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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572

Rev. bras. plantas med. vol.16 no.2 supl.1 Botucatu  2014

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/12_137 

Plantas medicinais utilizadas na Comunidade Santo Antônio, Currais, Sul do Piauí: um enfoque etnobotânico

 

Medicinal plants used in the Community Santo Antônio, city of Currais, Southern Piauí, Brazil: an ethnobotanical approach

 

 

Baptistel, A.C.; Coutinho, J.M.C.P.; Lins Neto, E.M.F.; Monteiro, J.M.*

Departamento de Biologia, Universidade Federal do Piauí, Campus Profa. Cinobelina Elvas, BR 135, CEP: 64900-000, Bom Jesus, Piauí, Brasil

 

 


RESUMO

O trabalho objetivou a realização de inventário sobre as plantas medicinais utilizadas pelos membros da Comunidade Rural de Santo Antônio, Currais, Piauí, e dessa forma analisar o valor de uso e a riqueza de espécies conhecidas. Foram mencionadas 121 espécies pelos 32 entrevistados. As famílias mais representativas foram Fabaceae, Arecaceae e Anacardiaceae. A espécie com maior valor de uso foi a imburana [Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm]. Não houve diferenças significativas quanto ao conhecimento entre gêneros, assim como a renda e escolaridade. No entanto, a idade influenciou significativamente no conhecimento sobre plantas úteis. A riqueza da flora piauiense, marcada por apresentar áreas de transição entre caatinga e cerrado na região sul, oferece uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento de pesquisas abrangendo o escopo da biodiversidade vegetal e do conhecimento tradicional associado.

Palavras-chave: Etnobotânica, Valor de uso, Fitoterapia, Conservação.


ABSTRACT

The study aimed toflist the medicinal plants used by members of the Rural Community of Santo Antonio, in the city of Currais, state of Piauí, Brazil, in order to assess the value of use and richness of the species known locally. Approximately 121 species were mentioned by 32 respondents. The most representative families were Fabaceae, Arecaceae and Anacardiaceae. The species with the highest use wa:[Amburana cearensis (Allemão) A. C. S]. There were no significant differences between genders in terms of knowledge, as well as income and education. However, the age significantly influenced knowledge about useful plants. The richness of the Piauí flora, marked by presenting areas of transition between the Brazilian Caatinga and Cerrado in the south, offers a unique opportunity for the development of research covering the scope of plant biodiversity and associated traditional knowledge.

Keywords: Ethnobotany, Value of Use, Phytotherapy, Conservation.


 

 

INTRODUÇÃO

Pesquisas no campo da etnobotânica têm fornecido valiosas informações sobre a forma de apropriação e manejo dos recursos vegetais por populações locais (Albuquerque, 2005). De modo geral, essas populações locais possuem um amplo conhecimento sobre métodos alternativos usados para curar ou aliviar sintomas de doenças. Porém, alguns autores argumentam que este conjunto de saberes está ameaçado pela medicina moderna e pelo crescente desinteresse dos jovens que tem migrado para os centros urbanos cada vez mais cedo em busca de novas conquistas profissionais (Franco & Barros, 2006; Oliveira, 2009; Sousa, 2010).

Os estudos etnobotânicos no Brasil têm crescido atualmente, sobretudo enfocando plantas medicinais, e a região nordeste tem merecido destaque no cenário nacional (Albuquerque & Andrade,1998; Monteiro et al., 2006; Araujo et al., 2008; Albuquerque et al., 2009; Silva et al., 2011; Souza et al., 2012). Alguns trabalhos enfocaram gêneros ou até espécies, dada a sua importância medicinal, religiosa e econômica local. Albuquerque & Andrade (1998) realizaram pesquisa das espécies do gênero Ocimum, pertencente à família Lamiaceae, levantando seus dados morfológicos, botânicos, econômicos, seu uso místico-religioso no candomblé, sua entrada no Brasil e seu uso na África, observando assim, a existência simultânea desse gênero entre a cultura brasileira e africana. Monteiro et al. (2011), através de técnicas oriundas da economia ambiental, valoraram a aroeira do sertão (Myracrodruon urundeuva Allemao) e, com base nos resultados, estabeleceram que a planta apresenta uma larga importância local e pode ser alvo de propostas conservacionistas financiada pela sociedade. No Piauí, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Delta do Parnaíba, Souza et al., (2012) encontraram, em pesquisas com comunidades de pescadores, que há grande conhecimento e uso da vegetação e mesmo com a crescente urbanização ainda há dependência da biodiversidade local.

