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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.22  supl.2 Rio de Janeiro  2019  Epub Oct 07, 2019

https://doi.org/10.1590/1980-549720190006.supl.2 

ARTIGO ORIGINAL

Prevalência de diabetes mellitus determinada pela hemoglobina glicada na população adulta brasileira, Pesquisa Nacional de Saúde

Deborah Carvalho MaltaI 
http://orcid.org/0000-0002-8214-5734

Bruce Bartholow DuncanII 
http://orcid.org/0000-0002-7491-2630

Maria Inês SchmidtII 
http://orcid.org/0000-0002-3837-0731

Ísis Eloah MachadoIII 
http://orcid.org/0000-0002-4678-2074

Alanna Gomes da SilvaIII 
http://orcid.org/0000-0003-2587-5658

Regina Tomie Ivata BernalI 
http://orcid.org/0000-0002-7917-3857

Cimar Azeredo PereiraIV 

Giseli Nogueira DamacenaV 
http://orcid.org/0000-0002-7059-3353

Sheila Rizzato StopaVI 
http://orcid.org/0000-0001-8847-665X

Luiz Gastão RosenfeldVII  *

Celia Landman SzwarcwaldV 
http://orcid.org/0000-0002-7798-2095

IDepartamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública, Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais- Belo Horizonte (MG), Brasil.

IIPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre (RS), Brasil.

IIIPrograma de Pós-Graduação de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG), Brasil.

IVDiretoria de Pesquisas, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

VInstituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Fundação Oswaldo Cruz - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

VIDepartamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde - Brasília (DF), Brasil.

VIICentro de Hematologia de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.


RESUMO:

Objetivo:

Analisar as prevalências de diabetes mellitus segundo diferentes critérios diagnósticos, na população adulta brasileira, segundo os resultados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde.

Métodos:

Análise dos dados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde, coletados entre os anos de 2014 e 2015. Foram calculadas as prevalências de diabetes conforme diferentes critérios diagnósticos. Foram calculadas as prevalências de diabetes segundo o critério de hemoglobina glicosilada ≥ 6,5% ou em uso de medicamentos, empregando regressão de Poisson para o cálculo da razão de prevalência (RP) bruta e ajustada e intervalo de confiança de 95% (IC95%).

Resultados:

A prevalência de diabetes segundo diferentes critérios pode variar 6,6 a 9,4%; e a hiperglicemia intermediária, ou pré-diabetes, de 6,8 a 16,9%. Usando-se o critério laboratorial ou uso de medicamentos, a prevalência de diabetes foi de 8,4%. A RP ajustada para sexo, idade, escolaridade e região foi menor no sexo masculino (RP = 0,75; IC95% 0,63 - 0,89); aumentou com a idade: 30 a 34 anos (RP=2,32; IC95% 1,33 - 4,07), 40 a 59 anos (RP = 8,1; IC95% 4,86 - 13,46), 60 anos ou mais (RP = 12,6; IC95% 7,1 - 21,0); e a escolaridade elevada foi protetora (RP = 0,8; IC95% 0,6 - 0,9). Maior RP foi encontrada na Região Centro-Oeste (RP = 1,3; IC95% 1,04 - 1,7) e naqueles com sobrepeso (RP = 1,8; IC95% 1,4 - 2,1) e obesidade (RP = 3,3; IC95% 2,6 - 4,1).

Conclusão:

A prevalência de diabetes foi maior no sexo feminino, naqueles com idade maior que 30 anos, em população com baixa escolaridade, com excesso de peso e obesidade. Os critérios laboratoriais são mais fidedignos para o conhecimento da situação real do diabetes no país.

Palavras-chave: Diabetes mellitus; Estado pré-diabético; Hemoglobina A glicada; Técnicas de laboratório clínico; Doenças crônicas não transmissíveis; Obesidade

ABSTRACT:

Objective:

To analyze the prevalence of diabetes mellitus (DM) according to different diagnostic criteria, in the Brazilian adult population, according to laboratory results from the Brazilian National Health Survey.

