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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

Print version ISSN 1516-0572On-line version ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.1 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/14_056 

Articles

Plantas medicinais utilizadas pela população do município de Lagarto- SE, Brasil – ênfase em pacientes oncológicos

Medicinal Plants Used by the Population of Lagarto, SE, Brazil – Emphasis in Cancer Patients.

N.L.B. CAETANO1 

T.F. FERREIRA1 

M.R.O. REIS1 

G.G.A. NEO1 

A.A. CARVALHO1  * 

1Departamento de Farmácia, Campus Lagarto, Universidade Federal de Sergipe, 49400-00, Lagarto, Sergipe, Brasil.

RESUMO

A utilização de plantas com fins medicinais é uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade. Entretanto, o conceito de “natural” contribui para o pensamento popular e errôneo de que Plantas Medicinais (PM) são sinônimos de produtos seguros, o qual pode ocasionar no desenvolvimento de efeitos adversos ou interações medicamentosas. Neste contexto, foi realizado levantamento etnofarmacológico das Plantas Medicinais (PM) utilizadas no município de Lagarto, SE, Brasil, com ênfase de seu uso por pacientes oncológicos. Um total de 706 moradores foram entrevistados. Foram citadas 80 plantas, das quais 57 foram identificadas em nosso laboratório. O uso de plantas medicinais (MP) para fins terapêuticos foi relatada por 336 (47,65%) entrevistados. As MPs mais utilizados foram: Erva-Cidreira (Lippiaalba (Mill) N. E. Brown - 103, 30,8%), Boldo (Plectranthus barbatus Andr. - 53, 15,7%), e Capim-Santo (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf - 49, 14,6%). Dos entrevistados que relataram o uso de MPs, metade (360, 50,95%) comunicaram ao médico, mas não receberam orientações específicas. As doenças crônicas mais comuns identificadas foram: hipertensão arterial (144, 20,34%), câncer (55, 7,81%) e diabetes (41, 5,89%). Dos pacientes com câncer, cerca de 40% (22) relataram utilizar PMs concomitante com quimioterapia, dado alarmante, visto a possibilidade de interações medicamentosas entre PMs e antineoplásicos. Diante desses dados, foi observado o uso de PM pela população de Lagarto, SE, e por pacientes oncológicos dessa região, porém, sem os mesmos receberem orientações de um profissional qualificado.

Palavras-chaves Plantas Medicinais; Etnofarmacologia; Práticas Integrativas e Complementares; Doenças Crônicas e Câncer

ABSTRACT

The use of plants for medicinal purposes is one of the oldest forms of medical practice. However, the concept of “natural” contributes to the popular and erroneous thinking that Medicinal Plants (PM) are synonymous of safe products, which may result in the development of adverse effects or drug interactions, particularly in cancer patients. In this context, it was conducted an ethnopharmacological survey of MP used in Lagarto, SE, Brazil, with emphasis in cancer patients. A total of 706 residents were interviewed, and they mentioned 80 plants, from which 57 were identified. The use of medicinal plants (MP) for therapeutic purpose was reported by 336 (47.65%) of the participants. The most used MPs were as follows: Bushy Lippia (Lippia alba(Mill) N. E. Brown– 103, 30.8%), Boldo (Plectranthus barbatus Andr. – 53, 15.7%), and Lemon Grass (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. – 49, 14.6%). From the participants who reported the use of MPs, half of them (360, 50.95%) spoke with a doctor but did not receive specific guidelines. The most common chronic diseases identified were: arterial hypertension (144, 20.34%), cancer (55, 7.81%) and diabetes (41, 5.89%). From these cancer patients, approximately 40% of them (22) used MP concomitantly with chemotherapy, an alarming discovery, as drug interactions are possible between MPs and antineoplastics. Given these data, we observed the use of the PM by the population of Lagarto, SE, and by cancer patients of this region, but they did not receive guidance from a qualified professional.

