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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.22  São Paulo  2019  Epub Mar 14, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720190006 

ARTIGO ORIGINAL

Perfil da judicialização do Método Therasuit e seu custo direto no âmbito do Estado do Rio de Janeiro

Dominique Souza de MoraesI 
http://orcid.org/0000-0002-6298-9198

Roberta da Silva TeixeiraII 
http://orcid.org/0000-0002-7830-3533

Marisa da Silva SantosII 
http://orcid.org/0000-0002-2174-6800

ITribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

IIInstituto Nacional de Cardiologia - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

RESUMO:

Introdução:

O Método Therasuit possui alto custo e não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, o que tem ocasionado a judicialização desse tratamento. O estudo visou traçar o perfil dessa judicialização, bem como estimar os custos diretos decorrentes do cumprimento das decisões judiciais deferidas.

Método:

Foram analisados processos submetidos ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entre janeiro de 2013 e janeiro de 2017, no qual foi solicitado o Método Therasuit. Os dados demográficos, clínicos, advocatícios e jurídicos foram extraídos, assim como o tempo da decisão judicial e os orçamentos da tecnologia requerida.

Resultados:

O total de 11 processos foi analisado. Os autores tinham uma média de idade de 6,8 anos e mediana de 6, sendo a maioria do sexo masculino e residentes na capital do estado. A quadriparesia foi a condição mais relatada. A gratuidade de justiça foi solicitada por todos, e a Defensoria Pública foi utilizada em 9 dos 11 processos analisados. Foram consideradas as decisões judiciais em primeira instância. O tempo da decisão judicial foi em média de 266,5 dias com uma mediana de 35,5. Em todos houve requerimento da ferramenta jurídica tutela antecipada. O índice de deferimento foi de 90%, totalizando um custo direto anual de R$501.894,09.

Discussão:

A judicialização desse tratamento pode ocasionar um deslocamento não previsto de verba pública, podendo impactar nos princípios da equidade e na integralidade do Sistema Único de Saúde.

Conclusão:

Constatou-se elevada taxa de processos deferidos, acarretando um alto custo despendido pelo Poder Público para atender a uma pequena parcela de pacientes.

Palavras-chave: da saúde; Direito à saúde; Avaliação da tecnologia biomédica; Equipamentos e provisões; Paralisia cerebral

INTRODUÇÃO

A paralisia cerebral (PC), também conceituada como encefalopatia crônica não progressiva da infância (ECNPI)1, compreende um grupo heterogêneo de síndromes clínicas permanentes, não progressivas, que se caracterizam por disfunções motoras e posturais2,3. Suaterapêutica é focada na maximização da qualidade de vida por intermédio da melhoria das atividades de vida diária, incluindo auxílio por parte dos pais e cuidadores2,3.

Para tal finalidade, as abordagens do tratamento podem seguir diversas vertentes fundamentadas na necessidade individual e no grau de acometimento de cada paciente. Asintervenções podem compreender a fisioterapia, a utilização de órteses e, em determinadas situações, a cirurgia corretiva2,3.

O dispositivo Therasuit ® , empregado no tratamento com o Método Therasuit e pertencente ao Programa Intensivo de Fisioterapia (PIF), tem sido adotado com o intuito de prover a melhoria da capacidade funcional e dos déficits motores4,5. É constituído de uma veste (suit) em até seis tamanhos, que conta com diversos elásticos conectados em partes distintas ao corpo do paciente com variadas tensões e dimensões4,5. Fabricado exclusivamente nos Estados Unidos, o equipamento configura-se como a única tecnologia com essa funcionalidade registrada no Food and Drug Administration(FDA)6, tendo também registro no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)7. Alémdisso, o Método Therasuit (incluindo o dispositivo - suit) não foi, até o momento, submetido à avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec)8.

Contudo, ressalta-se que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece outros tipos de tratamento aos pacientes neurológicos, incluindo os que apresentam paralisia cerebral, conforme consulta à Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais (SIGTAP), da qual consta: “atendimento fisioterapêutico em pacientes com distúrbios neuro-cinetico-funcionais com e sem complicações sistêmicas”, além de “atendimento fisioterapêutico nas desordens do sistema neuromotor”9.Tais atendimentos são realizados das unidades de saúde que integram a Rede de Reabilitação Física do Estado do Rio de Janeiro10.

