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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572versão On-line ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.2 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/14_086 

Articles

Estudo etnofarmacológico e etnobotânico de Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel (janaguba)

Ethnopharmacological and ethnobotanical study of Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel (janaguba).

F.P. SOARES1  * 

A.F. FRAGA1 

J.P.O. NEVES1 

N.R. ROMERO2 

M.A.M. BANDEIRA2 

1Curso de Farmácia, Universidade de Fortaleza, Av. Washington Soares, 1321, CEP: 60811-905, Fortaleza-Brasil.

2Departamento de Farmácia, Faculdades de Odontologia, Enfermagem e Farmácia, Universidade Federal do Ceará, R. Capitão Francisco Pedro, 1210, CEP: 60430-370, Fortaleza-Brasil

RESUMO

Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel, janaguba, produz um látex em seu caule que é usado para o tratamento de alguns tipos de câncer, vermes intestinais, febre, menstruações irregulares, infertilidade feminina e úlceras gástricas. Estudos fitoquímicos revelaram a presença de acetato de lupeol e proteínas; e estudos farmacológicos, os efeitos antiúlcera, antitumoral, imunomodulador, analgésico e anti-inflamatório. O presente trabalho objetivou realizar levantamento etnobotânico e etnofarmacológico sobre H. drasticus como contribuição ao conhecimento científico da referida espécie. Foi elaborado um questionário, que foi aplicado em entrevista a 21 raizeiros nos mercados das cidades de Crato, Fortaleza e Pacajus do estado do Ceará (CE). Observou-se que 38,1% dos raizeiros têm mais de 10 anos de serviço e 47,6%, estão na faixa etária de 40 a 59 anos, o que representa um fator positivo quanto à experiência com plantas medicinais. Aproximadamente 85,7% dos raizeiros relataram o uso do látex da H. drasticus para tratamento de úlcera; 66,7% para inflamação; 66,7% para câncer. Verificou-se que as principais indicações terapêuticas relatadas pelos raizeiros sobre esta espécie estão de acordo com as informações científicas. Os levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos exercem um papel primordial no resgate do conhecimento tradicional, nos meios rurais e urbanos, tanto por seu valor histórico-cultural, como também pela necessidade de confirmação das indicações de uso.

Palavras-chave Himatanthus drasticus; etnofarmacologia; etnobotânica

ABSTRACT

The Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel, janaguba, produces a latex whose stem is used to treat some types of cancer, intestinal worms, fever, irregular menses, female infertility and gastric ulcers. Phytochemical studies revealed the presence of lupeol acetate and proteins in the latex; and pharmacological studies indicated antiulcer, anti-tumor, immunomodulating, analgesic and anti-inflammatory effects. This study aimed to conduct surveys on ethnopharmacological and ethnobotanical species H. drasticus as a contribution to the scientific knowledge about the species. A questionnaire and interviews were made with 21 healers in the markets of the cities of Crato, Fortaleza and Pacajús, in state of Ceara (CE). It was observed that 38.1% of the healers have more than 10 years of service, and 47.6% are between 40-59 years old, which is a positive factor about the experience with medicinal plants. Approximately 85.7% of the healers reported to apply latex H. drasticus for the treatment of ulcers, 66.7% for inflammation, and 66.7% for cancer. It was found that the main therapeutic indications mentioned by the healers about this species are consistent with the scientific information available. The ethnobotanical and ethnopharmacological surveys play an essential role on keeping the traditional knowledge in rural and urban areas, both for its historical and cultural value, but also for the need of confirmation of the intended use.

Keywords Himatanthus drasticus; ethnopharmacological; ethnobotanical

INTRODUÇÃO

O resgate dos conhecimentos de plantas medicinais é feito através dos levantamentos etnofarmacológicos e etnobotânicos (Elisabetsky, 2001). De acordo com Di Stasi, et al. (2002), as pesquisas etnofarmacológicas possuem importantes ferramentas de registros e documentação dos usos empíricos de plantas medicinais em comunidades tradicionais, tendo a finalidade de gerar o conhecimento útil para levar ao desenvolvimento de novos medicamentos, da conservação da biodiversidade e a valorização do saber e da cultura local.

