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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572

Rev. bras. plantas med. vol.12 no.3 Botucatu jul./set. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722010000300013 

REVISÃO

 

Possibilidades terapêuticas e risco toxicológico de Jatropha gossypiifolia L.: uma revisão narrativa

 

Therapeutic possibilities and toxicological risk of Jatropha gossypiifolia L.: a narrative review

 

 

Mariz, S.R.I, *; Borges, A.C.R.II; Melo-Diniz, M.F.F.III; Medeiros, I.A.III

IUnidade Acadêmica de Medicina, Universidade Federal de Campinha Grande (UFCG), Avenida Juvêncio Arruda, 795, Bodocongó, CEP: 58.109-790, Campina Grande-Brasil
IIDepartamento de Ciências Fisiológicas, Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Avenida dos Portugueses, s/n, Campus Universitário do Bacanga, CEP: 65080-040, São Luís-Brasil
IIIDepartamento de Farmácia, Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Campus I, CEP: 58.051-970, João Pessoa-Brasil

 

 


RESUMO

A espécie Jatropha gossypiifolia L. (Euphorbiaceae), popularmente conhecida como pião-roxo, entre tantos outros nomes, é um bom exemplo do tênue limiar que separa o efeito terapêutico do tóxico. Apesar de ser classicamente conhecida como planta tóxica possui usos na medicina popular. Alguns desses efeitos têm sido comprovados em estudos experimentais, como os de antimicrobiano, antineoplásico, cicatrizante e hipotensor, sendo possivelmente explicados pela presença de substâncias como alcalóides, terpenóides, flavonóides, lignanas e taninos. Esta revisão aborda aspectos importantes, com ênfase na toxicidade crônica dessa espécie, de modo a servir de fonte de informação aos interessados em avaliar a relação risco/benefício do uso terapêutico de Jatropha gossypiifolia L.

Palavras-chave: Jatropha gossypiifolia L., Euphorbiaceae, farmacologia, toxicologia


ABSTRACT

The species Jatropha gossypiifolia L. (Euphorbiaceae), popularly known as bellyache bush, among several other names, is an important example of the tenuous threshold that separates the therapeutic from the toxic effect. Although traditionally known as a toxic plant, it has been used in folk medicine. Some of its effects have been proved by experimental studies as antimicrobial, antineoplastic, healing and hypotensive, likely explained by the presence of substances such as alkaloids, terpenoids, flavonoids, lignans and tannins. This review deals with important aspects, focusing on the chronic toxicity of this species, in order to serve as an information source for those interested in evaluating the risk-benefit ratio of the therapeutic use of Jatropha gossypiifolia L.

Key words: Jatropha gossypiifolia L., Euphorbiaceae, pharmacology, toxicology


 

 

INTRODUÇÃO

A pesquisa relacionada às plantas medicinais com vistas ao desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos é atividade multiprofissional e interdisciplinar que pode melhorar a qualidade de vida das populações mais carentes. Isso se dá pela colaboração com o desenvolvimento de produtos de qualidade maior e com a divulgação de informações científicas que possibilitem o uso racional de fitomedicamentos e plantas medicinais (Brasil, 1998; Rezende & Ribeiro, 2005).

A necessidade desse tipo de estudo é evidente. Apesar da grande tendência mundial de aumento na utilização de produtos fitoterápicos, o número de informações sobre plantas no Brasil, país com a maior biodiversidade do mundo, tem crescido apenas 8% ao ano nas últimas duas décadas (Brasil, 1998; Rezende & Ribeiro, 2005; Mariz et al., 2006).

O uso elevado de plantas medicinais pela população brasileira ocorre devido à imensa variedade de espécies vegetais com potencial terapêutico existentes em nosso território, além do custo dessa prática ser relativamente baixo e, até mesmo, por questões culturais (Oliveira et al., 2006; Mariz, 2007).

Esse uso tem percorrido longa trajetória histórica, sempre na tênue linha divisória entre o bem e o mal, ou seja, entre a restauração da saúde e o surgimento de efeitos colaterais e/ou adversos. Isso talvez ocorra, principalmente, pelo fato de que o uso "terapêutico" de plantas e derivados se expandiram pelo inconsciente coletivo popular como algo inofensivo seguindo a máxima "se é natural, não faz mal". Pensamento esse, incoerente com os registros de intoxicação humana por plantas, inclusive por aquelas usadas como medicinais (Lai et al., 2006; SINITOX, 2010).

