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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.21  supl.2 São Paulo  2018  Epub Feb 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720180012.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Perfil de saúde bucal de idosos não institucionalizados e sua associaçãocom autoavaliação da saúde bucal

Fabíola Bof de AndradeI 

Doralice Severo da Cruz TeixeiraII 

Paulo FrazãoII 

Yeda Aparecida Oliveira DuarteIII 

Maria Lúcia LebrãoIV  *

José Leopoldo Ferreira AntunesIV 

ICentro de Pesquisas René Rachou, Fundação Oswaldo Cruz - Minas Gerais (MG), Brasil.

IIDepartamento de Prática de Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IIIEscola de Enfermagem, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IVDepartamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

O uso de prótese e a perda dentária em idosos estão associados a impactos significativos na saúde geral e na qualidade de vida. A avaliação contínua do perfil de saúde bucal dessa população é importante para o planejamento das ações e políticas da área.

Objetivo:

Foram objetivos deste trabalho avaliar a prevalência de perda dentária e uso de próteses entre idosos em diferentes períodos, verificar as características sociodemográficas associadas à dentição funcional (mais de 20 dentes) e avaliar o impacto do uso de prótese e da perda dentária na autoavaliação da saúde bucal.

Métodos:

A amostra foi composta por pessoas de 60 anos ou mais, participantes do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE). A avaliação da prevalência de perda dental e uso de próteses foi feita a partir da comparação dos dados coletados nos anos de 2000, 2006 e 2010. As análises dos fatores associados à dentição funcional e autoavaliação de saúde bucal foram realizadas com base nos dados coletados no ano de 2010. A comparação do perfil de saúde bucal ao longo dos três períodos foi feita por meio de análises descritivas e comparação de intervalos de confiança. Realizou-se análise de regressão logística múltipla para avaliar os fatores associados à dentição funcional e à autoavaliação da saúde bucal.

Resultados:

A prevalência de perda dental e uso de próteses se manteve constante ao longo dos três anos analisados. A dentição funcional foi significativamente associada à escolaridade, sexo e cor/gênero. Idosos com necessidade de próteses e bolsa periodontal apresentaram mais chances de autoavaliação ruim.

Conclusão:

Não houve redução da prevalência de perda dentária e uso de próteses ao longo de dez anos na população estudada. A dentição funcional está associada a desigualdades sociodemográficas. A autoavaliação de saúde bucal está associada à necessidade de próteses.

Palavras-chave: Perda de dente; Saúde bucal; Envelhecimento; Epidemiologia; Desigualdades em saúde; Inquéritos epidemiológicos

INTRODUÇÃO

A prevenção e o controle das doenças e agravos relacionados à saúde bucal são importantes para a manutenção da saúde geral e qualidade de vida. O uso de prótese e a perda dentária em idosos têm sido associados à saúde geral1 e à qualidade de vida1,2. As sequelas ligadas às doenças bucais estão entre as 50 mais comuns observadas a partir do estudo sobre a Carga Global das Doenças e o edentulismo ocupa o 36º lugar, atingindo cerca de 2% da população mundial3. Essa condição foi classificada em 79º lugar entre as causas de Anos de Vida Perdidos-Ajustados por Incapacidade (do inglês: Disability-Adjusted Life Years - DALY)4, apesar da redução observada entre 1990 e 2010. Dentre as condições bucais, foi a principal causa de anos de vida perdidos entre pessoas a partir de 60 anos5.

As evidências mostram que há uma redução da prevalência de perda dental entre os idosos6 e, consequentemente, do uso de próteses em todo o mundo. No entanto, o número de dentes perdidos continua sendo um dos principais comprometimentos relacionados à saúde bucal desses indivíduos7,8. Na população brasileira, apenas 11,5% dos idosos apresentam uma dentição funcional9, caracterizada pela presença de 21 ou mais dentes10. Na última Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, verificou-se um CPO-D (número de dentes cariados, perdidos e obturados) médio de 27 entre brasileiros de 65 a 74 anos, sendo o componente “perdido” responsável por aproximadamente 92% do índice8. Além disso, a comparação entre os dois últimos levantamentos demostrou que não houve redução do percentual de dentes perdidos entre os estudos8,9,10,11. O elevado percentual de uso de próteses entre os idosos reflete a magnitude das perdas dentais e do edentulismo nas idades mais avançadas8. No entanto, apesar do elevado comprometimento dental, os estudos mostram que a autopercepção de saúde bucal entre os idosos é classificada como boa pela maioria dos indivíduos, sendo necessário elucidar o papel do uso e da necessidade de prótese12,13,14.