A abordagem etnofarmacológica na investigação de plantas medicinais consiste em combinar informações adquiridas junto a usuários da flora medicinal, com estudos químicos e farmacológicos existentes na literatura. Tal fato permite a formulação de hipóteses quanto à(s) atividade(s) farmacológica(s) e à(s) substância(s) ativa(s) responsável (eis) pelas ações terapêuticas relatadas (Elisabetsky, 2003).

Segundo Beck & Ortiz (1997), a etnobotânica compreende o estudo das sociedades humanas, passadas e presentes, e suas interações ecológicas, genéticas, evolutivas, simbólicas e culturais com as plantas. Vem defender a manutenção de espécies vegetais, como também, a perpetuação da cultura humana integrada a estes cultivos e recursos. As pesquisas nesta área tendem a facilitar o modo correto de manejo da vegetação com finalidade utilitária, pois empregam os conhecimentos tradicionais obtidos para solucionar problemas de saúde ou para fins conservacionistas.

A etnobotânica e a etnofarmacologia têm demonstrado ser poderosas ferramentas na busca por substâncias naturais de ação terapêutica (Albuquerque & Hanaki, 2006), onde estudos comparativos entre o método etnodirigido e o randômico tem revelado a superioridade do primeiro em relação ao segundo (Slish et al., 1999; Khafagi & Dewedar, 2000; Oliveira et al., 2011). Oliveira et al. (2011), por exemplo, em trabalho sobre seleção de métodos de abordagem (etnofarmacológica versus randômica) para avaliação de atividade antimicrobiana de plantas, obtiveram os melhores resultados para a referida atividade com a abordagem etnofarmacológica (50%), contra 16,7%, para a abordagem randômica.

O estudo de plantas medicinais, a partir de seu emprego pelas comunidades, pode fornecer informações úteis para a elaboração de estudos farmacológicos, fitoquímicos e agronômicos sobre estas plantas, com grande economia de tempo e dinheiro. Desta forma, pode-se planejar a pesquisa a partir de conhecimento empírico já existente, muitas vezes consagrado pelo uso contínuo, que deverá ser testado em bases científicas (Simões et al., 2001).

Os raizeiros têm um importante papel na divulgação e manutenção da medicina popular, através da comercialização de plantas medicinais e a orientação de como utilizá-las. Comercializam plantas medicinais e preparados líquidos denominados “garrafadas” e “leites”, orientando como usá-las e prepará-las para curar as mais diversas doenças, apesar de não terem, em geral, um conhecimento profundo sobre os verdadeiros usos dos vegetais que comercializam, seus efeitos adversos e interações medicamentosas (Dourado et al., 2005). Assim, levantamentos etnobotânico e etnofarmacológico são necessários, pois permitem a realização de estudos comparativos entre os dados coletados e dados científicos, para uma posterior devolução à comunidade de informações para um uso seguro e racional de plantas medicinais (Albuquerque & Hanazaki, 2006).

No Brasil há registro da ocorrência de treze espécies de Himatanthus(Apocynaceae), sendo que destas, H. drasticus Mart. (Plumel), popularmente conhecida como janaguba, é a única encontrada no Ceará (Plumel, 1990; Forzza et al., 2010). É predominante na Chapada do Araripe, região do Cariri (CE), sendo nativa desde as Guianas até a Bahia (Amaro et al., 2006).

Trata-se de uma planta arbórea, atingindo cerca de sete metros de altura, que produz um látex, um tipo de suco leitoso, de cor branca, obtido do tronco e galhos, utilizado na medicina popular para o tratamento do câncer, vermes intestinais, febre, menstruações irregulares, infertilidade feminina, sintomas da menopausa e úlceras gástricas (Lorenzi & Matos, 2008; Lucetti et al., 2010; Mousinho et al. 2011; Oliveira et al., 2012). Estudos fitoquímicos revelaram a presença de acetato de lupeol e proteínas (Lucetti et al., 2010; Mousinho et al., 2011); e estudos farmacológicos, os efeitos antiúlcera, antitumoral, imunomodulador, analgésico e anti-inflamatório (Colares et al., 2008a; Colares et al., 2008b; Leite et al., 2009; Sousa, 2009; Lucetti et al., 2010; Mousinho et al., 2011).

O presente trabalho objetivou realizar levantamentos etnobotânico e etnofarmacológico sobre a espécie H. drasticus como contribuição ao conhecimento científico da referida espécie.

