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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.22  São Paulo  2019  Epub Aug 19, 2019

https://doi.org/10.1590/1980-549720190044 

ARTIGO ORIGINAL

Elevada prevalência de inadequação do consumo de fibras alimentares em idosos e fatores associados: um estudo de base populacional

Graziele Maria da SilvaI 
http://orcid.org/0000-0003-0634-275X

Érica Bronzi DuranteI 
http://orcid.org/0000-0002-8647-0032

Daniela de AssumpçãoII 
http://orcid.org/0000-0003-1813-996X

Marilisa Berti de Azevedo BarrosII 
http://orcid.org/0000-0003-3974-195X

Ligiana Pires CoronaI 
http://orcid.org/0000-0001-5298-7714

ILaboratório de Epidemiologia Nutricional, Faculdade de Ciências Aplicadas, Universidade Estadual de Campinas - Limeira (SP), Brasil.

IIDepartamento de Saúde Coletiva, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas - Campinas (SP), Brasil.


RESUMO:

Introdução:

Vários fatores podem gerar mudanças nas práticas alimentares dos idosos, contribuindo para que as recomendações nutricionais não sejam atendidas.

Objetivo:

Estimar a prevalência de inadequação do consumo de fibras alimentares e seus fatores associados.

Metodologia:

Estudo transversal de base populacional que utilizou dados do Inquérito de Saúde no Município de Campinas, realizado em 2008/2009, no qual foram analisados 1.509 indivíduos ≥ 60 anos. O consumo alimentar foi estimado por meio do recordatório de 24 horas, e foi calculada a prevalência de inadequação de acordo com o ponto de corte para fibras totais do Institute of Medicine de 30 g/dia para homens e 21 g/dia para mulheres. Os fatores associados foram identificados utilizando modelo hierárquico de regressão de Poisson para estimativa das razões de prevalência, ajustados por variáveis de bloco distal (sociodemográficos) e bloco proximal (condições de saúde e indicadores de estilo de vida).

Resultados:

A inadequação do consumo de fibras alimentares foi observada em 90,1% da população, significantemente maior no sexo masculino (RP = 1,06), em idosos com parceiro (RP = 1,05), de menor renda (RP = 0,95), inativos fisicamente (RP = 1,05) e naqueles que não gostariam de mudar o peso corporal (RP = 1,05).

Conclusão:

Considerando que a inadequação de fibras alimentares foi muito elevada, toda a população de 60 anos ou mais deve ser alvo de intervenção nutricional para garantir o aporte adequado desse nutriente.

Palavras-chave: Idoso; Consumo alimentar; Fibras alimentares; Inquéritos de saúde

ABSTRACT:

Introduction:

Several factors can lead to changes in dietary practices of the older adults; which contributes with nutritional recommendations not being met.

Objectives:

To estimate the prevalence of inadequate dietary fiber consumption and to identify associated factors.

Methodology:

Population-based, cross-sectional study that used data from a health survey in the municipality of Campinas, SP, Brazil, held in 2008/2009, in which 1,509 individuals aged 60 or older were assessed. Food consumption was estimated through a 24-hour recall, and the prevalence of inadequacy was calculated according to the Institute of Medicine’s cut-off point for total fiber (30 g/day for men and 21 g/day for women). Associated factors were identified using the hierarchical Poisson regression model to estimate the prevalence, adjusted for block distal (sociodemographic) and proximal variables (health and lifestyle indicators).

Results:

Inadequate consumption was observed in 90.1% of the population, and after adjustments in the final model, this rate remained significantly higher among males (RP = 1.06), seniors with a partner (RP = 1.05), lower income (RP = 0.95), physically inactive (RP = 1.05) and those who would not like to change body weight (RP = 1.05).

Conclusion:

Considering that inadequacy of dietary fiber was very high, the whole 60-year-old or older population must be targeted for nutritional intervention in order to ensure adequate intake of this nutrient.

