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Revista Brasileira de Plantas Medicinais

Print version ISSN 1516-0572On-line version ISSN 1983-084X

Rev. bras. plantas med. vol.18 no.2 supl.1 Botucatu  2016

http://dx.doi.org/10.1590/1983-084x/15_192 

ARTICLES

Óleos essenciais e vegetais no controle in vitro de Colletotrichum gloeosporioides

Essential and vegetal oils in the in vitro control of Colletotrichum gloeosporioides

K. RAMOS1 

R. ANDREANI JUNIOR1 

D.I. KOZUSNY- ANDREANI1  * 

1Universidade Camilo Castelo Branco, Departamento de Pós Graduação Strictu Sensu em Ciências Ambientais, Estrada Projetada F-1, s/n. Fazenda Santa Rita - Fernandópolis-SP CEP: 15600-000.

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade antifúngica de óleos essenciais e vegetais no controle in vitro de Colletotrichum gloeosporioides, agente causal da antracnose em pós-colheita de frutíferas. Treze óleos essenciais foram utilizados em concentrações de 0,00%, 0,40%, 0,80%, 1,70%, 3,20%, 6,25%, 12,50%, 25,00%, 50,00% e 100,00%, e uma linhagem padrão de Colletotrichum gloeosporioides. Foram avaliadas a concentração inibitória mínima e a concentração mínima fungicida a fim de caracterizar o potencial de cada um dos óleos essenciais avaliados. Verificou-se que os óleos utilizados apresentaram atividade fungicida em diferentes concentrações, as quais variaram de 0,80% (melaleuca), 3,20%, (eucalipto), 6,25% (limão, capim limão, cravo da índia, canela e nim), 12,5% (hortelã e citronela), 25% (copaíba), 50% (coco e gengibre) e 100% (manjericão). O óleo de nim apresentou maior redução da carga microbiana em função do tempo de exposição, sendo necessários 30 minutos para anulação da contagem microbiana. O efeito antifúngico dos óleos essenciais, para controle de Colletotrichum gloeosporioides, depende da planta e da concentração empregada.

Palavras-chave antracnose; frutíferas; antifúngicos; plantas medicinais

ABSTRACT

This study aimed to evaluate the antifungal effect of essential and vegetal oils in the in vitro control of Colletotrichum gloeosporioides, a causal agent of anthracnose in fruit postharvest. Thirteen essential oils were used at concentrations of 0.00%, 0.40%, 0.80%, 1.70%, 3.20%, 6.25%, 12.50%, 25.00%, 50.00%, and 100.00%, and also a standard strain of Colletotrichum gloeosporioides, The minimum inhibitory concentration and minimum fungicidal concentration were assessed to characterize the potential of each of the essential oils tested. We found that used oils showed fungicidal activity at different concentrations, which varied in 0.80% (Melaleuca alternifólia), 3.20%, (Eucalyptus globulus), 6.25% (Citrus limonium, Cymbopogon citratus, Syzygium aromaticum, Cinnamomum zeylanicum, and Azadirachta indica), 12.5% (Mentha piperita and Cymbopogon winterianus), 25% (Copaifera langsdorfii), 50% (Cocos nucifera and Zingiber officinale), and 100% (Ocimum basilicum). The Azadirachta indica oil showed greater reduction of microbial load because of the exposure time, and took 30 minutes for annulment of microbial count. The antifungal effect of essential oils to control Colletotrichum gloeosporioides depends on the plant and quantity of concentration.

Keywords anthracnose; fruit plants; antifungal; medicinal plants

INTRODUÇÃO

A principal preocupação dos agricultores na produção de frutas está relacionada com a manifestação de doenças na fase de pós-colheita, entre elas, a antracnose, que é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides Penz. (Silva et al., 2009).

