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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.22  supl.2 Rio de Janeiro  2019  Epub Oct 07, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-549720190013.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Desigualdades sociais na prevalência de indicadores de envelhecimento ativo na população brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde, 2013

Neuciani Ferreira da Silva SousaI 
http://orcid.org/0000-0002-7694-0811

Lhaís de Paula Barbosa MedinaII 
http://orcid.org/0000-0001-7033-9809

Tássia Fraga BastosIII 
http://orcid.org/0000-0003-0043-9649

Camila Nascimento MonteiroIV 
http://orcid.org/0000-0002-0121-0398

Margareth Guimarães LimaII 
http://orcid.org/0000-0001-6996-0745

Marilisa Berti de Azevedo BarrosII 
http://orcid.org/0000-0003-3974-195X

IInstituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal de Mato Grosso - Cuiabá (MT), Brasil.

IIDepartamento de Saúde Coletiva, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas - Campinas (SP), Brasil.

IIIFaculdade de Medicina São Leopoldo Mandic - Campinas (SP), Brasil.

IVNúcleo de Indicadores e Sistemas de Informação, Hospital Israelita Albert Einstein - São Paulo (SP), Brasil.


RESUMO:

Objetivo:

Analisar desigualdades sociais na prevalência de indicadores de envelhecimento ativo na população idosa brasileira.

Métodos:

Estudo transversal com amostra de 11.177 idosos que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde do Brasil em 2013. Estimaram-se as prevalências de cinco domínios do envelhecimento ativo (atividades sociais, participação cívica, atividade física de lazer, trabalho remunerado e trabalho voluntário) segundo sexo, raça/cor, escolaridade, renda e posse de plano privado de saúde. As razões de prevalência e os intervalos de confiança foram calculados pela regressão de Poisson.

Resultados:

O percentual de envolvimento em atividades sociais organizadas, participação cívica e atividade física foi de 25,1; 12,4 e 13,1%, respectivamente. Em relação ao trabalho, 20,7% exerciam trabalho remunerado e 9,7% participavam de trabalho voluntário. As mulheres apresentaram maiores prevalências de participação em atividades sociais organizadas e em trabalho voluntário; e entre os homens prevaleceu a participação cívica e o trabalho remunerado. Entre os brancos, foram observadas maiores frequências de participação em atividades sociais, trabalho voluntário e atividade física de lazer, explicadas pela escolaridade. E os estratos com maior nível de escolaridade, renda e com posse de plano privado de saúde apresentaram maiores prevalências de participação em todas as atividades consideradas.

Conclusão:

As cinco atividades analisadas se apresentam como desafiadoras à proposta política de envelhecimento ativo por serem marcadas por considerável desigualdade social.

Palavras-chave: Desigualdade social; Disparidades nos níveis de saúde; Envelhecimento; Idoso

ABSTRACT:

Objective:

To analyze social inequalities in the prevalence of indicators of active aging in the Brazilian older adult population.

Methods:

This is a cross-sectional study with a sample of 11,177 older adults who participated in the Brazilian National Health Survey in 2013. We estimated the prevalence of five domains of active aging (social activities, civic engagement, leisure-time physical activity, paid work, and volunteer work) according to gender, ethnicity, schooling, income, and private health insurance. Prevalence ratios and confidence intervals were calculated using Poisson regression.

Results:

The percentage of involvement in organized social activities, civic engagement, and physical activity was 25.1, 12.4, and 13.1%, respectively. Regarding work, 20.7% of the sample had a paid job, and 9.7% participated in volunteer work. Women had a higher prevalence of participation in organized social activities and volunteer work; while civic engagement and paid work were more frequent among men. White people were more likely to participate in social activities, volunteer work, and leisure-time physical activity, explained by their schooling. The strata with a higher level of schooling, income, and who had private health insurance showed a greater incidence of participation in all activities studied.

Conclusion:

The five activities analyzed are challenging for the proposed policy of active aging, as they are marked by considerable social inequality.