Assim, tendo em vista que o referido Método não se encontra padronizado pelo SUS, pacientes têm optado pela tentativa de garantir essa modalidade de tratamento por via judicial no âmbito do estado do Rio de Janeiro. Por conseguinte, esse comportamento de judicialização da saúde por meio do cumprimento das determinações judiciais proferidas, segundo alguns autores, pode resultar em uma sobrecarga dos cofres públicos11,12.

Diante desse cenário, é possível perceber a relevância da busca pela informação acerca de custos no que se refere a que recursos e como estes são consumidos13, com os objetivos de fundamentar ações e evitar investimentos desnecessários, que desconsideram a lógica de assistência da rede de cuidados, entre outras questões atualmente apresentadas pelo sistema de saúde brasileiro14. As informações sobre custo tornam-se ainda mais relevantes, haja vista que desempenham um significativo papel no auxílio à tomada de decisões por parte dos atores da administração pública15.

Isso posto, o estudo visou traçar o perfil da judicialização de tratamentos de PC com o Método Therasuit, no âmbito do estado do Rio de Janeiro, por meio da análise dos processos judiciais submetidos ao Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJERJ). Secundariamente, objetivou estimar os custos diretos decorrentes do cumprimento das decisões judiciais favoráveis aos pedidos dos autores dessas ações.

MÉTODO

A presente pesquisa é um estudo descritivo, no qual foram incluídos os processos submetidos ao NAT do TJERJ no período de janeiro de 2013 a janeiro de 2017, em que houve requerimento de tratamento com o Método Therasuit para crianças (< 12 anos) e adolescentes (≥ 12 e < 18 anos)16 com PC.

Os respectivos dados sobre o perfil da judicialização do tratamento Therasuit foram retirados dos processos e dispostos em um formulário preenchendo os seguintes campos:

  • Dados demográficos: sexo, idade e município de residência (retirados da inicial do processo).

  • Dados clínicos: Classificação Internacional de Doenças (CID-10), bem como o quadro clínico apresentado pelo autor em decorrência do acometimento pela PC.

  • Dados advocatícios: se houve alegação de hipossuficiência econômica e pedido de gratuidade de justiça (por meio de declaração escrita para que o autor seja isentado de custas relativas ao processo judicial em razão de comprovantes de ausência de meios econômicos próprios e suficientes para o provimento de despesas do processo), se houve busca por auxílio de defensoria pública ou de advogados particulares, se foi requerida a tutela antecipada e o embasamento jurídico, bem como justificativas dos autores para fundamentar o pleito das ações.

  • Dados jurídicos: se o NAT indicou o tratamento pleiteado, se sugeriu tratamento alternativo padronizado pelo SUS (retirados dos pareceres técnicos emitidos), se o juiz acatou ou não o parecer do NAT e se deferiu ou não o tratamento pleiteado (retirados da decisão judicial).

Foram consideradas as decisões judiciais em primeira instância, bem como verificado o tempo dessas decisões (apontado em número de dias). Os dados acerca do custo direto do tratamento com o Método Therasuit foram estimados em moeda nacional - real(R$) -, a partir da média dos preços coletados.

A coleta dos valores do tratamento com Método Therasuit foi realizada mediante consulta aos orçamentos das instituições anexados aos processos, uma vez que seriam os locais nos quais os autores realizariam o tratamento em caso de deferimento pelo juiz da ação.

Tendo em vista que os orçamentos anexados aos processos foram concedidos em períodos distintos, ou seja, em meses e anos diferentes, os valores foram anualizados e corrigidos para o ano-base de 2017 (até o mês de julho) conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A escolha do referido índice se justifica pelo fato de se tratar de um indicador utilizado pelo governo federal brasileiro para aferição das metas inflacionárias17.

Ressalta-se que a apresentação do perfil da amostra se delimitou à estatística descritiva. As características da judicialização estão retratadas em tabelas e os resultados foram ponderados utilizando medidas de frequência absoluta e relativa. Para as variáveis contínuas, foram estimados a média e mediana, por meio da utilização do pacote estatístico R, de livre uso.

O estudo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia e por ele aprovado.

RESULTADOS

A busca identificou 11 processos submetidos ao NAT do TJERJ, que tiveram seus dados analisados.

