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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572versão On-line ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.3 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084x/14_115 

Articles

Diversidade de angiospermas e espécies medicinais de uma área de Cerrado

Angiosperm diversity and medicinal species of Cerrado area

A.F. SILVA1  * 

M.F.R. RABELO2 

M.M. ENOQUE1 

1Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Herbário PAMG, Av. José Cândido da Silveira, 1647, Belo Horizonte, MG, 31170-495,

2Brandt Meio Ambiente, Alameda Ingá, 89, Nova Lima, MG, 34000

RESUMO

Este trabalho teve como objetivo conhecer a diversidade vegetal de uma área de Cerrado em Prudente de Morais, MG, bem como suas indicações medicinais. Foram feitas nove excursões à reserva da Fazenda Experimental Santa Rita da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (FESR/EPAMIG) (19°26’20”’ S e 44°09’15”’ W). O material vegetal coletado foi herborizado, identificado e incorporado ao acervo do Herbário PAMG/EPAMIG. O sistema de classificação utilizado foi o APG III. Após a identificação, realizou-se uma pesquisa bibliográfica buscando dados sobre a utilização medicinal das espécies. Coletaram-se 108 espécies pertencentes a 47 famílias. As famílias mais representativas foram: Fabaceae, com 16 espécies, Myrtaceae com sete espécies, Asteraceae e Rubiaceae com seis espécies cada, Malpighiaceae e Solanaceae com cinco espécies cada, Erythroxylaceae, Euphorbiaceae e Vochysiaceae, com quatro espécies cada, Anacardiaceae, Apocynaceae, Lamiaceae e Sapindaceae com três espécies cada, Annonaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Celastraceae e Primulaceae com duas espécies cada. Vinte e nove famílias foram monoespecíficas. Das 108 espécies, 39 são árvores (36%), 43 arbustos (40%), seis subarbustos (5,5%), 14 lianas (13%) e seis são ervas (5,5%). Sessenta e seis (61%) espécies pertencentes a 39 famílias (83%) são utilizadas popularmente, para o tratamento de alguma doença. As famílias com maior número de espécies medicinais foram: Fabaceae com oito espécies; Rubiaceae com cinco espécies e Solanaceae com quatro espécies. As espécies que apresentaram mais finalidades terapêuticas foram: Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae), Caryocar brasiliense Cambess. (Caryocaraceae), Cochlospermum regium (Mart. ex Schrank) Pilg. (Bixaceae), Croton urucurana Bail. (Euphorbiaceae), Gomphrena officinalis Mart. (Amaranthaceae), Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne (Fabaceae), Lithrea molleoides (Vell.) Engl. (Anacardiaceae), Myracrodruon urundeuva Allemão (Anacardiaceae) e Randia. armata (Sw.) DC. (Rubiaceae). As finalidades terapêuticas que apresentaram maior número de espécies foram: tônico (15 spp., 22,7%), afecções do aparelho respiratório (13 spp., 19,6%), afecções da pele (12 spp., 18%) e febres (12 spp., 18%). O conhecimento tradicional sobre as plantas medicinais do cerrado deve ser mais investigado para que seja preservado, valorizado, e para que medidas conservacionistas sejam tomadas evitando que essas plantas desapareçam antes que sua utilização tradicional seja corroborada pela ciência.

Palavras-chave Plantas medicinais; diversidade vegetal; etnofarmacologia

ABSTRACT

This study aimed to investigate the plant diversity of a Cerrado area in Prudente de Morais, MG, and its medicinal indications. Nine field trips were made to the reserve of Fazenda Experimental Santa Rita of the Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (FESR/EPAMIG) (19°26’20” S and 44°09’15” W). The plant material collected was herborized, identified and incorporated into the collection of the Herbarium PAMG/EPAMIG. The classification system used was the APG III. After identification, we carried out a literature search to find data about the medical use of the species. 108 species were collected, belonging to 47 families. The most representative families were Fabaceae, with 16 species, Myrtaceae with seven species, Asteraceae and Rubiaceae with six species each, Malpighiaceae and Solanaceae with five species each, Erythroxylaceae, Euphorbiaceae and Vochysiaceae, with four species each, Anacardiaceae, Apocynaceae, Lamiaceae and Sapindaceae with three species each, Annonaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Celastraceae and Primulaceae with two species each. Twenty-nine families were monoespecific. From the 108 species, 39 are trees (36%), 43 are shrubs (40%), six are subshrubs (5.5%), 14 are climbing (13%) and six are herbs (5.5%). Sixty-six (61%) species belonging to 39 families (83%) are commonly used for the treatment of diseases. The families with the highest number of medicinal species were the Fabaceae with eight species; the Rubiaceae with five species and the Solanaceae with four species. The species showing more therapeutic purposes were: Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae), Caryocar brasiliense Cambess. (Caryocaraceae), Cochlospermum regium (Mart. Ex Schrank) Pilg. (Bixaceae), Croton urucurana Bail. (Euphorbiaceae), Gomphrena officinalis Mart. (Amaranthaceae), Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne (Fabaceae), Lithrea molleoides (Vell.) Engl. (Anacardiaceae), Myracrodruon urundeuva Allemão (Anacardiaceae) and Randia. armata (Sw.) DC. (Rubiaceae). The therapeutic purposes indicated by the highest number of species were: tonic (15 spp., 22.7%), diseases of the respiratory system (13 spp., 19.6%), skin affections (12 spp., 18%) and fever (12 spp., 18%). The traditional knowledge of medicinal plants of the Cerrado should be investigated further in order to be preserved and enhanced. In that sense, conservation measures should be taken for these plants do not disappear before their traditional use is supported by science.

Keywords Medicinal plants; plant diversity; ethnopharmacology

INTRODUÇÃO

São reconhecidas 45986 espécies para a flora brasileira, sendo 4733 de Algas, 32771 de Angiospermas, 1524 de Briófitas, 5675 de Fungos, 30 de Gimnospermas e 1253 de Samambaias e Licófitas (Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2013), das 264 a 279 mil espécies vegetais conhecidas e catalogadas para o mundo (Peixoto & Morim, 2003; Giulietti et al., 2005). Ocorrendo 41 famílias e 8.016 espécies incluídas em 669 gêneros de monocotiledôneas, representando 14% do total mundial. Dessas espécies, 3.557 são endêmicas ao Brasil. Quanto às dicotiledôneas, Shepherd (2003) afirma que existam cerca de 21 mil espécies no Brasil, o que representa 11,3% da flora do mundo. As famílias Fabaceae (s. l.), Asteraceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae e Rubiaceae são as mais famílias diversas em número de espécies no país (Giulietti et al., 2005).