Keywords: Social inequality; Health status disparities; Aging; Aged

INTRODUÇÃO

Uma das maiores tarefas sociais do tempo presente é responder ao fenômeno irreversível do envelhecimento populacional em grande escala, o que tem suscitado intensa investigação científica e elaboração política sobre o tema1. O imperativo a uma vida ativa compõe o ideário para a fase da velhice e ganhou força a partir da publicação do Marco Político de Envelhecimento Ativo pela Organização Mundial da Saúde (OMS)2. A intenção da OMS era chamar a atenção para o caráter multidimensional do envelhecimento ativo em contraposição às abordagens recorrentes, que o restringiam à participação em atividade física ou econômica. A abordagem da OMS concebe o envelhecimento ativo como a participação na sociedade em atividades sociais, culturais, intelectuais, físicas, cívicas, políticas e econômicas2,3. O referido marco político foi revisado em 2015 pelo Centro Internacional de Longevidade do Brasil em resposta ao surgimento de um forte movimento internacional que busca reforçar os direitos da pessoa idosa. O documento reforça a necessidade de se examinar o envelhecimento à luz de fatos importantes como a urbanização, a globalização, a migração e a crescente desigualdade social3.

Em relação a esse último aspecto, sabe-se que as oportunidades para desfrutar de uma velhice próspera e ativa, acrescida de saúde e bem-estar, estão distribuídas de forma desigual dentro e entre as sociedades1. Diante do desafio que as sociedades enfrentam de oportunizar que todos os grupos de idosos envelheçam ativamente e com dignidade, tem sido enfatizada a relevância da abordagem das desigualdades sociais no contexto do envelhecimento ativo, não apenas investigando a distribuição dos recursos entre diferentes gerações, mas dedicando atenção especial às desigualdades sociais na velhice1,4.

No Brasil, o conhecimento sobre as desigualdades sociais no perfil de engajamento em atividades tem sido pouco explorado em estudos com dados representativos do conjunto da população idosa brasileira5,6,7. Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi analisar as desigualdades demográficas e socioeconômicas que prevalecem em indicadores de envelhecimento ativo na população idosa brasileira.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal que utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada em 2013. A PNS é um inquérito de base domiciliar, de âmbito nacional, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística8. A PNS buscou fornecer dados sobre a situação de saúde e os estilos de vida da população brasileira, bem como a atenção à saúde9. Adicionalmente, os aspectos relacionados às desigualdades existentes na população brasileira mereceram particular atenção na pesquisa8,10.

A PNS foi delineada para representar o Brasil, suas grandes regiões, Unidades de Federação (UF), regiões metropolitanas e capitais. A amostra da PNS foi selecionada por conglomerados em três estágios, com estratificação das unidades primárias de amostragem. No primeiro estágio foram selecionados os setores censitários ou conjuntos de setores constitutivos das unidades primárias de amostragem (UPA); no segundo estágio foram selecionados os domicílios; e no terceiro estágio foi selecionado, com equiprobabilidade entre todos os residentes adultos do domicílio, um morador com 18 anos ou mais de idade para responder ao questionário individual8,11.

A amostra da PNS foi composta de 64.348 domicílios. Os moradores selecionados que realizaram a entrevista específica sobre estado de saúde, estilo de vida e doenças crônicas totalizaram 60.202 indivíduos. Os demais moradores selecionados (n = 4.146) não tiveram suas informações consideradas por recusarem responder ao questionário específico ou por apresentarem informações inconsistentes12.

O questionário de coleta de dados da PNS foi subdividido em três partes:

  • domiciliar;

  • relativa a todos os moradores do domicílio;

  • individual.

