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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572

Rev. bras. plantas med. vol.12 no.3 Botucatu jul./set. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722010000300006 

Plantas medicinais utilizadas em comunidades rurais de Oeiras, semiárido piauiense

 

Medicinal plants used in rural communities from Oeiras Municipality, in the semi-arid region of Piauí State (PI), Brazil

 

 

Oliveira, F.C.S.I, *; Barros, R.F.M.II; Moita Neto, J.M.III

IUniversidade Federal do Piauí, Av. Universitária,1310, Campus Ininga, CEP: 64.049-550, Teresina-Brasil
IIUniversidade Federal do Piauí, Centro de Ciências da Natureza, Departamento de Biologia, Campus Ministro Petrônio Portela, Ininga, CEP: 64049-550, Teresina-Brasil
IIIUniversidade Federal do Piauí, Centro de Ciências da Natureza, Departamento de Química, Campus Ministro Petrônio Portela, Ininga, CEP: 64049-550, Teresina-Brasil jmoita.ufpi@gmail.com

 

 


RESUMO

O estudo foi realizado no período de fevereiro de 2007 a maio de 2008, em vinte e uma comunidades rurais do município de Oeiras (07º00'54''S e 42º08'06''W), localizadas em área de transição vegetacional Caatinga/Cerrado, onde predomina a Caatinga. Objetivou-se conhecer as plantas tradicionalmente utilizadas pela população com fins terapêuticos. As coletas botânicas seguiram metodologia usual e os exemplares identificados foram incorporados ao acervo do Herbário Graziela Barroso (TEPB). Como procedimento metodológico realizou-se entrevistas semi-estruturadas com formulários padronizados a 20 moradores indicados por líderes comunitários locais como pessoas de reconhecido saber, que acompanharam as coletas. As espécies citadas foram agrupadas em de17 categorias de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados quantitativos foram obtidos através do cálculo da Importância Relativa (IR) para cada espécie e do Fator de Consenso dos Informantes (FCI). Assim, identificou-se 167 etnoespécies, distribuídas em 59 famílias botânicas e 143 gêneros, sendo 65,86% nativas. As famílias com maior representatividade em número de espécies foram a Leguminosae (28) e a Euphorbiaceae (18). Os gêneros mais representativos foram Croton L. (9), Senna Mill. (5), Jatropha L. e Solanum L. (4). Caesalpinia ferrea Mart., Ximenia americana L., Myracrodruon urundeuva Allem. e Lippia alba L., obtiveram os maiores valores de IR de 1,79; 1,86; 1,21; 1,14; respectivamente. Salienta-se a elevada frequência de usos terapêuticos destas espécies, concentradas no tratamento dos transtornos do sistema respiratório (56 espécies) e das doenças infecciosas intestinais, hepáticas e helmintíases (65), sendo gripe e diarréia as doenças mais citadas. A folha é a parte do vegetal mais utilizada na medicina caseira local (31,5% dos casos) e as formas de preparo mais utilizadas são a decocção (32,2% dos casos) seguida por infusão (23,8%). Estes dados possibilitam inferir que os moradores das comunidades rurais possuem conhecimento acerca das plantas utilizadas como medicinais, especialmente as nativas.

Palavras-chave: etnomedicina, etnobotânica, Oeiras/PI, plantas medicinais


ABSTRACT

This study was performed between February 2007 and May 2008 in twenty-one rural communities from Oeiras Municipality (07º00'54''S and 42º08'06''W) located in a transition area of Caatinga/Cerrado vegetation, where Caatinga predominates. The aim was to know the plants traditionally used for therapeutic purposes by the population. The botanical harvests followed the usual methodology and the identified specimens were incorporated into the collection from the Herbarium Graziela Barroso (TEPB). As methodological procedure, semi-structured interviews by using standardized forms were done with 20 dwellers indicated by local community leaders as people presenting notorious knowledge and who accompanied the harvests. The cited species were grouped into 17 categories, according to the World Health Organization (WHO). Quantitative data were obtained by calculating the relative importance (RI) for each species and the informant consensus factor (ICF). We identified 167 ethnospecies, distributed into 59 botanical families and 143 genera, from which 65.86% were native. The most representative families in number of species were Leguminosae (28) and Euphorbiaceae (18). The most representative genera were Croton L. (9), Senna Mill. (5), Jatropha L. and Solanum L. (4). Caesalpinia ferrea Mart., Ximenia americana L., Myracrodruon urundeuva Allem. and Lippia alba L. had the highest RI values: 1.79, 1.86, 1.21 and 1.14, respectively. It must be emphasized the high therapeutic use of these species, mainly for the treatment of respiratory system disorders (56 species) and intestinal, hepatic and helminthic infectious diseases (65), from which flu and diarrhea were the most cited. The leaf is the most used plant part in the local folk medicine (31.5% of cases). The most frequently used preparation procedures are decoction (32.2% of cases) and infusion (23.8%). These data allow inferring that dwellers of rural communities have knowledge about the plants used as medicinal, especially native ones.

