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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.2 São Paulo  2018  Epub Feb 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180008.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Doenças cardiometabólicas

Sandra Roberta Gouvea FerreiraI 

Alexandre Dias Porto Chiavegatto FilhoI 

Maria Lúcia LebrãoI  *

Yeda Aparecida de Oliveira DuarteII 

Ruy LaurentiI 

IDepartamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIDepartamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

Doenças cardiometabólicas são prevalentes nas populações, estando entre as principais causas de morte. Objetivos: Este subestudo do Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (Sabe) descreve as prevalências autorreferidas de hipertensão, diabete mellitus (DM) e doença cardiovascular aterosclerótica (DCV) nas suas três ondas (2000, 2006 e 2010) e analisa a associação com fatores de risco selecionados.

Métodos:

Empregou-se regressão logística.

Resultados:

O predomínio de mulheres e a idade (68 anos) foram mantidos nas três ondas. No período, verificou-se tendência geral de aumento nas prevalências de hipertensão (53,1 a 66,7%), DM (16,7 a 25%) e DCV (23,0 a 27,2%) - estabilização da prevalência de DCV apenas de 2006 a 2010. Indivíduos do sexo feminino, com índice de massa corporal (IMC) > 27 kg/m2 e ex-fumantes tenderam consistentemente à maior probabilidade de hipertensão autorreferida ao longo das ondas. Apresentar IMC > 27 kg/m2 associou-se à maior probabilidade de referir DM nas três ondas, enquanto com ex-fumantes isso aconteceu apenas em 2010. Ter sido fumante também se associou à DCV nas ondas, mas não o excesso de peso. Averiguando-se pares de ondas para testar alterações nas prevalências, viu-se que em geral houve elevação significativa nos percentuais das doenças com o tempo.

Conclusão:

Em suma, DM, hipertensão e DCV autorreferidos ocorreram com elevadas prevalências nos participantes do Sabe em São Paulo. A associação de IMC elevado com doenças cardiometabólicas sugere que adiposidade corporal pode favorecê-las, embora esta análise não permita assegurar relação causa × efeito. É possível que o aumento dos percentuais de doentes da primeira para a terceira onda reflita melhora nas condições de diagnóstico e/ou no controle dessas doenças no período.

Palavras-chave: Diabetes mellitus; Hipertensão arterial; Doenças cardiovasculares; Envelhecimento; Prevalência; Fatores de risco

INTRODUÇÃO

À concepção do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (Sabe)1, no fim do séculoXX, os investigadores vislumbraram a crescente representação da faixa etária ≥ 60 anos nas pirâmides populacionais, bem como se preocuparam com o impacto desse fato na saúde de indivíduos e na economia de nações. Neste século, as três fases do Sabe vêm coletando informações relevantes sobre as condições de vida e saúde dos idosos da área urbana domunicípio de São Paulo. Dados de qualidade acumulados ao longo do tempo relativos a fatores de risco, morbidade e mortalidade são essenciais para o planejamento de ações de saúde. Nessesentido, as autoavaliações de saúde dos participantes da primeira fase do Sabe, em 2000, já mostravam a importância das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), coerente com as atuais preocupações de órgãos internacionais de saúde2. Entre elas, destacavam-se: hipertensão arterial, diabete mellitus (DM), doença cardiovascular aterosclerótica (DCV), acometimentos osteoarticulares e câncer1.

O envelhecimento das populações representa uma das mais relevantes razões para que DCNTs se transformassem em grande ameaça mundial à saúde. Estima-se que a população ≥ 60 anos residente na América Latina e no Caribe dobrará pelo menos uma vez no período de 1980 a 2025 e, em média, em mais da metade dos países, terá triplicado antes do ano 20253. O Global Burden of Disease Study (GBD) 2010 comprova que hoje doenças infecciosas e desnutrição afetam menos a saúde que há 20 anos e que as DCNTs se tornaram as líderes de mortalidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento4. A contribuição dos fatores de risco alterou-se consideravelmente, mudando o foco das doenças transmissíveis e da faixa infantil para as não transmissíveis nos adultos e idosos. Recentemente, os três maiores fatores de risco apontados foram a pressão arterial elevada, o tabagismo e a poluição do ar, seguidos de fatores dietéticos e da inatividade física5. Para todos esses fatores, há evidências consistentes de participação na gênese de doenças metabólicas, DCVs e câncer.