Dessa forma, mesmo com o crescimento de pesquisas no Nordeste, ainda existem lacunas, principalmente para o estado do Piauí, cujos estudos etnobotânicos são escassos e o componente vegetacional ainda está pouco amostrado. Registram-se aqui os trabalhos de Emperaire (1989) e Lemos & Rodal (2002) que estudaram o componente vegetacional da Serra da Capivara (Sul do Piauí) e perceberam que a vegetação é marcada pela transição entre a caatinga e o cerrado, evidenciando a riqueza da flora piauiense. Em outro trabalho importante para a região, o Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD-Sítio 10), foi levantado e prospectado a biodiversidade remanescente em áreas de cerrado e ecótonos associados, representando grande parte dos cerrados setentrionais do Piauí (Castro et al., 2010).

Diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivo a realização de um inventário dos recursos vegetais usados como terapêuticos, pelos membros da Comunidade Santo Antônio, Currais, Piauí, a fim de avaliar a riqueza de espécies conhecidas localmente. Mais especificamente, acessar informações sobre indicações terapêuticas, partes utilizadas e formas de preparo das plantas medicinais. Procurou-se também quantificar o conhecimento através do valor de uso e verificar a diversidade de espécies conhecidas localmente entre gênero, idade e renda dos informantes.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Área de estudo

A área de estudo deste trabalho é o Povoado Santo Antônio, anteriormente chamado de Boca da Caatinga, pertencente ao Município de Currais, Piauí, localizado ao sul do estado do Piauí, na região do Médio Gurguéia, limitando-se ao norte com o município de Palmeira, ao sul com o município de Bom Jesus, ao leste, com Santa Luz e ao oeste com Baixa Grande do Ribeiro. Distam 640 km da capital Teresina e com população aproximada de 4722 habitantes (IBGE, 2008). O clima nesta região é do tipo semiárido, apresentando durante o verão uma estação de seca bem definida, tendo como principal elemento influenciador, o mecanismo de circulação das massas de ar e no inverno chuvas concentradas. A vegetação é constituída por árvores e arbustos densos, baixos, retorcidos, de aspecto seco durante o verão, folhas pequenas e caducas, apresentando raízes profundas e grossas, características predominantes da caatinga (Emperaire, 1989; Rodal & Sampaio, 2002).

O povoado Santo Antônio é formado por casas de barro e alvenaria, pequenos comércios, uma igreja, uma escola e um posto de saúde que se encontram desativados, dificultando a educação formal das crianças e o atendimento médico para as 34 famílias residentes no local. No entanto, contam com uma equipe do Programa Saúde Familiar (PSF), que realiza visitas uma vez por mês na comunidade, encaminhando os casos mais graves de saúde para o Município de Bom Jesus e posteriormente para a capital Teresina. Os moradores da comunidade são de origem rural, onde 90% das pessoas sobrevivem da produção agrícola e da Bolsa Família, programa criado pelo Governo Federal em 2003. Os outros 10% constituem-se em pequenos empresários e funcionários públicos na esfera municipal. Basicamente realizam o plantio, manutenção e colheita de milho, feijão, arroz, mandioca e algumas hortaliças que são vendidas nas feiras livres locais.