A avaliação contínua do perfil de saúde bucal dessa população é necessária para o planejamento, as intervenções adequadas e a avaliação do efeito final dos programas de saúde bucal para toda população15. Entretanto, os levantamentos de saúde bucal realizados no Brasil têm produzido informações apenas para a faixa etária de 65 a 74 anos, deixando uma lacuna sobre o perfil de saúde bucal relativa aos grupos etários abaixo de 65 anos e acima de 74 anos de idade.

Ante o exposto, o presente trabalho foi realizado com os seguintes objetivos: avaliar a prevalência de perda dental e o uso de próteses em uma amostra representativa de idosos não institucionalizados do município de São Paulo, em diferentes períodos com intervalos de cinco anos; verificar as características socioeconômicas e demográficas associadas à dentição funcional; e avaliar o impacto do uso de prótese e da perda dental na autoavaliação da saúde bucal.

MÉTODOS

Realizou-se um estudo transversal com base nos dados do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE). O Estudo SABE foi iniciado, no Brasil, no ano de 2000 e incluiu uma amostra representativa de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, residentes na área urbana do município de São Paulo. Em 2006 e 2010, foram feitas a segunda e a terceira ondas do estudo, e novas coortes de pessoas de 60 a 64 anos foram iniciadas para manter a representatividade desses indivíduos na amostra nos respectivos anos. Osparticipantes responderam a um questionário estruturado e foram submetidos a um exame clínico realizado por cirurgiões dentistas treinados e calibrados de acordo com a metodologia padronizada16. Informações detalhadas do estudo estão disponíveis em outras publicações17,18.

USO DE PRÓTESE E PERDA DENTAL

A análise do perfil de saúde bucal foi feita com base nos dados coletados nos anos de 2000, 2006 e 2010. Em 2000, apenas o autorrelato do número de dentes perdidos e do uso de próteses foram avaliados. O autorrelato do uso de próteses foi avaliado pela pergunta: “Osenhor usa ponte, dentadura ou dentes postiços?”, adaptada conforme o gênero da pessoa entrevistada, com duas possíveis respostas (sim e não). O autorrelato da perda dental foi avaliado por: “Faltam-lhe alguns dentes?”, com quatro opções de respostas recategorizadas em: 0 a 15 (não/uns poucos [até 4]/sim bastante [mais de 4 e menos da metade]) e 16 dentes ou mais (sim, a maioria [a metade ou mais]).

As medidas autorrelatadas em 2000 foram comparadas com a perda dental e o uso de próteses avaliados clinicamente em 2006 e 2010. O uso de próteses foi avaliado para a maxila e a mandíbula de acordo com quatro categorias (não, prótese fixa/removível, prótese total, prótese fixa/removível e total), que foram recategorizadas como sim e não. O número de dentes perdidos foi agrupado de acordo com as mesmas categorias avaliadas no autorrelato. Em 2006 e 2010, foi comparado o número de dentes (edêntulo; 1 a 10; 11 a 20; 21 ou mais dentes) e o tempo decorrido desde a última consulta odontológica.

DESFECHOS

A investigação dos fatores associados à dentição funcional (presença de 21 ou mais dentes)10 e à autoavaliação de saúde bucal foi realizada com os dados de 2010.

A autoavaliação da saúde bucal foi avaliada pela pergunta, adaptada conforme o gênero: “Como o senhor classifica a sua saúde bucal?”, com cinco opções de resposta (muito boa, boa, regular, ruim e muito ruim) recategorizadas em muito boa/boa e regular/ruim/muito ruim14.