Entre as doenças metabólicas, o DM tipo 2 (DM2) destaca-se como problema de saúde pública não apenas em decorrência do número de indivíduos afetados, mas também pelo grave comprometimento da qualidade de vida diante das suas complicações e pelo ônus governamental ao sistema de saúde, particularmente em países da América Latina6,7. Alémdo envelhecimento populacional, o excesso de peso corporal oriundo de hábitos de vida inadequados tem contribuído para maior ocorrência de DM2. Esse mesmo cenário concorre ainda para elevar o risco de hipertensão arterial e, consequentemente, de DCVs.

A hipertensão acomete cerca de um quarto da população mundial, prevendo-se aumento de 60% no número de casos para 20258. No Brasil, embora heterogêneos quanto à metodologia, os estudos revelam frequências que variam entre 20 e 30%, aumentando com a idade e com a adiposidade corporal9,10. A DCV é responsável por pelo menos 30% das mortes mundiais11. Em 2009, cifra semelhante foi observada no Brasil12. Apesar de ter sido registrada queda nas taxas de mortalidade por eventos cardiovasculares, a falta de controle da obesidade e do DM tem limitado maiores reduções.

O câncer também se encontra na agenda da saúde pública de países desenvolvidos e em desenvolvimento13. A coleta sistematizada de dados nos registros de base populacional brasileiros tem viabilizado monitoramento ao longo do tempo, estimativas de incidência e investigações sobre determinantes de câncer14, porém casos autorreferidos não se prestam para tais finalidades, em virtude do acentuado sub-relato. O de próstata e o de mama feminina apresentam amplo predomínio sobre os demais nos respectivos sexos. Hábitos de vida não saudáveis, particularmente o tabagismo, aparecem como importantes fatores de risco para o câncer em geral.

Há muito a ser feito para melhorar a predição, a prevenção e o controle de DCNTs no nosso meio. Sua prevalência em países emergentes como o Brasil tende a agravar problemas socioeconômicos, dificultando a aplicação de recursos em saúde. É urgente a investigação de tendências de fatores e comportamentos de risco para dirigir estratégias de prevenção e controle. O Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), pelo seu objetivo e delineamento, tem trazido importantes contribuições nesse sentido15. No entanto o Sabe1, ante o cenário epidemiológico da atualidade, reúne informações valiosas sobre a faixa etária que mais cresce no Brasil.

Este sub-estudo enfocou as doenças cardiometabólicas - hipertensão arterial, DM e DCV-, buscando descrever as prevalências autorreferidas nas três ondas do estudo matriz realizadas no município de São Paulo. Secundariamente, analisou-se a associação dessas doenças com informações acerca de fatores de risco selecionados.

MATERIAL E MÉTODOS

Para este sub-estudo foram utilizados transversalmente os resultados das três ondas (2000, 2006 e 2010) do Sabe, realizado no município de São Paulo. O trabalho inicial, ocorrido em 2000, integrou uma análise multicêntrica de dados coletados em sete países, coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde1. De 2006 em diante, o estudo tornou-se longitudinal e sua última onda foi conduzida em 2010. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Este artigo é parte do Estudo SABE, cuja metodologia completa se encontra no primeiro artigo deste suplemento(1) .

Para o presente estudo, empregou-se como variáveis de desfecho a informação da presença de doenças crônicas, inferida pela seguinte questão: “Alguma vez um médico ou enfermeiro lhe disse que o(a) Sr.(a) tem [...]?”. Nesta análise, consideraram-se as três DCNTs mais frequentemente relatadas pelos entrevistados - hipertensão, DM e DCV -, denominadas em conjunto de cardiometabólicas. A DCV foi definida como o relato de evento circulatório em território coronariano (angina, infarto agudo do miocárdio ou insuficiência cardíaca) ou cerebral (acidente vascular cerebral) nos últimos 12 meses. De início, foram analisadas as prevalências de cada doença separadamente, para as três fases do Sabe. Comofatores explicativos, incluíram-se as variáveis sexo, idade, estado civil (categorizado em solteiro, casado/amasiado, separado/divorciado e viúvo), escolaridade (segundo número de anos completos de estudo), adiposidade corporal (conforme o índice de massa corpórea - IMC-, dicotomizado em IMC ≤ 27 e > 27 kg/m2)16 e tabagismo (categorizado em nunca fumou, já fumou e fumante).