A Jatropha gossypiifolia L. é típico exemplo desse duplo aspecto (terapêutico/tóxico) que possuem certos produtos com atividade biológica. Essa planta pode ser encontrada em obras de referência como espécie vegetal de alta toxicidade. No entanto, existem relatos de uso na medicina popular de produtos dela originados, sendo que algumas dessas propriedades têm sido comprovadas, ao longo dos anos, através de estudos experimentais, inclusive químicos e farmacológicos (Tabelas 1 e 3). Porém, estudos toxicológicos realizados com preparações oriundas de Jatropha gossypiifolia L. apresentam resultados que apontam para significativa toxicidade da espécie, sobretudo, quando tais preparações são usadas por tempo prolongado (Mariz, 2007), conforme explicitado adiante.

Esse artigo apresenta revisão de literatura científica sobre a espécie Jatropha gossypiifolia referente aos principais aspectos de interesse para o desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos e promoção do uso racional de plantas medicinais. Destacam-se aspectos botânicos, químicos, farmacológicos e toxicológicos, de modo a apresentar fonte de informação atualizada aos interessados em desenvolver pesquisas que ajudem na complexa avaliação da relação risco/benefício do uso terapêutico de Jatropha gossypiifolia e, consequentemente, a promoção do uso racional dessa planta (e de derivados) na medicina popular.

Aspectos botânicos

A espécie Jatropha gossypiifolia L. pertence à família Euphorbiaceae; gênero Jatropha; subgênero Jatropha; secção Jatropha e subsecção Adenophorae. O gênero Jatropha é morfologicamente diverso possuindo de 165 a 175 espécies distribuídas por países de climas tropical, subtropical e tropical seco. Possui dois subgêneros, o Jatropha e o Curcas, 10 seções e 10 subseções. O subgênero Jatropha é o mais amplamente distribuído possuindo espécies na África, Índia, América do Sul, Antilhas, América Central e Caribe. Esse gênero tem grande importância econômica, pois várias das espécies, como Jatropha gossypiifolia L., possuem além do emprego medicinal, o uso ornamental, inclusive como cercas-vivas, graças à propagação fácil das sementes (Olowokudejo, 1993; Silva, 1998; Leal & Agra, 2005; Vera et al., 2009).

Essa espécie (Jatropha gossypiifolia) em nosso país é mais conhecida popularmente como pião-roxo, mas possui outros nomes comuns no Brasil e pelo mundo afora. Ainda convém ressaltar as diferentes grafias do nome científico dessa espécie, como Jatropha gossipifolia L.; Jatropha gossipyfolia L.; Jatropha gossypifollia L.; Jatropha gossypyfolia L.; Jatropha gossypifolia L. e Jatropha gossypiifolia L., sendo as duas últimas as mais comumente usadas (Mariz, 2007).

A Jatropha gossypiifolia apresenta-se como árvore de folhas alternas, revestidas de pelos, grandes, com partes lobadas. As flores são roxas, dispostas em cimeiras paniculadas, os frutos são pequenos (1 cm de comprimento) e capsulares contendo de 1 a 3 sementes escuras com pintas pretas e ricas em óleo (Corrêa, 1984; Schvartsman, 1992).

Através da microscopia eletrônica, Olowokudejo (1993) apresenta estudo comparativo da epiderme de folha de espécies de Jatropha como forma de contribuição para diferenciação taxonômica dentro do gênero. Segundo o referido trabalho, as folhas de Jatropha gossypiifolia sempre possuem cera, em pelo menos uma das superfícies (abaxial ou adaxial) sem a presença de sulcos. Existem estômatos paracíticos e/ou braquiparacíticos nas duas superfícies da folha. Tais estômatos possuem bordas cuticulares grossas. Ainda na epiderme, percebe-se a presença de pelos uniseriados e glândulas alongadas.

Em função da finalidade de cada estudo, o período de coleta relatado é bastante variado. Contudo, o mais frequentemente citado é o correspondente aos meses do segundo semestre, principalmente de agosto a novembro (Adewunmi & Adesogan, 1986; Das et al., 1996a; 1996b; Das & Kashinatam, 1997; Das & Anjani, 1999; Mariz, 2007), mas também, em meses do primeiro semestre, como por exemplo, maio (Adewunmi & Marquis, 1983; Prasad et al., 1993; Awachie & Ugwu, 1997). Ainda existem relatos de coleta de partes da planta entre os meses de dezembro e janeiro (Taylor et al., 1996) e ao longo de todo o ano (Carbajal et al., 1991; Chariandy et al., 1999).

Outro aspecto interessante é destacado pelos estudos de Bebawi & Campbell (2002), mostrando que o uso de queimadas, em áreas para cultivo onde a espécie é considerada como erva daninha, pode causar grave prejuízo no banco residual de sementes dessa planta, considerando-se a correlação negativa dos picos de temperatura tanto com a germinação quanto com a viabilidade de sementes.

