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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

versão impressa ISSN 1516-0572versão On-line ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.17 no.4 supl.3 Botucatu  2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084x/14_139 

Revisão

Revisão das Propriedades Medicinais de Cajanus cajanna Doença Falciforme

Review of Medicinal Cajanus cajan of properties in Sickle Cell Disease

K. CORDOVIL1  * 

C.S. COPLE-RODRIGUES2 

I.N. SANTOS2 

E.D. FRANCO2 

S.K.V. BERTOLUCCI3 

1Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti (HEMORIO). Rua Frei Caneca, número 8, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20.211-030

2Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rua São Francisco Xavier, 524, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 20550-900

3Universidade Federal de Lavras/Minas Gerais. Caixa Postal 3037, Lavras, MG, CEP: 37.200-000

RESUMO

Este artigo descreve a ocorrência, características botânicas, fitoquímicas e a composição nutricional do feijão guandu [Cajanus cajan (L.) Millsp], e sua relação no processo de inibição da falcização na doença falciforme, um distúrbio genético que acomete as hemácias, gerando hemólise e anemia crônica. Dois constituintes químicos estariam mais relacionados aos efeitos inibitórios na falcização de células falciformes: L-fenilalanina e o ácido p-hidroxibenzóico. Estudos químico-biológicos detalhados com o feijão guandu no Brasil poderão esclarecer melhor os mecanismos pelos quais ocorre a inibição da falcização das hemácias e a diminuição do estresse oxidativo, ajudando no tratamento de pessoas com DF.

Palavras-chave propriedades medicinais; cajanus cajan; anemia falciforme

ABSTRACT

This article describes the occurrence, botanical characteristics, phytochemical and nutritional composition of pigeonpea [Cajanus cajan (L.) Millsp], and their relationship in the process inhibition of sickling in sickle cell disease (SCD), a genetic disorder that affects red blood cells, causing hemolysis and chronic anemia. Two chemical components would be related to the inhibitory effect on sickling of sickle cells: the L-phenylalanine and the p- hydroxybenzoic acid. In Brazil, detailed studies with pigeonpea chemical-biological may clarify the mechanisms by which the inhibition of sickling of red blood cells occurs, reducing oxidative stress and thus helping treating people affected by this disease.

Keywords medicinal properties; cajanus cajan; sickle cell anemia

INTRODUÇÃO

A doença falciforme (DF) é um distúrbio genético decorrente da mutação no gene regulador da síntese da hemoglobina A, que origina a hemoglobina mutante S (Jesus, 2010). As manifestações clínicas comuns na DF, devem-se a dois fenômenos principais: a oclusão vascular pelos glóbulos vermelhos e a hemólise crônica, levando a lesão progressiva dos tecidos e órgãos (Emokpae et al., 2010; Braga, 2007).

No Brasil, a Portaria no 822/01 do Ministério da Saúde incluiu a DF no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), permitindo assim o diagnóstico no nascimento, afim de reduzir a morbimortalidade da DF (Brasil, 2001). Dados epidemiológicos do PNTN revelam a elevada proporção de nascidos vivos com a DF nos estados da Bahia (1:650), Minas Gerais (1:1400) e do Rio de Janeiro (1:1200) (Jesus, 2010). Portanto, a importante taxa de prevalência e de morbidade no território brasileiro, torna a DF um sério problema de saúde (Lobo, 2010; Modell & Darlison, 2008;).

O tratamento da DF inclui a suplementação de ácido fólico, analgésicos, anti-inflamatórios, hidroxiuréia (para pacientes que se adequem ao protocolo), hidratação venosa nas crises álgicas, realização de transfusão sanguínea, o uso profilático de antibióticos (em menores de 5 anos de idade), imunizações periódicas e do tratamento específico das complicações secundárias à doença (Batista & Andrade, 2008; Bruniera, 2007; Braga, 2007). Há também uma ênfase na educação em saúde que estimula o autocuidado pelos pacientes e seus acompanhantes/responsáveis(Araujo, 2007). Todas essas medidas visam prevenir os eventos agudos e melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas com DF.

