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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572versão On-line ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.2 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/14_100 

Articles

Diversidade e equitabilidade de Plantas Alimentícias Não Convencionais na zona rural de Viçosa, Minas Gerais, Brasil

Diversity and equivalence of unconventional food plants in rural zone of Viçosa, Minas Gerais, Brazil.

T.F. BARREIRA1 

G.X. PAULA FILHO1  * 

V.C.C. RODRIGUES1 

F.M.C. ANDRADE1 

R.H.S. SANTOS1 

S.E. PRIORE1 

H.M. PINHEIRO-SANT’ANA1 

1Universidade Federal de Viçosa (UFV), Programa de Pós-Graduação em Agroecologia, Av. PH Rolfs, Viçosa, MG, CEP: 36570-900.

RESUMO

O presente estudo analisou a diversidade e equitabilidade de plantas alimentícias não convencionais (PANCs) na zona rural de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. A pesquisa foi conduzida utilizando a amostragem Bola de Neve com entrevistas semiestruturadas aplicadas à 20 moradores de nove comunidades rurais. Avaliou-se a frequência relativa de citação das espécies (Fr); a diversidade e equitabilidade das mesmas, utilizando os índices de Shannon-Wiener (H’) e de Pielou (J’), respectivamente. As espécies foram listadas pela família, nome científico, nomes populares, ambiente de propagação, hábito de crescimento, formas de consumo, estado de domesticação, ciclo de produção e registro por meio de consultas em herbários do bioma Mata Atlântica. Foram encontradas 59 espécies de PANCs, distribuídas em 30 famílias botânicas e 48 gêneros. As famílias asteraceae e myrtaceae se destacaram pela riqueza florística, contribuindo com 11 e 7 espécies, respectivamente. Espécies da família asteraceae obtiveram as maiores frequências relativas (32,2). Obteve-se índice de diversidade Shannon-Wiener de 1,65 (Base 10), e de equitabilidade de Pielou de 0,93. Os resultados encontrados estão similares à de outros estudos desenvolvidos no bioma Mata Atlântica, observou-se ampla diversidade de PANCs na área de estudo, e o conhecimento sobre estas encontra-se distribuído uniformemente entre os moradores.

Palavras-chave PANCs; etnobotânica; conhecimento popular; prospecção de plantas alimentícias; recursos alimentares vegetais

ABSTRACT

This study analyzed the diversity and the equity of unconventional food plants (UFPs) in the rural area of Viçosa, Minas Gerais, Brazil. The research was performed using the Snowball sampling with semi-structured interviews, applied to 20 residents from nine rural communities. We evaluated the relative frequency of citation of the species (Fr); the diversity and equity of the same species, using the Shannon-Wiener (H’) and Pielou (J’) indexes, respectively. The species were listed by its family, scientific name, common denominations, propagation environment, growth habit, application methods, domestication state, production cycle and finally registration through consultation in herbaria in the Atlantic Forest biome. We found 59 species of UFPs, distributed in 30 botanical families and 48 genera. The Asteraceae family and the Myrtaceae one stood out for their floristic richness, contributing to 11 and 7 species, respectively. Species from the Asteraceae family got the highest relative frequencies (32.2). It was obtained the Shannon-Wiener diversity index of 1.65 (Base 10), and the Pielou equity index of 0.93. The results are similar to other studies developed in the Atlantic Forest biome, where there was a wide diversity of UFPs in the study area, and the knowledge of these plants is evenly distributed among the residents.

Keywords UFPs; ethnobotany; popular knowledge; food plants prospecting; plant food resources

INTRODUÇÃO

A utilização de plantas como recursos alimentícios pelo homem ocorre desde os tempos pré-históricos; além da finalidade alimentícia, são utilizadas para fins medicinais, de construção e combustão (Nascimento et al., 2012; Nascimento et al., 2013). A utilização das plantas com finalidade alimentícia representa alternativa de subsistência para comunidades rurais e, podem contribuir com a economia local e regional (Nesbitt et al., 2010). A utilização de plantas alimentícias, em particular as PANCs, é parte da cultura, identidade e práticas agrícolas em muitas regiões do planeta (Voggesser et al., 2013).

As PANCs estão entre as fontes de alimentos que se desenvolvem em ambientes naturais sem a necessidade de insumos e da derrubada de novas áreas (Bressan et al., 2011). O fato de muitas dessas plantas estarem em áreas manejadas por agricultores torna-se estratégia fundamental para o fortalecimento da soberania alimentar de muitas famílias (Cruz-Garcia & Price, 2011). Entretanto, muitas dessas plantas, embora disponíveis a baixo custo, ainda são desconhecidas e subutilizadas por uma parcela significativa da população (Kinupp, 2007; Luizza et al., 2013). Soma-se à essa realidade, a publicidade dos fastfood, que contribuem para a adoção de novos hábitos alimentares e para a perda da soberania alimentar de muitas famílias (King et al., 2011).