Na análise descritiva das variáveis para as três ondas foram considerados os pesos amostrais do estudo, a fim de garantir representatividade da distribuição populacional. Nos modelos de regressão, que têm como objetivo identificar associações individuais, utilizaram-se os resultados sem ponderação17. Para a análise estatística, foram ajustados modelos de regressão logística separadamente para as três variáveis dependentes, incluindo como variáveis independentes as características socioeconômicas e os fatores de risco. Por fim, houve análises conjuntas de pares de ondas para identificar mudanças na presença das doenças ao longo do tempo. Por exemplo, para analisar a mudança estatisticamente significativa da presença de hipertensão em 2006 em relação a 2000, foram incluídas no modelo logístico todas as observações de 2000 e 2006, ­adicionando-se uma dummy de tempo às variáveis independentes do modelo. Todos os coeficientes dos modelos logísticos foram apresentados em termos de odds ratio (e intervalos com 95% de confiança) para facilitar a interpretação. As análises estatísticas foram realizadas com auxílio do software Stata® 13.

RESULTADOS

As amostras das três ondas do Sabe totalizaram 2.143 indivíduos no ano 2000 (coorteA), 1.413 em 2006 (coortes A e B) e 1.344 em 2010 (coortes A, B e C). A Tabela 1 descreve as variáveis de interesse em cada onda. No período de dez anos, verificou-se a tendência geral de aumento nas prevalências de hipertensão (de 53,1 a 66,7%), DM (de 16,7 a 25%) e DCV (de 23 a 27,2%), exceto pela estabilização da prevalência de DCV de 2006 a 2010. Em relação às características demográficas, não houve alteração na proporção entre sexos da amostra (predomínio de mulheres entre 59 e 60%), nem na média de idade (68 anos). Achou-se gradual aumento na proporção de indivíduos separados/divorciados e viúvos, no número de anos de estudo e na proporção de idosos com excesso de peso (IMC > 27 kg/m2), bem como queda do percentual de fumantes.

Tabela 1. Distribuição das características gerais e prevalências de doenças cardiometabólicas dos participantes das três ondas do estudo Sabe, residentes no município de São Paulo.  

2000 (%) 2006 (%) 2010 (%)
Sexo
Feminino 58,8 59,4 59,9
Masculino 41,2 40,6 40,1
Estado civil
Solteiro 4,9 4,3 3,5
Casado/Amasiado 57,1 57,4 54,8
Separado/Divorciado 8,6 7,7 10,1
Viúvo 29,5 30,7 31,7
Escolaridade (anos)
0 a 4 77,6 73,7 63,6
5 a 8 9,2 12,4 15,0
≥ 9 13,2 13,9 21,4
Tabagismo
Nunca fumou 52,1 52,0 51,0
Já fumou 32,0 34,0 37,1
Fuma atualmente 15,8 14,0 11,9
Índice de massa corporal
≤ 27 kg/m2 59,1 57,0 43,9
> 27 kg/m2 40,9 43,0 56,1
Doenças cardiometabólicas
Hipertensão arterial 53,1 62,7 66,7
Diabetes mellitus 16,7 21,1 25,0
Doença cardiovascular 23,0 27,7 27,2

A Tabela 2 apresenta os resultados do modelo logístico para fatores associados à hipertensão. As mulheres apresentaram maior probabilidade, estatisticamente significativa, de relatar hipertensão nas três ondas. Maior escolaridade aparentemente se associou a menor ocorrência de hipertensão, embora essa associação não tenha sido invariavelmente significativa para toda mudança de estrato. Indivíduos com IMC > 27 kg/m2 e ex-fumantes exibiram tendência consistente a ter maior probabilidade de hipertensão em todas as fases do estudo.

Tabela 2. Determinantes da presença de hipertensão arterial autorreferida para participantes das três ondas do estudo Sabe, residentes no município de São Paulo. 