Em termos sociais, o Brasil possui uma sociodiversidade riquíssima, englobando 220 etnias indígenas, além de comunidades locais como quilombolas, seringueiros, caiçaras, etc. que detêm importantes conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade (Brasil, 2014).

A diversidade biológica de qualquer nação tem que ser tratada como um recurso global, para ser registrada, usada e, acima de tudo, preservada (Wilson, 1997). Essa afirmativa toma um caráter urgente, considerando que o crescimento explosivo das populações humanas está desgastando o meio ambiente de forma acelerada, a ciência está descobrindo novas utilizações para a diversidade biológica e grande parte desta está se perdendo irreversivelmente pela destruição de habitat naturais (Ehrlich, 1997; Wilson, 1997; Calixto, 2000).

Minas Gerais ocupa cerca de 7% do território nacional (Drummond et al., 2005). Possui relevo variado e fortemente acidentado em algumas porções, destacando-se elevações expressivas como as serras da Mantiqueira, do Espinhaço e do Caparaó (Martins, 2000). A vasta superfície, o clima, a diversidade de relevos, os recursos hídricos, além das características do solo, garantem paisagens diferenciadas, com ambientes específicos e uma rica cobertura vegetal, que pode ser dividida em três biomas: Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga (Drummond et al., 2005). Em termos de diversidade vegetal, Minas Gerais possui 11575 espécies de 195 famílias de angiospermas distribuídas por esses biomas (Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2013).

O Cerrado é um complexo vegetacional, onde inclui-se: campo limpo, campo sujo, campo cerrado, cerrado propriamente dito e o cerradão (Floresta Mesófila Esclerófila), além das inclusões de mata ciliar, mata seca (Floresta Mesófila Estacional), veredas ou buritizais e campos rupestres (Mendonça et al., 1998; Brandão et al., 2001). Este bioma, é o segundo maior do país em área, só perdendo para a Amazônia (Ratter et al., 1997; Klink & Machado, 2005). Somente 2,2% do bioma estão legalmente protegidos e estimativas indicam que pelo menos 20% das espécies endêmicas e ameaçadas permanecem fora dos parques e reservas existentes (Klink & Machado, 2005). Segundo Ratter et al. (1997), o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados pelo avanço das atividades agropecuárias. No período de 1978 a 1988, o desmatamento médio no Cerrado foi de 40.000 km2 por ano (Klink & Moreira, 2002). Assim, o Cerrado é considerado um hotspot, ou seja, está entre as regiões do mundo com a biodiversidade mais ameaçada de extinção (Henriques, 2003; Klink & Machado, 2005).

As transformações ocorridas no Cerrado trouxeram grandes danos ambientais: fragmentação de habitat, extinção da biodiversidade, invasão de espécies exóticas, erosão dos solos, poluição de aquíferos, degradação de ecossistemas, alterações nos regimes de queimadas, desequilíbrios no ciclo do carbono e modificações climáticas regionais (Klink & Moreira, 2002).

Tendo em vista a grande biodiversidade do país, especialmente de Minas Gerais, as pressões sofridas pelos biomas e pelas comunidades tradicionais, seja pela modernização ou pelas mudanças no estilo de vida tradicional para mais contemporâneo, há uma necessidade urgente, de conhecer espécies da flora e seu uso na medicina tradicional, principalmente o relacionado à utilização de plantas selvagens. Sendo assim, neste trabalho buscou-se ampliar o conhecimento sobre a diversidade florística do Cerrado de Minas Gerais, obtendo-se informações sobre as utilizações medicinais das espécies.

MATERIAL E MÉTODO

A área de Cerrado desse estudo está localizada no município de Prudente de Morais (MG), entre as coordenadas geográficas de 19°26’20” de Latitude Sul e 44°09’15” de Longitude Oeste e altitude média de 699m. Pertence à Fazenda Experimental Santa Rita (FESR), que faz parte do Centro Tecnológico do Centro Oeste (CTCO) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). A Fazenda possui área de 604ha, dos quais, 120ha compõem sua reserva biológica.

Foram feitas nove excursões à reserva da FESR, onde se percorreram trilhas aleatórias pré-existentes, e foram coletados exemplares da flora fanerogâmica que se apresentavam em estádio reprodutivo, visando facilitar a identificação. As plantas foram georreferenciadas, utilizando-se um aparelho de GPS, possibitando a recoleta. Os espécimes foram herborizados segundo técnicas descritas por Fidalgo & Bononi (1984). As plantas foram identificadas utilizando-se bibliografia específica; por meio de comparação com exemplares existentes no acervo do Herbário PAMG da EPAMIG e do Herbário BHCB da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e, por consultas a taxonomistas especialistas nas diversas famílias botânicas. As espécies foram classificadas quanto ao hábito, seguindo as definições propostas por Vidal & Vidal (1986). O sistema de classificação utilizado foi o “Angiosperm Phylogeny Group III (APG III, 2009) (Souza & Lorenzi, 2012). A nomenclatura foi conferida seguindo a Lista de Espécies da Flora do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2013).

As plantas foram fotografadas no local da coleta e as exsicatas produzidas foram registradas e incorporadas ao acervo do Herbário PAMG/EPAMIG.