VARIÁVEIS INDEPENDENTES

Além do uso de próteses, as seguintes variáveis foram utilizadas para investigar os fatores associados à autoavaliação da saúde bucal, em 2010: medidas clínicas de saúde bucal (número de dentes [0 a 20 dentes; 21 dentes ou mais]10, necessidade de prótese dental [não, sim], bolsa periodontal ≥ 4 mm [sim, não], perda de inserção periodontal ≥4mm [não, sim], necessidade de tratamento dental [não, sim], presença de cárie- cora ou raiz - [não, sim]); uso de serviços odontológicos (tempo desde a última consulta odontológica [≤ 2 anos (< 1 ano/1 a 2 anos) e 3 anos ou mais (3 anos ou mais/nunca foi)]; motivo da última consulta odontológica (urgência, tratamento, manutenção); saúde geral (número de doenças autorreferidas [0 a 1 doença, 2 doenças ou mais]- hipertensão arterial, diabetes, doença pulmonar crônica, doença cardíaca, doença osteoarticular, AVC - , depressão [sim, não]19,20, autoavaliação de saúde [boa, ruim]); sociodemográficas (idade [60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 anos ou mais], sexo [masculino, feminino], escolaridade [0 a 3 anos, 4 a 7 anos, 8 anos ou mais], relação conjugal [sim, não], autorrelato de suficiência de renda para despesas básicas [sim, não], cor/raça [branco, pardo/mulato/moreno, preto, outros]).

As variáveis independentes utilizadas para a avaliação dos fatores associados à dentição funcional foram: sociodemográficas (idade [60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 anos ou mais], sexo [masculino, feminino], escolaridade [0 a 3 anos, 4 a 7 anos, 8 anos ou mais], relação conjugal [sim, não], autorrelato de suficiência de renda para despesas básicas [sim, não], cor/raça [branco, pardo/mulato/moreno, preto, outros]); uso de serviços odontológicos (tempo desde a última consulta odontológica [≤ 2 anos (< 1 ano/1 a 2 anos) e 3 anos ou mais (3 anos ou mais/nunca foi)]; saúde geral (número de doenças autorreferidas [0 a 1 doença, 2 doenças ou mais], fumo [sim, não]).

ANÁLISE ESTATÍSTICA

O perfil de saúde bucal, no tocante à perda dental e ao uso de próteses nos anos de 2000, 2006 e 2010, foi avaliado por meio de análise descritiva, utilizando-se medidas de frequência e comparação dos intervalos de confiança de 95% entre os períodos.

A avaliação dos fatores associados à autoavaliação da saúde bucal e à perda dental em 2010 foi feita por meio de modelos de Regressão Logística Múltipla. As variáveis foram incluídas no modelo múltiplo iniciando-se com as variáveis sociodemográficas seguidas pelas medidas de saúde bucal. A análise foi feita com o programa Stata 13.0, utilizando-se o comando survey, que permite considerar a estrutura complexa da amostra, inclusive com a atribuição de pesos amostrais. Novos pesos amostrais foram calculados a cada onda, permitindo, assim, a manutenção da representatividade das amostras.

CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

O projeto SABE foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP). Todos os participantes selecionados receberam informações detalhadas sobre os objetivos da pesquisa, a garantia do anonimato, a forma de publicação das informações, e o retorno que o estudo poderá proporcionar. Nomomento da entrevista, pesquisadores e participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

Em 2000, 2006 e 2010, foram analisados os dados de 2.143; 1.394 e 1.242 idosos, respectivamente. Devido à falta de dados completos para algumas variáveis, a avaliação dos fatores associados à perda dental foi realizada com 1.078 casos e as análises relacionadas à autoavaliação da saúde bucal foram realizadas com 1.082 casos.

PERDA DENTAL E USO DE PRÓTESES (COMPARAÇÃO ENTRE OS ANOS DE 2000, 2006 E 2010)

Observou-se que a maioria dos idosos apresentava 16 dentes perdidos ou mais e usavam próteses. A partir da comparação entre os três anos, verificou-se uma redução no percentual do número de dentes perdidos e no uso de prótese, porém essas reduções não foram significativas entre os anos (Tabela 1).

Tabela 1. Distribuição das condições de saúde bucal dos idosos nos anos de 2000, 2006 e 2010.  