Key words: ethnomedicine, ethnobotany, Oeiras/PI, medicinal plants


 

 

INTRODUÇÃO

As populações humanas convivem com uma grande diversidade de espécies vegetais, desenvolvendo maneiras particulares de explorá-las para distintas finalidades, usando-as como alternativa de sobrevivência. Dentre estas, do repertório cultural, destaca-se o conhecimento sobre a utilização de plantas para fins terapêuticos.

Os estudos sobre o uso das plantas para fins medicinais desenvolvidas por Amorozo & Gely (1988), Milliken & Albert (1996), Gonçalves & Martins (1998), Rêgo (1998), Castellucci et al. (2000), Rodrigues & Carvalho (2001), Amorozo (2002), Coutinho (2002), Franco & Fontana (2002), Ritter et al. (2002), Nunes et al. (2003), Medeiros et al. (2003), Macêdo & Ferreira (2004), Pereira et al. (2004), Fuck et al. (2005), Sousa & Felfili (2006), Azevêdo & Silva (2006), Borba & Macedo (2006) e Pinto et al. (2006) demonstram crescente interesse acadêmico pela medicina tradicional, especialmente após o reconhecimento de que a base empírica pode, muitas vezes, ter comprovação científica e de que a análise da exploração do ambiente pelos povos tradicionais fornece subsídios para estratégias de manejo e uso adequado de determinados ambientes.

Encontram-se no estado do Piauí, trabalhos com plantas medicinais realizados por Berg & Silva (1985), que compõem uma contribuição para o conhecimento da flora local; Abreu (2000), da diversidade dos recursos vegetais do cerrado, empregados pelos quilombolas Mimbó, no município de Amarante; Franco & Barros (2006), com as plantas medicinais usadas pela comunidade Quilombola Olho D'água dos Pires, município de Esperantina; Santos et al. (2007), de plantas medicinais empregadas pela população de Monsenhor Gil. Vieira (2008) pesquisou as plantas empregadas para fins medicinais no Quilombo dos Macacos, São Miguel do Tapuio, destacando o fator de consenso e a importância relativa das etnoespécies estudadas.

Oeiras detém um rico patrimônio histórico, são seculares tradições culturais e religiosas, consideradas a cidade mais antiga do Piauí, sede da primeira capital, destacando-se no roteiro turístico do Estado, especialmente devido às festividades religiosas. Desta forma, o presente estudo enfoca as relações etnobotânicas de comunidades rurais deste município, de forma pioneira, como forma de registro e valorização da cultura tradicional nativa, por meio do uso atribuído à vegetação pela população.

Oeiras, cidade de notável riqueza histórica, beleza arquitetônica e tradição religiosa, considerada a mais antiga do estado, faz parte do roteiro turístico do Estado. Os principais atrativos do município são as Igrejas de Nossa Senhora da Vitória e Nossa Senhora do Rosário, o monumento de Nossa Senhora da Vitória e a Casa de Pólvora. Os eventos populares de maior destaque de Oeiras e do Piauí são a Festa de Passos, Procissão do Fogaréu e Semana Santa, ao reunir pessoas de todo o Estado e de outras regiões do País. Os fiéis decoram o altar de casa com alecrim-de-passos (Lippia sp) e carregam ramalhetes durante a procissão. Grande parte dos fiéis veste roupas da cor lilás, em homenagem ao santo, especialmente para o pagamento de promessas. Após a procissão, é celebrada missa na igreja Nossa Senhora da Vitória (Oliveira, 2008).