Methods:

Analysis of laboratory data from the National Health Survey, collected between 2014 and 2015. The prevalence of diabetes was calculated according to different diagnostic criteria. The prevalence of diabetes was calculated according to the criterion of glycosylated hemoglobin ≥ 6.5% or using medication, using Poisson regression and calculating crude and adjusted PR and 95%CI.

Results:

The prevalence of diabetes according to different criteria varies from 6.6 to 9.4%. Intermediate or pre-diabetes hyperglycemia ranged from 6.8 to 16.9%. Considering laboratory criteria or medication use, the prevalence of DM was 8.4 (95%CI 7.65-9.11). The adjusted PR for gender, age, educational level and region was lower for males (PR 0.75; 95%CI 0.63 - 0.89), increased with age: 30 to 34 years (PR 2.32; 95% CI 1.33 - 4.07), 40 to 59 years PR 8.1; 95%CI 4.86 - 13.46), 60 years old or older (PR 12.6; 95%CI 7.1 - 21.0), and higher educational levels was protective (PR 0.8; 95%CI 0.6 - 0.9). Therewas a higher PR in the Central West Region (PR 1.3; 95%CI 1.04 - 1.7), in overweight people (PR 1.8; 95%CI 1.4 - 2.1), and in obese people (PR 3.3; 95%CI 2.6 - 4.1).

Conclusion:

The prevalence of diabetes was higher in females, people over 30 years of age, in populations with low educational levels, and people who were overweight and obese. The study advances in determining the diabetes situation in the country through laboratory criteria.

Keywords: Diabetes mellitus; Prediabetic state; Glycated hemoglobin A; Clinical laboratory techniques; Noncommunicable diseases; Obesity

INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus (DM) caracteriza-se por um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos, resultante da hiperglicemia causada por defeitos da ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas1. É uma das quatro doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) identificadas como prioritárias para intervenção pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT, 2011-20222.

A população mundial com DM é estimada em 387milhões e desses, cerca de 80% vivem em países de baixa e média renda, com crescente proporção de pessoas com DM em grupos etários mais jovens3. A mortalidade pelo DM foi estimada em 1,5milhão no ano de 20123. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2013, a prevalência de DM autorreferido para a população brasileira de 18 anos ou mais de idade foi de 6,2%, sendo 7% em mulheres e 5,4% em homens4.

O DM pode afetar a qualidade de vida, sendo estimados 89milhões de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (disability adjusted life years - DALYS) no mundo5. Entreas complicações do DM, destacam-se as macrovasculares (cardiopatia isquêmica, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica) e as microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia)6. Por causa das suas inúmeras comorbidades, complicações e incapacidades, o DM afeta a vida social e ocupacional dos indivíduos acometidos e acarreta custos diretos e indiretos aos portadores, aos sistemas de saúde e à sociedade7.

Para o diagnóstico do DM foi proposta, no ano de 2009, a utilização de hemoglobina glicada (HbA1c)8, sendo esta uma fração da hemoglobina (Hb) produzida na presença de hiperglicemia e, assim, quanto mais elevadas as taxas de glicose livre no sangue, maior a proporção de HbA1c9. O exame de HbA1c tem a vantagem de estimar a média da concentração de glicose no sangue nos últimos 60 a 90 dias, diferentemente da glicemia de jejum ou do teste de tolerância à glicose, que medem em momentos específicos9.

Estudos populacionais autorreferidos têm sido conduzidos nos Estados Unidos10, no Brasil 11,12 e em muitos outros países pela facilidade, menor custo e rapidez da sua coleta9. Entretanto, sua aplicação pode resultar na redução das estimativas, em função de parcelas de casos não diagnosticados previamente, recomendando-se a realização de exames laboratoriais9. Para tanto, a HbA1c é especialmente eficiente, uma vez que não exige jejum ou teste de sobrecarga de glicose9.

