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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versión impresa ISSN 1516-0572

Rev. bras. plantas med. vol.12 no.4 Botucatu oct./dic. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722010000400009 

Identificação de espécies da família Asteraceae, revisão sobre usos e triagem fitoquímica do gênero Eremanthus da Reserva Boqueirão, Ingaí-MG

 

Asteraceae species identification, use revision and phytochemical screening of Eremanthus genus in Boqueirão Ecological Reserve, Ingaí - Minas Gerais State, Brazil

 

 

Ribeiro, A.O.I,*; Silva, A.F.II; Castro, A.H.F.III

ICentro Universitário de Lavras, Rua Padre José Poggel, 506, CEP:37200-000, Lavras-Brasil
IIEPAMIG, Avenida José Cândido da Silveira, 1647, CEP: 31.170-000, Belo Horizonte-Brasil
IIIUniversidade Federal de São João Del-Rei, Campus Centro-Oeste D. Lindu, CEP: 35500-970, Divinópolis-Brasil

 

 


RESUMO

Com o objetivo de identificar espécies da família Asteraceae, revisar seus usos e realizar triagem fitoquímica preliminar do gênero Eremanthus procederam-se coletas botânicas semanais de espécimes na Reserva Boqueirão, localizada em Ingaí, Minas Gerais. As amostras foram herborizadas e identificadas utilizando-se bibliografia especializada e comparação com espécimes disponíveis no Herbário ESAL, da Universidade Federal de Lavras. A revisão dos usos foi feita através de consulta a obras clássicas e artigos científicos contendo relatos sobre levantamentos etnobotânicos realizados na área de estudo. Para triagem fitoquímica empregaram-se reagentes específicos para cada grupo de metabólito. Foram levantadas 102 espécies da família Asteraceae, sendo 32 delas úteis para o homem. A triagem fitoquímica dos extratos hidroalcoólicos indicaram a presença de açúcares redutores, carboidratos, aminoácidos, taninos, flavonóides, glicosídeos cardiotônicos, carotenóides, esteróides e triterpenóides, depsídeos e depsidonas, derivados de cumarina, saponinas espumídicas, alcalóides, purinas, polissacarídeos e antraquinonas. Não foram detectados ácidos orgânicos, catequinas, lactonas sesquiterpênicas e azulenos.

Palavras-chave: Asteraceae, levantamento florístico, triagem fitoquímica.


ABSTRACT

To identify Asteraceae species, review the utilization and perform a preliminary phytochemical screening of some species of Eremanthus genus, plants were weekly collected in Boqueirão Ecological Reserve, located in Ingaí, Minas Gerais State, Brazil. The samples were herborized and identified by using a specialized bibliography and comparison with the species available in the Herbarium ESAL of the Federal University of Lavras. The utilization review was carried out by means of bibliographical research and ethnobotanical surveys in the sampling area. Specific reagents for each group of compounds were used for phytochemical screening. From the 102 Asteraceae species investigated, 32 were reported to be of use to humans. The phytochemical screening of the hydroalcoholic extracts indicated the presence of reducing sugars, carbohydrates, amino acids, tannins, flavonoids, glycosides cardiotonics, carotenoids, steroids and triterpenoids, depsides and depsidones, coumarin derivatives, soapy saponins, alkaloids, purines, polysaccharides and anthraquinones. On the other hand, organic acids, catechins, sesquiterpene lactones and azulenes were not detected.

Key words: Asteraceae, floristic survey, phytochemical screening.