Práticas integrativas e complementares em saúde são regulamentadas como recursos terapêuticos, principalmente com o uso de plantas medicinais associadas à alimentação (Silva & Oliveira, 2013; Brasil, 2006). Alguns fitoquímicos presentes nestas plantas podem intervir de modo benéfico na saúde humana, protegendo ou ajudando no tratamento de diversas doenças (Ferreira et al., 2014; Oliveira et al., 2014).

Alguns princípios ativos de plantas medicinais vêm sendo estudados na DF para que possam proporcionar maior estabilidade à hemácia, atuar como agentes anti-falcização e melhorar o prognóstico e a saúde dos pacientes (Oniyangi & Cohall, 2013; Afolabi et al., 2012; Segal et al., 2004; Zemel et al., 2002; Muskiet et al., 1991).

Alguns estudos científicos têm apontado que o feijão guandu (Cajanus cajan (L.) Millsp – Fabaceae) seja um importante agente medicinal que atue, minimizando algumas complicações da DF através da inibição da falcização (Oniyangi & Cohall, 2013; Akinsulie et al., 2005; Ekeke & Shode, 1985).

Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo realizar uma revisão de estudos científicos no emprego do feijão guandu, englobando trabalhos in vitro, in vivo, estudos clínicos, bem como de substâncias isoladas desta espécie vegetal que possam atuar ou influenciar na inibição da falcização na DF.

MATERIAL E MÉTODO

Foi realizado um levantamento bibliográfico entre os anos de 2008 e 2014 utilizando- se bases de dados Latino-americanas e Internacionais: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Entrez Global Query Cross-Database Search System (ENTREZ) e British Library Direct (BLD), e as ferramentas de pesquisa Pubmed, Scielo e Google acadêmico. Para a busca foram utilizados o operador boleano “OU”/”OR” nos 2 grupos de palavras-chave separadamente: (cajanus cajan, pigeon pea) e (antisickling, sickle cell anemia e sickle cell disease). Após isso, utilizou-se o operador boleano “E”/ “AND” para obter a intersecção entre os 2 grupos de palavras-chave mencionados acima.

Processo de Falcização das Hemácias

Os genes que codificam as subunidades da hemoglobina estão abundantemente presentes e apresentam alta similaridade em sua estrutura genômica (três éxons e dois íntrons) ao longo das linhagens dos vertebrados (Quinn et al., 2010).

Em humanos, por conta de mutações espontâneas, surgem outras hemoglobinas variantes que podem ser diferentes por exemplo, do ponto de vista estrutural, no caso de uma alteração no nível de seqüência de aminoácidos (como ocorre na DF) ou no caso em que ocorre uma diminuição ou supressão da produção de uma cadeia de globina (no caso das talassemias). Estas alterações dão origem, portanto às hemoglobinopatias (Hoffbrand & Moss, 2013; Modell & Darlison, 2008).

Na DF, portanto, ocorre a formação de uma hemoglobina denominada Hb S (α2A β2S) devido a uma mutação no gene que sintetiza a cadeia β da hemoglobina, através da troca da base nitrogenada adenina do códon GAG pela timina (GTG) (Neto & Pitombeira, 2003; Naoum, 2000).

Anemia falciforme (AF) foi a primeira doença de base molecular que demonstrou que a hemoglobina destes pacientes tinha excesso de carga positiva em comparação com hemoglobinas de adultos saudáveis (Galkin et al., 2007; Zago & Pinto, 2007).

Por conta dos pontos isoelétricos dos aminoácidos serem diferentes (glut (-) = 5,97 e Val carga (0) = 2,77) ocorre um desequilíbrio implicando na perda de cargas negativas da Hb S em relação à Hb A. Tudo isso acarreta sérias alterações na estrutura física e fisiológica prejudicando assim sua funcionalidade, principalmente ao que se refere ao carregamento de oxigênio pela corrente sanguínea (Naoum, 2000).

Em situações de ausência ou diminuição da tensão de oxigênio, a oxi-HB S perde O2 e se transforma em deoxi-Hb S, formando pontes de hidrogênio entre os aminoácidos valina da posição n1 da globina beta S (posição normal) e a valina mutante da mesma globina (Neto & Pitombeira, 2003; Naoum, 2002; Brasil, 2006).