A idade dos autores variou entre 2 e 15 anos, com média de 6,8 e mediana de 6 anos. Nosprocessos, a maioria era do sexo masculino (82%) e residentes na cidade do Rio de Janeiro (55%).

As CID-10 foram informadas em 73% dos processos analisados e englobaram PC, hidrocefalia congênita, epilepsia, transtornos globais de desenvolvimento e retardo mental. Osquadros clínicos foram descritos na mesma frequência, sendo a condição clínica quadriparesia espástica a mais relatada (4/11).

Os dados demográficos e clínicos dos processos encontram-se dispostos na Tabela 1.

Tabela 1. Dados demográficos e clínicos dos processos. 

Idade (anos) Sexo Município de origem CID-10 Quadro clínico
6 M Rio de Janeiro G80.0 NI
6 M Campos dos Goytacazes F84, G80.2, Q03, G40.5 Hemiparesia, atraso motor
10 M Rio de Janeiro G80.3 Atraso motor
3 M Rio de Janeiro G80, G40 NI
5 M Rio de Janeiro F70.0, G40.0 Quadriparesia espástica
15 M Rio de Janeiro NI Quadriparesia espástica, atetose
5 F Rio de Janeiro G80.1 Diplegia espástica
8 M Campos dos Goytacazes NI Quadriparesia espástica, retardo mental
4 M Campos dos Goytacazes NI Quadriparesia espástica
11 M Niterói G80.0 Quadriplegia espástica
2 F Cardoso Moreira G80.2 Hemiparesia à esquerda

CID-10: Classificação Internacional de Doenças; M: Masculino; F: Feminino; NI: Não informado.

A Tabela 2 sumariza os dados advocatícios, jurídicos e o tempo da decisão judicial em primeira instância do presente estudo.

Tabela 2. Dados advocatícios, jurídicos e tempo da decisaão judicial em primeira instância dos processos. 

Gratuidade de justiça Representação jurídica Embasamento jurídico dos autores* Sugestão de tratamento alternativo Decisão judicial Tempo da decisão judicial (em dias)
Sim DP 5, 6 e 196 da CF/88 Sim Deferido 53
Sim DP 196,197,198 da CF/88; 2, 7 da Lei nº 8.080/90 Sim Deferido 6
Sim AP 5, 6, 196, 198 da CF/88 Sim Deferido 35
Sim DP 1, 5, 196 da CF/88 Sim Deferido 22
Sim DP 5, 6, 196 da CF/88 Sim Indeferido 694
Sim AP 5,6, 196, 227 da CF/88; 9 da Lei n º 8.080/90 Sim Deferido 6
Sim DP 1, 5, 196 da CF/88 Sim Deferido 672
Sim DP 196, 197, 198 da CF/88; 2, 7 da Lei nº 8.080/90 Sim £ £
Sim DP 196, 197, 198 da CF/88; 2 e 7 da Lei nº 8.080/90 Sim Deferido 36
Sim DP 195, 198 da CF/88; 7 da Lei nº 8.080/90 Sim Deferido 1
Sim DP 196, 197, 198, 293 da CF/88; Lei nº 8.080/90 Sim Deferido 1.140

AP: advogado particular; CF: Constituição Federal; DP: Defensoria Pública; £: Incapacidade de acesso à decisão judicial proferida; *Artigos de Lei e da CF/88.

Todos os autores (11/11) solicitaram o benefício de gratuidade de justiça, e em 82% dos processos foi utilizada a representação jurídica da Defensoria Pública.

O artigo 196 da Constituição Federal de 198818 (que dispõe que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”) foi citado em 91% das ocasiões como justificativa da ação judicial pelos autores, enquanto a Lei nº 8.080 de 1990 (que versa sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências) foi mencionada em 55% dos processos. Argumentos baseados no artigo 1º, inciso III, da CF/88, que aborda a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, foram mencionados em 2 dos 11 processos analisados.

A ferramenta jurídica, tutela antecipada, cujo principal objetivo é a concessão urgente do item pleiteado ao autor da ação, a fim de evitar os danos materiais decorrentes da demora do processo, foi solicitada em todos os processos. O tempo para sua obtenção apresentou uma grande variação de valores (de 1 a 1.140 dias). A média do tempo da decisão, proferida pelo juiz, foi de 266,5 dias e a mediana de 35,5.