Keywords: Aged; Food consumption; Dietary fiber; Health surveys

INTRODUÇÃO

No idoso, diversos fatores de ordem biológica, social e psicológica podem produzir mudanças nas práticas alimentares1. O processo de envelhecimento per se está relacionado a várias modificações fisiológicas, como alterações sensoriais no olfato e no paladar, prejuízos na capacidade de mastigação, esvaziamento gástrico alentecido e alterações neuroendócrinas que estão associadas à saciedade precoce e à redução do apetite e do prazer de comer2,3. Somam-se a esses elementos os fatores psicossociais como a aposentadoria, a viuvez, a saída dos filhos de casa, a redução do poder aquisitivo, favorecendo o isolamento e a solidão, além da dificuldade de preparar as refeições e ingerir os alimentos1.

Todos esses fatores contribuem para que os idosos não tenham uma alimentação adequada nutricionalmente e que atenda à recomendação diária de fibras alimentares, que é de 30 g para homens e 21 g para mulheres, acima dos 50 anos, em uma dieta de 2.000 kcal, segundo os valores de Dietary Reference Intakes (DRIs) do Institute of Medicine4.

As fibras alimentares são classificadas em solúveis e insolúveis. As solúveis são viscosas e facilmente fermentáveis no intestino grosso5, podem atrasar o esvaziamento gástrico e afetar a secreção e ação da insulina6. Já as insolúveis possuem fermentação limitada no intestino grosso e não são solúveis em água, o que leva ao aumento do volume do bolo fecal5, além de ativar a liberação no intestino de hormônios envolvidos na regulação da ingestão de alimentos6.

Estudos apontam que as fibras alimentares produzem efeitos benéficos na saúde, reduzindo o risco de ocorrência e as complicações da doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, hipertensão arterial, diabetes mellitus e problemas gastrointestinais5, como constipação, hemorroidas, hérnia hiatal, diverticulite e câncer de cólon. Podem contribuir, também, na prevenção e no tratamento da obesidade, na redução do colesterol sanguíneo e na regulação da glicemia após as refeições7.

Especialmente entre os idosos, a ingestão adequada de fibras alimentares pode melhorar o estado geral de saúde, levando em conta a maior carga de doenças crônicas não transmissíveis, bem como a diminuição dos níveis de atividade física e a monotonia alimentar, que aumentam a ocorrência de constipação intestinal6.

Por isso, o objetivo do estudo foi estimar a prevalência de inadequação do consumo de fibras alimentares e seus fatores associados em idosos de 60 anos ou mais.

METODOLOGIA

POPULAÇÃO E AMOSTRA

Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, que obteve informações de 1.509 idosos (≥ 60 anos) não institucionalizados, participantes do Inquérito de Saúde do Município de Campinas (ISACAMP), realizado entre 2008 e 2009.

A amostra do ISACAMP contou com três segmentos etários: adolescentes (10-19 anos), adultos (20-59 anos) e idosos (60 anos ou mais). O seu cálculo amostral foi realizado por conglomerados em dois estágios. No primeiro estágio, foram sorteados 50 setores censitários da área urbana do município com probabilidade proporcional ao tamanho (número de domicílios). No segundo estágio, efetuou-se o sorteio de uma amostra de domicílios considerando que o total de entrevistas por setor não deveria ultrapassar 20 para cada domínio de idade (adolescentes, adultos e idosos). Mais detalhes sobre o processo amostral podem ser encontrados na literatura8.

A presente pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sendo aprovada em 4 de janeiro de 2015, sob o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAEE) nº 51336015.8.0000.5404.

VARIÁVEIS DO ESTUDO

As informações foram coletadas por meio de questionário estruturado, aplicado por entrevistadores treinados diretamente ao idoso selecionado, ou ao cuidador/familiar caso estivesse impossibilitado em responder, em situações como rebaixamento de nível de consciência, dificuldades na fala, perda de audição, entre outros.

Para a avaliação do consumo alimentar, utilizou-se o Recordatório de 24 Horas (R24h), método que consiste no levantamento e na quantificação de todos os alimentos e bebidas ingeridos no dia anterior à entrevista9. Para melhorar a qualidade da informação coletada, as entrevistas foram conduzidas com o uso de álbum fotográfico para inquéritos alimentares10. As quantidades dos alimentos foram registradas em medidas caseiras e, posteriormente, transformadas em gramas ou mililitros para a inclusão no software Nutrition Data System for Research, versão 2007 (Nutrition Coordinating Center, University of Minnesota). Foi efetuada a análise de consistência dos dados por meio da checagem dos R24h que totalizavam energia inferior a 800 kcal e superior a 3500 kcal, e, ao verificar que não havia erro de digitação, esses recordatórios foram mantidos na análise.