Fatores 2000* 2006 2010
Perda dental (dentes)
0 a 15 21,2 (18,0 - 24,7) 21,4 (18,0 - 25,3) 26,7 (22,9 - 30,9)
16 ou mais 78,8 (75,3 - 82,0) 78,6 (74,7 - 82.0) 73,3 (69,1 - 77,1)
Uso de prótese
Não 19,3 (17,0 - 21,9) 20,7 (17,7 - 24,0) 24,6 (21,7 - 27,7)
Sim 80,7 (78,1 - 83,0) 79,3 (76,0 - 82,3) 75,4 (72,3 - 78,3)
Uso de prótese **
Não 20,7 (17,7 - 24,0) 24,6 (21,7 - 27,7)
Prótese fixa/removível 16,9 (14,1 - 20,1) 19,0 (15,7 - 22,7)
Prótese total 52,3 (49,0 - 55,7) 46,1 (41,7 - 50,7)
Prótese fixa/removível e total 10,1 (8,3 - 12,3) 10,3 (8,5 - 12,4)
Número de dentes **
Edêntulo 44,5 (40,6 - 48,5) 38,2 (34,0 - 42,6)
1 a 10 25,4 (22,8 - 28,1) 24,8 (22,1 - 27,8)
11 a 20 16,6 (14,4 - 19,1) 19,6 (17,0 - 22,5)
21 ou mais 13,5 (10,8 - 16,7) 17,3 (14,2 - 21,0)
Última consulta odontológica **
< 1 ano 30,5 (27,4 - 33,7) 35,0 (31,4 - 38,9)
1 a 2 anos 20,1 (18,1 - 22,3) 21,1 (18,7 - 23,7)
3 anos ou mais 48,0 (44,7 - 51,4) 42,8 (39,1 - 46,5)
Nunca foi 1,4 (0,8 - 2,6) 1,1 (0,6 - 1,9)

*Autorrelato; **Dado não disponível em 2000. Fonte: Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), São Paulo.

A perda dental e o uso de prótese de acordo com diferentes faixas etárias podem ser avaliados a partir da Tabela 2. A comparação entre as faixas etárias nos três anos demostrou que, apesar de haver uma redução do percentual de dentes perdidos e do uso de próteses em cada faixa, houve, anualmente, sobreposição dos intervalos de confiança, levando a uma redução não significativa. Entretanto, a partir da análise intra-ano observou-se que a perda dental aumentou significativamente com a idade. Com relação ao uso de próteses, não foi observada diferença entre os grupos em 2000; mas nos anos 2006 e 2010 o uso de próteses é maior com o aumento da idade.

Tabela 2. Distribuição das condições de saúde bucal dos idosos de acordo com faixas etárias (2000, 2006 e 2010). 