A antracnose é a doença de pós-colheita de maior ocorrência nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, podendo atingir frutas como o mamão (Carica papaya L.), a manga (Mangifera indica L.), a banana (Musa spp.), o caju (Anacardium occidentale L.), o maracujá (Passiflora edulis Sims) (Lima Filho et al., 2003) e a goiaba (Psidium guajava L.), entre outras (Silva et al., 2006). As perdas de pós-colheita em frutos, antes de chegarem à mesa do consumidor, em muitos casos são superiores a 50%, e os que chegam, nem sempre apresentam a qualidade desejada (Tavares, 2004).

O controle químico com fungicidas aplicado como medida isolada, não atua de forma satisfatória na redução das perdas provocadas pela antracnose (Peruch et al., 2009), além do fato de que o uso contínuo e intensivo de fungicidas interrompe o controle biológico natural, uma vez que organismos não alvo podem ser afetados, ocasionando ainda, problemas ambientais (Soylu et al., 2010), e o surgimento de patógenos resistentes, ocasionando surtos de doenças (Lee et al., 2008). Estes problemas a saúde humana e ao meio ambiente causados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos tem levado a uma busca por produtos e tecnologias alternativas de controle que seja capaz de reduzir o uso desses compostos químicos na produção de alimentos (Silva et al., 2010).

Entre os meios alternativos que podem ser adotados por produtores de frutíferas, a busca de plantas dotadas de compostos capazes de substituir os atuais produtos químicos é uma alternativa bastante promissora de grande importância econômica e ecológica. A natureza pode apresentar uma variedade de plantas que podem ser resistentes a diversos patógenos, incluindo substâncias com características fungicidas (Venturoso et al., 2010). Estudos realizados com óleos essenciais e extratos aquosos obtidos de espécies vegetais apresentam-se eficazes, no controle de doenças pós-colheita como a antracnose em frutíferas, devido à ação fungitóxica. Dentre estas espécies se encontram o eucalipto (Eucalyptus citriodora Hooker M.) (Venturoso et al., 2010), a andiroba (Carapa guianensis Aubl.), o coco (Cocos nucifera L.), as sementes de uva (Vitis vinifera L.), a amêndoa (Prunus amygdalus Batsch), o hortelã (Mentha sp.) (Sousa et al., 2012), o capim-limão (Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf.), a menta (Mentha piperita L.) (Carnelossi et al., 2009; Sarmento-Brum et al., 2014; Bhuyan, et al., 2015), e o cravo da índia (Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L. M. Perry) (Silva et al., 2014).

Sendo a antracnose uma das doenças fúngicas de pós-colheita mais importantes, os extratos de plantas e os óleos essencias e vegetais podem ser considerados fungicidas potenciais para o seu controle. A inibição do crescimento dos fungos fitopatogênicos, por estes antimicrobianos naturais é devido às substâncias bioativas encontradas em plantas (Chiejina & Ukeh, 2012, Silva et al., 2014). Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito inibitório de óleos essenciais e vegetais no controle in vitro de Colletotrichum gloeosporioides. Para tal finalidade foram determinandas as concentrações inibitórias mínimas (CIM), as concentrações fungicidas mínimas (CFM) e a sobrevivência do fungo na presença dos óleos em função do tempo.

MATERIAL E MÉTODO

O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia, da Universidade Camilo Castelo Branco (UNICASTELO), localizado na cidade de Fernandópolis, localizada no Noroeste de São Paulo, no período de janeiro a julho de 2014.