As duas primeiras partes do questionário foram respondidas por um residente do mesmo domicílio que soubesse informar sobre a situação socioeconômica e de saúde de todos os seus moradores. O questionário individual foi respondido pelo morador selecionado e incluiu diversos blocos temáticos, como características do trabalho e apoio social, percepção do estado de saúde, acidentes e violências, estilo de vida, doenças crônicas, saúde bucal e atendimento médico13. Este estudo analisou apenas os dados dos moradores selecionados que tinham 60 anos ou mais de idade, perfazendo uma amostra de 11.177 indivíduos. Mais detalhes sobre o processo amostral e ponderação estão disponíveis em outras publicações8,11. A coleta de dados foi realizada por entrevistadores devidamente treinados, utilizando-se computadores de mão (PDA)8.

Em relação às variáveis do estudo, entre as questões disponíveis no questionário, foram selecionados cinco indicadores de envelhecimento ativo pertencentes a três dimensões:

  • Dimensão social - foram consideradas duas variáveis:

    1. participação em atividades sociais, investigada por meio da questão: “Participa de atividades sociais organizadas (clubes, grupos comunitários ou religiosos, centros de convivência do idoso etc.)?”;

    2. participação cívica, investigada com base na pergunta: “Nos últimos 12 meses, com que frequência o(a) sr.(a) participou de reuniões de associações de moradores ou funcionários, movimentos comunitários ou similares?” Os idosos que referiram qualquer frequência de participação foram considerados ativos nesse domínio.

  • Dimensão da atividade física - entre os idosos que referiram praticar atividade física ou esporte nos três meses anteriores à entrevista, foi verificado se essa prática atendia à recomendação da OMS quanto ao tempo semanal gasto14. Para tanto, um escore acima de 150 minutos por semana foi utilizado como ponto de corte para classificar os indivíduos como fisicamente ativos no lazer.

  • Dimensão do trabalho - foram considerados dois domínios:

    1. trabalho remunerado, estimado a partir da questão “Na semana de 21 a 27 de julho de 2013 (semana de referência), trabalhou ou estagiou, durante pelo menos uma hora, em alguma atividade remunerada em dinheiro?”;

    2. trabalho voluntário, analisado por meio da questão “Nos últimos 12 meses, com que frequência o(a) sr.(a) participou de trabalho voluntário não remunerado?”. Os idosos que referiram qualquer frequência de participação foram considerados ativos nessa atividade.

Foram estimadas as prevalências de cada indicador de envelhecimento ativo segundo as seguintes variáveis: sexo (feminino e masculino); raça/cor da pele (branca e negra, sendo esta última composta dos que se autodeclararam de cor preta ou parda); nível de escolaridade (sem instrução ou com menos de um ano de estudo; ensino fundamental incompleto ou completo; ensino médio incompleto ou completo; ensino superior incompleto ou completo); renda familiar em salários mínimos per capita (< 0,5; 0,5 a 1,0; 1,0 a 3,0; > 3,0); posse de plano privado de saúde (sim e não).

As diferenças entre as proporções foram analisadas por meio do teste do χ2 de Pearson, considerando-se estatisticamente significativas aquelas com p < 0,05. As razões de prevalências (RP) de cada indicador do envelhecimento ativo, bem como seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram calculados com o uso da regressão de Poisson e ajustados por sexo, idade e região geográfica de residência. As análises segundo sexo e raça/cor da pele foram ajustadas também por nível de escolaridade. O efeito do desenho amostral complexo foi considerado em todas as análises realizadas, utilizando-se o módulo survey do software Stata 14.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos).