A variável dependente foi o consumo de fibras alimentares totais, solúveis e insolúveis, estimada em média de ingestão (gramas) segundo o consumo alimentar relatado de 24 horas anteriores à entrevista. Os parâmetros utilizados na quantificação das fibras tiveram como base as principais fontes desse nutriente nos alimentos, como as frutas, os vegetais, as hortaliças e os cereais integrais. A prevalência de inadequação foi considerada quando o consumo se mostrou abaixo do ponto de corte para fibras totais do Institute of Medicine, de 30 g/dia para homens e 21 g/dia para mulheres acima dos 50 anos, em uma dieta de 2.000 kcal4.

As variáveis independentes consideradas nas análises dos fatores associados ao consumo de fibras alimentares foram:

  • Demográficas e socioeconômicas: sexo; idade (60-74 anos e ≥ 75 anos), estado conjugal (com parceiro e sem parceiro) e renda familiar per capita em salários mínimos (< 1; entre 1 e 2; e > 2 salários mínimos);

  • Condições de saúde: número de doenças crônicas autorreferidas (hipertensão, diabetes, doença do coração, câncer, reumatismo/artrite/artrose, osteoporose e problemas de circulação), categorizada em: nenhuma, 1 ou 2 e 3 ou mais doenças;

  • Indicadores de estilo de vida: prática de atividade física de lazer avaliada pelo Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), considerando-se ativos os indivíduos que praticam ao menos 150 minutos por semana, distribuídos, no mínimo, por três dias11; tabagismo (categorizado em nunca fumou, fumante e ex-fumante); interesse em mudar o peso (sim ou não); e horas de sono diário (< 7; entre 7 a 9 horas e > 9 horas).

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Na análise descritiva, foram calculados médias e os erros padrão para as variáveis contínuas e proporções para as variáveis categóricas. As diferenças entre os grupos foram calculadas utilizando-se o teste generalizado de igualdade entre médias de Wald e o teste χ2 com correção de Rao-Scott, que levam em consideração os pesos amostrais para estimativas populacionais. Realizou-se o cálculo da prevalência de inadequação do consumo de fibras totais, utilizando como ponto de corte os valores inferiores a 30 g/dia para homens e 21 g/dia para mulheres4.

Os fatores associados à inadequação do consumo de fibras totais foram identificados por meio de modelo hierárquico de regressão de Poisson com estimativa das razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas. Nesses modelos, a variável dependente foi a ingestão inadequada de fibras, e as variáveis independentes foram testadas em blocos, inseridos na seguinte ordem: bloco distal (fatores demográficos e socioeconômicos) e bloco proximal (condições de saúde e indicadores de estilo de vida).

Na primeira etapa do modelo múltiplo, foram incluídas as variáveis demográficas e socioeconômicas que apresentaram valor p < 0,20 na análise bivariada, e aquelas que permaneceram significantes (p < 0,05) foram mantidas no modelo. Na segunda etapa, foram acrescidas as variáveis de condições de saúde e indicadores de estilo de vida, permanecendo no modelo final as que apresentaram p < 0,05. As análises foram realizadas no software Stata versão 12, considerando os pesos amostrais, para garantir a representatividade da população do município de Campinas.

RESULTADOS

Entre os domicílios sorteados para entrevistas com idosos, houve perda de 6,5%, por dificuldade de encontrar um morador na residência. Dos 1.558 idosos identificados, 2,5% não aceitaram participar da pesquisa, alcançando o total de 1.519 entrevistas. Em relação ao R24h, dez idosos recusaram-se a responder a ele, sendo então analisada a amostra de 1.509 pessoas. A proporção de idosos que se encontravam impossibilitados de responder ao questionário e tiveram informante auxiliar (cuidadores) foi de 6% (n = 88).

Entre os idosos estudados, a maioria é mulher (60%), de faixa etária predominantemente mais jovem, de 60 a 74 anos (76%), possuía parceiros (55%), com renda inferior a um salário mínimo (41%), tinha uma ou duas doenças crônicas não transmissíveis (47%), não ativa fisicamente (68%), não fumante (68%), sem o desejo de mudar o peso corporal (59%) e dormia entre 7 e 9 horas por dia (67%).