Coleta de dados

As coletas foram realizadas no período de abril de 2010 a maio de 2011 com ocorrência das estações seca e chuvosa, totalizando 45 dias de trabalho. A viagem de campo dividida (Titiev, 2000) permitiu o acréscimo de informações entre distintas épocas do ano bem como suplantar as deficiências das viagens anteriores. Iniciou-se com visitas informais ao povoado estabelecendo uma relação de confiança com os moradores e o reconhecimento da área de estudo. Por ser uma comunidade pequena, 34 famílias, todos os responsáveis pelas residências foram convidados a participar, totalizando 32 entrevistas, dois moradores declinaram da participação. Após breve explicação dos objetivos do trabalho, todos foram convidados e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Posteriormente, o trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFPI (Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde). O acesso ao conhecimento local ocorreu por meio de entrevistas semi-estruturadas (Albuquerque et al., 2008), dividida em duas etapas: coleta de dados socioeconômicos dos entrevistados e do conhecimento sobre plantas medicinais, cujo principal questionamento foi sobre as indicações medicinais das plantas, preparo, doses, modo de administração e coleta das partes das plantas utilizadas. Turnês-guiadas foram realizadas próximas às residências (quintais, áreas de matas vizinhas e margens de estradas) para coleta e registro fotográfico de todas as plantas inventariadas, com auxílio dos informantes, promovendo o reconhecimento e a validação dos vernáculos das espécies citadas (Albuquerque et al., 2008). As plantas coletadas foram herborizadas e depositadas no Laboratório de Botânica da Universidade Federal do Piauí (Campus Profa. Cinobelina Elvas). O sistema APG III (Bremer, 2009) foi utilizado para a classificação das espécies e a verificação da nomenclatura científica foi conferida através do sítio eletrônico do Missouri Botanical Garden (MOBOT, 2011). Quanto ao status das espécies, consideraram-se aqui plantas espontâneas ou cultivadas, de acordo com a proposta de Albuquerque et al. (2007a): as plantas que ocorrem naturalmente no ambiente e são recolhidas da vegetação local, sem serem cultivadas, foram classificadas como espontâneas. Também foram inseridas na categoria espontânea as espécies endêmicas da caatinga (Giulietti et al., 2002; Albuquerque et al., 2007a). Espécies cultivadas foram reconhecidas como não disponíveis na vegetação natural, sendo necessariamente manejadas e mantidas pela ação humana intencional.

A classificação das indicações de usos das plantas foi realizada através do Sistema de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (WHO, 2007), proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As plantas medicinais indicadas para outras finalidades, tais como 'mau olhado' ou 'olho gordo' foram agrupadas na categoria "doenças culturais" (Giraldi & Hanazaki, 2010).

Análise dos dados

Para análise dos dados obtidos através de uma única entrevista por informante foi calculado o valor de uso (VU) de cada espécie citada utilizando a fórmula adaptada por Rossato et al. (1999), cujo VU corresponde: U (somatório das citações para cada espécie) dividido por n (número total de informantes).

Teste de variância Anova (um fator) foi utilizado para obter as diferenças entre a quantidade de plantas citadas e o gênero, e Kruskal-Wallis para comparar a existência de distinção do grau de estudo entre os gêneros (Ayres et al., 2007). Também se empregou teste de correlação de Spearman e regressão linear múltipla para verificação da relação entre valor de uso com idade, gênero, escolaridade e renda (Ayres et al., 2007).

Para estimar a riqueza de espécies citadas aplicou-se os seguintes estimadores: Chao de segunda ordem, Jacknife de primeira ordem e bootstrap, calculados através do EstimateS, versão 8.2 (Colwell, 2009). No sentido de evitar vieses devido a variação na abundância entre as plantas citadas, empregou-se análise de rarefação. Para as análises de diversidade empregou-se software ECOSIM 7 (Gotelli & Entsminger, 2009) e para as estimativas de riqueza empregou-se EstimateS 8. 2 (Colwell, 2009).

 

RESULTADOS

Diversidade e valor de uso de plantas medicinais na Comunidade Santo Antonio, Currais, Piauí

Foram citadas através das entrevistas 121 plantas com potencial medicinal, correspondendo a 118 espécies e 108 gêneros, distribuídas em 54 famílias (Tabela 1). As famílias mais representativas foram: Fabaceae (25 espécies), Arecaceae (08), Anacardiaceae (06), Asteraceae, Euphorbiaceae, Malvaceae e Rutaceae (05), Apocynaceae e Lamiaceae (04). Em relação às espécies utilizadas na fitoterapia tradicional foi observado que 15 se destacaram por apresentarem maior número de indicações (Tabela 1). São elas: imburana [Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm], erva cidreira [Lippia alba (Mill) N. E. Brown], batata de purga (Operculina sp.), mangabeira (Lafoensia replicata Pohl.), alecrim de chapada (Lippia gracillis H.B.K.), laranja [Citrus sinensis (L.) Osbeck], mastruz (Chenopodium ambrosioides L.) aroeira (Myracroduon urundeuva Allemão), hortelã (Mentha crispa L.), catinga de porco (Terminalia brasiliensis Camb), pau de rato (Caesalpinia bracteosa Tul.), jatobá (Hymenaea stigonocarpa var. pubescens Benth), boldo rasteiro [Plectranthus ornatos (Lour.) Spreng.], pau d'óleo (Copaifera langsdorffii Desf.) e inharé (Brosimum gaudichaudii Trecul.). Destas supracitadas, oito são elementos arbóreos encontrados na vegetação nativa. Um total de 77 plantas foi considerado espontâneo e 43 foram cultivadas. Tais resultados sinalizam a importância da vegetação nativa para a população local. Ainda com relação ao hábito, as plantas mencionadas, na sua maioria, foram: arbóreo (56%), seguido do hábito herbáceo (29%), arbusto (6%), trepador/epifítico (5%) e subarbusto (4%) (Tabela 1).

