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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

Print version ISSN 1516-0572

Rev. bras. plantas med. vol.12 no.2 Botucatu Apr./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722010000200016 

Avaliação da atividade antibacteriana e prospecção fitoquímica de Solanum paniculatum Lam. e Operculina hamiltonii (G. Don) D. F. Austin & Staples, do semi-árido paraibano

 

Evaluation of antibacterial activity and phytochemical prospection of Solanum paniculatum Lam. and Operculina hamiltonii (G. Don) D. F. Austin & Staples from the semi-arid region of Paraíba State, Brazil

 

 

Lôbo, K.M.SI; Athayde, A.C.RII; Silva, A.M.AIII; Rodrigues, F.F.GIV; Lôbo, I.SV; Bezerra, D.A.CI; Costa, J.G.MIV,*

IPrograma de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Campina Grande, Av. Universitária, s/n, Santa Cecília, Caixa Postal 64, CEP: 58700-970, Patos-Brasil katiusciax@gmail.com; biologace@hotmail.com
IIUnidade Acadêmica de Ciências Biológicas/CSTR da Universidade Federal de Campina Grande, CEP: 58700-970, Patos-Brasil athayde@cstr.ufcg.edu.br
IIIUnidade Acadêmica de Medicina Veterinária, CSTR da Universidade Federal de Campina Grande, CEP: 58700-970, Patos-Brasil aderbal@cstr.ufcg.edu.br
IVUniversidade Regional do Cariri - URCA, Programa de Pós-Graduação em Bioprospecção Molecular, Laboratório de Pesquisas de Produtos Naturais, CEP: 63105.000, Crato-Brasil fabiolafer@gmail.com
VSaúde Pública, Universidade Regional do Cariri, CEP: 63105.000, Crato-Brasil inalzuir@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Devido ao aparecimento de populações de parasitos resistentes, as drogas farmacêuticas, alternativas de controle, estão sendo pesquisadas utilizando plantas medicinais. O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antibacteriana e realizar a análise fitoquímica do extrato etanólico de duas espécies do semi-árido paraibano, Solanum paniculatum Lam. e Operculina hamiltonii (G. Don) D. F. Austin & Staples. As referidas espécies são muito utilizadas pela população rural contra verminoses gastrintestinais de ovinos. A prospecção fitoquímica foi obtida a partir dos extratos etanólicos para análise dos constituintes químicos existentes nas duas espécies. As análises dos extratos indicaram a presença de taninos flobabênicos, flavononóis, flavononas e alcalóides em ambas as espécies. A atividade antibacteriana foi determinada inicialmente pelo método de difusão em cavidade. A espécie S. paniculatum apresentou atividade contra Staphylococcus aureus (ATCC 12692), Escherichia coli (ATCC 25922) e Pseudomonas aeruginosa (ATCC 15442), no entanto O. hamintonii não demonstrou atividade contra as linhagens bacterianas testadas.

Palavras-chave: Solanum paniculatum, Operculina hamiltonii, extratos etanólicos, atividade antibacteriana


ABSTRACT

The emergence of resistant parasite populations has led to the study of pharmaceutical drugs, which represent an alternative control. This study aimed to evaluate the antibacterial activity and to perform the phytochemical analysis of the ethanol extract from two species belonging to the semi-arid region of Paraíba State, Brazil: Solanum paniculatum Lam. and Operculina hamiltonii (G. Don) D. F. Austin & Staples. Such species have been largely used by the rural population against ovine gastrointestinal helminthes. Phytochemical prospection was obtained from ethanol extracts for analysis of chemical compounds present in both species. Extract analyses indicated the presence of condensed tannins, flavonols, flavanones, and alkaloids in both species. The antibacterial activity was initially determined by the cavity method. The species S. paniculatum had activity against Staphylococcus aureus (ATCC 12692), Escherichia coli (ATCC 25922) and Pseudomonas aeruginosa (ATCC 15442); however, O. hamintonii did not present activity against the tested bacterial strains.