Após a identificação das plantas coletadas foi realizada uma revisão bibliográfica referente à utilização medicinal de cada uma das espécies. Nessa revisão foram utilizados dicionários de plantas medicinais como Corrêa (1984), levantamentos florísticos de espécies vegetais úteis do Cerrado como Almeida et al. (1998) e de plantas medicinais como Brandão (1991), Vieira & Martins (2000), Rodrigues & Carvalho (2001), Rodrigues & Carvalho (2010), entre outros.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Diversidade

Foram feitas nove excursões à Reserva da Fazenda Experimental Santa Rita em Prudente de Morais, onde foram coletadas 108 espécies vegetais pertencentes 47 famílias (Tabela 1). As famílias mais representativas foram: Fabaceae, com 16 espécies, Myrtaceae com sete espécies, Asteraceae e Rubiaceae com seis espécies cada, Malpighiaceae e Solanaceae, com cinco espécies cada, Erythroxylaceae, Euphorbiaceae e Vochysiaceae, com quatro espécies cada, Anacardiaceae, Apocynaceae, Lamiaceae e Sapindaceae com três espécies cada, Annonaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Celastraceae e Primulaceae com duas espécies cada, as famílias Amaranthaceae, Araliaceae, Bixaceae, Calophyllaceae, Cannabaceae, Caryocaraceae, Cleomaceae, Combretaceae, Connaraceae, Convolvulaceae, Cyperaceae, Dilleniaceae, Haloragaceae, Loranthaceae, Lythraceae, Malvaceae, Meliaceae, Moraceae, Nyctaginaceae, Orchidaceae, Poaceae, Proteaceae, Santalaceae, Sapotaceae, Smilacaceae, Styracaceae, Verbernaceae e Vitaceae foram monoespecíficas. Somente um táxon foi identificado apenas ao nível de gênero (Diplopterys sp. - Família Malpighiaceae) (Tabela 1).

TABELA 1 Distribuição das espécies coletadas por família, na área de Cerrado da Fazenda Experimental Santa Rita (FESR), Prudente de Morais, MG, com seus respectivos hábitos e números de registro no Herbário PAMG/EPAMIG 

Família Espécie Hábito Registro PAMG
Amaranthaceae
Gomphrena officinalis Mart. Erva 55881
Anacardiaceae
Lithrea molleoides (Vell.) Engl. Árvore 57011
Myracrodruon urundeuva Allemão Árvore 57012
Tapirira guianensis Aubl. Árvore 56407/56008/56407
Annonaceae
Annona crassiflora Mart. Árvore 44019
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. Árvore 56580
Apocynaceae
Aspidosperma tomentosum Mart. Árvore 56222/56584/56698
Mandevilla scabra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) K.Schum. Liana 56681
Marsdenia altissima (Jacq.) Dugand Liana 52925/55890
Araliaceae
Schefflera macrocarpa (Cham. & Schltdl.) Frodin Árvore 56678
Arecaceae
Syagrus flexuosa (Mart.) Becc. Árvore 56703
Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. Árvore 1752 (Carpoteca)
Asteraceae
Chresta sphaerocephala DC. Subarbusto 56676
Chromolaena chaseae (B.L.Rob.) R.M.King & H.Rob. Arbusto 56670/56679
Lessingianthus ammophilus (Gardner) H.Rob. Arbusto 56683
Piptocarpha rotundifolia (Less.) Baker Arbusto 56424/56573
Vernonanthura phosphorica (Vell.) H.Rob. Arbusto 56403/56577/56585
Viguiera robusta Gardner Subarbusto 56699/56700
Bignoniaceae
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook f. ex S.Moore Árvore 57014
Zeyheria montana Mart. Arbusto 56575
Bixaceae
Cochlospermum regium (Mart. ex Schrank) Pilg. Arbusto 56036
Calophyllaceae
Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. Árvore 56227/56711
Cannabaceae
Celtis pubescens (Kunth) Spreng. Árvore 56401/56434/56435
Caryocaraceae
Caryocar brasiliense Cambess. Árvore 7147
Celastraceae
Peritassa campestris (Cambess.) A.C.Sm. Arbusto 56009
Plenckia populnea Reissek Árvore 56233
Cleomaceae
Tarenaya spinosa (Jacq.) Raf. Erva 56400
Combretaceae
Terminalia argentea Mart. Árvore 56665
Connaraceae
Connarus suberosus Planch. Árvore 56416
Convolvulaceae
Jacquemontia sphaerostigma (Cav.) Rusby Liana 56568
Cyperaceae
Cyperus giganteus Vahl. Erva 56439
Dilleniaceae
Davilla rugosa Poir. Liana 56702
Erythroxylaceae
Erythroxylum campestre A.St.-Hil. Arbusto 55902/56420
Erythroxylum deciduum A.St.-Hil. Árvore 56405/56406
Erythroxylum suberosum A.St.-Hil. Arbusto 56017/56686
Erythroxylum tortuosum Mart. Arbusto 56037
Euphorbiaceae
Croton urucurana Baill. Árvore 57018
Manihot tripartita (Spreng.) Müll.Arg. subsp. tripartita Subarbusto 56225
Maprounea brasiliensis A.St.-Hil. Arbusto 56668
Sebastiania brasiliensis Spreng. Arbusto 56018
Fabaceae
Aeschynomene paniculata Willd. ex Vogel Erva 56712
Bauhinia brevipes Vogel Arbusto 55880/56418
Centrosema pubescens Benth. Liana 56680
Dimorphandra mollis Benth. Árvore 56224
Enterolobium gummiferum (Mart.) J.F.Macbr. Árvore 52932
Galactia glaucescens Kunth Liana 56006/56684
Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne Árvore 56576
Inga vera subsp. affinis (DC.) T.D. Penn. Árvore 56398
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit Árvore 56397
Machaerium acutifolium Vogel Árvore 56674
Mimosa pigra L. Arbusto 56411/56412
Plathymenia reticulata Benth. Árvore 56579
Rhynchosia phaseoloides (Sw.) DC. Liana 55886
Senna macranthera (DC. ex Collad.) H.S.Irwin & Barneby Árvore 56706
Senna silvestris (Vell.) H.S.Irwin & Barneby Arbusto 56672
Stylosanthes guianensis (Aubl.) Sw. Subarbusto 56708
Haloragaceae
Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc. Erva 56014
Lamiaceae
Aegiphila integrifolia (Jacq.) Moldenke Árvore 52931/56228
Hyptis lutescens Pohl ex Benth. Subarbusto 56710
Hyptis nudicaulis Benth Subarbusto 56682
Loranthaceae
Struthanthus syringifolius (Mart.) Mart Arbusto 56011
Lythraceae
Lafoensia pacari A.St.-Hil. Arbusto 56586/56696
Malpighiaceae
Banisteriopsis laevifolia (A.Juss.) B.Gates Liana 56578
Byrsonima basiloba A. Juss. Arbusto 56232/56713
Byrsonima verbascifolia (L.) DC. Árvore 56417
Diplopterys sp. Liana 55872
Niedenzuella sericea (A.Juss.) W.R. Anderson Liana 56019/56566
Malvaceae
Helicteres sacarolha A.St.-Hil. Arbusto 56677/56687
Meliaceae
Cabralea canjerana subsp. polytricha (A. Juss.) T.D.Penn Arbusto 56421/56423
Moraceae
Brosimum gaudichaudii Trécul. Arbusto 56419
Myrtaceae
Campomanesia adamantium (Cambess.) O.Berg Arbusto 56422
Eugenia bimarginata DC. Arbusto 56414/56701
Eugenia cf. chrysantha O.Berg Árvore 56669
Eugenia dysenterica DC. Árvore 56415
Eugenia florida DC. Árvore 56402
Myrcia guianensis (Aubl.) DC Arbusto 55901
Myrcia laruotteana Cambess. Árvore 56390/56436
Nyctaginaceae
Guapira opposita (Vell.) Reitz Árvore 56675
Orchidaceae
Habenaria petalodes Lindl. Erva 56704
Poaceae
Lasiacis sorghoidea (Desv. ex Ham.) Hitchc. & Chase Arbusto 56707
Polygalaceae
Bredemeyera floribunda Willd. Arbusto 57013
Primulaceae
Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze Arbusto 56399
Myrsine umbellata Mart Árvore 56021
Proteaceae
Roupala montana Aubl. Arbusto 56667
Rubiaceae
Cordiera sessilis (Vell.) Kuntze Arbusto 56015
Palicourea rigida Kunth Arbusto 56571
Psychotria carthagenensis Jacq. Arbusto 56410/56438
Randia armata (Sw.) DC. Arbusto 56437
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. Arbusto 56709
Tocoyena formosa (Cham. & Schltdl.) K.Schum. Arbusto 56583
Santalaceae
Phoradendron crassifolium (Pohl ex DC.) Eichler Arbusto 56408
Sapindaceae
Magonia pubescens A.St.-Hil. Árvore 56673
Paullinia elegans Cambess. Liana 56231/56587
Serjania lethalis A.St.-Hil.. Liana 55882/56013
Sapotaceae
Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. Árvore 52929/56404
Smilacaceae
Smilax brasiliensis Spreng. Liana 52926/52933/56413
Solanaceae
Cestrum axillare Vell. Arbusto 57019
Cestrum pedicellatum Sendtn. Arbusto 52930/56007
Solanum aculeatissimum Jacq. Arbusto 1710
Solanum lycocarpum A.St.-Hil. Arbusto 5840
Solanum scuticum M.Nee Arbusto 56409
Styracaceae
Styrax ferrugineus Nees & Mart. Árvore 52928/56034/56229/56666
Verbenaceae
Lantana hypoleuca Briq. Arbusto 56705
Vitaceae
Cissus erosa Rich. Liana 56685
Vochysiaceae
Qualea grandiflora Mart. Árvore 56572
Qualea multiflora Mart. Arbusto 56569/56582/56697
Qualea parviflora Mart. Arbusto 55887/56671
Vochysia cinnamomea Pohl Árvore 56570