Em todos os pareceres técnicos do NAT (11/11) houve a sugestão de tratamentos disponibilizados pelo SUS, conforme consta na tabela SIGTAP, para a condição clínica dos autores das ações.

O índice de deferimento da tecnologia requerida foi elevado. Em apenas um processo (1/10) o pedido foi indeferido com a alegação de que, embora os argumentos do autor estivessem baseados no princípio da dignidade humana, a concessão de terapias por via judicial aos cidadãos hipossuficientes deveria considerar a proporcionalidade, cuja medida, na esfera pública, se estabelece na seara do princípio da Reserva do Possível.

O custo direto anual total estimado para atender aos autores das ações deferidas totalizou o valor de R$501.894,09. No que tange ao custo médio anual, por autor, a quantia estimada foi de R$55.766,01.

Cabe ainda mencionar que a média do custo anual, por autor, do tratamento oferecido pelo SUS, conforme consta na tabela SIGTAP, é de R$1.320,40.

DISCUSSÃO

De acordo com Ventura etal.19, Pepe etal.20 e Chieffi etal.21, a judicialização da saúde, fenômeno entendido pela obrigação de fornecimento de bens e serviços de saúde aos cidadãos, imposta à Administração Pública pelo Poder Judiciário, na qual assegura ao cidadão o acesso às tecnologias e políticas públicas, possibilita identificar de forma mais objetiva as demandas e questões em saúde, além de incentivar a criação de soluções por parte dos gestores do SUS a fim de compensar o mal funcionamento do referido sistema.

Entretanto, diante do cenário exposto no presente estudo, o referido fenômeno pode facilitar o acesso ao tratamento, mas, por outro lado, desorganizar o sistema público uma vez que os tratamentos oferecidos pelo SUS aos pacientes com disfunções neurológicas como a PC custam, em média, segundo a tabela SIGTAP9, R$5,51 por atendimento.

Posto que o SUS oferece no máximo 20 atendimentos ambulatoriais por mês9, o tratamento anual, por autor, custaria aos cofres públicos, via SUS, R$1.320,40 versus R$55.766,01 utilizando o Método Therasuit. Tal achado corrobora o abordado em estudos os quais discorrem que o cumprimento das determinações judiciais proferidas eleva os gastos públicos22,23.

O tratamento com o Método Therasuit, ao despender significativos recursos públicos, quando comparado com o custo acarretado utilizando o SUS, pode promover deslocamento não previsto de verba em decorrência de cumprimento de determinações judiciais que atendem a poucos indivíduos, haja vista o gasto anual de R$501.894,09 para atender a somente nove autores cujos pleitos foram deferidos.

Paralelamente, a mobilização de parte da sociedade solicitando a materialização de seu direito à saúde por meio da judicialização de bens e serviços, juntamente com os deferimentos dos pleitos dessas ações judiciais por parte dos juízes, avalia o pleito individual sem considerar as questões coletivas22. Embora em todos os processos analisados tenha sido solicitado o benefício de gratuidade de justiça alegando hipossuficiência dos autores das ações e, ainda, haver, em sua maioria, o requerimento do auxílio da Defensoria Pública, a judicialização da saúde pode ferir alguns princípios do SUS, como a equidade e a integralidade23,24, uma vez que, conforme Barroso25, outros pacientes, também hipossufucientes e necessitados de tratamentos em saúde que não buscaram auxílio da Justiça por falta de conhecimento e acesso, tornam-se preteridos26.

Segundo Laranjeira e Petramale24, o princípio da equidade não pode ser garantido ao se solicitar judicialmente o ressarcimento acrítico de itens de alto custo a fim de atender a uma pequena parcela de pacientes, deixando, assim, de oferecer insumos básicos para grande parte da população acometida por doenças altamente prevalentes, que dependem igualmente do sistema de saúde.

Contudo, mesmo com evidências dos efeitos negativos do processo de judicialização da saúde no que tange aos princípios do SUS e ao acometimento da coletividade, autores mencionam que a possibilidade de efetivação do direito à saúde por meio do acesso à justiça pode ser considerada uma vantagem do referido processo e, ainda, não necessariamente significa um desvio das funções do Poder Judiciário27,28. Um exemplo concreto foi a reivindicação de direitos sociais, como acesso a medicamentos e acompanhamento médico, ao Poder Judiciário, pelos pacientes com HIV/AIDS na década de 1990. Tal fato originou a criação de políticas públicas que passaram a contemplar essa parcela da população por meio da distribuição gratuita de medicamentos antirretrovirais29.