2000 2006 2010
OR IC95% OR IC95% OR IC95%
Sexo 1,14 1,07 - 1,20 1,11 1,04 - 1,18 1,12 1,05 - 1,19
Idade 1,00 1,00 - 1,00 1,00 1,00 - 1,01 1,01 1,00 - 1,01
Estado civil
Casado 1,01 0,91 - 1,13 1,05 0,92 - 1,19 1,04 0,91 - 1,20
Separado/divorciado 0,89 0,77 - 1,01 0,94 0,80 - 1,09 0,92 0,79 - 1,08
Viúvo 1,02 0,91 - 1,14 1,03 0,90 - 1,17 1,01 0,87 - 1,16
Escolaridade (anos)
5 a 8 0,91 0,83 - 0,98 0,94 0,87 - 1,02 1,03 0,95 - 1,11
≥9 0,94 0,88 - 1,02 0,93 0,86 - 1,01 0,95 0,89 - 1,02
IMC
≥27 kg/m2 1,17 1,11 - 1,22 1,15 1,09 - 1,21 1,18 1,12 - 1,25
Tabagismo
Já fumou 1,08 1,02 - 1,14 1,08 1,02 - 1,15 1,06 1,00 - 1,13
Fuma atualmente 1,03 0,95 - 1,10 0,93 0,85 - 1,01 0,99 0,90 - 1,08

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Na Tabela 3, observam-se os resultados dos modelos que incluíram DM autorreferido como variável resposta. Verifica-se que, nesse caso, ter IMC > 27 kg/m2 foi o único fator de risco consistentemente vinculado a maior probabilidade de referir DM nas três ondas. Serex-fumante associou-se de maneira significativa à presença dessa doença apenas em 2010.

Tabela 3. Determinantes da presença de diabete mellitus autorreferido para participantes das três ondas do estudo Sabe, residentes no município de São Paulo. 

2000 2006 2010
OR IC95% OR IC95% OR IC95%
Sexo 1,03 0,98 - 1,07 1,02 0,96 - 1,07 1,04 0,98 - 1,11
Idade 1,00 1,00 - 1,00 1,00 1,00 - 1,00 1,00 1,00 - 1,00
Estado civil
Casado 1,04 0,96 - 1,13 1,08 0,96 - 1,20 1,09 0,95 - 1,24
Separado/divorciado 0,98 0,88 - 1,08 1,03 0,90 - 1,18 1,02 0,88 - 1,19
Viúvo 1,04 0,95 - 1,13 1,08 0,97 - 1,21 1,10 0,96 - 1,26
Escolaridade (anos)
5 a 8 0,99 0,93 - 1,06 0,98 0,91 - 1,05 1,02 0,95 - 1,10
≥ 9 0,99 0,93 - 1,05 0,94 0,88 - 1,01 1,00 0,93 - 1,07
IMC
≥ 27 kg/m2 1,05 1,02 - 1,09 1,05 1,00 - 1,10 1,09 1,03 - 1,15
Tabagismo
Já fumou 1,02 0,97 - 1,06 1,00 0,95 - 1,05 1,06 1,00 - 1,12
Fuma atualmente 0,96 0,91 - 1,01 0,98 0,91 - 1,06 0,93 0,85 - 1,01

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

A Tabela 4 contém os resultados relativos às associações com DCV. Ser ex-fumante esteve interligado ao relato de DCV nas três ondas. Ao contrário das outras duas doenças, o excesso de peso não se associou à DCV em nenhuma das ondas.

Tabela 4. Determinantes da presença de doença cardiovascular autorreferida para participantes das três ondas do estudo Sabe, residentes no município de São Paulo. 