Os dados das famílias mais diversas da área estão de acordo com os levantamentos florísticos feitos para o mesmo bioma. Segundo Giulietti et al. (2005), as famílias Fabaceae (3200 spp.), Asteraceae (1900 spp.), Euphorbiaceae (1100 spp.), Myrtaceae (1038 spp.) e Rubiaceae (1000 spp.) são as maiores famílias, em número de espécies no Brasil. No bioma Cerrado, a famílias Fabaceae (777 spp.), Asteraceae (557 spp.), Rubiaceae (250 spp.), Melastomataceae (231 spp.) e Myrtaceae (211 spp.) são as mais diversas (Mendonça et al., 1998). Euphorbiaceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrsinaceae e Rubiaceae, aparecem entre as dez famílias de maior número de espécies em estudos em áreas de florestas de galerias em Minas Gerais (Oliveira Filho et al., 1995).

Todas as plantas foram herborizadas e registradas (Tabela 1), sendo produzidas aproximadamente, 180 exsicatas.

Dentre as espécies encontradas na área de Cerrado em estudo, 39 são árvores (36%), 43 arbustos (40%), seis são subarbustos (5,5%), 14 lianas (13%) e seis são ervas (5,5%) (Tabela 1). Segundo Castro et al. (1999), o Cerrado abriga cerca de 2.000 espécies arbóreas e 5.250 espécies herbáceas e ou subarbustivas. O maior número de arbóreas encontradas pode estar relacionado com a ocorrência frequente de incêndios, que suprime as espécies herbáceas, mais sensíveis à queimadas constantes. Num levantamento sobre recursos medicinais do cerrado de Mato Grosso, Guarim Neto & Morais (2003) encontram a maioria de espécies arbóreas (31%), seguido pelo hábito herbáceo (24%), arbustivo (17%), subarbustivo (12%) e trepadeira (9%).

Espécies medicinais

Dentre as 108 espécies coletadas e identificadas, 66 (61%) são utilizadas popularmente, para o tratamento de alguma enfermidade (Tabela 2). Segundo Matteucci et al. (1995), muitas espécies do Cerrado, são potencialmente comestíveis, medicinais, ornamentais, fornecedoras de madeira e outras matérias-primas para a indústria.