2000 2006 2010
Idade 60 a 64 anos 65 a 74 anos 75 ou mais anos 60 a 64 anos 65 a 74 anos 75 ou mais anos 60 a 64 anos 65 a 74 anos 75 ou mais anos
Fatores
Perda dental (dentes)
0 a 15 32,1 (26,3 - 38,5) 19,7 (16,5 - 23,4) 8,3 (6,3 - 10,7) 32,0 (25,9 - 38,7) 20,7 (16,2 - 26,1) 9,8 (7,1 - 13,3) 39,0 (31,4 - 47,1) 27,1 (22,6 - 32,1) 12,2 (9,0 - 16,3)
16 ou mais 67,9 (61,5 - 73,7) 80,3 (76,6 - 83,5) 91,7 (89,3 - 93,7) 68,0 (61,3 - 74,1) 79,3 (73,9 - 83,8) 90,2 (86,7 - 92,9) 61,0 (52,9 - 68,6) 72,9 (67,9 - 77,4) 87,8 (83,7 - 91,0)
Uso de prótese
Não 21,6 (16,9 - 27,3) 17,5 (14,5 - 20,9) 19,7 (16,0 - 24,0) 30,8 (25,7 - 36,4) 16,2 (12,3 - 21,2) 16,7 (13,5 - 20,4) 29,2 (23,8 - 35,3) 25,4 (20,8 - 30,7) 18,0 (14,8 - 21,8)*
Sim 78,4 (72,7 - 83,1) 82,5 (79,1 - 85,5) 80,3 (76,0 - 84,0) 69,2 (63,6 - 74,3) 83,8 (78,8 - 87,7) 83,3 (79,6 - 86,5) 70,8 (64,7 - 76,2) 74,6 (69,3 - 79,2) 82,0 (78,2 - 85,2)
Uso de prótese ** ** **
Não 30,8 (25,7 - 36,4]) 16,2 (12,3 - 21,2) 16,7 (13,5-20.4) 29,2 (23,8 - 35,3) 25,4 (20,8 - 30,7) 18,0 (14,8 - 21,8)
Prótese fixa/removível 17,6 (12,6 - 23,9) 18,5 (14,5 - 23,2) 12,9 (9,4 - 17,5) 24,7 (18,6 - 32,2) 19,7 (15,1 - 25,2) 11,3 (8,0 - 15,8)
Prótese total 44,2 (38,9 - 49,8) 53,1 (47,7 - 58,4) 61,0 (56,0 - 65,7) 36,6 (28,5 - 45,6) 43,6 (38,4 - 48,9) 60,8 (55,1 - 66,3)
Prótese fixa/removível e total 7,4 (4,8 - 11,2) 12,2 (9,1 - 16,1) 9,4 (7,2 - 12,3) 9,4 (6,6 - 13,3) 11,3 (8,4 - 15,0) 9,9 (6,9 - 13,9)
Número de dentes ** ** **
Edêntulo 30,2 (24,5 - 36,6) 44,6 (39,4 - 49,9) 62,3 (57,0 - 67,2) 23,6 (17,5 - 31,1) 36,3 (30,1 - 42,9) 57,9 (52,5 - 63,2)
1 a 10 28,7 (23,8 - 34,3) 25,3 (21,5 - 29,5) 21,3 (18,2 - 24,8) 25,8 (22,2 - 29,9) 25,8 (20,6 - 31,9) 22,2 (18,2 - 26,8)
11 a 20 18,7 (15,6 - 22,3) 18,3 (14,8 - 22,4) 10,9 (8,6 - 13,8) 24,2 (18,6 - 30,8) 21,1 (17,3 - 25,4) 12,1 (9,0 - 16,1)
21 ou mais 22,3 (17,4 - 28,2) 11,8 (8,3 - 16,6) 5,5 (3,6 - 8,4) 26,3 (19,7 - 34,2) 16,8 (12,9 - 21,7) 7,7 (5,2 - 11,4)

p < 0,001; p < 0;0001; *p < 0,05; **Dado não disponível em 2000. Fonte: Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), São Paulo.

DENTIÇÃO FUNCIONAL EM 2010

A Tabela 3 apresenta as características da população estudada em 2010 e o modelo de regressão logística múltiplo para os fatores associados à dentição funcional. Verificou-se que 18,6% (IC95% 15,3 - 22,5) dos idosos apresentavam dentição funcional. A maioria dos idosos era do sexo feminino, da cor branca e relatou suficiência de renda para as despesas básicas.

Tabela 3. Distribuição das variáveis de estudo e modelo de regressão logística múltipla para a presença de dentição funcional. 

Amostra Dentição funcional
% (IC95%) Bruto OR (IC95%) Ajustado OR (IC95%)
Sexo
Mulher 59,9 (56,8 - 63,0) 1 1
Homem 40,1 (37,0 - 43,2) 2,05 (1,34 - 3,12)** 1,89 (1,19 - 3,02)**
Idade (anos)
60 a 64 34,0 (25,9 - 43,1) 1 1
65 a 74 42,0 (34,8 - 49,6) 0,56 (0,33 - 0,94)** 0,68 (0,42 - 1,10)
75 ou mais 24,0 (18,7 - 30,2) 0,27 (0,15 - 0,48)*** 0,34 (0,19 - 0,60)***
Escolaridade (anos)
0 a 3 32,9 (28,3 - 37,9) 1 1
4 a 7 39,1 (35,6 - 42,7) 1,28 (0,76 - 2,13) 0,93 (0,53 - 1,64)
8 ou mais 28,0 (22,8 - 33,8) 6,70 (4,28 - 10,51)*** 3,86 (2,60 - 5,73)***
Relação conjugal
Sem relação 43,5 (39,5 - 47,6) 1 1
Com relação 56,5 (52,4 - 60,5) 1,84 (1,28 - 2,64)** 1,33 (0,89 - 1,98)
Suficiência de renda
Não 42,7 (38,6 - 46,9) 1 1
Sim 57,3 (53,1 - 61,4) 1,54 (1,07 - 2,20)* 0,97 (0,67 - 1,40)
Cor/raça
Branco 58,6 (54,1 - 62,9) 1 1
Pardo/mulato/moreno 29,6 (25,1 - 34,5) 0,50 (0,33 - 0,77)** 0,55 (0,33 - 0,91)*
Preto 6,3 (4,7 - 8,4) 0,25 (0,10 - 0,66)** 0,35 (0,13 - 0,95)*
Outros 5,5 (3,9 - 7,8) 1,14 (0,51 - 2,52) 0,92 (0,42 - 2,02)
Número de doenças
0 a 1 49,4 (46,0 - 52,8) 1 1
2 ou mais 50,6 (47,2 - 54,0) 0,58 (0,41 - 0,83)** 0,68 (0,48 - 0,96)*
Fumo
Não 87,6 (84,8 - 89,9) 1 1
Sim 12,4 (10,1 - 15,2) 0,59 (0,35 - 0,99)* 0,44 (0,25 - 0,75)**
Última consulta odontológica (anos)
≤2 57,6 (53,7 - 61,4) 1 1
3 ou mais 42,4 (38,6 - 46,3) 0,30 (0,18 - 0,49)*** 0,45 (0,27 - 0,74)**