MATERIAL E MÉTODO

Este trabalho foi desenvolvido baseado em orientações sobre pesquisa etnodirigida descritas por Albuquerque & Hanazaki (2006). O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza sob o parecer de número 355.532.

A pesquisa foi realizada em três mercados do estado do Ceará: Mercado Público Municipal do Crato; Mercado Público do Município de Pacajus e Mercado São Sebastião do Município de Fortaleza. Os mercados de Fortaleza e Pacajus foram selecionados por serem de fácil acesso aos pesquisadores do presente trabalho, bem como por possuírem raizeiros que comercializam janaguba; e o mercado de Crato, porque a referida cidade é conhecida como produtora de “leite de janaguba” (Neres, 1990).

Caracterização do Local de Estudo

O Mercado São Sebastião localiza-se no Centro de Fortaleza, onde há maior concentração de raizeiros que comercializam janaguba. O município de Fortaleza, capital do estado, possui uma população de 2.447.409 habitantes (Brasil, 2010). O município de Pacajus, por sua vez, faz parte da região metropolitana de Fortaleza, com distância de 51,1 km para a capital e com uma população de 61.838 habitantes (Brasil, 2010). O município de Crato fica no interior do estado, no sopé da Chapada do Araripe no extremo-sul do estado, microrregião do Cariri, com distância de 567 km de Fortaleza e população de 121.428 habitantes (Brasil, 2010). A Floresta Nacional do Araripe, mais conhecida como FLONA Araripe, é uma unidade de conservação brasileira, que tem expressivo potencial ecológico. Nela encontram-se diversas espécies da flora nativa que originam produtos de uso popular e científico. Dentre as espécies vegetais, destaca-se a janaguba (Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel), cujo látex é largamente utilizado na medicina popular (Neres, 1990; Lorenzi & Matos, 2008).

População do Estudo

A amostra foi constituída por 21 (vinte e um) raizeiros que se dispuseram a participar do estudo. A Tabela 1apresenta a distribuição do número de raizeiros por mercados e respectivos municípios.

TABELA 1 Distribuição do número de raizeiros entrevistados por mercados e respectivos municípios. 

Município Mercado No de raizeiros
Crato Mercado Público Municipal 09
Fortaleza Mercado São Sebastião 11
Pacajus Mercado Público 01

Foram considerados inclusos aqueles indivíduos que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido segundo recomendações da Resolução nº 466/2012, da Comissão Nacional de Saúde, e que não se recusaram a prestar as devidas informações. Todos aqueles que não cumpriram as exigências citadas acima foram excluídos.

Coleta de dados

  • Os dados foram obtidos através de entrevista semiestruturada guiada por um questionário com 20 (vinte) questões, abordando os seguintes aspectos:

  • Perfil social dos informantes: gênero, idade, estado civil, tempo de profissão e escolaridade;

  • Aspectos etnobotânicos: fonte do conhecimento, locais de obtenção e partes da planta;

Aspectos etnofarmacológicos: indicação terapêutica, posologia e toxicidade.

O questionário foi aplicado em Fortaleza e Pacajus (CE) no período de agosto de 2013 e em Crato (CE), no período de setembro de 2013.

Adicionalmente foi realizado um levantamento no banco de dados do Herbário Prisco Bezerra da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, sobre os registros de H. drasticus, com o objetivo de observar a ocorrência da espécie no Ceará.

Processamento e análises dos dados

Os resultados dos questionários foram devidamente processados e interpretados, utilizando-se o programa Microsoft Word®. As indicações populares foram classificadas por categorias de doenças proposta pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10a Revisão (CID 10) (Brasil, 2008).

Foi montado um banco de dados sobre as informações descritivas obtidas nas entrevistas para estabelecer a comparação entre as referidas informações e a literatura científica. As referências bibliográficas consultadas foram obtidas das bases de dados do Portal Periódicos Capes (período da consulta: agosto a setembro de 2013) e livros.

Os dados foram agrupados em tabelas, cuja frequência foi demonstrada em valores unitários e/ou percentuais.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Perfil social dos informantes

Dos 21 raizeiros que responderam ao questionário, 71,4% são do gênero masculino. A idade variou entre 20 a 72 anos, sendo 61,9% com idade superior a 40 anos. Com relação ao estado civil, predominaram os casados (85,7%). Quanto à escolaridade, 42,9% não são alfabetizados; e 85,7% dos entrevistados já trabalham no ramo há mais de 10 anos, o que representa um fator positivo quanto à experiência com plantas medicinais. Esses dados estão sumarizados na Tabela 2.