O consumo das PANCs pode ser estratégia para manter a diversificação alimentar, estimulando a manutenção da floresta. Se realizado de maneira sustentável, pode ser considerada uma forma de utilização com baixo impacto na agricultura, associada à conservação ambiental (Kinupp, 2007). As PANCs estão presentes em determinadas comunidades ou regiões, onde ainda exercem influência na alimentação de populações tradicionais, porém passaram a ter expressão econômica e social reduzidas, perdendo espaço para outros produtos (Brasil, 2010).

No Brasil, diversas PANCs são utilizadas para consumo alimentar de muitas famílias, sendo as mesmas consumidas in natura, refogadas, em formas de doces, cocadas, dentre outros; porém, ainda são poucos os estudos sobre o uso destas plantas (Crepaldi et al., 2001; Albuquerque & Andrade, 2002; Kinupp & Barros, 2008; Miranda & Hanazaki, 2008; Pilla & Amorozo, 2009; Nascimento et al., 2012; Nascimento et al., 2013).

Esse potencial ainda desconhecido exige a realização de mais pesquisas, e pode se tornar ferramenta importante no estabelecimento de sistemas de produção em bases sustentáveis, uma vez que esses recursos ainda são consumidos por parte da população rural e estão adaptadas às condições edafoclimáticas de muitas regiões (Brasil, 2010).

A partir destas considerações, o objetivo deste trabalho foi registrar a diversidade, formas de uso, ambiente de propagação, hábito de crescimento, estado de domesticação, ciclo de produção e identificação botânica de PANCs encontradas na zona rural de Viçosa, Minas Gerais. Para avaliar a diversidade das espécies e a distribuição local do conhecimento sobre as mesmas, foi analisada a frequência relativa de citação (Fr) e foram determinados os índices diversidade de Shannon-Wiener (H’), e de equitabilidade Pielou (J’), respectivamente. Embora, encontrem-se poucos estudos sobre este tema, a presente investigação pode contribuir para o aprofundamento de estudos sobre a diversidade de PANCs, por meio de métodos científicos já consolidados na literatura acadêmica e que podem ser reproduzidos em outras situações de pesquisa.

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

O presente estudo foi realizado no período de outubro a dezembro de 2012, nas comunidades rurais: Buieié, Estação Velha, Palmital, Silêncio, Violeira, Zig-zag, Córrego Fundo, Cachoeirinha e São José do Triunfo, no município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil, situado no domínio morfoclimático da Mata Atlântica (Figura 1). Em relação aos aspectos de agricultura e extrativismo, na zona rural de Viçosa encontra-se produção de café (Coffea canéfora L.), horticultura e pequenos animais. Nas comunidades estudadas são utilizados recursos alimentares e plantas medicinais pelas populações locais (Barreira, 2013). Essas comunidades são habitadas por nativos da região, com origem na zona rural, tendo a agricultura como forma de sobrevivência, algumas famílias utilizam recursos da floresta para fins alimentícios e medicinais, sendo esta prática herdada dos ancestrais e estando diretamente relacionada com princípios filosóficos e religiosos. Entre as comunidades estudadas, encontram-se remanescentes quilombolas, com semelhanças relacionadas à alimentação, religião, lazer e outros traços culturais (Barreira, 2013).

FIGURA 1 Área de estudo. Zona rural do município de Viçosa, Estado de Minas Gerais, Brasil. 

Amostragem dos entrevistados

Para chegar aos entrevistados utilizou-se a técnica de rede, conhecida na antropologia como “Network” e nas ciências sociais, como amostragem não probabilística, definida por Patton (1990), Cotton (1996) e Pinheiro (2003) como “Amostragem Bola de Neve” (“snow ball”). O critério de amostragem para inclusão dos entrevistados deu-se a partir da identificação de pessoas nas comunidades rurais, reconhecidas como consumidoras de PANCs. Após estabelecer contato, foi realizada entrevista semi-estruturada por meio de roteiro com perguntas pré-elaboradas. Uma vez finalizada a entrevista, pedia-se que o entrevistado indicasse uma nova pessoa, também conhecedora das PANCs. O processo foi se repetindo a partir de novos incluídos, conforme metodologia preconizada por Patton (1990), Cotton (1996) e Pinheiro (2003), de forma que as pessoas conhecedoras de PANCs foram validadas pela própria comunidade.