Em função disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, entre os anos de 2014 e 2015, acrescentaram HbA1c como parte do componente laboratorial da PNS para possibilitar estimativas mais fidedignas da situação de saúde e doença da população brasileira. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar as prevalências de DM segundo diferentes critérios diagnósticos, na população adulta brasileira, segundo os resultados laboratoriais da PNS.

MÉTODOS

Trata-se de estudo descritivo, utilizando os dados dos exames laboratoriais da PNS entre os anos de 2014 e 2015. A PNS é uma pesquisa de base domiciliar, de âmbito nacional, que utiliza amostras probabilísticas em três estágios. As unidades primárias de amostragem foram os setores censitários ou conjunto de setores, as unidades secundárias, os domicílios e as unidades terciárias, os residentes adultos, com idade igual ou maior que 18 anos. Det alhes sobre o processo de amostragem e ponderação são fornecidos nas publicações sobre os resultados da PNS 13,14.

Na amostra da PNS, foram selecionados 81.254 domicílios, dos quais 69.994 eram domicílios ocupados. A pesquisa foi realizada em 64.348 domicílios e foram entrevistados 60.202indivíduos adultos, selecionados em cada domicílio com equiprobabilidade. Tendo em vista que foram selecionados 25% dos setores censitários para a realização dos exames laboratoriais e supondo-se uma taxa de não resposta de 20%, o número esperado de indivíduos com dados laboratoriais era de 12mil indivíduos, aproximadamente 13,14. Para facilitar a logística da coleta de material biológico, os setores censitários foram selecionados com probabilidade inversamente proporcional à dificuldade de coleta. A seleção da subamostra foi feita com probabilidade proporcional ao inverso da distância do município onde se localiza a unidade primária de amostragem e o município mais próximo com 80mil habitantes ou mais em todas as Unidades da Federação14. Diversos fatores ocasionaram perdas na subamostra de indivíduos indicados para a realização dos exames laboratoriais, como a dificuldade de localização do endereço pelo laboratório contratado e a recusa do morador selecionado em realizar a coleta de material biológico. Assim, a amostra foi constituída por 8.952pessoas. Foram consideradas as ponderações do processo amostral e realizados pesos de pós-estratificação, segundo sexo, idade, escolaridade e região para correção de possíveis vieses.

A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ministério da Saúde. A participação do adulto na pesquisa foi voluntária e a confidencialidade das informações foi garantida. Os participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e autorizaram a coleta de exames laboratoriais.

A HbA1c foi colhida em tubo com ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) e dosada por cromatografia líquida de alta performance por troca iônica (high pressure liquid chromatography - HPLC), em laboratório certificado pelo National Glicohemoglobin Standardization Program. A coleta de sangue periférico foi realizada a qualquer hora do dia, sem jejum.

A OMS9 e a American Diabetes Association(ADA)15 recomendam o valor de HbA1c ≥6,5% para o diagnóstico de DM. Ainda existem divergências quanto aos pontos de corte adotados para hiperglicemia intermediária: para a ADA, o critério é HbA1c entre 5,7 e 6,4%15, para o International Expert Committee (IEC)8, enquanto a evidência ainda não está sólida, valores mais altos, de 6 a 6,4%, são indicativos de maior risco9. O estudo incluiu ainda outros pontos de corte que se referem à categorização de níveis de controle glicêmico em DM15 (ou seja, 6,5 a 6,9%; 7 a 7,4%; 7,5 a 7,9%; 8 a 8,9%; e ≥ 9%). Esses pontos de monitoramento são justificados pelos seguintes critérios: 6,5 a 6,9% (< 7% é o nível de controle recomendado como “razoável” pela ADA)15, 7 a 7,4% e 7,5 a 7,9% (< 8% é a alternativa menos rígida para controle recomendada pela ADA)15, 8 a 8,9%e ≥ 9 (≥ 9% indica que uma intervenção para baixar a glicemia será custo-poupadora [“cost saving”])16.