TABELA 2 Perfil social dos raizeiros que comercializam H. drasticus nos mercados cearenses de Pacajus, Crato e mercado São Sebastião de Fortaleza (período: agosto a setembro de 2013; N=21). 

Características Categorias
Gênero Feminino 06
Masculino 15
Faixa etária 20-39 anos 08
40-59 anos 10
60-72 anos 03
Escolaridade Não alfabetizado 09
Ensino fundamental incompleto 04
Ensino fundamental completo 03
Ensino médio completo 05
Nupcialidade Casados 18
Não casados 03
Tempo de serviço (anos) 01-09 03
10-19 08
20-29 05
30-39 05

Percebeu-se então que a população predominante foi de homens com mais de 40 anos, casados, com pouca escolaridade, porém com um vasto conhecimento sobre os benefícios de H. drasticus através das informações populares. Em um estudo de caso realizado por Baldauf & Santos (2013) na FLONA Araripe foi constatado que o nível de conhecimento ecológico dos entrevistados como um todo era considerado intermediário; e que o conhecimento ecológico mais profundo estava restrito a indivíduos mais velhos e/ou para aqueles indivíduos com uma história mais longa na atividade de extração do látex de H. drasticus.

Aspectos Etnobotânicos

Com relação à origem dos conhecimentos sobre H. drasticus, 90,5% dos entrevistados o adquiriram com seus pais ou familiares, o restante através de livros e televisão. Baldauf & Santos (2013) também observaram como formas de transmissão de conhecimento associados à H. drasticus, a transmissão de pais para filhos, e entre indivíduos da mesma geração; assim, este tipo de transmissão constitui a principal forma de repasse de informações sobre a referida espécie.

A parte comercializada é o látex, sendo o mesmo diluído em água e acondicionado em garrafas de vidro transparente com vedações de plástico ou cortiça. No comércio, esta preparação é conhecida como “leite de janaguba”.

A maioria dos entrevistados não produzem as garrafas de látex de H. drasticus (90,5%), adquirindo-as de outras cidades cearenses (Quixadá, Juazeiro do Norte e Cascavel), mas principalmente da cidade do Crato. Somente um raizeiro do Crato e outro de Pacajus realizam a extração do látex da planta. (...) Já extraio o leite da janaguba há 15 anos, só tiro pela manhã cedinho, tiro a casca com uma faca com cuidado para não matar a planta, passo uma esponja na planta onde está o leite e espremo a esponja em um balde de plástico com água e deixo em repouso, depois coloco em uma garrafa de vidro, e é usada para câncer, gastrite, úlcera e inflamação (raizeiro de Pacajus, CE).

Segundo relato de raizeiro extrativista do Crato, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autoriza o extrativismo apenas nas sexta-feiras, sendo suspensa durante os meses de dezembro a fevereiro, por se tratar de período de floração da planta. Os horários recomendados para extração são de 5 às 10 h e 16 às 18 h, pois próximo de 12 h, a planta fornece pouco látex. Faz-se raspagem suave no caule da planta, colhe-se o látex com uma colher, e armazena-se em recipiente higienizado (látex bruto). Para comercializar, o látex bruto é diluído em água filtrada e fervida na proporção de 25 partes de látex para 75 de água (1:4, v/v). No comércio é determinada a validade de quatro meses, a contar da data de extração.

Matos & Lorenzi (2008) descrevem a obtenção do látex também de forma artesanal, onde é retirada uma parte da casca do tronco, numa faixa de 10 x 30 cm, retirando-se o látex com auxílio de uma colher e água. A operação está concluída quando a mistura “leite” e água, colocada em uma garrafa plástica de um litro, deixa sedimentar um depósito esbranquiçado com cerca de um quarto ou um terço da garrafa cheia, com um sobrenadante levemente róseo.

TABELA 3 Levantamento das ocorrências de H. drasticus no Ceará conforme registros do Herbário Prisco Bezerra, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Ceará. 

