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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

Print version ISSN 1516-0572On-line version ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.2 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/14_133 

REVISÃO

Compostos químicos e aspectos botânicos, etnobotânicos e farmacológicos da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss

Chemical compounds and botanical, ethnobotanical and pharmacological aspects of Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss

A.A. SALDANHA1 

A.C. SOARES1  * 

1Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Campus Centro-Oeste Dona Lindu.- Rua Sebastião Gonçalves Coelho, 400, Bairro Chanadour- Divinópolis, MG, CEP: 35.5014-296.

RESUMO

Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss é uma espécie do cerrado brasileiro com uso etnobotânico vasto. O objetivo desse trabalho foi realizar um levantamento bibliográfico de artigos originais e revisões, indexados até agosto de 2014 nas bases de dados Periódicos CAPES, Scielo, Scopus, Web of Science e Medline, nos idiomas português e inglês, utilizando a palavra-chave Byrsonima verbascifolia. Foram contemplados a composição química e os aspectos botânicos, etnobotânicos e farmacológicos. Os estudos presentes na literatura avaliaram as atividades antioxidante, antifúngica, antiviral, antimicrobiana, moluscicida, antimutagênica, mutagênica, teratogênica, imunomodulatória, tóxica e citotóxica de extratos dessa espécie. Apenas um estudo avaliou a atividade da Byrsonima verbascifoliaRich ex. A. Juss in vivo, sendo comprovado que o extrato hidrometanólico das folhas não induz teratogênese, mutagênese ou efeito estimulante ou depressor da resposta imune. Metodologias in vitro predominaram o que demonstra a necessidade de investigação científica empregando testes in vivo para a melhor avaliação das outras atividades biológicas mencionadas.

Palavras-chave Byrsonima verbascifolia; murici; anti-inflamatório; compostos químicos; atividades farmacológicas

ABSTRACT

Byrsonima verbascifolia is a species of Brazilian cerrado with extensive ethnobotanical application. The aim of this study was to perform a bibliographic description of original papers and reviews indexed until August 2014 in the databases of the CAPES Digital Library, Scielo, Scopus, Web of Science and Medline, written in Portuguese and English, using the keyword Byrsonima verbascifolia. The chemical and botanical compositions and the ethnobotanical and pharmacological aspects were contemplated. The researches in the reports evaluated the antioxidant, antifungal, antiviral, antimicrobial, molluscicide, antimutagenic, mutagenic, teratogenic, immunomodulatory, toxic and cytotoxic activities of the extracts of this specie. Only one study evaluated the in vivo activity of the Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss and proved that the hydromethanolic extract from the leaves does not induce teratogenesis, mutagenesis, stimulant or depressant effect of the immune response. The In vitro methodologies represented the higher number of researches demonstrating the need of scientific investigation using in vivo tests for better assessment of other biological activities mentioned.

Keywords Byrsonima verbascifolia; murici; anti-inflammatory; chemical compounds; pharmacological activities

INTRODUÇÃO

A família Malpighiaceae possui distribuição tropical e subtropical sendo representada por 75 gêneros e 1.300 espécies. No território brasileiro ocorrem 38 gêneros e cerca de 300 espécies. Uma característica comum dessa família é a presença de nectários extraflorais, dispostos aos pares nas bases das sépalas da maioria das espécies (Souza & Lorenzi, 2008). Destaca-se pelo elevado potencial econômico, como fonte de produtos alimentícios, medicinais, madeireiros e ornamentais (Ribeiro et al., 1999).

Um dos maiores gêneros da família Malpighiaceae é o Byrsonima, possuindo 150 espécies com distribuição marcadamente neotropical (Mabberley, 1993). O Brasil concentra cerca de 50% das espécies nas regiões Norte, Nordeste e Central, podendo também ser encontradas na região Sudeste do país, em áreas do cerrado. Essas espécies são conhecidas popularmente no Brasil como “muricis” (murici da várzea, murici da mata, murici-amarelo, dentre outros), sendo diferenciadas pela cor de suas flores e frutos, ou pelo local de ocorrência (Guilhon-Simplicio & Pereira, 2011) e são comumente empregadas na medicina popular (Sannomiya et al., 2005).

Especificamente a espécie Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss é largamente utilizada na medicina tradicional, em diversas regiões do Brasil, para o tratamento das mais variadas condições como: febre (Almeida et al., 1998), infecção, inflamação e diarreia (Panizza, 1998).