Keywords Medicinal Plant; Ethnopharmacology; Integrative and Complementary Practices; Oncology

INTRODUÇÃO

A utilização de plantas com fins medicinais com fins terapêuticos é uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade. No início da década de 90, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que cerca de 65-80% da população dos países em desenvolvimento utilizavam plantas medicinais como única forma de acesso aos cuidados básicos de saúde (Amorozo, 2002; Agra et al. 2008; Badke et al. 2012). Neste contexto, o Brasil é o país de maior biodiversidade do planeta (de 15 a 20% do total) que, associada a uma rica diversidade étnica e cultural, detém um valioso conhecimento tradicional, associado ao uso de plantas medicinais (Brasil, 2006). Dessa forma é clara a importância da medicina popular, não somente na atenção da saúde da população, mas também como forma de disparar estudos que possam contribuir no desenvolvimento de novos fármacos (Amorozo, 2002; Albertasse et al., 2010; Chaves & Barros, 2012). Entretanto, o conceito de “natural” contribui para o pensamento popular e errôneo de que Plantas Medicinais são sinônimos de produtos saudáveis, seguros e benéficos. Muitas plantas possuem substâncias capazes de exercer ações tóxicas sobre organismos vivos (Monteiro et al., 2001), como glicosídeos cianogênicos, presentes na mandioca-brava (Manihot utilissima Pohl.), ricina, presente na mamona (Ricinus communis L.), alguns alcaloides como a coniina, presente na cicuta (Conium maculatum L.), e a estricnina, presente na noz-vômica (Strychnos nux-vomica L.). Além disso, é de se ressaltar que muitas plantas são desconhecidas quanto ao potencial de causar intoxicações (Mengue et al., 2001). O cambará (Lantana câmara L.), por exemplo, é utilizado popularmente como emenagogo, diurético, expectorante, febrífufgo e antirreumático. No entanto, seus frutos são considerados tóxicos. Um estudo feito no município de Quatis, RJ, por exemplo, demonstrou surtos de intoxicação em bovinos causados pela ingestão de L. câmara (Tokarnia, 1999; Costa et al., 2009).

No Brasil, o consumo de plantas medicinais tem como característica o uso empírico baseado no senso comum com poucas comprovações científicas adequadas. Além do que, outros fatores como: intoxicação, reações alérgicas, ineficácia no tratamento, podem ser relacionados ao uso inadequado dessas plantas, além de erros na identificação das espécies consumidas ou à forma como são cultivadas, colhidas, armazenadas, conservadas ou preparadas, resultando em um uso irracional de plantas medicinais (Junior et al., 2005). Além disso, o uso de PM em pacientes com doenças crônicas podem promover o agravamento seu quadro clínico, visto possíveis reações adversas e interações medicamentosas, como em pacientes oncológicos, por exemplo. O uso de PM em concomitância ao tratamento oncológico convencional pode ser perigoso visto que os medicamentos antineoplásicos, em sua maioria, apresentam baixo índice terapêutico e podem interagir com as plantas medicinais, piorando seus efeitos colaterais (Oliveira et al., 2014).

Diante deste quadro, no intuito de contribuir para o aumento do conhecimento nesta área, e ressaltando o cuidado no uso de plantas medicinais, esse trabalho teve como objetivo avaliar o uso das plantas medicinais pela população de Lagarto, SE, Brasil, assim como suas finalidades terapêuticas, forma de preparo e uso por pacientes oncológicos, para, então, facilitar a tomada de medidas que promovam o seu uso racional.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo, transversal e randomizado realizado no período de Agosto de 2012 a Julho de 2013 no município de Lagarto, SE, Brasil.

Caracterização da Área de Estudo

O município de Lagarto situa-se a 78 quilômetros da capital Aracaju, localizado na região Centro-Sul do estado de Sergipe (Figura 01). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, a população era de 94.861 habitantes. Estima-se que em 2013 a população alcance 100.330 habitantes com uma dimensão territorial de aproximadamente 970 km2. A escolha desse local de pesquisa deveu-se ao fato de se tratar de um município que tem a prática da medicina popular fortemente relacionada com sua cultura, tendo como principal matéria médica plantas medicinais, cultivada em suas propriedades e sendo, muitas vezes, o único recurso terapêutico disponível (Silva et al.,2006).