Crendices e superstições são bastante difundidas no imaginário popular local. A lenda mais amplamente disseminada é a da existência de um carneiro de ouro que à noite cruza a cidade correndo e quem o vir fica rico. Outra é a visitação de duas marcas em uma rocha, denominadas localmente de Pé-de-Deus e Pé-do-Diabo, que se assemelham a pegadas humanas. Segundo a tradição, ao visitá-los, ao colocar o pé sobre uma das marcas (Pé-de-Deus), sempre se consegue o encaixe perfeito e, na outra, joga-se pedras. Salienta-se, igualmente, que na frente da maioria das residências encontram-se Jatropha gossypiifolia L. (pião-roxo) plantados para espantar mal olhado e trazer bons presságios (Oliveira, 2008).

A presente pesquisa objetivou identificar as etnoespécies utilizadas como fitoterápicos no tratamento de enfermidades, em comunidades rurais de Oeiras- Piauí.

 

MATERIAL E MÉTODO

Oeiras compreende uma área de 2.719,53 km2, a vegetação é caracterizada pela transição Cerrado/Caatinga, predominando a caatinga arbustivo-arbórea (CEPRO, 2000). O clima tropical semiárido quente, a duração do período seco é de sete a oito meses, a temperatura varia entre 26ºC e 40ºC, estando à sede do município a altitude de 166 m acima do nível do mar. Os rios Canindé, Itaim e Tranqueira, e as lagoas da Feitoria e Tapera são os principais cursos d'água (CEPRO, 1992).

O estudo foi realizado em locais com baixo nível de antropização e que apresentavam maior preservação da vegetação nativa, através de dados obtidos junto a Prefeitura Municipal de Oeiras. Foram pesquisadas vinte e uma comunidades da zona rural do município de Oeiras (07º00'54''S e 42º08'06''W): Araçá, Brionia, Buriti do Rei, Canto do Buriti, Carolina, Cepisa, Chapada das Panelas, Contentamento, Exu, Fazenda Extrema, Fazenda Frade, Ingazeiras, Ipueiras, Malhada da Onça, Onça, Sete Galhos, Soares, Sossego, Várzea da Cruz, Vereda Grande e Vila Cannaã. A denominação Fazenda Extrema e Fazenda Frade abrangem a extensão da propriedade privada e também é a denominação local dada à área de moradia ao entorno destas.

Na estrutura produtiva, sobressai-se a agricultura com a produção de milho, feijão, mandioca, arroz e banana e o extrativismo para a obtenção de lenha, madeira em tora e a palha da carnaúba (CEPRO, 1992).

A coleta de material botânico e de dados etnobotânicos foram efetuadas no período compreendido entre fevereiro de 2007 e maio de 2008, quinzenalmente nos meses chuvosos e mensalmente nos meses secos, através de caminhadas aleatórias ou em locais previamente definidos, seguindo o procedimento rotineiro de campo sugerido por Mori et al. (1989). A identificação botânica foi realizada a partir da análise da morfologia externa do material, consulta à literatura, por comparação com o material incorporado ao acervo do Herbário Graziela Barroso (TEPB), da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e, posteriormente, encaminhado a especialistas para confirmação e/ou determinação. O material testemunho encontra-se depositado no acervo do TEPB. O sistema de classificação adotado foi o de Cronquist (1981), exceto para a família Leguminosae que obedeceu a Judd et al. (1999). Os sites IPNI (www.ipni.org) e mobot (www.mobot.mobot.org) foram consultados para conferência da grafia dos nomes das espécies e abreviaturas dos nomes dos autores.

Os dados etnobotânicos foram obtidos mediante entrevistas semi-estruturados (Albuquerque et al., 2008), com a aplicação de formulários padronizados, com perguntas abertas e fechadas a 20 moradores da região, com idade superior a 35 anos e que residiam no local a mais de 25 anos. Para escolha dos informantes-chave foi questionado em cada comunidade quem era profundo conhecedor da vegetação local e dos usos e com estes foram realizadas entrevistas. Apenas dez desses acompanharam as turnês de coleta e um mesmo informante acompanhou as excursões de campo em duas localidades, por conhecê-las profundamente: Exu e Chapada das Panelas. Nas entrevistas foram registrados dados gerais dos entrevistados (nome, idade, profissão, tempo de residência no local e estado civil) e informações relacionadas às plantas citadas como os usos, preparos, partes utilizadas e nomes vernaculares.

