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Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica

versão impressa ISSN 1516-1498versão On-line ISSN 1809-4414

Ágora (Rio J.) v.5 n.1 Rio de Janeiro jan./jun. 2002

https://doi.org/10.1590/S1516-14982002000100014 

DISSERTAÇÕES E TESES

 

Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado/2001

 

 

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Instituto de Psicologia
Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica

 

 

DISSERTAÇÕES

Título: Sujeito e trabalho: uma leitura psicanalítica da escolha profissional
Autora: Rita de Cássia Fagundes Gonzales
Orientadora: Regina Herzog
Data da defesa: janeiro/2001

Pretende-se investigar as dimensões psíquicas envolvidas no processo de escolha profissional e nas relações do sujeito com o trabalho. A partir da elaboração freudiana, considera-se como intrincados no processo, de um lado, os fatores históricos, sociais e culturais que interferem na relação sujeito-trabalho e, por outro, os mecanismos psíquicos que permitem ao sujeito posicionar-se subjetivamente diante do mundo do trabalho.

Para desenvolver o tema parte-se do pressuposto de que a escolha profissional passa pela possibilidade de o sujeito apropriar-se do desejo que lhe concerne, e se desdobra no resgate de duas categorias através das quais o termo "trabalho" se faz presente na obra freudiana. Primeiro, o "trabalho profissional", apontado, simultaneamente, como coercitivo e como importante fator de inserção do sujeito na realidade. Segundo, o "trabalho psíquico", entendido como destino do sujeito na inscrição das intensidades pulsionais. Como via privilegiada do trabalho psíquico, aponta-se a sublimação. Através deste mecanismo, tanto os trabalhos ditos comuns quanto os artísticos e intelectuais podem funcionar como meios psíquicos de dar destinos à pulsionalidade.

Propõe-se que a formalização teórica dos impasses e questionamentos em torno da relação sujeito-trabalho pode dar subsídios para a escuta psicanalítica oferecida nas atividades de orientação profissional.

 

Título: Psicanálise e velhice: uma relação possível?
Autora: Kátia Jane Chaves Bernardo
Orientadora: Regina Herzog
Data da defesa: janeiro/2001

O crescimento demográfico da população idosa no mundo é uma realidade incontestável. Apesar disso, o aumento demográfico desse segmento populacional não é um indicador social da melhoria da qualidade de vida e bem-estar social nas sociedades de classe em geral e, no Brasil, em particular.

O que se observa é uma situação paradoxal, pois se de um lado as sociedades criam meios de prolongar a vida humana num plano biológico, de outro tendem a limitar, desestimular ou mesmo impedir a participação dos idosos na sociedade à medida que se desenvolvem atitudes de preconceitos e discriminação.

Vários são os serviços voltados para os idosos, porém observa-se que estes serviços estão mais preocupados em ocupar o seu tempo livre, do que em atentar para a sua subjetividade e para sua dinâmica psíquica, aspectos fundamentais para uma compreensão do processo de envelhecimento.

Objetiva-se buscar uma leitura metapsicológica dos processos psíquicos que afetam o sujeito durante a velhice e investigar as possibilidades do tratamento psicanalítico voltado para o idoso, apesar das resistências apresentadas pela psicanálise, e por seu próprio fundador.

Propõe-se contextualizar, num primeiro momento, a velhice e o envelhecimento de um ponto de vista demográfico, econômico e sociopolítico para, em seguida, trabalhar o tema conceitualmente, a partir do referencial psicanalítico.

 

Título: Olhos para não ver: sobre o olhar em psicanálise
Autora: Luana Ruff do Vale
Orientadora: Anna Carolina Lo Bianco Clementino
Data da defesa: fevereiro/2001

Partindo de um questionamento clínico — por que alguns pacientes têm dificuldade de deitar no divã? —, nosso objetivo foi realizar um estudo sobre o olhar em psicanálise.

Este conceito é abordado por Lacan quando ele tece considerações a respeito da função do quadro, do campo escópico e da distinção entre a visão e aquilo que é da dimensão do invisível — o olhar. Tomando esta distinção entre ver e olhar, afirmamos que o deitar promove a exclusão, no setting analítico, da dimensão do ver e o surgimento de uma outra ordem: o olhar como objeto a.