FIGURA 1 Localização geográfica do município Lagarto-SE. 

Instrumento de Coleta e Cálculo Amostral

Foi realizado teste piloto (n=50) na comunidade para o cálculo da frequência do uso de plantas medicinais e cálculo do tamanho da amostra. O tamanho da amostra foi calculado utilizando o método de amostra aleatória simples, calculado considerando um erro máximo de estimação de 5%, onde cada elemento da população em estudo tem igual probabilidade de pertencer a amostra. Foram entrevistados 706 pessoas nesse estudo, amostra considerada representativa para a população de Lagarto, SE.

Coleta de Dados

Foi utilizado questionário desenvolvido por Schwambach et al. (2007), com adaptações, para a coleta de dados, contendo perguntas abertas precisas sobre uso da planta como: forma de uso, modo de preparo, local da coleta e o nome popular, além do questionário para registro de informações socioeconômicas (idade, atividade econômica, escolaridade, profissão) e prevalência de doenças crônicas inclusive o câncer e seu tipo. As entrevistas ocorreram tanto pela manhã quanto pela tarde. De forma a atingir todas as regiões do município, foi tracejado duas linhas imaginárias sentido norte-sul e leste-oeste dividido a cidade em quatro quadrantes. As ruas de cada quadrante foram codificadas e sorteadas, atingindo um quantitativo proporcional e abrangendo todos os bairros do município. Os domicílios visitados em cada rua foram intercalados. No proceder da entrevista, o pesquisador se identificou, apresentando crachá da instituição. Foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com explicação do propósito da pesquisa, com garantia de sigilo e liberdade para que, em qualquer momento, o entrevistado pudesse desistir do estudo.

Com Ética

A presente pesquisa foi aprovada pelo Comité de Ética em Pesquisa Envolvendo Humanos (CEP-UFS) sob o número de protocolo 396/2011 e seguindo o que preconiza a Resolução de n. 466/CNS.

Identificação das espécies

Foi feita a identificação das plantas cedidas pelos entrevistados. As mesmas foram coletadas nos locais que a população as adquiriam. Após coleta, o material foi encaminhado para o Departamento de Biologia da Universidade Federal de Sergipe para identificação sob a supervisão da botânica Profª. Marta Cristina Vieira Farias.

Análise Estatística

As frequências dos dados foram calculadas utilizando o programa Microsoft Excel® versão 97-2003.

RESULTADOS

Dados Socioeconômicos

Foram entrevistados 185 indivíduos do sexo masculino (26,27%) e 521 do sexo feminino (73,73%), com idade acima dos 18 anos, predominando a faixa etária entre 20 a 30 anos (199, 28,21%). Observou-se que a maioria dos entrevistados eram alfabetizados (626, 88,81%). Referente ao grau de escolaridade, verificou-se que a maioria dos indivíduos possuía o ensino fundamental incompleto (340, 48,22%) e o ensino médio completo (161, 22,79%). Foram citadas 15 profissões (dados não publicados), sendo as mais relatadas: dona de casa (202, 28,68%), lavrador (104, 14,69%) e estudante (66, 9,42%). Quanto ao tipo de domicilio, observou-se que 699 (99,01%) dos entrevistados residiam em casa e apenas 7 (0,99%) em apartamento; destes, 544 (77,12%) residem em casa própria e 162 (22,88%) em não própria. A média mensal familiar de 306 entrevistados (43,30%) foi de 2 a 3 salários mínimos e a renda própria de 421 (59,70%) entrevistados foi igual ou menor a um salário mínimo.