A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ministério da Saúde. Os indivíduos selecionados para responder à entrevista manifestaram seu acordo por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

As estimativas aqui analisadas são baseadas nas respostas de 11.177 indivíduos com 60 anos ou mais de idade. Levando-se em consideração as devidas ponderações amostrais, 56,4% dos entrevistados eram do sexo feminino e tinham entre 60 e 69 anos, 13,6% tinham idade maior ou igual 80 anos, 53,6% se autodeclararam de cor branca e 44,9% de cor preta ou parda. Em relação à escolaridade, 32,1% não tinham instrução ou possuíam menos de um ano de estudo, enquanto 45,6 e 12,2% tinham cursado pelo menos uma série do ensino fundamental e médio, respectivamente. A proporção de idosos com ensino superior completo ou incompleto na população de estudo foi de 10,2%. Quanto à renda familiar, 43,0% possuíam menos de 0,5 salário mínimo per capita (smpc), 24,2% pertenciam ao estrato com > 1,0 e < 3,0 smpc e a proporção de idosos com 3 ou mais smpc foi de 6,9%. A posse de plano privado de saúde foi referida por 32,0% dos idosos.

As prevalências dos indicadores de envelhecimento ativo na população total e segundo sexo estão apresentadas na Tabela 1. O percentual de envolvimento em atividades sociais foi de 25,1%, sendo 30% mais prevalente entre as mulheres, enquanto a participação cívica foi relatada por 12,4% dos idosos, sendo maior entre os homens (RP = 1,27). Quanto à dimensão da atividade física, apenas 13,1% referiram praticar atividade física de lazer dentro dos níveis recomendados, sem diferenças entre os sexos. O trabalho remunerado foi referido por 20,7% dos idosos, sendo maior entre os homens (RP = 2,34), enquanto o trabalho voluntário foi relatado por 9,7% da população, sendo 25% mais prevalente entre as mulheres.

Tabela 1. Prevalência e razão de prevalência de indicadores de envelhecimento ativo, segundo sexo. Pesquisa Nacional de Saúde. Brasil, 2013. 

  • Dimensões/

  • indicadores

n Total Sexo (%) Valor p* RPa ajustadab IC95%
Feminino (n = 6.622) Masculino (n = 4.555)
Social
Atividades sociais 2.751 25,1 28,8 20,3 < 0,0001 0,70 0,62 - 0,79
Participação cívica 1.412 12,4 11,1 14,1 0,0035 1,25 1,07 - 1,47
Atividade física
Ativo no lazer 1.464 13,1 14,0 12,4 0,1582 1,09 0,93 - 1,28
Trabalho
Trabalho remunerado 2.282 20,7 13,0 30,5 < 0,0001 2,33 2,03 - 2,64
Trabalho voluntário 1.012 9,7 10,8 8,1 0,0041 0,73 0,60 - 0,88

*Teste do χ2; acategoria de referência: sexo feminino; brazão de prevalência ajustada por idade, região e escolaridade; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Na avaliação segundo raça/cor da pele (Tabela 2), observou-se maior frequência de participação em atividades sociais e em trabalho voluntário na população que se autodeclarou de raça/cor branca, quando comparada à população negra (RP = 1,14 e 1,46, respectivamente). Além disso, também se observou maior frequência de brancos considerados fisicamente ativos no lazer (RP = 1,33). Por outro lado, quanto à participação cívica e ao exercício de trabalho remunerado, as prevalências observadas segundo raça/cor foram semelhantes. Após o ajuste pelo nível de escolaridade, todas as diferenças encontradas perderam a significância estatística.

Tabela 2. Prevalência e razão de prevalência de indicadores de envelhecimento ativo, segundo raça/cor. Pesquisa Nacional de Saúde. Brasil, 2013. 

  • Dimensões/

  • indicadores

Prevalência Valor p** Razão de prevalênciaa
Raça/cor* RPb IC95% RPc IC95%
Negros (n = 5.701) Brancos (n = 5.314)
Social
Atividades sociais 23,2 26,6 0,0264 1,14 1,01 - 1,29 1,03 0,92 - 1,17
Participação cívica 11,6 12,7 0,2599 1,15 0,98 - 1,35 1,01 0,85 - 1,18
Atividade física
Ativo no lazer 10,8 14,4 0,0013 1,33 1,12 - 1,58 0,99 0,84 - 1,17
Trabalho
Trabalho remunerado 20,3 20,8 0,7048 1,10 0,98 - 1,24 0,98 0,87 - 1,11
Trabalho voluntário 7,4 11,4 0,0001 1,46 1,19 - 1,80 1,12 0,91 - 1,37