Key words: Solanum paniculatum, Operculina hamiltonii, ethanol extracts, antibacterial activity


 

 

INTRODUÇÃO

Por longo período, as plantas foram utilizadas para a pesquisa de produtos naturais, a utilização de plantas medicinais na prática tradicional ainda existe entre os povos de todo o mundo e nos últimos anos tem recebido incentivos da própria Organização Mundial de Saúde (WHO, 2002). Na última década se observou intenso estudo acerca de terapias naturais, por muitos fatores econômicos e sociais que vêm colaborando para o desenvolvimento de práticas de saúde pública (WHO, 2002; Albuquerque & Hanazaki, 2006).

Apesar da grande diversidade de antimicrobianos que agem sobre diversos microrganismos patogênicos, estudos buscam pelo ideal, ou seja, aquele que apresenta maior espectro de ação, menor toxicidade, menor custo e menor indício de resistência bacteriana, haja vista que já existe resistência bacteriana a alguns produtos antimicrobianos (Nascimento et al., 2000; Pazhani et al., 2004). A atividade antimicrobiana desejada pode ser encontrada em espécies de plantas medicinais. A flora brasileira apresenta-se altamente diversificada em espécies que na maioria ainda não foi pesquisada cientificamente quanto à ação antimicrobiana (Simões et al., 2000; Auricchio & Bacchi, 2003).

Em razão ao grande aumento da resistência de microrganismos patogênicos a múltiplas drogas e devido ao uso indiscriminado de antimicrobianos surge a preocupação para a procura de novas alternativas terapêuticas (Oliveira et al., 2007a). O uso de extratos e componentes químicos vegetais ambos com propriedades antimicrobianas vêm contribuindo para resultado satisfatório em tratamentos terapêuticos (Albuquerque & Hanazaki, 2006; Oliveira et al., 2007b).

A avaliação do potencial terapêutico de plantas medicinais e de alguns dos constituintes, tais como, flavonóides, alcalóides, triterpenos, sesquiterpenos, taninos e lignanas, tem sido objeto de incessantes estudos (Havsteen, 1983).

O impacto da crescente resistência dos microrganismos a antibióticos e substâncias específicas intensificou a pesquisa para o desenvolvimento de novas drogas que sejam capazes de combater as estratégias de adaptação que esses organismos elaboram (Prates et al., 2000). Nas últimas décadas, os fitofármacos têm sido usados como alternativa no meio terapêutico, mediante as propriedades antimicrobianas (Kreuger et al., 2007; Simões et al., 2008).

O conhecimento prévio das classes de componentes químicos encontrados nos vegetais se torna necessário para fornecer a relação dos princípios ativos. Uma vez detectada a presença de determinados grupos químicos, o estudo fitoquímico e biológico é direcionado.

Dentre as inúmeras famílias botânicas que apresentam atividades terapêuticas comprovadas, a família Solanaceae oferece muitas contribuições na medicina e os efeitos de algumas das substâncias vão desde antialérgicos a alucinógenos. A espécie Solanum paniculatum L. conhecida como Jurubeba, Jurupeba, Juripeba, Juvena, Jubeba Juina ou Juna (Mesia-Vela et al., 2002) é muito utilizada na medicina popular contra verminoses gastrintestinais de ovinos (Santos et al., 2007), humanos e no tratamento de icterícia, hepatite crônica e antitérmicos (Forni-Martins et al., 1998; Vieira et al., 2008).

Operculina hamiltonii (G. Don) D. F. Austin & Staples é trepadeira de aspecto ornamental pertencente à família Convolvulaceae, conhecida como batata de purga, Jalapa-brasileira, Jalapa, raiz-do-jeticucu e mecoacã (Pereda-Miranda et al., 2003). Essa espécie é utilizada popularmente como purgativa, depurativa do sangue (Martins et al., 2000) e anti-helmíntica (Chagas, 2004; Brito Júnior, 2006; Rodrigues et al., 2007).

Ensaios biológicos avaliam substâncias oriundas de plantas deste gênero, tanto com extratos como com substâncias isoladas. No entanto, ainda são poucas as pesquisas que relatam as propriedades biológicas de espécies vegetais da Caatinga.

Desta forma, tais pesquisas podem favorecer o desenvolvimento e a descoberta de novas drogas vegetais para contribuição significativa no campo da saúde em nível mundial, encontrando substâncias mais eficazes e menos tóxicas contra microrganismos patogênicos e multirresistentes (Barbosa-Filho et al., 2007).