Doenças crônicas mais prevalentes

As doenças crônicas identificadas na população de Lagarto-SE estão demonstradas na Figura 02. Hipertensão Arterial (143, 20,34%), Câncer (55, 7,81%) e Diabetes (42, 5,89%) foram as mais frequentes. Dos pacientes oncológicos, 282 (40%) relataram o uso de plantas medicinais concomitantemente a quimioterapia, sendo as mais citadas: Noni (Morinda citrifolia), Pixilinho ou Noz-Moscada (espécie não identificada), Ameixa (Prunus sp.), Velaminho (Croton mucronifolius (Muell) Arg.), Malva Branca (Sida cordifolia L.), Erva Doce (Pimpinella anisum L.), Camomila (Matricaria chamomilla L.) e Babosa (Aloe vera L.) (Tabela 01). Dos tipos de cânceres citados, o de próstata (165, 23,4%) e de mama (120, 17,02%) foram os mais relatados.

FIGURA 2 Doenças crônicas prevalentes citadas pelos entrevistados 

TABELA 1 Plantas medicinais utilizadas por pacientes oncológicos em Lagarto, SE, Brasil e suas finalidades terapêuticas. 

Plantas Espécie Parte utilizada Formas de preparo Finalidade terapêutica
Ameixa Prunus sp Fruto Suco Manejo de Reações Adversas –Constipação
Babosa Aloe vera L. Folha Suco, seiva, cataplasma, tintura. Manejo de Reações Adversas – Cicatrização
Camomila Matricaria chamomilla L. Folha Infusão Manejo de Reações Adversas – Nervosismo
Erva doce Pimpinella anisum L. Folha Infusão Manejo de Reações Adversas – Nervosismo
Malva branca Sida cordifolia L. Folha Infusão Manejo de Reações Adversas – Mucosite Oral
Noni Morinda citrifolia L. Fruto Suco Possível Atividade Antitumoral
Pixilinho ENI Fruto Suco Possível Atividade Antitumoral
Velaminho Croton mucronifolius (Muell) Arg. Folha Infusão e decocção Possível Atividade Antitumoral
Outros - -

* ENI: espécie não identificada

Uso de Plantas Medicinais

O atual levantamento constatou que 337 entrevistados (47,65%) da população de Lagarto, SE fazem uso de Plantas Medicinais (PM) para fins terapêuticos. Dos que faziam uso, 360 (50,95%) comunicavam ao médico, mas afirmaram não receber orientações específicas. A tabela 02demonstra as plantas mais utilizadas pela população. As mais citadas foram: Erva-Cidreira (Lippia alba (Mill) N. E. Brown - 103, 30,8%), Boldo (Plectranthus barbatus Andr. - 53, 15,7%), e Capim-Santo (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf - 49, 14,6%), todas empregadas para algumas finalidades em comum, como: má digestão, dor de barriga e mal-estar. A Erva-cidreira e o Capim-santo também foram citados como calmante. Dentre o modo de preparo, a infusão (171, 50,6%) e a decocção (141, 41,8%) foram os mais mencionados. Quanto a forma de aquisição, a maioria relatou adquirir as plantas nos quintais das próprias residências (83, 24,5%), sítios (66, 19,5%), quintais de vizinhos (56, 16,5%), plantios próprios (42, 12,5%) e até mesmo em terrenos baldios (10, 3%). Os familiares (145, 42,9%) são os que mais incentivam este tipo de prática, sendo em sua maioria idosos (176, 52,33%).

TABELA 2 Nome popular, parte utilizada, espécie, forma de preparo e finalidade terapêutica de Plantas Medicinais utilizadas pela população de Lagarto, SE, Brasil. 