 

 

INTRODUÇÃO

A região sul do Estado de Minas Gerais está entre os locais de ocupação mais antigos do Brasil, cuja economia local sempre se baseou na exploração dos recursos naturais (Botrel et al., 2006). A flora da região, ainda hoje, apesar da pressão antrópica possui uma alta diversidade florística, demonstrada em estudos realizados na Reserva Biológica do Poço Bonito (Oliveira Filho & Fluminhan Filho, 1999), na Mata do Galego (Rodrigues et al., 2002) e Mata da Ilha (Botrel et al., 2002), localizadas nos municípios de Lavras, Luminárias e Ingaí, respectivamente. Aliado ao conhecimento sobre a composição florística, está a inter-relação direta entre pessoas de culturas viventes e as plantas do meio, que, segundo Amorozo (1996) consiste em ferramenta indispensável para o conhecimento, valorização e preservação da flora, especialmente as espécies medicinais, o que tem sido evidenciado na região, por estudos etnobotânicos realizados por Rodrigues & Carvalho (2001), Rodrigues et al. (2002) e Botrel et al. (2006).

A Reserva Ecológica do Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), denominada Boqueirão é uma área particular, adquirida para a realização de experimentos, pesquisas de flora, fauna, entre outras e localiza-se na região norte do município de Ingaí, sul de Minas Gerais, à cerca de 15 km do centro da cidade de Lavras (MG). Esta área é de grande importância para a população da região, contribuindo para a manutenção do clima e conservação das águas. Entre as diferentes espécies de plantas encontradas na Reserva destacam-se aquelas pertencentes à família Asteraceae Martinov (Compositae Griseb). Esta família é a maior do grupo das angiospermas, com cerca de 180 gêneros, sendo considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico (Judd et al., 2002).

Espécies de Eremanthus, localmente chamadas de "candeias", se destacam entre os diferentes representantes da família Asteraceae por apresentarem maior número de indivíduos distribuidos entre três espécies distintas: E. erythropappus (DC.) Macleish, E. incanus (Less.) Less. e E. glomerulatus Less., sendo E. erythropappus e E. incanus de maior importância econômica e de maior ocorrência em Minas Gerais. Segundo MacLeish (1987), as candeias estão submetidas à constante pressão exploratória, sendo os caules frequentemente utilizados como mourões de cerca, pela durabilidade e para produção de óleo essencial, cujo componente principal, o α-bisabolol, possui propriedades antiflogísticas, antibacterianas, antimicóticas, dermatológicas e espasmódicas (Perez, 2001). E. glomerulatus e E. incanus encontram-se na Lista das Espécies Presumivelmente Ameaçadas de Extinção da Flora de Minas Gerais, uma vez que mesmo não havendo informações suficientes para uma conclusão segura sobre o real status de ameaça, há indícios que permitem considerá-las como tal (Mendonça & Lins, 2000).

Deve-se então considerar a necessidade de conhecer a Reserva, para o desenvolvimento de manejo sustentável das espécies que compoem a flora nativa, a fim de garantir a preservação. Assim, o trabalho teve como objetivos identificar espécies da família Asteraceae, revisar os usos e realizar triagem fitoquímica preliminar do gênero Eremanthus na Reserva Boqueirão, em Ingaí (MG).

 

MATERIAL E MÉTODO

Caracterização da área de estudo

A Reserva Boqueirão localiza-se no município de Ingaí, situado ao sul do Estado de Minas Gerais, a 951 m de altitude, 21º24'04"S de latitude e longitude 44º55'02"W GRW, com área total de 159,5 ha. A temperatura média anual do ar é de 19,61ºC e as médias anuais de temperatura do ar máxima e mínima são, respectivamente, 26,1ºC e 14,8ºC, com precipitação anual média de 1517 mm (Brasil, 1992). De acordo com a classificação de Köppen, o clima da região é do tipo Cwb, apresentando duas estações bem definidas, a seca, de abril a setembro e a chuvosa, de outubro a março. A vegetação nativa engloba áreas de cerrado, campos cerrados, matas de galerias, matas de encosta e campos rupestres (Queiroz et al., 1980).

Estudo florístico

Os estudos florísticos foram conduzidos no período de junho de 2002 a maio de 2004, através de coletas semanais de diferentes espécies, em trilhas aleatórias, totalizando 62 excursões, cobrindo os tipos fitofisionômicos encontrados na Reserva. Selecionou-se para esse trabalho espécies da família Asteraceae por predominarem na área de estudo, em relação às demais pertencentes a outras famílias botânicas. Os espécimes foram herborizados segundo técnicas descritas por Fidalgo & Bononi (1984).