As folhas foram as partes mais citadas (28%), seguidas de frutos (20%), casca e entrecasca (18%), raiz (11%), sementes (8%). Outras partes foram apontadas totalizando 15% de todas as citações para partes usadas (exsudado, flores, inflorescências, planta inteira, bulbos, óleos, azeite e látex). A forma de uso mais comum dos remédios caseiros foi por via oral e seu modo de preparo foi o chá (38%) em decocção ou infusão, garrafadas (25%) preparadas da extração da casca e entre casca das plantas arbóreas em solução com água, pó (15%) feito a partir da raiz tuberosa e mucilagem, xaropes (05%) confeccionados com mel de abelha. No uso de tratamento externo destacaram-se os emplastros (10%) feitos da maceração de ervas e banhos (03%) para aliviar as dores no corpo (Tabela 1).

As categorias de indicações terapêuticas que obtiveram mais citações foram às relacionadas ao sistema digestivo (25%) e o respiratório com 21% (Figura 1). Esses resultados podem relacionar-se à falta de saneamento básico na região, uma vez que a comunidade não apresenta tal infra-estrutura tornando-se comum, por exemplo, sintomas como a diarréia, dores abdominais, verminoses e infecções intestinais. Para o presente trabalho foi visto que os recursos vegetais terapêuticos não são utilizados pelos entrevistados como fonte de renda ou troca, pois coletam apenas a quantidade necessária para preparar a medicação caseira que será usada durante o tratamento da doença.

O valor de uso (VU) calculado para cada espécie variou de 0,03 a 1,59 (Tabela 1), contudo nove espécies destacaram-se por apresentarem o VU maior ou igual a 1: Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm (imburana) (1,59), Lippia alba (Mill) N. E. Brown (erva cidreira) (1,43), Operculina sp. (batata de purga) (1,40), Lafoensia replicata Pohl. (mangabeira) (1,34), Lippia gracillis H. B. K. (alecrim da chapada) (1,12), Citrus sinensis (L.) Osbeck (laranja) (1,09), Chenopodium ambrosioides L. (mastruz) (1,0). De acordo com os informantes, a grande quantidade de indicações e, conseqüentemente alto valor de uso, se deve pela frequência da coleta destas plantas, devido a grande quantidade de doenças respiratórias e do sistema digestivo. A fácil localização de algumas dessas espécies, por exemplo, o mastruz (C. ambrosioides L.), a erva cidreira (L. alba (Mill) N. E. Brown) e a laranja (C. sinensis (L.) Osbeck), que são cultivadas em espaços próprios ou encontradas em quintais vizinhos, também auxilia para a coleta visando os processos de cura.

Dinâmica do conhecimento na Comunidade Santo Antonio, Currais, Piauí

Verificou-se que não houve distinções significativas referentes à quantidade de citações do uso das plantas medicinais utilizadas na comunidade entre os gêneros (p>0,05; F = 2,31) e grau de escolaridade (p>0,05; H = 0,40), reforçando assim, a homogeneidade do saber informal no emprego das plantas terapêuticas pelos informantes. Tal fato foi confirmado ao se avaliar a diversidade de plantas citadas, onde não se obteve diferenças significativas (p>0,05) entre homens e mulheres, apresentando respectivamente valores de 3,96 bits e 3,94 bits

No entanto, a correlação entre as variáveis: idade, gênero, escolaridade e renda revelaram que apenas as duas primeiras foram significativamente correlacionadas com o número de plantas citadas pelos informantes da comunidade (rs=0,713, p<0,0001, para idade; rs= -0,451, p<0,0141, para o gênero). Enquanto que para a análise de regressão linear múltipla, o coeficiente de determinação R2 encontrado indicou que 45,2% da variabilidade total da quantidade de plantas citadas podem ser explicadas apenas pela idade (T=3,664, P<0,001), constatando-se que pessoas de idade mais avançada citaram um maior número de plantas quando comparadas as pessoas mais jovens.