Estuda-se, então, primeiramente o objeto a, noção lacaniana que permite a aproximação do nosso tema desta pesquisa. O objeto a é o objeto que está em jogo na pulsão, é o vazio que a pulsão desenha na sua busca por satisfação. Esse vazio indica que não há nenhum objeto que satisfaça totalmente o sujeito. Sendo um vazio, vários são os objetos que podem ocupar o lugar de a, e o olhar é um deles.

Assim, examinam-se algumas considerações de Lacan acerca do objeto a, para entender o que vem a ser o olhar e como ele aparece na clínica. Esta dissertação também se valeu de textos de Freud como fundamento para o estudo das idéias introduzidas por Lacan e demonstrou que certos pontos da obra de Freud já abordam temas relativos ao olhar, mesmo que este autor não o conceba como um objeto. As conclusões do trabalho detiveram-se na articulação desta noção teórica — o olhar — com este que é um momento singular de toda análise — o deitar no divã.

 

Título: Uma função para a angústia
Autora: Kelly Batalha Siqueira
Orientadora: Angélica Bastos
Data da defesa: fevereiro/2001

Pretende-se circunscrever uma função para a angústia na clínica psicanalítica, partindo-se da formulação freudiana do sinal de angústia até as contribuições de J. Lacan que situam esse afeto no campo das relações do sujeito como desejo do Outro. Para precisar essa função, aborda-se o estatuto da angústia na teorização freudiana, sua ligação com a possibilidade de realização do desejo inconsciente no sonho, passando pela questão da fantasia e pela relação da angústia com o desejo do Outro.

A partir do entendimento de que esse afeto é o último termo em que o sujeito se ancora no desejo do Outro, no sentido de ter como questão esse desejo, busca-se situar seu manejo na análise não como uma contingência, mas como determinante na possibilidade de enunciação do desejo. Dado que a angústia, por si só, não conduz o sujeito a se acercar das determinações do desejo (podendo, inclusive, paralisá-lo), sustenta-se que é o desejo do analista que faz a angústia ter uma função.

A partir da incidência do desejo do analista na temporalidade que a experiência da angústia instaura (em sua dimensão de Erwartung) é aberta ao sujeito a possibilidade de antecipar-se como desejante. Nisto reside a razão do manejo da angústia numa análise e a possibilidade de esse afeto cumprir uma função no que concerne à questão do desejo, aspectos indissociáveis da operação do desejo do analista.

 

Título: O corpo em questão na psicose
Autora: Verbena Silva Dias
Orientadora: Ana Beatriz Freire
Data da defesa: março/2001

Parte-se da clínica da psicose e, desse campo, recorta-se a questão da constituição do corpo.

Tomou-se como eixo teórico a psicanálise, fundamentalmente os escritos de S. Freud. Este percurso levou-nos a delimitar o corpo como uma construção psíquica, fundamentada na pulsão e, portanto, na sexualidade. Situa-se o corpo erótico, aquele que interessa à psicanálise, como uma construção da linguagem por onde os sujeitos são significados em sua diferença.

Em seguida, aborda-se em Freud os operadores que permitem que um corpo seja reconhecido como seu, e como chega a ser identificado como masculino ou feminino em sua forma, desejo e função.

Tratamos esta problemática na psicose, em que o discurso e as vivências desses indivíduos refletem uma particularidade: a certeza de que seu corpo pode ser alterado a qualquer momento, por intervenção de um outro dominador, estando o sujeito à mercê dessas imposições atormentadoras.

Nesta perspectiva, estabelecemos os diferenciais com a psicose, visando a sua especificidade e os mecanismos que nos permitem situar a oscilação na imagem do corpo e a certeza deste poder tomar uma forma indesejada.

Seguimos os caminhos traçados por Freud e Lacan, que indicam a estruturação desse diferencial na psicose, assim como o atalho por onde um sujeito pode localizar-se de um modo muito particular em relação à diferença dos sexos e à imagem de si.

 

Título: Maternidade, desejo e gravidez na adolescência
Autora: Eliane Maria Vasconcelos do Nascimento
Orientadora: Maria Teresa Pinheiro
Data da defesa: abril/2001

Aborda-se a questão da maternidade num enfoque da psicanálise, tomando como viés a gravidez na adolescência e a posição desiderativa da jovem frente à gestação. O discurso da gestante nos aponta a relação que a adolescente estabelece com seu corpo como imagem identificatória, as mudanças que se operam neste período e seus efeitos na relação com a sua imagem corporal.

