (18,1%). Os MPI presentes nos dois períodos foram dexclorfeniramina, bisacodil, escopolamina, carisoprodol, diazepam, naproxeno, sulfato ferroso e piroxicam. Em 2006, outros MPI, como orfenadrina, ticlopidina, óleo mineral, difenidramina, cimetidina e estrogênios, foram usados na automedicação. No ano de 2010, o grupo de MPI foi menor e incluiu amitriptilina e clorpropamida. Entre os 20 medicamentos prevalentes nos períodos averiguados, verificou-se tendência de aumento entre os polivitamínicos, bisacodil, paracetamol e carisoprodol (Gráfico 2).

Tabela 2. Distribuição dos 20 medicamentos (Nível 5) mais consumidos no grupo da automedicação. Estudo SABE, São Paulo (2006 e 2010). 

Medicamento 2006 Total n = 333 2010 Total n = 287
Dipirona e combinações 54 (16,2%) 46 (16,0%)
Polivitamínicos 29 (8,7%) 32 (11,1%)
Diclofenaco 21 (6,3%) 17 (5,9%)
Dexclorfeniramina e combinações 18 (5,4%) 07 (2,4%)
Orfenadrina 18 (5,4%) -
AAS e combinações 17 (5,1%) 14 (4,9%)
Bisacodil 16 (4,8%) 25 (8,7%)
Ticlopidina 13 (3,9%) -
Paracetamol 12 (3,6%) 12 (4,2%)
Hidróxido de magnésio - 08 (2,8%)
Paracetamol + clorfenamina + fenilefrina - 06 (2,1%)
Simeticona 06 (1,8%) -
Supressores da tosse 06 (1,8%) -
Escopolamina 05 (1,5%) 03 (1,0%)
Antivertiginosos 04 (1,2%) -
Carisoprodol e combinações 04 (1,2%) 11 (3,8%)
Nimesulida - 05 (1,7%)
Cloropiramina e combinações - 04 (1,4%)
Omeprazol 04 (1,2%) 02 (0,7%)
Diazepam 02 (0,6%) 02 (0,7%)
Loperamida 02 (0,6%) 02 (0,7%)

Gráfico 2. Distribuição dos dez medicamentos mais consumidos em ambos os períodos analisados. Estudo SABE, São Paulo (2006 e 2010). 

O próprio idoso foi o principal responsável pela escolha do medicamento usado na automedicação nos anos de 2006 (65,2%) e 2010 (66,5%). A categoria outros, que incluiu vizinhos, amigos e parentes, ocupou o segundo lugar: 24,2% (2006) e 20,2% (2010).

DISCUSSÃO

O presente estudo mostra tendência de declínio da prática de automedicação entre idosos do SABE, nos anos de 2006 e 2010. As classes terapêuticas envolvidas nessa prática foram, predominantemente, os agentes de ação no trato alimentar e metabólico e sistema nervoso, destacando-se os polivitamínicos e analgésicos como dipirona e diclofenaco.

A automedicação, verificada em 42,3% dos idosos em 2006, foi muito próxima à encontrada em outros estudos, independentemente do país. Na Espanha e nos Estados Unidos, observou-se que a automedicação ocorreu em 46 e 50% dos idosos residentes em área urbana, nessa ordem16,17. No México, verificou-se a prevalência de 53,5% em idosos18.

O consumo de medicamentos isentos de prescrição (MIP), especialmente nos grandes centros, pode ser motivado por valores que predominam na sociedade moderna. Soluções imediatas para problemas de saúde, facilidade de acesso aos produtos de venda livre, propaganda irrestrita nos meios de comunicação e ausência de legislação brasileira, em 2006, que limitasse a aquisição de medicamentos podem ter contribuído, em parte, para essa prática19,20.

Nesta investigação, uma possível explanação para a redução no padrão de automedicação, no ano de 2010, pode ter sido a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 44/2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu a exposição de medicamentos em prateleiras de livre acesso em drogarias e farmácias. Desse modo, analgésicos como dipirona e paracetamol, que estiveram entre os dez mais consumidos, não ficavam tão próximos do consumidor, devendo permanecer do lado de dentro do balcão, fato que pode ter, de certa maneira, ajudado na diminuição da automedicação.

Nos períodos analisados, o padrão dessa prática variou de acordo com a idade. Em 2006, os idosos de 60 a 74 anos foram os principais praticantes da automedicação, em contraste com o ano de 2010, em que foram as pessoas com 75 anos ou mais.