Ao estimar a riqueza de espécies mencionadas localmente observou-se que há tendência para estabilidade (Figura 2). Observaram-se diferentes performances dos índices empregados. O valor máximo observado (Nobs) foi de 121 espécies, sendo que os três estimadores utilizados revelaram valores de estimativa diferentes, sendo de Nest=180,11 (Chao 2); Nest=170,41 (Jacknife 1) e Nest=142,71(Bootstrap).

 

DISCUSSÃO

Diversidade de plantas medicinais

A riqueza de plantas medicinais citadas para o presente trabalho foi considerada elevada se comparado a algumas pesquisas. Por exemplo, Santos et al. (2007) encontraram 70 espécies medicinais e forrageiras numa vegetação típica de cerrado em Monsenhor Gil, Piauí. Abreu (2000) trabalhou com quilombolas Mimbó em Amarante, Piauí, registrou 73 espécies, sendo 48% usadas na terapia local. Já alguns resultados encontrados para o estado do Piauí foram semelhantes a este quanto a riqueza de espécies úteis e também registraram mais de 100 espécies. Numa comunidade do semi-árido pernambucano onde foi encontrado um total de 136 espécies medicinais (Silva et al., 2010). Oliveira et al. (2010) em Oeiras, Piauí, encontrou 167 espécies medicinais. Já Souza (2010) encontrou 211 espécies úteis e destacou a categoria medicinal em seu trabalho com comunidades pesqueiras da área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, Piaui. Observou-se ainda que a família botânica com mais destaque, apresentando maior número de indivíduos foi a Fabaceae. No Brasil é representada com 175 gêneros e 1500 espécies podendo ser encontrada em qualquer bioma (Lorenzi, 2008). Essa família está bem representada por elementos úteis em alguns estudos etnobotânicos (Franco et al., 2007; Santos et al., 2007; Monteiro et al., 2011). Em estudo com duas comunidades pernambucanas, Silva & Andrade (2005) inventariaram 334 espécies úteis das quais 169 são medicinais. A alta diversidade de espécies conhecidas pode ser reflexo da riqueza cultural da região. O nordeste brasileiro é composto por diferentes comunidades étnicas, como os ameríndios e quilombolas (descendentes de escravos africanos), cujas culturas distintas contribuíram fortemente para a diversidade local de plantas medicinais usadas, de acordo com Albuquerque et al. (2007b). Esse aspecto é explicado pela forte tradição nos processos de cura a partir de produtos vegetais por populações sertanejas (Diegues & Arruda, 2002), pois detém um profundo conhecimento da natureza e seus ciclos, reproduzindo seu estilo de vida historicamente adaptando-se aos nichos específicos locais (Diegues & Arruda, 2002).

A maioria das plantas citadas no presente trabalho foi considerada espontânea tal como alguns trabalhos já realizados no Piauí (Abreu, 2000; Vieira, 2008; Oliveira et al., 2010). Das espécies terapêuticas com maior número de citações, onze são consideradas nativas na região da Comunidade Rural Santo Antonio: imburana [Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm], batata de purga (Operculina sp.), mangabeira (Lafoensia replicata Pohl.), alecrim de chapada (Lippia gracillis H.B.K.), aroeira (Myracroduon urundeuva Allemão), catinga de porco (Terminalia brasiliensis Camb), pau de rato (Caesalpinia bracteosa Tul.), jatobá (Hymenaea stigonocarpa var. pubescens Benth), pau d'óleo (Copaifera langsdorffii Desf.) e inharé (Brosimum gaudichaudii Trecul.). Dessas espécies, destaca-se a Myracroduon urundeuva Allemão (aroeira) que é amplamente conhecida e utilizada em diversas categorias de uso, como madeireiro, combustível e principalmente como medicinal. Grandes quantidades de cascas do caule desta planta e muitas outras nativas são comercializadas em mercados e feiras públicas do nordeste do Brasil (ver Monteiro et al., 2012), e ainda há lacunas sobre o conhecimento do comércio em mercados e feiras livres sobre essas espécies nativas para o nordeste brasileiro. Ademais, as cascas do caule dessas espécies são apontadas como curativas devido aos altos teores de compostos fenólicos do metabolismo secundário, especificamente os taninos. Esses compostos fenólicos (taninos) possuem a habilidade de formar complexos insolúveis em água com proteínas e devido a essa propriedade, apresentam uma série de atividades biológicas, entre elas, a adstringência, a ação cicatrizante e antiinflamatória (Mello & Santos, 2001; Monteiro et al., 2005). De acordo com os resultados da 1a Reunião Técnica intitulada "Estratégias para Conservação e Manejo de Recursos Genéticos de Plantas Medicinais e Aromáticas" a aroeira do sertão, também a imburana e o angico foram apontados como espécies de alta prioridade para conservação in situ (Vieira et al., 2002). Em documento mais recente, M. urundeuva Allemão consta juntamente com Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm numa lista de espécies, publicada em 23 de setembro de 2008, como vulnerável, isto é, podem tornar-se ameaçadas no futuro se não forem tomadas medidas mitigadoras para conter a exploração (MMA, 2008).