Obtenção dos dados de campo

Após estabelecer contato com os informantes-chave, foram realizadas entrevistas semiestruturadas por meio de roteiro com perguntas pré-elaboradas sobre as PANCs consumidas pela família e suas formas de uso. Informações sobre a caracterização física da planta e do ambiente foram obtidas por meio de ficha para coleta de material botânico. Uma vez finalizada a entrevista, pedia-se que o entrevistado indicasse nova pessoa, também conhecedora de PANCs e o processo foi se repetindo a partir de novos incluídos. O roteiro de entrevistas foi testado previamente com grupo de quatro famílias. As perguntas foram realizadas de forma oral e individualmente aos informantes-chave em seus domicílios e durante o percurso pela propriedade. Quando havia tendência à estabilização do número de espécies diferentes de plantas citadas, e o número de espécies não se alterava substancialmente, encerrava-se a pesquisa (Ming, 1995).

A coleta do material botânico foi realizada junto aos entrevistados, no momento das entrevistas e em visitas posteriores. Este procedimento, conhecido por “turnê guiada” foi utilizado visando evitar erros na identificação, advindos dos nomes populares repetidos para algumas plantas (Albuquerque & Lucena, 2004). Além do informante citar a espécie, o mesmo a apontou “in loco”, conforme sugerem Albuquerque et al., (2010).

As espécies foram fotografadas em ambiente natural, coletadas e identificadas quanto às formas de uso e características botânicas.

As espécies foram listadas pela família, nome científico, nomes populares. As categorias referentes ao ambiente de propagação (em meio à cultura agrícola, horta, fragmento florestal, pasto, brejo e pomar), hábito de crescimento (herbáceo, árvore, arbustivo e liana), estado de domesticação (coletada e cultivada), ciclo de produção (anual e perene) foram determinadas de acordo com Lorenzi (1992). As formas de uso (refogadas em molhos e caldos, in natura, endosperma líquido, polpa, amêndoa, empanada, doces, compotas) foram organizadas de acordo com base em Kinupp (2007).

Registro e identificação botânica das espécies foram realizados por meio de comparação com amostras do acervo do herbário da Universidade Federal de Viçosa (VIC), além de outros herbários (RB, IAC, OUPR, EAC, UESC, ESA, HPL, BHCB, K, HSJRP, INPA, MAC) que detém espécies encontradas no Bioma Mata Atlântica; e por meio de pesquisas nas seguintes bibliografias especializadas: Lorenzi, (1992); Lorenzi & Matos, (2008); Lorenzi et al., (2006).

Sistematização dos dados

Para a classificação das espécies em famílias foi adotado o sistema Angiosperm Phylogeny Group III (APG III, 2009). A nomenclatura das espécies e abreviações dos autores foi realizada por meio de informações disponíveis na Base de Dados Trópicos, do Missouri Botanical Garden (Trópicos, 2013).

A frequência relativa de citação (Fr) das espécies foi determinada de acordo com Begossi (1996).

A diversidade das espécies de PANCs foi obtido por meio do índice de Shannon-Wiener (H’), de acordo com Begossi (1996).

A distribuição do conhecimento sobre as espécies de PANCs entre os moradores das comunidades (informantes-chave) foi obtida por meio do índice de equitabilidade Pielou (J’) segundo a metodologia proposta por Magurran (1988).

Os índices foram calculados com o auxílio do software Mata Nativa 3® (Cientec, 2010).

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFV (Ref. Nº 121/2012/CEPH/wmt). Os entrevistados foram informados dos objetivos do estudo e do sigilo das informações e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo a liberdade do consentimento em participar da pesquisa garantida a todos, conforme preconizado pelas Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa envolvendo Seres Humanos do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 1996).

RESULTADOS

Foram visitadas nove comunidades rurais e entrevistados 20 informantes-chave, sendo 12 homens e oito mulheres.

Entre os informantes, 12 são naturais de Viçosa, sete são de municípios circunvizinhos, e apenas um é de outra região do estado, mas reside em Viçosa há 19 anos. No geral, 80% de todos os informantes residem no município há mais de 30 anos.

A faixa etária dos informantes (n=20) variou entre 43 e 93 anos, sendo a maioria (75%) composta por idosos, acima de 65 anos.

Foram identificadas 59 espécies de PANCs com potencial alimentício, distribuídas em 30 famílias e 48 gêneros botânicos, totalizando 389 citações. A família mais citada foi a Asteraceae, que representou 28,5% do total de citações, seguida pela Myrtaceae com 9,5%.

Na tabela 1 encontram-se as informações sobre as PANCs encontradas no presente estudo.