Nome popular Parte utilizada Espécie Forma de preparo Finalidade terapêutica
Agrião Folhas ENI Xarope Para gripe e fonte de ferro
Alecrim Folhas Rosmarinus officinalis L. Infusão, Decocção Estimulante, diurético
Alevante Folhas Mentha spicata L. Infusão, Tempero Problema de rim
Alfavaca Folhas e Flores Plectranthu samboinicus (Lour.) Spreng Infusão, Xarope, Lambedor Xarope, gripe e tosse, infecção, anti-inflamatório, sangue, dores e cólicas.
Algodão criolo Folhas, Sementes, Casca da Raiz. Gossypium barbadense L. Decocção (casca e raiz), Infusão (folhas e sementes), Sumo das folhas (tópico), Cataplasma das folhas, Acalmar e epilepsia.
Alho Bolbo Allium sativum L. Unguetos (local), Tempero, Decocção, Cru, Infusão. Gripe, circulação
Alumã Folhas ENI Infusão Dor de barriga, inflamação, gastrite e gazes.
Amora Folhas Morus nigra L. Infusão, Decoção, Cataplasma, Alimento Menopausa
Aroeira Casca ENI Infusão Inflamação
Arruda Folhas Ruta graveolens L. Infusão, Maceração, Decocção, Sumo (tópico), Xarope. Dor de cabeça, tosse
Babosa Folhas Aloe vera L. Cataplasma (tópico) Câncer, cicatrizante, para queimaduras e inflamação.
Barbatimão Casca e Folhas Stryphnodendron sp. Decocção (tópico - casca), Infusão (folhas) Inflamação, inflamação no útero, câncer de próstata e inflamação na garganta.
Boldo Folhas Plectranthus barbatus Andr. Infusão Má digestão, intestino, dor no estomago, antiinflamatório, fígado, gastrite, prisão de ventre, dor de barriga, azia e enxaqueca.
Milho Estigma ENI Infusão Infecção urinária
Camomila Folhas Matricaria chamomilla L. Infusão Relaxar, insônia, calmante, dor para enxaqueca e dor de barriga.
Cana do brejo / cana do macaco Folhas Costus spicatus (Jacq.) Sw. Infusão Problema nos rins e Inflações
Canela Toda a parte aérea Cinnamomum sp Infusão Enjoo, para o fígado, coração, afinar o sangue, circulação.
Canudinho Folhas Leonotisn epetifolia (L.) R. Br. Infusão Inflamação, garganta inflamada, infecção, gripe, dor e inflamação.
Capim santo Folhas Cymbopogon citratus (DC) Stapf Infusão Mal estar, dor de barriga, calmante, enjoo, má digestão, intestino, diurético e dor.
Carqueja Folhas Baccharis trimera (Less) DC Infusão Dor no estomago, má digestão, calmante e intestino.
Cebolavermelha Bulbo e Suco ENI Suco, Alimento, Infusão Gripe
Chapéu de couro Folhas Echinodorus macrophyllum (Kunth) Micheli Infusão, Decocção, Maceração -banho de acento Corrimento
Chá verde Folhas Camellia sinensis (L.) Kuntze. Infusão Emagrecer
Cidreira Folhas Lippia alba L. Infusão Calmante, má digestão, dor na barriga, baixa a pressão, dor no intestino, mal estar, dor de cabeça, enjoo, insônia, cólica e dor.
Confrei Folhas e raízes Symphytum officinale L. Cataplasma, Infusão e Compressa (folhas). Decocção (raízes). Irritação na pele
Cravo Botões florais secos ENI Infusão, Alimento Dores e cólicas.
Crista de galo Não informado Celosia cristata L. Não soube responder Acalmar e epilepsia.
Endium Não informado ENI Não soube responder Para dormir.
Endos Não informado ENI Não soube responder Dor de barriga
Endrium Não informado ENI Não soube responder Dormir.
Erva doce Folhas Pimpinella anisum L. Infusão Digestão, dor no estomago, dor, para limpar a pele, ressecamento, calmante, dor de barriga, má digestão e tosse.
Erva mate Folhas Ilex paraguariensisSt.Hilaire Infusão Memória, elimina o colesterol ruim, abre o apetite.