A literatura é bastante divergente quanto à influência da idade na automedicação21,22, todavia esse achado, combinado ao fato de o próprio idoso ser o principal responsável pela indicação da automedicação, é sugestivo da busca pelo autocuidado a fim de estabelecer e manter a própria saúde. Um dos aspectos que favorece a automedicação é o fato de o idoso morar sozinho. Muitas vezes, ele é o único responsável pelo seu cuidado e, por vezes, se considera apto a selecionar o medicamento adequado para a solução dos problemas de saúde tidos como pequenos.

Nesses indivíduos, a busca por tratamento, principalmente de sintomas frequentes como dores, cansaço e má digestão, pode ser influenciada por experiências passadas, levando à utilização de receitas antigas, e pelos meios de comunicação. As propagandas constituem um estímulo à automedicação, pois as informações acerca dos medicamentos são incompletas, explorando o desconhecimento dos consumidores acerca das reações adversas dos medicamentos19.

Nesse contexto, o risco de problemas relativos à automedicação pode derivar de dois aspectos. Em primeiro lugar, por não ser acompanhado formalmente, o idoso desconhece sua condição clínica e a existência de alguma doença (potencial ou real). Sendo assim, seleciona o medicamento que julga apropriado. Em segundo, pode haver redução da acuidade visual, fazendo com que o idoso não compreenda a informação contida no rótulo do produto e apresente dificuldade na leitura da bula, podendo tomar o medicamento de modo equivocado. Estudo mostrou que 19% dos idosos que praticam automedicação com MIP têm dificuldade de entender a informação do rótulo e 12% não podem lê-lo16.

Aos moldes de estudos prévios 4,12,23, entre os responsáveis pela indicação da automedicação, destacou-se o item outros, que pode incluir familiares/amigos/vizinhos. Os fatores que parecem favorecer a participação de terceiros na decisão do indivíduo são convívio social, troca de experiências vividas e grau de dependência do idoso. Independentemente do envolvido na indicação da automedicação, o uso de medicamentos sem a devida avaliação clínica é um risco.

No ano de 2006, a prática da automedicação ocorreu em pessoas idosas com baixa escolaridade (nenhuma e um a três anos), achado condizente com outras pesquisas brasileiras12,23,24 e no México18. Idosos com baixa escolaridade podem ter subjacentes elementos como menor poder aquisitivo e menos acesso aos serviços de saúde, havendo dependência exclusiva do serviço público. A precariedade dos serviços públicos e o baixo poder aquisitivo dos idosos contrastam com a facilidade de obtenção de medicamentos, sem pagamento de consulta e sem prescrição médica. No SABE, semelhante ao Bambuí25, a busca pela automedicação pareceu substituir a atenção médica nos indivíduos de baixa escolaridade.

Nos anos de 2006 e 2010, a polifarmácia mostrou diferença significativa em relação ao grupo que usou somente medicamentos prescritos. Entre pessoas idosas, polifarmácia e automedicação são fenômenos que tendem a coexistir. O atendimento do idoso por vários prescritores, o tratamento inadequado gerado pela falta de seguimento sistematizado e a facilidade de acesso às farmácias são elementos que podem contribuir para o maior consumo de medicamentos. Na resolução de problemas frequentes como, dores articulares, má digestão e constipação, muitas vezes é mais cômodo recorrer à caixinha de remédios caseira e utilizar medicamentos disponíveis do que procurar por atendimento médico, sobretudo quando há dependência da ajuda de terceiros ou baixo poder aquisitivo. É frequente o idoso apresentar de duas a seis receitas médicas e automedicar-se com dois ou mais medicamentos26.

Na atualidade, polifarmácia e automedicação inapropriada são reconhecidas como problemas relacionados a medicamentos capazes de ocasionar desfechos negativos, como reações adversas, interações medicamentosas perigosas, erros de medicação e aumento da morbimortalidade do idoso2,27,28. Estudo demonstrou que, em casas de repouso, para cada dólar americano (US$) gasto com medicamentos, foi necessário US$ 1,33 para tratar os eventos adversos a medicamentos29. A automedicação, particularmente, pode mascarar sintomas ou doenças e atrasar o diagnóstico de enfermidades graves2,16,21.

Nos períodos analisados, as classes terapêuticas predominantes na automedicação foram as dos medicamentos com ação no sistema nervoso (Grupo N) e no trato alimentar e metabolismo (Grupo A), achado que se assemelha a outros estudos6,26, muitos deles pertencentes a classes terapêuticas que integram o rol dos MIP.

A alta prevalência de medicamentos do grupo N deve-se principalmente ao fato de os analgésicos como dipirona, AAS e paracetamol serem incluídos nesse grupo, segundo a classificação ATC. Esses agentes, por apresentarem ações farmacológicas abrangentes (redução da febre, alívio da dor e diminuição da inflamação), são úteis no tratamento de condições agudas e crônicas encontradas nos idosos30. De modo similar ao SABE, esses medicamentos foram os mais consumidos por idosos de áreas urbanas de diferentes países 8,10,18,20,23,30.