TABELA 2 Espécies coletadas na área de Cerrado da Fazenda Experimental Santa Rita (FESR), Prudente de Morais, MG, com nome (s) popular (es) e indicação na medicina tradicional 

Espécie Nome (s) popular (es) Indicação
Aegiphila integrifolia (Jacq.) Moldenke Tamaqueiro, milho-de-grilo, fruta-de-papagaio, etc. As partes aéreas são utilizadas para tratar picadas de cobras e como antinflamatório (Leitão et al., 1992).
Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. Macauba, coco-catarro, coco-babão, etc. A polpa dos frutos é purgante (Almeida et al., 1998). A polpa e a amêndoa são utilizadas para tratar dores de cabeça e afecções das vias respiratórias (Corrêa, 1984).
Annona crassiflora Mart. Araticum, articum, etc. A planta é utilizada como inseticida (Souza & Felfili, 2006). As sementes são adstringentes (anti-diarréicas) (Ferreira, 1980; Brandão, 1991; Rodrigues & Carvalho, 2001).
Aspidosperma tomentosum Mart. Peroba, pequiá, guatambu-do-campo, etc. A planta é tônica e febrífuga e utilizada para tratar dispnéia (Valente & Silva, 1999).
Brosimum gaudichaudii Trécul. Mamacadela As raízes são utilizadas para tratar vitiligo, hepatite, acnes, alergias, fissuras dérmicas, verminoses, infecções em geral, coluna e viroses de animais; diurético, depurativo e calmante (Brandão, 1991; Rizzini & Mors, 1995).
Byrsonima verbascifolia (L.) DC. Murici A casca do caule é utilizada como antifebril e adstringente; os ramos com folhas contra sífilis e diurética e os frutos são laxantes (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Cabralea canjerana subsp. polytricha (A. Juss.) T.D.Penn Cangerana, cangerana-do-campo, etc. A casca é tônica e febrífuga (Ferreira, 1980).
Campomanesia adamantium (Cambess.) O.Berg Gabiroba As folhas são anti-reumáticas e a raiz colagoga (Ferreira, 1980; Brandão, 1991). A planta toda é depurativa, anti-diarréica, purificadora, anti-reumática e para diminuir o colesterol do sangue (Pavan et al., 2009).
Caryocar brasiliense Cambess. Pequi, pequizeiro, etc. A casca e as folhas são adstringentes (Corrêa, 1984). O óleo da castanha e os caroços são utilizados para tratar asma, bronquite, coqueluche e resfriados. Os caroços são considerados tônicos e afrodisíacos (Rodrigues & Carvalho, 2001). As folhas são adstringentes e estimulam a secreção da bile (Brandão et al., 1992).
Celtis pubescens (Kunth) Spreng. Grão-de-galo A casca tem utilização como febrífugo e externamente contra oftalmia (Corrêa, 1984).
Cestrum axillare Vell. Coerana As folhas são emolientes, sedativas, antiespasmódicas, parasiticidas, insetífugas, diuréticas e anti-hemorroidárias (Corrêa, 1984).
Chysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. Aguaí As folhas são utilizadas para tratar afecções cutâneas (Corrêa, 1984).
Cissus erosa Rich. Cipó-de-fogo e cafezinho As partes aéreas são utilizadas, externamente para remover verrugas e tratar úlceras; internamente, em decocção, para tratar a leishmaniose e como analgésico (Agra et al., 2007).
Cochlospermum regium (Mart. ex Schrank) Pilg. Algodão-do-campo e algodãozinho A raiz é amarga e acre, sendo utilizada para tratar inflamações intestinais, dores causadas por quedas ou acidentes, maturativa ou dissolvente de abscessos (Corrêa, 1984), purgativa (Ferreira, 1980). A planta é também utilizada para tratar inflamações uterinas, das vias urinárias e diarréia (Souza & Felfili, 2006).
Connarus suberosus Planch. Araruta-do-campo e araribá A casca é utilizada para tratar cardiopatias e as folhas, problemas intestinais (Silva Júnior, 2005).
Cordiera sessilis (Vell.) Kuntze Marmelada-de- cachorro Os ramos e folhas são utilizados para tratar problemas de pele (Silva et al., 2007).
Croton urucurana Baill. Sangra-d’água e mangue A planta é utilizada no tratamento do câncer e feridas externas (Souza & Felfili, 2006). A seiva da planta é utilizada como anti-hemorrágico, antinflamatório, antisséptico, antiviral, cicatrizante, hemostática e vulnerária (Lorenzi & Matos, 2008).
Cyperus giganteus Vahl. Papiro O caule é utilizado para tratar bronquite e gripe (Arantes et al., 2003).
Davilla rugosa Poir. Cipó-caboclo A raiz é considerada adstringente, sendo tônica, laxativa e sedativa; as folhas frescas são utilizadas para tratar linfatismo, inchações e orquites; os ramos jovens são diuréticos (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Dimorphandra mollis Benth. Faveira-do-campo e fava-d'anta Os frutos são cicatrizantes, provocam contrações uterinas, adstringentes e tóxicos em altas doses (Ferreira, 1980, Silva Júnior, 2005; Kuhlmann, 2012).
Enterolobium gummiferum (Mart.) J.F.Macbr. Orelha-de- macaco As folhas, a goma e a seiva são utilizadas para tratar pulmões, dermatites; a casca é vermífuga (Silva Júnior, 2005). Os frutos são tóxicos para o gado (Kuhlmann, 2012).
Erythroxylum campestre A.St.-Hil. Cabeça-de- negro A raiz e a casca são purgantes (Corrêa, 1984; (Rodrigues & Carvalho, 2001). Possui alcalóides biologicamente ativos com propriedades estimulantes do sistema nervoso central (Kuhlmann, 2012).
Erythroxylum suberosum A.St.-Hil. Cabeça-de-negro e cabelo-de-negro A planta possui várias propriedades medicinais, principalmente como fortificante (Corrêa, 1984), além de ser usada como anestésico e contra a má digestão (Barbosa et al., 2003).
Erythroxylum tortuosum Mart. Cabeça-de-negro e muxiba-comprida A casca e o caule são usados como anti-hemorrágicos e a raiz é laxante (Silva Júnior, 2005).
Eugenia dysenterica DC. Cagaita Os frutos são laxantes (Ferreira, 1980). As folhas são utilizadas para tratar diarréia e desinterias (Agra et al., 2007).
Eugenia florida DC. Pitanga-do-mato As folhas são utilizadas para tratar diarréias (Rodrigues & Carvalho, 2010).
Gomphrena officinalis Mart. Paratudo A raiz é amarga, aromática, excitante, tônica e febrífuga, útil na debilidade geral do organismo. O chá e a garrafada com raiz e flor são usados no combate à febre, asma e bronquite. As flores são usadas contra irregularidades menstruais e o xilopódio empregado no tratamento das colites e enterites (Penna, 1946; Barros, 1982).
Helicteres sacarolha A.St.-Hil. Rosquinha e sacarrolha. A casca da planta é utilizada para tratar dor no corpo (Guarim Neto, 1987).
Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne Jatobá-do- cerrado A planta é usada como depurativo, antinflamatório, estimulante do apetite e fortificante rico em ferro (Souza & Felfili, 2006). A casca do caule e o epicarpo são utilizados para tratar tosses e anemia e a resina contra sinusite e espasmos abdominais (Agra et al., 2007). A resina é também peitoral, tônica, e em maior dose, vermífuga; e a casca é utilizada contra cistites e prostatites (Ferreira, 1980). A casca e os ramos mais velhos são indicados para tratar bronquites, tosses, coqueluche, afecções da bexiga e próstata, sendo adstringente. Os frutos são utilizados como vermífugo (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Inga vera subsp. afffnis (DC.) T.D.Penn. Ingá A casca do caule é utilizada no combate a úlceras externas e feridas (Rodrigues & Carvalho, 2010) e contra aftas (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. Pau-santo A casca é considerada tônica e emoliente, sendo utilizada para tratar dores de dente (Almeida et al., 1998; Silva Júnior, 2005). As folhas possuem propriedades emolientes (Ferreira, 1980; Rodrigues & Carvalho, 2001).
Lafoensia pacari A.St.-Hil. Pacari, dedaleira, etc. A casca e as folhas servem como cicatrizante de feridas e para tratar gastrites e úlceras (Ferreira, 1980; Corrêa, 1984, Silva Júnior, 2005).
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit Leucena O óleo das sementes, em cataplasma, é utilizado para tratar inflamações externas (Agra et al., 2007).