TABELA 1 Família botânica, nome científico, nome popular, ambiente de propagação, hábito de crescimento, formas de consumo, estado de domesticação e registro nos herbários, de PANCs encontradas na zona rural do município de Viçosa, Minas Gerais, 2013. 

Família botânica Nome científico Nome popular Ambiente de propagação Hábito de crescimento Formas de consumo Estado de domesticação Ciclo Registro
Amarantaceae Amaranthus hybridus L. Caruru Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual RB 00524769
Annonaceae Annona sylvatica Dunal Araticum do mato Fragmento florestal Árvore In natura Coletada Perene VIC 35535
Arecaceae Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Coco de brejaúva Pasto Árvore Endosperma líquido e amêndoa Coletada Perene VIC 5764
Attalea dubia Mart. Coco indaiá Pasto Árvore Polpa e amêndoa Coletada Perene VIC 20234
Syagnus coronata (Mart.) Becc. Coco Licuri Pasto Árvore Polpa e amêndoa Coletada Perene VIC 7120
Asteraceae Erechtites valerianaefolia L. Capiçova Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 39256
Taraxacum officinale Weber. Dente de leão Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 4209
Emilia sonchifolia L. Serralhinha Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 29393
Bidens pilosa L. Picão Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 12956
Sonchus oleraceus L. Serralha do mato Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 6669
Sonchus arvensis L. Serralha lisa Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual RB 00428940
Sonchus asper L. Serralha espinhenta Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual IAC 6668
Cichorium intybus L. Almeirão de árvore Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual IAC 21696
Hypochoeris brasiliensis Griseb. Almeirão do mato Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual OUPR 14942
Lactuca canadensis L. Almeirão roxo Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual IAC 1095
Vernonanthura patens (Kunth) Cambará Pasto Arbustivo Empanada Coletada Perene RB 00548953
Basellaceae Basella rubra L. Bertalha Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Perene EAC 27657
Anredera cordifolia (Ten.) Steenis. Lobrobô verdadeiro Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual RB 00052112
Bromeliaceae Ananas bracteatus (Lindl.), var. albus Ananás do mato Fragmento florestal Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 6310
Cactaceae Pereskia aculeata Mill. Lobrobô miúdo Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Perene RB 00659585
Pereskia grandiflora Haw. Lobrobô graúdo Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Perene UESC 16183
Pereskia bahiensis Gurke. Ora-pró-nobis ereta Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Perene RB 00064731
Comelinaceae Tradescantia fluminensis Vell. Trapoeraba Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual RB 00730853
Convolvulaceae Ipomoea batata L. Folha de batata-doce Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual RB 00262102
Cruciferae Lepidium pseudodidymum Thell. ex Druce Mentrasto Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual ESA 5439
Sinapis arvensis L. Mostarda silvestre Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual RB 00072942
Clusiaceae Rheedia gardneriana Planch. & Triana Bacupari Fragmento florestal Árvore In natura Coletada Perene VIC 5825
Cucurbitaceae Sicana odorifera Naud. Maracujina Pomar Liana In natura e suco Cultivada Perene VIC 20283
Sicana sphaerica Vell. Melão croá Pomar Liana In natura e suco Cultivada Perene VIC 7491
Euphorbiaceae Manihot esculenta Crantz. Folha de mandioca Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual RB 00086736
Fabaceae Inga vera Willd. Inga banana Pasto Árvore In natura Coletada Perene VIC 40933
Lamiaceae Stachys lanata L. Peixinho Horta Herbáceo Empanada Cultivada Perene HPL 3643
Malvaceae Hibiscus sabdariffa L. Vinagreira Horta Arbustivo Doces e compotas Cultivada Anual RB 00573974
Myrtaceae Psidium guineense Sw. Araçá do campo Pasto Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 10594
Psidium cattleyanum Sabine Araçá vermelho Pasto Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 31253
Plinia edulis (Vell.) Cambucá Fragmento florestal Árvore In natura e suco Coletada Perene VIC 9614
Campomanesia pubescens Berg. Gabiroba do mato Fragmento florestal Arbustivo In natura, suco e doces Coletada Perene VIC 9729
Eugenia myrtifolia L. Laranjinha do mato Fragmento florestal Árvore In natura Coletada Perene VIC 11944
Syzygium cumini L. Jambolão Fragmento florestal Árvore In natura Coletada Perene VIC 9875
Eugenia uniflora L. Pitanga Fragmento florestal Árvore In natura Coletada Perene VIC 7732
Oxalidaceae Oxalis corniculata L. Trevo azedo Horta Herbáceo In natura Coletada Anual RB 00270849
Passifloraceae Passiflora vitifolia L. Maracujá mirim Pomar Liana In natura e suco Coletada Perene VIC 6534
Passiflora amethystina J. C. Mikan Maracujá do mato Pomar Liana In natura e suco Coletada Perene VIC 2426
Piperaceae Piper jaborandi Vell. Jaborandi Em meio à cultura agrícola Herbáceo Empanada Coletada Perene BHCB 72260
Plantaginaceae Plantago major L. Transagem da horta Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual UESC 12160
Plantago coriacea Cham. & Schltdl. Transagem do mato Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual K 000573569
Polygalaceae Diclidanthera elliptica Miers. Jabuticaba de rama Fragmento florestal Liana In natura Coletada Perene VIC 13203
Polygonaceae Rumex acetosa L. Azedinha/labaça Em meio à cultura agrícola Herbáceo In natura Cultivada Perene IAC 48845
Polypodiaceae Pteridium aquillinum L. Samambaia do mato Pasto Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual HSJRP 07661
Portulacacea Portulaca oleracea L. Beldroega Em meio à cultura agrícola Herbáceo In natura Coletada Anual INPA 111808
Rosaceae Rubus rosifolius Smith. Amora do mato Fragmento florestal Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 3856
Solanaceae Lycopersicon esculentum Mill Folha de tomate Horta Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual ESA 927
Solanum juciri Mart. Jequiri Pomar Liana In natura Cultivada Anual VIC 8517
Physalis angulata L. Juá manso (Juá Pocã) Pasto Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 5924
Solanum nigrum Var. americanum Mill. Erva moura Pasto Arbustivo In natura Coletada Perene VIC 4111
Tropaeolaceae Tropaeolum majus L. Capuchinha Em meio à cultura agrícola Herbáceo In natura Cultivada Anual ESA 16766
Typhaceae Typha angustifolia L. Taboa Brejo Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual ESA 82541
Urticaceae Fleurya aestuans L. Cansanção Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Coletada Anual MAC 325
Boehmeria nivea L. Rami Em meio à cultura agrícola Herbáceo Refogada em molhos e caldos Cultivada Anual ESA 6117