*Excluídos os amarelos e indígenas em virtude da pequena representação na amostra e baixa precisão das estimativas; **teste do χ2; acategoria de referência: população negra; brazão de prevalência ajustada por sexo, idade e região; crazão de prevalência ajustada por sexo, idade, região e escolaridade; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

A análise do perfil de envelhecimento ativo segundo nível de escolaridade (Tabela 3) revelou que todas as atividades pesquisadas foram significativamente mais prevalentes nos segmentos de maior escolaridade, com destaque para a participação em atividades físicas de lazer dentro dos níveis recomendados e no exercício de trabalho voluntário, cujas prevalências quadruplicaram em relação ao estrato inferior (RP = 4,42 e 4,43; respectivamente).

Tabela 3. Prevalência e razão de prevalência de indicadores de envelhecimento ativo, segundo nível de escolaridade. Pesquisa Nacional de Saúde. Brasil, 2013. 

  • Dimensões/

  • indicadores

Nível de escolaridade* (%) Valor p**

  • RPa

  • ajustadab

  • (4/1)

IC95%

  • 1

  • n = 3.861

  • 2

  • n = 4.671

  • 3

  • n = 1.470

  • 4

  • n = 1.175

Social
Atividades sociais 18,5 26,5 29,6 33,7 < 0,001 1,78 1,43 - 2,20
Participação cívica 9,9 10,6 18,3 21,4 < 0,001 1,92 1,48 - 2,50
Atividade física
Ativo no lazer 6,5 11,6 19,3 32,8 < 0,001 4,42 3,35 - 5,84
Trabalho
Trabalho remunerado 13,9 19,9 27,1 37,7 < 0,001 1,97 1,63 - 2,38
Trabalho voluntário 4,5 8,6 16,0 23,2 < 0,001 4,43 3,21 - 6,11

*1: sem instrução; 2: ensino fundamental; 3: ensino médio; 4: ensino superior; **teste do χ2; acategoria de referência: sem instrução; brazão de prevalência ajustada por sexo, idade e região; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

Quanto à análise segundo a renda (Tabela 4), os entrevistados situados no maior nível (três ou mais smpc) apresentaram maior prevalência de participação em todas as atividades analisadas, sendo observadas diferenças de maior magnitude para a prática de atividade física de lazer (RP = 4,12) e trabalho voluntário (RP = 3,07).

Tabela 4. Prevalência e razão de prevalência de indicadores de envelhecimento ativo, segundo a renda. Pesquisa Nacional de Saúde. Brasil, 2013. 

  • Dimensões/

  • indicadores

Renda (smpc) (%) Valor p*

  • RPa

  • ajustada

  • (d/a)

IC95%

  • < 0,5

  • n = 3.883

  • a

  • 0,5 a < 1,0

  • n = 2.805

  • b

  • 1,0 a < 3,0

  • n = 3.488

  • c

  • ≥ 3

  • n = 1.001

  • d

Social
Atividades sociais 17,2 21,7 26,0 31,2 < 0,001 1,78 1,38 - 2,29
Participação cívica 9,1 9,0 12,2 20,5 < 0,001 2,29 1,60 - 3,26
Atividade física
Ativo no lazer 6,5 6,6 12,9 27,7 < 0,001 4,12 2,62 - 6,49
Trabalho
Trabalho remunerado 13,7 14,8 20,1 35,7 < 0,001 2,54 1,93 - 3,35
Trabalho voluntário 6,0 5,8 9,0 20,2 < 0,001 3,07 2,02 - 4,68

smpc: salário mínimo per capita; a: < 0,5; b: 0,5 a 1,0; c: 1,0 a 3,0; d: ≥ 3,0; *teste do χ2; arazão de prevalência ajustada por sexo, idade e região; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

A Tabela 5 apresenta as prevalências de indicadores de envelhecimento ativo segundo a posse de plano privado de saúde. Entre os idosos que possuíam plano de saúde, houve maior prevalência de envolvimento em todas as atividades analisadas no estudo, quando comparados àqueles que dependiam exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). A maior diferença entre esses grupos foi observada para a prática de atividade física de lazer (RP = 2,21).