A prevalência de inadequação de ingestão de fibras alimentares foi de 90,1% na população estudada, com média de ingestão de 13,5 g. Na Tabela 1, são apresentados os valores médios do consumo de fibras alimentares totais, solúveis e insolúveis, de acordo com as variáveis independentes do estudo. O consumo foi superior no sexo feminino, nos indivíduos com 75 anos ou mais, nos que não tinham parceiros e nos que recebiam mais que dois salários mínimos. Menores valores foram observados nos idosos inativos, nos fumantes, nos que não gostariam de mudar o peso e nos que dormiam mais que 9 horas por dia.

Tabela 1. Médias e intervalo de confiança de 95% (IC95%) do consumo de fibras alimentares (FA) em idosos, segundo variáveis demográficas, socioeconômicas, condições de saúde e indicadores de estilo de vida (n = 1.509), Inquérito de Saúde do Município de Campinas (ISACAMP) 2008-2009. 

Variáveis e categorias

  • FA totais

  • Média (IC95%)

p*

  • FA solúveis

  • Média (IC95%)

p*

  • FA insolúveis

  • Média (IC95%)

p*
Total

  • 13,51

  • (12,64; 14,38)

-

  • 3,44

  • (3,16; 3,71)

-

  • 9,94

  • (9,33; 10,56)

-
Sexo
Feminino

  • 13,13

  • (12,22; 14,03)

-

  • 3,47

  • (3,17; 3,76)

-

  • 9,54

  • (8,89; 10,20)

-
Masculino

  • 14,01

  • (12,84; 15,19)

0,113

  • 3,39

  • (3,06; 3,72)

0,562

  • 10,48

  • (9,60; 11,36)

0,039
Faixa etária (em anos)
60-74

  • 13,46

  • (12,46; 14,46)

-

  • 3,38

  • (3,08; 3,68)

-

  • 9,95

  • (9,21; 10,68)

-
> 75

  • 13,64

  • (12,59; 14,69)

0,755

  • 3,58

  • (3,22; 3,94)

0,249

  • 9,93

  • (9,17; 10,69)

0,969
Estado conjugal
Sem parceiro

  • 13,82

  • (12,72; 14,92)

-

  • 3,60

  • (3,25; 3,95)

-

  • 10,09

  • (9,29; 10,09)

-
Com parceiro

  • 13,27

  • (12,31; 14,23)

0,318

  • 3,31

  • (3,02; 3,60

0,072

  • 9,83

  • (9,15; 10,52)

0,529
Renda (salários mínimos)
< 1

  • 12,01

  • (11,02; 13,00)

-

  • 2,93

  • (2,62; 3,24)

-

  • 8,97

  • (8,24; 9,70)

-
1-2

  • 13,49

  • (12,31; 14,67)

0,024

  • 3,34

  • (2,97; 3,71)

0,055

  • 10,01

  • (9,13; 10,89)

0,035
> 2

  • 15,55

  • (14,53; 16,57)

< 0,001

  • 4,21

  • (3,85; 4,58)

< 0,001

  • 11,19

  • (10,48; 11,90)

< 0,001
Número de doenças crônicas
0

  • 14,09

  • (12,87; 15,30)

-

  • 3,49

  • (3,10; 3,88)

-

  • 10,44

  • (9,54; 10,33)

-
1-2

  • 13,57

  • (12,36; 14,78)

0,339

  • 3,48

  • (3,12; 3,85)

0,973

  • 9,94

  • (9,07; 10,80)

0,210
> 3

  • 13,09

  • (12,28; 13,90)

0,437

  • 3,34

  • (3,05; 3,63)

0,466

  • 9,67

  • (9,04; 10,30)

0,116
Prática de atividade física
Ativo

  • 15,34

  • (14,17; 16,50)

-

  • 4,02

  • (3,64; 4,39)

-

  • 11,20

  • (10,36; 12,03)

-
Inativo/insuficiente ativo

  • 12,64

  • (11,79; 13,49)

< 0,001

  • 3,16

  • (2,89; 3,43)

< 0,001

  • 9,35

  • (8,74; 9,96)