Os tratamentos constaram do uso de dez óleos essências sendo eles, o nim (Azadirachta indica A. Juss-Família Meliaceae), o cravo da índia (Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L. M. Perry-Família Myrtaceae), a hortelã pimenta (Mentha piperita L.-Família Lamiaceae), a melaleuca (Melaleuca alternifolia Cheel-Família Myrtaceae), o limão (Citrus limonium L.-Família Rutaceae), o copaíba (Copaifera langsdorfii Desf.-Familia Fabaceae), o eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.-Família Myrtaceae), o gengibre (Zingiber officinale Roscoe-Família Zingiberaceae), o manjericão (Ocimum basilicum L.-Família Lamiaceae), o capim limão (Cymbopogon citratus (DC) Stapf.-Família Poaceae), a canela (Cinnamomum zeylanicum Breyn.-Família Lauraceae), a citronela (Cymbopogon winterianus Jowitt-Família Poaceae), e de três óleos vegetais: o nim (Azadirachta indica A. Juss-Família Meliaceae), o copaíba (Copaifera langsdorfii Desf.- Familia Fabaceae), e o coco (Cocos nucifera L.-Familia Arecaceae), em concentrações que variaram de 0,00 a 100,00%, sendo elas: 0,40%, 0,80%, 1,70%, 3,20%, 6,25%, 12,50%, 25,00%, 50,00% 100,00% e o controle negativo (Ogbebor et al., 2007). A atividade antifúngica foi avaliada pelo método de microdiluição em placa de 96 poços, seguindo os protocolos do Clinical Laboratory Standard Institute (CLSI, 2008).

Os óleos essenciais e os óleos vegetais foram adquiridos em comércios especializados. Todos os óleos essenciais e os vegetais de coco e de copaíba foram da BioEssência® (Anvisa MS 2.048.81.6); e óleo nim marca Base Nim® (Anvisa 3.4191.0002.001-4).

Foi utilizada uma linhagem padrão de Colletotrichum gloeosporioides, (Glomerella cingulata, (Stoneman.) Spauld. & v. Schrenk, CCT 5177, adquirida na Fundação André Tosello, Campinas-SP). Para o preparo do inóculo, culturas de sete dias em meio ágar batata dextrose (BDA, Himedia®) foram transferidas para meio triptecaseina broth (Oxoid®) e incubadas a 37ºC por sete dias, quando se procedeu a centrifugação (4000 rpm) por cinco minutos. Em seguida o sobrenadante foi desprezado e o material precipitado ressuspendido em solução estéril de NaCl (0,5%) e novamente submetido a centrifugação. Este procedimento foi repetido cinco vezes com a finalidade de retirar os componentes do meio de cultura.

A concentração inibitória mínima (CIM) dos óleos essenciais foi determinada seguindo os protocolos do CLSI (2008), utilizando-se o método de microdiluição em placas. Após incubação a 37ºC por cinco dias a CIM foi avaliada, sendo que a presença de células fúngicas viáveis nas concentrações não inibitórias foi determinada pela adição, em cada amostra, do corante 2,3,5 -Triphenyltetrazolium Chloride , no volume de 50 µL. Isto tornou possível distinguir as amostras vivas, coloridas de vermelho, daquelas mortas que mantiveram a sua cor. A concentração inibitória mínima foi considerada como a menor concentração de óleo essencial capaz de inibir o desenvolvimento fúngico (Sylvester, 2011).

A concentração fungicida mínima (CFM) foi determinada após a obtenção dos resultados da concentração inibitória mínima. As placas de microdiluição contendo poços com crescimentos visíveis ou não, foram agitados vigorosamente com o auxilio do micropipetador, e em seguida 100µL da solução de cada poço foram transferidos para placas de Petri contendo meio agar batata dextrose e incubados a 37oC por sete dias, sendo que a avalição foi periódica. Designou-se como concentração fungicida mínima a concentração mínima em que não ocorreu crescimento fúngico (Favre et al., 2003).

Uma vez determinada a concentração inibitória mínima e a concentração fungicida mínima, as mesmas foram utilizadas para avaliar o crescimento fúngico na presença dos óleos em função do tempo, determinando-se curva de sobrevivência de acordo com a metodologia descrita por Sforcin et al. (2000). Os ensaios foram desenvolvidos em quadruplicata.