Em determinadas situações, o Poder Judiciário, no Brasil, ao negar o provimento de bens e serviços em saúde em suas decisões, baseia-se no Princípio da Reserva do Possível, que discorre sobre a limitação de recursos financeiros disponíveis diante das inúmeras necessidades dos cidadãos30. Assim, diante do progressivo e elevado gasto em saúde22,23, entende-se que o Estado passa a ter uma ação reduzida, perante a falta de recursos, para atender integralmente a todos os usuários. Todavia, no estudo observou-se apenas um caso de indeferimento por parte do juiz, alegando o referido Princípio. Dessa forma, insta necessário o estabelecimento de critérios para a prestação da saúde, a fim de alocar verbas para uma melhor gestão dos recursos disponíveis31,32.

Nessa conjuntura, tem-se o conceito de custo de oportunidade, que utiliza de forma alternativa recursos limitados em uma perspectiva de intervenções em saúde que concorrem entre si em razão dessa escassez financeira. Tal conceito presume que, quando uma intervenção equivocada é realizada, ou seja, quando existe ausência de benefícios adicionais, a oportunidade de utilizar o mesmo valor monetário em opções que poderiam trazer mais ganhos para a população é desperdiçada33.

Ademais, ressalta-se que o conceito do princípio da integralidade necessita23

ser delimitado por temas como a regulação da incorporação de tecnologia com base nos princípios de medicina baseada em evidência, da atenção protocolada [...], da sequência correta de cuidados baseados em hierarquização dos serviços, com ênfase na atenção primária, e da especial atenção aos casos que estão fora de possibilidade terapêutica.

Assim, é imprescindível discutir as evidências científicas sobre os efeitos da tecnologia em questão no tratamento de crianças e adolescentes com PC.

Existem premissas clínicas sobre o uso da veste (suit) dinâmica alterar o alinhamento articular e auxiliar no fortalecimento e/ou alongamento de determinados grupos musculares, repercutindo na postura, na coordenação, no equilíbrio, na função motora grossa e fina e na marcha de crianças acometidas com PC e até mesmo outras condições de saúde34,35,36,37,38,39.

Ademais, Liptak40 e Martins etal.41 conduziram estudos que inicialmente reforçaram as alegações clínicas e as expectativas dos familiares com relação aos efeitos dessa terapêutica no movimento e na postura de crianças com PC. Contudo, uma revisão sistemática com metanálise evidenciou que o referido efeito do protocolo com o Método Therasuit era de restrito impacto41.

Destaca-se que esse efeito foi mensurado por meio da aplicação do instrumento de avaliação clínica, Gross Motor Function Measure-66 (GMFM-66)42 e do questionário The Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI)43. A primeira ferramenta estimou a mudança das habilidades motoras dos pacientes com PC em 66 itens dispostos em 5 dimensões, que englobaram o deitar e rolar; sentar; rastejar e ajoelhar; a postura ereta; e, por último, o andar, correr e saltar. Jáo questionário PEDI mensurou, por via de 197 itens, as habilidades funcionais dos respectivos pacientes e a assistência do cuidador na esfera do autocuidado, mobilidade e função social.

Considerando que crianças com PC necessitam de uma rede de cuidados articulada entre equipe multidisciplinar de saúde e sua família, pautada não somente em condições específicas da PC em si, mas, também, focada em estratégias adequadas que envolvam aspetos globais de sua saúde, destaca-se a existência de outras possibilidades terapêuticas disponíveis, como as oferecidas pelo SUS, conforme o SIGTAP, a saber: “atendimento fisioterapêutico em pacientes com distúrbios neuro-cinetico-funcionais com e sem complicações sistêmicas”, além de “atendimento fisioterapêutico nas desordens do sistema neuromotor”9, por meio das unidades de saúde que integram a Rede de Reabilitação Física do estado do Rio de Janeiro10.

O Ministério da Saúde, por meio das Diretrizes de Atenção à Pessoa com Paralisia Cerebral44, preconiza os tratamentos disponibilizados pelo SUS para as crianças com PC. Tal fato corrobora o que foi abordado em todos os Pareceres Técnicos analisados, nos quais houve sugestão de tratamento padronizado pelo SUS, tais quais os citados na tabela SIGTAP, em alternativa ao pleiteado judicialmente (tratamento com Método Therasuit) pelos autores das ações.