Muitos povos descrevem desde os tempos mais remotos a utilização de plantas medicinais para o tratamento, cura e prevenção de doenças (Mengue et al., 2001). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o uso de plantas medicinais é a principal opção terapêutica de cerca de 80% da população no mundo (Brasil, 2006).

O uso etnobotânico despertou a necessidade da avaliação da eficácia e segurança das espécies vegetais (Mengue et al., 2001). Com o advento da pesquisa científica, em torno do século XIX, diversas substâncias puderam ser isoladas das plantas e serviram de modelos para a produção de fármacos, o que atualmente representa uma proporção substancial do mercado global de medicamentos (Yunes et al., 2001). As plantas medicinais representam importante fonte de fármacos devido ao elevado número de moléculas com potencial terapêutico, podendo contribuir efetivamente na busca de novos produtos bioativos (Wang & Ng, 1999; Coon & Ernst, 2003; Moll, 2006).

Considerando o extenso uso etnofarmacológico da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss e o crescente interesse econômico pela espécie, o presente trabalho teve como objetivo revisar os principais aspectos botânicos, etnobotânicos, químicos e farmacológicos descritos na literatura. Pesquisas relacionadas às atividades farmacológicas e toxicológicas de espécies vegetais reforçam a preservação de plantas medicinais bem como à utilização racional, eficaz e segura de fitoterápicos (Agra,1982; Yunes et al., 2001).

Fonte de dados

Para a realização desse trabalho buscou-se artigos originais e revisões indexados até agosto de 2014 nas bases Periódicos CAPES, Scielo, Scopus, Web of Science e Medline. Para a busca foi utilizada a palavra-chave Byrsonima verbascifolia. Não foi utilizada restrição em relação ao ano da publicação.

Descrição botânica

Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss (Malpighiaceae) é popularmente conhecida como “murici” (Morais et al., 2013), “murici-cascudo”, “mirici”, “douradinha-falsa”,”muricizinho”, “orelha-de-burro”, “orelha-de-veado”, “semaneira”, “baga-de-tucano” (Mendanha et al., 2010). Possui hábito subarbustivo (Barbosa et al., 2005) e folhas grandes e rígidas (Andrade et al., 1995), com pêlos em ambas faces (Andrade et al., 1995; Andrade et al., 1999). O fruto dessa espécie possui coloração amarela (Guimarães & Silva, 2008; Alberto et al., 2011), diâmetro entre 1,50 à 2 cm com cheiro forte semelhante a queijo rançoso (Guimarães & Silva, 2008), sabor azedo e ligeiramente oleoso (Araújo et al., 2009). A madeira possui coloração amarelada ou avermelhada e brilhante (Alberto et al., 2011).

Distribuição e ocorrência

Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss é uma espécie típica do cerrado brasileiro com elevada densidade no Centro-Oeste e Norte do Brasil (Barbosa & Fearnside, 2004; Barbosa et al., 2005) e com baixa biomassa (Barbosa & Fearnside, 2004). A produção de frutos nesta espécie ocorre de dezembro a março, nas regiões serranas do Sudeste nos cerrados do Mato Grosso e Goiás e litoral do Norte e Nordeste do Brasil (Guimarães & Silva, 2008).

Usos etnobotânicos

Os usos etnobotânicos da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss incluem: uso de infusão, preparada a partir das folhas para o tratamento de diarreia, infecção intestinal e proteção da mucosa intestinal. Infusão das raízes para o tratamento de feridas crônicas, doença de Chagas, inflamação da cavidade oral e da garganta e do trato genital feminino. A casca possui propriedade laxante e ação antipirética. O fruto, quando consumido com açúcar, é também um laxante moderado e pode ser utilizado para o tratamento do processo inflamatório nos brônquios e como antitussígeno (Guilhon-Simplicio & Pereira, 2011).

Outras aplicações

O fruto da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss é comercializado em feiras e mercados locais. A polpa é carnuda e macia (Guimarães & Silva, 2008) sendo consumida in natura (Guimarães & Silva, 2008; Alberto et al., 2011; Nascimento & Penteado-Dias, 2011) ou como suco (Guimarães & Silva, 2008; Alberto et al., 2011), geleia, sorvete, licor (Guimarães & Silva, 2008; Araújo et al., 2009; Alberto et al., 2011) e conserva (Alberto et al., 2011). A porção não comestível representa 46,50% do fruto (Guimarães & Silva, 2008). A madeira é adequada para construção e também pode ser utilizada no curtume (15-20% de tanino). Além disso, indústrias utilizam a tinta preta extraída da casca dessa espécie para o tingimento do algodão (Alberto et al., 2011).