O desenvolvimento do trabalho aponta as relações entre adolescência e narcisismo — nos aspectos do incremento do pensamento mágico e da onipotência de idéias nesta fase, bem como nas dificuldades dos jovens, constatadas em diversas pesquisas, do uso de contraceptivos, pela crença de que uma gravidez não aconteceria. As questões teóricas implícitas na pesquisa estão ligadas à passagem pelo Édipo, notadamente na menina, aos aspectos da castração, do recalque e às vicissitudes de sua resolução.

Levanta-se também a relação entre castração, finitude e morte nesta passagem pela adolescência. São destacadas ainda as operações de identificação que nesta fase se reatualizam. Estes foram os pontos teóricos que nortearam o presente trabalho, desenvolvido a partir de estudos de casos clínicos.

 

Título: Fala e subjetivação: um estudo sobre os distúrbios da fala na clínica com crianças
Autora: Maria Angelina de Araújo Andrade
Orientadora: Ana Beatriz Freire
Data da defesa: abril/2001

Busca-se pesquisar as relações entre os distúrbios da fala observados na clínica com crianças e a posição objetiva delas. Parte-se do funcionamento das representações, tal como foi postulado por Freud, até a representação do sujeito através do significante, segundo Lacan. Extrai-se, dos distúrbios da fala apresentados por dois pacientes, uma estrutura que circunscreve a posição do sujeito em relação ao Outro. Nesse momento, passa-se a discutir o que a psicanálise tem a oferecer no tratamento desses pacientes, relacionando os distúrbios da fala aos processos que estão em jogo nas operações constitutivas do sujeito — alienação e separação.

 

Título: Uma abordagem psicanalítica acerca da posição subjetiva do toxicômano
Autora: Alba Riva Brito de Almeida
Orientadora: Tânia Coelho dos Santos
Data da defesa: maio/2001

Pretende-se realizar um recorte na análise das toxicomanias no que concerne à posição do toxicômano frente à exigência de gozo a que se encontra submetido, no ato intermitente de drogar-se. Esta posição está circunscrita à noção de objeto (objeto de gozo) articulada ao conceito do Outro inexistente. Portanto, serão privilegiados como referenciais de pesquisa os conceitos de gozo, objeto e Outro, trabalhados à luz das contribuições de Freud, Lacan e outros autores.

Nosso interesse consiste em situar a problemática da toxicomania na dimensão da realidade psíquica de cada sujeito, na qual a temporalidade da lógica inconsciente se encontra obturada pela suposição de uma satisfação maciça oferecida pelo objeto total (a droga). Para tanto, pretendemos circunscrever os fundamentos desta modalidade de laço do sujeito com o Outro, desde o plano da demanda, até o tempo da resposta, através das parcerias com seus objetos constitutivos, procurando demonstrar o específico do ato toxicômano: ato fundamental de separação e instituição do Outro.

 

Título: Clínica familiar em serviço público e psicanálise
Autora: Ana Maria Portela de Souza
Orientadora: Terezinha Feres Carneiro
Data da defesa: maio/2001

Discute-se as relações entre a psicanálise e a modalidade clínica de atendimento familiar. O objetivo consiste em identificar as possibilidades de contribuição da psicanálise para a clínica familiar em serviço público de saúde. Para atingir este propósito são apresentadas teorias analíticas de grupo e família, características do serviço público e da demanda clínica familiar, seguidas de uma análise do método freudiano. Resulta da análise deste conteúdo a conclusão de que uma linha conceitual originada da obra freudiana, descentrada do método clássico, desdobra-se em trabalhos pós-freudianos, fornecendo elementos da psicanálise para o desenvolvimento da intervenção clínica familiar.

 

Título: O mal-estar na medicina: reflexões sobre o ser o e fazer médicos
Autora: Maria Luiza Carvalho Soliani
Orientador: Joel Birman
Data da defesa: junho/2001

A partir dos estudos sobre os alunos de medicina da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, dos dados sobre os problemas atuais vivenciados pela comunidade médica, bem como das hipóteses e constatações da história da medicina, procura-se problematizar, sob o ponto de vista psicanalítico, o ser e o fazer médicos, focalizando a medicina e o mal-estar de seus praticantes, discutindo a realidade psíquica dos médicos e estudantes, suas dificuldades durante o curso e, depois, no exercício da profissão, apontando impasses e possibilidades.