Espinheirasanta Folhas Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch Infusão Dores estomacais, má digestão e mal estar.
Eucalipto Folhas Eucalyptus grandis Hill ex. Maiden Infusão (vapor) Sinusite
Folha da costa Folhas Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers Suco Gastrite e indigestão.
Abacate Folhas ENI Infusão Para os rins e coluna
Carambola Folhas ENI Infusão Intestino
Graviola Folhas ENI Infusão Pressão alta.
Mamão Folhas ENI Infusão Para mal estar estomacal.
Gengibre Raízes Zingiber officinale [Willd] Roscoe Infusão, Cataplasma (local afetado), Xarope, Alimento. Tosse e inflamação
Hortelã Folhas Mentha sp Infusão Verme, gripe, problema no fígado, infecção, inflamação e garganta.
Hortelã graúdo Folhas Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng Puro (mastiga as folhas), Xarope, Infusão (inalação do vapor) Gripe e anti-inflamatório.
Hortelã miúda, Vick Folhas Mentha arvensis L. Infusão (inalação do vapor), Infusão (chá) Inflamação, diabetes, gripe, tosse, verme, dor de barriga e ameba.
Jurubeba Raízes, Folhas e Fruto Solanum paniculatum L. Infusão, Suco da fruta Gripe
Limoeiro Folhas e Fruto Citrus limonium L. Infusão, Suco da fruta Gripe
Losna Flores e Folha Artemisia absinthium L. Infusão Infecção urinaria
Maça com canela - ENI Infusão Diarreia.
Malva branca Folhas Sida cordifolia Linn. Infusão (tópico - bochecho), Cataplasma, Banho de acento. Inflamação
Manjericão Folhas Origanum sp. Gripe, resfriado e antibiótico.
Mastruz Folhas Chenopodium ambrosioides L. Infusão Mal estar e verme.
Melissa Folhas, Ramos e Flores Melissa officinalis L. Infusão, Cataplasma, Decocção (ramos) Cólica e mal estar.
Merthiolate Folhas Jatropha multifida L. Cataplasma Cortes e inflamações de ferida
Noni Fruto Morinda citrifolia L. Suco Doenças como o câncer
Pata de vaca Folhas Bauhinia forficata Link. Infusão Diabetes
Pau-de-rato Casca ENI Infusão, Decocção Para o estômago e gastrite.
Pau ferro Casca Apuleiaferrea (Mart.) Baill. Decocção, Infusão (tópico) Furúnculo.
Picão Folhas e raízes Bidens pilosa var. minor (Blume) Sherff. Infusão Inflamação
Pitanga Fruto Eugenia uniflora L. Puro (Alimento), Suco Gripe
Pixilinho ou noz-moscada Fruto ENI Suco Acalmar e epilepsia e tontura.
Quebra pedra Folhas Phyllanthus sp Infusão Infecção urinaria, problema renal, pedra nos rins e fígado.
Goiabeira Casca Psidium guajava L. Infusão, Decocção Má digestão.
Romã Fruto, Casca e Raízes Punica granatum Linn Decocção (Raízes e Casca), Suco (Tópico - gargarejo). Dor de garganta e gripe.
Rosa Flores ENI Infusão (banho de acento) Corrimento
Sabugueiro Flores e Folhas ENI Infusão Gripe e febre.
Saião Folhas Kalanchoe brasiliensisCambess Suco, Infusão Estômago
Sálvia Folhas Salvia oficinallis L. Infusão Menopausa.
Sambacaitá Folhas Hyptis pectinata (L.) Poit. Infusão Gastrite, fortalecer os ossos e inflamação.
Cominho Folhas, Semente Cuminum cyminum L. Infusão (Folhas), Tempero (Sementes) Digestão.
Sene Folhas Cassia angustifólia Vahl Infusão Regular a menstruação e intestino
Sete dor Folhas Plectranthus barbatus Andr. Infusão, Sumo, Banho. Gastrite, inchaço, dores no geral, desintoxicação alimentar e antibiótico.
Tansagem Folhas Plantago major L. Infusão, Decocção, Cataplasma Inflamação e calmante.
Tilha Não Informado ENI Não soube responder Relaxar e calmante.
Valeriana Rizoma e Raízes ENI Decocção Não sabe
Velaminho Folhas Croton mucronifolius (Muell) Arg Infusão e Decocção Tontura, Doenças como o câncer