Para as análises, considerou-se incialmente a comparação de diferentes critérios de diagnósticos de DM: laboratorial (HbA1c ≥ 6,5%); laboratorial ou informar uso de medicamentos (insulina ou hipoglicemiante oral); laboratorial ou autorreferir ter diagnóstico médico de DM; e autorreferir diagnóstico médico de DM. Posteriormente, foi calculada a prevalência de DM segundo o critério laboratorial ou estar em uso de medicamentos para DM, segundo características sociodemográficas: sexo, idade, escolaridade, raça/cor, região e índice de massa corporal (IMC), sendo eutrofia e baixo peso (< 25 kg/m2), sobrepeso (entre 25 e 29,9 kg/m2) e obesidade (≥ 30 kg/m2).

As análises foram realizadas com o auxílio do programa estatístico Data Analysis and Statistical Software (Stata), versão 14, usando-se o comando survey para incorporação dos pesos de pós-estratificação. Realizaram-se análise bivariada e cálculo das prevalências, com intervalo de confiança de 95% (IC95%). Foram calculadas as razões de prevalência (RP) pelo método de regressão de Poisson com variância robusta, brutas e ajustadas segundo idade, sexo, escolaridade e região.

RESULTADOS

Foram coletados 8.952 exames, não sendo incluídos na análise 411, em decorrência de problemas na coleta, tais como material insuficiente, hemólise, perda da amostra e outros. Assim, totalizaram 8.541 exames para análise da HbA1c.

De acordo com as categorias para análise da HbA1c, a presença de DM, segundo critério de HbA1c ≥ 6,5%, foi detectada em 6,6% dos adultos assim distribuidos: 1,9% com HbA1c entre 6,5 e 6,9%; 1,1% com HbA1c entre 7 e 7,4%); 0,8% com HbA1c entre 7,5 e 7,9%; 1,0% com HbA1c entre 8 e 8,9%; e 1,8% com HbA1c ≥ 9%. Não apresentaram alterações no resultado 76,5% da população total, sendo 16,9% com hiperglicemia intermediária segundo o criterio da ADA (HbA1c 5,7 a 6,4%)15 e 6,8% segundo o critério da IEC (HbA1c 6 a 6,4%)8 (Tabela 1).

Tabela 1. Categorias da hemoglobina glicada segundo características sociodemográficas (n=8.541). Brasil, Pesquisa Nacional de Saúde, 2014-2015.  

Categorias HbA1c 1 % Amostra Masculino % Feminino % Total %
< 5,7 6.848 78,5 74,7 76,5
5,7 a 5,9 896 9,4 10,7 10,1
6 a 6,4 566 6,5 7,1 6,8
6,5 a 6,9 175 1,3 2,4 1,9
7 a 7,4 88 0,8 1,3 1,1
7,5 a 7,9 57 0,9 0,8 0,8
8 a 8,9 87 1,1 1,0 1,0
≥ 9 188 1,5 2,0 1,8

Dentre os 6,6% da população que foi identificada pelo critério laboratorial do DM (HbA1c ≥ 6,5%), inseriram-se nos critérios de controle da ADA15: 28,8% da população apresentou valores dentro do nível de controle rígido (HbA1c < 7%); 28,8% da população estava dentro do nível mais flexível de controle glicemico (HbA1c < 8%); e 42,4% apresentava HbA1c ≥ 8% (Tabela 1).

Usando diferentes critérios, a prevalência de DM variou entre: 6,6% pelo critério laboratorial; 8,4% pelo critério laboratorial ou uso de medicamento; 9,4% pelo critétio laboratorial ou autorreferir ter diagnóstico médico prévio de DM; e 7,5% pelo critério diagnóstico médico de DM autorreferido. Em todos os critérios, a prevalência foi mais elevada entre mulheres e nos indivíduos com idade acima de 30 anos, alcançando entre 14,2 e 22,6% acima de 60 anos (Tabela 2).

Tabela 2. Prevalência de diagnóstico de diabetes mellitus segundo diferentes critérios. Brasil, Pesquisa Nacional de Saúde, 2014-2015. 