n = 1.078, representando 1.122.194 idosos; valor p do modelo < 0,0001; *p < 0,05; **p < 0,001; ***p < 0,0001; IC95%: intervalo de confiança de 95%. Fonte: Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), São Paulo, 2010.

A chance de dentição funcional foi maior entre os homens e entre os mais escolarizados. Idosos com 75 anos ou mais apresentaram menos chances de dentição funcional quando comparados com aqueles de 60 a 64 anos. As pessoas que se autodeclararam “pretas” e “mulatas/morenas/pardas” tiveram, respectivamente, 65 e 45% menos chances de ter uma dentição funcional.

AUTOAVALIAÇÃO DE SAÚDE BUCAL EM 2010

No tocante à autoavaliação da saúde bucal, na análise bivariada, foi significativamente associada a uma medida sociodemográfica (suficiência de renda), a três medidas de saúde geral (número de doenças, depressão e autoavaliação de saúde) e a todas as medidas de saúde bucal, com exceção da dentição funcional.

A partir do modelo de regressão logística final, verificou-se que pessoas com 80 anos ou mais e com relação conjugal apresentaram significativamente menos chances de autoavaliação de saúde bucal ruim. A chance de autoavaliação “ruim” foi maior nos idosos com duas ou mais doenças, com necessidade de próteses, presença de bolsa periodontal e dentre aqueles cuja última consulta odontológica ocorreu há três anos ou mais (Tabela 4).

Tabela 4. Modelo de regressão logística final para a autoavaliação da saúde bucal ruim dos idosos do município de São Paulo, 2010. 

Bruto OR (IC95%) Ajustado OR (IC95%)
Sexo
Masculino 1,16 (0,84 - 1,60) 1,23 (0,85 - 1,79)
Idade (referência 60 a 69 anos)
70 a 79 0,82 (0,57 - 1,17) 0,89 (0,59 - 1,33)
80 ou mais 0,62 (0,44 - 0,89)* 0,60 (0,39 - 0,91)*
Suficiência de renda
Sim 0,62 (0,46 - 0,84)** 0,79 (0,56 - 1,10)
Relação conjugal
Sim 0,77 (0,58 - 1,03) 0,67 (0,48 - 0,94)*
Depressão
Sim 1,91 (1,32 - 2,76)** 1,50 (0,97 - 2,30)
Autoavaliação de saúde
Boa
Ruim 1,71 (1,30 - 2,26)*** 1,50 (1,09 - 2,08)*
Número de doenças (referência 0 a 1 doença)
2 doenças ou mais 1,50 (1,13 - 1,99)** 1,38 (0,99 - 1,92)
Necessidade de prótese
Sim 2,52 (1,99 - 3,21)*** 1,82 (1,36 - 2,44)***
Necessidade de tratamento
Sim 2,25 (1,68 - 3,02)*** 1,43 (1,00 - 2,04)
Bolsa > 4 mm
Sim 2,42 (1,85 - 3,17)*** 2,46 (1,77 - 3,44)***
Dentição funcional (referência 0 a 20 dentes)
21 dentes ou mais 0,89 (0,58-1,36) 0,71 (0,45-1,12)
Última consulta odontológica (referência ≤ 2 anos)
3 anos ou mais 1,46 (1,04-2,06)* 1,52 (1,04-2,22)*

n = 1.082, representando 1.125.713 pessoas; valor p modelo < 0,0001. *p < 0,05; **p < 0,001; ***p < 0,0001; IC95%: intervalo de confiança de 95%. Fonte: Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), São Paulo.