2000 2006 2010
OR IC95% OR IC95% OR IC95%
Sexo 1,00 0,95 - 1,05 0,96 0,90 - 1,02 1,02 0,96 - 1,09
Idade 1,01 1,00 - 1,01 1,01 1,00 - 1,01 1,01 1,00 - 1,01
Estado civil
Casado 1,01 0,92 - 1,11 1,11 0,98 - 1,26 0,97 0,84 - 1,11
Separado/divorciado 0,94 0,84 - 1,05 1,02 0,88 - 1,19 0,95 0,81 - 1,11
Viúvo 1,01 0,92 - 1,12 1,09 0,96 - 1,23 0,92 0,80 - 1,06
Escolaridade (anos)
5 a 8 0,98 0,91 - 1,05 1,01 0,94 - 1,10 0,93 0,86 - 1,00
≥ 9 1,02 0,96 - 1,09 1,01 0,94 - 1,09 0,95 0,89 - 1,02
IMC
≥27 kg/m2 1,00 0,96 - 1,05 1,03 0,98 - 1,09 1,04 0,99 - 1,10
Tabagismo
Já fumou 1,06 1,01 - 1,12 1,09 1,03 - 1,15 1,05 0,99 - 1,11
Fuma atualmente 1,02 0,96 - 1,08 1,01 0,92 - 1,09 0,96 0,88 - 1,05

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Como o aumento das prevalências ao longo das três ondas do Sabe (Tabela 1) poderia decorrer de alterações na distribuição de fatores de risco, foi realizada análise de pares de ondas para testar a significância do tempo per se no comportamento crescente das prevalências. A Tabela 5 exibe os resultados da análise das diferenças na prevalência das três doenças cardiometabólicas ao longo das ondas. Constata-se que, após controlar para as possíveis variáveis de confundimento disponíveis, em geral há aumento significante nos percentuais das doenças à medida que o tempo passa, sendo exceções o comportamento da hipertensão e a DCV de 2006 para 2010.

Tabela 5. Análise de diferença significante* da presença de hipertensão arterial, diabete mellitus e doença cardiovascular entre pares de ondas do estudo Sabe, residentes no município de São Paulo. 

2006 em relação a 2000 2010 em relação a 2006 2010 em relação a 2000
OR IC95% OR IC95% OR IC95%
Hipertensão 1,11 1,07 - 1,15 1,03 0,99 - 1,07 1,14 1,10 - 1,18
Diabetes 1,04 1,01 - 1,07 1,05 1,01 - 1,08 1,08 1,05 - 1,12
Cardiovascular 1,06 1,03 - 1,09 1,00 0,96 - 1,03 1,06 1,03 - 1,09

*Resultados apresentados após controlar pelas variáveis dos modelos anteriores (sexo, idade, estado civil, escolaridade, IMC e tabagismo); OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

DISCUSSÃO

Os achados das ondas do Sabe, relativos a idosos que residem na região mais desenvolvida do Brasil, são valiosos não apenas por retratar as principais DCNTs, mas pelo fato de permitir especular sobre o impacto dos avanços terapêuticos ocorridos no século XXI. Condições mórbidas envolvidas na aterogênese, que elevam o risco de morte de origem cardiovascular, foram incluídas nesta análise (hipertensão arterial, DM e DCV), ­destacando-se como as de maior prevalência nas amostras.

Da primeira à terceira onda do Sabe, houve manutenção da média da idade da amostra e predomínio do sexo feminino. Embora os participantes difiram parcialmente de uma fase para outra, as prevalências autorreferidas de doenças cardiometabólicas foram inicialmente confrontadas sem ajuste. Por se tratar de habitantes da zona urbana de uma grande metrópole, expostos a ambiente obesogênico, estressante e poluído, havia prévia expectativa de que as frequências pudessem ter aumentado. De fato, de 2000 a 2010, confirmou-se elevação das prevalências de hipertensão, DM e DCV, mesmo após ajustes para diversas variáveis. Tal observação pode ter sido decorrente de alguma melhoria no diagnóstico precoce e no tratamento das doenças no período. Corroboram para tanto os resultados referidos quanto à adesão a dietas, a medicamentos específicos e ao controle dos parâmetros clínicos periodicamente monitorados (dados não mostrados). De fato, o Ministério da Saúde, diante da epidemia de DCNT, tem tomado medidas de combate a esse cenário, tendo lançado o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas no Brasil 2011-202218, cujas metas são coerentes com as adotadas em termos globais19.