Composição química

Os compostos β-amirina, β-amirirona, β-sitosterol, 3-O-acetil-lupeol, ácido 3-O-acetil-oleanólico, friedelina e triterpenos foram identificados na casca do caule da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss (Gottlieb et al., 1975; Guilhon-Simplicio & Pereira, 2011). Outros compostos encontrados nas folhas dessa espécie são α-amirina, ácido oleanólico, ácido ursólico, quercetina, quercetina-3-O-α-L-arabinopiranosídeo (guaijaverina), quercetina-3-O-β-D-glicopiranosídeo (isoquercetina) (Guilhon-Simplicio & Pereira, 2011; Gonçalves et al., 2013), bem como, taninos, triterpenos (Cecílio et al., 2012), derivados gálicos, catequínicos e epicatequínicos (Gonçalves et al., 2013), saponinas (Cecílio et al., 2012; Gonçalves et al., 2013) e cumarinas (Cecílio et al., 2012). A polpa do fruto dessa espécie possui β-caroteno, ácido ascórbico, α-tocoferol e β-tocotrienol (Hamacek et al., 2014).

Potencial farmacológico

As atividades antioxidante, antifúngica, antiviral, antimicrobiana, moluscicida, antimutagênica, mutagênica, teratogênica, imunomodulatória, tóxica e citotóxica de extratos da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss foram avaliadas através de estudos principalmente in vitro.

Os resultados do estudo realizado por Cecílio et al. (2012), demonstram que não houve a amplificação do material genético do rotavírus por RT-PCR em células do rim de macaco rhesus (MA-104) pré-tratadas com o extrato etanólico obtido das folhas (500 µg/mL) dessa espécie. Dessa forma, sugere-se a presença de compostos bioativos capazes de inibir a replicação viral.

Espanha et al. (2014), demonstraram que o extrato hidroalcoólico obtido das folhas de B. verbascifoliaRich ex. A. Juss possui um potencial como agente protetor contra mutágenos indiretos que requerem ativação metabólica. Nessa espécie há elevada concentração de catequinas que conhecidamente possuem ação antimutagênica (Espanha et al., 2014).

Naruzawa & Papa (2011), concluíram que o extrato hidroetanólico das folhas da B. verbascifolia Rich ex. A. Juss apresentou uma maior atividade antifúngica em relação ao extrato aquoso.

No estudo realizado por Lopez et al. (2001), foi demonstrado que o extrato metanólico das folhas da B. verbascifolia Rich ex. A. Juss possui uma excelente atividade antiviral contra o vírus herpes simplex tipo 1, com uma concentração inibitória mínima muito baixa (2,50 µg/mL).

Mendanha et al. (2010), acreditam que o efeito antimutagênico do extrato aquoso obtido das folhas dessa espécie pode estar relacionado com a presença de flavonóides, terpenos e taninos.

Fatores como o tipo de extrato, parte da planta utilizada bem como a metodologia empregada podem resultar em diferentes perfis de atividades biológicas (Falcão et al., 2005). A tabela 1 descreve as várias atividades farmacológicas, avaliadas utilizando metodologias in vitro, de diferentes extratos da B. verbascifolia Rich ex. A. Juss, sendo classificados em ativos e inativos.

TABELA 1 Atividades farmacológicas de diferentes extratos obtidos da Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss, avaliadas in vitro. 