TABELA 2 Frequência relativa de citação (Fe) das espécies de PANCs encontradas na zona rural do município de Viçosa, Minas Gerais, 2013. 

Nome popular Família botânica Nome científico Citações (Fe)*
Capiçova Asteraceae Erechtites valerianaefolia L. 19 32,20
Serralha do mato Asteraceae Sonchus oleraceus L. 19 32,20
Lobrobô miúdo Cactaceae Pereskia aculeata Mill. 19 32,20
Serralha lisa Asteraceae Sonchus arvensis L. 16 27,12
Seralha espinhenta Asteraceae Sonchus asper L. 16 27,12
Mostarda silvestre Cruciferae Sinapis arvensis L. 15 25,42
Taboa Typhaceae Typha angustifolia L. 14 23,73
Jabuticaba de rama Polygalaceae Diclidanthera elliptica Miers. 13 22,03
Almeirão do mato Asteraceae Hypochoeris brasiliensis Griseb. 12 20,34
Maracujá mirim Passifloraceae Passiflora vitifolia L. 12 20,34
Almeirão roxo Asteraceae Lactuca canadensis L. 11 18,64
Maracujá do mato Passifloraceae Passiflora amethystina J. C. Mikan 11 18,64
Samambaia do mato Polypodiaceae Pteridium aquillinum L. 11 18,64
Araçá do campo Myrtaceae Psidium guineense Sw. 10 16,95
Amora do mato Rosaceae Rubus rosifolius Smith. 10 16,95
Jequiri Solanaceae Solanum juciri Mart. 10 16,95
Araticum do mato Annonaceae Annona sylvatica Dunal 9 15,25
Almeirão de árvore Asteraceae Cichorium intybus L. 9 15,25
Lobrobô graúdo Cactaceae Pereskia grandiflora Haw. 9 15,25
Ingá banana Fabaceae Inga vera Willd. 8 13,56
Caruru Amarantaceae Amaranthus hybridus L. 7 11,86
Coco Licuri Arecaceae Syagrus coronata (Mart.) Becc. 7 11,86
Ananás do mato Bromeliaceae Ananas bracteatus (Lindl.), var. albus 7 11,86
Maracujina Cucurbitaceae Sicana odorífera Naud. 7 11,86
Bacupari Clusiaceae Rheedia gardneriana Planch. & Triana 6 10,17
Mentrasto Cruciferae Lepidium pseudodidymum Thell. ex Druce 6 10,17
Araçá vermelho Myrtaceae Psidium cattleyanum Sabine 6 10,17
Cambucá Myrtaceae Plinia edulis (Vell.) 6 10,17
Juá manso Solanaceae Physalis angulata L. 6 10,17
Melão croá Cucurbitaceae Sicana sphaerica Vell. 5 8,47
Jambolão Myrtaceae Syzygium cumini L. 5 8,47
Erva moura Solanaceae Solanum nigrum Var. americanum Mill. 5 8,47
Capuchinha Tropaeolaceae Tropaeolum majus L. 5 8,47
Cambará Asteraceae Vernonanthura patens (Kunth) 4 6,78
Folha de batata-doce Convolvulaceae Ipomoea batata L. 4 6,78
Gabiroba do mato Myrtaceae Campomanesia pubescens Berg. 4 6,78
Pitanga Myrtaceae Eugenia uniflora L. 4 6,78
Lobrobô verdadeiro Basellaceae Anredera cordifolia (Ten.) Steenis. 3 5,08
Trevo azedo Oxalidaceae Oxalis corniculata L. 3 5,08
Coco de brejaúva Arecaceae Astrocaryum aculeatissimum (Schott) 3 5,08
Azedinha/labaça Polygonaceae Rumex acetosa L. 3 5,08
Beldroega Portulacacea Portulaca oleracea L. 3 5,08
Coco indaiá Arecaceae Attalea dúbia Mart. 2 3,39
Serralhinha Asteraceae Emilia sonchifolia L. 2 3,39