Das plantas citadas pelos informantes, 56% apresentaram hábitos arbóreos e 29% herbáceos. Resultados similares foram encontrados para o Piauí e até outros biomas. Santos et al. (2007) verificaram que o hábito arbustivo representou 47% e o arbóreo cerca de 39% das plantas medicinais citadas no município de Monsenhor Gil, Piauí. Silva (2010), em Campo Maior, também no Piauí, obteve para o hábito arbóreo 36,2% e herbáceo 22,7%, no entanto Roque et al. (2009) obtiveram como resultados 37% das plantas com hábito herbáceo e 34% arbóreo em estudo realizado em Caicó, Rio Grande do Norte. Dessa forma, a variabilidade dos resultados sobre os hábitos das plantas utilizadas como medicinal nas comunidades tradicionais é influenciada pela cultura e disponibilidade vegetal local. Por exemplo, Albuquerque (2006) sugeriu a hipótese da sazonalidade para explicar a preferência por determinados recursos perenes. Esse autor pontuou que no semiárido brasileiro as pessoas tendem a preferir plantas nativas e lenhosas em detrimento das herbáceas não perenes.

Nesse trabalho a parte da planta mais empregada pelos entrevistados foram as folhas (28%), seguidas da casca/entrecasca (18%), e raízes (11%), utilizadas como chás (infusão ou decocção), garrafadas, xaropes, pó, banhos e emplastos. Em estudo semelhante Oliveira et al. (2010) observaram que as folhas representavam 31,5% das indicações para preparar os tratamentos pelos informantes de Oeiras, Piauí e Vieira (2008) no Município de São Miguel, também no Piauí, destacou o uso das folhas com 36,98%. Contudo, durante a estação seca, período em que há pouca disponibilidade de folhas, a parte mais utilizada são as cascas/entrecascas das espécies arbóreas que tenham os mesmos efeitos sobre a sintomatologia de algumas doenças.

Quanto às categorias de indicações terapêuticas houve resultados concordantes com o presente trabalho. Giraldi & Hanazaki (2010) também encontraram um maior número de indicações para problemas do sistema digestivo. Resultados semelhantes também foram registrados por Franco & Barros (2006), no Quilombo Olho D'água, em Esperantina, Piauí, cujos maiores números de indicações foram para doenças do sistema respiratório com 26,7% de indicações (entre elas: gripe, asma, sinusite, inflamação da garganta e tosse) e doenças do sistema digestivo, 19,2% (diarréia, helmintíases, infecções intestinais, hepáticas e gástricas). Algumas doenças apontadas pelos informantes da presente pesquisa foram categorizadas como 'doenças culturais'. Duas informantes afirmaram apenas manter na residência o tipi (Petiveria tetranda Gomez) para afastar o 'mau olhado' e 'olho gordo'. Giraldi & Hanazaki (2010) num estudo realizado no Sertão do Ribeirão, Florianópolis, pontuaram que tais doenças são tratadas localmente por práticas culturais chamadas de benzeduras, e as benzedeiras, pessoas geralmente mais velhas, são especialistas locais e muito procuradas para a cura desses transtornos.