Aspectos químicos

Vários estudos realizados nas últimas décadas através de técnicas diversas como cromatografia, espectroscopia, ressonância magnética nuclear, entre outras, têm contribuído significativamente para identificação qualitativa e quantitativa da diversificada composição química de Jatropha gossypiifolia e consequentemente, para a compreensão dos efeitos biológicos dessa espécie (Mariz, 2007). De um modo geral, é possível afirmar que os exemplares dessa planta possuem ácidos orgânicos, alcalóides, terpenóides, esteróides, flavonóides, lignanas e taninos (Tabela 1).

A extração dos constituintes químicos de Jatropha gossypiifolia tem sido realizada de formas diferentes de acordo com a finalidade do estudo. O principal solvente extrator empregado é o etanol; entretanto, outros trabalhos apresentam substâncias diversas isoladas ou em misturas, tais como, acetato de etila; água destilada; água, etanol e acetato de etila; clorofórmio e metanol; etanol e acetona; éter de petróleo; éter de petróleo e clorofórmio; éter dietílico; hexano; hexano e etanol; metanol e ainda, metanol e butanol (Tabela 1).

O principal constituinte ativo do pião-roxo é o diterpeno chamado jatrofona, cujas propriedades químicas e físicas já foram bem investigadas (Matos, 2004). A Tabela 1 relaciona, além desse, outros constituintes importantes de Jatropha gossypiifolia identificados até o momento, sendo que, em alguns trabalhos também existe o relato acerca do órgão vegetal onde foram identificados tais constituintes, e ainda, o(s) solvente(s) empregado(s) na extração (Mariz, 2007).

Etnofarmacologia e outros usos populares

A utilização de plantas na terapêutica, enquanto elemento cultural de um povo é importante fonte preliminar de informação na pesquisa com vistas ao desenvolvimento e promoção do uso racional de fitoterápicos (Mariz, 2007).

As espécies do gênero Jatropha vêm sendo utilizadas popularmente, ao longo dos anos, no tratamento de males diversos (Mariz, 2007). A Jatropha gossypiifolia, apesar de ter alta toxicidade principalmente devido às propriedades cáusticas e inflamatórias de algumas das partes, como por exemplo, o látex (Correa, 1984), também possui ampla variedade de indicações terapêuticas na medicina popular, algumas destas relacionadas na Tabela 2.

Outros usos dessa espécie vegetal, além dos terapêuticos, são citados na literatura. É fato a utilidade ornamental da planta devido à coloração arroxeada das folhas (Matos, 2004). Também são comuns os relatos de que preparados de Jatropha gossypiifolia seriam úteis em rituais religiosos contra os maus espíritos ou para a população em geral com finalidades místicas diversas, como a crença de que seria uma das plantas que protegem caçadores e cães de caça de venenos animais (Camargo, 1998; Lans et al., 2001). Ainda destaca-se o cultivo desta planta em sequência para a construção de cercas-vivas contra incêndios e relâmpagos e a fixação de dunas (Lorenzi & Matos, 2002; Matos, 2004). Outros benefícios para o ser humano seriam o uso, por algumas populações, como inseticida (Sievers et al., 1949); o emprego do óleo da semente tanto na preparação de tintas e sabões quanto como lubrificante e combustível para motores tipo Diesel (Lorenzi & Matos, 2002; Matos, 2004) e, ainda, na iluminação (Lorenzi & Matos, 2002; Matos, 2004).

Efeitos biológicos estudados

A avaliação experimental dos efeitos biológicos de espécie vegetal, geralmente se desenvolve a partir dos relatos populares de utilização ou com base em outros estudos feitos em espécies do mesmo gênero. Quanto à Jatropha gossypiifolia, há algum tempo, algumas das propriedades terapêuticas já vêm sendo avaliadas. A Tabela 3 resume alguns dados a respeito de estudos que demonstram alguns dos efeitos biológicos do pião-roxo.

Apesar de todas as perspectivas de efeitos preventivos e/ou terapêuticos de Jatropha gossypiifolia, convém ressaltar que a validação do emprego de uma espécie vegetal na terapêutica não pode se dar apenas pela demonstração da atividade e eficácia. Há que se considerar, prioritariamente, a possibilidade de efeitos tóxicos, principalmente com relação a essa espécie, devido à reconhecida toxicidade, pois o látex é cáustico para pele e mucosas (Schvartsman, 1992; Mariz, 2007).