A Importância Relativa (IR) de cada espécie foi calculada conforme a proposta de Bennett & Prance (2000), através da fórmula IR= NSC + NP, onde NSC= número de sistemas corporais tratados por uma determinada espécie (NSCE), divididos pelo número de sistemas corporais tratados pela espécie mais versátil (NSCEV); NP= número de propriedades atribuídas a uma determinada espécie (NPE), dividido pelo número total atribuído à espécie mais versátil. O valor máximo da IR obtida por uma espécie será 2.

O Fator de Consenso dos Informantes (FCI) foi calculado através da fórmula FCI = nar - na /nar - 1, adaptada de Trotter & Logan (1986), onde: nar = somatório de usos registrados por cada informante para uma categoria; na = número de espécies indicadas na categoria.

O valor máximo do FCI é 1, quando há consenso completo entre os informantes dentro da categoria medicinal para uma doença específica.

As doenças citadas pelos informantes locais foram agrupadas em 13 categorias, listadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2000), a impotência sexual; gravidez, parto e puerpério; doenças do sangue e órgãos hematopoiéticos; doenças do sistema ósteo-muscular e tecido conjuntivo; neoplasias e doenças virais; transtornos do sistema cardiovascular; transtornos do sistema nervoso; doenças de pele e do tecido subcutâneo; transtorno do sistema digestório; doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas; inflamações e dores em geral; sintomas e sinais gerais e transtornos do sistema sensorial (visão).

 

RESULTADO E DISCUSSÃO

O universo dos entrevistados (35% mulheres e 65% homens) nasceu no Piauí, sendo que moram há mais de 25 anos na área. Do total, foi identificado que 70% situam-se na faixa etária entre 55 e 70 anos e 30% estão entre 35 e 54 anos. Constatou-se que para 75% dos entrevistados a renda familiar mensal atinge no máximo um salário mínimo, 25% tem renda inferior a um salário mínimo e, apenas 5% tem renda de dois salários mínimos. Em 55% dos domicílios moram seis pessoas, nos 45% restantes moram até cinco indivíduos. Quanto à escolaridade, 55% não são alfabetizados, 40% possuem Ensino Fundamental e apenas 5% concluiu o Ensino Médio. Observou-se que 75% declaram-se católicos e apenas 25% evangélicos.

As atividades desenvolvidas pelas famílias centraram-se na agricultura de subsistência, onde o milho, o feijão, a mandioca, o arroz e a banana estão entre os principais cultivos e na criação de pequenos animais para autoconsumo. Dados que corroboram aos apresentados para o Estado por Franco (2005). Presenciou-se, secundariamente, que os serviços do lar são direcionados para as mulheres e a caça e o extrativismo desenvolvidos pelos homens.

As entrevistas permitiram identificar 167 espécies empregadas como fitoterápicos. Elas estão distribuídas em 143 gêneros e 59 famílias botânicas (Tabela 1), cujas famílias mais representativas em número de espécies foram Leguminosae (28), seguida por Euphorbiaceae (18), Lamiaceae, Solanaceae (8), Anacardiaceae (7), Cucurbitaceae, Malvaceae, Poaceae (6), Malpighiaceae, Bignoniaceae (5), Arecaceae, Boraginaceae, Cactaceae, Combretaceae e Verbenaceae (4), que em conjunto perfizeram 61,2% do total. Resultados semelhantes quanto ao número de espécies das famílias Leguminosae e Euphorbiaceae foram referidos no Piauí por Abreu (2000) no quilombo Mimbó no município de Amarante; por Franco & Barros (2006) no Quilombo Olho D'água dos Pires, município de Esperantina; por Chaves (2005) em Cocal e por Vieira (2008) no Quilombo dos Macacos em São Miguel do Tapuio. Os gêneros mais representativos foram Croton L. (9), Senna Mill. (5), Jatropha L. e Solanum L. (4).