A presença das pontes de hidrogênio gera uma mudança na estrutura da globina, o qual gera uma aproximação e permite contatos intermoleculares entre aminoácidos das hemoblobinas S (GLU121→GLY16; ASP73→THR4, entre outros) (Naoum, 2002; Neto & Pitombeira, 2003).

Além disso, através das interações hidrofóbicas entre valina (β-6) com a concavidade hidrofóbica formada principalmente por LEU (β-88) e FEN(β-85), ocorre a formação de polímeros de HbS (Neto & Pitombeira, 2003; Naoum, 2002).

A polimerização portanto, é a formação de fibras de Hb S, que se assemelha a uma primeira fase de transição, semelhantes a uma transformação gás-sólido (Galkin et al., 2007). Quando há elevado grau de polimerização na desoxi-HbS, a mesma apresenta um comportamento semelhante a um gel característicos de polímeros (Rotter et al., 2011; Galkin et al., 2007).

Dentre os fatores que favorecem a polimerização da Hb S estão: queda do pH sanguíneo, aumento da concentração de 2,3 di-fosfoglicerato, saturação de oxigênio insuficiente, perda de potássio e água (Naoum, 2002; Brasil,2006; Neto & Pitombeira, 2003).

A polimerização da HbS inicia-se através de um fenômeno chamado de nucleação, do qual um certo número de moléculas se juntam dentro de um embrião da nova fase (Iqbal et al., 2013; Li et al.,2011; Rotter et al.,2011; Galkin et al., 2007).

A nucleação é seguida pelo crescimento de fibras iniciais e sua ramificação, devido à nucleação secundária de novas fibras em cima das existentes, como se fosse uma dupla nucleação (Li et al.,2011; Rotter et al., 2011; Usunova, 2010; Galkin et al., 2007).

A hemoglobina S forma 14 membros de fibras quando está no estado desoxigenado em que possui conformação em T (Galkin et al., 2007). Entre as fibras ocorrem contatos hidrofóbicos que são formados entre a valina da molécula Hb S e a alanina, fenilalanina e leucina a partir de uma molécula de Hb S adjacente (Galkin et al., 2007).

Estes polímeros em seguida formam fibras de desóxi-hemoglobinas enoveladas que progride através da produção de mais fibras alongadas, o que no final alteram a estrutura da hemácia por precipitação das globinas, formação dos corpos de Heinz, e finaliza com a formação de uma hemácia em forma de foice, em vez de discoide (Naoum, 2002; Brasil,2006; Neto & Pitombeira, 2003).

A afinidade do oxigênio pela hemoglobina, a concentração de Hb S, desidratação, concentração mínima de gelificação, acidose e febre são eventos determinantes, que influenciam diretamente no processo de falcização (Godwin & Baysinger, 1983) .

Agentes inibidores da falcização

No tratamento coadjuvante da DF, busca-se compostos (bioativos ou químicos) que possam oferecer mais estabilidade à hemácia, atuando como um agente antifalcização, a fim de melhorar o prognóstico e a saúde dos pacientes (Nnamani et al., 2008; Segal et al., 2004; Zemel et al., 2002; Muskiet et al., 1991).

A maneira com que cada um desses compostos químicos/bioativos interage com componentes presentes na hemácia é específica e variada (Dash et al., 2013; Nnamani et al., 2008; Godwin & Baysinger,1983). Em geral, estes agentes são divididos de acordo com o tipo de interação que possuem com a hemoglobina ou o tipo de mecanismo de ação (Tabela 1).

TABELA 1 Resumo dos principais tipos de agentes anti-falcização. 

Tipo de inibição Mecanismo de ação Agentes
Covalente Reagem com proteínas formando ligações permanentes fortes afetam a membrana celular Cianeto (tóxico)
Mostarda nitrogenada
Imidoesteres
Suphidrila
Gliceraldeido
Bisfumarato
Piridoxal
Cistamina
Oligopeptídeos
Não covalentes Formam ligações fracas com a hemoglobina (iônicas ou hidrofóbicas) Aminoácidos
Uréia de alquilas (tóxico)
Etanol (hepatotóxico)
Ativados na Membrana celular Atuam sobre a membrana celular diretamente Zinco
Extrato de Fagara zanthoxyloides
Procaína
Vitamina E
Diminuição na concentração intracelular de Hb S Induzem a turgência celular e diluição da Hb S DDAVP (vasopressina sintética)
Dextrose

Fontes: Dash et al., 2013; Park et al., 2003; Ouattara et al.,2009; Mehanna, 2001; Godwin & Baysinger, 1983; Abu et al., 1981 Franklin & Huehns, 1980.