A identificação feita por comparação com exemplares existentes no acervo do Herbário ESAL da Universidade Federal de Lavras, chaves de identificação e consulta a obras clássicas como Lorenzi (1998), Lorenzi (2002) e Lorenzi & Matos (2008). Duplicatas do material vegetal foram confeccionadas e enviadas ao Prof. Dr. Jimi Naoki Nakajima, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), especialista na família Asteraceae. Os nomes das espécies e os autores foram confirmados e atualizados por bibliografia específica e também por meio do site do Missouri Botanical Garden (http://www.mobot.org/w3t/search/vast.html). Os documentos botânicos encontram-se depositados no Herbário LUNA, do Centro Universitário de Lavras.

Revisão dos usos

O levantamento, das espécies consideradas útéis e os usos foi realizado através de revisões bibliográficas, utilizando-se o binômio latino e as sinonímias botânicas retiradas de IPNI (2004). Essa revisão priorizou os nomes populares e utilidades das plantas e foi realizada por meio de consulta a obras clássicas como o Dicionário de plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas (Corrêa, 1984), Espécies vegetais úteis do Cerrado (Almeida et al., 1998), Árvores brasileiras (Lorenzi, 1998; 2002), Árvores nativas e exóticas do Estado de Minas Gerais (Brandão et al., 2002), Plantas medicinais no Brasil (Lorenzi & Matos, 2008) e levantamentos etnobotânicos de plantas medicinais realizados na região do Alto Rio Grande por Rodrigues & Carvalho (2001), nos municípios de Luminárias, por Rodrigues et al. (2002) e de Ingaí, por (Botrel et al., 2002). Posteriormente, foi elaborada uma lista contendo o nome científico, os nomes populares, as partes utilizadas e as indicações.

Triagem fitoquímica

Devido a importância econômica das candeias e a escassez de trabalhos sobre os constituíntes químicos ramos de Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish, Eremanthus glomerulatus Less. e Eremanthus incanus (Less.) Less. foram submetidas a triagem fitoquímica preliminar.

Ramos em fase de floração foram coletados em agosto de 2004, levados ao Laboratório Multidisciplinar de Química, do Centro Universitário de Lavras e submetidos a secagem em estufa à temperatura de 30ºC (±5), até atingirem peso constante. Após, o material foi pulverizado em moinho de facas Marconi. Os extratos foram preparados a partir de 50 g do pó dos ramos de cada espécie, submetidos à extração hidroalcoólica (etanol 80% v/v) sob refluxo, por 2 horas (Matos, 1997). O material foi então filtrado a vácuo e concentrado em evaporador rotatório. A seguir, os extratos foram armazenados em placas de Petri protegidos da luz e à temperatura ambiente até o momento das análises.

Os extratos foram submetidos à análise fitoquímica preliminar, empregando-se reagentes específicos para cada grupo químico, segundo metodologia proposta por Matos (1997). Foram pesquisados ácidos orgânicos, açúcares redutores, polissacarídeos, carboidratos e aminoácidos, taninos, catequinas, flavonóides, glicosídeos cardiotônicos, lactonas sesquiterpênicas e outras lactonas, azulenos, carotenóides, esteróides e triterpenóides, depsídios e depsidonas, derivados de curmarina, saponinas, alcalóides, purinas e antraquinonas. Os reagentes utilizados para os testes foram os mesmos citados por Harborne (1984), Matos (1997) e Falkenberg et al. (2000).

 

RESULTADO E DISCUSSÃO

Levantamento florístico

Foram coletados 102 espécimes de Asteraceae, dos quais 67 foram identificados quanto a espécie, 29 quanto ao gênero e 6 quanto a família (Tabela 1). No total, foram registrados 39 gêneros, dividos em diferentes hábitos: arbóreos, arbustivos, herbáceos e lianas.