Tabela 5. Prevalência e razão de prevalência de indicadores de envelhecimento ativo, segundo posse de plano privado de saúde. Pesquisa Nacional de Saúde. Brasil, 2013. 

  • Dimensões/

  • indicadores

Posse de plano de saúde Valor p*

  • RPa

  • ajustadab

IC95%

  • Não

  • (n = 7.834)

  • Sim

  • (n = 3.343)

Social
Atividades sociais 22,4 30,6 0,0000 1,34 1,19 - 1,51
Participação cívica 10,6 16,3 0,0000 1,59 1,32 - 1,91
Atividade Física
Ativo no lazer 9,4 20,8 0,0000 2,21 1,88 - 2,59
Trabalho
Trabalho remunerado 19,3 23,6 0,0041 1,29 1,13 - 1,46
Trabalho voluntário 7,2 14,9 0,0000 1,98 1,62 - 2,40

*Teste do χ2; acategoria de referência: população sem posse de plano de saúde; brazão de prevalência ajustada por sexo, idade e região; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

DISCUSSÃO

Neste estudo foram apresentados os resultados da PNS sobre a prevalência de participação dos idosos em cinco atividades referentes às dimensões social, da atividade física e do trabalho. Os achados revelam desigualdades sociais significativas na forma de envelhecer dos idosos brasileiros segundo sexo, raça/cor da pele, nível de escolaridade, renda familiar per capita e posse de plano privado de saúde.

Quanto à dimensão social, a frequência de envolvimento em atividades sociais organizadas (25,1%) foi superior à estimada para a participação cívica (12,4%), coadunando a perspectiva de que quanto mais recursos individuais e habilidades compartilhadas forem exigidos para o envolvimento em determinada atividade, menor será sua taxa de participação15.

O envolvimento na dimensão social apresentou variações significativas entre os segmentos sociais analisados. Nota-se, por exemplo, uma clara polarização por gênero, em que as mulheres referiram maior participação em atividades sociais organizadas, enquanto os homens eram mais ativos em atividades cívicas. Uma possível explicação para tal contraste é a maior resistência masculina ao engajamento em atividades de cunho mais cultural, educacional e lúdico, que predominam em espaços como os centros de convivência de idosos e grupos comunitários16,17. Por outro lado, a sub-representação feminina na participação cívica demostrada neste estudo, mas que também se estende a outros espaços de tomada de decisão18,19, revela, sobretudo, uma injustiça qualitativa, na medida em que sinaliza a primazia nas arenas decisórias de determinados temas, grupos e interesses em detrimento de outros18. Esses achados indicam que existe uma diferenciação ainda forte na sociedade sobre as atividades e comportamentos considerados tipicamente femininos e masculinos. Uma variedade de atividades é usada como recurso na estruturação e reconstrução do gênero, tais como as atividades sociais, o trabalho, as tarefas domésticas e os esportes20. Quanto às diferenças na dimensão social segundo raça/cor, os resultados mostraram que os brancos eram mais participativos do que os negros em atividades sociais organizadas. Tal diferença foi explicada pela escolaridade, reforçando que o acesso aos recursos sociais ao longo do curso de vida favorece a participação social3. Porém, não houve diferenças entre esses grupos na participação cívica. Isso sugere que o pertencimento a um grupo racial pode não afetar, de forma substancial, a propensão para atuar politicamente. No Brasil, fatores socioeconômicos como renda e escolaridade são nitidamente mais relevantes para potencializar esse tipo de participação do que o efeito direto da raça21. Tanto é que os estratos mais elevados de escolaridade e renda se mostraram mais ativos na dimensão social, coadunando outros estudos4,15.