Agentes inibidores da falcização devem ser de fácil administração, preferencialmente oral, e com adequada absorção, capazes de entrar nas hemácias, reagir com a hemoglobina ou com a membrana de tal forma que a falcização seja impedida, sem causar toxicidade ou efeitos secundários hematológicos adversos, como o aumento da afinidade do oxigênio ou a elevação da hemólise (Dash et al., 2013; Akinsulie et al., 2005; Park et al., 2003).

Ocorrência e Características Botânicas de Cajanus Cajan

É uma cultura importante para diversos países dos trópicos e subtrópicos, principalmente os países asiáticos e africanos (Mizubuti et al., 2000; Seno et al.,1996). A sua origem ainda é motivo de controvérsia, divergindo entre o Continente Africano e a Índia. Foi introduzida no Brasil provavelmente pela rota dos escravos, nos navios negreiros procedentes da África, tornando-se largamente distribuída e seminaturalizada na região tropical (Azevedo et al., 2007).

No Brasil, o feijão guandu também pode ser denominado de feijão-andu, guandeiro, guando ou andu (Mizubuti et al., 2000). É uma planta perene, de vida curta, frequentemente cultivada para produção de grãos, pois suas sementes exalbuminosas são utilizadas na alimentação humana ou animal (Azevedo et al., 2007).

A planta possui flor com estrutura característica de autofecundação, contudo a presença de agentes polinizadores (abelhas) aumenta em 97,9% a produção de suas vagens e sementes (Cruz-Garcia & Price, 2011).

O crescimento pode se apresentar semi-prostrado ou ereto e a altura, mesmo sendo desejável que seja baixa pode atingir em algumas linhagens pode ser igual ou superior a 2 metros (Gody et al., 2004). Logo, por consequência o número de ramos primários tende a ser maior. A cor do caule pode ter tons de verde a arroxeados e sua espessura pode variar (Provazi et al., 2007). Tem folíolo em forma elíptica estreita e a cor básica das flores matiza em tons de amarelo (Godoy et al., 2004; Provazi et al.,2007).

Em relação ao padrão de florescimento sabe-se que o florescimento de padrão determinado é mais vantajoso do ponto de vista de produção de sementes. A cor da vagem difere de verde a púrpura (sem maturação) ou palha e violeta escura (quando maduras) sendo que sua forma pode ser cilíndrica a achatadas e estreitas. Em relação à semente pode ser do padrão manchado ou pintado e machado, com uma variedade de cores (Godoy et al., 2004; Provazi et al., 2007).

Fitoquímica e Composição Nutricional do Feijão Guandu

Em toda planta há fitoquímicos principalmente alcalóides, saponinas e flavonóides (Das et al., 2013; Nwodo et al., 2011; Chougule et al., 2003; Giri et al., 1998). Na raiz estão presentes a cajaflavanona, a cajaisoflavonona, a 2’-O-metil-cajanona, a cajaquinona, a trihidróxi-isoflavonas, a α e β-amirina, a genisteína e o lupeol. Na casca da raiz há isogenisteína-7-O-glicosídeo; nas sementes encontra-se o ácido aspártico, a cajanina e a concajanina; nas folhas o β-sitosterol e o estigmasterol e, em toda planta, há a 2-hidroxigenisteína, a cajanona e a ferreirina, entre outros (Nwodo et al., 2011; Das et al., 2013; Chougule et al., 2003; Giri et al., 1998).

Em relação a composição nutricional sabe-se que mais de 50% da massa seca do feijão guandu é constituída de carboidratos, dentre estes xilose, glicose e galactose (Seno et al.,1996; Menezes et al., 1997). Já o teor de proteínas totais varia entre 19 a 24% dependendo da época, do local de plantio e de cultivares (Azevedo, 2007). De acordo com Canniatti-Brazaca et al. (1996) os cultivares L04, L12 e L36 do feijão guandu são os que podem ser introduzidos à alimentação humana, pois tem elevada produção com curto período de maturação dos grãos, além de requerer tempo de cocção muito próximo ao do feijão comum (Phaseolus vulgaris) e maior conteúdo protéico.