Os mal-estares foram examinados com os fundamentos conceituais da segunda teoria pulsional, assinalando-se categorias formuladas com o referencial do texto O mal-estar na civilização. Destacaram-se os conceitos de pulsão de vida e de morte, o desamparo dos sujeitos e suas tentativas de lidar com os conflitos entre natureza e civilização, dentro das possibilidades da economia pulsional.

O resultado da procura de compreensão psicanalítica dos mal-estares, ao longo da história da medicina e na contemporaneidade, apontou, como contribuição final do estudo, alternativas para tratá-los; o constitutivo, resultante das forças pulsionais, e o decorrente do embate com as exigências da civilização — conflitos e desamparos presentes no ser e fazer médicos.

Com base nos estudos efetuados, recomenda-se uma mudança na formação profissional, de modo que o médico possa ter condições de lidar melhor com o mal-estar do doente, com seu próprio mal-estar face à realidade do paciente, permeada de sofrimento e morte, e com o mal-estar inerente a todo ser humano em sua relação consigo mesmo e com os outros.

 

Título: Subjetividade e docência: uma abordagem psicanalítica do mal-estar docente
Autora: Ana Laura Pepe
Orientadora: Angélica Bastos
Data da defesa: junho/2001

Visa-se estudar a emergência de um mal-estar na prática docente observada na clínica. A abordagem psicanalítica desta questão pressupõe que a docência é exercida por um sujeito de linguagem, dividido pela ordem significante que cinde saber e conhecimento. Esta distinção efetivada por Freud, através das operações de castração e recalque, demarcando a intrínseca relação do saber com a constituição subjetiva, permite delimitar estruturalmente a questão do mal-estar docente como correlata às relações entre o sujeito e o saber.

A teoria lacaniana dos discursos situa a castração como a impossibilidade do simbólico de totalização do dizer e do saber, configurando as quatro possíveis relações entre sujeito e saber, em quatro formas de laço social. Consideramos, deste modo, que ela permite revelar quatro facetas do fazer docente, e situar o mal-estar na estagnação do giro discursivo pela cristalização do discurso. A transmissão da psicanálise por contraponto ao discurso universitário permite situar os modos possíveis de passagem da impotência para a impossibilidade do saber.

Essa articulação possibilita re-situar o conselho freudiano quanto ao benefício da análise para os docentes e repensar o atendimento dado aos mesmos, pelos serviços médicos, na emergência de seu mal-estar.

 

Título: Não posso cantar e assobiar ao mesmo tempo: o débil e sua escolha ante o saber
Autora: Sylvia Maria Torres Bezerril
Orientadora: Angélica Bastos
Data da defesa: junho/2001

Investiga-se a debilidade (sem qualquer comprometimento orgânico) à luz da psicanálise, a partir do pressuposto que se refere à debilidade como uma resposta da criança diante do desejo materno, quando de sua constituição como sujeito. A teoria psicanalítica afirma que, na estruturação do sujeito, a criança vai se deparar com a falta no Outro materno e enfrentar a castração, devendo dar uma resposta que implica um saber sobre o desejo materno e sobre o seu próprio desejo, isto é, um saber que não se quer saber. Com este saber o débil estabelece uma relação peculiar, que repercute na sua relação com o saber formal.

Discutem-se os laços que entrelaçam a criança, a mãe e o pai, ou seja, a criança, o desejo materno e a função paterna, com o objetivo de compreender o modo próprio do débil posicionar-se ante o Outro, quando tem que fazer uma escolha frente ao desejo materno. Além do estudo teórico sobre a questão, são feitas referências a casos clínicos, visando entender a relação particular do débil com o saber. Ao analisar os efeitos da prática clínica sobre a posição de passividade assumida pelo sujeito débil ante o saber, propõe-se a indicação da psicanálise como um tratamento possível para esses casos.