 

 

Representantes da família foram encontrados em todos os tipos vegetacionais da Reserva, sendo 51% das espécies coletadas em região de Cerrado sentido restrito, 26% em Campo Rupestre, 12% em Cerrado sentido restrito e Campo Rupestre e 11% em Mata Ciliar. Os gêneros mais abundantes foram Baccharis (12 espécies), Lessingianthus (11 espécies), Eupatorium (9 espécies) e Mikania (7 espécies).

Estudos realizados em outras Reservas e áreas localizadas em municípios adjacentes à área de estudo, com características de vegetação semelhantes, também apontam a presença de muitas espécies da família Asteraceae relatadas nesse trabalho. Gavilanes & Brandão (1991a, b) e Gavilanes et al. (1992) levantaram 79 espécies de Asteraceae, na Reserva Biológica Municipal do Poço Bonito, localizada em Lavras (MG), vizinha a área de estudo, sendo 21 delas também encontradas na Reserva Boqueirão. De maneira semelhante, levantamentos florísticos realizados por Rodrigues & Carvalho (2001), na região do Alto Rio Grande, Rodrigues et al. (2002) e Botrel et al. (2006), nos municípios de Luminárias e Ingaí, respectivamente identificaram várias espécies da família Asteraceae também encontradas na área de estudo.

Revisão dos usos

A Tabela 2 mostra que, do total de espécies da família Asteraceae levantadas e identificadas, 32 espécies mostraram-se úteis ao homem e importantes do ponto de vista econômico. As utilidades são na construção civil, fabricações de ferramentas, marcenarias e carpintarias, como melíferas, ornamentais, agentes de recuperação de áreas degradadas e no tratamento de diversas doenças, devido às indicações medicinais.

Nota-se pela Tabela 2, que doze espécies encontradas na Reserva Boqueirão também foram inventariadas por Rodrigues & Carvalho (2001), em levantamentos florístico e etnobotânico realizados na região do Alto Rio Grande, oito são muito utilizadas pela população de Luminárias, segundo Rodrigues et al. (2002) e seis foram levantadas por Botrel et al. (2006), em estudos sobre o uso da vegetação nativa utilizada pela população do município de Ingaí. Rodrigues & Carvalho (2001) inventariaram 164 espécies de plantas medicinais, sendo 20 da família Asteraceae, descrevendo os habitats, indicações, parte usada, modo de preparo e dosagem de cada espécie. As informações etnobotânicas foram conseguidas por intermédio de treze raizeiros, entre homens e mulheres, habitantes antigos da região de estudo, descendentes de avós indígenas ou africanos, ou ambos, sendo definidos pelos autores como pessoas simples e fraternas, que vivem sem ocupar qualquer posição de destaque ou privilégio nas sociedades das quais fazem parte, mesmo detendo o conhecimento popular do uso medicinal das plantas da região.

Em Luminárias, os dados relativos aos usos foram obtidos mediante entrevistas com moradores antigos do município, entre homens e mulheres. Foram encontradas 124 espécies de plantas, sendo 13 da família Asteraceae, utilizadas como medicinais, para extração de madeira e lenha, entre outros usos. Botrel et al. (2006), em Ijaci, levantaram 143 espécimes, sendo 10 da família Asteraceae. Dessas, seis foram relatadas como medicinais, duas utilizadas na produção de mourões, uma para lenha e uma para fabricação de cabo de ferramenta. Na pesquisa, os informantes consistiram de dezessete moradores do município, divididos entre homens e mulheres, que exerciam atividade como artesões, raizeiros, lenheiros ou agricultores.

Triagem fitoquímica

A Tabela 3 mostra os resultados obtidos através de triagem fitoquímica preliminar realizada em diferentes espécies de Eremanthus. A identificação de açúcares redutores em E. incanus e E. erytropappus, realizada com a utilização do Reativo de Fehling, somente foi possível após a extração dessas substâncias com HCl e posterior neutralização do meio com NaOH, possivelmente devido a interação dos açúcares redutores com outras substâncias presentes no extrato.