Dinâmica do conhecimento e valor de uso

Tal qual a presente pesquisa, alguns autores perceberam que o grau de escolaridade e a renda mensal dos informantes não influenciaram na quantidade de citação de plantas. Giraldi & Hanazaki (2010) no Sertão do Ribeirão, SC, também constataram que o gênero não influenciou na pesquisa, porém esse resultado pode ser explicado devido o baixo número de entrevistas realizadas, destacaram as autoras. Em pesquisa realizada com 101 informantes acerca de duas espécies medicinais numa comunidade do interior de Pernambuco, Monteiro et al. (2010) também não perceberam distinções significativas quanto ao gênero. Ao contrário, encontraram-se aqui distinções significativas na quantidade de conhecimento entre jovens e pessoas mais velhas. Resultados similares foram encontrados na literatura (Almeida et al., 2010; Monteiro et al., 2010). Esse tipo de resultado é largamente esperado, devido a maior experimentação e vivências dos mais velhos. A 'erosão do conhecimento' que também poderia explicar as diferenças entre classes de idade já foi bem pontuada por vários autores, como também a "aculturação", mas ambos os processos devem ser discutidos com parcimônia, pois é perfeitamente plausível que jovens conheçam menos que os mais velhos, dessa forma não pode-se afirmar aqui que tal resultado sinaliza perda da cultura local (Almeida et al., 2010; Silva et al., 2011). Ao considerar o menor conhecimento dos mais jovens, refletido aqui em quantidade de indicações de uso, alguns autores pontuaram em seus trabalhos que a influência de outras culturas, a modernidade e a até a existência de Postos de Saúde (acesso facilitado aos medicamentos industrializados) tem contribuído para diminuir o interesse e a transmissão dos conhecimentos empíricos sobre o uso das plantas pelos jovens (Vandebroek et al., 2004; Guarim Neto & Carniello, 2007).

Pesquisas etnobotânicas que utilizam técnicas e ferramentas para quantificar o conhecimento tradicional têm aumentado visivelmente (Silva et al., 2010; Araujo et al., 2012). O indicador usado aqui para avaliar o conhecimento botânico local, o valor de uso, foi selecionado pela sua praticidade e relativa rapidez na aplicação, enquadrando-se no conceito das técnicas denominadas de "consenso dos informantes" (Rossato et al., 1999; Monteiro et al., 2006; Silva et al., 2010; Araujo et al., 2012). Propicia ainda a vantagem de propor comparações entre as respostas dos informantes sobre um determinado domínio cultural pesquisado, além de permitir inferências estatísticas. Dentre as espécies espontâneas que apresentaram um alto VU neste trabalho (maior ou igual a 1), estão Amburana cearensis (Allemao) A. C. Sm., muito usada para o tratamento de tosses e gripes e Myracrodruon urundeuva Allemao, onde o decocto de suas cascas é amplamente utilizado para inflamações, pancadas ou gastrite. Em várias localidades, incluindo a caatinga, muitas árvores são usadas como medicinais, atribuindo-se as cascas seu poder curativo (Zschocke et al., 2000; Monteiro et al., 2006). Essas plantas estão submetidas à coleta sistemática de cascas, podendo formar um anelamento, prática destrutiva de colheita e fatalmente atinge o vegetal, além do mais, essas espécies arbóreas mais populares tem tanto crescimento como reprodução lentos (Zschocke et al., 2000), o mesmo ocorrendo com muitas das plantas medicinais da caatinga.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com as informações obtidas neste trabalho, diferentes aplicações de uso da vegetação medicinal local foram apontadas em consonância com a riqueza encontrada aqui, confirmando a importância do vegetal na comunidade estudada. Soma-se ao fato a riqueza da flora piauiense, marcada por apresentar áreas de transição entre caatinga e cerrado na região sul, oferecendo uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento de pesquisas abrangendo o escopo da biodiversidade vegetal e do conhecimento tradicional associado (Farias, 2003). Pesquisas para essa região ainda são escassas e fazem-se necessários mais estudos com distintas abordagens, para somar aos resultados aqui apresentados, que envolvam a influência de fatores culturais: idade, gênero e ocupação das pessoas na distribuição do conhecimento e uso de plantas úteis, a fatores ecológicos: identificação e contagens de indivíduos, acesso aos sítios de coleta e quantidade coletada, por exemplo. Tais questões podem favorecer a implementação de propostas conservacionistas para a região, pois, pesquisas etnodirigidas que identifiquem recursos muito demandados localmente, por exemplo a aroeira (M. urundeuva Allemão), podem auxiliar gestores a solucionar os problemas de interesse, especialmente na urgente tomada de decisões políticas sobre o manejo desses recursos.

 

REFERÊNCIA

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Recebido para publicação em 09/10/2012
Aceito para publicação em 06/02/2014

 

 

*Email: juliommonteiro@ufpi.edu.br

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