Quanto ao teor de aminoácidos, Teixeira et al. (1985) demonstraram que o feijão guandu apresentou elevados teores de lisina (11,51% a 12,77%) e de fenilalanina (10,75% a 12,31%) na fração proteica, no entanto os aminoácidos sulfurados, cistina e metionina, apresentaram valores muito baixos (≤ 0,58%). Destaca-se ainda em sua composição nutricional, a baixa quantidade de lipídios que varia entre 1,1% a 1,4% da massa seca (Azevedo, 2007).

Em relação aos demais nutrientes, por cada 100 g de semente, há importante presença de potássio (1.215 mg), de cálcio (129 mg), de magnésio (166 mg) e de fósforo (269 mg) (Taco, 2011; USDA, 2008).

Feijão Guandu e Doença Falciforme

O processo de falcização da hemácia inicia-se com a polimerização das moléculas de hemoglobina S (Hb S), devido a interação do resíduo hidrofóbico βVal6 com βPhe85 e βLeu88 do grupo heme de outra molécula de HbS (Santos, 2012). Com a progressão da polimerização ocorre à adição sucessivas de moléculas HbS à medida que o percentual de saturação de oxigênio da hemoglobina diminui, com isso agregados maiores se alinham em fibras paralelas formando um gel de cristais líquidos chamados tactóides, que promove rigidez e distorção das hemácias desoxigenadas implicando no surgimento de crise álgica (Santos, 2012).

A associação de C. cajan e doença falciforme foi demonstrada pela primeira vez por Ekeke & Shode (1985), que realizaram um ensaio in vitro com sangue de indivíduos com anemia falciforme (HbSS), quimicamente falcizado com metabissulfito de sódio. Os pesquisadores observaram uma reversão da falcização no sangue de pacientes submetidos ao extrato de guandu.

Ao longo das décadas, as propriedades antifalcização do extrato das sementes de guandu tem sido atribuída principalmente a L-fenilalanina, o qual foi indicada como responsável 70% da propriedade antifalcização no extrato aquoso das sementes de guandu (Uwakwe et al., 1996).

A L-fenilalanina tem sido apontada também como uma boa precursora de ácidos fenólicos. O ácido hidroxibenzóico por exemplo, está presente nos extratos C. cajan e pode inibir a formação ou até mesmo reverter a hemácia falcizadas (Ouattara et al., 2004; Rossato et al., 2009; Vieira, 2010). Alguns estudos apontam uma inibição mais eficientes da fenilalanina e de ácido hidroxibenzóico, sugerindo que uma atuação sinérgica entre eles poderia aumentar o efeito inibitório da falcização (Ekeke & Shode, 1988; Iwu et al., 1988; Akojie & Fung, 1992; Chougule et al., 2003; Akinsulie et al., 2005).

Outros compostos presentes no guandu, como a cajaminose, tem sido relacionada com melhora da afinidade de Hb S com o oxigênio e com o retardo da falcização, porém foram pouco estudados (Ekeke & Shode, 1988; Iwu et al., 1988; Akojie & Fung, 1992; Chougule et al., 2003; Akinsulie et al., 2005).

Acredita-se que a região da hemoglobina onde os agentes antifalcização atuam, se localiza próximo ao heme das cadeias alfa e beta da desoxihemoglobina S (Seno et al., 1996; Uwakwe & Ekeke,1996).

Em 2005, um estudo clínico realizado com um suplemento a base de feijão guandu (Ciklavit®) oferecido à crianças e adolescentes observou queda significante no número de crises álgicas no grupo caso versus o controle (p<0,05) e nos casos de hepatomegalia, inicialmente de 55,3% para 33,3% (p< 0,03) ao final de seis meses (Akinsulie et al., 2005).

Em 2010, um estudo confirmou o uso do suplemento nutricional Ciklavit® na produção da redução significativa do número de células falciformes em amostras de sangue tanto de pessoas HbAS como HbSS (Iweala et al., 2010).