 

 

Os resultados indicaram a presença de diferentes grupos de metabólitos nos ramos das três espécies estudadas, o que pode justificar os diferentes usos medicinais das candeias. Segundo Cronquist (1981), as espécies da família Asteraceae armazenam carboidratos do tipo inulina, produzem poliacetilenos e óleos aromáticos terpênicos, normalmente apresentam lactonas sesquiterpênicas e não possuem iridóides. Schultes & Raffauf (1990) relatam que essa família é rica em constituíntes potencialmente biodinâmicos, incluindo alcalóides, sesqui e diterpenóides, óleos essenciais, triterpenos, saponinas, esteróis, carotenóides, acetilenos, polienos, tiofenóis, amidas, flavonóides e várias outras substâncias. Tais considerações são importantes, pois, corroboram com os resultados obtidos na triagem preliminar realizada no gênero Eremanthus.

A ausência de ácidos orgânicos, catequinas e azulenos reforçaram os relatos encontrados na literatura, visto que essas substâncias não são comumente encontradas em membros dessa família, conforme relata Schultes & Raffauf (1990) e Villareal et al. (1994). Entretanto, a ausência de lactonas sesquiterpênicas nas três espécies mostrou-se interessante, do ponto de vista fisiológico e fitoquímico, uma vez que vários trabalhos indicam serem essas substâncias, características das plantas da família Asteraceae, sendo encontradas em muitas espécies, especialmente do gênero Eremanthus (Bohlmann et al., 1980; Bohlmann et al., 1982; Vichnewski et al.,1989; Sacilotto et al., 2002; Azevedo, 2000).

Vários fatores podem contribuir para achados negativos em relação a determinados grupos de metabólitos secundários. Gobbo-Neto & Lopes (2007) relatam que variações temporais e espaciais no conteúdo total, bem como as proporções relativas de metabólitos secundários em plantas podem ocorrer nos níveis climáticos, sazonais e diários e, apesar da existência de controle genético, a expressão pode sofrer modificações resultantes da interação de processos bioquímicos, fisiológicos, ecológicos e evolutivos. Muitas vezes, as variações podem ser decorrentes também do desenvolvimento foliar e/ou surgimento de novos órgãos concomitante a uma constância no conteúdo total de metabólitos secundários.

Para lactonas sesquiterpênicas são relatadas variações no conteúdo devido à sazonalidade, idade, estádio de desenvolvimento da planta e intensidade de luz (Picman, 1986; Willuhn et al., 1998; Gobbo-Neto & Lopes, 2007). Entretanto, alguns fatores podem apresentar correlações entre si e não atuam isoladamente, podendo influir em conjunto no metabolismo secundário, como desenvolvimento e sazonalidade, índice pluviométrico e sazonalidade, temperatura e altitude, entre outros (Gobbo-Neto & Lopes, 2007).

A triagem fitoquímica preliminar do gênero Eremanthus evidenciou a necessidade de se ampliar os estudos químicos, através do fracionamento dos extratos e elucidação estrutural dos metabólitos presentes e estudos fisiológicos através da avaliação de fatores edafo-climáticos, sazonalidade, estádio de desenvolvimento, interação com patógenos e herbivoria relevantes na produção e acúmulo de fitoconstituintes vegetais.

Conclui-se, portanto, que do total de espécies da família Asteraceae identificadas, 32 espécies mostraram-se úteis ao homem e importantes do ponto de vista econômico para a população local, sendo empregadas na medicina popular, como ornamentais, na produção de lenha, construção civil, entre outros. Vários metabólitos encontrados relacionam-se com os efeitos terapêuticos descritos para espécies do gênero Eremanthus, o que justifica sua utilização medicinal.

 

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Recebido para publicação em 17/03/2009
Aceito para publicação em 28/08/2010

 

 

* alebioribeiro@gmail.com