DISCUSSÃO

O principal resultado deste estudo é a manutenção da prevalência de perda dental e uso de prótese ao longo de dez anos entre os idosos não institucionalizados na cidade de São Paulo. Além disso, a prevalência de idosos com dentição funcional é baixa, sendo superior à taxa observada para a população brasileira9 e inferior às taxas em países desenvolvidos21,22. Necessidade de prótese e presença de bolsa periodontal são fatores significativamente associados à autoavaliação da saúde bucal ruim.

As divergências entre as formas de categorização da perda dental utilizadas nos diferentes estudos dificultam a comparação entre os mesmos. No entanto, diferindo do observado em alguns países desenvolvidos23,24,25, a estabilidade das taxas de prevalência de perda dental entre os idosos da maior cidade brasileira reproduz o que foi observado para a população do país na primeira década do século XXI26.

Essa estabilidade da taxa poderia ser atribuída ao curto intervalo de tempo de observação, uma vez que grande proporção dos idosos analisados pertence a gerações que, quando jovens, não foram expostas às mudanças socioeconômicas e às políticas de prevenção e tratamento que atravessaram o país nas últimas décadas, e que têm produzido importante efeito entre os adultos brasileiros27. A relevância do efeito coorte na melhoria das condições de saúde bucal tem sido destacada na literatura26,27,28. De acordo com Slade etal.28, o maior determinante da queda na prevalência de edentulismo nos Estados Unidos foi a passagem de gerações nascidas antes da década de 1940, cuja incidência de edentulismo (5 a 6% por década de idade) superou as taxas das coortes mais novas (1 a 3% por década de idade). No Brasil, a redução do edentulismo como efeito da introdução de novas coortes é prevista para a década de 205026.

O efeito coorte não pode ser confirmado por meio das análises aqui empregadas; no entanto, a existência do mesmo pode ser sugerida a partir da comparação das perdas dentais entre as coortes de 60 a 64 anos (em relação aos idosos da mesma faixa etária, nos diferentes anos de estudo), que demonstra uma redução absoluta aproximada de sete pontos percentuais na prevalência de perda dental na geração mais nova (avaliada em 2010), quando comparada com as outras coortes. Para o edentulismo, a comparação entre as pessoas de 60 a 64 anos, em 2006 e 2010, mostra uma redução absoluta de 6,6 pontos e um aumento de 4,0 pontos na prevalência de dentição funcional. Com relação às próteses totais, conforme observado por outros autores23, os efeitos da redução da perda dental também se refletem na redução do uso de próteses totais e no aumento do uso de próteses fixas ou removíveis.

No tocante aos fatores associados à dentição funcional, após o ajuste por medidas de saúde geral e uso de serviços odontológicos, a presença de dentição funcional permaneceu significativamente associada às medidas socioeconômicas e demográficas, confirmando a presença de iniquidades observadas por outros estudos21,24,25,29. Independente da medida utilizada, número de dentes perdidos, edentulismo ou dentição funcional, a chance desse desfecho tem sido significativamente maior entre os indivíduos menos escolarizados21,26,29, sendo possível afirmar que há um gradiente social na perda dentária24.

Quanto à associação com a cor/raça e o gênero, verificou-se a existência de resultados conflitantes. Na população brasileira de 65 a 74 anos, a cor da pele e o gênero perderam a significância na associação com o edentulismo quando ajustadas por variáveis socioeconômicas26. Kida etal.30 verificaram que mulheres da Tanzânia apresentaram significativamente mais chances de perdas dentais do que os homens. Wu etal.25 constataram que negros estadunidenses apresentaram menos chances de edentulismo, porém maior número de dentes perdidos. No mesmo estudo, não houve associação entre gênero e edentulismo, mas as mulheres apresentaram menor número de dentes perdidos ao longo do tempo.