Para a avaliação do tempo necessário para reduzir a carga microbiana para valores nulos, as contagens microbianas, realizadas a cada dez minutos, foram analisadas de acordo com suas respectivas variações percentuais em cada período avaliado. O período referente à análise da contagem microbiana foi de 0 a 100 minutos. A variação percentual da contagem microbiana consistiu da seguinte relação:

Essa relação foi empregada para todos os tempos avaliados, até o tempo máximo de 100 minutos. De acordo com a expressão acima, variações negativas resultam em diminuição na contagem microbiana e variações positivas em aumento da contagem microbiana ao longo do tempo avaliado.

A avaliação da contagem microbiana ao longo do tempo de exposição do fungo ao óleo essencial foi avaliada pela abordagem da variação da contagem microbiana percentual, a fim de observar as variações da contagem microbiana ao longo do tempo estudado.

Os dados foram avaliados por meio do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis com teste de comparação múltipla de Dunn post-hoc quando p<0,05. O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 0,05.

RESULTADO E DISCUSSÃO

O fungo Colletotrichum gloeosporioides apresentou-se sensível aos óleos essenciais e vegetais utilizados no presente estudo, onde foi possível determinar as concentrações fungicidas mínimas para cada um deles. Os óleos utilizados apresentaram atividade fungicida em diferentes concentrações, as quais variaram de 0,80% (melaleuca), 3,20%, (eucalipto), 6,25% (limão, capim limão, cravo da índia, canela e nim), 12,5% (hortelã e citronela), 25% (copaíba), 50% (coco e gengibre) e 100% (manjericão) (Tabela 1).

TABELA 1 Efeito inibitório de diferentes concentrações de óleos essenciais e vegetais sobre Colletotrichum gloeosporioides. 

Óleos Controle negativo 0,4% 0,8% 1,7% 3,2% 6,25% 12,5% 25% 50% 100% CIM CFM
Hortelã 1,0.106* 1,0.104 1,3.102 1,2.102 9,6.101 2,7.101 0 0 0 0 6,25% 12,5%
Melaleuca 1,0.106 7,3.103 0 0 0 0 0 0 0 0 0,8% 0,8%
Limão 1,0.106 5,4.103 3,2.102 9,2.101 5,0.101 0 0 0 0 0 3,2% 6,25%
Copaíba 1,0.106 6,3.104 1,1.104 2,1.103 8,3.102 5,0.101 1,7.101 0 0 0 25% 25%
Eucalipto 1,0.106 9,0.103 1,8.103 4,6.101 0 0 0 0 0 0 1,7% 3,2%
Gengibre 1,0.106 3,5.105 5,7.104 7,6.103 1,8.103 9,0.102 1,4.102 5,0.101 0 0 50% 50%
Manjericão 1,0.106 8,3.105 2,3.104 5,6.104 9,4.103 1,2.103 9,5.102 1,2.102 4,3.101 0 100% 100%
Coco 1,0.106 5,0.104 1,8.104 1,6.104 1,2.103 8,1.102 5,0.101 4,0.101 0 0 25% 50%
Capim limão 1,0.106 8,8.104 1,8.103 6,1.102 8,7.101 0 0 0 0 0 3,2% 6,25%
Cravo 1,1.106 2,3.105 1,7.104 2,0.102 8,7.101 0 0 0 0 0 6,25% 6,25%
Canela 1,0.106 1,6.104 1,5.103 1,9.102 6,7.101 0 0 0 0 0 3,2% 6,25%
Citronela 1,0.106 3,6.104 3,2.103 8,8.102 2,6.101 4,0.101 0 0 0 0 6,25% 12,5%
Nim 1,1.106 4,3.104v 1,4.104 1,1.103 2,9.101 0 0 0 0 0 3,2% 6,25%

*Valores médios da contagem microbiana. CIM: concentração inibitória mínima. CFM: Concentração fungicida mínima

De acordo com os resultados da Tabela 2 observa-se que houve diferenças significativas entre as médias das variações percentuais da contagem microbiana (p<0,001) proporcionada pelos óleos essenciais e vegetais. O teste de comparação múltipla forneceu dados que pressupõem maior eficácia dos óleos de melaleuca (-99,2%), copaíba (-99,4%), capim limão (-98,7%) e nim (-99,9%), sendo que os mesmos apresentaram maiores reduções da contagem microbiana (Tabela 2). Os compostos bioativos desses óleos foram mais eficazes, sendo que para melaleuca, copaíba e capim limão foram necessários 40 minutos de exposição para eliminar a carga microbiana, enquanto que para o óleo de nim foram necessários somente 30 minutos de exposição para obter o mesmo efeito (Figura 1).