Uma das hipóteses que podem explicar a redução do número de células falciformes e a maior estabilidade das hemácias é através da atuação do extrato das sementes de guandu na diminuição da atividade da glutationa-S-transferase da hemácia (GST), uma enzima envolvida na remoção de xenobióticos circulantes, tais como agentes oxidantes (protoporfirina e ferro+3), os íons férricos e os superóxidos geradores de meta-hemoglobina, que facilitam a hemólise (Akinsulie et al., 2005).

A enzima GST da hemácia teria função protetora contra os compostos eletrofílicos e apresentaria alta atividade em pessoas com DF quando comparado aos indivíduos que não apresentam a doença (Uwakwe & Ekeke, 1996; Onah et al. (2002).

No presente estudo de Uwakwe & Ekeke (1996), esta redução da atividade enzimática foi maior no extrato de guandu (84%) do que na fenilalanina (59%) (p<0,05). Observaram correlação direta entre o tempo de consumo e o percentual de diminuição da atividade de GST, chegando ao final de três meses com o valor máximo de 74,9% (p<0,05).

Concomitantemente, houve aumento na concentração de hemoglobina na ordem de cerca de 38% ao final de três meses (p<0,05). Na Tabela 2 encontra-se uma síntese dos artigos científicos relacionando C. cajan e a DF.

TABELA 2 Síntese de estudos científicos sobre C. cajan na DF publicado entre 1985-2010. 

Autor/origem/ano Estudo Características da Amostra Princípios Ativos
Ekeke & Shode Nigeria, In vitro Amostras de sangue de 14 indivíduos (HbSS) Fitoquímicos no extrato do feijão
1985 com idades entre 11-25 anos guandu
Iwu et al. In vitro Amostras de sangue de indivíduos (HbSS). Fitoquímicos no extrato do feijão
1986 Idade não relatada. guandu
Ekeke & Shode Nigeria, In vitro Amostras de sangue de crianças (HbSS) com Fenilalanina
1988 idades entre 3-8 anos.
Iwu et al. In vitro Amostras de sangue de 5 crianças com doença Cajaminose
Nigéria, 1988 falciforme de um hospital universitário.
Akojie & Fung Nigéria/ In vitro Amostras de sangue de 2 pacientes (HbSS), Fenilalanina
USA, 1992 com idades não relatadas. Ácido p-hidroxibenzóico
Fitoquímicos no extrato do feijão guandu
Uwakwe et al. Nigéria, In vivo 8 voluntários com HbSS. Fitoquímicos no extrato do feijão
1996 guandu
Uwakwe & Ekeke In vitro Amostras de sangue de 5 voluntários (HbSS) Fenilalanina
Nigéria , 1996 com idades entre 1-16 anos. Fitoquímicos no extrato do feijão guandu
Onah et al. In vitro Amostras de sangue de pacientes com idades Fitoquímicos no extrato do feijão
Nigéria, 2002 entre 10-15 anos. guandu
Akinsulie et al. Nigéria, In vivo 42 indivíduos (HbSS) com idades entre 1-15 Fenilalanina
2005 anos. Vitamina C
Zinco
Iweala et al. In vitro Amostras de sangue de pacientes com HbAA, Fitoquímicos no extrato do feijão
Nigeria, 2010 HbAS e HbSS. guandu

Fontes: fao, 1970; *Pinheiro Et Al., 2002; §Pacheco, 2006; philipp et al., 1999; &USDA.

Toxicidade de C. Cajan

Os estudos de toxicidade realizados com partes da planta como raiz, caule ou folhas, ou mesmo a semente não observaram nenhum efeito deletério nos animais e nos seres humanos (Shode & Ekeke, 1985; Akinsulie et al., 2005). Porém, Torres et al. (2004) indicam que os polipeptídios do feijão guandu podem ter efeito alergênico ocasionando rinite e asma em pessoas susceptíveis.

No Brasil, há relato do uso do extrato de C.cajan juntamente com Acanthospermum hispidum para induzir o aborto. Lemonica & Alvarenga (1994) testaram a infusão destas ervas na proporção (1: 1.3 respectivamente) em diferentes doses em ratas grávidas e, concluíram que houve má formações externas, que foram doses dependentes, e internas, que se caracterizavam por anomalias viscerais em fetos a termo.