Diante do exposto, apesar de constar da Constituição Federal de 1988 a exigência da materialização do direito à saúde (artigo 196), que inclui a dignidade da pessoa humana também como princípio de orientação econômica (artigo 1º, inciso III e artigo 170), faz-se necessário o estabelecimento do limite de atuação do Estado (Princípio da Reserva do Possível versus o acesso universal igualitário)45. De acordo com Viola45, o fornecimento poderia limitar-se somente ao necessário para fins de proteção da vida humana. Tal situação não se caracteriza na presente demanda, a qual se refere ao tratamento de uma condição crônica, pelo uso do Método Therasuit que, segundo estudos 33,34,35,36,37,38,39,40,41,42,43, apresenta-se com restrita efetividade.

As limitações do presente estudo necessitam ser abordadas. Na perspectiva de evidências científicas referentes à eficácia do Método Therasuit, foi verificada a escassez de estudos robustos acerca do tema, o que reforça a necessidade de se preconizar o uso de terapias oferecidas pelo SUS.

A utilização da tabela SIGTAP como fonte de custos do tratamento oferecido pelo SUS pode ser considerada com valores subestimados, podendo apresentar valores diferentes em relação aos atuais preços praticados. Ainda assim, pode ser útil como fonte de comparação para fins de proporcionalização de um custo em relação a outro na perspectiva do SUS, como fonte pagadora.

Não foi possível a visualização da decisão judicial em todos os processos avaliados, haja vista que em um deles tal informação não constava anexada. Ademais, a pesquisa foi conduzida com um número pequeno de processos, o que não necessariamente representa todo o estado. No entanto, essa informação pode servir como um indicador útil para não somente direcionar análises de perfil epidemiológico do estado como para o fomento de discussões e estudos para entendimento do porquê de tratamentos padronizados pelo SUS não serem utilizados como opção para a terapêutica desses pacientes. Pode, ainda, estimular a criação de novas políticas públicas ou a reformulação das existentes, por meio de auxílio, por exemplo, nas decisões sobre incorporação pelo SUS, conforme Lei nº 12.401 de 28 de abril de 2011.

No mais, ressalta-se a necessidade de informação consistente acerca da eficácia e segurança do método judicializado, tendo em vista a existência de tratamentos oferecidos pelo SUS para a mesma condição clínica.

Evidencia-se, também, a falta de monitoramento do resultado do investimento, ou seja, da efetividade e eficiência do investimento público, considerando o contexto da proporcionalidade em relação à verba total destinada para a saúde do estado do Rio deJaneiro.

CONCLUSÃO

A análise da judicialização do Método Therasuit no âmbito do estado do Rio de Janeiro constatou um elevado índice de processos deferidos, apesar da indicação de outras opções terapêuticas disponíveis pelo SUS, resultando em um alto custo despendido pelo Poder Público para atender a uma minoria de pacientes.

Por fim, tendo em vista que a legislação preconiza a formulação de políticas públicas que atendam ao maior número de indivíduos conforme o perfil epidemiológico local, juntamente com a participação da sociedade, e considerando aspectos financeiros46, faz-se imperiosa a condução de futuros estudos acerca da reflexão sobre medidas de benefício em saúde, como o conceito de disposição a pagar.

Número de identificação/aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa: O estudo foi submetido e aprovado sob a numeração 75533317.9.0000.5272 ao Comitê de Ética e Pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia.

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Fonte de financiamento: nenhuma

Recebido: 13 de Dezembro de 2017; Revisado: 20 de Abril de 2018; Aceito: 23 de Abril de 2018

Autor correspondente: Roberta da Silva Teixeira. Rua das Laranjeiras, 374, Laranjeiras, CEP: 22240-006, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: robertateixeira@outlook.com

Conflito de interesses: nada a declarar

Contribuição dos autores:Dominique Souza de Moraes participou da concepção e desenho da pesquisa, obtenção de dados, análise e interpretação dos dados, análise estatística e revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante. Roberta da Silva Teixeira e Marisa da Silva Santos colaboraram na concepção e desenho da pesquisa, análise e interpretação dos dados, análise estatística e revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante.

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