A perda dentária reflete não somente a história das doenças bucais nos indivíduos, mas também o comportamento e a atitude de pacientes e dentistas, a oferta e o acesso aos serviços odontológicos, e a filosofia do cuidado odontológico24. Alguns pesquisadores têm considerado o edentulismo um fenômeno social. Entre os aspectos apontados, o modo pelo qual cada formação social aceita e encoraja a extração dentária como um evento inevitável e as diretrizes que orientam a forma como os serviços odontológicos são organizados constituem determinantes importantes31,32.Dessa forma, o edentulismo adquirido em idades jovens estaria relacionado às questões culturais e à limitação na oferta de tratamento disponível, afetando por igual grupos populacionais segundo cor da pele e gênero. A dentição funcional, seria um desfecho mais sensível às diferenças socioeconômicas entre os grupos populacionais as quais terminam por condicionar a utilização de serviços de saúde. Com relação ao gênero, a maior perda dental entre mulheres pode ser atribuída à hipótese de que elas utilizam mais os serviços odontológicos, estando, portanto, mais propensas ao sobretratamento26,30.

Além das condições sociodemográficas, a dentição funcional mostrou-se associada ao fumo e ao uso de serviços odontológicos. Não fumar e ter feito uso recente de serviços odontológicos pode refletir maiores cuidados com a saúde, o que explicaria o melhor resultado de saúde bucal entre idosos não fumantes e aqueles cuja última consulta odontológica foi há dois anos ou menos. Outros estudos relataram a associação entre o fumo e a perda dental21,33,34,35, sendo a destruição dos tecidos de suporte dental - causada pelo consumo de tabaco - apontada como uma das vias pela qual o fumo poderia se associar à perda dental34. Com relação à autoavaliação de saúde bucal, após ajustes por medidas sociodemográficas, saúde geral e bucal, verificou-se que idosos com necessidade de prótese e presença de bolsa periodontal apresentaram mais chances de autoavaliação da saúde bucal ruim, mostrando a importância de serviços públicos odontológicos que assegurem tratamento odontológico e provimento de prótese dental para essa população. Conforme observado por outros autores, destaca-se também que não foi verificada associação entre esse desfecho e a dentição funcional12,13,36 e o uso de próteses12,13. Esses achados indicam que a boa avaliação de saúde bucal pode ser alcançada na presença de dentição funcional ou no uso de próteses, uma vez que a necessidade de próteses relacionada à autoavaliação ruim representa a ausência dessas condições.

Dentre os pontos fortes deste estudo, vale destacar a utilização de dados provenientes de uma amostra representativa de idosos não institucionalizados residentes na maior cidade da América do Sul, cuja proporção de idosos é bastante significativa. Dentre as limitações, aponta-se a utilização do autorrelato das condições dentais no primeiro ano do estudo, o que pode ter gerado algum viés na estimativa. Porém, diferentes estudos têm demonstrado a validade do autorrelato do número de dentes37,38,39 e do uso de próteses37,40 para a utilização em estudos epidemiológicos. Outra limitação deste estudo se refere à impossibilidade de estabelecer relações causais entre os desfechos e as covariáveis estudadas, dado o desenho transversal do estudo.

CONCLUSÃO

Com base no exposto, pode-se concluir que nos três levantamentos realizados as prevalências de perda dental e de uso de próteses foram elevadas e se mantiveram constantes. Apartir da avaliação dos dados do estudo realizado em 2010, pode-se confirmar a existência de iniquidades sociais no tocante à dentição funcional, sendo que a necessidade de prótese e a presença de bolsa periodontal foram associadas à autoavaliação da saúde bucal. Essesresultados reforçam a importância do planejamento de serviços de saúde bucal ao longo da vida, continuamente avaliados, com a perspectiva de modificar para as futuras gerações o perfil desfavorável de saúde bucal apresentado pelos idosos incluídos neste estudo.

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Fonte de financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, processos 1999/05125-7, 2005/54947-2 e 2010/00883-1.

Recebido: 10 de Novembro de 2014; Aceito: 23 de Março de 2015

Autor correspondente: Fabíola Bof de Andrade. Avenida Augusto de Lima, 1.715, Barro Preto, CEP: 30190-002, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: fabiola.andrade@cpqrr.fiocruz.br

*in memoriam

Conflito de interesses: nada a declarar

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