Lithrea molleoides (Vell.) Engl. Aroeirinha, aroeira-brava, etc. Sob a forma de extrato alcoólico, decocção ou infusão, é utilizada para o tratamento de tosse, bronquite, artrite, doenças do sistema digestivo, como diurético, tranquilizante, hemostático e tônico. Possui também atividades antimicrobianas, antivirais, citotóxicas e imunomoduladoras (Shimizu et al., 2006).
Machaerium acutifolium Vogel Jacarandá e bico-de-papagaio Os frutos são usados como diuréticos e sudoríferos (Silva Júnior, 2005).
Magonia pubescens A.St.-Hil. Tingui As sementes são antissépticas (Brandão, 1991), servem para tratar úlceras, a casca para feridas e as raízes para os nervos. A resina da casca é inseticida e utilizada para matar piolhos (Silva Júnior, 2005).
Maprounea brasiliensis A.St.-Hil. Marmelinho-do- campo As cascas das raízes podem ser utilizadas para ativar o apetite e a digestão, podendo causar vômitos quando ingeridas em grande quantidade devido às suas propriedades tóxicas (Hoehne, 1939). Seu látex pode ser utilizado como cicatrizante (Senna, 1989).
Marsdenia altissima (Jacq.) Dugand Cipó-de-leite A casca do caule é utilizada para tratar gonorréia, asma e câncer, sendo utilizada também para aumentar a fertilidade (Agra et al., 2007).
Mimosa pigra L. Unha-de-gato A casca é utilizada como vermífugo (Corrêa, 1984).
Myracrodruon urundeuva Allemão Gonçalo-alves, aroeira, etc. A casca é utilizada no tratamento das afecções das vias respiratórias e do aparelho urinário e contra hemorróidas, por suas propriedades balsâmicas e hemostáticas (Agra et al., 2007). A casca também é utilizada como cicatrizante e contra inflamações dos ovários, trompas e colo uterino (Souza & Felfili, 2006). As folhas são antissépticas, empregadas no tratamento das úlceras, bronquites e resfriados. As raízes são usadas para tratar o reumatismo. O óleo extraído dos frutos é utilizado no tratamento da lepra (Almeida et al., 1998).
Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc. Pinheirinho- d'água É adstringente (Corrêa, 1984).
Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze Capororoca Seus ramos, com folhas são utilizados para tratar picadas de cobra, limpeza de tumores e feridas (Rodrigues & Carvalho, 2001; Rodrigues & Carvalho, 2010).
Myrsine umbellata Mart. Pororoca-grande Seus ramos, com folhas são utilizados para tratar picadas de cobra, tumores e feridas (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Palicourea rigida Kunth Douradinha, congonha-de-bugre, dom-bernardo, etc. A raiz, casca do caule e folhas são indicadas como depurativa, para tratamento de doenças renais, nas inflamações do aparelho feminino (Rodrigues & Carvalho, 2001). As folhas são utilizadas como diurético (Guarim Neto, 1987).
Piptocarpha rotundifolia (Less.) Baker Coração-de-negro, cartucheira, etc. As folhas e flores são usadas como enérgicos (Corrêa, 1984) e no combate à sífilis (Siqueira, 1981). A planta é utilizada também, como antisséptico, antinflamatório e anti-diarréico (Monteiro et al., 2006)
Plathymenia reticulata Benth. Vinhático As cascas do caule e ramos são utilizadas para tratar varizes (Guarim Neto, 1987).
Plenckia populnea Reissek Marmelinho-do- campo O chá dos ramos com folhas é indicado para tratar alergias e feridas (Maroni et al., 2006) e como antidisentérico (Corrêa, 1984).
Qualea grandiflora Mart. Pau-terra As cascas são antissépticas (Ferreira, 1980). As folhas são indicadas para tratar diarréias com sangue, cólicas intestinais e amebas (Rodrigues & Carvalho, 2001; Silva Júnior, 2005).
Randia armata (Sw.) DC. Espinho-de- judeu A casca da raiz é tônica e febrífuga (Corrêa, 1984) e para tratar reumatismo. O fruto combate cansaço e falta de ar. As folhas e raízes, em decocto, são usadas para combater gonorréia. As sementes são estimulantes do apetite. As folhas são cicatrizantes e para tratar doenças inflamatórias (Erbano, 2010).
Roupala montana Aubl. Carne-de-vaca A casca do caule é utilizada para tratar feridas e úlceras externas (Rodrigues & Carvalho, 2010).
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. Congonha-de- bugre A casca e as raízes são utilizadas para tratamento de reumatismo, gota, má circulação do sangue e tônico do coração; as folhas são utilizadas como diuréticas, para tratamento de doenças renais e úlceras (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Schefflera macrocarpa (Cham. & Schltdl.) Frodin Mandiocão-do- cerrado As folhas são utilizadas como analgésico (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Sebastiania brasiliensis Spreng. Pau-leiteiro A casca do caule é utilizada no tratamento de amenorréia, leucorréia e como purgativo e diurético; topicamente é utilizada para tratar dermatites, eczemas, hidropsia e sífilis (Agra et al., 2007).
Smilax brasiliensis Spreng. Japecanga O decocto ou infuso das raízes é utilizado pra tratar afecções da pele e gota, sendo antissifilítica, anti-reumática, depurativa, diurética e sudorífica (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Solanum aculeatissimum Jacq. Juá-bravo A planta toda é utilizada para banhos contra infecções cutâneas, edemas dos membros inferiores e tuberculose mesentérica (Corrêa, 1984). Os frutos são utilizados em tratamento de manchas de pele e furúnculos (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Solanum lycocarpum A.St.-Hil. Lobeira, fruta-de-lobo, etc. As folhas, em banho ou compressas, são emolientes e anti-reumáticas. As flores e frutos são tônicos, contra asma, gripes e resfriados (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Solanum scuticum M.Nee Jurubeba As folhas e frutos são empregados contra problemas hepáticos e digestivos, por estimular as funções digestivas e reduzir o inchaço do fígado e vesicular (Mentz & Oliveira, 2004; Moraes, 2008).
Styrax ferrugineus Nees & Mart. Laranjeirinha, lararanjinha-do-cerrado, etc. O ramo com folhas, em infusão, é utilizado como antifebril (Rodrigues & Carvalho, 2001). A resina é depurativa, usada no tratamento de queimadura e tosse (Barros, 1982) e a casca do caule e folhas é depurativo nas febres (Grandi et al., 1989).
Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook f. ex S. Moore Ipê-amarelo A casca do caule é usada contra gripes, bronquites e inflamações (Agra et al., 2007) sendo febrífuga e depurativa. As raízes também são utilizadas para tratar gripes, resfriados e tosses (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Tapirira guianensis Aubl. Pau-pombo A casca e as folhas, em decocto, são indicadas para dermatoses e também como antissifilítico e depurativo (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Tarenaya spinosa (Jacq.) Raf. Sete-marias As folhas são usadas contra asma, tosse e bronquite (Agra et al., 2007).
Terminalia argentea Mart. Capitão A casca do tronco, em decocção, é utilizada para tratar aftas e tumores como resolutivo (Ferreira, 1980).
Tocoyena formosa (Cham. & Schltdl.) K.Schum. Jenipapo-de- cavalo A casca da raiz tem ação tônica e febrífuga (Corrêa, 1984). É utilizada para o tratamento de dores reumáticas (Coelho et al., 2006).
Vernonanthura phosphorica (Vell.) H.Rob. Assa-peixe A planta toda é utilizada como antifebril, em bronquites, pneumonias, gripes e tosses (Rodrigues & Carvalho, 2001).
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. Pimenta-de- macaco A casca do caule é utilizada como antinflamatório (Rodrigues & Carvalho, 2001). Os frutos são utilizados como excitante, carminativo, afrodisíaco, tônico para o estômago, vermífugo, febrífugo e anti-hemorroidal (Corrêa, 1984, Brandão, 1991; Rodrigues & Carvalho, 2001).
Zeyheria montana Mart. Bolsa-de-pastor A casca da raiz é utilizada para tratar afecções da pele e a casca do caule é antissifilítica (Rodrigues & Carvalho, 2001).