 

Título: Transferência: amor, saber e sintoma
Autora: Analícea de Souza Calmon Santos
Orientadora: Anna Carolina Lo Bianco Clementino
Data da defesa: julho/2001

Tomando por base a recomendação de Freud (1912) de que a pesquisa e a prática clínica devem caminhar juntas, interroga-se a prática da psicanálise no Serviço de Psicologia da Ufba no que diz respeito à rotatividade dos estagiários e dos pacientes, levando em conta o vínculo transferencial que aí se estabelece. Percebe-se que este diz respeito à relação dos pacientes com a instituição e com os estagiários, o que supõe uma dupla vertente, não sem conseqüências.

Uma reflexão sobre essa questão clínica, à luz do eixo teórico Freud-Lacan, orienta e circunscreve o eixo do trabalho, estruturado em quatro capítulos. O primeiro trata da vertente inaugural da transferência, o amor, enfatizando-a na perspectiva imaginária do registro de Lacan. O segundo desenvolve a relação de transferência com o saber, focalizando os conceitos de sujeito-suposto-saber e significante da transferência. O desenvolvimento desses conceitos, sob a ótica do registro simbólico, representa o núcleo da discussão que se estabelece em torno da situação-problema. O terceiro capítulo articula a transferência com o sintoma, com a intenção de verificar, à luz do enodamento dos três registros (R-S-I), a possibilidade de sustentação do pressuposto: "o sintoma causa a transferência". O quarto capítulo fundamenta clinicamente o delineamento teórico dos capítulos anteriores, tomando como referência dois fragmentos de casos clínicos atendidos no Serviço de Psicologia da UFBA

 

Título: Considerações sobre o objeto autístico e o objeto transicional: o autismo em questão
Autor: Celso Augusto Brito Vilas-Boas
Orientadora: Ana Beatriz Freire
Data da defesa: julho/2001

Aborda-se, especificamente, o estudo da relação da criança autista com o objeto autístico, presente na situação analítica. O conceito de objeto autístico foi estabelecido por Francis Tustin, ao observar e tratar crianças portadoras de autismo infantil.

Tem-se como ponto de partida a conceituação de autismo infantil de Leo Kanner, afastando-se, todavia, da visão fenomenológica da psiquiatria e buscando compreender a relação da criança autista com o objeto autístico, à luz da psicanálise. Com isto, a pesquisa voltou-se para os textos freudianos, sobretudo os que tratam dos momentos inaugurais do psiquismo humano, desde quando o autismo aparece, supostamente, neste período precoce.

Considera-se ainda o conceito de objeto do inconsciente e também de objeto transicional, com a finalidade de melhor ilustrar e trabalhar a relação do sujeito autista com o objeto autístico.

 

Título: Os estados afetivos da depressão das neuroses: uma leitura freudiana
Autora: Thereza Arlinda Hughes Guerreiro Costa
Orientadora: Maria Teresa Pinheiro
Data da defesa: julho/2001

Pretende-se analisar os estados afetivos, em particular a tristeza e a depressão na neurose. Foram utilizados os textos da metapsicologia freudiana e os da segunda tópica, assinalando-se alguns aspectos metapsicológicos do recalque, do afeto, da depressão, do narcisismo, da identificação e ideais, sendo discutidos esses afetos depressivos que acompanham todas as neuroses. A pesquisa foi organizada em quatro capítulos, tendo o seguinte recorte: o primeiro, "Freud, as neuroses e os afetos"; o segundo, "A depressão nas neuroses", o terceiro "Narcisismo, identificação e ideais", e o quarto capítulo finaliza com a discussão sobre o tema desta pesquisa: "Os estados afetivos da depressão nas neuroses".

 

Título: A teoria dos quatro discursos: uma elaboração formalizada da clínica psicanalítica
Autora: Maria Angélia Teixeira
Orientadora: Tânia Coelho dos Santos
Data da defesa: julho/2001

Parte-se do princípio de que a teoria dos quatro discursos constitui-se em um novo paradigma da clínica psicanalítica reordenada mais além do Édipo, no campo do gozo.

Particularmente, consideramos que esta teoria circunscreve, de modo atual, algumas proposições que regem a prática psicanalítica com as quais torna-se possível formalizar seus efeitos, aspecto de especial interesse neste trabalho.

Os discursos são definidos por J. Lacan como laços sociais estruturados no campo da linguagem e instauradores dos aparelhos de gozo. Com este aparelho, cuja materialidade é significante, determina-se a realidade.