Variáveis Laboratorial Laboratorial ou uso de medicamentos Laboratorial ou autorreferido Autorreferido
% IC95% % IC95% % IC95% % IC95%
Total 6,6 5,93 - 7,24 8,4 7,65 - 9,11 9,4 8,63 - 10,14 7,5 6,73 - 8,19
Sexo
Masculino 5,59 4,68 - 6,51 6,90 5,90 - 7,91 7,80 6,74 - 8,86 6,39 5,29 - 7,49
Feminino 7,48 6,55 - 8,41 9,7 8,65 - 10,74 10,79 9,73 - 11,86 8,33 7,35 - 9,31
Faixa etária (anos)
18 a 29 1,45 0,73 - 2,17 1,47 0,75 - 2,19 2,01 1,14 - 2,88 1,44 0,53 - 2,35
30 a 44 3,19 2,26 - 4,13 3,48 2,53 - 4,43 4,00 3,02 - 4,99 2,43 1,60 - 3,26
45 a 59 10,46 8,88 - 12,04 12,60 10,88 - 14,32 13,96 12,21 - 15,70 10,81 9,13 - 12,49
60 ou mais 14,24 12,21 - 16,26 20,59 18,22 - 22,96 22,66 20,25 - 25,07 18,22 15,95 - 20,50

IC95%: intervalo de confiança de 95%.

No critério laboratorial (HbA1c ≥ 6,5%) ou informar uso de medicamentos (insulina ou hipoglicemiante oral), a prevalência de DM foi de 9,7% em mulheres (IC95% 8,65 - 10,74) e 6,9% em homens (IC95% 5,90 - 7,91); maior acima de 30 anos, alcançando 20,6% (IC95% 18,22 - 22,96) naqueles com mais de 60 anos; e na população do Sudeste e Centro-Oeste. Um total de 8,5% (IC95% 7,3 - 9,8) dos com sobrepeso e 16,9% (IC95% 14,7 - 19,0) dos obesos apresentou DM (Tabela 3).

Tabela 3. Prevalência de diabetes mellitus (hemoglobina glicada ≥ 6,5% ou uso de medicamentos), segundo características sociodemográficas e índice de massa corporal. Brasil, Pesquisa Nacional de Saúde, 2014-2015. 

Variáveis % IC95%
Total 8,4 7,6 - 9,1
Sexo
Feminino 9,7 8,6 - 10,7
Masculino 6,9 5,9 - 7,9
Faixa etária (anos)
18 a 29 1,47 0,75 - 2,19
30 a 44 3,48 2,53 - 4,43
45 a 59 12,60 10,88 - 14,32
60 ou mais 20,59 18,22 - 22,96
Escolaridade
Sem instrução 12,35 11,03 - 13,66
Fundamental 7,41 5,62 - 9,20
Médio completo 5,33 4,39 - 6,27
Raça/cor
Branca 8,42 7,28 - 9,55
Preta 10,26 7,47 - 13,05
Parda 7,93 6,95 - 8,91
Outra 7,70 3,35 - 12,06
Região
Norte 6,29 5,25 - 7,33
Nordeste 7,64 6,71 - 8,57
Sudeste 9,29 7,87 - 10,71
Sul 7,43 5,87 - 8,98
Centro-oeste 9,39 7,55 - 11,24
Índice de massa corporal
Baixo peso/normal 4,03 3,25 - 4,81
Sobrepeso 8,54 7,32 - 9,77
Obesidade 16,86 14,68 - 19,03

IC95%: intervalo de confiança de 95%.