Das 47 famílias encontradas na reserva da FESR, 39 (83%) apresentaram pelo menos uma espécie com indicação de uso na medicina popular. As famílias mais representativas foram: Fabaceae com oito espécies; Rubiaceae com cinco espécies; Solanaceae com quatro espécies; Anacardiaceae, Erythroxylaceae, Euphorbiaceae e Myrtaceae com três espécies cada; Annonaceae, Apocynaceae, Asteraceae, Bignoniaceae e Primulaceae com duas espécies cada; e 27 famílias apresentaram uma espécie medicinal, cada. Segundo Rodrigues & Carvalho (2010), as famílias Fabaceae e Asteraceae estão entre as mais representativas na maioria dos levantamentos sobre plantas medicinais. Deve-se levar em consideração que estas duas famílias, são as mais diversas das Angiospermas (Souza & Lorenzi, 2012). A família Fabaceae possui grande número de espécies que são alimentícias, medicinais, ornamentais, madeireiras, etc. (Di Stasi et al., 2002). Espécies de Fabaceae, do gênero Bauhinia se destacam pelas suas propriedades medicinais, sendo utilizadas como fitoterápicas para o tratamento de várias enfermidades, principalmente diabetes, processos dolorosos e infecções (Teske & Trentini, 1995). No entanto, para B. brevipes Vogel, espécie encontrada na FESR, não há citações de uso medicinal. Dentre as leguminosas medicinais, quatro (D. mollis Benth., H. stigonocarpa Mart ex Hayne, I. vera subsp. affinis (DC.) T.D.Penn. e L. leucocephala (Lam.) de Wit) são indicadas como cicatrizante, adstringente e ou antinflamatório, o que pode indicar a presença de taninos, compostos responsáveis pelas adstringência e atividades farmacológicas (Santos & Mello, 2004). Dentre as seis espécies de Rubiaceae encontradas na Reserva, cinco são utilizadas como medicamento. Segundo Di Stasi & Hiruma Lima (2002), essa família possui muitos gêneros que incluem espécies de valor medicinal, entre eles destacam-se Coffea e Cinchona, fontes de substâncias como a cafeína e o quinino, respectivamente, de amplo uso terapêutico. Espécies de Palicourea e Psychotria, ambos, gêneros de Rubiaceae, são conhecidas popularmente como “mata-ratos”, sendo consideradas venenosas (Coelho et al., 2006).