< 0,001
Tabagismo
Não fumante

  • 13,70

  • (12,75; 14,64)

-

  • 3,55

  • (3,24; 3,86)

-

  • 10,11

  • (9,57; 10,65)

-
Ex-fumante

  • 14,51

  • (12,98; 16,03)

0,292

  • 3,64

  • (3,17; 4,12)

0,716

  • 10,07

  • (9,32; 10,82)

0,233
Fumantes

  • 10,65

  • (9,53; 11,78)

< 0,001

  • 2,40

  • (1,99; 2,80)

< 0,001

  • 8,42

  • (7,66; 9,19)

< 0,001
Gostaria de mudar o peso
Sim

  • 14,41

  • (13,12; 15,69)

-

  • 3,68

  • (3,29; 4,06)

-

  • 10,61

  • (9,67; 11,55)

-
Não

  • 12,92

  • (12,08; 13,77)

0,016

  • 3,28

  • (2,99; 3,56)

0,035

  • 9,51

  • (8,92; 10,08)

0,018
Sono (horas/dia)
< 7

  • 14,29

  • (13,10; 15,48)

-

  • 3,81

  • (3,35; 4,26)

-

  • 10,33

  • (9,53; 11,12)

-
7-9

  • 13,48

  • (12,52; 14,44)

0,146

  • 3,42

  • (3,15; 3,69)

0,064

  • 9,94

  • (9,23; 10,66)

0,309
> 9

  • 12,91

  • (11,66; 14,16)

0,049

  • 3,11

  • (2,73; 3,51)

0,003

  • 9,66

  • (8,74; 10,58)

0,215

Nota: os valores médios (g); *teste χ2.

Na Tabela 2, são apresentados os resultados de inadequação em relação às variáveis de estudo. A inadequação do consumo de fibras alimentares mostrou-se muito elevada na população, sendo ainda maior nos homens, nos que possuíam parceiro e nos idosos de menor renda. Quanto às variáveis relacionadas ao estilo de vida, a prevalência foi mais elevada nos inativos fisicamente, nos fumantes, nos que não gostariam de mudar o peso (ganhar ou perder) e nos que dormiam mais tempo por dia.

Tabela 2. Prevalência de inadequação no consumo de fibras totais (%), intervalo de confiança de 95% (IC95%) e razão de prevalências (RP) segundo características socioeconômicas, de saúde e estilo de vida (n = 1.509), Inquérito de Saúde do Município de Campinas (ISACAMP) 2008-2009.  

Variáveis e categorias n Inadequado* (IC95%) RP p**
Sexo
Feminino 899 87,1 (83,6; 89,9) - -
Masculino 611 94,4 (91,5; 96,3) 1,08 < 0,001
Faixa etária (em anos)
60-74 1.094 90,6 (87,9; 92,8) - -
> 75 416 89,1 (85,1; 92,1) 0,98 0,298
Estado conjugal
Sem parceiro 672 86,7 (82,5; 89,9) - -
Com parceiro 838 92,9 (90,3; 94,9) 1,07 0,002
Renda (salários mínimos)
< 1 619 93,5 (90,7; 95,5) - -
1-2 459 89,0 (84,4; 92,3) 0,95 0,017
> 2 434 87,0 (83,3; 90,0) 0,93 0,002
Número de doenças crônicas
0 284 89,3 (85,2; 92,4) - -
1-2 704 91,2 (86,9; 94,2) 1,02 0,394
> 3 500 89,4 (86,2; 92,0) 1,00 0,963
Prática de atividade física
Ativo 478 86,5 (83,1; 89,3) - -
Inativo/Insuficiente 1.034 91,9 (89,1; 94,1) 1,06 0,001
Tabagismo
Não fumante 1.031 88,8 (85,6; 91,4) - -
Ex-fumante 306 91,6 (87,3; 94,6) 1,03 0,184
Fumante 172 95,5 (91,3; 97,8) 1,07 < 0,001
Gostaria de mudar o peso
Sim 611 87,2 (82,8; 90,6) - -
Não 894 92,2 (89,4; 94,3) 1,05 0,017
Sono (horas/dia)
< 7 329 85,1 (79,9; 89,1) - -
7-9 997 91,5 (88,8; 93,7) 1,07 0,005
> 9 169 91,8 (87,4; 94,8) 1,08 0,023

*Consumo inferior a 21 g/dia de fibras alimentares para mulheres e de 30 g/dia para homens; **teste χ2.