Sabendo-se que a Caatinga apresenta espécies vegetais de grande potencial farmacológico e terapêutico este trabalho objetiva avaliar o potencial antibacteriano, bem como a investigação fitoquímica de S. paniculatum e de O. hamiltonii.

 

MATERIAL E MÉTODO

Coleta e identificação do material vegetal

As raízes da jurubeba (S. paniculatum) foram coletadas na cidade de Teixeira-PB e as raízes da batata de purga (O. hamiltonii) no Núcleo de Pesquisa para o Trópico Semi-árido (NUPEÁRIDO) do CSTR da UFCG na cidade de Patos, ambas coletadas em junho de 2006. A identificação botânica foi realizada pela Profª Drª Arlene Pessoa da Silva e as exsicatas depositadas no Herbário Caririense Dárdaro de Andrade Lima da Universidade Regional do Cariri, sob os respectivos registros #4016 e #3750.

Obtenção dos extratos

Para a elaboração dos extratos das raízes secas de S. paniculatum e O. hamiltonii foram utilizados 495 g e 500 g respectivamente. O material vegetal foi triturado e submerso em etanol absoluto para extração a frio dos constituintes químicos por 72 horas. Os extratos brutos foram obtidos por destilação do solvente em evaporador rotativo obtendo massas finais de 6,10 g e 9,50 g, respectivamente.

Avaliação da atividade antibacteriana

Para a avaliação da atividade antibacteriana foi realizado inicialmente um screening por difusão em cavidade em concentrações que variaram de 10 a 0,3% (Bauer, 1966). Foram utilizadas seis culturas padrão, sendo uma Gram-positiva, a Staphylococcus aureus (ATCC 12692) e cinco Gram-negativas, Pseudomonas aeruginosa (ATCC 15442), Escherichia coli (ATCC25922), Proteus vulgaris (ATCC 13315), Shigella flexineri (ATCC 12022) e Klebsiella pneumoniae (ATCC 10031). O teste foi acompanhado por um controle negativo com etanol absoluto e controles positivos com os antibióticos Amicacina (30 µg), Cloranfenicol (30 µg) e Tetraciclina (30 µg).

As linhagens sensíveis ao screening foram avaliadas para determinação da concentração inibitória mínima (CIM) utilizando a metodologia de microdiluição em caldo, com base no documento M7-A6 (CLSI/NCCLS) para bactérias. Previamente aos testes, as cepas bacterianas foram ativadas em meio Brain Hear Infusion Broth (BHI) durante 24 horas a 35 ± 2ºC. Foram utilizadas três linhagens padrões, sendo uma Gram-positiva, Staphylococcus aureus (ATCC 12692) e duas Gram-negativas, Pseudomonas aeruginosa (ATCC 15442) e Escherichia coli (ATCC 2992). Após este subcultivo, procedeu-se à padronização do inóculo, que consistiu na preparação de uma suspensão bacteriana em BHI, cuja turvação fosse similar ao tubo 0,5 da Escala McFarland (1 x 108 UFC mL-1). A seguir, esta suspensão foi diluída a 1 x 106 UFC mL-1 em caldo BHI a 10%, e volumes de 100 mL foram então homogeneizados nos poços de placa de microdiluição acrescido de diferentes concentrações dos extratos de S. paniculatum e O. hamiltonii, resultando num inóculo final de 5 x 105 UFC mL-1.

Os extratos foram solubilizados inicialmente em dimetilsufóxido e água destilada (DMSO) de forma a obter-se solução estoque de 103 mg mL-1. As concentrações finais das frações no meio de cultura foram 512, 256, 128, 64, 32, 16 e 8 mg mL-1. Os testes foram efetuados em triplicata. As placas foram incubadas a 35 ± 2ºC durante 24 horas. Como revelador foi utilizado 25 mL por poço de resazurina a 0,01%. O controle negativo foi realizado com o caldo BHI. A concentração inibitória mínima (CIM) foi definida como a menor concentração capaz de inibir completamente o crescimento microbiano, nos poços de microdiluição conforme detectado a olho nu. A leitura dos resultados para determinação da CIM foi considerada como positiva para os poços que permaneceram com a coloração azul e como negativa os que obtiveram coloração vermelha.