A maioria das espécies utilizadas como medicinais pertencem a vegetação nativa (65,86%). Este dado corrobora com os apresentados em pesquisas desenvolvidas no Piauí por Abreu (2000) no Quilombo Mimbó em Amarante, por Franco (2005) no Quilombo Olhos D'água dos Pires em Esperantina e por Vieira (2008) no Quilombo dos Macacos, em São Miguel do Tapuio.

As espécies cultivadas empregadas na medicina (32,33%) são encontradas principalmente nos quintais, nas proximidades das residências e nos locais de cultivo, sendo frequentes Spondias purpurea (seriguela), Psidium guajava (goiaba) e Malpighia emarginata (acerola), como também referido por Florentino et al. (2007), em pesquisa com quintais no semiárido pernambucano. Do total, 1,79% das espécies não foram identificadas.

Dentre as espécies nativas, a aroeira (Myracrodruon urundeuva) está incluída na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável do IBAMA (www.ibama.gov.br) e foi também referida como medicinal por Silva (2003) em pesquisa com os índios Fulni-ô em Pernambuco e no Piauí, por Chaves et al. (2006) em Cocal, por Santos et al. (2007) em Monsenhor Gil, por Franco et al. (2007) no Quilombo Olho D'água dos Pires, em Esperantina/PI e por Vieira et al. (2008) no Quilombo dos Macacos, em São Miguel do Tapuio.

Em consonância com a pesquisa de campo, explicitam-se os diferentes usos e indicações terapêuticas, como sintoma de determinada doença (dor de cabeça, diarréia, febre, cólica intestinal, inflamações, dentre outros) bem como a própria doença é alvo da indicação (gripe, diabetes, gastrite, hipertensão, apendicite, etc.).

As partes utilizadas foram a folha (31,5%), casca (16,3%), raiz (14,8%), flor (10,9%), fruto (7%), semente (6,5%), planta inteira (4,6%), látex (3,9%) e caule: aéreo (3,1%) e subterrâneo (1,4%). Nesse sentido, ressalta-se que a folha é a parte do vegetal mais utilizada na medicina caseira local, representando 31,5% dos casos, para o tratamento de todas as doenças citadas, embora não esteja disponível o ano todo, em função da caducifólia na época da seca, os moradores a desidratam e armazenam. As cascas perfizeram 16,3% das citações, sendo comumente referido que a coleta deve ser feita antes do nascer do sol e, além disso, deve-se colocá-las em local sombreado, para que não perca as propriedades terapêuticas. Resultado análogo para as folhas observou-se nos trabalhos de Amorozo (2002) em Tanquinho/BA, Chaves (2005) em Cocal/PI; Fuck et al. (2005) em Bandeirantes/PR e Franco & Barros (2006) no Quilombo Olho D'água dos Pires, Esperantina/PI.

Não obstante a relevância da indicação do látex de Euphorbia tirucalli para o tratamento de câncer, o mesmo também foi citado como tóxico, se empregado em quantidade superior a duas gotas. Cenário similar foi descrito no Piauí por Vieira (2008), no Quilombo dos Macacos, São Miguel do Tapuio e por Oliveira et al. (2009), em Oeiras. Segundo Lorenzi & Matos (2002), o látex é utilizado em algumas regiões do país para remover melanomas em pequenas dosagens, não havendo, entretanto, nenhuma evidência científica de possível atividade anticancerígena. Contudo, estudos do herbalista Dr. Acorsi da ESALQ/USP (Apud Lorenzi & Matos, 2002), revelaram que o uso interno da planta possui ação antitumoral em doses extremamente baixas.

Ademais, evidencia-se que os entrevistados expuseram às propriedades terapêuticas da arruda (Ruta graveolens), no combate a dor de dente, regulador menstrual e abortiva; da mamona (Ricinus communis), empregada contra a prisão de ventre, dores em geral, vermífugo, antitumoral e mordida de cobra; e o melão-de-são-caetano (Momordica charantia) utilizado em caso de hipertensão, impigem, dengue, pedra nos rins, reumatismo e vermífugo. Ritter et al. (2002) as reconheceu em pesquisa com plantas utilizadas como medicinais no município de Ipê, RS, como tóxicas. Desse modo, durante a pesquisa, houve alguns relatos de intoxicação pelo uso dessas plantas, que, segundo os informantes, se deu em função do uso inadequado, através do emprego de dosagem acima da recomendada.