A Tabela 4apresenta a RP bruta e ajustada (RPaj) por idade, sexo, escolaridade, raça/cor, região e IMC. Os ajustes foram realizados para levar em conta possíveis fatores confundidores na interpretação dessas associações. Homens apresentaram menor RP (RPaj=0,75; IC95% 0,63 - 0,89). A prevalência cresceu com a idade: 30 a 44 anos (RPaj = 2,32; IC95% 1,33- 4,07), 45 a 59 anos (RPaj = 8,1; IC95% 4,8 - 13,5), 60 anos e mais (RPaj = 12,7; IC95% 7,61- 21,0). A escolaridade mais elevada mostrou-se protetora (RPaj = 0,79; IC95% 0,64 - 0,97) e foi mais elevada na Região Centro-Oeste (RPaj = 1,34; IC95% 1,04 - 1,72). Mantiveram-se positivamente associados ao DM após os ajustes, o sobrepeso (RPaj = 1,78; IC95% 1,4 - 2,26) e a obesidade (RPaj = 3,3; IC95% 2,6 - 4,14) (Tabela 4).

Tabela 4 Razão de prevalência bruta e ajustada de diabetes mellitus (hemoglobina glicada ≥6.5% ou uso de medicamentos), segundo características sociodemográficas e índice de massa corporal. Brasil, Pesquisa Nacional de Saúde, 2014-2015. 

Variáveis RPbruta IC95% RPajustada* IC95%
Sexo
Feminino 1,00 1,00
Masculino 0,71 0,59 - 0,85 0,75 0,63 - 0,89
Faixa etária (anos)
18 a 29 1,00 1,00
30 a 44 2,36 1,35 - 4,13 2,32 1,33 - 4,07
45 a 59 8,56 5,16 - 14,21 8,09 4,86 - 13,46
60 ou mais 13,99 8,47 - 23,10 12,65 7,61 - 21,00
Escolaridade
Sem instrução 1,00 1,00
Fundamental 0,60 0,46 - 0,78 1,07 0,83 - 1,39
Médio completo ou mais 0,43 0,35 - 0,53 0,79 0,64 - 0,97
Raça/cor
Branca 1,00 1,00
Preta 1,22 0,90 - 1,65 1,21 0,89 - 1,65
Parda 0,94 0,78 - 1,13 1,09 0,89 - 1,32
Outra 0,92 0,51 - 1,64 0,91 0,49 - 1,72
Região
Norte 1,00 1,00
Nordeste 1,21 0,99 - 1,49 1,05 0,86 - 1,28
Sudeste 1,48 1,18 - 1,85 1,18 0,95 - 1,48
Sul 1,18 0,90 - 1,54 0,96 0,74 - 1,25
Centro-Oeste 1,49 1,16 - 1,93 1,34 1,04 - 1,72
Índice de massa corporal
Baixo peso/normal 1,00 1,00
Sobrepeso 2,12 1,67 - 2,69 1,78 1,41 - 2,26
Obesidade 4,18 3,32 - 5,27 3,30 2,63 - 4,14

RP: razão de prevalência; *ajustada por idade, sexo, escolaridade e região; IC95%: intervalo de confiança de 95%.

DISCUSSÃO

O estudo identificou que 6,6% dos adultos têm hemoglobina glicada ≥ 6,5%; e a proporção de hiperglicemia intermediária, ou pré-diabetes, foi de 6,8% quando definida pelos critérios da IEC8 e 16,9% quando definida pelos criterios da ADA15. A prevalência de DM foi mais elevada quando foram adotados critérios simultâneos, como a associação do critério laboratorial ou uso de medicamentos e do critério laboratorial ou autorreferido. Em todos os critérios as mulheres apresentaram prevalência mais elevada, além de aumentar com a idade, chegando a cerca de um quinto da população de idosos com DM. Usando-se o critério de hemoglobina glicada alterada ou uso de medicamentos, após ajustes por variáveis como sexo, idade, escolaridade e região, as RP mostraram-se mais elevadas para o sexo feminino, idade, baixa escolaridade, Região Centro-Oeste, sobrepeso e obesidade.

No Brasil, as estimativas da prevalência de DM são em geral autorreferidas. O Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) estima que ocorreu crescimento da prevalência nas capitais do Brasil, aumentando de 5,5% em 2006 para 7,6% em 201717. A PNS, utilizando o mesmo critério, identificou prevalência de 6,2% da população população brasileira em 2013, o que representaria um contingente populacional de cerca de nove milhões de portadores de DM18.