Após ajuste do modelo final (Tabela 3), os fatores associados à maior prevalência de consumo inadequado de fibras alimentares totais foram: ser do sexo masculino, ter parceiro, possuir menor renda, ser inativo fisicamente, não manifestar desejo em mudar o peso corporal e ter sono superior a 9 horas diárias. A idade em anos e o número de doenças crônicas não se mostraram significativos.

Tabela 3. Fatores associados ao consumo inadequado de fibras alimentares nos modelos de regressão múltipla de Poisson, valores de razão de prevalência (RP) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). 

Variáveis e categorias Modelo 1a Modelo 2b
RP IC95% RP IC95%
Sexo masculino 1,07 (1,03; 1,11)* 1,06 (1,02; 1,10)*
Idade (anos) 1,00 (0,99; 1,00) 1,00 (0,99; 1,00)
Com parceiro 1,05 (1,00; 1,09)* 1,05 (1,00; 1,10)*
Renda (salários mínimos)
< 1 1,00 - 1,00 -
1-2 0,95 (0,91; 0,99)* 0,95 (0,92; 0,99)*
> 2 0,92 (0,88; 0,97)* 0,95 (0,91; 1,00)*
Número de doenças crônicas
0 - - 1,00 -
1-2 - - 1,04 (0,99; 1,09)
>3 - - 1,04 (0,99; 1,09)
Ser inativo fisicamente - - 1,05 (1,02; 1,09)*
Não gostaria de mudar o peso - - 1,05 (1,00; 1,10)*
Sono (horas/dia)
< 7 - - 1,00 -
7-9 - - 1,08 (1,03; 1,13)*
> 9 - - 1,07 (1,00; 1,14)*

*p < 0,05; ainclui variáveis socioeconômicas; binclui variáveis socioeconômicas, condições de saúde e indicadores de estilo de vida.

DISCUSSÃO

Neste estudo, foi encontrada elevada inadequação do consumo de fibras alimentares nos idosos avaliados, alcançando 90,1% de inadequação, sendo a média de 13,5 g/dia muito inferior à das recomendações do Institute of Medicine4, dado representativo pelo tamanho da amostra populacional. Além disso, viu-se inadequação maior nos segmentos do sexo masculino, com parceiro, com baixo nível de renda, que não eram fisicamente ativos no lazer, nos fumantes, nos que não desejavam modificar o peso (ganhar ou perder) e nos que dormiam mais que 9 horas diariamente.

Esses resultados assemelham-se a dados internacionais. Em uma pesquisa que utilizou dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) ao longo de 10 anos (2001-2010), os resultados mostraram que o consumo médio de fibras alimentares permaneceram inferiores às recomendações, sendo em média de 16,1 g/dia na população idosa (50 anos e mais)12. No Brasil, estudos que se propuseram a analisar o consumo alimentar de idosos são escassos.

Um estudo de revisão que compilou as investigações existentes de países europeus e de países como Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos referentes ao consumo de fibras alimentares mostrou que a média de consumo nesses países variou de 15 a 25 g/dia para homens adultos e de 14 a 21 g/dia para mulheres. Ou seja, nenhum país atingiu as recomendações dietéticas existentes. O consumo médio de fibras alimentares mais baixo encontrado foi no Canadá e nos Estados Unidos, e o mais alto foi da pesquisa National Nutrition Survey na Alemanha em 2005/2006, onde a ingestão média de homens foi 25 g/dia e para mulheres 23 g/dia13.

Sugere-se que a elevada inadequação de fibras alimentares estaria relacionada com o aumento de consumo de alimentos ultraprocessados, que são alimentos prontos para consumo, que necessitam de pouca ou nenhuma preparação e cujos processos de produção envolvem a adição de sal e/ou açúcar, fritura dos produtos, defumação, decapagem e uso frequente de conservantes e aditivos cosméticos14. A quantidade de fibras alimentares constituintes nesses alimentos é mínima.

Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Brasil nos anos de 2008/2009 relatam aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e diminuição dos minimamente processados em comparação à pesquisa anterior, do ano de 2002/200315. Esses achados relacionam-se com a quantidade de fibras alimentares disponíveis nesses alimentos. Ou seja, quanto maior o nível de processamento do alimento, menores são as quantidades de fibras alimentares.

Segundo o Guia Alimentar para a População Norte-Americana (Dietary Guidelines for Americans), devem ser consumidas, no mínimo, três porções de grãos integrais diariamente16. O Guia Alimentar para a População Brasileira não possui recomendação específica de grãos integrais, porém sugere-se dar preferência aos cereais integrais do que aos refinados e ainda recomenda que a alimentação seja baseada em variedades de alimentos in natura ou minimamente processados e que o consumo de alimentos processados e ultraprocessados seja limitado17. Estudo que avaliou a ingestão de nutrientes em 4.322 idosos de 60 anos e mais, utilizando dados da POF 2008-2009, mostrou que essa população obteve o consumo insuficiente de frutas, verduras e legumes, tendo consumido um terço do recomendado pelo Guia alimentar18.

No que se refere às diferenças de consumo de fibras alimentares entre os sexos, os resultados apontam que os homens possuem as maiores prevalências de inadequação em relação às mulheres, 94,4 e 87,1%, respectivamente. Estudo que avaliou os principais alimentos fonte de fibras alimentares, como frutas, verduras, hortaliças, cereais integrais, por meio do Índice de Qualidade da Dieta de Idosos (IQD-I), realizado em Pelotas com 1.426 idosos, encontrou que o pior consumo desses alimentos foi duas vezes maior em homens. Ou seja, eles apresentaram maior consumo de alimentos considerados de baixa qualidade (frituras, doces, refrigerantes, alimentos industrializados)19 e, assim, menor consumo de fibras alimentares. Esse resultado também é observado em outras pesquisas realizadas em diferentes regiões do país20,21.

No tocante às condições socioeconômicas, os resultados mostraram que, na medida em que se melhoram as condições, diminui a inadequação do consumo de fibras alimentares. Isso pode ser corroborado em outros estudos populacionais que avaliaram o consumo de alimentos ricos em fibras, como cereais, frutas e verduras, na população idosa nas regiões de São Paulo e regiões metropolitanas brasileiras, segundo dados da POF (2008-2009), respectivamente. Esses estudos também relataram que o consumo de alimentos com maior aporte de fibras alimentares aumentou proporcionalmente de acordo com a renda18,22. Já em investigação transversal que avaliou os padrões alimentares da dieta de 402 idosos em Viçosa (MG), por intermédio de uma análise fatorial com base no Questionário de Frequência Alimentar (QFA), observou-se que a baixa ingestão de folhosos e frutas esteve associada às piores condições socioeconômicas23.

Resultados similares concernentes à população que possui menor poder de compra de alimentos ricos em fibras alimentares são reportados em outros países, como no estudo realizado com adultos em Boston, Estados Unidos, em que foi avaliada a compra de alimentos ricos em fibras pela renda per capita e se encontrou que aqueles com maior renda ou mais educação relataram mais compra de alimentos fonte de fibras advindas de vegetais frescos e congelados e menos de massas24.

Dessa maneira, tanto os achados aqui apresentados quanto os reportados anteriormente na literatura indicam que os aspectos sociodemográficos como a renda e escolaridade são determinantes na qualidade da dieta e, consequentemente, na ingestão de fibras alimentares. Ou seja, quanto melhores essas condições, maiores as chances de consumo adequado de fibras25,26,27.

A hipótese para essa condição é o custo dos alimentos fonte de fibras (vegetais frescos e produtos integrais), que geralmente é mais elevado que os alimentos pobres nesse nutriente. Claro et al. avaliaram a influência da renda e dos preços dos alimentos sobre a participação de frutas, legumes e verduras (FLV) no consumo alimentar das famílias com base em dados da POF de 1998-1999 no município de São Paulo e afirmam que o grupo de FLV apresentou custo médio de R$ 4,07/1.000 Kcal contra R$ 2,39/1.000 Kcal para todos os demais alimentos, indicando que o aumento da renda das famílias ou a redução do preço relativo de FLV seriam possíveis formas de aumentar a participação desses alimentos na dieta28. Além disso, Damiani et al. ainda discutem que a escolaridade influencia na escolha de alimentos saudáveis, pois pode significar acesso a melhores oportunidades de emprego, renda e informação29.