Quanto à dimensão da atividade física, o presente estudo analisou o domínio do lazer tendo em vista seus efeitos benéficos mais expressivos sobre a saúde quando comparada à atividade física em outros domínios22. A prevalência nacional de idosos fisicamente ativos no lazer (13,1%) está aquém da estimada para a população idosa mundial (45%) em 201023 e da observada para a população com 65 anos ou mais residente nas capitais brasileiras (22,3%)5.

Apesar da baixa prevalência, chama a atenção o fato de que não foi observada diferença entre os sexos, contrapondo os achados de uma revisão sistemática que identificou maior prevalência de atividade física de lazer entre os homens24. O presente estudo também mostrou que o ajuste pela escolaridade explicou toda a diferença observada para negros e brancos quanto à pratica da atividade física. Também se observou que a magnitude das desigualdades na atividade física de lazer foi semelhante para as duas variáveis de nível socioeconômico (educação e renda), sugerindo que ambos os efeitos podem ser igualmente importantes25. As causas das desigualdades no envolvimento em atividade física de lazer podem estar associadas ao efeito educacional no conhecimento sobre suas consequências positivas para a saúde e/ou relacionadas às possibilidades financeiras de se envolver nesse tipo de atividade25,26.

Quanto à dimensão do trabalho, o estudo relevou uma prevalência de 20,7% de participação em trabalho remunerado. Tal estimativa pode ser considerada baixa e coaduna a tendência de queda que esse indicador vem apresentando no Brasil. Em 2005, o nível de ocupação da população idosa brasileira era de 30,2% e reduziu para 26,3% em 201527. Por outro lado, a participação em trabalho voluntário foi referida por 9,7% dos entrevistados, sendo mais que o dobro da observada em outro inquérito nacional, que estimou em 4,6% a prevalência dessa prática no Brasil, considerando a população com 50 anos ou mais de idade28.

A dimensão do trabalho também revelou uma polaridade entre os gêneros. De um lado, os homens eram mais ativos no trabalho remunerado, enquanto as mulheres eram mais envolvidas em trabalho voluntário. A maior frequência de homens no mercado de trabalho tem sido associada, principalmente, aos padrões tradicionais de divisão do trabalho e influências culturais4,19,29. Outro fator que pode influenciar a permanência dos homens idosos no mercado de trabalho é a necessidade de reforçar o orçamento familiar, mesmo após a aposentadoria, com vistas a atender demandas financeiras próprias e de familiares dependentes, em consequência de fatores como crise econômica, desemprego, divórcio e dependência química, especialmente nos estratos de baixa renda30. Por outro lado, as diferenças de gênero no trabalho voluntário são divergentes na literatura4,31 e podem se correlacionar com diferenças nos níveis de renda e experiências de emprego de homens e mulheres, além de aspectos culturais4,31. A análise da dimensão do trabalho segundo raça/cor revelou uma diferença entre brancos e negros apenas em relação ao trabalho voluntário, explicada pela escolaridade. A relevância da estratificação por raça/cor de pele em estudos sobre voluntariado se deve ao seu potencial de identificar diferenças em medida de qualidade de vida que tornam o voluntariado possível, tais como educação e renda, ou evidenciar o efeito direto da discriminação racial no acesso desigual ao voluntariado32,33. Quanto às diferenças por nível socioeconômico, o presente estudo apontou que os idosos mais escolarizados e com maior renda eram mais participativos no trabalho remunerado e voluntário. Uma possível explicação para a diferença no trabalho remunerado é que os indivíduos de nível socioeconômico mais baixo costumam apresentar piores condições de saúde e ocupar postos de trabalho mais exigentes fisicamente e menos gratificantes, favorecendo a saída precoce do mercado de trabalho34. E quanto ao voluntariado, as prevalências encontradas podem ser consideradas baixas quando comparadas a outras regiões do mundo4,31, sinalizando possível falta de oportunidade ou falta de incentivo à uma “cultura do voluntariado”3.