O estudo aponta ainda a elevada proporção de hiperglicemia, atingindo cerca de um quinto dos idosos. Esses dados preocupam frente à importância de controle de hiperglicemia para evitar os efeitos vasculares e sistêmicos do DM1.

O estudo identificou o predomínio do DM entre mulheres. A literatura destaca aspectos como diabetes gestacional e alterações hormonais na menopausa, elevando a adiposidade abdominal, como justificativas para o crescimento do DM entre mulheres19,20. Entretanto,em diversos países como Australia21, Inglaterra22 e Brasil, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA)23, utilizando critérios laboratoriais, detectou prevalências mais elevadas de DM entre homens. Portanto, esse tema ainda precisa ser aprofundado em próximas investigações.

Quanto à idade, os idosos apresentam prevalências mais elevadas, o que pode ser justificado pelas alterações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento 24,25. O DM em idosos está relacionado a um risco maior de morte prematura, maior associação com outras comorbidades e com as grandes síndromes geriátricas, além dos prejuízos em relação à capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida26. Torna-se importante destacar que o DM vem se elevando em populações jovens, bem como o desenvolvimento da síndrome metabólica, associada a doenças cardiovasculares na vida adulta. O aumento na prevalência da obesidade na adolescência nos últimos anos, em parte em função da alimentação inadequada e inatividade física, explicaria, em grande parte, o avanço da doença nas populações jovens 27,28.

O excesso de peso atinge mais da metade da população adulta brasileira e a obesidade, cerca de 17,4%, sendo sugestivo de um padrão de estilo de vida com alimentos gordurosos, açúcares e inatividade física29. O estudo apontou forte associação entre sobrepeso, obesidade e DM. Os mecanismos fisiopatológicos que resultam na associação entre obesidade e DM são complexos e multifatoriais23. Entre as alterações, destacam-se o aumento dos ácidos graxos livres circulantes, a diminuição da adiponectina e a secreção, pelo tecido adiposo, de citocinas que, em última análise, exacerbam a resistência à insulina e levam à posterior exaustão das células pancreáticas produtoras de insulina, agravando o quadro 23,24.

Em relação à maior frequência de DM nas populações de baixa escolaridade, essa associação já havia sido constatada no Brasil 30,31,32 e em outros países33. A escolaridade coloca-se como um importante indicador socioeconômico e implica riscos diferenciados no processo de saúde e doença, especialmente por conta do ambiente vulnerável de vida, do menor acesso aos serviços de saúde e das práticas mais desfavoráveis de alimentação, atividade física, cuidados com o corpo e prevenção de doenças 31,33. Embora ainda existam problemas quanto ao acesso aos serviços de saúde, a PNS indicou que os portadores de DM têm acesso à assistência médica (70%), às consultas com especialistas (83,3%) e aos medicamentos (80,2%), sendo que mais da metade os recebem pelo Programa Farmácia Popular18. Além de uma organização da linha de cuidado do DM do Sistema Único de Saúde (SUS), que visa fortalecer e qualificar a atenção à pessoa com a doença por meio da integralidade e da longitudinalidade do cuidado em todos os pontos de atenção34. Esses dados revelam a importância do SUS na redução das iniquidades em saúde e na possibilidade de acesso às medidas assistenciais 18,34.

Entre as regiões do Brasil, a maior RP foi encontrada no Centro-Oeste, semelhante a dados autorreferidos, que apontam mais diagnósticos do DM no Centro-Oeste, Sul e Sudeste 17,18.