Parte usada Atividade avaliada Extrato Concentração Modelo Resultado Referência
Folhas Antifúngica Diclorometânico 10 mg/mL Bioautografia com esporos de Cladosporium sphaerospermum Inativo Alves et al., 2000
Folhas Antimicrobiana Diclorometânico 5 mg do extrato Difusão em ágar Bacillus cereus Ativo Alves et al., 2000
dissolvido no meio Escherichia coli Inativo
de cultura Staphylococcus aureus Ativo
Pseudomonas aeruginosa Ativo
Folhas Moluscicida Diclorometânico Concentração inicial de 100 ppm Teste com Biomphalaria glabrata após 24 h de exposição Ativo Alves et al., 2000
Folhas Tóxica Diclorometânico 1; 10; 100 µg/mL Teste de letalidade utilizando Artemia salina Inativo (não apresentou toxicidade) Alves et al., 2000
Folhas Citotóxica Metanólico Concentração inicial de 2000 µg/mL Monocamadas de células Vero cultivadas em microplacas Inativo (não apresentou efeito citotóxico) Lopez et al., 2001
Folhas Antiviral Metanólico Concentração inicial Concentração mínima Vírus herpes simplex tipo 1 Ativo Lopez et
de 2000 µg/mL inibitória Poliovírus Inativo al., 2001
Folhas Antimicrobiana Metanólico 100 mg/mL Teste de disco-difusão Bacillus subtilis Ativo Lopez et
Streptococcus faecalis Ativo al., 2001
Staphylococcus aureus K147 meticilina-sensível Ativo
Escherichia coli DC10 Inativo
Klebsiella pneumoniae Inativo
Pseudomonas aeruginosa 187 Inativo
Salmonella typhimurium Inativo
Mycobacterium phlei Ativo
Folhas Antifúngica Metanólico 100 mg/mL Teste de disco-difusão Candida albicans Inativo Lopez et al., 2001
Folhas Antifúngica Aquoso 50% da concentração relativa do volume Crescimento micelial de Corynespora cassiicola Inativo (houve na verdade um estímulo do crescimento micelial) Naruzawa & Papa, 2011
Crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides Ativo
Germinação do esporo de Corynespora cassiicola Ativo
Germinação do esporo de Colletotrichum gloeosporioides Ativo
Folhas Antifúngica Hidroetanólico 50% da concentração relativa do volume Crescimento micelial de Corynespora cassiicola Ativo Naruzawa & Papa, 2011
Crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides Ativo
Germinação do esporo de Corynespora cassiicola Ativo
Germinação do esporo de Colletotrichum gloeosporioides Ativo
Folhas Antimutagênica Aquoso 25, 50 e 100 mg/mL Danos no DNA induzidos pelo antineoplásico doxorubicina em células somáticas de Drosophila melanogaster Ativo (preveniu os danos no DNA que seriam induzidos pelo antineoplásico doxorubicina) Mendanha et al., 2010
Folhas Citotóxica Aquoso 10; 20; 30; 40; 50; 60; 70; 80; 90; 100 e 120 mg/mL Quantidade de adultos que emergem de larvas de terceiro estágio de Drosophila melanogaster Inativo (não apresentou efeito citotóxico) Mendanha et al., 2010
Folhas Antiviral Etanólico 500 e 50 µg/mL Efeito citopático do rotavírus em células do rim de macaco rhesus (MA-104) Ativo (na concentração de 500 µg/mL) Cecílio et al., 2012
Folhas Citotóxica Etanólico 5000, 500 e 50 µg/mL Citotoxicidade em células do rim de macaco rhesus (MA-104) após 48h de incubação Inativo (induziu efeito citotóxico apenas na concentração de 5000 µg/mL) Cecílio et al., 2012
Folhas Antimutagênica Hidroalcoólico 0,013 à 2000 mg/ placa Teste de Ames utilizando o mutágeno 4-nitro-o-fenilenodiamina Ativo (preveniu os danos no DNA que seriam causados pelo mutágeno) Espanha et al., 2014
Teste de Ames utilizando o mutágeno aflatoxina B,, Ativo (preveniu os danos no DNA que seriam causados pelo mutágeno)
Teste de Ames utilizando o mutágeno benzo(a)pireno Ativo (preveniu os danos no DNA que seriam causados pelo mutágeno)
Teste de Ames utilizando o mutágeno mitomicina C Inativo (não preveniu os danos no DNA que seriam causados pelo mutágeno)
Casca Antifúngica Metanólico 10 mg/mL Bioautografia com esporos de Cladosporium sphaerospermum Inativo Alves et al., 2000
Casca Antifúngica Aquoso 10 mg/mL Bioautografia com esporos de Cladosporium sphaerospermum Inativo Alves et al., 2000
Casca Antimicrobiana Metanólico 5 mg do extrato Difusão em ágar Bacillus cereus Ativo Alves et al
dissolvido no meio Escherichia coli Inativo 2000
de cultura Pseudomonas aeruginosa Ativo
Staphylococcus aureus Ativo
Casca Antimicrobiana Aquoso 5 mg do extrato Difusão em ágar Bacillus cereus Ativo Alves et al
dissolvido no meio Escherichia coli Inativo 2000
de cultura Pseudomonas aeruginosa Ativo
Staphylococcus aureus Ativo
Casca Moluscicida Metanólico Concentração inicial de 100 ppm Teste com Biomphalaria glabrata após 24 h de exposição Ativo Alves et al., 2000
Casca Moluscicida Aquoso Concentração inicial de 100 ppm Teste com Biomphalaria glabrata após 24 h de exposição Ativo Alves et al., 2000
Casca Tóxica Metanólico 1; 10; 100 µg/mL Teste de letalidade utilizando Artemia salina Inativo (não apresentou toxicidade) Alves et al., 2000
Casca Tóxica Aquoso 1; 10; 100 µg/mL Teste de letalidade utilizando Artemia salina Inativo (não apresentou toxicidade) Alves et al., 2000
Casca da raiz Citotóxica Metanólico Concentração inicial de 2000 µg/mL Monocamadas de células Vero cultivadas em microplacas Inativo (não apresentou efeito citotóxico) Lopez et al., 2001
Casca da raiz Antiviral Metanólico Concentração inicial de 200 µg/mL Concentração mínima inibitória Vírus herpes simplex tipo 1 Ativo Lopez et al., 2001
Poliovírus Inativo
Casca Antimicrobiana Metanólico 100 mg/mL Teste de disco-difusão Bacillus subtilis Ativo Lopez et
da raiz Streptococcus faecalis Ativo al., 2001
Staphylococcus aureus K147 meticilina-sensível Ativo
Escherichia coli DC10 Inativo
Klebsiella pneumoniae Inativo
Pseudomonas aeruginosa 187 Inativo
Salmonella typhimurium Inativo
Mycobacterium phlei Ativo
Casca da raiz Antifúngica Metanólico 100 mg/mL Teste de disco-difusão Candida albicans Inativo Lopez et al., 2001
Polpa do fruto Antioxidante Hidroacetônico 0,50; 1 e 1,50 mg/ mL Captura dos radicais DPPH e ABTS, redução do íon férrico e sistema β-caroteno/ácido linoléico Ativo Morais et al., 2013