Cidade Localidade Exsicata/ ano de coleta
Aquiraz Serrote da Preaoca 35.526/ 2004
Lagoa do Catu, Iguape 47.047/ 2010
Vila dos Martins 54.618/ 2012
Aracati CE-040 52.584/ 2012
Barbalha FLONA Araripe 32.736/ 2000
32.744/ 2000
Barroquinha Estrada de Camocim-Chaval 3.488/ 1977
Cascavel Tijuçu 16.377/ 1988
Camurim, Caponga 15.964/ 1990
Estrada da Caponga 21.920/ 1992
Cidade dos Funcionários 20.759/ 1993
Crato Chapada do Araripe/ FLONA Araripe (Floresta Nacional do Araripe) 3.046/ 1976
4.232/ 1978
5.187/ 1978
9.613/ 1980
13.065/ 1983
20.424/ 1993
21.741/ 1993
43.009/ 1999
43.010/ 1999
32.411/ 2001
31.685/ 2002
32.394/ 2002
Barreiro Grande 26.180/ 1998
Colégio de Agricultura de Crato 16.935/ 1990
18.354/ 1990
Fortaleza Casa José de Alencar, Messejana 14.753/ 1986
Cidade dos Funcionários 20.749/ 1993
Bairro Edson Queiroz 40.408/ 2007
- 43.495/ 2008
Guaraciaba Serra da Ibiapaba 6.512/ 1990
Horizonte Barra 33.773/ 2004
Estrada da Coluna, Cascavel 43.878/ 2008
Icapuí Aracati 11.999/ 1983
Nova Olinda Estrada Nova Olinda 25.064/ 1996
Paracuru - 51.676/ 2012
São Gonçalo do Amarante Pecém 41.493/ 2007
41.494/ 2007
44.620/ 2008
Viçosa do Ceará Chapada de Ibiapaba 14.914/ 1987

A Tabela 3 expõe os resultados do levantamento das espécies de H. drasticus registradas no Herbário Prisco Bezerra da UFC. Verificou-se que a maior parte dos registros é de espécimes coletados na chapada do Araripe, Crato, coincidindo com as informações dos raizeiros quando relatam que o látex é proveniente principalmente desta cidade.

No referido banco de dados, há alguns registros de espécimes coletados em outros estados, como Piauí (5), Maranhão (5), Rio Grande do Norte (2) e Bahia (1).

Na FLONA Araripe se encontram diversas espécies da flora nativa que originam produtos de uso popular e científico, sendo as espécies mais exploradas o pequi (Caryocar coriaceum), a faveira (Dimorphandra gardineriana) e a janaguba (H. drasticus) (Cavalcanti & Nunes, 2002; IBAMA, 2009). Esta última já se encontra ameaçada de extinção no ambiente de cerrado da FLONA (MMA, 2014).

A recente comprovação farmacológica das propriedades medicinais da espécie vem aumentando a pressão de coleta deste recurso (Cavalcanti & Nunes, 2002; IBAMA, 2009), já ameaçada de extinção no ambiente de cerrado da FLONA Araripe (MMA, 2014). Baldauf & Santos (2013) realizaram uma caracterização etnobotânica dos sistemas de manejo de látex de H. drasticus e identificaram três sistemas de manejo empregados para coleta do látex: realização de vários cortes na casca, semelhante à do processo usado para obter o látex das seringueiras, com baixa exsudação de látex; remoção de maiores quantidades de casca, com intervalos de tempo mais curtos entre colheitas; e remoção de quantidades menores de casca de cada árvore e com intervalos mais longos entre colheitas.

Segundo os autores, estes sistemas de manejo podem ter impactos ecológicos distintos sobre as populações exploradas, uma vez que se diferenciam em função da quantidade de casca retirada e intervalos entre explorações; e a caracterização do conhecimento etnobotânico relacionada com a gestão dos sistemas de manejo representa um passo fundamental para a elaboração de estratégias de sustentabilidade para qualquer espécie de planta (Baldauf & Santos, 2013).

Aspectos Etnofarmacológicos

O látex de H. drasticus é utilizado pela grande maioria da população através de informações populares para fins curativos, preventivos e/ou paliativo. A Tabela 4 apresenta as diferentes posologias do látex de H. drasticus, com respectivos períodos de tratamentos, conforme relatados pelos entrevistados.

TABELA 4 Posologias e períodos de tratamento com látex de H. drasticus, tal como expressas pelos entrevistados. 