Prospecção fitoquímica

Os extratos brutos foram submetidos a uma série de reações de caracterização fitoquímica para detecção da presença de metabólitos secundários como compostos fenólicos (reação de precipitação com cloreto férrico), naftoquinona (reação ácido/base), caracterização de flavonóides (reação de cianidina e ácido sulfúrico, A-I e A- II), taninos (reação com sais de ferro, precipitação de proteínas, B-I e B-II), cumarinas (observação sob a luz ultravioleta), triterpenos e esteróides (reação de Liebermann-Burchard), identificação de heterosídeos cardiotônicos (teste de Baljet e teste de Kedde, C-I e C-II), alcalóides (reação com dragendorff) e caracterização de saponinas (reação de Lieberman-Buchard e o índice de espuma), segundo metodologia descrita por Simões et al. (2000) e Matos (1997).

 

RESULTADO E DISCUSSÃO

Os extratos vegetais das duas espécies utilizados no experimento apresentaram atividade antibacteriana (inativação e/ou inibição) seletiva sobre os diferentes inóculos bacterianos utilizados.

A espécie Solanum paniculatum demonstrou melhor atividade contra maior número de microrganismos ensaiados (S. aureus, E. coli e P. aeruginosa), bem como, por apresentar valores de CIM, portanto, mais efetivos. Esta maior atividade provavelmente esteja relacionada à grande quantidade de classes alcalóides e taninos presentes neste extrato. Enquanto que a espécie O. hamiltonii não apresentou atividades em nenhuma das linhagens avaliadas.

As Tabelas 1 e 2 demonstram os resultados obtidos na avaliação destes extratos e a ação dos antibióticos utilizados.

Foram observados halos de inibição de 12 mm, sendo considerado ativo o extrato de jurubeba nas concentrações 5 e 2,5%, dados semelhantes ao antibiótico cloranfenicol testado como controle positivo para a cepa de S. aureus.

O extrato de S. paniculatum na concentração de 10% apresentou semelhante halo de inibição do crescimento da E. coli de frente ao quimioterápico tetraciclina. Também foi comprovado que S. flexineri e K. pneumoniae não apresentaram sensibilidade.

Em trabalho com o extrato hidroalcoólico do cajueiro (Anacardium occidentale Linn.), Silva et al. (2007) relataram que houve significante atividade antimicrobiana in vitro sobre as linhagens de S. aureus de origem humana hospitalar resistentes (MRSA) e sensíveis a meticilina (MSSA), podendo associar este fato ao tanino existente nesta espécie. A eficiência do extrato de S. paniculatum pode ter sido devido à presença de alcalóides e taninos, já que, os primeiros são compostos azotados complexos, de natureza básica, capazes de produzir geralmente poderosos efeitos fisiológicos, e na maior parte dos casos, venenos vegetais muito ativos (Berti, 2009).

Como a atividade antimicrobiana dessas espécies deve estar relacionada ao teor de taninos encontrados nas raízes, podemos especular que O. hamiltonii possua teores de taninos menores que S. paniculatum.

Alguns mecanismos propostos, como desnaturação protéica, inibição enzimática e desintegração da membrana ocasionam uma provável interação entre os componentes do extrato, acarretando em sinergismo e/ou antagonismo (Janssen, 1989). Na espécie Eucalypus dives, foi observado que o teste frente a alguns microorganismos isolados, o óleo essencial total e fracionado mostrou sinergismo e/ou antagonismo, promovendo maior e/ou menor atividade antimicrobiana (Delasquis et al., 2002).

Estudos anteriores avaliaram o efeito in vitro do extrato etanólico raiz de Solanum paniculatum sobre ovos e larvas de nematóides gastrintestinais de caprinos, onde se observou que quanto maior a diluição do extrato menor o número de ovos viáveis, não havendo diferença significativa entre 25% e 50%, sendo esta última a que deferiu estatisticamente das outras diluições apresentando maior número de larvas inviáveis, talvez devido a melhor aderência do extrato as larvas, demonstrando a ação ovicida e larvicida (Cordeiro, 2008).

Os halos analisados dos antibióticos Cloranfenicol, Tetraciclina (Tabela 2) demonstraram pouca eficiência nas cepas de Proteus vulgaris, P. aeruginosa e K. pneumoniae, mostrando-se resistentes. O antibiótico Amicacina apresentou boa resposta para inibição de todas as cepas.