Em relação ao estilo de vida, os ativos fisicamente e os que possuem o interesse de mudar o peso corporal apresentaram menor prevalência de inadequação no consumo. É conhecido que indivíduos que têm mais informação sobre saúde, ou mais preocupação com prevenção de doenças, tendem a manter hábitos mais saudáveis, como prática de atividades físicas e consumo alimentar mais adequado21,30. No que tange ao desejo de alterar o peso corporal, o aumento no consumo de fibras alimentares em geral é recomendado pela menor densidade energética dos alimentos ricos nesse nutriente31. É possível, pela natureza transversal do presente estudo, que essas pessoas já tenham passado por orientação alimentar e tenham modificado seu consumo em função do desejo de alterar o peso.

Na avaliação de horas de sono, o presente trabalho apresentou que os idosos que reportaram sono superior a 9 horas possuem maior prevalência de inadequação no consumo de fibras alimentares em comparação àqueles que tinham um sono mais curto e o sono mediano (entre 7 e 9 horas). Um estudo que avaliou a associação da duração do sono com o estado de saúde autorreferido em idosos, utilizando dados do ISACAMP de 2008-2009, mostrou que a maior duração do sono se associava ao pior estado de saúde nos idosos, de maneira diferente entre os sexos32. Sendo assim, é possível que os idosos que relataram dormir por mais tempo apresentem um estado de saúde mais debilitado, ou estejam sob efeito de medicação específica e, por isso, apresentem menor ingestão de fibras alimentares.

Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser levadas em consideração quando da interpretação dos seus resultados. O método utilizado para a avaliação de consumo, R24h, aplicado uma única vez não permite avaliar o consumo habitual dos indivíduos, mas, quando aplicado em base populacional, admite estimar a média de consumo para a população-alvo. Esse método também é susceptível à memória dos indivíduos, que pode estar comprometida em idosos, no entanto consiste no método de aplicação mais comum em inquéritos populacionais, por sua facilidade de aplicação, custo efetividade e nível de detalhamento de porções. Outra limitação observada no estudo foi o viés da heterogeneidade das respostas quando o respondente era o cuidador e não o idoso avaliado, porém a proporção desses idosos foi mínima na população. Em uma análise de sensibilidade, testamos o modelo excluindo os idosos com respondentes auxiliares, e os resultados não apresentaram diferença em relação aos resultados da amostra total (dados não mostrados). Além disso, por ser um estudo transversal, não foi possível avaliar se as associações aqui apresentadas teriam relação de causa e efeito.

CONCLUSÃO

Considerando a elevada prevalência de idosos com consumo inadequado de fibras alimentares, toda a população de 60 anos ou mais deve ser alvo de intervenção nutricional para garantir o aporte adequado desse nutriente. O estudo trouxe achados importantes de relevância populacional sobre a presença de fibras alimentares na dieta dos idosos, apontando, nos grupos mais vulneráveis, a pior ingestão e a associação dessa baixa ingestão com outros comportamentos não saudáveis, indicando, assim, a necessidade de que as estratégias direcionadas à promoção da saúde sejam amplas, e não focadas em um único fator.

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Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processo nº 409747/2006-8, e Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Recebido: 24 de Outubro de 2017; Revisado: 10 de Maio de 2018; Aceito: 11 de Junho de 2018

Autor correspondente: Graziele Maria da Silva. Laboratório de Epidemiologia Nutricional, Faculdade de Ciências Aplicadas, Universidade Estadual de Campinas. Rua Pedro Zaccaria, 1.300, Jardim Santa Luiza, CEP: 13484-350, Limeira, SP, Brasil. E-mail: gramsilva9@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

Contribuição dos autores: GMS trabalhou na análise de dados e redação do manuscrito, EBD auxiliou na análise dos dados, LPC na concepção do estudo, plano de análises e redação final do manuscrito, DA na redação e revisão do manuscrito e análise de dados, MBAB na coordenação da pesquisa, na revisão da análise e do manuscrito. Todos os autores listados leram e aprovaram o manuscrito final.

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