As espécies Myracrodruon urundeuva, Ruta graveolens, Spondias tuberosa e Ximenia americana tiveram o uso desaconselhado durante a gravidez, devido às propriedades abortivas. Igualmente, Cymbopogon citratus e Plectranthus barbatus foram contra-indicados durante a gestação. Este panorama foi análogo ao apresentado por Vendruscolo et al. (2005) em estudo realizado na comunidade do Bairro Ponta Grossa, Porto Alegre/RS.

Em conformidade com a Figura 1, as formas de preparo mais utilizadas foram a decocção (32,2% dos casos), infusão (23,8%), garrafada (9,9%), suco (7,5%), lambedor (6,5%) e uso tópico (4,9%). Medeiros et al. (2003) em pesquisa em Santa Teresa/ES e Pinto et al. (2006) em comunidades rurais de Itacaré/BA, também verificaram a decocção como a forma de preparo mais frequente. Segundo os informantes, a infusão assegura a eficácia do medicamento para algumas plantas ou parte destas, a exemplo de Citrus limon, Cymbopogon citratus e Psidium guajava. Estudos químicos e farmacológicos, realizados por Vendruscolo et al. (2005), revelaram que o óleo presente nas folhas destas plantas é volátil.

Além do uso em separado, verificou-se que é prática bastante comum o uso em associação de várias espécies para a produção de lambedores e garrafadas, no combate a um sintoma ou doença em particular, fato também referido por Pinto et al. (2006) em Itacaré/BA, Franco & Barros (2006) em Esperantina/PI e Vieira (2008) em São Miguel do Tapuio/PI.

Nas comunidades pesquisadas o uso de plantas na medicina para o tratamento de doenças ou manutenção da saúde emerge como primeira opção, e muitas vezes única, especialmente pela dificuldade deslocamento até a sede do município, onde são oferecidos serviços da medicina tradicional.

O conhecimento das propriedades terapêuticas da vegetação local foi adquirido através dos antepassados, por transmissão oral, constituindo-se em importante aspecto da cultura local. No entanto, o repasse e a permanência desse conhecimento encontram-se ameaçados devido à influência de fatores externos aos grupos e a maior exposição à sociedade envolvente, especialmente derivado das pressões econômicas, acesso aos serviços da medicina moderna e à emigração das pessoas para centros urbanos (Amorozo & Gely, 1988; Nolan & Robbins, 1999; Lima et al., 2000; Amorozo, 2002; Pinto et al., 2006).

Identificou-se por meio da pesquisa o registro da Acanthospermum hispidum para o tratamento de doenças respiratórias; Lippia alba, Plectranthus barbatus e Psidium guajava para problemas no aparelho digestório; Averrhoa carambola para o tratamento de problemas renais e Anacardium ocidentale como antiinflamatória e cicatrizante. Dados semelhantes são apresentados por Silva & Andrade (2005) no litoral e zona da mata de Pernambuco e por Abreu (2000) na comunidade Mimbó, município de Esperantina/PI, os quais constataram uma frequência significativa de indicações para tratamentos de problemas do aparelho reprodutor feminino, especialmente na forma de garrafada.

Emilia sonchifolia, Orbignya phalerata e Tabebuia impetiginosa, foram também referidas para o tratamento de problemas dermatológicos por Macêdo & Ferreira (2004) em estudo nas comunidades da Bacia do Alto do Paraguai/MT. Lippia alba foi indicada para o tratamento de diarréia e Chenopodium ambrosioides como vermífugo. Esses dados corroboram com os apresentados por Begossi et al. (1993) na comunidade pesqueira da Ilha dos Búzios, no litoral paulista e por Pinto et al.(2006). Do mesmo modo da presente pesquisa, Bowdichia virgilioides, Magonia pubescens e Caryocar coriaceum tiveram indicações terapêuticas em pesquisa realizada por Jenrich (1989) em Oeiras/PI.