Estes dados corroboram com os testes realizados com extrato hidroalcoólico da raiz de Operculina macrocarpa (L.) Urb., uma das espécies da família Convolvulaceae, não apresentaram atividade antimicrobiana frente aos microrganismos testados (Escherichia coli ATCC 25922, Bacillus subtilis ATCC 9372, Staphylococcus aureus ATCC 25923, Pseudomonas aeruginosa ATCC 27853 e Candida albicans ATCC 10231) (Michelin, 2005).

É importante destacar que Pérez-Amador et al. (1998) avaliaram a atividade antibacteriana das resinas de quatro espécies da família Convolvulaceae (Merremia tuberosa (L.) Rendle, Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f., Operculina pinnatifida (Kunth) O'Donell e Turbina corymbosa (L.) Raf.) contra Escherichia coli e Bacillus subtilis em diferentes concentrações (10, 20 e 30 mg mL-1). Os resultados mostraram que as resinas das duas espécies de Merremia mostraram pequena atividade antibacteriana, e nenhuma atividade foi observada com O. pinnatifida e T. corymbosa.

Nascimento et al. (2006) relataram a atividade antimicrobiana in vitro de extratos vegetais de Solanum paniculatum Lam., sobre o crescimento de Ralstonia solanacearum e demonstraram que os solventes utilizados (acetona, clorofórmio, diclorometano e etanol 85%) na preparação dos extratos de jurubeba, somente o etanol 85% mostrou capacidade inibitória sobre a cepa bacteriana por remover as substâncias da planta que foram capazes de interferir no crescimento bacteriano. Os halos de inibição ocorreram em torno dos discos impregnados com extratos etanólicos nas maiores concentrações de 100, 125 e 150 mg mL-1, com diâmetros de 2,6; 3,0 e 3,4 mm, respectivamente. Dados corroboram com os apresentados neste experimento, onde o etanol, solvente utilizado, conseguiu extrair os princípios ativos dos extratos das plantas analisadas.

Os resultados da determinação da concentração inibitória mínima para Solanum paniculatum indicam que essa espécie apresenta moderada atividade antimicrobiana por apresentar um CIM para duas linhagens Gram-negativas (CIM>512) e uma Gram-positiva (CIM>256).

A maioria das plantas do gênero Solanum apresenta alcalóides esteroidais e saponinas esteroidais, glicoalcalóides e flavonóides que são importantes na defesa natural das plantas como metabólitos secundários; várias atividades biológicas são relatadas por possuir grande interesse na medicina tradicional, sendo aplicado como anabólicos, antiflogísticos, antialérgicos, contraceptivos, diuréticos, imunossupressores e tônicos (Mola et al., 1997; Cheng et al., 2008; Vieira et al., 2008).

Pelos resultados apresentados na Tabela 3, as classes de substâncias revelaram que taninos flobabênicos, flavononóis, flavononas e alcalóides estão presentes em S. paniculatum e O. hamiltonii.

Estudos realizados por Vieira et al. (2008) relataram a presença de alcalóides do tipo glicoalcalóides além de compostos como glicídios, saponinas esteroidais e resinas em espécies de S. paniculatum.

 

CONCLUSÃO

As análises fitoquímicas realizadas neste trabalho revelaram que as espécies estudadas apresentam compostos pertencentes às classes dos alcalóides e taninos, que podem ser potencialmente ativos em modelos biológicos e farmacológicos.

Os ensaios antibacterianos indicaram sensibilidade do extrato da raiz de Solanum paniculatum contra P. aeruginosa, E. coli e S. aureus.

A espécie Operculina hamiltonii não obteve resultados satisfatórios frente às linhagens testadas demonstrando apenas possível sinergismo entre o extrato e o antibiótico.

Tendo em vista a grande diversidade de espécies nativas presentes no Brasil vêem-se o grande potencial fitoquímico armazenado à espera de novas pesquisas que comprovem o verdadeiro valor biológico das plantas medicinais, de baixo custo e de fácil acesso a população.

 

AGRADECIMENTO

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro. A Fundação Oswaldo Cruz- FIOCRUZ pela concessão das bactérias.

 

REFERÊNCIA

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Recebido para publicação em 26/05/09
Aceito para publicação em 21/09/09

 

 

* galberto.martins@gmail.com