Estudo multicêntrico sobre prevalência de DM (censo) realizado em nove capitais brasileiras e no Distrito Federal no fim dos anos 1980 revelou que 7,6% dos indivíduos entre 30 e 69 anos apresentavam a doença, e isso está aumentando consideravelmente com a idade20. São Paulo foi a capital com as maiores taxas. Os dados foram coletados em duas etapas, com amostras probabilísticas, sendo a primeira baseada em questionários e a segunda em teste laboratorial. Apesar de disponíveis estudos de prevalência mais recentes, eles não têm abrangência nacional, servindo para mostrar a tendência crescente de DM em adultos de cidades paulistas, atingindo cifras entre 12,1 e 13,5%21,22. O percentual de indivíduos afetados na faixa etária 60-69 anos do censo (17,4%) difere pouco dos achados do Sabe em sua primeira onda (16,7%), cuja amostra indicava média de idade mais avançada. Alguma divergência era esperada considerando-se diferenças metodológicas entre as pesquisas. Informações sobre DM autorreferido foram disponibilizadas no censo, demonstrando que quase a metade dos indivíduos diabéticos desconhecia ser portadora da doença. Dessa forma, as prevalências do censo de DM, conduzido em 1988, e do Sabe, em 2000, passam a ser bem parecidas, até mesmo pelo fato de não diferirem entre os sexos.

O caráter em ondas do nosso estudo permitiu a comparação com publicações mais recentes. No Inquérito de Saúde de São Paulo capital de 2003, 17,9% de 872 idosos não institucionalizados disseram ser diabéticos23, cifra intermediária entre a primeira e a segunda onda do Sabe (21,1% em 2006).

DM2 e hipertensão encontram-se com frequência associadas, e ambas à obesidade24,25. Especialmente o acúmulo de gordura intra-abdominal gera inflamação e resistência à insulina, que predispõem a distúrbio do metabolismo da glicose e elevação da pressão arterial26,27. Nossos achados sobre DM e hipertensão podem também ser confrontados com os do Vigitel, por este se tratar de um sistema de vigilância no qual informações sobre doenças e fatores de risco são relatadas por telefone, apesar da ampla faixa etária lá investigada14,28.

Levando-se em consideração apenas os indivíduos ≥ 65 anos, 18,6% afirmaram ser diabéticos15. No que se refere à hipertensão, a proporção de adultos hipertensos autorreferidos no Vigitel9, de 23%, não está muito aquém das taxas (entre 25 e 30%) reportadas em outros estudos nacionais em que a pressão arterial foi aferida10. É possível que o grau de desconhecimento da população sobre essa doença seja bem menor do que acerca de DM, em decorrência da maior facilidade diagnóstica. As cifras de hipertensão nas ondas do Sabe (53,1%, 62,7% e 66,7%) foram bem superiores aos valores ora mencionados. Porém, atentando-se à estratificação por faixa etária no Vigitel, nota-se que entre 55 e 64 anos 48,1% dos entrevistados contaram ser hipertensos (mulheres 38,4% [IC95% 36,3 - 40,5] e homens 55,7% [IC95% 53,8 - 57,6]), subindo para 57,7% naqueles com ≥ 65 anos (mulheres 51,7 [IC95% 49,4 - 54,0] e homens 61,5% [IC95% 59,7 - 63,3]). Dessa forma, os resultados sobre hipertensão do Sabe são de grande valia para reforçar a gravidade desse problema de saúde pública na população idosa brasileira. Chamam a atenção, ainda, para o comportamento crescente do número de hipertensos, de alto risco para os eventos cardiovasculares. O sexo feminino mostrou-se associado à hipertensão nas análises transversais das ondas do Sabe, sendo necessária análise longitudinal de sobrevida para melhor investigar essa associação em indivíduos com idade avançada.

Nosso estudo reforçou a reconhecida associação de DM e de hipertensão com excesso de peso corporal em todas as suas fases. Embora haja controvérsias quanto ao valor de corte adequado para identificar risco de morbidade e mortalidade em idosos29, optou-se, para fins do presente trabalho,17 estratificar seu IMC em 27 kg/m2. O papel do ganho de adiposidade com risco de DM foi documentado na coorte das enfermeiras30, da mesma maneira que o Physicians’ Health Study apontou o IMC como principal fator de risco para hipertensão em homens eutróficos e com sobrepeso31.