Picão Asteraceae Bidens pilosa L. 2 3,39
Bertalha Basellaceae Basella rubra L. 2 3,39
Peixinho Lamiaceae Stachys lanata L. 2 3,39
Laranjinha do mato Myrtaceae Eugenia myrtifolia L. 2 3,39
Jaborandi Piperaceae Piper jaborandi Vell. 2 3,39
Transagem da horta Plantaginaceae Plantago major L. 2 3,39
Transagem do mato Plantaginaceae Plantago coriacea Cham. & Schltdl. 2 3,39
Cansanção Urticaceae Fleurya aestuans L. 2 3,39
Dente de leão Asteraceae Taraxacum officinale Weber. 1 1,69
Ora-pró-nobis ereta Cactaceae Pereskia bahiensis Gurke. 1 1,69
Trapoeraba Comelinaceae Tradescantia fluminensis Vell. 1 1,69
Folha de mandioca Euphorbiaceae Manihot esculenta Crantz. 1 1,69
Vinagreira Malvaceae Hibiscus sabdariffa L. 1 1,69
Folha de tomate Solanaceae Lycopersicon esculentum Mill 1 1,69
Rami Urticaceae Boehmeria nivea L. 1 1,69

*Fr = Resultado obtido de acordo com Begossi (1996), a partir do número de citações da espécie, multiplicado por 100, dividido pelo numero de espécies de PANCs encontradas.

As famílias asteraceae e myrtaceae apresentaram o maior número de espécies de PANCs encontradas, sendo 11 e sete espécies, respectivamente.

Quanto ao ambiente de propagação, as PANCs foram encontradas em pastagens (27%), no meio de culturas agrícolas (24%) e em hortas domésticas (22%). Mais da metade destas apresentam hábito de crescimento herbáceo (57%), sendo, portanto de menor porte. Apresentam ciclos produtivos curtos, porém se propagam com mais facilidade, sendo encontradas principalmente dispersas ao longo de pastagens, em meio à culturas agrícolas e em hortas domésticas.

As espécies de PANCs são consumidas principalmente de forma refogada (cozida) em molhos e caldos (47%) e in natura (40%). Embora sejam espécies não convencionais, algumas dessas (27%) se encontram domesticadas e cultivadas em meio à hortas, pomares ou outras culturas agrícolas; enquanto que as demais (73%) são coletadas principalmente em pastos, fragmentos florestais e também em meio à culturas agrícolas.

Há relação entre o ciclo de produção das PANCs identificadas e os hábitos de crescimento das mesmas, as que desenvolvem ciclos perenes predominantemente apresentam hábito de crescimento como árvores e arbustivos, enquanto que aquelas com hábito de crescimento herbáceas e lianas apresentam ciclos anuais e perenes ao mesmo tempo. As PANCs com ciclo de produção anual em sua maioria são herbáceas.

A frequência relativa de citação das 59 espécies de PANCs encontradas no presente estudo encontra-se relacionada na tabela abaixo.

Estudos etnobotânicos têm utilizado cálculos de índices de diversidade (H’) para avaliar a diversidade do conhecimento sobre recursos vegetais. No presente estudo o valor de H’ foi igual a 1,65.