O estudo também apontou prevalências elevadas de pré-diabetes, com comportamento semelhante de aumento com a idade, chegando a acometer aproximadamente um sexto de idosos (dados não mostrados). Da mesma forma, estudos do ELSA Brasil23 também identificaram elevadas frequências de hiperglicemia intermediária, variando de 16,1 a 52,6%, dependendo da definição utilizada.Esses dados aumentam a necessidade de atenção e monitoramento das populações, principalmente aquelas que apresentam fatores de risco como doença cardiovascular, obesidade, sedentarismo, além de traço genético. A abordagem terapêutica dos casos detectados, o monitoramento e o controle da glicemia, bem como o início do processo de educação em saúde são fundamentais para a prevenção de complicações e manutenção de sua qualidade de vida35.

Foram ainda identificados diferentes níveis de HbA1c. A ADA15 define que para indivíduos já com diagnóstico de DM, a HbA1c deveria ser mantida abaixo de 7%, o que protegeria contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do DM e da neuropatia. Indivíduos com longa duração do DM, que apresentam complicações crônicas já instaladas (alteração ocular, renal, aterosclerose, neuropatia), podem ter alvos de controles menos rígidos de HbA1c, até 8%15. No presente estudo, cerca de 60% daqueles com HbA1c ≥ 6,5% tiveram valores abaixo de 8%, entretanto são dados preliminares, na medida em que não foram investigadas outras comorbidades, nem o uso de medicação para definição de controle de DM.

Dentre outras limitações do estudo, a taxa de insucesso em obter valores laboratoriais foi alta, especialmente devido à dificuldade de localização do endereço pelo laboratório contratado. Entretanto, pesos de pós-estratificação aplicados permitem inferir as estimativas para a população geral.

CONCLUSÃO

Este é o primeiro estudo que analisou a prevalência de DM usando dados laboratoriais em amostra representativa da população brasileira, o qual servirá como linha de base para estudos futuros.

O estudo encontrou até um décimo da população com DM, conforme o critério adotado. Aproporção com pré-diabetes pode chegar até a um sexto da população. A prevalência foi mais elevada entre mulheres, aumentou com a idade e foi maior em populações de baixa escolaridade, com sobrepeso, obesidade e no Centro-Oeste do país. Chamam atenção as iniquidades em saúde e a necessidade de ampliar o acesso e os cuidados para a população mais vulnerável. A realização dos exames laboratoriais pela PNS contribui com a vigilância e atenção à saúde no SUS e pode apoiar o monitoramento do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT e das metas de redução da mortalidade prematura por DCNT da OMS.

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Fonte de financiamento: Secretaria de Vigilancia em Saúde, Ministério da Saúde (TED 66).

Recebido: 18 de Dezembro de 2018; Revisado: 23 de Fevereiro de 2019; Aceito: 01 de Março de 2019

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in memoriam.

Conflito de interesses: nada a declarar

Contribuição dos autores: D. C. Malta participou da concepção e do planejamento do estudo laboratorial de PNS, do planejamento do estudo, da concepção, da análise e interpretação dos dados, elaborou a primeira versão do manuscrito e aprovou a versão final do manuscrito. B. B. Duncan e M. I. Schmidt participaram do planejamento do estudo, da análise e interpretação dos dados, da revisão crítica do conteúdo e aprovaram a versão final do manuscrito. C. L. Szwarcwald participou da concepção e planejamento do estudo laboratorial de PNS, participou do planejamento do estudo, da concepção, da análise e interpretação dos dados e aprovou a versão final do manuscrito. R. T. I. Bernal e I. E. Machado participaram do planejamento do estudo, das análises estatísticas, da interpretação dos dados e aprovaram a versão final do manuscrito. L. G. Rosenfeld coordenou a coleta de campo, concepção e planejamento do estudo laboratorial da PNS, participou na definição de parâmetros laboratoriais, no planejamento do estudo e na revisão. A. C. Pereira participou da concepção e do planejamento do estudo laboratorial de PNS, participou do planejamento do estudo, contribuiu na análise e interpretação dos dados, assim como na revisão crítica do conteúdo e aprovação da versão final do manuscrito. A. G. Silva, G. N. Damacena e S. R. Stopa contribuíram na análise e interpretação dos dados, assim como na revisão crítica do conteúdo e aprovação da versão final do manuscrito.

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