Apesar da transversalidade desta análise, evidência consistente obtida em estudos longitudinais permite sugerir que intervenções para controle da gordura corporal (particularmente baseada em dieta e atividade física) têm potencial para melhorar esse crítico cenário identificado no Sabe ao atingir a senilidade. Algumas iniciativas locais para mudar o estilo de vida são relatadas no nosso meio32,33, mas tais mudanças sustentadas em adultos continuam a ser importantes desafios da saúde pública34. Também desejável seria melhorar o acesso de brasileiros à educação, o que se reverte em saúde e qualidade de vida. Durante os dez anos do Sabe, a representação do estrato de escolaridade mais baixa (0 - 4 anos) é bastante elevada, no entanto a boa notícia é que ela parece ter caído ao longo do tempo. Em2000, ter estudado entre cinco e oito anos se associou à menor prevalência de hipertensão, porém, em anos subsequentes, escolaridade mais longa não se mostrou significativamente ligada às doenças aqui investigadas.

Com impacto menor que a obesidade, dieta não saudável e inatividade física como fatores de risco para o DM2, contudo de elevado impacto para DCV e câncer, destaca-se o fumo35,36. Apesar de iniciativas por profissionais da saúde e pelo governo contra o uso de tabaco, continua a ser importante determinante evitável de DCNTs e morte prematura, especialmente nos países em desenvolvimento. No Sabe, esse hábito foi averiguado por meio de questionário, à semelhança de vários estudos destinados à avaliação de intervenções37. Interessante notar que em ex-fumantes foram detectadas associações significativas com hipertensão e DCV. Éprovável que esse resultado esteja relacionado ao fato de indivíduos cessarem o tabagismo ao receberem o diagnóstico de DCNT. De fato, em paralelo ao aumento nas prevalências das doenças cardiometabólicas no Sabe, observaram-se queda no percentual de fumantes e aumento no de ex-fumantes. Campanhas antitabaco em âmbito nacional, medidas fiscais para elevar o preço de cigarros e proibição de fumo em ambiente públicos podem ter contribuído para esse comportamento38.

A prevalência de DCV aumentou gradual e significativamente nas ondas do Sabe, em paralelo à das demais doenças examinadas mesmo após uma série de ajustes (Tabela 5). Essecomportamento da prevalência de DCV era esperado, uma vez que elevação da glicemia e da pressão arterial é um fator de risco cardiovascular consagrado. Considerando-se que não houve mudança da média da idade, é razoável especular que nesses dez anos pode ter havido melhora do diagnóstico e controle da DCV e/ou de fatores de risco.

Este trabalho traz mais uma importante contribuição do Sabe para o conhecimento sobre condições de saúde do idoso no município de São Paulo. A seleção e o tamanho da amostra, a padronização na coleta e a periodicidade são algumas das suas qualidades. Porém a presente pesquisa, enfocando as doenças cardiometabólicas, deixou de incluir os distúrbios do perfil lipídico, dados não disponíveis no estudo matriz. Outra limitação se refere ao fato de ter sido uma análise transversal, desconsiderando a composição distinta da amostra em cada uma das três fases do Sabe e a mortalidade, objeto de investigação de outro subestudo do grupo.

CONCLUSÃO

Em conclusão, DM, hipertensão arterial e DCV autorreferidos ocorreram com elevadas prevalências nos participantes do Sabe residentes no município de São Paulo. A associação de IMC elevado com essas doenças cardiometabólicas nos idosos integrantes da pesquisa sugere que adiposidade corporal pode ter favorecido tais doenças, embora a natureza desta análise não permita assegurar relação causa × efeito. É possível que o aumento dos percentuais de portadores das doenças, ajustados para diversas variáveis, da primeira para a terceira fase do estudo, reflita melhora nas condições de diagnóstico e/ou de controle dessas doenças ao longo do tempo. Uma análise de acompanhamento longitudinal é necessária para comprovar essa hipótese.

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Fonte de financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) n. 09/53778-3.

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Recebido: 19 de Agosto de 2014; Revisado: 11 de Setembro de 2014; Aceito: 15 de Outubro de 2014

Autor correspondente: Sandra Roberta Gouvea Ferreira. Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública, Departamento de Epidemiologia. Avenida Doutor Arnaldo, 715, andar térreo, CEP: 01246-904, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: sandrafv@usp.br

*in memoriam

Conflito de interesses: nada a declarar

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