O grau de equitabilidade (J’) varia numa escala de 0 ≤ J’ ≤ 1, quanto mais próximo de 1, significa que o conhecimento está melhor distribuído entre os comunitários. No presente estudo obteve-se J’=0,93.

DISCUSSÃO

Observou-se correlação entre o conhecimento dos informantes e o tempo de residência na mesma comunidade, visto que 80% dos informantes residem há mais de 30 anos na região de estudo. Esta relação está de acordo ao observado por Maldonado et al., (2013) em estudo realizado no México, no qual analisaram o valor de uso e a importância ecológica da flora silvestre por indígenas; neste trabalho, os autores concluíram que o conhecimento e uso dos recursos da flora foi maior entre os nativos, que residiam há mais tempo na comunidade, do que entre populações mestiças que eventualmente estavam se deslocando, mesmo entre comunidades próximas.

A faixa etária dos informantes revela que os idosos são os maiores conhecedores das formas de uso, épocas de frutificação, ambiente de propagação, dentre outras utilidades das PANCs. Estas também foram as conclusões observadas por Hanazaki et al., (2000) e Borges & Peixoto (2009) em estudo realizado sobre o conhecimento e uso de plantas em comunidade caiçara no Rio de Janeiro, ambos estudos revelam que, de maneira geral, os mais idosos conhecem uma diversidade maior de plantas úteis, cujo saber foi acumulado ao longo de sua vivência e contato com os mesmos

A metodologia empregada no presente trabalho alcançou resultados que mostram que as gerações mais novas dispõem de menor conhecimento sobre as espécies de PANCs. Ademais, o êxodo de muitos desses jovens para a zona urbana por motivos diversos (trabalho, estudo e outros), pode ser um fator limitante para o fluxo do conhecimento sobre os recursos vegetais alimentares conforme já observado por Amorozo (2002).

As famílias botânicas asteraceae e myrtaceae se destacaram no presente estudo, mostrando sua importância alimentícia para as comunidades rurais estudadas, porém vale à pena frisar que as mesmas não fazem parte do grupo de alimentos mais consumidos no Brasil (Souza et al., 2013); reforçando o que Kinupp & Barros (2008) já haviam observado em estudo similar, onde nota-se a desvalorização de espécies de plantas alimentícias nativas, em detrimento de espécies exóticas, que geralmente são mais caras, onerando os custos com alimentação e atingindo a renda de muitas famílias. Com base nestas observações, é possível inferir que as PANCs podem exercer importante estratégia no aspecto da soberania alimentar de muitas famílias, principalmente as rurais.

Observou-se que algumas espécies de PANCs são encontradas em ambientes de culturas agrícolas, principalmente em meio à cultura do café. Porém, a utilização de agrotóxicos em meio à estas culturas foi apontada como uma das causas da supressão de algumas espécies de PANCs, o que torna-se um agravante, visto que, além da supressão da espécie alimentícia, as que sobrevivem e que são coletadas nesse ambiente, podem conter o risco de contaminação à quem as consome.

Em relação à predominância das famílias asteraceae e myrtaceae dentre as espécies identificadas no presente estudo, estes resultados estão similares aos encontrados por Kinupp & Barros (2007), em estudo realizado sobre a diversidade de PANCs na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde estas famílias botânicas foram as que apresentaram o maior número de espécies encontradas. Miranda & Hanazaki (2008) em estudo etnobotânico sobre o conhecimento e uso de recursos vegetais em comunidades de restinga em São Paulo e Santa Catarina também identificaram estas duas famílias com o maior número de espécies.

Mesmo em ambiente heterogêneo e alterado pela ação antrópica, como é a zona rural do município de Viçosa, as PANCs medram em meio à outros tipos de culturas agrícolas, pastos, fragmentos de florestas e beiras de estradas. Estes resultados corroboram a tese de Ramos-Zapata et al., (2013) ao afirmarem que as PANCs são espécies ruderais, desenvolvem facilidades de adaptação, mesmo que este ambiente esteja em elevado estado de alteração e perturbação.

Sobre a frequência relativa de citação, alguns estudos sobre levantamento e diversidade etnobotânica (Coelho-Ferreira & Silva, 2005; Martins et al., 2005; Balcazar, 2012) têm considerado apenas as espécies que atinjam índices acima de 5%. Considerando estes mesmos critérios para o presente estudo, observa-se que 42 espécies de PANCs encontradas, ou 75% destas se enquadram nesses critérios, destacando-se Erechtites valerianaefolia L., Sonchus oleraceus L. e Pereskia aculeata Mill.