O estudo apontou ainda que a população beneficiária de planos privados de saúde era também mais ativa na dimensão social, na prática de atividade física e no envolvimento em trabalho remunerado e voluntário. Essa análise não foi ajustada por renda ou escolaridade com o objetivo de revelar o perfil de engajamento em atividades daqueles que dependem exclusivamente do sistema público de saúde. Nessa perspectiva, o estudo reforça, entre outros aspectos, o papel e a importância do SUS no estímulo à participação social, tendo em vista seu potencial para promover a saúde física e mental dos idosos35. Outro aspecto que o estudo evidenciou foi a desigualdade na prática de atividade física entre a população com e sem plano de saúde. Tal constatação enfatiza a necessidade de ampliação do acesso a práticas corporais e atividade física por meio de programas como a Academia da Saúde e da atuação efetiva dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, considerados aliados importantes na redução da inatividade física entre idosos, bem como da desigualdade nessa prática36,37.

Por se tratar de um estudo transversal, é possível ter ocorrido viés de sobrevivência, considerado como erro lógico de se estudar os idosos que sobreviveram à mortalidade precoce, mais comum entre pessoas com maiores exposições ao risco ao longo da vida. As forças do estudo se devem ao tamanho da amostra, que permitiu estimar a maioria dos indicadores de envelhecimento ativo com bom nível de precisão nos estratos considerados, à qualidade dos dados coletados e ao uso de indicadores pouco explorados para a população idosa brasileira.

CONCLUSÃO

O estudo contribuiu para dar visibilidade a cinco atividades que ainda se apresentam como desafiadoras à proposta política de envelhecimento ativo, tanto por sua baixa prevalência entre os idosos brasileiros, como por serem marcadas por considerável desigualdade social. Os dados mostraram que a participação em distintas atividades na velhice pode estar relacionada aos papéis tradicionais de gênero que se naturalizaram ao longo do ciclo de vida. O estudo também identificou que os idosos com maior nível de renda e escolaridade são mais envolvidos em atividades sociais, físicas e produtivas, reforçando a importância do combate à desigualdade educacional e de renda como forma de promover o envelhecimento ativo. Ainda foi possível evidenciar as possibilidades de contribuição do SUS na efetivação do envelhecimento ativo no Brasil, seja promovendo ações específicas de saúde que favorecem a vida ativa, seja fomentando a participação em atividades com vistas a retroalimentar a saúde dos idosos.

Esses achados reforçam que o enfrentamento das desigualdades sociais é parte importante da estratégia de implementação do envelhecimento ativo, de modo a fornecer soluções adaptadas e apropriadas para os diferentes grupos de idosos e a evitar a imposição de metas pouco factíveis.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Ministério da Saúde pelo financiamento do projeto sob convênio nº 817122/2015 e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a bolsa de produtividade de M. B. A. Barros (Processo nº 309073/2015-4).

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Fonte de financiamento: Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde do Brasil.

Recebido: 17 de Dezembro de 2018; Revisado: 21 de Fevereiro de 2019; Aceito: 11 de Março de 2019

Autor correspondente: Neuciani Ferreira da Silva Sousa. Rua 217, Quadra 44, n. 5, CEP: 78088-225, Cuiabá, MT, Brasil. E-mail: neuciani@yahoo.com.br

Conflito de interesses: nada a declarar

Contribuição dos autores: N. F. S. Sousa participou da concepção, análise, interpretação dos dados e redação do texto. L. P. B. Medina, T. F. Bastos e C. N. Monteiro participaram da análise, interpretação dos dados e revisão crítica do texto. M. G. Lima participou da concepção, análise, interpretação dos dados e revisão crítica do texto. M. B. A. Barros participou da concepção, análise, interpretação dos dados, revisão crítica do texto e aprovação final da versão a ser publicada.

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