TABELA 2 Variação percentual da contagem microbiana em relação aos óleos essenciais e vegetais avaliados. 

Óleos N* Média±DP Mediana (Md)2 Valor p1
Hortelã 27 -60,4±50,4 -71,2b
Melaleuca 12 -98,3±2,1 -99,2a
Limão 21 -89,3±6,0 -88,4ab
Copaíba 12 -95,7±7,1 -99,4a
Eucalipto 21 -87,5±12,2 -92,0ab
Gengibre 21 -82,7±22,9 -90,0ab
Manjericão 15 -84,0±30,9 -97,0ab <0,001
Coco 18 -87,4±15,7 -94,5ab
Capim limão 12 -98,5±1,2 -98,7a
Cravo da índia 30 -47,0±72,4 -77,8b
Canela 18 -91,0±6,4 -92,0ab
Citronela 9 -96,0±5,8 -99,8ab
Nim 9 -99,3±0,9 -99,9a

1Valor p referente ao teste de Kruskal-Wallis a P<0,05.

2Letras diferentes na mesma coluna diferem-se de forma significativa pelo Teste de Dunn a P<0,05.

*N: número de repetições referentes às análises realizadas

FIGURA 1 Comportamento da variação percentual da contagem microbiana em relação aos óleos essenciais e vegetais mais eficazes. 

Martinez, (2002), constatou que óleo de sementes de nim tem uma maior eficiência devido à presença da azadiractina nas sementes em relação ao extrato de folhas. Silva et al. (2011), constataram que a utilização do óleo de nim, na concentração de 200 μg/mL de ingrediente ativo azadiractina, inibia o crescimento micelial em 60% e em 53,8% da germinação de conídios do patógeno Colletotrichum gloeosporioides isolado de folhas de seringueira. Solino et al. (2012), constataram que os óleos de nim, soja, copaíba e de jatobá apresentaram atividade fungicida in vitro sobre a antracnose, sendo que os óleos de soja e de nim reduziram em maior grau a gravidade da doença. Entretanto, assim como no presente estudo, outros autores também verificaram que o óleo de copaíba (Copaifera langsdorfii Desf.) é eficiente no controle de alguns fungos. A atividade antifúngica do óleo de copaíba está relacionada à presença de substâncias químicas biologicamente ativas, entre elas os diterpenos como o ácido copálico e os sesquiterpenos como o beta-bisaboleno e o beta-cariofileno (Pieri et al., 2009). Oliveira et al. (2006), relataram que de uma maneira geral as espécies do gênero Copaifera, podem ser utilizadas no controle de espécies fúngicas in vitro. Estudos realizados por Solino et al. (2012) constataram que com apenas 0,25 mL.L-1, o óleo resina de copaíba apresenta redução da antracnose in vivo no maracujazeiro amarelo, e que aumenta em quatro dias a mais a vida útil dos frutos, chegando em até doze dias quando tratados pelo óleo resina de copaíba no controle de perda de massa em maracujazeiro.