Não foram encontrados estudos com seres humanos que demonstraram ser segura a oferta de C. cajan em mulheres grávidas. Apesar disso, os possíveis efeitos colaterais decorrentes dos efeitos tóxicos do feijão devem ser melhor estudados.

DISCUSSÃO

Os estudos apresentados nesta revisão demonstram a ação do feijão guandu na reversão da falcização e na promoção da estabilidade das hemácias com HbSS. Os resultados observados revelam a necessidade de elucidar melhor os mecanismos bioquímicos de como o feijão age na hemácia falciforme.

Na Nigéria o extrato aquoso da semente de C. Cajan tem sido formulado e administrado para pacientes com DF com melhora na frequência de crises álgicas (Onah et al., 2002; Ameh et al., 2012; Imaga, 2013). No Brasil, não há existência de pesquisas que avaliem o uso do feijão guandu nos pacientes com DF.

A fenilalanina foi apontada como o princípio ativo mais estudado que atuaria na reversão de hemácias falcizadas. Teixeira et al. (1985) estudaram o cultivar Kaki e observaram que o percentual de fenilalanina no tipo creme e alaranjado correspondia em média entre 11,53% na fração protéica e 2,66 % na matéria seca.

Outras leguminosas com quantidade importante de fenilalanina devem também ser investigadas como potenciais agentes de antifalcização. A Tabela 3 mostra o conteúdo de fenilalanina em várias leguminosas e suas respectivas medidas caseiras. Observa-se que o feijão guandu só perde em maior conteúdo de fenilalanina para a soja.

TABELA 3 Conteúdo de fenilalanina em algumas leguminosas. 

Leguminosas Fenilalanina (mg /100g do alimento) Medida Caseira
Soja (Glycine max) 2.055 2 ⅓ colheres de servirΔ
Feijão Guandu (Cajanus cajan (L.) Millsp) 1.727 ⅔ xícara de chá&
Lentilha (Lens culinaris L.) 1.266 1 concha média rasa*
Feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) 1.154 1 concha média *
Grão-de-bico (Cicer arietinum L.) 1.151 5 colheres (sopa) cheias *
Ervilha (Pisum sativum) 1.033 6 colheres(sopa) cheias §

Portanto, a inclusão desta leguminosa na alimentação seria importante dada à quantidade expressiva de fenilalanina. De acordo com Canniatti-Brazaca et al. (1996), os cultivares L04, L12 e L36 provavelmente possuiriam melhor introdução à alimentação humana, pois exibem produção elevada com curto período para a maturação dos grãos, menor tempo de cocção (próximo ao do feijão comum Phaseolus vulgaris) e maior conteúdo protéico. Os resultados observados revelam a necessidade de elucidar melhor os mecanismos bioquímicos de como o feijão age na hemácia falciforme.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi demonstrado em alguns estudos que a fenilalanina isolada tem menor efeito do que quando associada ao ácido p-hidroxibenzóico.

O sinergismo entre o ácido p-hidroxibenzóico e fenilalanina pode estar relacionado a redução da atividade de GST, devido a diminuição da concentração espécies reativas de oxigênio nas hemácias falciformes que consequentemente ajudam na inibição da falcização.

No entanto, estudos bioquímicos e fitoquímicos são necessários para identificar outros compostos responsáveis e os mecanismos pelos quais o extrato da semente de guandu modifica o sistema metabólico e enzimático das hemácias nos pacientes com DF.

O estudo aprofundado do papel específico de C. cajan pode trazer benefícios ao prognóstico das pessoas com DF e, portanto, deve ser considerado.

AGRADECIMENTOS

Aos Professores Doutores Beatriz Vicente e Geraldo Castelar Pinheiro da Pós-Graduação em Ciências Médicas (PGCM/FCM/UERJ).

Ao Ministério da Saúde na pessoa da Doutora Joice de Jesus Aragão e do Doutor Paulo Ivo Cortez de Araújo.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 20 de Outubro de 2014; Aceito: 17 de Abril de 2015

*Autor para correspondência: karensouz@gmail.com

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