Em consonância com investigações conduzidas em diversos países, as vitaminas foram os medicamentos com ação no trato alimentar e metabolismo mais usados 20,22,26,30. No mundo todo, o consumo de vitaminas foi crescente, sobretudo nos anos 1970, com a crença popular de que esses produtos seriam capazes de proporcionar vida longa e saudável. Por isso, entre os idosos, o consumo de vitaminas, ainda hoje, é maior do que em outros estratos etários. Esse comportamento parece ser reforçado pela mídia e pelos próprios familiares. Todavia, como no tocante a qualquer outro medicamento, os efeitos não são inócuos à saúde, podendo seu uso indiscriminado acarretar intoxicação. Além disso, muitos idosos utilizam complexos vitamínicos que são formulados com dose fixa de princípio ativo. Issopode ser um problema, na medida em que as necessidades individuais de um determinado componente podem variar de acordo com a condição física de cada indivíduo. Assim, o uso desses complexos pode levar ao consumo de vitaminas desnecessárias e à ingestão insuficiente daquelas que são, de fato, essenciais.

A tendência da automedicação no que tange às classes terapêuticas mais consumidas foi muito semelhante nos anos de 2006 e 2010. No entanto, numa análise mais detalhada, verificou-se que houve tendência ao declínio do uso de MPI, conforme Fick etal.31. No ano de 2006, um em cada quatro medicamentos (26,4%) era inapropriado. Em 2010, o percentual foi de 18,1%. Apesar dessa redução, MPI como dexclorfeniramina, bisacodil, escopolamina, carisoprodol, diazepam, naproxeno, sulfato ferroso e piroxicam mantiveram-se presentes nos dois períodos. Uma possível explanação para esse padrão é a de que esses MPI tenham sido prescritos no passado, sobretudo aqueles que são controlados e dos quais tenha havido sobras.

Nesse tópico, particularmente, é importante ressaltar que aspectos mais técnicos relacionados aos medicamentos podem influenciar o consumo inapropriado. A comercialização de produtos em quantidades maiores do que as estabelecidas na prescrição médica faz com que, ao término do tratamento, haja sobra de medicamentos. Esse fato pode induzir à reutilização dos medicamentos em situações nas quais os sintomas parecem ser iguais, como é o caso de quadros alérgicos, constipação intestinal e cólicas abdominais.

CONCLUSÃO

No âmbito da farmacoepidemiologia geriátrica, este estudo traz importantes contribuições. Trata-se da primeira investigação que demonstra, por meio de uma investigação de base populacional, a redução da prática de automedicação no período de quatro anos, apesar da manutenção do consumo de classes terapêuticas que atuam no sistema nervoso e no trato alimentar e digestivo. Foram averiguadas duas coortes de idosos, e o instrumento empregado para avaliar a variável dependente foi o mesmo. A pergunta relativa à automedicação foi particularizada a cada medicamento referido pelo idoso, possibilitando identificar, no conjunto dos medicamentos informados, o que havia sido usado, de fato, na modalidade de interesse. Na análise dos medicamentos, identificaram-se também os MPI, segundo os critérios de Fick etal.31, aspecto que demonstra que é fundamental, por parte dos profissionais da saúde, a reavaliação periódica dos benefícios e riscos de todos os medicamentos utilizados pelo idoso.

O estudo apresenta limitações que devem ser consideradas quanto às implicações dos achados. Na automedicação, não foram analisadas as plantas medicinais ainda que sejam reconhecidos os problemas relacionados a elas. A coleta de dados não permitiu identificar o motivo que levou o idoso a se automedicar, a dose nem o tempo de uso do medicamento. Assim, medicamentos como a aspirina não puderam ser examinados quanto à indicação do uso (dependente da dose). No tocante ao responsável pela indicação do medicamento, a categoria outros não possibilitou identificar quem foi o responsável, limitando a comparação do SABE com outros estudos.

Por fim, apesar da tendência ao declínio da prática de automedicação entre idosos do SABE, entre os anos 2006 e 2010, os achados reforçam a importância de monitorar, avaliar e educar continuamente os idosos acerca dos riscos e benefícios do consumo de medicamentos, sobretudo daqueles isentos de prescrição.

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Fonte de financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processos n.º 2005/54947-2 e n.º 2009/53778-3.

Recebido: 02 de Julho de 2014; Revisado: 20 de Agosto de 2014; Aceito: 15 de Outubro de 2014

Autor correspondente: Silvia Regina Secoli. Avenida Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419, CEP: 05403-000, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: secolis@usp.br

Conflito de interesses: nada a declarar

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