De acordo com Begossi (1996), a frequência relativa de citação indica o quanto que uma determinada espécie se destaca em relação ao conjunto das demais, esse índice mostra a importância que esta espécies exerce nas comunidades estudadas. No presente estudo verificou-se que a família asteraceae, além de apresentar um conjunto maior de espécies de PANCs, estas respectivas espécies, individualmente, são as que apresentam a maior frequência relativa, com destaque para Erechtites valerianaefolia L., Sonchus oleraceus L., Sonchus arvensis L., Sonchus asper L., Hypochoeris brasiliensis Griseb. e Lactuca canadensis L. ou seja, estas espécies além de existirem em abundancia, as mesmas são as mais conhecidas e podem ser as mais consumidas. Resultados idênticos ao do presente estudo foram encontrados por Carniello et al., (2010) em abordagem etnobotanica realizada em quintais florestais de Mirassol D’Oeste, Mato Grosso, onde as asteráceas também obtiveram maior frequência relativa de citação.

O índice de Shannon-wiener (H’) encontrado no presente estudo (H’=1,65) mostrou-se próximo à outros estudos realizados sobre a diversidades de recursos alimentares vegetais no bioma Mata Atlântica. Miranda & Hanazaki (2008), em estudo sobre o uso de recursos vegetais, encontraram valores de H’=1,83 e H’=1,90, em comunidades de restinga em São Paulo e em Santa Catarina, respectivamente. Pilla & Amorozo (2009) encontraram valores de H’=1,98 em estudo realizado sobre recursos vegetais alimentares em bairros rurais no Vale do Paraíba, São Paulo. Os resultados destes trabalhos mostram que nestes ambientes a diversidade, ou riqueza destes recursos vegetais, foi maior do que no presente estudo.

O grau de equitabilidade (J’) encontrado no presente estudo (J’=0,93) indica que o conhecimento está homogeneamente distribuído entre os comunitários, este resultado está próximo aos valores encontrados por Pilla & Amorozo (2009), no qual obtiveram valor de J’=0,91, para um grupo de 23 informantes. Lima et al., (2012) encontraram valores de J’ entre 0,87 e 0,90 para homens adultos em estudo realizado sobre diversidade e uso de plantas do Cerrado em comunidades de Geraizeiros no Norte de Minas Gerais. Estes resultados revelam que entre os informantes do presente estudo, o conhecimento sobre estes recursos alimentares vegetais é mais homogêneo, se encontra melhor distribuído em relação aos informantes dos trabalhos citados.

Observa-se que trabalhos sobre índice de diversidade e de equitabilidade de espécies vegetais alimentares e medicinais têm sido realizados com maior frequência em áreas protegidas, ao contrário do presente estudo que foi realizado em comunidades com intensa exploração agrícola, o que pode interferir nos resultados encontrados. Ademais, a diversidade de metodologias adotadas, dificulta a comparação entre os resultados, porém, os índices encontrados no presente estudo encontram-se próximos aos principais estudos sobre recursos alimentares vegetais realizados no bioma Mata Atlântica.

CONCLUSÕES

Foram identificadas 59 espécies de PANCs, que representou 30 famílias botânicas e 48 gêneros, sendo a família Asteraceae a mais representativa, totalizando 11 (18,6%) das 59 espécies identificadas. Espécies dessa família também foram as que apresentaram as maiores frequências relativas de citação, indicando que as mesmas, além de existirem em maior diversidade, são mais popularmente conhecidas nas comunidades estudadas.

As PANCS identificadas no presente estudo apresentam hábito de crescimento predominantemente herbáceo (57%), são consumidas principalmente de forma refogada (cozida) em molhos e caldos (47%) e in natura (40%), e apresentam ciclos de produção anuais e perenes.

O índice de Shannon-Wiener (H’=1,65) indica que a zona rural de Viçosa, apresenta elevada diversidade de PANCs, sendo a maioria, cultivadas em hortas ou coletadas em meio à culturas agrícolas, pastos e fragmentos florestais.

O índice de equitabilidade (J’=0,93) permite inferir que o conhecimento sobre PANCs na zona rural de Viçosa, Minas Gerais, Gerais, está homogeneamente distribuído entre os informantes da pesquisa.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à FUNARBE, FAPEMIG, CNPq e CAPES pela concessão de bolsa e suporte financeiro para realização dessa pesquisa, e às famílias de agricultores da zona rural do município de Viçosa, Minas Gerais, pela disponibilidade em participar desse estudo.

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Recebido: 27 de Agosto de 2014; Aceito: 15 de Abril de 2015

*Autor para correspondência: galdinoxpf@gmail.com.

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