As espécies que apresentaram mais finalidades terapêuticas (Tabela 2) foram: B. gaudichaudii Trécul, C. brasiliense Cambess., C. regium (Mart. ex Schrank) Pilg., C. urucurana Bail., G. officinalis Mart., H. stigonocarpa Mart. ex Hayne, L. molleoides (Vell.) Engl., M. urundeuva Allemão e R. armata (Sw.) DC. o que sugerem a existência de um rico metabolismo secundário, podendo haver princípios ativos de diferentes classes químicas em cada espécie. B. gaudichaudii tem sido usada em escala industrial para a obtenção de medicamentos. Segundo Palhares & Silveira (2007), o uso medicinal da espécie é consequência do grande acúmulo, nas raízes, de furanocumarinas, como o bergapteno e o psolareno. Pozetti (2005) comenta que B. gaudichaudii é uma dádiva da natureza que devemos aproveitar antes que tenhamos que pagar royalties por um produto oriundo dela, mas desenvolvido por outro país. C. brasiliense tem grande quantidade de carotenóides (Azevedo-Meleiro & Rodriguez-Amaya, 2004) e possui atividade antifúngica sobre Cryptococcus neoformans (Passos et al., 2002).

A espécie C. regium deve ser utilizada com cautela como medicamento, até que se obtenham mais dados sobre sua toxicidade, sendo necessários mais estudos tecnológicos para sua utilização segura (Sólon et al., 2009). O látex de C. urucurana possui saponinas, esteróides, alcalóides, antocianidinas e catequinas. Algumas destas substâncias podem exercer efeito anti-diarréico, uma vez que estes compostos precipitam proteínas dos enterócitos e reduzem os movimentos peristálticos (Okuda et al., 1989; Gabriel et al., 1999). Segundo estudos fitoquímicos, os principais constituintes químicos desta planta têm atividade antioxidante como os taninos e lignanas, além do alcaloide taspina, que atua como antinflamatório (Perdue et al, 1979; Vaisberg et al., 1989), corroborando sua utilização na medicina popular. Nos xilopódios de G. officinalis há saponinas e ecdisterona (Young et al., 1992). A ecdisterona é utilizada pela indústria farmacêutica para a produção de fitoterápicos e suplementos alimentares (Magalhães, 2000). Segundo Rodrigues et al. (2012), as indicações medicinais de H. stigonocarpa podem estar associados com o efeito antioxidante de taninos condensados e flavonóides, assim como os efeitos antinflamatórios e anti-ulcerativos de M. urundeuva estão relacionados com os taninos presentes nas cascas do caule (Souza et al., 2007). As propriedades antinflamatórias de L. molleoides, foram confirmadas por estudos realizados com ratos (Gorzalczany et al., 2011). Em R. armata foram identificadas catequinas, esteróides, flavonas, taninos catéquicos e xantonas que estão relacionados com a atividade antioxidante (Vieira et al., 2005).

As indicações terapêuticas citadas foram: tônico, incluindo tônico para o coração e para o estômago, fortificante, enérgico e para tratamento da debilidade geral do organismo (15 spp., 22,7%); de afecções do aparelho respiratório, incluindo tosse, gripe, resfriado, bronquites e asma (13 spp., 19,6%); de afecções da pele, incluindo manchas, dermatites, dermatoses, eczemas, queimaduras e vitiligo (12 spp., 18%); de febres (12 spp.); como antinflamatório, incluindo inflamações intestinais, uterinas, dos ovários, trompas e inflamações externas (11 spp., 16%), tratamento e limpeza de feridas e úlceras, como antisséptico (11 spp.); antisséptico e cicatrizante (2 spp., 3%); cicatrizante (4 spp., 6%); antisséptico (2 spp.); diurético (9 spp., 13,6%); depurativo (8 spp., 12%); tratamento de diarréias, incluindo anti-disentéricas (8 spp.); anti-reumáticas (7 spp.); adstringentes (7 spp., 10,6%); analgésico, incluindo as utilizadas para tratar dores de cabeça, de dente, no corpo e por quedas (5 spp., 7,6%); tratamento de hemorróidas (5 spp.); antissifilítica (4 spp.); purgante (4 spp); laxante (4 spp.); tratamento de doenças renais e das vias urinárias (4 spp.); de problemas intestinais, incluindo colites e enterites (4 spp.); má digestão (4 spp.); colagogo (1 sp.); tratamento dos problemas de fígado, incluindo inchaço e hepatite (4 spp.); calmante (3 spp., 4,5%); tratamento de picadas de cobra (3 spp.); de tumores (3 spp.); inseticidas e ou insetífugas (3 spp.); estimulante do apetite (3 spp.); tratamento de alergias (2 spp.); amenorréia (2 spp.); gonorréia (2 spp.); aftas (2 spp.); e antiespasmódicas (2 spp.). As indicações de tratamento da hipercolesterolemia, cardiopatia, varizes, má circulação do sangue, gastrite, oftalmia, leucorréia, amebíase, linfatismo, orquites, sinusite, problemas da próstrata, edemas dos membros inferiores, tuberculose mesentérica, furúnculos e lepra; remoção de verrugas, leishmaniose, anestésico, antiviral, estimulante do sistema nervoso central, causadora de contrações uterinas, carminativo e piolhicida também foram citadas para pelo menos uma espécie.

O conhecimento da medicina tradicional, principalmente relacionado ao uso de plantas silvestres está desaparecendo rapidamente devido à modernização e mudanças nos estilos de vida (Agra et al., 2007) e às transfomações ocorridas no Cerrado (Klink & Moreira, 2002; Henriques, 2003; Klink & Machado, 2005), por isso há uma necessidade urgente de se conhecer os usos de plantas nativas como remédios, incentivando a conservação e verificação científica de plantas medicinais raras e menos conhecidas (Maroni et al., 2006; Agra et al., 2007).

Quanto ao estado de conservação, Chresta sphaerocephala (Asteraceae) e Myhracrodruon urundeuva Allemão (Anacardiaceae), ambas coletadas na área, encontram-se na lista das espécies da flora ameaçadas de extinção, em Minas Gerais, incluídas na categoria vulnerável (Drummond et al., 2008).

AGRADECIMENTO

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), pelo financiamento do projeto APQ-03738-10 e pelas bolsas concedidas às autoras.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 15 de Setembro de 2014; Aceito: 15 de Abril de 2015

*Autor para correspondência: andreiasilva@epamig.br

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