Existem poucos relatos na literatura sobre pesquisas realizadas para o controle de micro-organismos fitopatogênicos com óleo de melaleuca e, as poucas pesquisas disponíveis se aplicam ao controle de doenças humanas e de outros animais (Martins et al., 2010). Hammer et al. (2004), relataram que o óleo de Melaleuca alternifolia apresenta atividade fungiostática e fungicida em dermatófitos e fungos filamentosos. Martins et al. (2010), verificaram que o óleo de Melaleuca arternifolia em concentrações a partir de 0,2% incorporado ao meio de cultura, reduziu o crescimento micelial dos fungos Macrophomina phaseolina, Sclerotinia sclerotiorum e Alternaria alternata. Barbosa et al. (2015) observaram atividade fungicida do óleo de melaleuca sobre Colletotrichum musae nas concentrações de 50, 75, 100 e 125 µl/L, enquanto que Marinelli et al. (2012) verificaram inibição total do crescimento de Colletotrichum gloeosporioides na concentração de 0,46%. Estes resultados corroboram com os obtidos na presente pesquisa, na qual o óleo de melaleuca apresentou atividade antifúngica na concentração de 0,8%, sendo necessários 40 minutos de exposição para eliminar a carga microbiana (Tabela 2, Figura 1). Os principais componentes do óleo de melaleuca são o terpinen-4-ol que apresenta atividade antimicrobiana e o 1,8-cineol, que possui propriedades irritantes à pele (Castelo et al., 2013). Considerando que o óleo utilizado nesta pesquisa continha terpinen-4-ol como componente principal (42%), explicaria a eficácia apresentada no controle de C. gloeosporioides.

Para Colletotrichum gloeosporioides, resultados semelhantes aos da presente pesquisa, foram obtidos por Carnelossi et al. (2009) e Silva et al. (2009), utilizando 10 µL e 100 µL, respectivamente, do óleo essencial de capim-limão (Cymbopogon citratus,), que constataram a inibição total do desenvolvimento do patógeno C. gloeosporioides.Guimarães et al. (2011), observaram uma alta fungitoxicidade do óleo essencial de capim-limão (75,83 µg/mL) e do citral (58,24 μg/mL), o seu componente principal, sobre os fungos fitopatogênicos Alternaria alternata, Colletotrichum gloeosporioides, Fusarium oxysporum cubense e Bipolaris sp. Rozwalka et al. (2008), observaram atividade antifúngica sobre o desenvolvimento micelial de C. gloeosporioides utilizando 10 µL do óleo essencial de capim-limão.

No presente trabalho o óleo essencial de Cymbopogon winterianus (citronela) apresentou atividade antifúngica sobre Colletotrichum gloeosporioides. Isso se deve a ação fungicida, repelente e bactericida da planta, pelo seu alto teor de geraniol e citronelal (Castro et al., 2007). Os resultados evidenciados neste estudo demonstram que o óleo essencial de manjericão apresentou redução efetiva da contagem microbiana (-97,0, Tabela 2) sobre o fungo Colletotrichum gloeosporioides, no entanto a concentração fungicida mínima foi de 100%, o qual inviabilizaria a sua utilização no controle in vivo deste fitopatógeno, devido à necessidade de grandes volumes a serem empregados, o que implicaria em um elevado custo.

Schwan-Estrada et al. (2000), relataram em seus estudos in vitro que o extrato bruto e o óleo essencial de manjerona apresentaram inibição de crescimento micelial e esporulação de diversos fungos fitopatogênicos devido ao seu potencial antifúngico. Avaliando a ação in vitro do extrato de casca de canela sobre o crescimento micelial de Cladosporium cladosporioides e Colletotrichum lindemunthianum,Venturoso et al. (2011), descreveram a eficácia dos extratos de bulbos de alho, casca de canela e botão floral do cravo-da-índia e suas atividades antifúngicas em testes in vitro, realizados sobre Cercospora kikuchii, Fusarium solani, Colletotrichum sp. e Phomopsis sp.

FIGURA 2 Comportamento da variação percentual da contagem microbiana em relação aos óleos essenciais e vegetais menos eficazes. 