Acanthospermum hispidum, Amburana cearensis, Anacardium occidentale, Annona squamosa, Boerhavia diffusa, Caesalpinia ferrea, Carica papaya, Chenopodium ambrosioides, Cleome spinosa, Croton rhamnifolius, Cymbopogon citratus, Heliotropium indicum, Hymenaea courbaril, Lippia alba, Malpighia emarginata, Mangifera indica, Melocactus zehntneri, Momordica charantia, Myracrodruon urundeuva, Psidium guajava, Senna spectabilis, Spondias purpurea, Talisia esculenta e Ziziphus joazeiro, foram igualmente referenciados como medicinais em comunidades rurais da caatinga pernambucana, como mostrado por Albuquerque & Andrade (2002).

As espécies de plantas que particularmente apresentaram grande versatilidade quanto aos usos, verificado através do cálculo de Importância Relativa foram o pau-ferro (Caesalpinia ferrea) (IR=1,86), a ameixa (Ximenia americana) (1,79) e a aroeira (Myracrodruon urundeuva) (1,21), espécies igualmente citadas com IR superior a 1,0 por Vieira (2008). O número de usos terapêuticos relacionado a estas espécies está entre os maiores. C. ferrea foi indicada para o tratamento da bronquite, gastrite, anemia, inflamações em geral, diarréia, gripe, dores nos rins, azia, derrame, infecção urinária e, ainda, como cicatrizante. Dentre as espécies que obtiveram IR inferior a 0,25, estão Mimosa caesalpiniifolia, Parkia platycephala, Dioclea violacea e Pterocarpus villosus indicadas no tratamento de derrame, epilepsia, asma e inchaço na barriga, respectivamente.

Consoante à Tabela 2, foi verificado que na categoria medicinal o maior consenso de uso entre os informantes nas comunidades rurais pesquisadas foi gravidez, parto, puerpério (FCI 0,55), seguida por doenças do sangue e órgãos homatopoiéticos (0,47), doenças do sangue e órgãos hematopoiéticos (0,47), doenças do sistema ósteo-muscular e tecido conjuntivo (0,45) e neoplasias e doenças virais (0,43), confirmando que as espécies empregadas dentro dessas categorias são relevantes para a cultura local (Tabela 2). Para o transtorno do sistema sensorial (visão) não houve consenso entre os informantes, resultado análogo foi referido por Silva (2003) com os Índios Fulni-ô/PE.

Através da pesquisa foi constatado o significativo montante de espécies (166) mencionadas como úteis para o tratamento de sinais e sintomas de doenças, distribuídas em 59 famílias botânicas. Os produtos obtidos dos recursos disponíveis na região, tanto nativos como cultivados, são aproveitados na terapia para cura e manutenção da saúde, representando prática bastante disseminada na cultura local.

Reconhecidamente, o estudo do emprego popular de plantas medicinais é ferramenta importante na descoberta de novos fármacos, logo que o uso e permanência de determinadas plantas dentro de uma comunidade sugere que ela possua real eficácia, como tem mostrado estudos farmacológicos de etnoespécies por Costa (2006), em pesquisa com o Plectranthus barbatus e por Rodrigues et al. (2006), em estudo de plantas medicinais a partir da etnofarmacologia.

Foi notado que há a utilização de todas as partes das plantas, sobressaindo-se o uso das folhas na medicina, apesar da caducifolia. Os espécimes foram citados, além da categoria medicinal, em mais doze categorias de uso (alimentação, artesanal, forrageira, higiene/limpeza, madeireira, melífera, tóxica, ornamental, produção de energia, utensílios, mágico-religiosa e veterinária), demonstrando a amplitude do conhecimento e versatilidade de usos acerca da vegetação.

 

AGRADECIMENTO

Aos informantes das comunidades rurais do município de Oeiras, pelo repasse das informações. Aos taxonomistas pela disponibilidade em confirmar e/ou identificar o material botânico. As professoras Maria Bernadete Costa e Silva e Maria do Socorro Lira Monteiro pela disponibilidade e valiosas sugestões. E, de forma especial, ao Luciano Santana, Fábio José Vieira e Geraleno Barros, que espontaneamente envolveram-se neste trabalho.

 

REFERÊNCIA

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Recebido para publicação em 09/01/2009
Aceito para publicação em 25/04/2010

 

 

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