*ENI: espécie não identificada

DISCUSSÃO

No estudo realizado, a maioria dos participantes foram mulheres, provavelmente pelo fato destas serem responsáveis pelas tarefas do lar e assim terem maior disponibilidade para participarem da pesquisa. Referente ao grau de escolaridade, constatou-se que a maioria possuía nível fundamental incompleto. Este quadro pode ser explicado por grande parte dos entrevistados, com o nível fundamental incompleto, serem lavradores, atividade esta que exige dedicação física durante o dia, retirando as condições de conciliar os estudos com o trabalho. Quanto ao uso de Plantas Medicinais (PM) foi observado que quase metade da população de Lagarto, SE, faz uso de PM para fins terapêuticos, dado semelhante ao apontado pela OMS, o qual prevê que cerca de 65-80% da população faz uso de PM (Amorozo, 2002; Agra et al., 2008; Badke et al., 2012). Entretanto, apesar de quase metade dos pacientes, nesta pesquisa, relataram o uso dessas plantas a seus médicos, os mesmos relataram não receber orientações específicas sobre as mesmas, um fato preocupante, visto que automedicação, utilizando as plantas medicinais, também é considerado um procedimento particularmente perigoso, visto seu potencial em promover interações medicamentosas com medicamentos alopáticos e possibilidade de desencadear possíveis reações adversas (Junior, 2008). Estudos realizados por Junior (2008), mostraram que há falta de conhecimento dos profissionais da área de saúde sobre a utilização das plantas medicinais, o qual pode justificar esse quadro. Podemos supor, também, a pouca aceitação, por parte dos médicos, em reconhecer as propriedades terapêuticas das PM devido a essa falta de conhecimento científico na área. Inclusive, observa-se a falta de cadeiras sobre o tema nos cursos da Saúde no Brasil, o qual contribui para essa falta de formação. Quanto ao preparo, foi observado que a forma de preparo são semelhantes aos encontrados na literatura, destacando-se a infusão. Porém nenhum entrevistado foi capaz de informar a dosagem nem a posologia, afirmando, sempre, que faziam o uso da PM quando achasse necessário.

Quando abordado as doenças crônicas foi observado que as mais citadas foram: hipertensão arterial, câncer e diabetes, respectivamente. Essas doenças, consideradas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), são consideradas como a principal prioridade na área da saúde no Brasil, os quais são previstas no plano de ação 2008–13 da OMS (Schmidt et al., 2011). Quanto aos tipos de cânceres relatados no município, os mais citados foram o de próstata e de mama, respectivamente, tendo um perfil semelhante aos dados estatísticos do Instituto Nacional do Câncer (Brasil, 2013), que preconizou que, em 2012, o câncer de mama foi o tipo de câncer que mais acometeu as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Já o câncer de próstata é considerado o câncer mais incidente em homens no Brasil, sem considerar os de pele não-melanoma.

Um dado alarmante encontrado neste estudo foi sobre o uso de Plantas Medicinais por pacientes oncológicos, visto este uso ter sido sem orientação profissional. Destas, foram citadas: Noni (Morinda citrifolia L.), Pixilinho ou Noz-Moscada (espécie não identificada), Ameixa (Prunus sp.), Velaminho (Croton mucronifolius (Muell) Arg.), Malva Branca (Sida cordifolia L.), Erva Doce (Pimpinella anisum L.), Camomila (Matricaria chamomilla L.) e Babosa (Aloe vera L.). Os entrevistados relataram que utilizavam a Noni, a Noz-moscada e o Velaminho por acreditar que essa espécies possuem atividade anticancerígena, auxiliando o tratamento quimioterápico. A Ameixa, a Malva Branca, a Erva Doce, a Camomila e a Babosa foram citadas como tratamento alternativo para minimizar alguns efeitos adversos da própria quimioterapia, como a constipação (Ameixa), dificuldades de cicatrização (Babosa), nervosismo (Erva doce e Camomila) e mucosite oral (Malva Branca). De forma semelhante, Oliveira et al (2014) observaram que pacientes oncológicos, atendidos na Unidade Oncológica de Anápolis, Goiás, Brasil, utilizavam plantas medicinais para controle dos efeitos colaterais do tratamento, como: o alecrim (Rosmarinus officinalis L.), para alívio do mal estar após as sessões de quimioterapia; o barbatimão (Stryphnodendron barbatiman Mart.), para melhora da cicatrização de feridas (câncer de pele) e a camomila (Matricaria chamomilla L.) para aliviar as queimaduras provenientes da radioterapia. Demais pacientes, neste estudo, afirmaram usar desse recurso acreditando que as plantas medicinais poderiam curar o câncer ou colaborar para que isto ocorresse (Oliveira et al., 2014).