Barrera-Necha et .al. (2008), utilizando óleo essencial de Eucalyptus globulus, nas concentrações de 100, 150, 200, 250 e 300 µg/mL, verificaram que após dez dias de incubação não houve inibição na germinação de conídios de Colletotrichum gloeosporioides, e atribuíram a falta de atividade antifúngica à volatilidade dos princípios ativos do óleo. Na presente pesquisa foi verificada atividade antifúngica do óleo de E. globulus com CIM de 1,70%, CFM 3,20% e reduções da contagem microbiana de -92% (Tabelas 1 e 2).

Estudos utilizando extratos de gengibre (Zingiber officinale) evidenciaram efeito inibitório sobre o crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides, indicando o potencial desses extratos no controle da antracnose em frutos de goiabeira (Rozwalka et al., 2008). Asgar et et al.(2016), avaliaram a eficácia do óleo de gengibre (2,0%) e extrato (1,5%) combinado com a goma arábica(10,0%) no controle da antracnose e na qualidade de frutos de mamão durante o armazenamento refrigerado. Os autores observaram que o óleo de gengibre combinado com a goma arábica inibiu a germinação dos conídios de C. gloeosporioides (93%), e afirmam que estes resultados demonstraram a eficácia deste biofungicida para o controle da antracnose na pós-colheita do mamão. Marinelli et al. (2012), avaliaram a atividade antifúngica in vitro do óleo de gengibre e verificaram 100% de inibição do crescimento micelial de C. gloeosporioides quando utilizaram o óleo em uma concentração de 0,05%. Segundo estes autores para considerar a possibilidade de uso de um óleo como biofuncigida a concentração do mesmo deve ser baixa. De acordo com os resultados obtidos na presente pesquisa, CIM e CFM 50%, (Tabela 1), inviabilizariam o seu emprego no controle da antracnose.

Os óleos essenciais de hortelã (-71,2%) e cravo da índia (-77,8%) foram os que apresentaram menor variação percentual, pressupondo que o micro-organismo resistiu por mais tempo à ação dos compostos bioativos componentes desses óleos (Tabela 2). Tal resultado foi comprovado pelo tempo que os mesmos necessitaram para anular a carga microbiana, sendo de 90 minutos para o óleo de hortelã e de 100 minutos para o cravo (Figura 2).

Resultados semelhantes foram observados por Santana et al. (2010), que relataram que utilizando diferentes concentrações do extrato de Syzygium aromaticum (cravo da índia), observaram inibição de apenas 15,1% do crescimento micelial de C. gloeosporiodes. Pesquisas obtendo resultados diferentes foram relatados por Venturoso et al. (2011), que ao utilizarem o extrato de cravo-da-índia (20%), e Barbosa et al. (2015) ao usar o óleo essencial (50 µL/L), não observaram crescimento do fungo C. gloeosporioides. Ranashinge et al. (2002), constataram que o óleo de cravo apresentou ação antifúngica contra os fungos Lasiodiplodia theobromae, Colletotrichium musae e Fusarium proliferatum, isolados de banana. O óleo de Mentha piperita apresentou atividade antifúngica moderada sobre Colletotrichum gloeosporioidesem, em estudo realizado por Barrera-Necha et al. (2008).

Pelos resultados obtidos observou-se que é possível utilizar óleos essenciais para o controle de Colletotrichum gloeosporioides sendo que o efeito antifúngico dos óleos essenciais estudados, sobre este fungo, depende da planta e da concentração empregada. Todos os óleos essências e vegetais apresentaram atividade antifúngica sobre C. gloeosporioides, no entanto para o óleo de Melaleuca alternifolia a concentração inibitória mínima (CIM) e a concentração fungicida mínima (CFM) de 0,8%, constata a sua ação fungicida. O óleo de Azadirachta indica apresentou maior redução da carga microbiana em função do tempo de exposição, sendo necessários 30 minutos para anulação da contagem microbiana de Colletotrichum gloeosporioides.

REFERÊNCIAS

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Received: October 06, 2015; Accepted: August 22, 2016

*Autor para correspondência: doraines@terra.com.br

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