Posologia diária Período Nº de Raizeiros
1 copinho de café, 2x 3 Meses 1
2 copinhos de café diluído, 2x Até melhorar 1
1 colher de sopa, 2x Até melhorar 2
1 colher de sopa, 2x 1 Semana 1
1 colher de sopa, 2x 15 Dias 1
1 colher de sopa, 3x Até melhorar 2
2 colheres de sopa, 2x 2 Meses 1
2 colheres de sopa, 3x 1 Mês 2
3 colheres de sopa, 3x 2 Meses 1
6 colheres de sopa, 1x 1 Ano 1
6 colheres de sopa, 3x 1 Mês 1
8 colheres de sopa, 2x 1 Meses 1
8 colheres de sopa, 3x 3 Meses 2
8 colheres de sopa 1 Mês 1
1 xícara de chá 1 Mês 1
1 xícara de chá 3 Meses 2

Observou-se que a população faz o uso de forma bastante diversificada, variando entre uma colher de sopa duas vezes ao dia até melhora dos sintomas, e uma xícara de chá por dia durante três meses. Não há relatos na literatura sobre a forma de uso do látex de outras espécies de Himatanthus.

Noventa e cinco vírgula dois por cento (95,2%) dos raizeiros afirmam haver eficácia no uso de H. drasticus através de informações de usuários. O látex é utilizado no tratamento de diversas patologias, desde Pitiriase versicolor (conhecido popularmente como pano branco) até câncer. A Tabela 5 expressa as indicações do látex de H. drasticus e respectivos percentuais de citação e classificação CID 10. As três indicações principais foram: tratamento de úlcera gástrica (85,7%), de inflamação (aparelho geniturinário, digestivo e resultante de infecções em geral) (66,7%) e câncer (66,7%). A literatura já mencionava o uso popular para o tratamento do câncer e úlceras gástricas, porém, o uso contra vermes intestinais, febre, menstruações irregulares e infertilidade feminina (Lorenzi & Matos, 2008; Lucetti et al., 2010; Mousinho et al., 2011), não foi relatado por nenhum dos entrevistados.

TABELA 5 Indicações terapêuticas do látex de H. drasticus e respectivos percentuais de citação e classificação CID 10. 

Indicações Específicas* Percentual de Citação (%) Cid 10
Úlcera 85,7 XI
Inflamação 66,7 I; XIV; XI
Câncer 66,7 II
Diabetes 42,9 I
Gastrite 14,3 IV
Reumatismo 9,5 XIII
Hemorroida 9,5 IX
Disfunção erétil 9,5 IX
Mioma 4,8 II
Pano branco 4,8 I; XII
Vesícula 4,8 XI

*Indicações específicas tal como expressas pelos entrevistados.

Apenas um raizeiro relatou que o uso do látex de H. drasticusapresenta efeitos indesejáveis, sendo o mais comum o vômito; e que em paciente com câncer em estado avançado, além de vômito, apresentam dores de cabeça. Este efeito difere do mencionado para o uso em excesso do látex de H. lancifolius, que causa cólicas menstruais e afecções gastrintestinais; e em crianças, diarreias e desidratação (Baratto, 2010).

Em levantamento sobre usos populares do látex de outras espécies do gênero Himatanthus, observou-se que, de uma forma geral, os usos mais comuns são como anti-inflamatório, antitumoral, antiúlcera gástrica e afecções de pele (Tabela 6), como relatados para H. drasticus.

TABELA 6 Usos populares do látex de outras espécies de Himatanthus

Espécie* Usos populares Referências
H. articulatus Antiúlcera, anti-inflamatório, antitumoral, antifúngico, antibacteriano, Sequeira et al., 2009; Milliken, 1995
analgésico, antissifílico, antimalárico, tônico, afrodisíaco ; Rebouças et al., 2011
H. lancifolius Doenças da pele (podendo-se incluir o pano branco), asma, antissifílico, estimulante de contrações uterinas, auxiliar da concepção, regulação menstrual, anti-helmíntico, febrífugo, laxativo Baratto, 2010
H. obovatus Ação antiúlcera Lima, 2005; Moragas, 2006
H. phagedaenicus Ação anti-helmíntica, em afecções herpéticas, úlceras, psoríase e verrugas Corrêa, 1984
H. sucuuba Ação antitumoral, tratamento de gastrites e artrites, afecções da pele, anti-helmíntica, especialmente no alívio a coceiras, antifúngico e antianêmico Amaral et al., 2007

*Não foram encontradas informações sobre o uso popular do látex das demais espécies do gênero.