Conceber o discurso como laço social torna evidente que não há discurso sem prática. A prática que condiciona o discurso analítico se faz no ato analítico, e produz seus particulares laços de gozo.

Por razões lógicas, propõe o autor que os discursos sejam quatro, a saber: o discurso do mestre, o discurso da universidade, o discurso da histérica e o discurso do psicanalista.

Orientado pela mudança de perspectiva realizada na clínica através da teoria dos quatro discursos, o trabalho se ocupará do discurso do psicanalista, definido como um aparelho construído para tratar o real, de onde surge o sujeito do inconsciente, sobre o qual opera a psicanálise.

 

Título: Considerações sobre a concepção freudiana de melancolia
Autora: Clarice Bacelar Lemos
Orientadora: Anna Carolina Lo Bianco Clementino
Data da defesa: agosto/2001

Visa-se expor as concepções freudianas sobre melancolia, apresentadas sob distintos modelos teóricos, assinalando seus mecanismos essenciais, os quais possibilitam se pensar numa concepção freudiana de melancolia. Para atingir os objetivos propostos, efetuou-se um percurso cronológico dos escritos de Freud, desde os que trazem ligeiras alusões à melancolia até as suas reflexões mais profundas, apresentando os três modelos teóricos utilizados: o das neuroses atuais — neurose de angústia; o do narcisismo — parafrenia (psicose-neurose narcísica); o do luto — neurose narcísica (1917 e 1924).

Discute-se as três precondições da melancolia segundo Freud: perda do objeto, ambivalência e regressão da libido ao eu, que coexistindo e mantendo determinadas relações de interdependência, definem a sua dinâmica e a caracterizam. Além disso, ressalta-se a paradoxal perda do objeto na melancolia que, em última instância, é a perda do eu. Nas considerações finais são assinaladas as teorizações que permitem se falar de uma concepção freudiana de melancolia, sem com isso se pretender esboçar uma concepção das concepções.

 

Título: O estranho e seus destinos
Autora: Patrícia Saceanu
Orientadora: Maria Teresa Pinheiro
Data da defesa: setembro/2001

Pretende-se discutir o tema da inquietante estranheza, proposto por Freud em 1919, no texto intitulado "O estranho" — Das Unheimliche — que mostra a estreita articulação entre o mais estranho e o mais familiar a um sujeito. O aspecto de íntima familiaridade da estranheza aqui em questão nos remete ao tema do narcisismo, como condição desta familiaridade que vemos muitas vezes mostrar-se estranha ao eu.

A partir das formulações de Lacan sobre o estádio do espelho, observa-se que a imagem própria, que só pode ser apreendida numa exterioridade, pode tornar-se fonte de estranheza, como ocorre no fenômeno do duplo, exemplo paradigmático do Unheimlich.

Recorrendo à literatura, procura-se mostrar alguns dos possíveis destinos desta estranheza a partir de um fenômeno semelhante: a vacilação da própria imagem. Neste sentido, observa-se o tema da angústia, pensada por Freud e Lacan em estreita articulação com o Unheimlich, e a agressividade dirigida ao estranho, tal como pode ser verificada na atualidade.

Pretende-se, por fim, pensar o Unheimlich, a angústia e a agressividade que aparecem freqüentemente associadas a este, tendo sempre como horizonte a clínica psicanalítica, já que se acredita que esta pode apontar uma outra possibilidade, ao promover o encontro do sujeito com a sua própria estranheza.

 

Título: Duas funções para a fantasia: da realização de desejo à condição de seu sustentáculo
Autora: Christiane de Vilhena Bittencourt
Orientadora: Angélica Bastos
Data da defesa: dezembro/2001

Pretende-se circunscrever funções da fantasia. De Freud extrai-se uma primeira função: a realização de desejo. De acordo com a formulação de Lacan, sua função seria a de sustentação do próprio desejo. A trajetória desse trabalho se desdobra entre essas duas funções. Averigua-se que, em sua função de realização de desejo, a fantasia repara, através do investimento nos objetos imaginários, a perda que faz da realidade algo insatisfatório para o sujeito neurótico.

A abordagem da função de sustentáculo do desejo, por sua vez, tem início a partir da investigação da fantasia de espancamento. É aí que Freud toma a fantasia enquanto algo que subsiste à parte do resto do conteúdo de uma neurose. Da dimensão de uma produção do inconsciente, realizadora de desejos, a uma dimensão que guarda autonomia em relação a esse plano, vislumbra-se uma função outra para a fantasia.