O único estudo realizado in vivo comprovou que o extrato hidrometanólico das folhas da B. verbascifolia Rich ex. A. Juss não induz teratogênese, mutagênese ou efeito estimulante ou depressor da resposta imune (tabela 2). A avaliação da teratogenicidade foi realizada em camundongos Swiss fêmeas tratadas com o extrato dessa espécie em diferentes períodos da gravidez, com o intuito de analisar uma possível interferência no desenvolvimento embrio-fetal (Gonçalves et al., 2013).

TABELA 2 Atividades farmacológicas do extrato de Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss avaliadas in vivo. 

Parte usada Atividade avaliada Extrato Dose Modelo Resultado Referência
Folhas Teratogênica Hidrometanólico 50 mg/ Kg Desenvolvimento embrio-fetal em camundongos Swiss fêmeas (grávidas) com administração via oral Não apresentou efeito teratogênico Gonçalves et al., 2013
Folhas Mutagênica Hidrometanólico 50 mg/ Kg Teste do micronúcleo em sangue periférico de camundongos Swiss fêmeas (grávidas) e machos com administração via oral Não induziu mutagenicidade Gonçalves et al., 2013
Folhas Imunomodulatória Hidrometanólico 50 mg/ Kg Análise de fagocitose esplênica em camundongos Swiss fêmeas (grávidas) e machos com administração via oral Não apresentou efeito estimulante ou depressor sobre o sistema imune Gonçalves et al., 2013

CONCLUSÃO

Verificamos com o levantamento bibliográfico realizado que a Byrsonima verbascifolia Rich ex. A. Juss é uma espécie com hábito subarbustivo e nativa do cerrado brasileiro. Com relação ao aspecto etnobotânico um importante uso da espécie é como anti-inflamatório. A composição química da espécie foi avaliada na casca do caule, folhas e polpa do fruto sendo os compostos terpênicos e fenólicos as principais classes de metabólitos secundários identificadas. Apesar da importância etnobotânica dessa espécie estudos científicos que comprovem os efeitos farmacológicos são escassos. O desenvolvimento de estudos científicos nesse contexto é necessário para a validação do uso popular e também para a segurança no uso terapêutico. Além disso, a maioria dos poucos estudos a respeito dessa espécie foram realizados in vitro. Metodologias que utilizam testes in vitro possuem como desvantagem não reproduzir fielmente a complexidade de um organismo vivo, sendo difícil correlacionar seus resultados com a clínica (Barcelos et al., 2008). Dessa forma, a realização de estudos para a investigação dos efeitos farmacológicos, principalmente in vivo, é essencial para a validação do uso clínico e também para o desenvolvimento tecnológico de novos fármacos.

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Recebido: 09 de Outubro de 2014; Aceito: 24 de Março de 2015

*Autor para correspondência: adrianasouza@ufsj.edu.br

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