Alguns estudos na literatura comprovam a atividade antitumoral de produtos naturais oriundos da Noni (Morinda citrifolia L.) (Brown, 2012) e algumas espécies do gênero Prunus (Fukuda et al., 2003; Zhao et al., 2014). Porém, não foram encontrados estudos que correlacionasse a eficácia do uso dos chás dessas espécies em pacientes oncológicos, assim como, sua segurança.

Atrelado aos poucos estudos, o uso de Plantas Medicinais por pacientes oncológicos, que fazem uso de quimioterapia, deve ter bastante cautela. É observado na literatura que algumas plantas interagem de forma negativa com agentes antineoplásicos, como a Erva de São João (Hypericum perforatum L.) que promove a inibição do Citocromo P450 (CYP), especificamente da CYP3A4, ou indução enzimática, onde a mesma pode aumentar os níveis de RNAm, o nível de proteínas relevantes, enzima de metabolização ou transportador de drogas, interagindo com drogas que sofrem metabolismo por essa enzima (Meijerman, 2006); O aumento de efeitos colaterais, como pelo uso do extrato de chokeberry (Aronia melanocarpa (Michx.) Ell.), que aumenta a manifestação, dos sintomas da rabdomiólise em pacientes que fazem uso de trabectedina (Strippoli et al., 2013); Redução da eficácia de quimioterápicos, como o extrato do Chá verde que reduz a biodisponibilidade de sunitinib, por retardar a sua absorção (Ge et al., 2011), dentre outras interações negativas encontradas na literatura. O que demonstra necessidade de cautela aos pacientes que fazem uso de quimioterapia.

Além disso, o uso de plantas medicinais e/ou produtos à base de plantas medicinais como tratamento complementar, em concomitância ao tratamento oncológico convencional, pode ser perigoso, uma vez que os medicamentos antineoplásicos, em sua maioria, apresentam baixo índice terapêutico, ou seja, dose terapêutica muito próxima da dose tóxica (Oliveira et al., 2014). Uma preocupação adicional com o paciente oncológico é que este geralmente necessita receber vários outros medicamentos, além do quimioterápico, para minimizar as possíveis complicações do tratamento. Desta forma, o uso de plantas associado ao tratamento oncológico pode apresentar consequências indesejáveis, podendo mesmo, em alguns casos, comprometer a vida do indivíduo (Oliveira et al., 2014).

CONCLUSÕES

Foi observado que a população de Lagarto, SE, utiliza plantas medicinais para fins terapêuticos sem os mesmos receberem alguma orientação de profissionais da saúde. Inclusive foi relatado o uso de plantas medicinais por pacientes oncológicos. Diante desses resultados, se faz necessárias pesquisas a cerca da segurança do uso das plantas medicinais citadas e possíveis interações medicamentosas entre as plantas utilizadas por pacientes oncológicos e medicamentos antineoplásicos, a fim de assegurar o uso racional de plantas medicinais nesta população.

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Received: June 06, 2014; Accepted: November 19, 2014

*Autor para correpondência: a.acarvalho@yahoo.com.br

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