Ao dar esteio ao sujeito, essa função o fixa numa determinada posição subjetiva, sem a qual estaria fadado a permanecer em eterna errância significante, na busca do objeto perdido. Como condição de constituição subjetiva neurótica, a fantasia, em sua função de `fixão', apresenta-se como aquilo a partir do que o sujeito, enquanto sujeito do desejo, ganha a possibilidade de sua sustentação.

 


 

TESES

Título: Deglutindo Freud: história da digestão do discurso psicanalítico no Brasil _ 1920-1940
Autora: Cristiana Facchinetti
Orientador: Joel Birman
Data da defesa: março/2001

Partiu-se do pressuposto de que o discurso psicanalítico é sempre apropriado por um intérprete que se filia a uma tradição histórica e cultural. Nesta perspectiva, a produção de subjetividade que tem lugar na clínica psicanalítica será marcada por essa tradição privilegiada pelo analista. Neste sentido, julgou-se de grande relevância a investigação das vias discursivas de entrada da psicanálise no Brasil, indicando os pontos de ancoragem da mesma na cultura e na história locais.

Com este intuito, deu-se início à pesquisa pela busca das raízes do que configurou, no início do século XX, o interesse pela psicanálise. Demonstra-se então a centralidade da questão acerca da independência e do desenvolvimento do Brasil como nação científica e literária do século XIX.

A seguir, procurou-se delinear o processo de urbanização e modernização do país, no início do século XX, e a entrada da psicanálise em um campo de forças divergentes. Neste campo trava-se um embate pela hegemonia discursiva entre duas leituras que se constituíram como antagônicas e inconciliáveis, e que levaram a dois modos distintos de uso instrumental da psicanálise: de um lado, o discurso psiquiátrico-higienista, com sua leitura reformista e universalizante da psicanálise; de outro, o discurso da vanguarda modernista, com a leitura da subversão dos códigos estabelecidos e da busca de singularidade, ambos se constituindo no rastro da busca de forjar o brasileiro que se desejava.

O último eixo do trabalho é dedicado a discutir os destinos desses discursos a partir da institucionalização da psicanálise no país, bem como suas conseqüências na clínica psicanalítica. Pretendeu-se ainda apontar para as reverberações de falta de vigor presentes na atualidade do campo psicanalítico deste país, como referentes à hegemonia do discurso universalista.

 

Título: Sobre o estilo de Freud
Autora: Andréa Barbosa de Albuquerque
Orientador: Joel Birman
Data da defesa: maio/2001

Partiu-se do pressuposto de que a psicanálise é uma modalidade de saber — saber fazer —, cuja especificidade foi delimitada pelo estilo de Freud.

Considera-se o estilo como uma forma singular de apreensão da experiência do homem no mundo, de intervenção neste mundo concebido e de inscrição dessa experiência em escritura. Destacam-se, no horizonte freudiano, as concepções pautadas na tradição iluminista e formulações enraizadas no movimento romântico, que se fazem presentes, na obra de Freud, em seus enunciados acerca da ciência e da arte, em particular, a literatura.

Indica-se como Freud estabelece um diálogo questionador entre o modo de fazer da ciência e o processo literário, destacando-se como a experiência poética ganha densidade ao longo do percurso freudiano, constituindo um norte decisivo em suas formulações sobre a dinâmica psíquica. Discute-se as figurações assumidas por essa problemática nos estudos de Freud sobre a civilização e a cultura, em suas reflexões sobre o processo de teorização, em suas concepções de clínica psicanalítica e nas características de sua escrita.

O eixo articulador do trabalho é a consideração de que o estilo de Freud encena uma concepção de subjetividade dividida, em tensão, marcada por contradições e conflitos irreconciliáveis, por representações e afetações dissonantes, em contínuo movimento de constituição. O movimento presente nos textos de Freud contribui decisivamente para que possamos considerar sua obra como uma matriz de pensamento, motivo provocador de produção recorrente de novos questionamentos e sentidos diversos.