Os raizeiros informaram que, no tratamento da úlcera gástrica com o látex de H. drasticus, há melhora dos sintomas (100%) e cura (90,5%). Segundo Colares et al. (2008a), o látex previne a lesão gástrica causada por etanol e indometacina nos modelos experimentais mais comuns para avaliação da atividade antiulcerogênica.

Com relação ao emprego como anti-inflamatóriol, Lucetti et al. (2010) avaliaram a ação anti-inflamatória de uma fração orgânica obtida do látex de H. drasticus e concluíram que o referido efeito provavelmente envolve o sistema opioide, pois a fração teve sua ação completamente inibida pela naloxona (antagonista opioide). A participação do sistema opioide na ação da referida fração foi ainda confirmada pelo teste da placa quente, onde o seu efeito antinociceptivo foi, como no caso da morfina, também inibido pela naloxona (Lucetti et al., 2010).

H. drasticus tem uma longa história de emprego na cura do câncer no Nordeste brasileiro. A seguir, algumas transcrições de relatos dos raizeiros sobre a eficácia do látex contra o câncer: A esposa do meu tio e uma prima minha foram curadas com o uso do látex da janaguba (...), a esposa era portadora de CA no fígado e a minha prima, de leucemia (raizeiro A); Uma médica tinha três meses de vida e hoje tem 5 cinco anos de cura (raizeiro B); Conheço uma pessoa que tinha câncer na mama e ela se curou com dois litros do látex da janaguba (raizeiro C); A pessoa se curou com cinco litros tomado (raizeiro D). Estudo realizado por Mousinho et al. (2011) avaliou a atividade antitumoral das proteínas do látex usando dois modelos experimentais, Sarcoma 180 e carcinosarcoma de Walker 256, e demonstrou haver ação anticancerígena que pode estar associada com a as propriedades imunoestimulantes do látex.

O látex de várias espécies de Himatanthus possui substâncias de natureza triterpênica, tais como lupeol, α-amirina, β-amirina e seus derivados acetatos e cinamatos (Baratto, 2010; Lima, 2005; Vanderlei et al., 1991; Silva et al., 1998; Miranda et al., 2000). Lucetti et al. (2010) relatam a presença de acetato de lupeol no látex de H. drasticus; contudo, praticamente não há dados na literatura sobre a composição química do látex desta espécie.

O lupeol, em trabalho de revisão publicado por Saleem (2009), exibe ações benéficas contra inflamação, câncer, diabetes, desordens cardíacas, toxicidade renal e hepática. Misturas de α e β-amirinas, por sua vez, têm demonstrado relevante atividade anti-inflamatória, gastroproterora, antipruriginosa, hepatoprotetora e analgésica (Vázquez et al., 2012). As atividades apresentadas por estes triterpenos justificariam os principais usos terapêuticos relatados para H. drasticus, incluindo tratamento de diabetes.

Não foram encontrados na literatura estudos farmacológicos referentes ao emprego do látex da planta e demais espécies do gênero Himatanthus, no tratamento de doenças endócrinas, do sistema circulatório e osteomuscular.

Através desta pesquisa, pode-se constatar que o látex de H. drasticus é indicado pelos raizeiros para tratamento de diversas patologias desde infecções de pele até o câncer. Pela consulta à literatura científica, constatou-se que as indicações referentes ao tratamento de inflamações, úlcera gástrica e câncer estão em concordância com os resultados de alguns estudos feitos com a espécie.

O saber popular, proveniente de gerações anteriores, deve ser conservado, sendo importante ressaltar que através deste estudo foi possível confirmar que os indivíduos com idade superior a 40 anos e nível de escolaridade mais baixo são os que detêm o conhecimento sobre esta espécie.

Assim, os levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos exercem um papel primordial no resgate do conhecimento tradicional, nos meios rurais e urbanos, tanto por seu valor histórico-cultural, como também pela necessidade de confirmação das indicações de uso das plantas medicinais.

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Recebido: 25 de Julho de 2014; Aceito: 09 de Março de 2015

*Autor para correspondência: fabiana@unifor.br

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