De um modo geral, a ingestão de partes do vegetal pode produzir efeitos purgativos e depressores dos sistemas respiratório e cardiovascular. Na intoxicação surgem, inicialmente, distúrbios do sistema digestório, acompanhados por dores intensas, desidratação, insuficiência renal e agravo cardiovascular. A evolução do quadro traz danos neurológicos, inclusive com torpor e possibilidade de coma e morte (Adolf et al., 1984; Guirola et al., 1992; Schvartsman, 1992; Mariz, 2007).

No entanto, devemos considerar que na terapêutica popular, as partes das plantas medicinais raramente são usadas in natura, mas sim, sob forma de preparações diversas como, por exemplo, chás, infusos e decoctos. Para obtenção dessas preparações as partes vegetais podem ser submetidas a processos tais como dessecação, trituração e maceração o que, muito provavelmente, irá alterar a composição química original do órgão vegetal utilizado, possibilitando a eliminação de constituintes tóxicos e a obtenção de produto menos prejudicial ou, até mesmo, relativamente inócuo, em relação à planta in natura.

Desse modo, convém destacar alguns dos estudos sobre avaliação de toxicidade com extratos de Jatropha gossypiifolia. Inicialmente Gasperi-Campani et al. (1980) demonstraram que o extrato etéreo de sementes de Jatropha gossypiifolia possuiria baixa toxicidade demonstrada pela fraca inibição da síntese protéica em reticulócitos de coelho. Ainda nesse sentido, estudos de avaliação de toxicidade in vitro, usando-se larva de camarão (Artemia salina Leach) e testando extratos de 41 espécies de Euforbiáceas, evidenciaram que os extratos etanólico e metanólico de Jatropha gossypiifolia apresentaram baixa toxicidade indicada por uma concentração letal mediana (CL50) superior a 1.000 μg mL-1, para a referida espécie animal (Meyer et al., 1982; Awachie & Ugnu, 1997). Rocha et al. (1995) relataram que o tratamento de ratos com o extrato etanólico de partes aéreas da planta por 30 dias (avaliação subcrônica) não produziu alterações bioquímicas e/ou hematológicas significativas nesses animais.

Entretanto, outros estudos que apresentam indícios de toxicidade de extratos orgânicos dessa planta, merecem destaque. Devido à presença de compostos com ação repelente de insetos, essa espécie foi avaliada quanto ao potencial de toxicidade ambiental apresentando concentração letal mediana (CL50) de 3.100 PPM em bioensaio com Poecilia reticulata, todavia sem mortalidade mesmo na concentração máxima (Siriarcharungroj et al., 2008). Há algum tempo, a suspeita de carcinogenicidade da J. gossypiifolia tem sido levantada não somente por essa espécie conter substâncias conhecidas como "fatores jatropha", mas também por estar entre as mais usadas por populações com alta prevalência de neoplasias. Isso justificaria a investigação do poder carcinogênico da espécie (Hecker, 1984; Norhanoma & Yadav, 1995). Singh & Singh (2005) demonstraram a capacidade de Jatropha gossypiifolia em causar redução dose-dependente da atividade das enzimas fosfatase ácida e fosfatase alcalina, bem como bloqueio da acetilcolinesterase em tecido nervoso de peixes (Channa marulius).

Todavia, os dados mais preocupantes são mais recentes. Em estudos toxicológicos pré-clínicos em ratos tratados com o extrato etanólico de partes aéreas (folhas e caules) do pião roxo, foi demonstrada toxicidade aguda oral relativamente baixa (Mariz et al., 2006), entretanto, uma importante toxicidade crônica (Mariz et al., 2008). O tratamento prolongado com o extrato, em doses muito próximas de eventual nível terapêutico, promoveu letalidade estatisticamente significativa (Mariz, 2007). Além disso, produziu indícios de danos hepáticos, renais e pulmonares (Mariz, 2007; Mariz et al., 2008).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, e considerando-se que o extrato avaliado pelos estudos anteriormente citados é bem próximo das formas populares de utilização dessa planta na terapêutica, é possível afirmar que o uso na medicina popular de Jatropha gossypiifolia deve ser desaconselhado pelos fortes indícios de relação risco/benefício desfavorável. Além disso, o desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos a partir dessa espécie precisa priorizar o refinamento químico do extrato etanólico para obtenção de frações, as quais deverão ser novamente testadas quanto à sua segurança e eficácia terapêutica.

 

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem a CAPES que, através do Programa de Qualificação Interinstitucional (PQI), financiou essa pesquisa e ao Prof. Dr. José Maria Barbosa Filho pela pesquisa no banco de dados NAPRALERT (Natural Products Alert Database).

 

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Recebido para publicação em 11/03/2008
Aceito para publicação em 05/05/2010

 

 

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