 

Título: O tempo do ser-vil: a função do servo no gozo dos pobres-diabos
Autor: Luis Alberto Helsinger
Orientador: Joel Birman
Data da defesa: junho/2001

Na primeira parte da tese, desenvolve-se a concepção de perversão em Freud e também a questão do tempo na perversão com ilustração de um caso clínico. Na segunda parte, enfatiza-se a relação da perversão e cultura a partir da servidão. São enfocados aspectos do nazismo, da globalização e do mercado ilegal de drogas, acentuando ainda a questão da colonização, escravidão e servidão, sobretudo no Brasil.

No final, utiliza-se um conto de Machado de Assis sobre a abolição, aqui denominado "Complexo de Pancrácio".

 

Título: O laço social próprio à psicose
Autora: Helena Cosma da Graça Fonseca Veloso
Orientadora: Ana Beatriz Freire
Data da defesa: julho/2001

A teoria que fundamenta essa tese é a psicanalítica. O tema abordado é a especificidade da psicose. Nela, o autor percorre os textos de Freud, Lacan e comentadores que contemplam o tema, buscando evidenciar no que consiste a especificidade desse quadro clínico. Os resultados da pesquisa mostram que, se foi Sigmund Freud o primeiro a assinalar que a questão posta pela psicose é a da existência de um sujeito em função de sua produção discursiva, é Jacques Lacan que vem a permitir visualizar as características dessa produção, ao configurar a psicose como um discurso que tende a ignorar o impossível e seus desdobramentos.

 

Título: Freud e a fábrica da alma
Autora: Monah Winograd
Orientador: Luiz Alfredo Garcia-Roza
Data da defesa: julho/2001

Apresentam-se vários objetivos interconectados: (a) oferecer um panorama básico da problemática corpo-alma na obra de Sigmund Freud; (b) explicitar alguns dos fundamentos ou, por assim dizer, pressupostos, mais ou menos implícitos do pensamento freudiano, e (c) introduzir a metapsicologia freudiana a partir de alguns conceitos básicos que, de um modo ou de outro, expressem a problemática em foco. Com isso, pretende-se proporcionar um instrumento de trabalho para quem deseje se aprofundar na leitura de Freud, introduzindo-a a partir desta perspectiva determinante.

Inicialmente, os fundamentos ou pressupostos do pensamento freudiano são apresentados: a idéia de concomitância dependente, a de filogenia anímica, a de equação etiológica e a de as séries complementares. Formuladas em épocas diversas e em contextos teóricos igualmente diversos, formam uma rede na qual a psicanálise de Sigmund Freud está assentada. Da metapsicologia propriamente dita, três conceitos fundamentais foram destacados: afeto, pulsão e isso. Os três podem ser visualizados como membranas, tanto epistêmicas, quanto metapsicológicas. Eles medeiam a interlocução entre a psicanálise e regiões de saber vizinhas, como a filosofia e a biologia, delimitando o campo propriamente psicanalítico; ao mesmo tempo, internamente à metapsicologia, constituem bordas conceituais, pois se referem às zonas de indiscernibilidade entre a alma ou o psiquismo e o corpo com o qual ela faz uma unidade.

 

Título: O que nos faz pensar? As condições do pensamento na experiência-limite
Autor: Auterives Maciel Jr.
Orientadora: Regina Herzog
Data da defesa: julho/2001

Tomando como ponto de partida a questão "o que nos faz pensar?", procura-se estabelecer as condições de uma nova forma de pensamento: o pensamento do Fora. Pretende-se abordar a emergência deste pensamento a partir da crise da racionalidade clássica no cenário contemporâneo. Visa-se, portanto, compreender a gênese do pensamento do Fora em uma perspectiva crítica que tem o Logos como alvo. Nesse aspecto, toma-se como eixo de articulação a metapsicologia, procurando-se através de conceitos propostos por Freud um anti-Logos, isto é, um pathos como condição da experiência do Fora.

Como existe na metapsicologia a tentativa de estabelecer para a sexualidade um novo Logos, o texto trata também de estabelecer as condições deste Logos, mostrando a necessidade de submetê-lo a uma crítica para determinar com precisão o pensamento que ele irá investigar. Só então é que o desenvolvimento descritivo do pensamento do Fora ganha relevo. A discussão final gira em torno da ética desse pensamento, procurando evidenciar a liberdade criativa do pensamento quando ele se liberta das ortodoxias impostas pela racionalidade.

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